quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Em tempos de eleições: agências de checagem não são suficientes para conter o distúrbio informacional

 Gazeta da Torre

As agências de checagem de fatos desempenham um papel essencial no combate à desinformação, promovendo uma cultura de verificação que deveria ser adotada por todos. É crucial ressaltar que a apuração rigorosa e a incessante checagem de fatos são responsabilidades inatas do jornalista. No entanto, o pensamento crítico, essencial para lidar com o atual ambiente informacional, é adquirido ao longo da carreira e com a vivência pessoal. O uso acelerado de robôs (bots) nas redes sociais e aplicativos de mensageria instantânea, especialmente para disseminar mensagens falsas, discursos de ódio e teorias da conspiração, é uma preocupação constante entre os estudiosos da comunicação.

A circunstância do tempo de atenção dos internautas revelou-se tão significativa que se pode afirmar que essa aceleração está gerando um novo “sensorium“, uma forma superficial e apressada de consumir material digital. Esse comportamento, cada vez mais comum, tende a se espalhar amplamente, contaminando o modo como todos interagem em rede. Este é o ponto nevrálgico de preocupação para o jornalismo, que busca atrair e manter a audiência para cumprir seu propósito maior: fornecer informações de interesse público com a ética que lhe é inerente.

Ademais, é necessário redobrar a checagem de informações provenientes de fontes não profissionais, que muitas vezes carecem de responsabilidade ética ao compartilhar conteúdo. É fundamental combater o “efeito manada” que leva à disseminação indiscriminada da turbulência da informação. Para que um fato se torne notícia, ele precisa ser verdadeiro, respeitando a prioridade ética do jornalismo: a busca pela “verdade factual”, expressão cunhada por Hannah Arendt (1906-1975) em seu ensaio Verdade e Política, publicado na revista New Yorker em 1967. Dominique Wolton destaca a importância do jornalista em distinguir a expressão pessoal da informação factual nas redes sociais, ressaltando que a internet exige um trabalho contínuo de verificação para garantir a qualidade das informações compartilhadas.

Por Magaly Prado, professora convidada do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

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UFPE sobe duas posições entre as universidades do Brasil e continua entre as 1 mil melhores do mundo no Ranking de Xangai 2026

 Gazeta da Torre

UFPE

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ocupa, no cenário nacional, a 13ª posição entre as universidades brasileiras e a 10ª posição entre as instituições federais de ensino superior (Ifes), e está entre as mil melhores universidades do mundo, de acordo com a edição 2026 do Academic Ranking of World Universities (ARWU), conhecido como Ranking de Xangai.

Na América Latina, a Universidade alcançou a 20ª colocação. Em relação à edição anterior, houve avanço de duas posições no Brasil, de uma posição na América Latina e de uma posição entre as Ifes.

Na edição deste ano, a UFPE aparece na faixa 901–1000 do ranking mundial, mantendo sua presença entre as instituições de maior destaque no cenário internacional.

O ARWU é um dos principais rankings universitários internacionais. É elaborado pela Shanghai Ranking Consultancy e utiliza seis indicadores objetivos, baseados em fontes externas, para avaliar as universidades: desempenho de ex-alunos premiados com Nobel ou Medalha Fields; pesquisadores da instituição vencedores desses prêmios; pesquisadores altamente citados; artigos publicados nas áreas de Natureza e Ciências; artigos indexados nas bases internacionais de produção científica; e desempenho acadêmico por pesquisador.

Fonte: UFPE

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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Os clubes da primeira divisão inglesa concordaram coletivamente em abandonar os patrocínios das apostas exclusivamente na parte da frente das camisas de jogo

 Gazeta da Torre

Os clubes de despedida da Premier League começam a se despedir dos patrocínios de casas de apostas na parte frontal das camisas, abrindo espaço para um grupo mais diversificado de parceiros comerciais, segundo relatório divulgado pela Nielsen.

Em 2023, os clubes da primeira divisão inglesa concordaram coletivamente em abandonar os patrocínios de empresas de apostas no espaço nobre dos uniformes. A medida passou a valer a partir do início da temporada 2026/27.

“Com a implementação da orientação voluntária e coletiva de parceria de apostas na parte frontal das camisas, o cenário que define a última década está sendo fundamentalmente reescrito”, afirmou a Nielsen Sports no relatório publicado no início do mês.

Segundo a empresa, o fim da chamada “era das apostas” dá lugar a uma fase mais diversificada e complexa, marcada pela presença de grandes conglomerados de software, investimentos soberanos e empresas do setor financeiro e de tecnologia.

“Para organizações que buscam desafiar o mercado, especialmente nos setores de fintech e inteligência artificial, o patrocínio está sendo utilizado para construir construção global em grande escala”, afirmou Andy Milnes, responsável pelo mercado esportivo da Nielsen no Reino Unido e na Irlanda.

Segundo Milnes, embora a saída das empresas de apostas possa representar uma perda financeira no curto prazo para alguns clubes, a mudança também cria oportunidades para um ecossistema comercial mais diversificado.

Fonte:CNN

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Torre , Recife

O 29º Festival Internacional de Dança do Recife

 Gazeta da Torre

Chega aí o 29º Festival Internacional de Dança do Recife, que se movimentará pela cidade entre os próximos dias 3 e 13 de setembro, oferecendo oficinas, espetáculos, cinedança e exposição, com grandes nomes de dança local, nacional e até internacional.

Já abertas as inscrições para dois oficinas gratuitas e imperdíveis, ministradas no Paço do Frevo, por profissionais chiquíssimos da dança brasileira: os cariocas Hiltinho Fantástico e Alice Ripoll e a paulista Elisabete Finger.

Vai lá no link da bio Paço do Frevo e garanta sua vaga!

https://www.instagram.com/pacodofrevo/?hl=en

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Modelos de inteligência artificial conseguiram burlar regras do experimento, acessar a internet e invadir sistema

 Gazeta da Torre

Falta de aviso não foi. Em 2024, Geoffrey Hinton, um dos “pais" da inteligência artificial, cujas pesquisas ajudaram a formar o alicerce dos sistemas de IA que temos hoje – profundamente envolvida no maior salto tecnológico das últimas décadas – recebe um prêmio Nobel e, em seu discurso, faz um apelo à cautela com a tecnologia, é hora de parar e prestar atenção. “Estamos ‘flertando’ com forças que ainda não compreendemos totalmente”, ele disse, especialmente porque as máquinas estão aprendendo rápido!

Em julho deste ano, o que parecia um teste controlado terminou com um resultado inesperado: modelos de inteligência artificial da OpenAI, empresa americana de pesquisa e tecnologia de inteligência artificial, conseguiram burlar regras do experimento, acessar a internet e invadir o sistema de uma empresa para copiar informações.

Recentemente, após investigação, a OpenAI afirmou que o ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia inicialmente. Segundo a empresa, a operação ocorreu em ritmo descrito como sobre-humano e envolveu o acesso a serviços públicos a partir de logins encontrados online. O caso amplia o debate sobre segurança digital e controle da IA.

A companhia afirmou que está investigando o episódio para evitar que o comportamento volte a acontecer. O caso reacende um debate que parece saído da ficção científica: como garantir o controle humano sobre tecnologias cada vez mais autônomas?

Já se passaram dois anos desde o alerta de Geoffrey Hinton no Nobel, e algumas perguntas ainda precisam de respostas. Como estamos em relação às IAs? Será que a humanidade está preparada para elas? Será que a criatura começou a escapar do controle do criador? Fica a pergunta.

Fontes: JG; BBC;

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A Praça do Sebo vai comemorar seus 45 anos com uma programação cultural especial!

 Gazeta da Torre

A celebração deste importante patrimônio cultural da cidade conta com detalhes como: Lançamentos literários, apresentações musicais, rodas de conversa e intervenções artísticas.

Considerada um dos espaços tradicionais de circulação e comércio de livros usados na cidade, a Praça do Sebo reúne livreiros, leitores e colecionadores de raridades desde a sua criação, no ano de 1981.

A festa da Praça do sebo começa com a exibição de um trecho do documentário “Praça do Sebo”, seguido de bate-papo com o jornalista e cinegrafista Leonardo Klück e Elizeu Espindola. Às 10h40 a praça se transforma para receber o lançamento do livro Novos Engenhos, de Roberto Azoubel, seguido do lançamento do cordel 45 anos da Praça do Sebo (Praça Liêdo Maranhão), de Fernando Serpa e do livro Magazine Noturno, de Paulo Teixeira.

Ao longo de toda manhã também acontecerão uma apresentação de Zé da Boa Vista, a exposição fotográfica “Os sebos como ecossistema da leitura e a formação de leitores e professores” e apresentações musicais dos artistas Bloco Carnavalesco Lírico Cordas e Retalhos, Canário do Império, Diego Drão, Juvenil Silva e DJ Cigana Cósmica.

Serviço:

45 anos da Praça do Sebo

Quando: sábado, 29 de agosto

Onde: Praça do Sebo, centro do Recife,

Próxima Agência Central dos Correios.

Horário: a partir das 9h

Fontes:

Recanto Dos Alfarrabistas

https://www.instagram.com/recantodosalfarrabistas/

Seborreia Recife;

Revista Pernambuco;

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Estudantes de Recife levam prêmios na 2ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil Educavídeo em Gramado

 Gazeta da Torre

Arthur Campos, estudante da EMTI Reitor João Alfredo, levou Melhor Roteiro e Melhor Edição na 2ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil Educavídeo, com o curta ‘Reitor João Alfredo’.

E não foi estreia, não. Arthur já tinha levado os prêmios de Melhor Curta e Melhor Roteiro na mesma categoria no ano passado. Agora voltou a Gramado e saiu de lá com mais dois troféus.

Os alunos Pollyana Barbosa e João Pedro, da EMTI Maria Sampaio de Lucena, também representaram o Recife com um curta-metragem selecionado para a mostra.

As produções foram desenvolvidas no âmbito do Programa Cinema nas Escolas, da Secretaria de Educação do Recife, que utiliza o audiovisual em atividades pedagógicas. O curta premiado neste ano foi gravado com celular e inspirado na história do patrono da escola, João Alfredo, a partir de uma lenda da comunidade escolar sobre sua presença no espaço.

 “A gente não está só levando um filme. A gente está levando as nossas histórias e mostrando que elas também merecem ser vistas”, afirmou Arthur.

Fonte: PCR

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domingo, 9 de agosto de 2026

Mudança na relação pais e filhos não necessariamente foi provocada pela tecnologia

 Gazeta da Torre

Leila Tardivo explica que os jovens sabem muito mais de tecnologia, mas não sabem da vida

O chamado conflito de gerações não é algo atual, sempre existiu e quando o assunto se refere a pais e filhos. A impressão que se tem é de ter aumentado nos últimos tempos, principalmente em função do mundo digital.  Como os jovens, e até crianças, dominam o assunto – celulares, streamings, aplicativos, controles de TV, jogos, entre outros -, existe uma espécie de “domínio” desses jovens sobre os pais. É como se os adultos perdessem a autoridade sobre os filhos.  Mas será que é isso mesmo?  ou é apenas uma impressão?

A psicóloga Leila  Cury Tardivo, do Instituto de Psicologia da USP, especialista em atendimento de crianças e adolescentes diz que “a mudança na relação pais e filhos não necessariamente foi provocada pela tecnologia, mas por esse desencontro, por esse descompasso”. O desafio na educação dos filhos começa dentro de casa e não na escola, como muitos pais acreditam. ”Muitos pais ficam nas suas próprias redes sociais e não conseguem ter com os filhos dialogo”, afirma a especialista. 

Entre as características dessa nova geração estão: o imediatismo, o individualismo, estão sempre on-line, carregam o mundo na palma da mão, são sustentados e têm muita dificuldade em se expressar em situações sociais.  Apesar dessa mudança de comportamento, os pais ainda são a autoridade para esses jovens, porém sem a tirania de outros tempos. Segundo a psicóloga “os jovens sabem muito mais de tecnologia, mas não sabem da vida, por isso é importante perceber que esse jovem pode não estar bem com tantas horas nas redes sociais”, avalia.

Esse poder que os filhos exercem sobre os pais sempre existiu, independentemente das redes sociais e do uso da tecnologia. É importante os pais explicarem a diferença entre desejo e necessidade, ou seja, é preciso existir limite e mais do que isso saber ouvir não. É fato que os jovens entendem melhor esse mundo digital que os pais e essa é uma troca que precisa ser feita. Pais dividem experiências de vida e filhos o conhecimento das novas tecnologias. O diálogo é fundamental nas relações. O adulto precisa exercer o papel de pai ou mãe e não de amigo, “entender o momento por que os filhos passam e estar junto deles como pais. Eles precisam muitas vezes de uma palavra, um conselho ou um conforto. Que a gente não permita que a tecnologia interfira nas relações humanas. As relações dentro da família são fundamentais”, reforça Leila.

Os pais devem manter um canal de comunicação aberto antes da adolescência chegar e lembrar que negar também é amar. É muito importante no ambiente familiar que existam valores e princípios para que exista união entre gerações tão diferentes.

Fonte: Jornal da USP

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Os guardiões de sementes crioulas de Jucati no Agreste de Pernambuco

 Gazeta da Torre

Frutos produzidos com a semente crioulas - foto:Lucas Arruda/CBN Recife

Em um mundo cada vez mais acelerado, onde a praticidade determina os comportamentos, o cuidado com a origem de cada alimento pode significar, para muitos, perda de tempo. Mas para outros, é um olhar atento a um futuro com qualidade de vida. E mais, um respeito àquela que nunca faltou aos antepassados: a terra. Essa sensibilidade é transmitida pelos guardiões de sementes crioulas no Agreste de Pernambuco. Uma prática ancestral que encontra eco nas discussões sobre o amanhã que estamos construindo.

A convite do Centro Sabiá, a Rádio CBN Recife esteve em Jucati, a cerca de 214 km da capital pernambucana, para conhecer uma das iniciativas apresentadas durante a Caatinga Climate Week. O evento é pensado pela ONG e pelo Instituto Socioambiental para mostrar a pesquisadores, comunicadores e ativistas o quanto o bioma – a Caatinga – serve como exemplo ao planeta quando o assunto é resiliência climática.

No Planalto da Borborema, entre Caruaru e Garanhuns, o banco de sementes crioulas mantido por cerca de 20 agricultores do município é uma estratégia que serve tanto para diversificar quanto para manter, no próprio território, aquilo que sempre foi cultivado. Mas que, diante da força das sementes transgênicas e das mudanças climáticas, estava se perdendo, como diferentes tipos de feijão e de milho.

Givaldo de Lira é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jucati. Val, como prefere ser chamado, também carrega uma missão especial: coordenar o banco de sementes crioulas no município, onde a iniciativa ganha vida a partir de um roçado comunitário.

“Todo ano a gente planta em uma área que chamamos de roçado comunitário, onde se junta toda a comunidade, e a gente planta em linhas de feijão pau, outras linhas de feijão preto, outras de feijão branco, sempre dividindo elas ao meio com uma carreira de milho, do nosso milho crioulo também. O produto que a gente planta no roçado comunitário é destinado para o banco de sementes. A gente faz a colheita, faz a “bata” e seleciona as sementes. O que excede, a gente vende no comércio, que é para manutenção do banco”, explica.

Rede SEMEAM

Por conta da posição geográfica, diferentes cidades do Agreste Meridional, como Jupi e Calçado, se destacam pelo resgate, conservação e multiplicação das sementes. Como uma forma de estruturar a conexão entre os guardiões, a Rede SEMEAM, a partir do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), apoia os bancos municipais, com seminários e oficinas, além das feiras de troca.

A coordenadora da rede, Ivanir Bezerra, lembra que, no fim de tudo, esse é um trabalho que olha para o futuro com profundas raízes na tradição.

“Essas sementes são ancestrais, passadas de geração em geração, trabalhadas com as famílias sem nenhum tipo de agrotóxico, e que temos como patrimônio histórico. Nós não queremos somente resgatar, mas passar elas de geração em geração. Nós temos diversas variedades, como os milhos e feijões. Parte delas foi plantada em um roçado comunitário, coletivo, para que essas sementes se multipliquem e a gente possa aumentar a quantidade e distribuir entre os nossos bancos e casas de sementes”, declarou.

Futuro

Nem todos os 12 mil habitantes de Jucati têm a oportunidade de sentir o gosto dos feijões cultivados com as sementes crioulas. Mas o trabalho desenvolvido pelos guardiões do município ganha cada vez mais força a partir do momento em que o mundo procura soluções para lidar com as mudanças climáticas.

No Agreste de Pernambuco, os antepassados entenderam isso há décadas, respeitando a terra e diversificando a produção, como destaca a coordenadora do Centro Sabiá, Maria Cristina.

Os bancos de sementes crioulas do Agreste Meridional, e em especial, de Jucati, mostram que, diante de uma sociedade onde a correria é quase uma lei, a sabedoria do campo tem muito a ensinar. Da terra onde se planta feijão, milho, fava, batata, mandioca e tantos outros alimentos, com muito esmero, também se cultiva o amanhã.

CBN Recife

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domingo, 2 de agosto de 2026

O que define a insônia?

 Gazeta da Torre

“A pessoa tem que apresentar queixas de início e manutenção do sono pelo menos três vezes na semana. Ou seja, dificuldade para dormir, ou despertar à noite de modo significativo, com demora de mais de meia hora para retornar ao sono. Ou ainda, acordar mais cedo do que o desejado e não conseguir retornar após 30 minutos”, explica a pesquisadora Renatha El Rafihi-Ferreira, professora do Instituto de Psicologia da USP, pontuando que acordar à noite, ir ao banheiro e voltar a dormir não é considerado insônia.

Mas essas queixas ainda não são suficientes para preencher os critérios diagnósticos; têm que vir acompanhadas de prejuízos durante o dia. “Por exemplo, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, entre outras”, diz a neurologista especialista em medicina do sono Rosa Hasan, acrescentando que, para ser considerada insônia crônica, ela deve ocorrer pelo menos três vezes por semana há pelo menos três meses.

E que perpetua a insônia? “Estresse crônico, ansiedade com o desempenho do próprio sono, doenças crônicas não tratadas, como depressão, dor crônica, e hábitos desfavoráveis a um bom sono. Aqui precisa de avaliação médica e tratamento para o problema não ir piorando”, diz a médica.

“Existe o que chamamos de ‘teoria dos três pês’. Primeiro, a pessoa já tem uma predisposição para desenvolver insônia”, explica Renatha El Rafihi. Algumas acumulam mais cortisol [hormônio ligado ao estresse] do que outras, por exemplo, ou têm perfis psicológicos que são predisponentes, com muitos pensamentos ruminativos”, detalha.

Somado a isso, existem os fatores de precipitação, os gatilhos. “Uma pandemia, um divórcio, crise financeira ou mesmo uma promoção no trabalho, que vai mexer na rotina dessa pessoa”.

Por fim, existem os fatores perpetuadores. “Muitas vezes a forma com que lidamos com o sono piora a insônia. Por exemplo, eu não consegui dormir bem à noite, então eu vou estender o tempo na cama pela manhã. Ou eu vou tirar cochilos. Ou então vou mais cedo para cama no dia seguinte”, explica a psicóloga.

Essas estratégias, que parecem uma resolução, tendem a tornar a insônia crônica. “Quanto mais tempo você permanece na cama acordado, mais seu cérebro entende que seu corpo fica em vigília deitado. A orientação que a gente dá é que se use a cama somente para atividade sexual e sono”, diz Renatha El Rafihi, já entrando na abordagem em que se especializou. “A Terapia Cognitivo Comportamental para Insônia (TCCI) vai focar em hábitos e na crença sobre o sono, quer dizer, na forma como a pessoa pensa sobre ele. Ela é o tratamento padrão ouro para insônia.”

E não é só higiene do sono, ressalta a psicóloga, apesar da higiene fazer parte dela, assim como a psicoeducação. “A TCCI é uma abordagem teórica com três componentes principais: restrição de sono, controle de estímulos e reestruturação cognitiva”.

Também como abordagem comportamental para insônia surgiu, mais recentemente, a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, na sigla em inglês). “É o que a gente chama de terceira onda. Em vez de focar só em sintomas, hábitos e no que a pessoa pensa sobre o sono, a ACT amplia para outras questões da vida do paciente, é mais uma psicoterapia. Por exemplo, se existe um comportamento de evitação, ele acaba tendo menos autocuidado e isso consequentemente afeta o sono. É como se a insônia fosse só um sintoma de outros padrões da vida desse paciente.”

Apesar de mais nova, estudos têm mostrado a eficácia da ACT no longo prazo, após  seis meses em média, enquanto na TCCI os resultados aparecem mais em curto prazo. Mas não necessariamente a TCCI é superior por isso; diferentes pacientes podem responder melhor a uma ou a outra terapia.

Os remédios, portanto, não precisam e não devem ser a primeira escolha no tratamento da insônia. “Uma das coisas mais alarmantes das drogas como Zolpidem ou benzodiazepínicos é o seu poder de causar dependência. A pessoa aumenta a dose, mas vai precisar de cada vez mais para que ela faça efeito — é o que a gente chama de tolerância. É muito fácil se viciar”, diz Renatha El Rafihi.

Os prejuízos do uso prolongado dos benzodiazepínicos ao cognitivo são bastante comentados, mas já existem estudos mostrando que as drogas Z também estão associadas a falhas cognitivas e de memória no longo prazo. Além disso, mesmo em curto prazo, ambas as classes de medicação aumentam as quedas em idosos e causam esquecimentos. No caso do Zolpidem, por exemplo, há relatos da pessoa entrar em um site e fazer várias compras das quais não se lembra depois, ou mandar mensagens para um grupo de WhatsApp que não mandaria em seu estado habitual. Rosa Hassan alerta que “a retirada dessa medicações, quando em uso prolongado,  deve ser orientada por médico”.

Fonte: Jornal da USP

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Alimentação e saúde do cérebro: dietas que fortalecem a memória

 

Você gosta de tomar um bom café para começar bem o dia? Saiba que existe um ótimo motivo científico para manter esse hábito! Alguns alimentos do dia a dia, incluindo o café, podem ajudar a proteger a memória e cuidar da saúde do cérebro ao longo do tempo.

A alimentação saudável é uma grande aliada quando falamos em bem-estar mental e cognitivo. Consumir alimentos nutritivos e de boa qualidade pode contribuir para fortalecer a memória, além de ajudar na prevenção de doenças como demência, Alzheimer e outras condições que afetam o cérebro. Por isso, conhecer esses alimentos e incluí-los na rotina pode fazer toda a diferença, especialmente com o passar dos anos.

O café, por exemplo, possui substâncias que fazem bem ao organismo (como polifenóis e alcalóides), que têm ação protetora para o cérebro. Além disso, ele pode ajudar a melhorar a atenção, a memória e o desempenho cognitivo. Outro nutriente importante é a vitamina E, que tem ação antioxidante e anti-inflamatória, ajudando a proteger as células do organismo. Ela pode ser encontrada em alimentos como abacate, sementes (de abóbora e de girassol) e oleaginosas, como nozes e castanhas.

Além dos alimentos isolados, também é importante destacar o papel de padrões alimentares completos. Um exemplo é a dieta MIND (sigla em inglês para Mediterranean-DASH Intervention for Neurodegenerative Delay). Ela combina características de duas dietas já bastante conhecidas: a Dieta Mediterrânea e a Dieta DASH (voltada para o controle da pressão arterial). A dieta MIND foi desenvolvida com um objetivo específico: ajudar a proteger o cérebro e reduzir o risco de doenças como o Alzheimer. E o mais interessante é que, mesmo quando seguida parcialmente, ela já pode trazer benefícios para a saúde.

Na prática, essa dieta incentiva o consumo de alimentos que favorecem o bom funcionamento do cérebro, como vegetais verdes (couve, espinafre, rúcula), outras verduras e legumes, frutas especialmente as vermelhas, oleaginosas (como castanhas e nozes), leguminosas (como feijão, lentilha e grão-de-bico), peixes (pelo menos uma vez por semana), aves, grãos integrais e azeite de oliva como principal fonte de gordura. O consumo de vinho é opcional e deve ser sempre moderado. Por outro lado, recomenda-se reduzir o consumo de alimentos como carnes vermelhas, manteiga, margarina, queijos em excesso, doces, açúcar, frituras e alimentos ultraprocessados, como fast-food.

Em resumo, manter uma alimentação equilibrada, rica em verduras, legumes e frutas, é essencial para a saúde do cérebro e do corpo como um todo. Esse cuidado pode ajudar na prevenção de doenças como hipertensão, diabetes e problemas cognitivos, contribuindo para um envelhecimento mais saudável e com mais qualidade de vida.

Assinam este texto as gerontólogas:

Júlia Maria Borro

Emanuelle Faria Barbosa

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva

Para reflexão:

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." Guimarães Rosa

Você sabia que:

Não existe explicação para os sonhos

Quase todo o mundo sonha com algo todas as noites, mesmo que não se lembre no dia seguinte. No entanto, embora seja um acontecimento universal, ainda não existe uma explicação cientifica para o fenômeno.

Resposta do desafio de Junho:

Alguns meses têm 30 dias, outros têm 31. Quantos meses têm 28 dias?

Resposta: Todos os meses do ano têm 28 dias, logo são 12 meses.

Desafio de Julho:

Complete o próximo número da sequência.

2, 10, 16, 17, 18, 19, ......

Resposta na próxima edição

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)

REGISTRO – Participação da Delícias da Prazeres na FIPAN

 Gazeta da Torre

A FIPAN, a maior Feira de Panificação e Confeitaria da América Latina, aconteceu entre os dias 21 e 24 de julho no Expo Center Norte, São Paulo - SP. A Feira reuniu cerca de 450 expositores, 1.500 marcas e movimentou o setor de panificação, confeitaria e food servisse. Registrou cerca de 58 mil visitantes, R$ 1,7 bilhão em negócios e mais de 400 expositores em sua última edição.

A empresa Delícias da Prazeres (Recife) esteve presente na Feira em busca de novidades, tendências e inovações para levar o melhor aos seus clientes. O evento contorno com diversas aulas-show, arenas temáticas e projeções práticas.

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A relação entre Cássia Eller e Nando Reis

 Gazeta da Torre

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você..." de suas entrevistas históricas à TV Brasil, Cássia Eller revelou que um de seus "filósofos" era o disco Relicário e destacou a importância fundamental de Nando Reis na concepção desse álbum tão marcante.

Mais do que uma parceria musical, a relação entre Cássia e Nando era de profunda troca e amor. Ele a ensinou a dosar sua intensidade natural, eficientemente como um verdadeiro guia para sua voz inesquecível.

Ela, por sua vez, transformou as letras dele em hinos absolutos. Que a história deles nos lembre da importância de nos cercarmos de pessoas que nos desafiam, nos compreendemos e nos ajudamos a extrair a nossa melhor versão.

Às vezes, a inspiração que precisamos vem de uma grande parceria na arte e na vida!

Fonte: TV Brasil

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terça-feira, 28 de julho de 2026

Participação da Delícias da Prazeres na FIPAN, a maior Feira de Panificação e Confeitaria da América Latina

 Gazeta da Torre

A FIPAN aconteceu entre os dias 21 e 24 de julho no Expo Center Norte, São Paulo - SP. A Feira reuniu cerca de 450 expositores, 1.500 marcas e movimentou o setor de panificação, confeitaria e food servisse. Registrou cerca de 58 mil visitantes, R$ 1,7 bilhão em negócios e mais de 400 expositores em sua última edição.

A empresa Delícias da Prazeres (Recife) esteve presente na feira em busca de novidades, tendências e inovações para trazer sempre o melhor aos seus clientes. O evento contou com diversas aulas-show, arenas temáticas e projeções práticas.


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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Contagem regressiva para começar a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 TM

 Gazeta da Torre

A Copa do Mundo FIFA masculina acabou, mas o Recife já está em contagem regressiva para a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 TM, que acontece no próximo ano. E a gente é cidade sede!

O Recife é uma das cidades-sede oficiais da Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 TM. Os jogos da capital pernambucana serão realizados na Arena de Pernambuco em um torneio que ocorrerá entre 24 de junho e 25 de julho de 2027.

A capital pernambucana está confirmada ao lado de outras sete cidades: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

As "brabas" da Seleção Brasileira de Futebol Feminino representam raça, superação e orgulho nacional. Rumo ao topo com as nossas meninas!

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Nossa Senhora do Carmo, a santa padroeira do Recife

Gazeta da Torre

Nossa Senhora do Carmo (ou Monte Carmelo) é um título da Virgem Maria ligado à Ordem dos Carmelitas. Sua devoção é celebrada em 16 de julho, data em que a tradição católica comemora a entrega do Escapulário a São Simão Stock em 1251, um símbolo de proteção e consagração.

A devoção é marcada por uma série de tradições espirituais, históricas e culturais:Histórico:

A origem remonta ao Monte Carmelo, em Israel, local Associado ao profeta Elias na Bíblia. Monges e eremitas se reuniram no local para viver em oração e contemplação sob a proteção de Maria.

O Escapulário: É o maior símbolo dessa devoção. A tradição relata que Maria entregou o escapulário a São Simão Stock prometendo proteção. Ele é considerado um sacramental que registra o compromisso com a vivência da fé e da caridade.

Celebrações no Brasil: A santa é padroeira de diversas localidades importantes, como o Recife (PE), onde a data é feriado municipal e atrai milhares de fiéis para a tradicional Basílica de Nossa Senhora do Carmo.

Fonte: Vatican News

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Um momento dedicado apenas para colocar a leitura em dia!

 Gazeta da Torre

A @bienalpe e a @assessorialavanda se reuniram para montar uma tarde onde estar presente é o mais importante! Separe seu livro - ou seus livros - sua canga, chame seus amigos e curta uma tarde inteira dedicada a leitura e com momentos especiais.

Sorteios entre os participantes e outras surpresinhas!

Creators! Fiquem de olho nos stories! A partir das 18H! Seleção de 8 creators para serem os parceiros oficiais do evento!

* Creators (ou criadores de conteúdo) são profissionais que produzem, publicam e reúnem materiais originais nas plataformas digitais, como vídeos, fotos, podcasts, textos ou gráficos.

Anota na sua agenda, no seu planner ou deixa o alerta no seu google calendar: Domingo, dia 2 de Agosto, parque da Jaqueira! Em breve mais detalhes para vocês!

Bienal de Pernambuco

BienalPE

Off Bienal PE

Eventos GRATUITOS da Bienal de Pernambuco

Assessoria Lavanda

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As férias de julho ficaram ainda mais divertidas no Jardim Botânico do Recife!

 Gazeta da Torre

Até 31 de julho, a programação especial Ecoférias convida crianças e adolescentes de 5 a 15 anos para viver experiências de aprendizado, diversão e contato com a natureza.

Ao longo do período, o público poderá participar de caminhadas ecológicas, oficinas de plantio, microscopia vegetal, teatro, atividades sobre polinização, resíduos sólidos, plantas medicinais, Land Art, estufa aberta, jogos educativos e muitas outras vivências ambientais.

As atividades são gratuitas e as inscrições acontecem na recepção do Jardim, por demanda espontânea, conforme a disponibilidade de vagas.

Confira a programação da semana e viva essas férias em meio à natureza!


O Jardim Botânico do Recife fica localizado na BR-232,Km 7,5 - bairro do Curado, Recife. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Frutas nativas brasileiras mostram potencial na prevenção de doenças do envelhecimento celular

 Compostos bioativos da jabuticaba, açaí, cambuci e guaraná aparecem como promissores contra doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas; autores de estudo ressaltam necessidade de mais ensaios clínicos

Jabuticaba

Jabuticaba, açaí, cambuci, guaraná, marolo e outras frutas nativas brasileiras podem contribuir na prevenção de doenças crônicas associadas à inflamação e ao estresse oxidativo. É o que sugere uma revisão científica que reuniu estudos publicados nas últimas décadas e identificou evidências de que compostos bioativos presentes nesses frutos ajudam a proteger as células contra danos relacionados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de enfermidades cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.

Conduzido por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o estudo integrou o doutorado da nutricionista Maria Carolina Zsigovics Alfino, orientado pela professora Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, em colaboração com pesquisadores da Universidad Autónoma do Chile. A pesquisa faz parte de uma linha de investigação do grupo Alimentos, Nutrição e Saúde Mental da FSP, que estuda o potencial de compostos bioativos presentes na biodiversidade brasileira para a prevenção e o controle de doenças crônicas não transmissíveis.

Segundo a professora Elizabeth Torres, o trabalho dá mais um passo no caminho de transformar evidências científicas em informações que possam subsidiar recomendações alimentares e estratégias de promoção à saúde pública. “Doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade no mundo. Identificar alimentos acessíveis e ricos em compostos bioativos capazes de auxiliar na prevenção dessas doenças tem impacto direto na promoção da saúde pública”, afirma.

Apesar dos resultados promissores, a professora ressalta a necessidade de novos estudos — a principal limitação da revisão foi que a maior parte das evidências analisadas veio de pesquisas realizadas em modelos celulares ou animais. “Ensaios clínicos com seres humanos ainda são escassos”, relata.

Inflamação

Segundo a nutricionista Maria Carolina Alfino, os estudos indicam que os compostos bioativos presentes nas frutas nativas brasileiras atuam diretamente no controle da inflamação e do estresse oxidativo. Substâncias como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos ajudam a neutralizar radicais livres e a reforçar os mecanismos naturais de defesa antioxidante do organismo.

Além disso, reduzem a produção de moléculas inflamatórias e regulam processos celulares associados ao desenvolvimento de doenças. “Ao controlar o estresse oxidativo e a inflamação crônica, dois mecanismos associados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas, as substâncias contribuem para a manutenção da saúde e para a prevenção de doenças crônicas”,  diz.

Elizabeth Torres destaca ainda que os benefícios observados na pesquisa não se restringem à polpa dos frutos. “Cascas, sementes e outros subprodutos geralmente descartados também apresentaram potencial biológico, ampliando as possibilidades de aproveitamento sustentável desses alimentos”, relata.

Jabuticaba lidera número de estudos

Entre as frutas analisadas, a jabuticaba foi a que reuniu o maior volume de estudos. Pesquisas realizadas com extratos da casca, da polpa e até dos galhos da planta apontaram elevada atividade antioxidante e capacidade de reduzir marcadores inflamatórios associados à obesidade, resistência à insulina, inflamações intestinais e alterações cardiovasculares. Os efeitos são atribuídos, principalmente, às antocianinas, aos flavonoides e ao ácido elágico presentes no fruto. De acordo com Maria Carolina Alfino, esses compostos atuam neutralizando radicais livres, reduzindo danos celulares e modulando processos inflamatórios envolvidos no desenvolvimento de doenças crônicas.

O açaí e o guaraná também figuraram entre as espécies mais investigadas. No caso do guaraná, os estudos apontam potencial neuroprotetor relacionado à ação conjunta da cafeína e das catequinas. As substâncias demonstraram capacidade de reduzir danos provocados pelo estresse oxidativo e pela inflamação, fatores associados à degeneração celular e a doenças que afetam o sistema nervoso.

Já o açaí tem despertado interesse não apenas pela polpa, mas também por seus subprodutos, especialmente as sementes. Estudos experimentais mostram que essas estruturas concentram elevadas quantidades de procianidinas, compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os resultados sugerem potencial para reduzir processos inflamatórios relacionados a distúrbios metabólicos, assim como de complicações cardiovasculares e renais.

Saúde do cérebro

A revisão também identificou evidências de que os compostos bioativos das frutas nativas podem contribuir para a proteção do sistema nervoso. Substâncias presentes principalmente no guaraná podem ajudar a reduzir a neuroinflamação, processo associado a doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson, e a alguns transtornos psiquiátricos.

“As propriedades bioativas encontradas no guaraná atuam em mecanismos de redução da ativação excessiva de células inflamatórias do cérebro e na diminuição da produção de citocinas pró-inflamatórias, moléculas que participam da resposta inflamatória do organismo”, afirma Maria Carolina Alfino.

Outro aspecto destacado no artigo é o possível impacto positivo das propriedades bioativas dessas frutas sobre a microbiota intestinal, ou seja, favorecer o crescimento de bactérias benéficas e reduzir processos inflamatórios sistêmicos, fortalecendo a chamada conexão intestino-cérebro. Nesse contexto, o guaraná se destacou pelos efeitos neuroprotetores, enquanto a jabuticaba apresentou resultados promissores no controle da inflamação intestinal e na proteção das células contra danos oxidativos.

Para Maria Carolina Alfino, os resultados reforçam a importância de valorizar espécies nativas ainda pouco presentes na alimentação dos brasileiros. Segundo ela, a influência da globalização dos hábitos alimentares contribuiu para a concentração do consumo em frutas como maçã, banana e laranja, enquanto muitas espécies brasileiras com elevado valor nutricional permanecem pouco conhecidas pela população.

Fonte: Jornal da USP

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