quarta-feira, 1 de abril de 2026

Mestre do Coco Negras e Negros, Inácio Pedro, ganha homenagem póstuma no prêmio de "notório saber" pela UPE

 Gazeta da Torre

Solenidade está marcada para 13 de maio, em Arcoverde, e celebra o talento de figuras da cultura popular nas mais diferentes linguagens. Mestre Inácio Pedro faleceu em julho de 2025 mas o recebimento do título é prova de que seu legado para o Samba de Coco é inestimável

A cena cultural de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, está em festa: depois do Coco Negras e Negros do Leitão receber o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2023, agora foi a vez do Mestre do Coco Inácio Pedro receber o prêmio de "Notório Saber" da UPE - o que mostra a relevância do Samba de Coco localizado no Leitão da Carapuça, área quilombola do Município, para a cultura pernambucana.

O jornalista Leonardo Lemos, que participou dos projetos de Patrimônio Vivo e Notório Saber, conduz uma pesquisa sobre a origem do Coco de Roda entre Moxotó e Pajeú e destaca o potencial de nascedouro da região. 

"Inácio é Afogadense de coração, mas nasceu em Custódia e toda sua família 'Gonçalo' é de lá; ele mudou ainda criança para Afogados, por volta da década de 1950, mas nasceu na região onde hoje é Custódia. Mas o mais importante nessa história é entender o contexto da época onde Quitimbu, distrito histórico do município, era mais importante que a sede Custódia à época da juventude de Inácio", destaca.

HISTÓRIA

"Quitimbu chegou a ser sede de uma região que contemplava até Sertânia, quando Sertânia ainda nem era município, e ao redor de Quitimbu, que concentrava feira e festas religiosas, saíram as famílias Calixto, que hoje é referência em Arcoverde, e saíram os Gonçalo e Venerando, duas famílias que migraram rumo a Afogados e Carnaíba e deixaram um legado enorme para o Coco de Roda na Região: Afogados com um grupo que virou Patrimônio Vivo, e Carnaíba com pelo menos quatro grupos adultos e dois infantis que se reúnem em festas e encontros específicos de tempos em tempos", detalha o jornalista e produtor cultural.

Era em Quitimbu onde se reuniam os bacamarteiros, para se apresentar pelos sítios da região, e entre uma visita e outra, a festa era regada por forró e samba de coco. Esse fenômeno fez toda a região brincar o coco com naturalidade: todos sabem sambar ou cantar as cantigas até hoje.

"Inácio é um alto representante desse fenômeno porque ele ainda era bacamarteiro: sua surdez veio de sua intensa participação no bacamarte; ele é literalmente um Mestre que deu sua vida às artes, já que brincou os folguedos, tanto bacamarte quanto coco, até o último momento que teve saúde para tal", relembra Leonardo.

"Pai era muito dedicado. No bacamarte só parou porque não aguentava tantas viagens, mas tinha guardadas as fardas, a arma e até a carteirinha; e no Coco ele sambou semanas antes de falecer, parecia que já sabia e queria se despedir, até realizamos uma festa de São Pedro no seu terreiro muito bonita", relembra Jeane Cecília, coquista e filha do mestre.

LEGADO

Com o prêmio de Notório Saber, honraria acadêmica criada pela UPE em 2021 que reconhece mestres e mestras das tradições populares pernambucanas, a equipe de produção do Mestre espera sensibilizar o IFPE Sertão, em Petrolina, para nomear o Campus Quilombola a ser construído em Custódia com o nome do Mestre. "Inácio é o Custodiense mais importante: seu legado é estudado pelo Governo como referência em Coco; agora veio esse título, dado na primeira tentativa que fizemos. Ou seja Inácio ainda é o Mestre de pelo menos uma centena de jovens e adultos que aprenderam com ele cantigas e histórias centenárias desse Sertão mágico que é a área quilombola que compõe as divisas de Custódia, Afogados e Carnaíba, então ele segue vivo nessas canções e nessas pessoas" reflete Leonardo.

“A facilidade no improviso, a capacidade de memorizar as canções mesmo com pouca leitura e  escrita, a percussão humana que se incorpora ao samba e como esses elementos se convergem criando absoluta harmonia, garantindo uma autenticidade marcante e apresentando uma música de alta qualidade”, descreve Isabella Lumara, produtora cultural e pesquisadora da vida de Inácio - Isabella lançará em breve um filme sobre o Coco Negras e Negros.

"Ele foi a testemunha ocular desse processo de migração e consolidação de novos quilombos, e em sua arte cantou os pássaros, fauna e flora. Cantou até sobre fenômenos como o canto dos sapos na época da chuva. 'O sapo mora na beira do brejo' é uma das canções mais lindas e interessantes; mas ele ainda cantou o que acontecia no mundo ao longo do tempo, como o 'samba do astronauta' e 'águas do Rio Pajeú', essa última uma pérola que tivemos a honra de gravar em estúdio'. Por tudo isso, esse título é mais que merecido e agora partiremos para consolidar seu legado através da criação de um memorial para o Mestre e com seu nome titulando o Campus do IFPE Quilombola", completa o jornalista.

Inácio Pedro morreu em julho de 2025, aos 78 anos, por problemas respiratórios. Ainda em vida, apresentou-se com Gilberto Gil em 2003 e participou dos mais importantes palcos da música de Pernambuco, como FIG, Festival Lula Calixto, Munguzá, Xerém Cultural e Festivais Pernambuco Meu País. Os homenageados do "Prêmio Notório Saber" serão recebidos em cerimônia marcada para o dia 13 de maio, na UPE de Arcoverde. Acompanhe um pouco do legado da vida do Mestre Inácio @ instagram.com/inacioemiguelmestresdoleitao.

Por Leonardo Lemos, jornalista

Assessoria Comunicação PE

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Com a aproximação da Páscoa, cresce a procura por ovos de chocolate e caixas de bombons nas lojas

 Gazeta da Torre

Diante desse cenário, o Procon-PE realizou uma pesquisa de preços entre os dias 10 e 17 de março, analisando 49 variedades de ovos de Páscoa, de diferentes marcas e tamanhos, além de cinco tipos de caixas de chocolates, em 10 estabelecimentos do Recife.

O levantamento identificou aumento nos preços médios dos ovos de Páscoa em comparação com 2025. Em alguns casos, a elevação média chegou a quase 25%. É o caso do ovo de sonho de valsa de 357g, que em 2025 custava R$ 65,73 e, neste ano, foi encontrado por R$ 82,11, um aumento de 24,91%. Já o ovo de sonho de valsa de 217g, que custava R$ 54,02 em 2025, passou a R$ 66,85 em 2026, representando alta de 23,75%.

As caixas de bombons também registraram aumento no preço médio. A caixa de bombons diversos 251g, por exemplo, passou de R$ 15,36 em 2025, para R$ 16,97 neste ano, uma elevação de 10,51%. Já a caixa de bombons sortidos Garotices de 250g passou de R$ 13,78 em 2025, para R$ 16,07 em 2026, um aumento de 16,67%.

A pesquisa também apontou grande variação de preços entre os estabelecimentos visitados. Dependendo do produto, a diferença pode chegar a cerca de 63%. O ovo de sonho de valsa 277g apresentou a maior variação, de 63,54%, sendo encontrado por R$ 74,90 no maior preço e R$ 45,80 no menor.

Os tradicionais ovos com brinquedos também aparecem entre as maiores variações. O ovo de 166g, acompanhado de uma boneca Barbie, foi encontrado por R$ 119,90 em uma loja e por R$ 84,80 em outra, uma diferença de 41,39%.

A pesquisa completa está disponível no site do Procon-PE:

https://www.procon.pe.gov.br/ 

- divulgação -

A partir de 2027, todos os políticos brasileiros terão de passar por detector de mentiras antes de assumir o cargo?

 Gazeta da Torre

Se fosse verdade, a notícia seria até bem-vinda para o povo brasileiro porque é um fato amplamente conhecido e estudado que a mentira, a omissão e a manipulação de fatos são frequentes na política.

A zombaria de políticos brasileiros no dia 1º de abril (Dia da Mentira) tornou-se uma tradição nas redes sociais devido à alta desconfiança popular, à polarização política e ao uso intenso de notícias falsas como ferramenta de campanha e propaganda. O deboche é uma forma de ativismo digital e sátira para cobrar promessas não cumpridas ou confrontar discursos falsos.

O ‘Dia da Mentira’ (1º de abril) surgiu na França do século XVI, quando a adoção do calendário gregoriano mudou o ano-novo de abril para 1º de janeiro. Quem resistiu à mudança ou não soube da notícia passou a ser zombado com peças e notícias falsas, tornando-se os "tolos de abril". Os dados se consolidaram como uma forma de protesto bem humorada contra a mudança do calendário, perpetuando a tradição de zombaria e pregação de peças.

No Brasil, a tradição foi introduzida em 1828, com o noticiário impresso mineiro “A Mentira”, que trazia em sua primeira edição a morte de Dom Pedro I na capa e foi publicado justamente em 1º de abril.

Fontes: National Geographic; Agência Brasil;

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sábado, 28 de março de 2026

Estudo brasileiro fala sobre a invisibilidade dos cuidadores de pessoas com demência

Você sabia que quase 2 milhões de brasileiros cuidam diariamente de alguém com demência — e, em sua maioria, sem preparo, apoio ou qualquer remuneração?  Uma nova pesquisa da Unifesp, publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, mostrou que 93,6% dos cuidadores são mulheres, com cerca de 49 anos. Quase todas cuidam sem receber nada por isso. Metade teve que abandonar o trabalho para se dedicar ao cuidado — uma realidade de sobrecarga e invisibilidade.

 O que mais chamou atenção em relação a quem cuida de uma pessoa com demência?

• 85% dos cuidadores relataram exaustão emocional

• 87% disseram precisar de mais ajuda de outras pessoas

• 46% se sentem despreparados para cuidar

• 62% afirmam precisar de apoio emocional urgente

• “Ajuda”, “orientação” e “falta de tempo” foram as palavras mais citadas nas respostas espontâneas.

• Cuidar de alguém com demência é uma tarefa complexa, solitária e cheia de desafios — especialmente quando feita sem rede de apoio, sem políticas públicas efetivas e sem reconhecimento social.

Por isso, os pesquisadores reforçam a urgência de mudanças:

• Programas de capacitação sobre demência

• Apoio financeiro e benefícios sociais

• Criação de redes formais de cuidado

• Políticas públicas que realmente saiam do papel!

Cuidar de quem cuida é fundamental

O autocuidado é uma ferramenta essencial para cuidadores de pessoas com demências, porém, não faz parte da realidade de grande parte da população que assume esse papel. Dados do Relatório Nacional sobre a Demência no Brasil (RENADE), apontam que 45% dos cuidadores de pessoas com demência apresentam sintomas psiquiátricos de ansiedade e depressão. Além disso, o estudo demonstra que a falta de uma rede de suporte sólida gera sobrecarga, sendo que 71,4% apresentam esses sinais.

Segundo “A cartilha de autocuidado e qualidade de vida”, realizada pelo Instituto Federal do Espírito Santo, o autocuidado é definido como o tempo que a pessoa dedica para si mesmo, sendo essencial para uma boa qualidade de vida. Assim, ações como buscar hábitos saudáveis e um estilo de vida ativo, gera o aumento da autoestima e melhora a produtividade.

O autocuidado pode ser impactado diretamente pela presença de suporte ao cuidador, visto que o tempo em média do cuidado prestado é de 19,8 horas por dia. Assim, o suporte ao cuidado pode ser realizado de diferentes formas, como: intervenções psicoeducacionais, intervenções psicossociais, intervenções psicoterapêuticas e rede de apoios informais, como amigos e familiares.

A seguir, veja algumas dicas de como realizar o autocuidado em diferentes aspectos de sua vida:

Autocuidado Emocional

Crie um diário e anote os seus sentimentos de forma honesta, colocando no papel o que está sentindo.

Autocuidado Físico

Pratique atividades físicas que gerem bem-estar, por exemplo: Natação, yoga, pilates.

Autocuidado Intelectual

Realize atividades que mantenham um bom funcionamento cognitivo, como: ler um livro, conhecer novos lugares e aprender um novo idioma.

Autocuidado Espiritual

Realize atividades, como meditação, para se reconectar com você mesmo.

Autocuidado Social

Mantenha contato com sua rede de amigos e familiares, que lhe trazem boas recordações.

Referência do texto: Estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo e publicado na revista Alzheimers and Dementia,

Biografia dos autores

Joana Brás Losa, Gerontóloga pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESE-IPVC), Portugal.

 Yasmin dos Santos Rodrigues, graduanda em Gerontologia pela EACH-USP

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga formada pela USP. Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

É parceira científica do Método Supera com a condução de ensaios clínicos. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Para reflexão:

Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. Charles Chapin

Você sabia que:

Quando você não dorme o suficiente, fica sujeito à perda de memória, raiva, alucinações, perda de foco, fala arrastada e até à danos cerebrais.

Reposta do desafio de Maio:

Um casal tem 4 filhos, cada menino tem uma irmã. Quantas pessoas há na família?

Resposta: 7 pessoas = 2 pais, 4 meninos e 1 irmã.

Desafio de Junho:

Uma mãe tem 30 reais para dividir entre suas duas filhas. Que horas são?

a) 13:45      b) 14:45      c) 14:30      d) 15:45

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 982992551 WhatsApp

sexta-feira, 27 de março de 2026

O principal efeito das novas tecnologias nas crianças é a redução da capacidade de criação de ideias, comenta especialista

 Gazeta da Torre

A contação de histórias é um hábito fundamental para os seres humanos. O ato é responsável por criar memórias coletivas e instigar a imaginação e criatividade de cada indivíduo. Na infância, a contação de histórias é ainda mais importante, responsável por estimular a formação de senso crítico e criação de memórias nas crianças. Entretanto, a entrada de novas tecnologias precocemente na população jovem mundial tem impactado essa dinâmica, causando consequências significativas na sociedade.

Ísis Madi, doutoranda na Faculdade de Educação da USP, comenta que o principal efeito das novas tecnologias nas crianças é a redução da capacidade de criação de ideias. “Todo conflito, hoje, é substituído por uma tela. É como se fosse uma chupeta. As crianças não têm um tempo dedicado a se ouvir, a refletir, existe uma falta de resiliência para lidar com o tédio. As crianças estão com dificuldade de lidar com essas questões”.

Já Sabrina da Paixão, professora da Faculdade de Educação da USP, afirma que a narração é uma característica que define os indivíduos enquanto seres humanos. “Toda vez que a gente começa a falar de contação de histórias, a gente vai remontar às cavernas, às fogueiras, a um modo como a gente se desenvolve enquanto ser humano. É essencial que nós desenvolvamos isso enquanto comunidade, a gente desenvolva essa formação estritamente nossa”. Para minimizar os impactos causados pela tecnologia, de acordo com a professora, uma atitude fundamental é a manutenção e expansão das bibliotecas escolares e outros espaços de leitura no País.

Fonte: Jornal da USP

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De quem é a culpa?

 Gazeta da Torre

Estudo recente do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), divulgado em março de 2026, indicou que a rede de proteção municipal à mulher é falha, inexistente ou insuficiente em quase todas as cidades do estado de Pernambuco

Principais achados do levantamento do TCE-PE (2026):

Falta de Protocolo: Cerca de 99% das cidades pernambucanas não possuem protocolo de atendimento para mulheres vítimas de violência.

Fragilidade Generalizada: O relatório aponta que a rede de proteção é fraca em todo o estado, dificultando o rompimento do ciclo de violência.

Inexistência/Insuficiência: A rede de proteção é considerada inexistente ou insuficiente na grande maioria dos municípios.

Consequências: Essas falhas resultam em subnotificação dos casos, desconfiança no sistema e perpetuação do risco para as mulheres.

O estudo destaca uma situação alarmante de desproteção, com falhas estruturais que comprometem o suporte básico necessário às mulheres em situação de violência.

Uma situação muito ruim e desumana para as mulheres. E pensar que temos uma mulher governando o estado de Pernambuco.

Fonte: Tribunal da Contas do Estado de Pernambuco

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Padre Romeu se despede de seus fieis aos 96 anos

 Gazeta da Torre

O Monsenhor Romeu Gusmão da Fonte, de 96 anos, pároco da igreja de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, no bairro da Torre (Recife), faleceu neste domingo, 22 de março de 2026, às 16h20. Ele era o sacerdote mais antigo em atividade na Arquidiocese de Olinda e Recife.

Uma vida destinada a fazer o bem seguindo os ensinamentos de Deus. Numa sociedade tão conturbada, com valores trocados e cada vez mais distante do cristianismo, ainda existem pessoas que remam contra a maré e que lutam por uma vida com amor. “Se o mundo se aproximar de Deus já vai melhorar”, explicou em uma entrevista à Gazeta da Torre, ao completar 90 anos, um grande exemplo de amor, o Monsenhor Romeu da Fonte, mais conhecido por Padre Romeu, líder da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia.

Com mais de meio século dedicados à Igreja na Torre e o sacerdócio. Desde os 11 anos decidiu entrar para o ceminário e aos 25 se tornou padre. Nascido no Recife, membro de uma família católica, teve 15 irmãos e sempre soube o caminho que queria seguir. “Já menino fiz a escolha do bem”, lembra. O Bispo João Carlos Coelho foi um dos incentivadores e quem também ajudou no caminho da vida cristã.

Desde então, uma trajetória de sucesso e um bom exemplo dessa caminhada é a transformação religiosa sofrida pelo bairro da Torre.

Com as ajudas a Igreja principal também foi melhorada para as missas e outras atividades. “Aumentamos as asas”, brincou o Padre Romeu referindo-se ao tamanho atual da igreja.

O Monsenhor Romeu da Fonte foi um exemplo de pessoa e sacerdote para todo o povo de Deus, querido por muitos, tanto pelos fieis que frequentam sua igreja, como por pessoas de outras paróquias que o conheceram. A Torre até os dias de hoje, rende graças por sua passagem e por sua dedicação no sacerdócio, pelo qual há mais de 50 anos deu sua vida pelas ovelhas como o Bom Pastor.

Manuella Gomes, jornalista

Gazeta da Torre

segunda-feira, 16 de março de 2026

Independente dos resultados do Oscar 2026, ‘O Agente Secreto’ fez história e colocou o Brasil entre os melhores do cinema!

 Gazeta da Torre

Além das quatro indicações da Academia: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco (com Gabriel Domingues) e Melhor Ator (com Wagner Moura), o longa coleciona 85 prêmios e outras 159 indicações.

Kleber Mendonça Filho vai poder se orgulhar do recorde de indicações do Brasil no Oscar: quatro, ao lado de Cidade de Deus.

Além disso, a produção conquistou duas vitórias no Globo de Ouro (Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Filme de Drama) e outras duas no Festival de Cannes (Melhor Ator e Melhor Direção).

Fonte:Terra

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quarta-feira, 4 de março de 2026

Moda pode ser fator de diferenciação, segundo contextos políticos, culturais e econômicos

 Gazeta da Torre

A moda segue tanto um desejo de diferenciação quanto um desejo de sinalizar um pertencimento, mas sempre como um movimento social que expressa algum valor

As tendências da moda são cíclicas e afetadas de acordo com a realidade da sociedade em cada momento, com influência do contexto social, político e econômico. No atual cenário, em que a moda parece estar em constante transformação, o protagonismo das redes sociais intensifica a dinamização da vida e evidencia a criação e o fim de tendências, além de suas diferentes origens.

Tendências e as classes sociais

Maria Clotilde Perez Rodrigues, professora do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo e diretora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, afirma que a tendência pode ser entendida como um movimento social que expressa algum valor: elas nascem de um contexto e geram manifestações, como a moda. Ou seja, tensões do ambiente político, econômico, social, educacional, tecnológico interferem nessas tendências e, assim, também alteram as manifestações.

Clotilde explica, também, a relação entre a criação das tendências e as classes sociais. A professora conta que, historicamente, as classes privilegiadas ditavam a moda, influenciando as outras camadas da sociedade, mas que também buscavam se diferenciar. Hoje, contudo, é possível observar esse movimento acontecendo em outras direções: “Acontecem também movimentos de baixo para cima, que a gente chama de bubble up. Por exemplo, um movimento como o funk começa nas classes menos favorecidas, principalmente dos grandes centros, e eles vão para cima. Elas sobem em direção a camadas que estão numa condição mais privilegiada, como a gente pode constatar que não tem hoje um grande evento ou um casamento de uma classe social mais abastada que não termina em funk. Então esse também é um movimento de baixo para cima”.

Padrão de consumo e pertencimento social

Por outro lado, as conjunturas histórica, econômica e política também moldam a forma de expressão das pessoas. O professor André Vereta Nahoum, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, comenta que essas mudanças têm a ver com o acesso a recursos. “Quando os tecidos eram naturais, mas mesmo agora tecidos sintéticos estão ligados a petróleo, acesso a petróleo, à transformação do petróleo. Socialmente também. Porque, na verdade, você tem, historicamente, uma mudança muito grande do padrão de consumo. Se consome mais e mais rápido do que se consumia no passado. Se comprava pouca roupa, a roupa precisava durar muito tempo. Hoje em dia é uma roupa feita para muito menos.”

Momentos da história de profundas disputas políticas foram marcados pela moda e consumo: “Tem o caso célebre do Gandhi, que falou, ‘olha, a luta contra o império, a luta contra a metrópole, tem que ser uma luta para usar os nossos tecidos e não os tecidos que vêm do Reino Unido'”.

Além disso, Vereta aponta que a moda é sobre inovar em qualquer forma de expressão em que um grupo busque mostrar que é inovador. “A gente adere a um estilo de se vestir, a um estilo de música, à expressão artística, o que quer que seja, porque essa adesão opera como um símbolo de que a gente está junto ou quer ser visto pelos outros como pertencendo a um grupo social que também se veste daquela maneira, também ouve aquele tipo de música, também frequenta aqueles espaços. No geral, hoje em dia, a gente acha que é uma combinação de ambos. Quer dizer, tem tanto um desejo de diferenciação quanto um desejo de sinalizar um pertencimento”, explica.

O professor comenta como a sociedade hoje é centrada no consumo e que, por isso, o jogo da moda é aderido por todas as classes sociais. Ele destaca, também, a participação de celebridades e influencers promovendo nas redes sociais esses símbolos de novas formas. “Mas a moda é um espaço muito bom para a gente ver também como indivíduos se apropriam disso de modo criativo o tempo todo e fazem combinações, recombinações e bagunçam um pouco o tempo todo esse jogo. É um jogo dinâmico. Então, sem dúvida, recursos importam, mas a gente vê o tempo todo pessoas fazendo o que podem com os recursos que têm para bagunçar um pouco o que poderia parecer mais determinado, e não é tão determinado assim.”

Fonte: Jornal da USP

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

A relação entre desempenho de QI e aspectos de saúde mental

 

Você sabia que as habilidades cognitivas desenvolvidas na infância podem ter relação com a saúde ao longo da vida? Essa reflexão motivou pesquisadores da Universidade de Viena, na Áustria, a realizarem um estudo, publicado como “Multilevel multiverse meta-analysis indicates lower IQ as a risk factor for physical and mental illness”. A pesquisa reuniu dados de quase três milhões de pessoas para investigar como o desempenho em testes de inteligência se conecta a diferentes condições de saúde física e mental na idade adulta.

O Quociente de Inteligência (QI) é uma medida padronizada que busca mensurar habilidades como raciocínio, planejamento e resolução de problemas. Ele é calculado a partir de testes psicométricos que comparam o desempenho de um indivíduo com o de outras pessoas da mesma faixa etária.

A pergunta norteadora do estudo foi se pontuações mais baixas de QI no início da vida estariam associadas a maior risco de desenvolvimento de doenças em fases mais tardias do ciclo vital. Para responder, os autores conduziram uma revisão sistemática e uma meta-análise multiverso, que testa diferentes possibilidades de análise para gerar resultados mais consistentes. Os estudos incluídos avaliaram o QI antes dos 21 anos e acompanharam os participantes por muitos anos.

Os achados indicaram que pessoas com pontuações mais baixas de QI apresentaram probabilidade mais elevada de desenvolver diversas doenças ao longo da vida. Uma diferença de 15 pontos de QI esteve associada a um aumento relevante no risco de condições como depressão, esquizofrenia, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e demência.

O estudo também analisou fatores que influenciam a força dessa associação. Países com sistemas de saúde mais acessíveis apresentaram relações mais fracas entre QI e adoecimento, sugerindo que ambientes com maior oferta de cuidados em saúde podem reduzir as vulnerabilidades. Quando variáveis como escolaridade e nível socioeconômico foram incluídas nas análises, parte da associação diminuiu, embora o vínculo permanecesse presente. Isso indica que aspectos sociais e educacionais explicam parte importante dessas diferenças.

Entre os grupos diagnósticos, os efeitos foram mais intensos em condições de saúde mental, especialmente esquizofrenia. Já alguns tipos de câncer não apresentaram relação consistente com QI, possivelmente devido à diversidade de fatores envolvidos nesse conjunto de doenças.

Os autores chamam atenção para o fato de que a maior parte dos estudos analisados foi realizada em países ocidentais de alta renda e, em muitos casos, com predominância de homens. Isso reforça a necessidade de pesquisas mais diversas, que incluam diferentes contextos culturais, econômicos e demográficos.

Outro ponto destacado é que o QI é influenciado por fatores ambientais, como educação e oportunidades cognitivas ao longo da infância e adolescência. Assim, políticas públicas que ampliem o acesso à educação e reduzam desigualdades podem contribuir para melhores condições de saúde no futuro.  Esse estudo amplia o debate sobre cognição e saúde ao mostrar que diferenças precoces de QI se associam a riscos diferenciados de adoecimento ao longo da vida. A partir disso é importante refletir sobre estratégias educacionais, sociais e de saúde que promovam oportunidades mais equitativas e trajetórias de vida mais favoráveis ao longo de todo o processo de envelhecimento. 

Assinam esse texto:

Profª Msc. Gabriela dos Santos – Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), Graduada em Gerontologia pela USP, é pesquisadora no Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da USP e atua com estimulação cognitiva para pessoas idosas. Docente do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (UNISA).

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela Faculdade de Medicina da USP. Vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Para reflexão:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.

Albert Einstein

Você sabia que:

O Cérebro tem mais de 600 km de vasos sanguíneos

O cérebro não é o maior órgão do corpo humano, no entanto, para receber todo o oxigênio que precisa para trabalhar corretamente, contém muitos vasos sanguíneos que, se fossem colocados frente-a-frente chegariam a 600 km.

Reposta do desafio de janeiro:

Por onde é que o boi consegue passar, mas o mosquito fica preso?

Resposta: Através da teia de aranha

Desafio de Fevereiro:

O que é que nós matamos quando está nos matando?

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 WhatsApp

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

‘CASA DE MAINHA’ - O projeto de um arquiteto brasileiro venceu o “Oscar da Arquitetura”

 Gazetada Torre

O urbanista Zé Vagner se inspirou nas necessidades da própria mãe para realizar o trabalho, feito na cidade de Feira Nova, no interior de Pernambuco.

Ele foi o único brasileiro premiado entre os melhores projetos residenciais no Arch Daily Building of The Year, uma das premiações mais democráticas e relevantes da arquitetura mundial.

O projeto de baixo custo, que contou com apenas dois pedreiros e material local, tinha como ideia valorizar o saber popular e conectar a tradição regional à arquitetura contemporânea.

Seu trabalho é elogiado por unir arquitetura contemporânea com a identidade e o calor do agreste pernambucano. O arquiteto Zé Vagner possui experiência prévia no Recife e formação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Considerado um dos nomes mais influentes da nova geração, ele é palestrante e utiliza as redes sociais (perfil @zeoarquiteto) para compartilhar sua visão de arquitetura.

Vídeo: GloboNews

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O mundo está assistindo a ascensão de líderes autoritários que se aproveitam do próprio jogo democrático

 Gazeta da Torre

Germano Almeida, analista de política internacional

A origem desse fenômeno pode estar na insatisfação da população quanto às instituições. É o que explica Germano Almeida, analista de política internacional, em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros.

Almeida lembra que, para além de uma ONU menos poderosa, o mundo vive, também, a ascensão de dois grandes poderes: Estados Unidos e China — bem como de poderes intermediários em crescimento, com grande potencial de ascensão.

“O caso norte-americano é muito claro. Há uma ideia de que os Estados Unidos falharam completamente nos últimos anos — e, depois, nos grandes números, vemos que os Estados Unidos continuam a ser a grande potência mundial”, explica. “A China vai reduzindo a diferença, mas não porque os Estados Unidos estão em queda livre. A China está a subir mais rapidamente, mas também com bastantes problemas. A pandemia mostrou

O que tem sido visto nas democracias ao redor do mundo é a consolidação do cenário ideal para a ascensão de discursos de caos, de instabilidade e de falência social, mesmo que exagerados. Esse quadro, segundo Almeida, é marcado por um “alto grau de insatisfação e de rejeição ao Congresso, ao Poder Executivo, à mídia, aos tribunais e às forças de segurança”.

É aí que o autoritarismo entra em cena. Segundo o analista, essa é uma situação propensa à ascensão do que ele chama de “homens fortes”. “São essencialmente líderes que rejeitam o sistema democrático — e que, muitas vezes, se aproveitam desse sistema, não se assumem como ditadores e vão ao jogo das eleições. A partir de certo ponto, ganham um certo controle e domínio, adotando a ideia de que ‘Se eu perdi, não valeu’”, conclui Almeida.

Fonte:UM Brasil

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Cresce o número de famílias que preferem ter pets em vez de filhos

 Gazeta da Torre

Nos últimos anos, tem-se observado um número crescente de pessoas que optaram por ter animais de estimação em vez de filhos. Esse movimento, conhecido como pet parenting ou parentalidade de animais de estimação, reflete uma mudança nos padrões de vida e nas prioridades das pessoas.

O professor Sérgio Kodato, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, acredita que os donos de pets podem adquirir um forte vínculo emocional pelos seus bichos, uma vez que esses animais passam a ocupar o lugar de um filho, tornando-se membro da família, criando hábitos, alterando rotinas de seus donos e até mesmo modificando o financeiro de um lar, fatores que alimentam uma dinâmica familiar.

Wlaumir Souza, sociólogo e psicanalista, explica que o fenômeno pet parenting está se tornando cada vez mais comum, devido às condições financeiras e ao encarecimento de ter um filho, além de uma mudança no modelo familiar. “Nós estamos saindo do modelo da família nuclear familiar para a família pet familiar, isso significa maior isolamento humano diante da incapacidade de comunicação e diálogo.”

Souza explica que os animais não respondem, não questionam e são fiéis aos seus donos e, portanto, são mais fáceis no convívio. “Para ser exato, o tutor do pet não quer uma pessoa independente, com opiniões únicas e pensamento crítico, ele quer alguém que não o questione.”

Kodato chama esse fenômeno moderno de humanização de animais e desumanização de crianças. “Essa perspectiva traz à tona uma série de reflexões e questionamentos sobre a maneira como estamos moldando nossas relações com os animais de estimação e os impactos que isso pode ter no desenvolvimento das crianças.”

O professor ainda informa que, à medida que a atenção e os recursos são desviados dos filhos para os pets, pode ocorrer uma diminuição da interação familiar e da convivência entre pais e filhos. “Algumas famílias podem concentrar seus esforços emocionais e financeiros no cuidado dos animais, negligenciando aspectos fundamentais do desenvolvimento infantil, como a educação, o apoio emocional e as experiências sociais.”

Fonte: Jornal da USP

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

DELÍRIO DE FEVEREIRO - Quando a cidade inteira pulsa no mesmo ritmo

 Gazeta da Torre

O Carnaval de Olinda e Recife é uma das manifestações culturais mais autênticas e vibrantes do Brasil, reconhecido mundialmente como patrimônio imaterial que preserva tradições seculares enquanto se reinventa a cada ano. Para compreender a grandeza desta festa, é necessário mergulhar em suas raízes históricas, que remontam ao período colonial brasileiro.

As primeiras manifestações carnavalescas em Pernambuco surgiram ainda no século XVII, quando trabalhadores se reuniam para a Festa de Reis, formando cortejos e improvisando cantigas em ritmos que prenunciavam o que viria a ser o frevo. No entanto, foi o entrudo português, introduzido pelos colonizadores, que marcou de forma mais contundente os primórdios da folia local. O entrudo era uma brincadeira popular em que as pessoas jogavam umas nas outras farinha, água, ovos e outros elementos, em uma celebração descontraída que antecedia a Quaresma.

Com o passar dos séculos, essas manifestações foram se transformando e ganhando características próprias. No final do século XIX, o Carnaval pernambucano começou a se estruturar com o surgimento dos primeiros clubes de frevo, agremiações formadas por trabalhadores assalariados, pequenos comerciantes, capoeiras, vendedores ambulantes e outros representantes das classes populares. Clubes como Vassourinhas (fundado em 1889), Caiadores, Canna Verde e Clube das Pás de Carvão evidenciavam como as camadas menos privilegiadas da sociedade se apropriavam do Carnaval, transformando-o em uma festa genuinamente popular.

Em Olinda, as festividades carnavalescas ganharam força no início do século XX, com o surgimento de clubes carnavalescos tradicionais, tais como o Cariri Olindense (1921) e o  Homem da meia noite (1931), o bloco que se tornaria símbolo máximo do Carnaval olindense.

De lá para cá o Carnaval de Olinda e Recife consolidou-se como uma festa de rua, democrática e acessível, onde a cultura popular se expressa de forma livre e criativa. A partir da década de 1970, com a fundação do Bloco da Saudade em 1974, surgiram os blocos líricos ou blocos de pau e corda, que resgataram a poesia e a nostalgia dos antigos carnavais. Em 1978, nasceu o Galo da Madrugada, que viria a se tornar o maior bloco de carnaval do mundo, reconhecido pelo Guinness Book em 1994.

Bloco Galo da Madrugada, Recife

O Carnaval de Olinda e Recife acontece sob o sol escaldante do verão pernambucano, em um clima tropical que convida à festa ao ar livre. As ladeiras estreitas e coloridas de Olinda, com suas casas coloniais e igrejas barrocas, criam um cenário único, onde a história se mistura à folia. O Centro Histórico de Olinda, tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, transforma-se em um grande palco a céu aberto, onde mais de um milhão de pessoas se espremem para acompanhar os blocos e troças.

No Recife, as ruas do bairro de São José e do Recife Antigo fervilham com a passagem de dezenas de agremiações. O calor intenso, a cerveja gelada, a alegria contagiante e a música incessante criam uma atmosfera de êxtase coletivo. É um carnaval que acontece de dia, sob o sol inclemente, onde o suor se mistura ao brilho das fantasias e ao colorido dos confetes e serpentinas.

Recife Antigo

Mas é na música que reside a verdadeira alma do Carnaval pernambucano. O frevo, ritmo nascido no Recife no final do século XIX, é a trilha sonora desta festa. A palavra “frevo” vem de “ferver”, uma referência ao modo como a dança fervilha nas ruas, com seus passos acrobáticos e sua energia contagiante. O frevo mistura elementos da marcha, do maxixe e da capoeira, criando um ritmo acelerado e vibrante que é executado por orquestras de sopro e metais.

Frevo

Os blocos líricos que surgiram no Recife no início dos anos 1920 foram inspirados nos pastoris e nas folias de reis. Sua característica principal é a orquestra de pau e corda acompanhada por um coral feminino, que canta marchas e canções líricas com arranjos sofisticados. A partir de 1974, com a fundação do Bloco da Saudade, esses blocos passaram a ser conhecidos como Blocos Independentes ou Blocos Líricos, e se multiplicaram pela cidade.

Blocos Líricos

Além do frevo, o Carnaval pernambucano também celebra outros ritmos tradicionais, como o maracatu, o manguebeat, a ciranda, o coco e os caboclinhos, evidenciando a riqueza e a diversidade da cultura popular de Pernambuco. O Maracatu Nação, com seus tambores pesados e seu cortejo majestoso, é uma homenagem às raízes africanas da cultura pernambucana, enquanto o manguebeat, movimento musical surgido nos anos 1990, trouxe uma renovação ao Carnaval, misturando ritmos tradicionais com rock, hip-hop e música eletrônica.

Uma das características mais marcantes do Carnaval de Olinda e Recife é a espontaneidade e a participação popular. Diferentemente de outros grandes carnavais do Brasil, onde a festa é organizada em torno de desfiles de escolas de samba ou blocos fechados com cordões de isolamento, a folia pernambucana acontece na rua, de forma democrática, descentralizada e acessível a todos.

O folião não é um mero espectador, mas o protagonista do espetáculo. A festa é gratuita, aberta e sem barreiras. Não há cordas separando os brincantes dos observadores. Todos são convidados a participar, a dançar, a cantar, a se fantasiar e a se entregar à alegria coletiva. Como descreveu o escritor Paulo Montezuma, “O Galo da Madrugada invade o centro da cidade de tal maneira que não se sabe mais quem é o Galo, quem olha para o Galo, quem não é o Galo, onde está o Galo. O galo é o povo. São as pessoas que sonham, cantam, brincam, sem preconceitos e sem cordas de isolamento, sob o sol ou a chuva, com dinheiro ou sem dinheiro.”

Nas ladeiras de Olinda, a multidão se espreme para seguir as troças e blocos, cantando e dançando em uma comunhão contagiante. A criatividade se manifesta nas fantasias, muitas vezes improvisadas, que vão do humor à crítica política e social. É comum ver foliões fantasiados de personagens históricos, super-heróis, animais, figuras do folclore ou simplesmente vestidos com roupas coloridas e extravagantes. Os bonecos gigantes, com mais de dois metros de altura, são um dos símbolos máximos do Carnaval olindense, e dezenas deles desfilam pelas ruas, representando personalidades, personagens de ficção ou figuras criadas pela imaginação popular.

Bonecos gigantes de Olinda

Olinda no dia de carnaval

No Recife, o Galo da Madrugada é a expressão máxima dessa espontaneidade. Fundado em 1978 por um grupo de amigos que queria resgatar o Carnaval de rua da cidade, o Galo começou com apenas 75 pessoas fantasiadas de almas penadas, acompanhadas por uma pequena orquestra de frevo. Hoje, o bloco arrasta cerca de 2 milhões de foliões no Sábado de Zé Pereira, em um desfile que dura mais de nove horas e conta com 30 trios elétricos, 30 bandas de frevo, 6 carros alegóricos e milhares de pessoas de apoio.

Essa espontaneidade é a alma do Carnaval de Olinda e Recife. É a liberdade de ser quem se quer ser, de se juntar a um bloco desconhecido, de dançar frevo até o sol raiar, de se emocionar com a passagem de um bloco lírico, de rir com as fantasias criativas, de se perder nas ladeiras de Olinda e se encontrar na multidão. É uma festa que se reinventa a cada ano, mantendo vivas suas tradições ao mesmo tempo em que abre espaço para o novo, para a crítica, para a experimentação e para a celebração da vida.

O Carnaval de Olinda e Recife é muito mais do que uma festa. É uma manifestação cultural complexa e multifacetada, que expressa a identidade, a criatividade e a resistência do povo pernambucano. Desde suas origens no entrudo colonial até a consolidação como uma das maiores festas populares do mundo, o Carnaval pernambucano soube preservar suas tradições ao mesmo tempo em que se renova e se adapta aos novos tempos.

O lirismo do frevo de bloco, a energia contagiante do frevo de rua, a espontaneidade dos foliões, a democratização da festa, a criatividade das fantasias, a grandiosidade dos bonecos gigantes, a diversidade de ritmos e manifestações culturais – tudo isso faz do Carnaval de Olinda e Recife uma experiência única e inesquecível.

É uma festa que celebra a vida, a arte, a música, a dança, a poesia, a crítica social, a diversidade e a liberdade. É um carnaval que acontece na rua, sem cordas, sem barreiras, sem preconceitos. É o povo que se transforma em artista, que se apropria do espaço público, que cria e recria a cada ano a maior folia popular do Brasil.

A Irreverência dos Blocos de Bairro: O Caso do Mercado da Madalena

Além das grandes e tradicionais agremiações, o Carnaval de Recife é marcado pela efervescência de centenas de blocos de bairro, que representam a alma mais irreverente e espontânea da folia. O Mercado da Madalena, um dos mais tradicionais da cidade, é um polo de criatividade carnavalesca, onde surgem blocos com nomes humorísticos e de duplo sentido, uma característica marcante do espírito pernambucano.

Dois exemplos notáveis dessa veia cômica são os blocos de Socorro e Marília (*Por questões de conformidade com as políticas editoriais, não podemos apresentar os nomes). Os nomes, que à primeira vista podem parecer chocantes ou absurdos, são na verdade uma expressão do humor popular, da capacidade de rir de si mesmo e de subverter a linguagem cotidiana.

O bloco de Socorro, fundado em 2011, se autodenomina um “Bloco Etílico Hortifruti Rock Tropical Pop Psicodélico de Balcão”. A agremiação, que se apresenta no Mercado da Madalena, mistura em seu repertório pop, rock e orquestra de frevo, criando uma sonoridade única e eclética.

Bloco de Socorro

Já o bloco de Marília, embora não tenha registros oficiais de sua atuação no Mercado da Madalena (havendo blocos homônimos em outras cidades), representa perfeitamente o espírito dos blocos de bairro. O nome, de duplo sentido evidente, brinca com a ideia de exaustão após a folia, ao mesmo tempo em que utiliza uma gíria popular para criar um efeito humorístico. A existência (ou a lenda) de um bloco com esse nome demonstra a liberdade criativa e a ausência de pudores que caracterizam o carnaval de rua do Recife.

Bloco de Marília

Esses blocos, com seus nomes inusitados e sua proposta descontraída, são a prova de que o Carnaval pernambucano vai muito além dos grandes desfiles. Eles representam a festa em sua forma mais pura e democrática: a celebração da vida, do humor e da criatividade popular, que floresce em cada esquina, em cada bar, em cada mercado da cidade.

Essa é a essência do Carnaval de Olinda e Recife: uma festa do povo, pelo povo e para o povo, que celebra a cultura pernambucana em toda a sua riqueza, diversidade e beleza.

 

Márcio Nilo

FEV/2026