Setembro é um mês marcado pela campanha de conscientização da doença de Alzheimer e outras demências. No Brasil, essa mobilização é frequentemente conhecida como Setembro Lilás e acompanha o World Alzheimer’s Month (Mês Mundial da doença de Alzheimer), campanha internacional coordenada pela Alzheimer’s Disease International (ADI). Todos os anos, pessoas, organizações e instituições de diferentes países se mobilizam para ampliar o conhecimento sobre as demências e enfrentar o estigma que ainda acompanha essas condições (ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2026a).
O principal
marco do mês acontece no dia 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de
Alzheimer. A data foi criada em 1994, durante a abertura da conferência anual
da ADI, realizada em Edimburgo, na Escócia. O dia foi escolhido em comemoração
aos dez anos da organização e marcou o lançamento do primeiro World Alzheimer’s
Day, realizado pela ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL (ADI) e pela Organização
Mundial da Saúde (OMS). Com o passar dos anos, a mobilização ganhou espaço para
além de um único dia. Em 2010, foi realizada uma campanha-piloto envolvendo 12
países e, em 2011, teve início o Mês Mundial do Alzheimer. Desde então,
setembro se tornou um período importante para ações de informações, diálogos e
mobilizações sociais em torno das demências.
No Brasil, o dia 21 de setembro também é
reconhecido como Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer,
instituído pela Lei nº 11.736/2008 e com iniciativas lideradas pela Federação
Brasileira das Associações de Alzheimer. A lei estabelece que a data tem como
objetivo conscientizar a população sobre a importância da participação de
familiares e amigos nos cuidados dispensados às pessoas que receberam o
diagnóstico. Embora a terminologia utilizada na lei reflita o período em que
foi publicada, sua mensagem continua atual: o cuidado não se restringe à pessoa
que recebe o diagnóstico, mas envolve também sua família, a sua rede de apoio e
a sociedade.
De acordo com a
OMS (2026), as demências estão entre os grandes desafios contemporâneos para a
saúde e o cuidado. Em 2021, cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência
no mundo, e aproximadamente 10 milhões de novos casos surgem a cada ano. A
doença de Alzheimer é a forma mais comum e corresponde a aproximadamente 60% a
70% dos casos.
Por trás desses
números, no entanto, existem pessoas e famílias que precisam lidar com mudanças
que nem sempre são facilmente reconhecidas ou compreendidas. A própria OMS
destaca que, apesar de a idade ser o principal fator de risco conhecido, a
demência não é parte do envelhecimento normal. Essa diferença é importante. Nem
todo esquecimento significa doença, e algumas mudanças cognitivas podem ocorrer
ao longo do envelhecimento. Porém, quando dificuldades de memória, linguagem,
orientação, raciocínio ou realização de atividades habituais se tornam
frequentes e começam a interferir na rotina, é importante buscar uma avaliação
adequada.
Ainda assim, o
desconhecimento não é a única barreira. O diagnóstico de uma demência continua
cercado por medo e preconceito. Muitas vezes, a pessoa passa a ser vista apenas
a partir das perdas cognitivas, da dependência ou das dificuldades que podem
surgir ao longo da progressão da doença. Estudos mostram que a forma como a
demência é apresentada e discutida publicamente influencia as atitudes em
relação às pessoas que vivem com essa condição. Uma comunicação baseada apenas
em incapacidade e declínio pode reforçar emoções negativas e estereótipos. Por
outro lado, abordagens que apresentam a pessoa para além do diagnóstico podem
contribuir para atitudes mais positivas e menos estigmatizantes.
O estigma
também continua presente nos espaços em que hoje buscamos informação. Ao
analisar publicações feitas nas redes sociais durante o Mês Mundial do
Alzheimer, Bacsu et al. (2025) identificaram estereótipos, crenças equivocadas
e desinformação relacionados às demências. Para os autores, ampliar a educação
sobre o tema é fundamental para enfrentar essas representações e melhorar a
maneira como a sociedade percebe as pessoas que vivem com demência. Uma das
principais mensagens do Setembro Lilás é que informação pode abrir caminhos
para o cuidado. Reconhecer alterações cognitivas e procurar uma avaliação
profissional permite investigar suas causas e compreender o que está
acontecendo.
Quando há um
diagnóstico de demência, isso não significa que “não há mais nada a fazer”.
Existem possibilidades de tratamento e acompanhamento, intervenções
farmacológicas e não farmacológicas, estimulação e reabilitação, orientação às
famílias, adaptações na rotina e diferentes formas de suporte à pessoa que vive
com a doença e a quem participa de seu cuidado. Em 2026, essa discussão está no
centro da campanha mundial da ADI, que traz como tema “The Earlier You Know,
The More You Can Do: A Dementia Diagnosis Matters” — em tradução livre, “Quanto
mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico de demência importa” ou
simplesmente: Alzheimer o diagnóstico importa.
A mensagem
chama a atenção para um problema ainda presente em diferentes países: o medo,
os estigmas e a falta de informações podem atrasar a procura por ajuda.
Conhecer o diagnóstico, quando ele está presente, pode permitir acesso a
tratamentos, cuidados e suporte, além de favorecer o planejamento e a
participação da própria pessoa nas decisões relacionadas ao seu futuro.
Também não é
possível falar de doença de Alzheimer sem olhar para quem está ao lado.
Familiares e cuidadores frequentemente assumem novas responsabilidades ao longo
da progressão da doença e precisam, eles próprios, de informações, orientações
e suporte. O cuidado, portanto, precisa incluir não apenas quem recebe o
diagnóstico, mas também as pessoas que compartilham essa trajetória.
Por isso, a
conscientização proposta na campanha liderada pela FEBRAz no Setembro Lilás vai
além de conhecer o nome da doença ou lembrar uma data no calendário. Ela
envolve reconhecer sinais, buscar informação de qualidade, enfrentar
preconceitos, favorecer o acesso ao diagnóstico e ao cuidado e, principalmente,
não deixar que a doença apague a pessoa que existe para além dela. Falar sobre
doença de Alzheimer é também falar sobre como queremos envelhecer e cuidar.
Quanto mais informações circulam de forma responsável, maiores serão as
possibilidades de construir uma sociedade preparada para conviver com as
demências com mais conhecimento, respeito e acolhimento. Por isso o Supera integra esta campanha com o evento Despertando
a Sociedade para a Saúde do Cérebro-2026.
Um evento
realizado em parceria com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) com
especialistas das diferentes áreas, que trarão informações sobre prevenção,
diagnóstico, tratamento, direitos e políticas públicas da doença de Alzheimer.
Um evento gratuito, que acontecerá no contexto presencial e no formato remoto
no canal do método Supera, @metodosupera, com emissão de certificado de
participação.
Link para as inscrições:
cadastro.metodosupera.com.br/lp-2026-despertando-a-sociedade
Assinam este
texto, as gerontólogas:
Djessica Hilton
Peixoto
Kauane Macedo
Barbosa
Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva
Para reflexão:
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. “Clarice Lispector”
Você sabia que:
Por mais surpreendente que possa parecer, o cérebro é responsável por mais conexões do que o número de estrelas da Via Láctea.
Resposta do
desafio de Agosto
Numa sala há
quatro cantos, em cada canto há um gato, cada gato vê três gatos. Quantos gatos
estão na sala?
Resposta: Estão na sala 4 gatos.
Desafio de
Setembro:
O que os
números 2,10,12,16,18 e 19, têm em comum?
Resposta na próxima edição
Serviço:
Método Supera -
Ginástica para o Cérebro
Responsável
Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)
Unidade Recife
Madalena
Rua Real da
Torre, 1036. Madalena, Recife.
Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)




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