quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - A descoberta foi acidental ou não?

 Gazeta da Torre

*Foto do filme ‘O Descobrimento do Brasil’, primeira grande produção de Humberto Mauro como funcionário do INCE (Instituto Nacional de Cinema Educativo), criado em 1936 pelo Ministério da Educação e Cultura do governo Getúlio Vargas

Qualquer um que tenha passado pelos bancos escolares brasileiros até meados dos anos 1980 certamente aprendeu uma floreada história sobre o episódio chamado de descobrimento do Brasil, o dia em que o navegador português Pedro Álvares Cabral (1467-1520) e sua comitiva avistaram as terras que depois se tornariam a maior colônia lusitana, em 22 de abril de 1500.

Trata-se de uma narrativa épica, em que Cabral e seus comandados enfrentavam a fúria do Atlântico para consolidar a então nova rota comercial que ligava a Europa à Índia, contornando o continente africano e dobrando o Cabo da Boa Esperança.

Mas então, nervosas que estavam as águas do oceano e sob intensa tempestade com forte ventania, as embarcações acabaram sendo obrigadas a ajustar a rota, “abrindo” cada vez mais para o oeste e distanciando-se da costa da África. Até que, acidentalmente, chegaram às tais novas terras, “descobrindo” o Brasil e tomando posse do território, com direito a celebração de missa e troca de presentes com os nativos.

E assim, apregoavam os professores de história do ensino primário de antigamente, havia nascido o Brasil.

Historiadores contemporâneos, contudo, colocam em xeque esta narrativa. Não há um consenso por que os documentos conhecidos são poucos e não explicam com clareza. Mas o que a grande maioria concorda é que Cabral ao menos sabia que encontraria alguma coisa indo por ali — não necessariamente um território tão grande.

E que parte de sua missão, além de consolidar a nova rota para a Índia, selando o sucesso empreendido anteriormente por Vasco da Gama (1469-1524), era estabelecer a conquista daquilo que havia sido garantido à coroa portuguesa pelo Tratado de Tordesilhas, firmado seis anos antes com a Espanha.

Contexto e posse

Para a historiadora Clarissa Sanfelice Rahmeier, professora na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), “toda a história do descobrimento ou achamento do Brasil deve ser entendida à luz de, no mínimo, dois elementos que caracterizavam o contexto em que se deu a vinda dos europeus para cá”. São eles os tratados de limites estabelecidos entre Portugal e Espanha “e a situação socioeconômica vivenciada pelos países ibéricos à época da chegada de Cabral”.

“A narrativa que apresenta a versão da chegada por acaso deriva do primeiro elemento, referente à disputa, por Portugal e Espanha, das terras achadas ou por achar no processo de expansão marítima impulsionado pelos dois países”, pontua ela.

Isso porque, como a linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas não era precisa, tanto o planejamento quanto a comunicação das viagens exploratórias eram impactados. “Havia várias interpretações a seu respeito e a falta de uma exata localização, bem como o desconhecimento do que seria encontrado nas terras do além-mar”, afirma Rahmeier.

A historiadora ressalta que foi por conta disso que a coroa portuguesa financiou a viagem do explorador Duarte Pacheco Pereira (1460-1533) em 1498. Muitos acreditam que ele — e não Cabral — tenha sido o primeiro português a pisar nas terras que hoje são o Brasil.

Versão oficializada pelo império

Para o historiador Victor Missiato, não há dúvidas de que quem consolidou essa ideia de “descobrimento por acaso” foi o império brasileiro, no contexto da pós-independência. É do período a construção do imaginário a respeito do episódio da chegada dos portugueses. “Se a gente pegar aquela obra do [pintor Victor] Meirelles [(1832-1903)], ‘Primeira Missa no Brasil’ [feita entre 1869 e 1861], há toda uma referência de um destino manifesto por parte da Igreja e de Portugal, no sentido de trazer a palavra, a verdade, o sentido de colonização para essas terras”, comenta ele.

Foram assim erguidas as bases da narrativa. Segundo Missiato, “o descobrimento de um povo que vai construir sua história a partir das ideias do catolicismo e do nacionalismo”.

“Essa versão [da descoberta ‘sem querer’] durou muito tempo porque primeiro ela se constituiu como uma história oficial no século 19 e essa ideia de história oficial que se utiliza apenas de fontes oficiais, durante muito tempo, foi considerada a história científica da modernidade”, aponta Missiato.

Durante décadas, “toda a sociedade brasileira foi formada a partir dessa ideia oficial de descobrimento do Brasil”, ressalta o pesquisador. A partir dos anos 1930, ideias diferentes começaram a surgir no âmbito acadêmico. Mas ainda levaria muito tempo para serem adotadas essas versões pelos livros e apostilas escolares.

“Havia interesses claros no sentido de perpetuar uma perspectiva redentora, salvadora e ao mesmo tempo uma perspectiva centralizadora da história do Brasil”, comenta ele. Afinal, uma chegada por acaso tira o peso da “conquista planejada”, que pode ser interpretada como nociva e dominadora. Uma descoberta acidental, fortuita, parece evocar um capricho do destino, facilitando a conexão mítica com ideias de salvação e redenção.

Fonte: BBC News Brasil

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Tiradentes - O homem símbolo da Inconfidência Mineira

 Gazeta da Torre

*Imagem idealizada pelo artista Oscar Pereira da Silva de como teria sido Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, em quadro pintado em 1922. Atualmente a obra original se encontra no Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).

Morto enforcado no dia 21 de abril de 1792, Joaquim José da Silva Xavier, conhecido popularmente na época como Tiradentes, é celebrado como mártir e herói brasileiro até os dias de hoje, mais de 200 anos depois. Ele tem, inclusive, um feriado próprio no dia de sua morte.

Porém, a sua verdadeira história nem sempre foi retratada fielmente em filmes, séries e livros didáticos. Quem foi o homem chamado Tiradentes? Sabe-se que ele foi um dos líderes da Inconfidência Mineira — um movimento contra os altos impostos cobrados por Portugal e que durou de 1789 a 1792 e que também visava a independência do Brasil.

Porém, por que ele foi o único a ser morto? Ele trabalhava realmente como dentista? Quais os objetivos do movimento? A National Geographic traz cinco fatos reais para conhecer melhor esse famoso personagem histórico brasileiro e desmistifica alguns dados que rondam a sua figura até os tempos atuais.

1. Tiradentes foi mesmo um dentista?

Joaquim José da Silva Xavier nasceu na Fazenda do Pombal, localizada no atual município de Ritápolis, em Minas Gerais. De acordo com um artigo do historiador André Figueiredo Rodrigues da Universidade Estadual Paulista (Unesp) publicado no site da Universidade Federal Fluminense (UFF), a data de seu nascimento não é exata, somente há registro de seu batizado em 12 de novembro de 1746.

O professor André Figueiredo Rodrigues é também autor do livro “Em Busca de Um Rosto: a República e a Representação de Tiradentes”. Ele conta no artigo que, ao longo da vida, Tiradentes exerceu diversas profissões. Com 20 anos, já trabalhava como tropeiro entre a Bahia e o Rio de Janeiro. Durante esse período, se especula que Joaquim teria começado a atuar como dentista, alguém que, na época, apenas retirava os dentes com problemas – e teria aprendido o ofício com seu tio, Sebastião Ferreira Leitão, este sim um cirurgião dentista.

 Joaquim José também se arriscou como minerador em Minas Novas. Mas sem a perspectiva de um futuro próspero nessas atividades, decidiu ingressar na carreira militar aos 29 anos de idade. Joaquim se alistou como alferes da Cavalaria. De acordo com documentos encontrados, sua vida militar foi marcada por dedicação e coragem.

2. Como foi a participação de Tiradentes na Inconfidência Mineira?

Segundo o artigo do professor André Figueiredo para o site da UFF, ao longo da vida militar Tiradentes ia frequentemente ao Rio de Janeiro, e lá conheceu o naturalista José Álvares Maciel, recém-chegado da Europa e com ideias iluministas. Eles conversavam muito sobre sobre a política econômica exploratória implantada pela Coroa Portuguesa em Minas Gerais, assim como o desejo de independência.

Aos poucos, Tiradentes foi se aproximando de outros profissionais e intelectuais que tinham o mesmo ideal e interesses que ele. Segundo o professor Rodrigo Monteferrante Ricupero, do Departamento de História da Universidade de São Paulo no site da USP, “a chamada Inconfidência Mineira foi o primeiro movimento com o objetivo de independência frente a Portugal”.

A ideia inicial do movimento era assassinar o governador de Minas Gerais e declarar a independência da capitania do poder português e Tiradentes tinha um papel de liderança no grupo. Participaram religiosos, militares, comerciantes, e até poetas, como Cláudio Manuel da Costa, Antonio Tomas Gonzaga e Inácio José de Alvarenga Peixoto – de acordo com o texto da USP.

Porém, o movimento não chegou a ser colocado em prática: antes de qualquer ação, “eles foram denunciados por um membro do grupo, o coronel Joaquim Silvério dos Reis”, afirma o professor Ricupero no site da USP. Muitos envolvidos foram presos e condenados, mas apenas Tiradentes foi executado por enforcamento.

3. Quais os possíveis motivos para só Tiradentes ter sido morto por conta da Inconfidência?

Conforme o livro biográfico “O Tiradentes”, do jornalista Lucas Figueiredo, no movimento mineiro ele foi um homem de ação, com participação decisiva e de grande liderança militar. Aliciou muitas pessoas para participar da revolta e se dedicou à proposta de independência de Minas Gerais.

Ele foi preso em 10 de maio de 1789, no centro do Rio de Janeiro. Na prisão, Tiradentes prestou 11 depoimentos, sendo o mais importante o quarto deles já em 18 de janeiro de 1790, quando confessou toda a responsabilidade pela revolta em Minas. Assim, ele assumiu sozinho a culpa, isentando os demais participantes, conforme o texto da UFF. Este ato o elevou ao patamar de herói até os dias atuais.

Por ter assumido toda a gestão do movimento, Tiradentes foi o único a ser morto por enforcamento em 21 de abril de 1972, sendo depois decapitado e tendo seu corpo esquartejado.

A punição tinha como objetivo fazer com que os súditos da Coroa nunca se esquecessem da lição e, para reforçar essa ideia, a cabeça de Tiradentes foi encravada numa estaca e exposta em praça pública na antiga Vila Rica (hoje a cidade de Ouro Preto), e seus membros, espalhados pela estrada que levava ao Rio de Janeiro.

4. Por que deram um “rosto” semelhante à Jesus para representar Tiradentes?

Mais de 230 anos depois da morte de Tiradentes, ainda há incertezas sobre como era a aparência real de Joaquim José da Silva Xavier. “Não sabemos como ele era. Sabemos que era um homem oficialmente branco, de pai e mãe declarados como brancos, que aos 40 anos de idade já tinha cabelos brancos. E ponto final. O que mais se disser sobre a figura, o biótipo, será chute, porque isso não está em lugar nenhum”, comentou o biógrafo de Tiradentes, Lucas Figueiredo, em uma entrevista para o jornal “Estado de Minas” sobre seu livro.

Não há pinturas da época que retratam como Tiradentes era de verdade. Assim, sua representação física foi criada cerca de 100 anos mais tarde, como conta o  professor André Figueiredo em seu livro “Em Busca de Um Rosto: a República e a Representação de Tiradentes”.

Desta forma, foi criado um ideal de um herói e mártir: “um personagem que morreu por ter sido traído por um amigo, o Silvério dos Reis, à semelhança da trágica história de Jesus Cristo", aponta o historiador em uma entrevista à BBC Brasil sobre sua obra biográfica.

E justamente, a imagem criada 100 anos depois, na época da República, para representar Tiradentes é muito semelhante à imagem mais recorrente e famosa de Jesus Cristo. Trata-se, portanto, de um homem de olhos claros e traços europeus, cabelos longos e claros, barba e rosto simétrico.

“Um país católico, com um herói com traços de Jesus, inventados por artistas desde o nascimento da República: Tiradentes, iconograficamente, venceu. Sua escolha não foi aleatória", disse o historiador e professor.

Depois da Proclamação da República, em 1889, ele foi alçado a “herói nacional” pela elite republicana que queria apagar do imaginário o exemplo de ativistas mais recentes para que eles não servissem de inspiração para motins populares. O centenário da morte de Tiradentes serviu para exaltá-lo como um personagem perfeito para ser o herói da República, conta o historiador em seu livro.

* O texto foi feito por Juliane Albuquerque, Editora Assistente de National Geographic Brasil.

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terça-feira, 14 de abril de 2026

O maior cabo eleitoral em um Brasil dividido é o medo, comenta especialista

 Gazeta da Torre

Felipe Nunes, professor da FGV

Em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros – ambas realizações da FecomercioSP, o professor na Fundação Getulio Vargas (FGV), Felipe Nunes, comenta o dilema da busca por consensos em uma nação dividida. “Num lugar com identidades tão múltiplas, só há um elemento que pode juntar essa turma toda: o medo do outro lado tomar o poder e, de alguma maneira, te prejudicar. E é isso que os políticos estão fazendo a cada novo ciclo eleitoral”, explica.

O CEO lembra, ainda, que o Brasil de 1994 ou de 2002, que conseguiu alcançar consensos bastante razoáveis, perdeu-se nas décadas seguintes. Ele analisa a origem e a evolução da polarização política no País desde então. Em sua opinião, em 2018, essa divisão assume um novo caráter, atingindo o pior nível às vésperas das eleições de 2022. “É a polarização afetiva. Isto é, quando eu passo a achar que só eu estou certo, que você está errado e que, portanto, não devemos morar no mesmo país”, explica.

*Felipe Nunes é professor na Fundação Getulio Vargas (FGV), CEO da Quaest e autor do livro 'Brasil no espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros' (Globo Livros). Ph.D. em ciência política e mestre em estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos. Professor de métodos quantitativos, eleições e estratégia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além de ser diretor da Quaest Pesquisa e Consultoria.

Fonte: UM Brasil

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segunda-feira, 13 de abril de 2026

“Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, pela qual a Igreja trabalha", Papa Leão XIV durante o voo para Argel

 Gazeta da Torre

Durante o voo de ida para Argel, primeira etapa da viagem à África, o papa Leão XIV disse que não tem medo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. “Continuarei falando com voz forte sobre a mensagem do Evangelho, pela qual a Igreja trabalha. Não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva. Mas acreditamos na mensagem do Evangelho como construtores de paz”.

Leão XIV respondeu às críticas de Trump, feitas na rede Truth Social, de que o papa é fraco em política externa e deve deixar de agradar a esquerda radical.

“Não quero um papa que ache que está bem o Irã ter arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela. E não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos quando estou fazendo exatamente aquilo para que fui eleito”, declarou.” Trump sugeriu que Leão XIV foi eleito porque era estadunidense, pensaram que seria a melhor forma de lidar com o republicano, e pediu que ele seja grato.

Leão XIV diz que não vê seu papel como o de um político e que não quer entrar em debate com o presidente dos EUA. “A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”

Durante a viagem, o papa cumprimentou os cerca de 70 jornalistas que o acompanham: “É uma viagem especial, a primeira que eu queria fazer. Uma oportunidade muito importante para promover a reconciliação e o respeito pelos povos”. Ele visitará até a próxima quinta-feira (23) a Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

Falar com força contra a guerra

Segundo Leão XIV, a mensagem do Evangelho não deve ser deturpada como alguns estão fazendo. “Eu continuo a falar com força contra a guerra, buscando promover a paz, promovendo o diálogo e o multilateralismo com os Estados para encontrar soluções aos problemas. Muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos e acredito que alguém deve se levantar e dizer que há um caminho melhor”.

Ele diz que sua mensagem é para todos os líderes do mundo, não apenas para Trump: “Tentemos acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”.

Fonte:CBN Recife

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domingo, 12 de abril de 2026

A OBESIDADE INFANTIL - A Federação Mundial de Obesidade faz um alerta

 Gazeta da Torre

A Federação Mundial de Obesidade alerta que quase 17 milhões de A Federação Mundial de Obesidade alerta que quase 17 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, de 5 a 19 anos, têm sobrepeso ou obesidade. As principais causas são o consumo excessivo de produtos ultraprocessados e o sedentarismo, além da exposição às telas.

*Dr. Bruno Halpern é médico endocrinologista e uma das maiores autoridades brasileiras no manejo da obesidade. Doutor em Ciências pela USP, é pesquisador ativo com publicações em periódicos de alto impacto, como o New England Journal of Medicine. É o primeiro autor do posicionamento brasileiro sobre Obesidade Controlada, tendo contribuído decisivamente para a elaboração de diretrizes nacionais e internacionais que norteiam a prática clínica contemporânea.

*Bruna Angelo é nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP, Especialização em Nutrição Clínica em Pediatria pelo Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP), Formação em Coaching Nutricional Infantil .

Vídeo:TV Brasil. As principais causas são o consumo excessivo de produtos ultraprocessados e o sedentarismo, além da exposição às telas.

*Dr. Bruno Halpern é médico endocrinologista e uma das maiores autoridades brasileiras no manejo da obesidade. Doutor em Ciências pela USP, é pesquisador ativo com publicações em periódicos de alto impacto, como o New England Journal of Medicine. É o primeiro autor do posicionamento brasileiro sobre Obesidade Controlada, tendo contribuído decisivamente para a elaboração de diretrizes nacionais e internacionais que norteiam a prática clínica contemporânea.

*Bruna Angelo é nutricionista formada pela Faculdade de Saúde Pública da USP, Especialização em Nutrição Clínica em Pediatria pelo Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP), Formação em Coaching Nutricional Infantil .

Vídeo:TV Brasil

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terça-feira, 7 de abril de 2026

As construções de prédios e mais prédios, desordenadas, nas grandes metrópoles

 Gazeta da Torre

Urbanização desordenada transforma a paisagem natural, impactando o ciclo da água e o sistema de drenagem

A chuva que atingiu Recife tem causado transtornos para a população, que sofre com alagamentos e congestionamentos. Para André Rocha Ferretti, renomado engenheiro florestal (USP), o fenômeno é resultado da chamada mudança climática junto ao desenvolvimento desordenado que ocorre nas grandes metrópoles.

“Juntamos a mudança climática com esse efeito da ilha de calor, que é causado por essa grande região metropolitana cheia de concreto e cimento. Vemos também todo o problema da canalização dos rios, a ocupação de leitos de rios, de áreas de banhados – que seriam áreas inapropriadas para construção dos prédios, das infraestruturas públicas e privadas. Acabamos invadindo áreas em que naturalmente o excedente de água se concentrava, aí temos essa situação caótica”, disse Ferreti. Essas eram áreas que recebiam o excedente de água e que tinham a capacidade de funcionar quase como uma esponja, no entanto, foram impermeabilizadas com concreto e asfalto.

“Precisamos pensar no nosso município, nosso bairro, de forma a ampliar o poder de absorção desse excedente de água. Precisamos [pensar] nas estruturas cinzas, que são as estruturas de concreto – como os piscinões, as galerias pluviais, todo esse sistema de drenagem – que precisa ser ampliado, porque está vindo mais água do que vinha historicamente e eles não foram dimensionados para esse volume tão grande de água em um período de tempo muito curto, então não dão mais conta de escoar tanta água”, apresenta  Ferretti.

*André Rocha Ferretti é um renomado engenheiro florestal (USP) e mestre em Ciência e Tecnologia de Madeiras, com atuação destacada na conservação da natureza e economia da biodiversidade.

Fontes: Agência Brasil; Veja;

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domingo, 5 de abril de 2026

O Domingo de Páscoa

 Gazeta da Torre

Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, neste domingo pascal (05/04), o Papa Leão XIV recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".

"Uma vitória a um preço muito alto", disse ele, pois "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação".

"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou o Papa.

"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", disse Leão XIV, lembrando que assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz".

Segundo o Papa, com a sua ressurreição, "o Senhor coloca-nos ainda mais intensamente perante o drama da nossa liberdade. Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado"!

Fonte: Vatican News

sábado, 4 de abril de 2026

Esperar até domingo para abrir o ovo de Páscoa?

 Gazeta da Torre

As regras oficiais da Igreja Católica falam em jejum e abstinência na Quaresma, mas não citam o chocolate

Obrigações católicas atualmente se concentram na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Nessas datas, a tradição prevê jejum e abstinência de carne, enquanto as demais sextas-feiras da Quaresma costumam ser reservadas à abstinência, com foco em oração e penitência.

Esperar até domingo para abrir o ovo de Páscoa é principalmente uma tradição cultural e religiosa que simboliza o fim da Quaresma e a celebração da ressurreição de Jesus Cristo, representando nova vida. Embora não haja regra religiosa estrita proibindo o consumo antes, guardar o ovo até domingo é um gesto de paciência, devoção ou simplesmente um traje familiar para tornar o dia festivo mais especial.

O domingo é o dia da ressurreição; o ovo simboliza a vida que surge, comemorando o fim do período de 40 dias de jejum e abstinência da Quaresma.

Historicamente, ovos (primeiro de galinha, depois chocolate) eram dados no domingo como um presente especial, criando expectativa.

Muitos tratam a espera como uma forma de "jejum" simbólico, guardando o doce como um gesto de disciplina espiritual ou promessa.

Atualmente, esperar é mais uma escolha pessoal do que uma obrigação, com muitos optando por saborear o chocolate antes, sem o compromisso religioso.

Fonte:UOL Educação

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sexta-feira, 3 de abril de 2026

A celebração da Semana Santa

 Gazeta da Torre

Na Semana Santa, sobretudo no sagrado Tríduo de Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, celebramos o mistério pascal, que está no centro da nossa fé cristã e da liturgia da Igreja. Por isso, faz todo sentido que o povo participe intensamente e em grande número das celebrações e ritos litúrgicos nesses dias.

Isso está em plena sintonia com o ensinamento do Concílio a respeito da Liturgia: “A obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, da qual foram prelúdio as maravilhas divinas operadas no povo do Antigo Testamento, completou-a Cristo Senhor, principalmente, pelo mistério pascal de sua sagrada Paixão, Ressurreição dos mortos e gloriosa Ascensão. Por este mistério, Cristo, morrendo, destruiu a morte e, ressuscitando, renovou a nossa vida” (Sacrosanctum Concilium, SC 5).

As celebrações litúrgicas da Semana Santa são ocasião para uma preciosa mistagogia e para o aprofundamento da fé e o afervoramento do povo cristão. Quanta beleza há nas celebrações do Tríduo Sagrado, mesmo quando se trata da comemoração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa. A Igreja volta-se, sedenta, alegre e reconhecida às fontes da salvação e renova suas disposições para continuar a seguir o Mestre e a testemunhar a vida nova do Reino de Deus por toda parte.

A valorização do Domingo, Dia do Senhor, mediante a participação assídua na celebração da Eucaristia, levará à renovação e ao crescimento das nossas comunidades, que têm no seu centro o Senhor Jesus Cristo, que nos redime e santifica pelo seu Mistério Pascal, celebrado na Eucaristia.

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Vatican News

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Encenações da Paixão de Cristo nos bairros do Recife

 Gazeta da Torre

Encenação da Paixão de Cristo no Sítio da Trindade

Em 2026, haverá encenações da Paixão de Cristo nos bairros do Recife, embora o espetáculo tradicional do Marco Zero tenha sido cancelado.

Destaques confirmados para a Semana Santa 2026:

DOIS IRMÃOS: A tradicional Paixão de Cristo em Dois Irmãos acontece no Campo de Dói (Sítio Sapucaia) no dia 4 de abril, às 18h.

CASA AMARELA (SÍTIO TRINDADE): estão programadas apresentações nos dias 2, 3 e 4 de abril , a partir das 20h, no Sítio Trindade. A encenação conta com jovens da Funase e pessoas com deficiência. As apresentações gratuitas acontecem na Concha Acústica do Sítio Trindade. Este ano, a montagem dirigida por Gerson Alves reforça seu papel de inclusão ao integrar ao elenco, de cerca de 100 pessoas entre atores, figurantes e produtores, jovens que cumprem medidas socioeducativas na Funase e pessoas com deficiência.

Além disso, o espetáculo mantém uma marca emocionante: há mais de uma década, os papéis de Jesus e Maria são vividos por George Aciolly e Marly Câmara, que são mãe e filho na vida real, trazendo uma carga dramática única às cenas de despedida e crucificação.

A Paixão de Cristo de Casa Amarela também rompe as barreiras do palco tradicional. Além das sessões no Sítio Trindade, o grupo realiza uma apresentação especial para pessoas em situação de rua em frente ao Convento de Santo Antônio, no Centro, reafirmando o compromisso de levar a arte a quem costuma estar à margem da programação cultural da cidade.

Fontes:TV Conecta Recife; Folha PE;

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Mestre do Coco Negras e Negros, Inácio Pedro, ganha homenagem póstuma no prêmio de "notório saber" pela UPE

 Gazeta da Torre

Solenidade está marcada para 13 de maio, em Arcoverde, e celebra o talento de figuras da cultura popular nas mais diferentes linguagens. Mestre Inácio Pedro faleceu em julho de 2025 mas o recebimento do título é prova de que seu legado para o Samba de Coco é inestimável

A cena cultural de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, está em festa: depois do Coco Negras e Negros do Leitão receber o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2023, agora foi a vez do Mestre do Coco Inácio Pedro receber o prêmio de "Notório Saber" da UPE - o que mostra a relevância do Samba de Coco localizado no Leitão da Carapuça, área quilombola do Município, para a cultura pernambucana.

O jornalista Leonardo Lemos, que participou dos projetos de Patrimônio Vivo e Notório Saber, conduz uma pesquisa sobre a origem do Coco de Roda entre Moxotó e Pajeú e destaca o potencial de nascedouro da região. 

"Inácio é Afogadense de coração, mas nasceu em Custódia e toda sua família 'Gonçalo' é de lá; ele mudou ainda criança para Afogados, por volta da década de 1950, mas nasceu na região onde hoje é Custódia. Mas o mais importante nessa história é entender o contexto da época onde Quitimbu, distrito histórico do município, era mais importante que a sede Custódia à época da juventude de Inácio", destaca.

HISTÓRIA

"Quitimbu chegou a ser sede de uma região que contemplava até Sertânia, quando Sertânia ainda nem era município, e ao redor de Quitimbu, que concentrava feira e festas religiosas, saíram as famílias Calixto, que hoje é referência em Arcoverde, e saíram os Gonçalo e Venerando, duas famílias que migraram rumo a Afogados e Carnaíba e deixaram um legado enorme para o Coco de Roda na Região: Afogados com um grupo que virou Patrimônio Vivo, e Carnaíba com pelo menos quatro grupos adultos e dois infantis que se reúnem em festas e encontros específicos de tempos em tempos", detalha o jornalista e produtor cultural.

Era em Quitimbu onde se reuniam os bacamarteiros, para se apresentar pelos sítios da região, e entre uma visita e outra, a festa era regada por forró e samba de coco. Esse fenômeno fez toda a região brincar o coco com naturalidade: todos sabem sambar ou cantar as cantigas até hoje.

"Inácio é um alto representante desse fenômeno porque ele ainda era bacamarteiro: sua surdez veio de sua intensa participação no bacamarte; ele é literalmente um Mestre que deu sua vida às artes, já que brincou os folguedos, tanto bacamarte quanto coco, até o último momento que teve saúde para tal", relembra Leonardo.

"Pai era muito dedicado. No bacamarte só parou porque não aguentava tantas viagens, mas tinha guardadas as fardas, a arma e até a carteirinha; e no Coco ele sambou semanas antes de falecer, parecia que já sabia e queria se despedir, até realizamos uma festa de São Pedro no seu terreiro muito bonita", relembra Jeane Cecília, coquista e filha do mestre.

LEGADO

Com o prêmio de Notório Saber, honraria acadêmica criada pela UPE em 2021 que reconhece mestres e mestras das tradições populares pernambucanas, a equipe de produção do Mestre espera sensibilizar o IFPE Sertão, em Petrolina, para nomear o Campus Quilombola a ser construído em Custódia com o nome do Mestre. "Inácio é o Custodiense mais importante: seu legado é estudado pelo Governo como referência em Coco; agora veio esse título, dado na primeira tentativa que fizemos. Ou seja Inácio ainda é o Mestre de pelo menos uma centena de jovens e adultos que aprenderam com ele cantigas e histórias centenárias desse Sertão mágico que é a área quilombola que compõe as divisas de Custódia, Afogados e Carnaíba, então ele segue vivo nessas canções e nessas pessoas" reflete Leonardo.

“A facilidade no improviso, a capacidade de memorizar as canções mesmo com pouca leitura e  escrita, a percussão humana que se incorpora ao samba e como esses elementos se convergem criando absoluta harmonia, garantindo uma autenticidade marcante e apresentando uma música de alta qualidade”, descreve Isabella Lumara, produtora cultural e pesquisadora da vida de Inácio - Isabella lançará em breve um filme sobre o Coco Negras e Negros.

"Ele foi a testemunha ocular desse processo de migração e consolidação de novos quilombos, e em sua arte cantou os pássaros, fauna e flora. Cantou até sobre fenômenos como o canto dos sapos na época da chuva. 'O sapo mora na beira do brejo' é uma das canções mais lindas e interessantes; mas ele ainda cantou o que acontecia no mundo ao longo do tempo, como o 'samba do astronauta' e 'águas do Rio Pajeú', essa última uma pérola que tivemos a honra de gravar em estúdio'. Por tudo isso, esse título é mais que merecido e agora partiremos para consolidar seu legado através da criação de um memorial para o Mestre e com seu nome titulando o Campus do IFPE Quilombola", completa o jornalista.

Inácio Pedro morreu em julho de 2025, aos 78 anos, por problemas respiratórios. Ainda em vida, apresentou-se com Gilberto Gil em 2003 e participou dos mais importantes palcos da música de Pernambuco, como FIG, Festival Lula Calixto, Munguzá, Xerém Cultural e Festivais Pernambuco Meu País. Os homenageados do "Prêmio Notório Saber" serão recebidos em cerimônia marcada para o dia 13 de maio, na UPE de Arcoverde. Acompanhe um pouco do legado da vida do Mestre Inácio @ instagram.com/inacioemiguelmestresdoleitao.

Por Leonardo Lemos, jornalista

Assessoria Comunicação PE

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Com a aproximação da Páscoa, cresce a procura por ovos de chocolate e caixas de bombons nas lojas

 Gazeta da Torre

Diante desse cenário, o Procon-PE realizou uma pesquisa de preços entre os dias 10 e 17 de março, analisando 49 variedades de ovos de Páscoa, de diferentes marcas e tamanhos, além de cinco tipos de caixas de chocolates, em 10 estabelecimentos do Recife.

O levantamento identificou aumento nos preços médios dos ovos de Páscoa em comparação com 2025. Em alguns casos, a elevação média chegou a quase 25%. É o caso do ovo de sonho de valsa de 357g, que em 2025 custava R$ 65,73 e, neste ano, foi encontrado por R$ 82,11, um aumento de 24,91%. Já o ovo de sonho de valsa de 217g, que custava R$ 54,02 em 2025, passou a R$ 66,85 em 2026, representando alta de 23,75%.

As caixas de bombons também registraram aumento no preço médio. A caixa de bombons diversos 251g, por exemplo, passou de R$ 15,36 em 2025, para R$ 16,97 neste ano, uma elevação de 10,51%. Já a caixa de bombons sortidos Garotices de 250g passou de R$ 13,78 em 2025, para R$ 16,07 em 2026, um aumento de 16,67%.

A pesquisa também apontou grande variação de preços entre os estabelecimentos visitados. Dependendo do produto, a diferença pode chegar a cerca de 63%. O ovo de sonho de valsa 277g apresentou a maior variação, de 63,54%, sendo encontrado por R$ 74,90 no maior preço e R$ 45,80 no menor.

Os tradicionais ovos com brinquedos também aparecem entre as maiores variações. O ovo de 166g, acompanhado de uma boneca Barbie, foi encontrado por R$ 119,90 em uma loja e por R$ 84,80 em outra, uma diferença de 41,39%.

A pesquisa completa está disponível no site do Procon-PE:

https://www.procon.pe.gov.br/ 

- divulgação -

A partir de 2027, todos os políticos brasileiros terão de passar por detector de mentiras antes de assumir o cargo?

 Gazeta da Torre

Se fosse verdade, a notícia seria até bem-vinda para o povo brasileiro porque é um fato amplamente conhecido e estudado que a mentira, a omissão e a manipulação de fatos são frequentes na política.

A zombaria de políticos brasileiros no dia 1º de abril (Dia da Mentira) tornou-se uma tradição nas redes sociais devido à alta desconfiança popular, à polarização política e ao uso intenso de notícias falsas como ferramenta de campanha e propaganda. O deboche é uma forma de ativismo digital e sátira para cobrar promessas não cumpridas ou confrontar discursos falsos.

O ‘Dia da Mentira’ (1º de abril) surgiu na França do século XVI, quando a adoção do calendário gregoriano mudou o ano-novo de abril para 1º de janeiro. Quem resistiu à mudança ou não soube da notícia passou a ser zombado com peças e notícias falsas, tornando-se os "tolos de abril". Os dados se consolidaram como uma forma de protesto bem humorada contra a mudança do calendário, perpetuando a tradição de zombaria e pregação de peças.

No Brasil, a tradição foi introduzida em 1828, com o noticiário impresso mineiro “A Mentira”, que trazia em sua primeira edição a morte de Dom Pedro I na capa e foi publicado justamente em 1º de abril.

Fontes: National Geographic; Agência Brasil;

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sábado, 28 de março de 2026

Estudo brasileiro fala sobre a invisibilidade dos cuidadores de pessoas com demência

Você sabia que quase 2 milhões de brasileiros cuidam diariamente de alguém com demência — e, em sua maioria, sem preparo, apoio ou qualquer remuneração?  Uma nova pesquisa da Unifesp, publicada na revista Alzheimer’s & Dementia, mostrou que 93,6% dos cuidadores são mulheres, com cerca de 49 anos. Quase todas cuidam sem receber nada por isso. Metade teve que abandonar o trabalho para se dedicar ao cuidado — uma realidade de sobrecarga e invisibilidade.

 O que mais chamou atenção em relação a quem cuida de uma pessoa com demência?

• 85% dos cuidadores relataram exaustão emocional

• 87% disseram precisar de mais ajuda de outras pessoas

• 46% se sentem despreparados para cuidar

• 62% afirmam precisar de apoio emocional urgente

• “Ajuda”, “orientação” e “falta de tempo” foram as palavras mais citadas nas respostas espontâneas.

• Cuidar de alguém com demência é uma tarefa complexa, solitária e cheia de desafios — especialmente quando feita sem rede de apoio, sem políticas públicas efetivas e sem reconhecimento social.

Por isso, os pesquisadores reforçam a urgência de mudanças:

• Programas de capacitação sobre demência

• Apoio financeiro e benefícios sociais

• Criação de redes formais de cuidado

• Políticas públicas que realmente saiam do papel!

Cuidar de quem cuida é fundamental

O autocuidado é uma ferramenta essencial para cuidadores de pessoas com demências, porém, não faz parte da realidade de grande parte da população que assume esse papel. Dados do Relatório Nacional sobre a Demência no Brasil (RENADE), apontam que 45% dos cuidadores de pessoas com demência apresentam sintomas psiquiátricos de ansiedade e depressão. Além disso, o estudo demonstra que a falta de uma rede de suporte sólida gera sobrecarga, sendo que 71,4% apresentam esses sinais.

Segundo “A cartilha de autocuidado e qualidade de vida”, realizada pelo Instituto Federal do Espírito Santo, o autocuidado é definido como o tempo que a pessoa dedica para si mesmo, sendo essencial para uma boa qualidade de vida. Assim, ações como buscar hábitos saudáveis e um estilo de vida ativo, gera o aumento da autoestima e melhora a produtividade.

O autocuidado pode ser impactado diretamente pela presença de suporte ao cuidador, visto que o tempo em média do cuidado prestado é de 19,8 horas por dia. Assim, o suporte ao cuidado pode ser realizado de diferentes formas, como: intervenções psicoeducacionais, intervenções psicossociais, intervenções psicoterapêuticas e rede de apoios informais, como amigos e familiares.

A seguir, veja algumas dicas de como realizar o autocuidado em diferentes aspectos de sua vida:

Autocuidado Emocional

Crie um diário e anote os seus sentimentos de forma honesta, colocando no papel o que está sentindo.

Autocuidado Físico

Pratique atividades físicas que gerem bem-estar, por exemplo: Natação, yoga, pilates.

Autocuidado Intelectual

Realize atividades que mantenham um bom funcionamento cognitivo, como: ler um livro, conhecer novos lugares e aprender um novo idioma.

Autocuidado Espiritual

Realize atividades, como meditação, para se reconectar com você mesmo.

Autocuidado Social

Mantenha contato com sua rede de amigos e familiares, que lhe trazem boas recordações.

Referência do texto: Estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo e publicado na revista Alzheimers and Dementia,

Biografia dos autores

Joana Brás Losa, Gerontóloga pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESE-IPVC), Portugal.

 Yasmin dos Santos Rodrigues, graduanda em Gerontologia pela EACH-USP

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga formada pela USP. Mestra e Doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

É parceira científica do Método Supera com a condução de ensaios clínicos. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Para reflexão:

Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. Charles Chapin

Você sabia que:

Quando você não dorme o suficiente, fica sujeito à perda de memória, raiva, alucinações, perda de foco, fala arrastada e até à danos cerebrais.

Reposta do desafio de Maio:

Um casal tem 4 filhos, cada menino tem uma irmã. Quantas pessoas há na família?

Resposta: 7 pessoas = 2 pais, 4 meninos e 1 irmã.

Desafio de Junho:

Uma mãe tem 30 reais para dividir entre suas duas filhas. Que horas são?

a) 13:45      b) 14:45      c) 14:30      d) 15:45

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 982992551 WhatsApp

sexta-feira, 27 de março de 2026

O principal efeito das novas tecnologias nas crianças é a redução da capacidade de criação de ideias, comenta especialista

 Gazeta da Torre

A contação de histórias é um hábito fundamental para os seres humanos. O ato é responsável por criar memórias coletivas e instigar a imaginação e criatividade de cada indivíduo. Na infância, a contação de histórias é ainda mais importante, responsável por estimular a formação de senso crítico e criação de memórias nas crianças. Entretanto, a entrada de novas tecnologias precocemente na população jovem mundial tem impactado essa dinâmica, causando consequências significativas na sociedade.

Ísis Madi, doutoranda na Faculdade de Educação da USP, comenta que o principal efeito das novas tecnologias nas crianças é a redução da capacidade de criação de ideias. “Todo conflito, hoje, é substituído por uma tela. É como se fosse uma chupeta. As crianças não têm um tempo dedicado a se ouvir, a refletir, existe uma falta de resiliência para lidar com o tédio. As crianças estão com dificuldade de lidar com essas questões”.

Já Sabrina da Paixão, professora da Faculdade de Educação da USP, afirma que a narração é uma característica que define os indivíduos enquanto seres humanos. “Toda vez que a gente começa a falar de contação de histórias, a gente vai remontar às cavernas, às fogueiras, a um modo como a gente se desenvolve enquanto ser humano. É essencial que nós desenvolvamos isso enquanto comunidade, a gente desenvolva essa formação estritamente nossa”. Para minimizar os impactos causados pela tecnologia, de acordo com a professora, uma atitude fundamental é a manutenção e expansão das bibliotecas escolares e outros espaços de leitura no País.

Fonte: Jornal da USP

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De quem é a culpa?

 Gazeta da Torre

Estudo recente do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), divulgado em março de 2026, indicou que a rede de proteção municipal à mulher é falha, inexistente ou insuficiente em quase todas as cidades do estado de Pernambuco

Principais achados do levantamento do TCE-PE (2026):

Falta de Protocolo: Cerca de 99% das cidades pernambucanas não possuem protocolo de atendimento para mulheres vítimas de violência.

Fragilidade Generalizada: O relatório aponta que a rede de proteção é fraca em todo o estado, dificultando o rompimento do ciclo de violência.

Inexistência/Insuficiência: A rede de proteção é considerada inexistente ou insuficiente na grande maioria dos municípios.

Consequências: Essas falhas resultam em subnotificação dos casos, desconfiança no sistema e perpetuação do risco para as mulheres.

O estudo destaca uma situação alarmante de desproteção, com falhas estruturais que comprometem o suporte básico necessário às mulheres em situação de violência.

Uma situação muito ruim e desumana para as mulheres. E pensar que temos uma mulher governando o estado de Pernambuco.

Fonte: Tribunal da Contas do Estado de Pernambuco

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