sábado, 15 de maio de 2021

MODA - OUTONO CHIQUE!

 Gazeta da Torre

CONHEÇA AS CORES, PEÇAS E ACESSÓRIOS QUE VÃO INOVAR O GUARDA- ROUPA DA MULHER QUE PRIORIZA CONFORTO, ELEGÃNCIA E PRATICIDADE.

Com as constantes oscilações dos termômetros, está cada vez mais difícil acertar no look que vai nos acompanhar o dia todo.

Foi pensando nessas variações climáticas que a nossa Consultora de Imagem e Estilo Fatima Fradique, resolveu pautar para esta edição opções para enfrentar o frio, o calor, a chuva, o sol... Produções práticas, elegantes e irresistíveis para que vocês possam driblar as temperaturas sem perder o conforto, a elegância e a praticidade. A ideia é fazer um mix de tons neutros e cores mais fortes, afim de vocês multiplicarem seus looks com extrema facilidade. Então, aprecie cada item que foi selecionado no capricho para vocês.

1) LOOK: BLAZER – ALFAITARIA.

O blazer é uma peça clássica e curinga que toda mulher deveria ter no seu guarda-roupa ou closet. Essa peça dá um ar sofisticado e elegante para qualquer look, além de ser facilmente adaptado com outras peças, o que vai definir é a forma que você vai usá-lo e como vai montar seu look. O mesmo blazer que você usa no trabalho, pode facilmente se transformar em um look mais despojado.  Ponto para essa peça de ontem, hoje, e sempre!

2) LOOK:  BLUSA GOLA-LAÇO.

A blusa gola-laço, já está sendo considerada como um modelo atemporal, um clássico da moda. Essa peça é garantia de estar sempre arrumada e feminina. Com ela você vai do trabalho ao lazer com romantismo e graciosidade. Vale apena investir!

3) LOOK: CALÇA PANTACOURT.

A calça pantacourt é volumosa e moderninha, a versão mais curta da pantalona é uma das novidades do momento e protagoniza visuais cheios de atitude e elegância.

Truque de estilo: Como a barra acaba no meio da canela, é interessante aliá-la a sapatos que deixam o peito do pé livre ou de tons terrosos, como nude e marrom, para manter a silhueta longilínea. Com essa peça você vai do trabalho ao lazer sem erro! 

4) LOOK: CONJUNTINHO – MONOCROMÁTICO.

O look monocromático deixa a pessoa elegante, além de alongar e afinar a silhueta. É uma combinação que utiliza apenas uma cor, esquema fácil de ser utilizado com resultado sofisticado e atrativo. O look aqui mostrado é um conjuntinho jogger, na cor verde oliva, jovial, soltinho e versátil. Podendo ainda usar as peças separadas. O conjuntinho vai de boa em diversas combinações. Vale apena investir!

5) LOOK:  CARDIGÃ.

O cardigã é considerado uma peça versátil, clássico e atemporal. Queridinho das mulheres e aliado na hora de inovar, que apresenta inúmeras combinações. Essa peça é indispensável no guarda-roupa feminino exatamente pelo mundo de possibilidades e combinações que ela pode oferecer.

O look aqui mostrado é um cardigã aberto, o seu diferencial está na aplicação de retilíneo em toda sua abertura alongando a silhueta com charme e estilo. Com ela você vai do trabalho ao lazer sem erro! 

Espero que aprovem as dicas. O ponto chave agora é com vocês! Ouse, permita-se e monte suas produções sem erro!

Facebook ( Fanpage) Fatima Fradique

Instagran:  https://www.instagram.com/fatima_fradiquecrc/?hl=en

Nova política do WhatsApp começa HOJE (15/5)

 Gazeta da Torre

Presente em 99% dos smartphones no Brasil, a partir da hoje (15/5), o WhatsApp passará a compartilhar com o Facebook e Instagram grande parte dos dados coletados pelo aplicativo de mensagem. Em sintonia com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a ação só será realizada com a permissão do usuário. Para quem não concordar com esse compartilhamento, resta utilizar a ferramenta de forma tão limitada, que terminará sem utilidade em um curto espaço de tempo.

 “O que o WhatsApp vai fazer é induzir o consumidor ao erro. Porque, por mais que eles garantam que as mensagens são criptografadas, o que importa é o que se vai fazer com esses dados colhidos de algo que deveria ser privativo nosso, como nossos contatos, fotos do nosso perfil localização, entre outros”, comenta a advogada e professora de Direito Cibernético, Carmina Hissa. De acordo com ela, só no Brasil o WhatsApp encontrou esse espaço para agir dessa forma. “Como aqui no Brasil, a maioria utiliza essa ferramenta, eles agem dessa maneira. Mas no fim, o que os usuários têm que se perguntar ao aceitar ou não os novos termos é o quanto vale sua privacidade. Afinal, ao compartilhar esses dados com o Facebook, que já tem uma política de utilização de dados de forma distinta, quem pode garantir onde nossos dados irão parar e como serão utilizados”, questiona.

Para o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, na prática, a nova política de compartilhamento de dados do WhatsApp não vai piorar nem melhor nada. “O compartilhamento de informações já acontecia muito antes de qualquer mudança. A diferença, agora, e que estão perguntando se podem ou não compartilhar”, avalia Lucena, que aponta que o desconforto de dividir algumas informações não se compara aos benefícios de ter uma cota de comunicação no canal. “O WhatsApp é um instrumento de comunicação cômodo e que até hoje consegue funcionar sem a interferência de spams como nenhum outro”, analisa.

Migrar pode ser uma alternativa

Pesquisa realizada, em fevereiro, pela Panorama Mobile Time/Opinion Box, revelou que 90% usam o WhatsApp para enviar mensagens, enquanto 81% se comunicam por mensagem de áudio pelo app. E quando se trata de abrir o aplicativo diariamente, 98% olham o mensageiro todo dia. Concorrer com algo tão dominante em território brasileiro não será tão simples. O Telegram tem conseguido uma boa evolução desde que o WhatsApp anunciou essas modificações em sua política de compartilhamento de informações, mas ainda não tem tanta adesão como o WhatsApp. Segundo o levantamento, embora tenha conseguido soltar de 13%, em janeiro de 2019, para 27% a sua base de usuários no Brasil, apenas 53% desses usuários utilizam a plataforma diariamente.

“Não acredito que vá haver uma adesão em massa a outros aplicativos de mensagens, a exemplo do Telegram, por conta dessa mudança do WhatsApp. O WhatsApp já está inserido no comportamento individual do brasileiro e acho difícil que isso mude agora”, avalia Pierre Lucena.

Para Carmina Hissa, migrar pode ser uma forma de proteção. “O WhatsApp vem perdendo seguidores no Brasil após o anúncio dessas mudanças, cerca de 30% de sua base de usuários já não utiliza a plataforma em seu dia a dia”, afirma Hissa.

De acordo com ela, é possível migrar para outros aplicativos tão bons quanto o WhatsApp sem prejuízo algum das informações contidas no app. “Como nossa agenda de telefone não muda, quando se instala o Telegram, por exemplo, ele já avisa quem tem ou não o aplicativo instalado”, informa a especialista.

Após a instalação do novo aplicativo de mensagem, segundo Carmina, também é possível exportar as conversas do WhatsApp. Para isso, ela dá as dicas de como fazer:

No Androide basta o usuário ir nos três pontos, no canto superior direito da conversa, e depois clicar em “Mais”. Lá, terá a opção de “Exportar conversa”. Escolha se deseja anexar a mídia ou não (para enviar fotos, vídeos e arquivos trocados); no menu de compartilhamento, escolha o Telegram; selecione para qual chat deseja transferir as mensagens e clique em importar e aguarde concluir.

No IOS, é mais complexo. Veja o passo a passo:

Passo 1. Abra o WhatsApp e acesse a conversa que você quer transferir. Em seguida, toque sobre o nome do contato para abrir os dados. Por lá, role a tela até o fim e toque em "Exportar conversa";

Passo 2. Escolha se deseja anexar os arquivos de mídia ou exportar apenas as mensagens de texto. Após exportar, o menu de compartilhamento do iOS será exibido. Nele, localize o Telegram ou outro app e toque em "Mais";

Passo 3. O mensageiro será aberto e você deverá selecionar o contato para o qual a conversa será importada. Se necessário, use a busca para localizá-lo rapidamente. É preciso que você e o contato que irá receber as mensagens tenham os respectivos números salvos;

Passo 4. Agora, confirme a importação tocando em "Pronto" e aguarde até que as mensagens sejam transferidas. É importante permanecer com o aplicativo aberto até que o processo seja finalizado. Por fim, basta tocar em "Pronto";

Detalhe: No Telegram, as mensagens serão exibidas com a data original e a data de importação.

Fonte:CBN Recife

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Estudante de Escola Municipal no Ipsep vence concurso de redação da NASA

 Gazeta da Torre

A estudante Isadora Vasconcelos

Com a redação “Ariel: do mundo da fantasia para realidade de um mundo fantástico”, Isadora Vasconcelos, estudante do 7° ano da Escola Municipal Complexo Luiz Vaz de Camões, localizada no Ipsep, foi a vencedora do Concurso Cientista por um Dia 2020-2021, promovido pela National Aeronautics and Space Administration (Nasa). A estudante se destacou na categoria Ensino Fundamental I. O concurso de redação, que contou com a participação de mais de 14 mil estudantes, foi criado para dar aos discentes do mundo inteiro uma oportunidade de experimentarem como é a vida de um cientista na NASA.

Mesmo diante dos desafios impostos pela pandemia, a aluna encontrou inspiração e disposição para se dedicar aos estudos. Isadora contou que o maior desafio neste tempo foi ficar muito tempo na frente de uma tela, que afetou sua visão, levando-a a usar óculos. “Para mim foi difícil, não só na questão do aprendizado, mas é muito mais divertido o presencial com os professores e os colegas, interagindo, criando um vínculo. E pela internet, na frente de uma tela não dá para fazer isso. É claro que na pandemia é mais seguro ficar em casa, mas se eu pudesse escolher, se não tivesse pandemia ou todos estivessem vacinados, eu ia preferir estudar presencialmente”, contou a estudante.

Para esta edição do concurso de redação, os estudantes deveriam explorar três luas que a sonda Voyager 2 da NASA, lançada em 1986 ao espaço, visitou durante sua jornada histórica pelo sistema solar. A tarefa dos estudantes era estudar as luas de Urano (Ariel, Oberon e Titânia) e escolher entre elas, qual seria a melhor opção para retornar com outra espaçonave e aprender mais sobre esses mundos incríveis.

Amante da cultura japonesa, e com um ímpeto imenso em ajudar o próximo, a estudante juntou a curiosidade ao encanto por uma princesa da Disney para desenvolver o trabalho científico. “Eu escolhi falar sobre esta lua, não só pelo nome que eu adoro, mas também porque eu amava a princesa Ariel. Era a minha princesa preferida. Quando eu era mais nova, pedia até para a minha mãe pintar o meu cabelo igual ao dela. Mas também achei a lua muito interessante, gostei de ler sobre ela e associá-la à princesa da Disney”, explicou.

O trabalho da aluna faz parte do Clube de Astronomia, criado pelo professor de geografia Alamy Veríssimo. “Essa pandemia fez com que a escola, a família e o professor se aproximassem muito mais. A família tomou posse do que é educação, não do que é escola. A escola entendeu a necessidade de dar recursos para que o professor pudesse ensinar e visse que era necessário se reinventar para motivar os alunos. Este tripé funcionou em função de um único objetivo, o de levar conhecimento”, disse o professor.

“Neste momento de pandemia, o importante não é saber que foi uma conquista de um prêmio, mas saber que foi um trabalho em equipe, mesmo com todo mundo longe. A família, a escola e o professor trabalharam juntos. A pandemia nos ensinou isso, que eu não preciso estar próximo, vendo, para trabalhar com o aluno. Eu preciso querer”, pontuou, emocionado, o professor.

Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife

quinta-feira, 13 de maio de 2021

“13 de maio não é dia de negro”

 Gazeta da Torre

Lenne Ferreira, jornalista e produtora cultural

Como falar de abolição no país que manda matar uma vereadora negra em pleno exercício de um mandato em prol de políticas públicas para o povo preto? Como falar de abolição no país onde um adolescente é assassinado em casa por policiais militares durante uma operação? Como falar em abolição em um Brasil cuja população negra ocupa o primeiro lugar dos piores índices? Como falar em abolição 133 anos após a assinatura de uma lei que, além de assinada tardiamente, não representou dignidade para negros (as) e ainda tenta colocar nas mãos de uma personagem branca o que só foi possível graças ao suor e sangue de homens e mulheres sequestrados de África.

Os minguados capítulos dos livros de História não dão conta de toda a articulação protagonizada por lideranças negras até o momento em que a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 1888. Aqualtune, Zumbi dos Palmares, Acotirene, Ganga Zumba, Maria Firmina e tantos outros (as) personagens que precisam ser difundidos como centrais na luta pela abolição. Lida por muitos como redentora, a segunda filha de Dom Pedro 2º, Isabel, na verdade, atendeu à pressão de países como a Inglaterra, que, no auge da Revolução Industrial, já não viam sentido em manter o regime escravocrata.

É preciso pontuar, inclusive que, o “fim” da escravidão e do tráfico de africanos escravizados através do oceano atlântico colocou o Brasil em situação de confronto com a Inglaterra em vários momentos durante o século XIX. Uma dessas tensões foi intensificada com a promulgação, em 1845, no Parlamento inglês, do Bill Aberdeen, ou em português, a Lei Aberdeen, que estipulava que qualquer navio negreiro, de qualquer nacionalidade, poderia ser apressado por navios da marinha britânica no Atlântico e mesmo em águas brasileiras. Seus tripulantes seriam presos e julgados por um tribunal inglês. No Brasil, a lei foi repudiada por prejudicava um dos pilares da economia nacional, o tráfico de escravos.

Mas, voltando à princesa Isabel, que foi declarada herdeira do trono brasileiro aos 11 meses de idade, é preciso negritar que a condição de monárquica a colocava num lugar de beneficiada pelo regime escravocrata ao longo de praticamente toda sua vida. Será que ela abriu mão de serviçais para ajudar a fechar o espartilho? Segundo o historiador Henrique Silva de Oliveira, a tentativa de destacar a atuação da Princesa no processo abolicionista já ensaiava a intenção de preparar terreno para que ela assumisse o trono imperial.

O especialista explica que o que sustentou o governo imperial no Brasil foi justamente a exploração dos negros e negras. Uma prova disso é que, no ano seguinte à abolição, o império foi desmontado dando luz à República, regime que também não proporcionou dignidade para a população negra.

“O fim da condição jurídica da escravidão não garantiu liberdade para a população negra. Pelo contrário, o regime republicano passou a promover a perseguição por meio de leis como a Lei da Vadiagem, criada para criminalizar os negros. Ao invés de garantir igualdade de direitos individuais e irrestritos, ele vai fazer de tudo para preservar desigualdades”, destaca o historiador.

Com a ausência do senhor “proprietário” do escravo, era preciso encontrar formas de fazer o controle social dos ex-escravizados. “O primeiro decreto do governo provisório republicano foi determinar que os estados poderiam ampliar suas polícias sem precisar passar pelas assembleias legislativas. É nesse momento que a polícia é reformulada”, pontua Henrique.

No dia seguinte ao 13 de maio, negros e negras, a maioria analfabetos e sem posse de terra, precisaram encontrar formas de sobreviver. O eterno dia 14 é vivenciado até hoje pela população negra brasileira. São os corpos negros que ocupam o topo das estatísticas dos piores índices: maioria na população carcerária; maioria nos números de homicídios; maioria quando o assunto é desemprego. Esta população é a que, ainda hoje, sofre com a falta de políticas de reparação que não foram colocadas em prática no momento em que a Lei Áurea foi sancionada.

“Precisamos pensar que a igualdade não se dá no campo formal. A legislação que diz que somos iguais não é capaz de tocar na vida real das pessoas. A gente pode até não desprezar o 13 de maio, mas ele não pode ter o sentido que os brancos querem dar, de que a Lei Áurea foi um presente ou uma concessão”, reforça o historiador.

Avanços precisam ser reconhecidos em diversos campos, mas mesmo após 133 anos da abolição, eles não serviram para garantir o direito básico à vida para quem luta por ela. A morte de Marielle Franco, uma pós abolicionista do nosso tempo, é um exemplo do quanto estamos distantes de um ideal de liberdade. O assassinato do menino João Pedro, de 14 anos, baleado numa operação policial no Rio de Janeiro, ou a morte do menino Miguel, no Recife, que caiu de um prédio por negligência da patroa branca da mãe, que não dispensou a empregada negra nem quando ela contraiu Covid-19, são triste exemplos do quanto a abolição segue inconclusa e comprova: “13 de maio não é dia de negro”.

(O título do texto é uma citação da música “Quilombo Axé” (Dia de Negro), do grupo pernambucano Afoxé Oya Alaxé e de autoria de Zumbi Bahia.

Texto da jornalista e produtora cultural Lenne Ferreira – ALMA PRETA

ALMA PRETA - O Alma Preta é um portal de notícias fundado em 27 de Abril de 2015, em Bauru, interior de São Paulo, com a proposta de cobrir a realidade brasileira a partir das perspectivas de raça, classe, gênero e sexualidade. O portal também tem o objetivo de construir uma identidade negra positiva.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Ambiente inseguro e instável trava a cultura da inovação no Brasil

 Gazeta da Torre

As amarras no ambiente de negócios nacional travam os processos de empreendedorismo no País não apenas quanto à abertura de empresas, mas também no desenvolvimento de projetos em vários campos da vida e da economia, afirma Ricardo Sennes, economista, cientista político, e sócio-diretor da Prospectiva Consultoria.

“O ambiente é muito inseguro, instável e antiempreendedor, inviabilizando obras de infraestrutura complexas no Brasil e os centros de inovação em pesquisa. A dificuldade regulatória para projetos de inovação radical nos campos da ciência e do empreendedorismo empresarial é imensa. Dá-se um primeiro passo aqui e, depois, se leva o projeto para fora, pois não dá para ter cinco órgãos de controle em cima do [projeto] inovador que precisa de regulação aberta.”

Em entrevista a plataforma UM BRASIL, ele pontua que as reformas macroeconômicas discutidas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso tangenciam os problemas do País e são “remendos que surgem depois que o problema está colocado: a Reforma da Previdência veio depois que a Previdência explodiu; a do trabalho, depois de 60 anos sem mexer no modelo trabalhista”, enfatiza. “Isso vem muito mais para remendar do que para nos preparar. A gente só toma decisão quando a situação já está no limite, não antecipamos decisões estratégicas para colocar o Brasil [em outro patamar].” Segundo o economista, a “bala de prata” das reformas seria a agenda da competitividade.

Ele pondera que o Brasil já passou da fase do boom econômico de industrialização e urbanização de décadas atrás, de tal forma que o patamar almejado exige políticas e arranjos regulatórios mais sofisticados, encarando nações mais bem desenvolvidas. “Nós não somos mais o país com a mão de obra mais barata do mundo, nem a China é assim. O Brasil não pode concorrer por mão de obra, deve concorrer próximo aos países de desenvolvimento médio para cima. É [focar na] capacidade de empreendimento inovador e eficaz em nichos específicos da economia. É menos escala e mais qualidade, produtividade e inovação. Contudo, estamos presos a agendas negativas de grupos que não topam este jogo e que se prendem a agendas antigas, buscando repetir ganhos do passado.”

“Nas áreas de Tecnologia da Informação (TI), e-banking, pagamentos e e-commerce, o Brasil está muito bem, é um exportador de tecnologia. Nós temos de onde tirar bases para o próximo passo, só não podemos ter um ambiente que atrapalhe, mas que fomente a geração de valor.”

Problemas brasileiros evidenciados na pandemia

Ele também ressalta três pontos cujas deficiências e vulnerabilidades emergiram durante a pandemia: a saúde, como um tema coletivo e parte de uma estratégia para uma nação que queira se desenvolver de forma sustentável; a educação, tendo em vista que está “claro que o Brasil está pouco preparado e desestruturado” para manter este eixo como um pilar fundamental do desenvolvimento econômico e da organização social; e o choque da desigualdade social.

“Estes três temas ‘bateram fundo’ na sociedade brasileira, que percebe que são obrigatórios em uma agenda por um futuro mais civilizado. Vai ser muito difícil, daqui para a frente, pensar no que será a agenda política do Brasil sem lideranças que não tratem de maneira direta essas três questões”, conclui.

Fonte:UM Brasil

terça-feira, 11 de maio de 2021

Produção de suco de frutas cresce no Sertão

 Gazeta da Torre

Com a mudança de hábitos dos brasileiros e aumento do consumo nacional, as empresas enxergaram ali um caminho para agregar maior valor à cadeia produtiva das frutas da região sertaneja

O aumento considerável do consumo nacional de suco de frutas, aliado ao esgotamento da capacidade de crescimento do cultivo nas regiões tradicionais no Sul do País, e a possibilidade de se ter um produto sempre jovem, obtido ao longo de todo o ano são características que colocam o Sertão pernambucano na rota de grandes produtores da bebida, principalmente, o suco de uva, com recorde de produção no Vale do São Francisco.

Em franco crescimento, o suco de uva é o mais consumido no mundo. Segundo o presidente da Valexport, José Gualberto de Freitas, apesar das exportações brasileiras ainda serem pequenas nesse item específico, existe um mercado aberto e de olho: a Europa.

Atualmente, de acordo com pesquisas realizadas pela Embrapa, as principais uvas que se adaptaram são a Isabel Precoce, Cora, BRS Magna, Carmen, Rúbia e Violeta. Em termos de produtividade, o mercado brasileiro está na ordem de 150 milhões de litros/ ano de volume produzido de suco de uva integral.

O Brasil produz aproximadamente 1 milhão de toneladas de uva destinada para vinhos, espumantes e sucos.  Mas, segundo Gualberto, há espaço para crescimento de sucos se houver mais investimentos em pesquisas e recursos para que ocorra mais produtividade.

“Outras frutas também se inserem nesse mercado como pera, caqui e laranja. A região do Vale do São Francisco depende fortemente de investimentos em pesquisas e recursos para que ocorra mais atividade na agricultura irrigada, com diversificação das culturas e melhoria na infraestrutura econômica e social de toda a região e não apenas de Petrolina e Juazeiro, na Bahia. Sem esquecermos de investimentos em comunicação moderna para a área rural”, acrescentou.

Os big players de sucos no Vale

Atualmente no Vale do São Francisco os principais players estão concentrados nas vinícolas São Brás, Miolo Wine Group (Sunny Days - Terra Nova), vinícola Santa Maria (Rio Sol), terroir do São Francisco, grupo ASA (Palmeiron- Casa das Vinhas), Adega Bianchetti, Gran Valle e Timbaúba S.A (OQ Bebidas Saudáveis).

Fruticultura no Vale São Francisco

Alto valor agregado

Na década passada, a elaboração de suco era tida como um negócio inviável, mesmo com as condições favoráveis de solo e clima da região do Vale do São Francisco. Com a mudança de hábitos dos brasileiros e aumento do consumo nacional, as empresas enxergaram ali um caminho para agregar maior valor à cadeia produtiva em seus cultivares.

Exemplo inserido nesse contexto está a Timbaúba S.A, braço da agroindústria do grupo pernambucano Queiroz Galvão. Há 30 anos, a empresa plantava manga tipo Kent em uma pequena área em sua fazenda, em Petrolina, quase tudo para exportação. O foco era manga e uva de mesa. Depois, com estudos e pesquisas, começou a investir no cultivo de uvas para suco e também de coco.

Em 2010, o grupo que possui 1.000 hectares de área irrigada, resolveu plantar outras variedades de uvas como a BRS Magna, Isabel e a Carmen. “Plantamos ao longo de nossos estudos mais de 30 variedades de uvas para chegarmos a uma produtividade eficiente mais o sensorial adequado, unindo cor e sabor únicos ao nosso suco”, relatou o diretor comercial da Timbaúba S.A, Sydney Tavares.

O resultado dos investimentos em pesquisas foi o sucesso da marca OQ no suco de uva integral, em poucos anos.  Em recente pesquisa realizada pela ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados - em parceria com a consultoria Nielsen, a marca surgiu como a terceira maior em faturamento nos sucos prontos para beber na região Nordeste durante o ano de 2020, ficando atrás apenas de gigantes como a Del Valle (Coca Cola) e a Natural One (Votorantim e Fundo de Investimento Gávea).

Diversificação da produção

Com capacidade de produção de 24 milhões de litros/ano, o grupo decidiu diversificar sua linha de produtos e passou a ser fornecedora de sucos concentrados para outros grandes players.

Atualmente, no segmento de extração agroindustrial a Timbaúba S.A é contratada pela Coca Cola, Pepsico, Asa, Ambev, entre outras indústrias. Ou seja, dos 24 milhões de litros/ano de capacidade, ⅓ é destinado à produção do suco de uva Integral OQ; ⅓ para o sistema de co-packing (produção e envase em marca de terceiros, como Del Valle, por exemplo) e ⅓  para o fornecimento de matéria prima para outros fabricantes de sucos e bebidas.

Com essa tríade no modelo de negócio, a Timbaúba S.A agrega valor ao segmento agroindustrial, reduz possíveis riscos climáticos que possam ocorrer na região, escoando sua produção e amplia o mix de produtos.

 “Criamos um ativo intangível através da marca OQ, fugindo das commodities e oferecendo um produto com alto valor agregado e muito saudável, ainda mais importante em tempos de pandemia”, avaliou Tavares.

OQ Bebidas Saudáveis, uma marca da Timbaúba S/A

Crescimento do Coco

Com uma área de 250 hectares de coco tipo anão, a Timbaúba S.A também mantém o mesmo modelo de negócio na agroindústria com viés de fornecimento do suco concentrado para outras empresas, assim como oferece o envasamento de aproximadamente dez milhões de litros de água de coco integral para grandes grupos do Sul e Sudeste do país.

“Nossos carros chefes são as uvas e o coco. No suco de uva integral temos capacidade de atender 18% do volume comercializado no mercado nacional atualmente. Mas nosso objetivo é crescer ainda mais. No coco, é o mesmo processo. Em 2020, em meio a pandemia, conseguimos crescer mais de 50% em relação a 2019, mantendo a média de crescimento dos últimos 3 anos”.

Fonte:CBN Recife

O poder curativo da respiração

 Gazeta da Torre

Realizamos cerca de sete milhões de respirações por ano. Embora na maioria das vezes seja um ato inconsciente, podemos controlá-lo e assim influenciar nossos estados emocionais

O coronavírus ataca os pulmões e pode causar danos significativos. Quando uma das funções mais críticas do organismo é ameaçada, nosso sistema respiratório ativa o alerta vermelho. O fato de sermos seres que respiram sem interrupções significativas, do nascimento à morte, deve ser considerado fundamental.

Afinal de contas, respirar, como costumamos fazer, é a nossa maneira mais elementar de alcançar a sintonia ou ajuste. O eu e a respiração estão interligados: psique significa alma ou espírito, mas também respiração. Não só é essencial para a sobrevivência, como também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da autoconsciência. Nosso eu começa como um corpo que respira. Antes de podermos falar, já estamos respirando. Em seu ensaio Poesia e respiração, incluído no volume O Arco e a lira, o poeta Octavio Paz afirma: “Há uma relação indiscutível entre a respiração e o verso: todo feito espiritual é também físico”. Para Paz, respirar bem é “uma forma de nos unirmos ao mundo e participar do ritmo universal. Recitar versos é como dançar com o movimento geral do corpo e da natureza”. Embora a respiração se manifeste por intermédio dos pulmões, ela também está presente fora de nós. A cada troca de ar, nos encontramos entrelaçados nas correntes de uma presença envolvente, uma atmosfera, da qual somos inseparáveis e sem a qual seria impossível sobreviver.

Apesar de sua simplicidade enganosa, é necessário um programa sofisticado para ventilar os pulmões e responder aos desafios fisiológicos e às condições ambientais mutantes. O ar que respiramos não é constante nem homogêneo e, para detectar essas flutuações, as vias respiratórias usam uma rede densa que deriva principalmente, mas não exclusivamente, do nervo vago (a complexidade de suas fibras nos pulmões e no diafragma é mais intrincada do que em outros órgãos viscerais). A informação que ele transmite ao cérebro é amplamente interpretada de modo inconsciente. Na maioria das vezes não nos damos conta de que estamos respirando, mas quando algo dá errado, ou em uma atmosfera de intensa ansiedade, a própria respiração é foco de temor. A ansiedade restringe e sufoca a respiração —em latim, angústia significa aperto—, ela pode se tornar extremamente difícil e ameaçar nossa sobrevivência. Sigmund Freud observou isso na primeira paciente de psicanálise, Anna O., que manifestava uma tosse nervosa.

A respiração impulsiona tudo o que fazemos, por isso seu ritmo deve ser cuidadosamente organizado por nosso cérebro. Uma respiração começa quando centenas de neurônios saem em disparada aleatoriamente e se sincronizam rapidamente. “Ficamos surpresos ao perceber que a maneira como nossas células cerebrais trabalham juntas para gerar o ritmo respiratório é diferente a cada vez que respiramos”, diz Feldman. “Cada respiração é como uma nova canção com o mesmo ritmo.” O circuito faz parte do que foi chamado de marcapasso respiratório do cérebro, porque pode ser ajustado alterando o ritmo respiratório.

A respiração lenta e controlada diminui a atividade no circuito, a respiração rápida e errática a aumenta, o que, por sua vez, influencia nossos estados emocionais. Quando você respira pelo nariz, é produzido um fluxo cíclico de ar que funciona como um interruptor, que aciona a atividade respiratória do cérebro; a amígdala ou epicentro das emoções é estimulada e o hipocampo, que é a sede da memória, é conectado. 

É assim que, de todas as funções governadas por nosso sistema nervoso autônomo, a respiração é a única que podemos alterar conscientemente. Segundo Stephen Porges, autor da teoria polivagal, quando respiramos lentamente e prolongamos a expiração, enviamos sinais ao cérebro que ajustam o ramo parassimpático do nervo vago, o que desacelera o batimento cardíaco, promove uma sensação de calma e nos energiza. Além disso, modera a ativação do sistema nervoso simpático, que causa a liberação de hormônios do estresse. “É uma solução sem medicamentos nem efeitos colaterais para o estresse e os problemas do humor”, propõem Patricia Gerbarg e Richard Brown, especialistas em psiquiatria integrativa, em Respire – o poder curativo da respiração. “O cérebro escuta os pulmões. Quando mudamos nosso padrão de respiração, mudamos a forma como pensamos e sentimos, nos conectamos com nós mesmos e com os outros “. Resumidamente, como infere o filósofo Maurice Merleau-Ponty, “falamos de ‘inspiração’, e o termo deve ser entendido literalmente. Realmente existe inspiração e expiração do ser”.

Por David Dorenbaum, psiquiatra e psicanalista (Toronto, Canadá)/El País.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Crise dos chips: escassez global de componentes se agrava e amplia impactos na indústria

 Gazeta da Torre

Longe de ser solucionada, a crise dos chips se agrava semana após semana. A escassez global de componentes têm afetado diversos setores, como o de tecnologia, o segmento automobilístico, o setor de eletrodomésticos e até o ramo de produtos voltados para a casa. A consequência? Demissões de trabalhadores, adiamento de produtos, falta de mercadorias nos estoques e, claro, uma crise econômica sem precedentes.

Um dos setores mais afetados foi o segmento tecnológico. Afinal de contas, a crise dos chips impactou diretamente na oferta de dispositivos como celulares, notebooks, videogames, TVs e outros aparelhos.

Para o azar das empresas do setor, o mercado observa uma alta demanda pelos produtos, já que a quarentena oriunda da pandemia de coronavírus tem exigido dispositivos mais potentes para trabalho remoto ou mesmo novos aparelhos para que os indivíduos possam se entreter dentro de suas casas.

A sul-coreana Samsung informou que a escassez de componentes tem atingido sua produção de TVs e de outros aparelhos.

“Devido à escassez global de semicondutores, também estamos experimentando alguns efeitos, especialmente em torno de certos conjuntos de produtos e produção de telas”, afirmou Ben Suh, chefe de Relações com Investidores da Samsung, em uma ligação com analistas.

Inclusive, a companhia teme que a crise dos chips possa adiar o lançamento de seu próximo smartphone Galaxy Note.

A situação não tem sido diferente com sua rival Apple. A empresa de Tim Cook tem sofrido com a falta de chips para alavancar (ainda mais) o recém-lançado iPhone 12. Além disso, a companhia informou que vai adiar a produção de iPads e MacBooks por conta da escassez de peças no mercado.

O segmento gamer também tem enfrentado dificuldades. Tanto que consoles como PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch passam por problemas de produção. O mesmo é observado em periféricos de computadores, como fones, placas de vídeo, processadores, entre outros. Com sorte, o usuário poderá encontrar o produto desejado no mercado, mas o preço certamente estará nas alturas — devido à falta de mercadorias no estoque

Impacto ampliado

Quem também está “pagando o pato” é a indústria de aparelhos de uso diário. A crise dos chips também tem afetado a indústria de produtos voltados para tornar a casa inteligente.

Lâmpadas que acendem sozinhas, máquinas de lavar que pesam as roupas, torradeiras inteligentes… todos esses produtos tiveram suas produções desaceleradas.

Inclusive, até mesmo o setor pet foi atingido. De acordo com o The Washington Post, a empresa CSSI, responsável por produzir cabines eletrônicas para banhos em cachorros, foi informada por seu fornecedor de placas que os chips usados no processo não estão disponíveis.

“Este problema específico afeta todos os aspectos da manufatura, desde pequenas pessoas até grandes conglomerados”, disse o presidente da companhia, Russell Caldwell.

Naturalmente, a escassez de chips também impactou a indústria de automóveis. Afinal de contas, os chips fazem parte desde o processo de gerenciamento de motores até integrar sistemas de assistência aos motoristas.

A Hyundai foi forçada a paralisar a produção em uma unidade na Coreia do Sul. A gigante Tesla, do bilionário Elon Musk, também teve que interromper a fabricação de sua linha Model 3 nos Estados Unidos.

Uma das alternativas adotadas por algumas fabricantes foi eliminar algumas tecnologias de ponta em seus veículos. A Nissan, por exemplo, retirou os sistemas de navegação em carros que costumam dispor da ferramenta. Os retrovisores inteligentes também foram eliminados das picapes da Ram Trucks.

A chinesa TSMC, maior fabricante de chips do mundo, segue otimista e acredita que será capaz de atender toda a demanda automobilística até junho deste ano. No entanto, segundo Patrick Armstrong, diretor de Tecnologia da Informação da Plurimi Investment Managers, o cronograma é um tanto quanto ambicioso.

“Se você ouvir Ford, BMW, Volkswagen, todos eles destacaram que há gargalos de capacidade e que eles não podem obter os chips de que precisam para fabricar os novos carros”, afirmou o executivo, acrescentando que a crise dos chips pode se estender por mais 18 meses.

Quando a crise dos chips vai passar?

Quando perguntados sobre o possível fim da escassez de chips, os executivos respondem quase de forma unânime: somente no ano que vem. É isso que acreditam gigantes como TSMC, AMD, Stellantis, entre tantas outras.

Para solucionar o impasse, Estados Unidos, China e União Europeia correm contra o relógio para aumentar a capacidade de produção dos componentes. O bloco europeu, que atualmente é responsável por menos de 10% da produção global de chips, quer aumentar sua capacidade para 20%. Isso demandará um investimento aproximado de US$ 24 a US$ 36 bilhões.

Já a ideia de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, é de investir US$ 50 bilhões para financiar a produção e pesquisa de chips semicondutores.

Enquanto isso, o país asiático pretende investir “pesado” para construir novas fábricas de chips. Inclusive, muitas empresas chinesas estão aumentando seus estoques de componentes para tentar suprir a alta demanda do mercado. Embora a medida seja uma ótima notícia para a indústria chinesa, a medida agrava a obtenção de chips pelas demais empresas do setor.

Fonte: CNBC

sábado, 8 de maio de 2021

Papa Francisco apóia isenção de direitos de propriedade intelectual para vacinas

 Gazeta da Torre

Papa Francisco em uma audiência no Vaticano

O Papa Francisco no sábado apoiou a renúncia dos direitos de propriedade intelectual para as vacinas COVID-19, apoiando uma proposta do presidente dos EUA, Joe Biden, que foi rejeitada por alguns países europeus, incluindo a Alemanha.

Em um discurso em um concerto global de arrecadação de fundos para promover o acesso justo às vacinas, o papa disse que o mundo estava infectado com o "vírus do individualismo".

“Uma variante desse vírus é o nacionalismo fechado, que impede, por exemplo, um internacionalismo das vacinas”, disse ele na mensagem de vídeo pré-gravada.

"Outra variante é quando colocamos as leis do mercado ou do mercado intelectual ou da propriedade intelectual acima das leis do amor e da saúde da humanidade", acrescentou ele, lembrando o grande número de mortes que o coronavírus infligiu ao mundo.

Seus comentários surgiram no meio de um debate sobre se as empresas farmacêuticas deveriam renunciar à proteção de patentes para as vacinas COVID-19.

Biden apoiou tal medida na quarta-feira, atendendo a pedidos da Índia, África do Sul e mais de 100 outros países. consulte Mais informação

No entanto, muitos países europeus, liderados pela Alemanha e França, se distanciaram na sexta-feira da sugestão, argumentando que a chave para acabar com a pandemia de COVID-19 era fazer e compartilhar vacinas mais rapidamente.

Fonte: Reuters

sexta-feira, 7 de maio de 2021

A história de Miúcha, que contrai covid e se isola numa biblioteca

 Gazeta da Torre

A professora da USP Maria Luiza Tucci Carneiro se reinventa no confinamento e escreve conto baseado na pandemia

Com a linguagem de quem conhece muito bem o universo dos jovens estudantes, a professora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, se reinventa neste confinamento sem data para acabar. E atravessa a ponte das letras para trazer a história de Miúcha, que é, na verdade, a realidade que o planeta está enfrentando. A autora trava um desafio. Como trazer uma mensagem de otimismo e esperança diante das mais de 400 mil mortes no Brasil e cerca de 3 milhões no mundo? O resultado está no recém-lançado livro #Biblioteka Hotel: Um Conto da Quarentena – publicado pela Editora Intermeios -, escrito com cuidado e respeito ao drama de todos.

“O #Biblioteka Hotel nasceu sob o impacto da notícia de que estamos sendo atacados por um vírus invisível, ainda sem diagnóstico naqueles primeiros dias de janeiro de 2020”, conta a autora. “Fechei-me aqui na minha biblioteca, onde passo a maior parte do meu dia, pesquisando e escrevendo, para tentar digerir os fatos, dia a dia. Isolada, sem poder conversar e abraçar ninguém, resolvi escrever sobre esse fenômeno até então desconhecido por nós. Ouvindo as notícias sobre os jovens contaminados pelo coronavírus que retornavam do carnaval de Salvador e aqueles que se reuniam nos bares da Vila Madalena, sem perceber que estavam multiplicando o vírus, resolvi escrever para esse público.”

A história tem um recado para o leitor jovem, mas, na verdade, toca pessoas de todas as idades. “É uma criação ficcional, mas narrada durante a pandemia do coronavírus. A personagem principal, Miúcha, é contaminada e passa a viver a sua quarentena no espaço de uma biblioteca instalada nos fundos da residência familiar, localizada em um bairro boêmio da Pauliceia”, explica a autora. “Hóspede por 40 dias, a jovem tenta encontrar o seu equilíbrio mental e físico, movida por um sentimento de vazio, por sua memória afetiva e pelas alterações da natureza. As transformações do outono, além de marcar o tempo, sinalizam para a capacidade do ser humano de enxergar a vida de outros ângulos. Ao sair daquela vertigem momentânea da alma, Miúcha descobre um novo sentido para a vida.”

As ilustrações de Milena Issler compõem a inquietude da estudante confinada na biblioteca. Desenha Miúcha de jeans, camiseta, deitada no sofá, com mochila e livros no chão. Sem poder sair, espia a vida do celular. E, quando anoitece, descobre um casal de corujas que trata como novos amigos. Fica feliz quando ouve o avô, na cozinha, escutando no rádio a sua música preferida, Fascinação. Acorda com o café da manhã servido só para ela no jardim. Os desenhos vão fluindo junto com o texto. Uma parceria muito integrada entre Malu (apelido carinhoso da escritora) e Milena. Mãe e filha.

“Fiquei muito feliz em me dedicar a esse trabalho, criar a imagem da Miúcha e todo o seu  universo”, conta a ilustradora. “Revivi a história da família e me imaginei no lugar da personagem, presa e isolada dentro da biblioteca da minha mãe, onde cresci.” Participar da história foi a terapia de Milena, que buscou os afetos em cada traço, cada cor. “Desenhar, para mim, é uma maneira de colocar tudo para fora”, comenta.

Também para a professora Maria Luiza, escrever e compor a jovem de 17 anos foi buscar e rever a sua história. “Miúcha tem tudo a ver comigo, um pouco da minha neta, bastante dos meus filhos, dos meus alunos e com o meu ser e estar no mundo, hoje um mundo em crise e um Brasil sufocado pelo vírus, pela falta de oxigênio e pelo desgoverno de um presidente negacionista e despreparado para salvar vidas,” observa. “Tudo isso compõe o cenário do conto que, nas entrelinhas, traz uma mensagem universal centrada na capacidade que todo ser humano tem de transformação. Aqui está a essência da minha mensagem, que é de esperança calcada na coexistência e no respeito ao outro. Tem também, diria que muito, das minhas inquietações que costumam moldar os meus pensamentos e textos.”

#Bibliotheka Hotel: Um Conto da Quarentena, de Maria Luiza Tucci Carneiro, ilustrações de Milena Issler, Editora Intermeios, 48 páginas, R$ 38,00.

Fonte:Jornal da USP.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Entre a Amazon e a pressão por mais tributo, como é difícil a vida das livrarias de rua no Brasil

 Gazeta da Torre

Livraria Simples, em São Paulo

Emparedadas entre as práticas agressivas de gigantes como a multinacional americana e as ameaças tributárias de Paulo Guedes, o setor editorial e livreiro resiste apesar da pandemia.

São as pequenas livrarias e editoras as mais afetadas pelas práticas comerciais mais agressivas no mercado. No dia 10 de março, a Amazon enviou um e-mail a diversas editoras sugerindo que ofereçam descontos entre 55% e 58% sobre o preço de capa dos livros, além de uma taxa de 5% para a publicidade das obras na plataforma —a praxe é oferecer entre 45% e 55% de desconto, mais 2% ou 3% para marketing—, o que gerou uma resposta conjunta do setor. “Hoje as editoras lucram, no máximo, 4% em relação à receita líquida. A Amazon pede descontos de até 8% da receita líquida, é impossível atender essa imposição. Ninguém em sã consciência acredita que seria possível repassar isso no valor do livro para o consumidor”, explica Henrique Farinha, presidente da editora Évora e porta-voz da iniciativa Juntos pelo Livro, composta por 130 pequenas e médias editoras. Todas elas enviaram à Amazon uma carta na qual afirmam ser inviável conceder descontos maiores, pois “as condições solicitadas estão muito além das nossas possibilidades”. A gigante tecnológica afirma, em nota, que não comenta acordos específicos com seus parceiros comerciais e que “autores, editores e livreiros trabalham juntos para conectar os leitores aos livros”.

Se em outros países, principalmente na Europa, já faz anos que a Amazon “ameaça” acabar com as livrarias de rua, no Brasil, esse fenômeno é recente, conforme explica Marisa Midori, professora especialista em História do Livro da Universidade de São Paulo (USP). “O movimento de venda de livros por e-commerce ainda era incipiente no Brasil antes da pandemia. A Amazon tinha chegado com timidez, mas, a partir do ano passado, ganhou mais terreno rapidamente. As condições que oferece são boas para grandes editores, mas não para as menores”, avalia.

A pressão por mais descontos, no entanto, não é exclusividade das vendas online e tampouco foi inventada pela multinacional, conforme conta Ivana Jinkings, publisher da Boitempo, editora que também participa do Juntos pelo Livro. “Sempre tivemos o cuidado de não concentrar muito nossas vendas em uma só livraria, porque as grandes redes faziam o mesmo que a Amazon faz hoje, e me orgulho em dizer que a gente não caía nesse tipo de chantagem. Elas ameaçavam não comprar mais com a gente se não aumentássemos os descontos. Ficavam duas semanas sem comprar, mas depois voltavam”, relata. Jinkinks reconhece, no entanto, que a plataforma virou uma “grande tábua de salvação” para algumas editoras, uma vez que a empresa chega a oferecer pagamentos à vista, quando a praxe em algumas livrarias é pagar em até dois meses ou mais.

A esperança do preço fixo

O preço é o principal fator de decisão na escolha de um título e influencia 22% dos leitores brasileiros na hora da compra de livros, de acordo com a pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural. Os dados também mostram que cerca de 27 milhões de brasileiros da classe C consomem livros, número que contraria a tese de Paulo Guedes, ministro da Economia, de que apenas os ricos leem livros no país. Esse é o argumento usado para justificar a incidência da alíquota de 12% referente à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) apresentada na Reforma Tributária que tramita no Congresso —a venda de livros e do papel destinado à impressão é imune à cobrança de impostos, segundo determina a Constituição, e uma lei de 2014 concedeu isenção de Pis e Cofins sobre a receita da venda de livros e do papel usado para a fabricação desses produtos—.

Em um recorte socioeconômico, a pesquisa revela um paradoxo entre as classes sociais: A e B têm níveis mais altos de leitura do que C, D e E, mas também tiveram as maiores quedas entre 2015 e 2019: enquanto o número de leitores diminuiu 12% na classe A e 10% na B, a queda entre D e E foi de apenas 5%. No mesmo período, os preços dos livros caíram em 20%, apesar do aumento do preço do papel e do fechamento das grandes livrarias, como mostra o balanço de mercado feito pela Nielsen Books. “Não tem lógica impor tributo a um setor que gerou redução de preço para o consumidor. Além disso, a tributação geraria um efeito bumerangue para o próprio Governo, que é o maior comprador de livros didáticos no país, sendo responsável por metade das vendas do setor”, explica Henrique Farinha. Em 2019, o Governo federal gastou 1,1 bilhão de reais para adquirir 126 milhões exemplares no PNDL (Plano Nacional do Livro Didático).

Para Marisa Midori, o tributo geraria uma arrecadação “ínfima”, já que, segundo ela, “o Brasil está longe de ser uma potência editorial”, setor que contribui com menos de 0,1% do PIB nacional. “Se o Governo quer engordar o Tesouro, deveria criar estratégias para, de fato, taxar os mais ricos, como o imposto sobre grandes fortunas. Na Suíça, esse imposto tem impacto de 11% na arrecadação. Na Noruega, esse impacto corresponde 7%”, exemplifica a especialista.

Midori considera que o imposto sobre os livros teria, isso, sim, um impacto simbólico, já que o país ainda está em formação de leitores. “É uma mostra de que o Governo se recusa a amparar a população do ponto de vista da educação e da cultura”. Daniel Lameira, um dos sócios da editora Antofágica, concorda. “A proposta não visa um ganho tributário, é apenas um ataque a um setor que forma massa crítica”, diz. Lameira acrescenta ainda que o aumento nos preços de livros, caso a tributação fosse aprovada, aumentaria a pirataria e complicaria a diversidade literária, afetando o mercado nacional como um todo. “As editoras nacionais perderiam terreno para aquelas estrangeiras, como a Planeta [espanhola] e a Harper Collins [norte-americana]”, explica.

O publisher da Antofágica, que publica clássicos da literatura em edições especiais ilustradas artistas —um cuidado estético também presente na escolha de fontes e na diagramação de cada obra— também contesta o argumento de que apenas ricos leem. Com títulos que custam até 70 reais, Lameira arrisca dizer que o leitor e cliente da sua editora pertence, majoritariamente, às classes C e D. “É um leitor que responde muito bem às promoções. Por isso, fazemos uma pré-venda agressiva, em que um livro de 70 reais sai por 30 reais. Em uma outra ação, vendemos 70 mil e-books por 25 centavos, um preço meramente simbólico”, conta.

Todos os publishers, livreiros e especialistas ouvidos nesta reportagem concordam que uma medida que ajudaria a desafogar o setor seria a aprovação do Projeto de Lei do preço fixo do livro, que propõe que todas as livrarias (físicas e virtuais) poderão oferecer no máximo 10% de desconto em uma título durante o primeiro ano após o seu lançamento. Depois disso, caberia a cada loja decidir oferecer descontos superiores. De autoria do senador Jean Paul Prates (PT/RN), o projeto de lei —similar ao aplicado em países como a França— está estacionado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado desde 2017.

“Essa medida serviria justamente para barrar políticas agressivas de empresas como a Amazon, que, muitas vezes, vende mais barato que a própria editora. O mais grave é esse tipo de política pode ditar o que se publica, porque se eles só compram determinado tipo de livro, os demais podem deixar de existir”, diz Ivana Jinkings.

Sobrevivência graças às redes

Apesar de o mercado editorial e livreiro depender quase exclusivamente de tinta e papel —a última pesquisa sobre as vendas de e-books no país, divulgada em 2017, mostrou que os livros nesse formato correspondiam a apenas 1,09% do setor— é no mundo digital que está chance de sobrevivência das pequenas editoras e negócios livreiros. Foi precisamente da inquietude sobre como se comunicar com o público que nasceu a Antofágica, em 2019, criada por sócios que trabalharam durante anos em editoras como Intrínseca e Aleph.

“Antes, as editoras não precisavam falar com o leitor, mas isso mudou. Queríamos ser menos como um varejista que só vende um produto e mais como uma editora que cria experiências para o leitor”, diz Lameira. Por isso, a editora mantém um grupo com leitores no Telegram, e alguns títulos vêm com QR codes que levam a aulas online sobre aquela obra. “É essa relação com o leitor que pauta as decisões editoriais. O fato de a quarta capa de cada livro ser apenas uma frase, por exemplo, foi pensado para o formato dos stories do Instagram. A escolha dos títulos passa por isso, toda a estética foi pensada para a dinâmica de redes”, acrescenta Lameira. Curiosamente, os livros da Antofágica podem ser comprados apenas na Amazon ou em livrarias independentes.

Na livraria Simples, localizada em uma charmosa casinha azul no centro de São Paulo, a presença nas redes sociais tem sido fundamental para manter o funcionamento da loja. “Tivemos que migrar para a venda online por conta da pandemia. Até abril do ano passado, sequer tínhamos um site institucional”, conta Beto Ribeiro, dono da Simples. Agora, à medida que vai registrando as entradas de livros no catálogo da livraria, ele mesmo já vi postando fotos e vídeos das obras para gerar interação com os leitores. “Essa comunicação é um diferencial, mas é um trabalho quase artesanal e que demanda muito tempo e dedicação. Às vezes, você troca mais de dez mensagens com um cliente para fechar a venda de um livro de 15 reais”, explica. Ribeiro acrescenta ainda que o que tem “segurado o rojão” da crise —para ele e outras fontes ouvidas na reportagem— é o espírito de comunidade em torno das livraria de rua, a fidelização dos clientes. “É só com os leitores que podemos contar”, conclui.

Fonte:El País

Combate à hipertensão: reduzir sal não quer dizer perder sabor

 Gazeta da Torre

O consumo de sal do brasileiro excede em quase duas vezes o limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é cinco gramas por dia. A média nacional é de 9,3 gramas. É o que apontou a Pesquisa Nacional de Saúde 2013 (PNS/IBGE).

O nutricionista tem papel importante ao atuar como promotor de bons hábitos alimentares no enfrentamento da doença, pois o alto consumo de sal é um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Não se trata de eliminá-lo, mas moderar seu consumo, porque ele também é importante para o organismo.

No caminho da redução do sal há também o desafio de reduzir o consumo  de alimentos ultraprocessados que trazem consigo alta concentração de sódio. Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, a adição de grandes quantidades de sal nestes alimentos ocorre para estender a duração dos produtos e intensificar o sabor, e até mesmo para encobrir sabores indesejáveis oriundos de aditivos.

Portanto, conscientizar as pessoas e mostrar que há alternativas saudáveis para preparos com pouco sal, mas saborosos, é tarefa permanente.

No dia a dia, vale descobrir o quanto a utilização de hortaliças e ervas (manjericão, alecrim, orégano, entre outras) auxilia na produção de gostosas refeições. Assim, a comida de verdade levada à mesa produz saúde.

A adoção de um plano alimentar saudável e sustentável deve ser incentivada, com o consumo de frutas, hortaliças e laticínios com baixo teor de gordura; ingestão de cereais integrais, frango, peixe e frutas oleaginosas, tendo ainda como meta a redução na ingestão de carne vermelha, doces e bebidas açucaradas.

A hipertensão pode levar a várias complicações como AVC, infarto agudo do miocárdio, doença renal crônica e hipertrofia do músculo do coração, causando arritmia cardíaca. Apesar de tantos males provocados, apenas 12% dos brasileiros adultos têm a consciência da alta ingestão de sal na alimentação diária. O nutricionista pode ajudar a mudar estes números.

Fonte:ASBRAN (Associação Brasileira de Nutrição).

Golpes financeiros contra idosos crescem na pandemia

 Gazeta da Torre

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) revela aumento nas reclamações envolvendo empréstimo consignado do Instituto Nacional do Seguro Social aumentaram 126% no último ano

Os golpes financeiros contra idosos vem crescendo em meio a crise da covid-19. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) revela aumento nas reclamações envolvendo empréstimo consignado do Instituto Nacional do Seguro Social aumentaram 126% no último ano.

Uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) aponta que na pandemia houve aumento de 80% nas tentativas de phishing, fraudes que têm início através de e-mails carregados de vírus ou links que direcionam o consumidor para usuários falsos. As fraudes também são muito comuns através de ligações e por links enviados aos usuários do aplicativo WhatsApp. Nestas circunstâncias, o público idoso é um dos mais vulneráveis.

Na modalidade de crime, os envolvidos também ligam para a casa do cliente e dizem ser do banco, pedem para a vítima informar dados e senhas pessoais. Também acontece do fraudador pedir para o cliente realizar uma transferência como teste.

Fonte:CBN Recife

sábado, 1 de maio de 2021

1 de Maio I Dia Mundial do Trabalho - Pandemia da covid-19 acentuou precarização das relações de trabalho

 Gazeta da Torre

Os impactos econômicos da pandemia da covid-19 já são sentidos na oferta de empregos com carteira assinada. Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged, os meses de março – quando a pandemia chegou ao Brasil – abril e maio apresentaram uma redução de 1 milhão e 487 mil empregos formais. Wilson Amorim, professor associado do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, explica que, nesse quadro, aumenta-se a informalidade na ocupação e, consequentemente, a precarização das relações de trabalho.

A precarização do trabalho hoje, segundo Amorim, apresenta efeitos imediatos, mas também trará consequências a longo prazo. “Haverá um volume imenso de pessoas com dificuldades em encontrar um trabalho de relação contratual mais estável, isso a longo prazo. De médio a longo prazo, observa-se que, quanto mais pessoas trabalhando na informalidade menos contribuem para a Previdência e para o pagamento das aposentadorias no momento e, consequentemente, no futuro”, explica ele.

O professor aponta que o mercado de trabalho brasileiro é tradicional e historicamente heterogêneo, diferenciado e desigual. Segundo ele, essas condições desfavorecem quem quer trabalhar e favorece as empresas. Além disso, há uma orientação do governo, desde a aprovação da reforma trabalhista, de que o mercado seja bastante flexibilizado. “É um quadro bastante preocupante”, afirma Amorim, “e eu não acredito que vá ser revertido nos próximos anos, a não ser que tenhamos uma mudança na legislação”.

No quadro da pandemia da covid-19, com o fechamento de estabelecimentos comerciais, houve o crescimento de pessoas trabalhando com aplicativos de entrega. Isso ocorre, segundo o professor, por pelo menos três razões: a crise econômica, a transição tecnológica e a reforma trabalhista.

A crise econômica eliminou a possibilidade de novos empregos assalariados, o que forçou muitas pessoas a buscarem trabalhos informais, como os aplicativos de delivery e outras plataformas que oferecem esse tipo de serviço.

A transição tecnológica, bastante acelerada neste momento, elimina as barreiras à prestação de serviço por meio dessas plataformas. Essas tecnologias de telecomunicação “aproximam os atores econômicos e colocam pessoas em contato com o mercado de trabalho a fim de viabilizar entregas e transportes”, explica Wilson Amorim.

A última questão apontada pelo professor é a reforma trabalhista de 2017, que flexibilizou o ambiente laboral do País. “A contratação se flexibilizou, inclusive sem vínculo empregatício, na forma do por conta própria, que é o autônomo”, completa o professor.

O professor ainda afirma que, além dos impactos econômicos, o crescimento nos serviços de delivery impacta também na saúde dos trabalhadores. Como normalmente ganham pouco e de forma insuficiente para suas despesas, a alternativa é estender a jornada ao longo do dia e trabalhar durante toda a semana. A consequência natural é o cansaço físico, esgotamento mental e estresse como parte do dia a dia desses trabalhadores.

Fonte:Jornal da USP