segunda-feira, 23 de março de 2026

Padre Romeu se despede de seus fieis aos 96 anos

 Gazeta da Torre

O Monsenhor Romeu Gusmão da Fonte, de 96 anos, pároco da igreja de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, no bairro da Torre (Recife), faleceu neste domingo, 22 de março de 2026, às 16h20. Ele era o sacerdote mais antigo em atividade na Arquidiocese de Olinda e Recife.

Uma vida destinada a fazer o bem seguindo os ensinamentos de Deus. Numa sociedade tão conturbada, com valores trocados e cada vez mais distante do cristianismo, ainda existem pessoas que remam contra a maré e que lutam por uma vida com amor. “Se o mundo se aproximar de Deus já vai melhorar”, explicou em uma entrevista à Gazeta da Torre, ao completar 90 anos, um grande exemplo de amor, o Monsenhor Romeu da Fonte, mais conhecido por Padre Romeu, líder da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia.

Com mais de meio século dedicados à Igreja na Torre e o sacerdócio. Desde os 11 anos decidiu entrar para o ceminário e aos 25 se tornou padre. Nascido no Recife, membro de uma família católica, teve 15 irmãos e sempre soube o caminho que queria seguir. “Já menino fiz a escolha do bem”, lembra. O Bispo João Carlos Coelho foi um dos incentivadores e quem também ajudou no caminho da vida cristã.

Desde então, uma trajetória de sucesso e um bom exemplo dessa caminhada é a transformação religiosa sofrida pelo bairro da Torre.

Com as ajudas a Igreja principal também foi melhorada para as missas e outras atividades. “Aumentamos as asas”, brincou o Padre Romeu referindo-se ao tamanho atual da igreja.

O Monsenhor Romeu da Fonte foi um exemplo de pessoa e sacerdote para todo o povo de Deus, querido por muitos, tanto pelos fieis que frequentam sua igreja, como por pessoas de outras paróquias que o conheceram. A Torre até os dias de hoje, rende graças por sua passagem e por sua dedicação no sacerdócio, pelo qual há mais de 50 anos deu sua vida pelas ovelhas como o Bom Pastor.

Manuella Gomes, jornalista

Gazeta da Torre

segunda-feira, 16 de março de 2026

A substituição por telas

 Gazeta da Torre

A contação de histórias é fundamental na infância, mas hábito está ameaçado pelas novas tecnologias

A contação de histórias é um hábito fundamental para os seres humanos. O ato é responsável por criar memórias coletivas e instigar a imaginação e criatividade de cada indivíduo. Na infância, a contação de histórias é ainda mais importante, responsável por estimular a formação de senso crítico e criação de memórias nas crianças. Entretanto, a entrada de novas tecnologias precocemente na população jovem mundial tem impactado essa dinâmica, causando consequências significativas na sociedade.

Ísis Madi, doutoranda na Faculdade de Educação da USP, comenta que o principal efeito das novas tecnologias nas crianças é a redução da capacidade de criação de ideias. “Todo conflito, hoje, é substituído por uma tela. É como se fosse uma chupeta. As crianças não têm um tempo dedicado a se ouvir, a refletir, existe uma falta de resiliência para lidar com o tédio. As crianças estão com dificuldade de lidar com essas questões”.

Já Sabrina da Paixão, professora da Faculdade de Educação da USP, afirma que a narração é uma característica que define os indivíduos enquanto seres humanos. “Toda vez que a gente começa a falar de contação de histórias, a gente vai remontar às cavernas, às fogueiras, a um modo como a gente se desenvolve enquanto ser humano. É essencial que nós desenvolvamos isso enquanto comunidade, a gente desenvolva essa formação estritamente nossa”. Para minimizar os impactos causados pela tecnologia, de acordo com a professora, uma atitude fundamental é a manutenção e expansão das bibliotecas escolares e outros espaços de leitura no País.

Fonte: Jornal da USP

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Independente dos resultados do Oscar 2026, ‘O Agente Secreto’ fez história e colocou o Brasil entre os melhores do cinema!

 Gazeta da Torre

Além das quatro indicações da Academia: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Direção de Elenco (com Gabriel Domingues) e Melhor Ator (com Wagner Moura), o longa coleciona 85 prêmios e outras 159 indicações.

Kleber Mendonça Filho vai poder se orgulhar do recorde de indicações do Brasil no Oscar: quatro, ao lado de Cidade de Deus.

Além disso, a produção conquistou duas vitórias no Globo de Ouro (Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Filme de Drama) e outras duas no Festival de Cannes (Melhor Ator e Melhor Direção).

Fonte:Terra

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quarta-feira, 4 de março de 2026

Moda pode ser fator de diferenciação, segundo contextos políticos, culturais e econômicos

 Gazeta da Torre

A moda segue tanto um desejo de diferenciação quanto um desejo de sinalizar um pertencimento, mas sempre como um movimento social que expressa algum valor

As tendências da moda são cíclicas e afetadas de acordo com a realidade da sociedade em cada momento, com influência do contexto social, político e econômico. No atual cenário, em que a moda parece estar em constante transformação, o protagonismo das redes sociais intensifica a dinamização da vida e evidencia a criação e o fim de tendências, além de suas diferentes origens.

Tendências e as classes sociais

Maria Clotilde Perez Rodrigues, professora do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo e diretora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, afirma que a tendência pode ser entendida como um movimento social que expressa algum valor: elas nascem de um contexto e geram manifestações, como a moda. Ou seja, tensões do ambiente político, econômico, social, educacional, tecnológico interferem nessas tendências e, assim, também alteram as manifestações.

Clotilde explica, também, a relação entre a criação das tendências e as classes sociais. A professora conta que, historicamente, as classes privilegiadas ditavam a moda, influenciando as outras camadas da sociedade, mas que também buscavam se diferenciar. Hoje, contudo, é possível observar esse movimento acontecendo em outras direções: “Acontecem também movimentos de baixo para cima, que a gente chama de bubble up. Por exemplo, um movimento como o funk começa nas classes menos favorecidas, principalmente dos grandes centros, e eles vão para cima. Elas sobem em direção a camadas que estão numa condição mais privilegiada, como a gente pode constatar que não tem hoje um grande evento ou um casamento de uma classe social mais abastada que não termina em funk. Então esse também é um movimento de baixo para cima”.

Padrão de consumo e pertencimento social

Por outro lado, as conjunturas histórica, econômica e política também moldam a forma de expressão das pessoas. O professor André Vereta Nahoum, do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, comenta que essas mudanças têm a ver com o acesso a recursos. “Quando os tecidos eram naturais, mas mesmo agora tecidos sintéticos estão ligados a petróleo, acesso a petróleo, à transformação do petróleo. Socialmente também. Porque, na verdade, você tem, historicamente, uma mudança muito grande do padrão de consumo. Se consome mais e mais rápido do que se consumia no passado. Se comprava pouca roupa, a roupa precisava durar muito tempo. Hoje em dia é uma roupa feita para muito menos.”

Momentos da história de profundas disputas políticas foram marcados pela moda e consumo: “Tem o caso célebre do Gandhi, que falou, ‘olha, a luta contra o império, a luta contra a metrópole, tem que ser uma luta para usar os nossos tecidos e não os tecidos que vêm do Reino Unido'”.

Além disso, Vereta aponta que a moda é sobre inovar em qualquer forma de expressão em que um grupo busque mostrar que é inovador. “A gente adere a um estilo de se vestir, a um estilo de música, à expressão artística, o que quer que seja, porque essa adesão opera como um símbolo de que a gente está junto ou quer ser visto pelos outros como pertencendo a um grupo social que também se veste daquela maneira, também ouve aquele tipo de música, também frequenta aqueles espaços. No geral, hoje em dia, a gente acha que é uma combinação de ambos. Quer dizer, tem tanto um desejo de diferenciação quanto um desejo de sinalizar um pertencimento”, explica.

O professor comenta como a sociedade hoje é centrada no consumo e que, por isso, o jogo da moda é aderido por todas as classes sociais. Ele destaca, também, a participação de celebridades e influencers promovendo nas redes sociais esses símbolos de novas formas. “Mas a moda é um espaço muito bom para a gente ver também como indivíduos se apropriam disso de modo criativo o tempo todo e fazem combinações, recombinações e bagunçam um pouco o tempo todo esse jogo. É um jogo dinâmico. Então, sem dúvida, recursos importam, mas a gente vê o tempo todo pessoas fazendo o que podem com os recursos que têm para bagunçar um pouco o que poderia parecer mais determinado, e não é tão determinado assim.”

Fonte: Jornal da USP

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

A relação entre desempenho de QI e aspectos de saúde mental

 

Você sabia que as habilidades cognitivas desenvolvidas na infância podem ter relação com a saúde ao longo da vida? Essa reflexão motivou pesquisadores da Universidade de Viena, na Áustria, a realizarem um estudo, publicado como “Multilevel multiverse meta-analysis indicates lower IQ as a risk factor for physical and mental illness”. A pesquisa reuniu dados de quase três milhões de pessoas para investigar como o desempenho em testes de inteligência se conecta a diferentes condições de saúde física e mental na idade adulta.

O Quociente de Inteligência (QI) é uma medida padronizada que busca mensurar habilidades como raciocínio, planejamento e resolução de problemas. Ele é calculado a partir de testes psicométricos que comparam o desempenho de um indivíduo com o de outras pessoas da mesma faixa etária.

A pergunta norteadora do estudo foi se pontuações mais baixas de QI no início da vida estariam associadas a maior risco de desenvolvimento de doenças em fases mais tardias do ciclo vital. Para responder, os autores conduziram uma revisão sistemática e uma meta-análise multiverso, que testa diferentes possibilidades de análise para gerar resultados mais consistentes. Os estudos incluídos avaliaram o QI antes dos 21 anos e acompanharam os participantes por muitos anos.

Os achados indicaram que pessoas com pontuações mais baixas de QI apresentaram probabilidade mais elevada de desenvolver diversas doenças ao longo da vida. Uma diferença de 15 pontos de QI esteve associada a um aumento relevante no risco de condições como depressão, esquizofrenia, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e demência.

O estudo também analisou fatores que influenciam a força dessa associação. Países com sistemas de saúde mais acessíveis apresentaram relações mais fracas entre QI e adoecimento, sugerindo que ambientes com maior oferta de cuidados em saúde podem reduzir as vulnerabilidades. Quando variáveis como escolaridade e nível socioeconômico foram incluídas nas análises, parte da associação diminuiu, embora o vínculo permanecesse presente. Isso indica que aspectos sociais e educacionais explicam parte importante dessas diferenças.

Entre os grupos diagnósticos, os efeitos foram mais intensos em condições de saúde mental, especialmente esquizofrenia. Já alguns tipos de câncer não apresentaram relação consistente com QI, possivelmente devido à diversidade de fatores envolvidos nesse conjunto de doenças.

Os autores chamam atenção para o fato de que a maior parte dos estudos analisados foi realizada em países ocidentais de alta renda e, em muitos casos, com predominância de homens. Isso reforça a necessidade de pesquisas mais diversas, que incluam diferentes contextos culturais, econômicos e demográficos.

Outro ponto destacado é que o QI é influenciado por fatores ambientais, como educação e oportunidades cognitivas ao longo da infância e adolescência. Assim, políticas públicas que ampliem o acesso à educação e reduzam desigualdades podem contribuir para melhores condições de saúde no futuro.  Esse estudo amplia o debate sobre cognição e saúde ao mostrar que diferenças precoces de QI se associam a riscos diferenciados de adoecimento ao longo da vida. A partir disso é importante refletir sobre estratégias educacionais, sociais e de saúde que promovam oportunidades mais equitativas e trajetórias de vida mais favoráveis ao longo de todo o processo de envelhecimento. 

Assinam esse texto:

Profª Msc. Gabriela dos Santos – Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia pela Universidade de São Paulo (USP), Graduada em Gerontologia pela USP, é pesquisadora no Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da USP e atua com estimulação cognitiva para pessoas idosas. Docente do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (UNISA).

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela Faculdade de Medicina da USP. Vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Para reflexão:

A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.

Albert Einstein

Você sabia que:

O Cérebro tem mais de 600 km de vasos sanguíneos

O cérebro não é o maior órgão do corpo humano, no entanto, para receber todo o oxigênio que precisa para trabalhar corretamente, contém muitos vasos sanguíneos que, se fossem colocados frente-a-frente chegariam a 600 km.

Reposta do desafio de janeiro:

Por onde é que o boi consegue passar, mas o mosquito fica preso?

Resposta: Através da teia de aranha

Desafio de Fevereiro:

O que é que nós matamos quando está nos matando?

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 WhatsApp

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

‘CASA DE MAINHA’ - O projeto de um arquiteto brasileiro venceu o “Oscar da Arquitetura”

 Gazetada Torre

O urbanista Zé Vagner se inspirou nas necessidades da própria mãe para realizar o trabalho, feito na cidade de Feira Nova, no interior de Pernambuco.

Ele foi o único brasileiro premiado entre os melhores projetos residenciais no Arch Daily Building of The Year, uma das premiações mais democráticas e relevantes da arquitetura mundial.

O projeto de baixo custo, que contou com apenas dois pedreiros e material local, tinha como ideia valorizar o saber popular e conectar a tradição regional à arquitetura contemporânea.

Seu trabalho é elogiado por unir arquitetura contemporânea com a identidade e o calor do agreste pernambucano. O arquiteto Zé Vagner possui experiência prévia no Recife e formação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Considerado um dos nomes mais influentes da nova geração, ele é palestrante e utiliza as redes sociais (perfil @zeoarquiteto) para compartilhar sua visão de arquitetura.

Vídeo: GloboNews

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O mundo está assistindo a ascensão de líderes autoritários que se aproveitam do próprio jogo democrático

 Gazeta da Torre

Germano Almeida, analista de política internacional

A origem desse fenômeno pode estar na insatisfação da população quanto às instituições. É o que explica Germano Almeida, analista de política internacional, em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros.

Almeida lembra que, para além de uma ONU menos poderosa, o mundo vive, também, a ascensão de dois grandes poderes: Estados Unidos e China — bem como de poderes intermediários em crescimento, com grande potencial de ascensão.

“O caso norte-americano é muito claro. Há uma ideia de que os Estados Unidos falharam completamente nos últimos anos — e, depois, nos grandes números, vemos que os Estados Unidos continuam a ser a grande potência mundial”, explica. “A China vai reduzindo a diferença, mas não porque os Estados Unidos estão em queda livre. A China está a subir mais rapidamente, mas também com bastantes problemas. A pandemia mostrou

O que tem sido visto nas democracias ao redor do mundo é a consolidação do cenário ideal para a ascensão de discursos de caos, de instabilidade e de falência social, mesmo que exagerados. Esse quadro, segundo Almeida, é marcado por um “alto grau de insatisfação e de rejeição ao Congresso, ao Poder Executivo, à mídia, aos tribunais e às forças de segurança”.

É aí que o autoritarismo entra em cena. Segundo o analista, essa é uma situação propensa à ascensão do que ele chama de “homens fortes”. “São essencialmente líderes que rejeitam o sistema democrático — e que, muitas vezes, se aproveitam desse sistema, não se assumem como ditadores e vão ao jogo das eleições. A partir de certo ponto, ganham um certo controle e domínio, adotando a ideia de que ‘Se eu perdi, não valeu’”, conclui Almeida.

Fonte:UM Brasil

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Cresce o número de famílias que preferem ter pets em vez de filhos

 Gazeta da Torre

Nos últimos anos, tem-se observado um número crescente de pessoas que optaram por ter animais de estimação em vez de filhos. Esse movimento, conhecido como pet parenting ou parentalidade de animais de estimação, reflete uma mudança nos padrões de vida e nas prioridades das pessoas.

O professor Sérgio Kodato, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, acredita que os donos de pets podem adquirir um forte vínculo emocional pelos seus bichos, uma vez que esses animais passam a ocupar o lugar de um filho, tornando-se membro da família, criando hábitos, alterando rotinas de seus donos e até mesmo modificando o financeiro de um lar, fatores que alimentam uma dinâmica familiar.

Wlaumir Souza, sociólogo e psicanalista, explica que o fenômeno pet parenting está se tornando cada vez mais comum, devido às condições financeiras e ao encarecimento de ter um filho, além de uma mudança no modelo familiar. “Nós estamos saindo do modelo da família nuclear familiar para a família pet familiar, isso significa maior isolamento humano diante da incapacidade de comunicação e diálogo.”

Souza explica que os animais não respondem, não questionam e são fiéis aos seus donos e, portanto, são mais fáceis no convívio. “Para ser exato, o tutor do pet não quer uma pessoa independente, com opiniões únicas e pensamento crítico, ele quer alguém que não o questione.”

Kodato chama esse fenômeno moderno de humanização de animais e desumanização de crianças. “Essa perspectiva traz à tona uma série de reflexões e questionamentos sobre a maneira como estamos moldando nossas relações com os animais de estimação e os impactos que isso pode ter no desenvolvimento das crianças.”

O professor ainda informa que, à medida que a atenção e os recursos são desviados dos filhos para os pets, pode ocorrer uma diminuição da interação familiar e da convivência entre pais e filhos. “Algumas famílias podem concentrar seus esforços emocionais e financeiros no cuidado dos animais, negligenciando aspectos fundamentais do desenvolvimento infantil, como a educação, o apoio emocional e as experiências sociais.”

Fonte: Jornal da USP

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

DELÍRIO DE FEVEREIRO - Quando a cidade inteira pulsa no mesmo ritmo

 Gazeta da Torre

O Carnaval de Olinda e Recife é uma das manifestações culturais mais autênticas e vibrantes do Brasil, reconhecido mundialmente como patrimônio imaterial que preserva tradições seculares enquanto se reinventa a cada ano. Para compreender a grandeza desta festa, é necessário mergulhar em suas raízes históricas, que remontam ao período colonial brasileiro.

As primeiras manifestações carnavalescas em Pernambuco surgiram ainda no século XVII, quando trabalhadores se reuniam para a Festa de Reis, formando cortejos e improvisando cantigas em ritmos que prenunciavam o que viria a ser o frevo. No entanto, foi o entrudo português, introduzido pelos colonizadores, que marcou de forma mais contundente os primórdios da folia local. O entrudo era uma brincadeira popular em que as pessoas jogavam umas nas outras farinha, água, ovos e outros elementos, em uma celebração descontraída que antecedia a Quaresma.

Com o passar dos séculos, essas manifestações foram se transformando e ganhando características próprias. No final do século XIX, o Carnaval pernambucano começou a se estruturar com o surgimento dos primeiros clubes de frevo, agremiações formadas por trabalhadores assalariados, pequenos comerciantes, capoeiras, vendedores ambulantes e outros representantes das classes populares. Clubes como Vassourinhas (fundado em 1889), Caiadores, Canna Verde e Clube das Pás de Carvão evidenciavam como as camadas menos privilegiadas da sociedade se apropriavam do Carnaval, transformando-o em uma festa genuinamente popular.

Em Olinda, as festividades carnavalescas ganharam força no início do século XX, com o surgimento de clubes carnavalescos tradicionais, tais como o Cariri Olindense (1921) e o  Homem da meia noite (1931), o bloco que se tornaria símbolo máximo do Carnaval olindense.

De lá para cá o Carnaval de Olinda e Recife consolidou-se como uma festa de rua, democrática e acessível, onde a cultura popular se expressa de forma livre e criativa. A partir da década de 1970, com a fundação do Bloco da Saudade em 1974, surgiram os blocos líricos ou blocos de pau e corda, que resgataram a poesia e a nostalgia dos antigos carnavais. Em 1978, nasceu o Galo da Madrugada, que viria a se tornar o maior bloco de carnaval do mundo, reconhecido pelo Guinness Book em 1994.

Bloco Galo da Madrugada, Recife

O Carnaval de Olinda e Recife acontece sob o sol escaldante do verão pernambucano, em um clima tropical que convida à festa ao ar livre. As ladeiras estreitas e coloridas de Olinda, com suas casas coloniais e igrejas barrocas, criam um cenário único, onde a história se mistura à folia. O Centro Histórico de Olinda, tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, transforma-se em um grande palco a céu aberto, onde mais de um milhão de pessoas se espremem para acompanhar os blocos e troças.

No Recife, as ruas do bairro de São José e do Recife Antigo fervilham com a passagem de dezenas de agremiações. O calor intenso, a cerveja gelada, a alegria contagiante e a música incessante criam uma atmosfera de êxtase coletivo. É um carnaval que acontece de dia, sob o sol inclemente, onde o suor se mistura ao brilho das fantasias e ao colorido dos confetes e serpentinas.

Recife Antigo

Mas é na música que reside a verdadeira alma do Carnaval pernambucano. O frevo, ritmo nascido no Recife no final do século XIX, é a trilha sonora desta festa. A palavra “frevo” vem de “ferver”, uma referência ao modo como a dança fervilha nas ruas, com seus passos acrobáticos e sua energia contagiante. O frevo mistura elementos da marcha, do maxixe e da capoeira, criando um ritmo acelerado e vibrante que é executado por orquestras de sopro e metais.

Frevo

Os blocos líricos que surgiram no Recife no início dos anos 1920 foram inspirados nos pastoris e nas folias de reis. Sua característica principal é a orquestra de pau e corda acompanhada por um coral feminino, que canta marchas e canções líricas com arranjos sofisticados. A partir de 1974, com a fundação do Bloco da Saudade, esses blocos passaram a ser conhecidos como Blocos Independentes ou Blocos Líricos, e se multiplicaram pela cidade.

Blocos Líricos

Além do frevo, o Carnaval pernambucano também celebra outros ritmos tradicionais, como o maracatu, o manguebeat, a ciranda, o coco e os caboclinhos, evidenciando a riqueza e a diversidade da cultura popular de Pernambuco. O Maracatu Nação, com seus tambores pesados e seu cortejo majestoso, é uma homenagem às raízes africanas da cultura pernambucana, enquanto o manguebeat, movimento musical surgido nos anos 1990, trouxe uma renovação ao Carnaval, misturando ritmos tradicionais com rock, hip-hop e música eletrônica.

Uma das características mais marcantes do Carnaval de Olinda e Recife é a espontaneidade e a participação popular. Diferentemente de outros grandes carnavais do Brasil, onde a festa é organizada em torno de desfiles de escolas de samba ou blocos fechados com cordões de isolamento, a folia pernambucana acontece na rua, de forma democrática, descentralizada e acessível a todos.

O folião não é um mero espectador, mas o protagonista do espetáculo. A festa é gratuita, aberta e sem barreiras. Não há cordas separando os brincantes dos observadores. Todos são convidados a participar, a dançar, a cantar, a se fantasiar e a se entregar à alegria coletiva. Como descreveu o escritor Paulo Montezuma, “O Galo da Madrugada invade o centro da cidade de tal maneira que não se sabe mais quem é o Galo, quem olha para o Galo, quem não é o Galo, onde está o Galo. O galo é o povo. São as pessoas que sonham, cantam, brincam, sem preconceitos e sem cordas de isolamento, sob o sol ou a chuva, com dinheiro ou sem dinheiro.”

Nas ladeiras de Olinda, a multidão se espreme para seguir as troças e blocos, cantando e dançando em uma comunhão contagiante. A criatividade se manifesta nas fantasias, muitas vezes improvisadas, que vão do humor à crítica política e social. É comum ver foliões fantasiados de personagens históricos, super-heróis, animais, figuras do folclore ou simplesmente vestidos com roupas coloridas e extravagantes. Os bonecos gigantes, com mais de dois metros de altura, são um dos símbolos máximos do Carnaval olindense, e dezenas deles desfilam pelas ruas, representando personalidades, personagens de ficção ou figuras criadas pela imaginação popular.

Bonecos gigantes de Olinda

Olinda no dia de carnaval

No Recife, o Galo da Madrugada é a expressão máxima dessa espontaneidade. Fundado em 1978 por um grupo de amigos que queria resgatar o Carnaval de rua da cidade, o Galo começou com apenas 75 pessoas fantasiadas de almas penadas, acompanhadas por uma pequena orquestra de frevo. Hoje, o bloco arrasta cerca de 2 milhões de foliões no Sábado de Zé Pereira, em um desfile que dura mais de nove horas e conta com 30 trios elétricos, 30 bandas de frevo, 6 carros alegóricos e milhares de pessoas de apoio.

Essa espontaneidade é a alma do Carnaval de Olinda e Recife. É a liberdade de ser quem se quer ser, de se juntar a um bloco desconhecido, de dançar frevo até o sol raiar, de se emocionar com a passagem de um bloco lírico, de rir com as fantasias criativas, de se perder nas ladeiras de Olinda e se encontrar na multidão. É uma festa que se reinventa a cada ano, mantendo vivas suas tradições ao mesmo tempo em que abre espaço para o novo, para a crítica, para a experimentação e para a celebração da vida.

O Carnaval de Olinda e Recife é muito mais do que uma festa. É uma manifestação cultural complexa e multifacetada, que expressa a identidade, a criatividade e a resistência do povo pernambucano. Desde suas origens no entrudo colonial até a consolidação como uma das maiores festas populares do mundo, o Carnaval pernambucano soube preservar suas tradições ao mesmo tempo em que se renova e se adapta aos novos tempos.

O lirismo do frevo de bloco, a energia contagiante do frevo de rua, a espontaneidade dos foliões, a democratização da festa, a criatividade das fantasias, a grandiosidade dos bonecos gigantes, a diversidade de ritmos e manifestações culturais – tudo isso faz do Carnaval de Olinda e Recife uma experiência única e inesquecível.

É uma festa que celebra a vida, a arte, a música, a dança, a poesia, a crítica social, a diversidade e a liberdade. É um carnaval que acontece na rua, sem cordas, sem barreiras, sem preconceitos. É o povo que se transforma em artista, que se apropria do espaço público, que cria e recria a cada ano a maior folia popular do Brasil.

A Irreverência dos Blocos de Bairro: O Caso do Mercado da Madalena

Além das grandes e tradicionais agremiações, o Carnaval de Recife é marcado pela efervescência de centenas de blocos de bairro, que representam a alma mais irreverente e espontânea da folia. O Mercado da Madalena, um dos mais tradicionais da cidade, é um polo de criatividade carnavalesca, onde surgem blocos com nomes humorísticos e de duplo sentido, uma característica marcante do espírito pernambucano.

Dois exemplos notáveis dessa veia cômica são os blocos de Socorro e Marília (*Por questões de conformidade com as políticas editoriais, não podemos apresentar os nomes). Os nomes, que à primeira vista podem parecer chocantes ou absurdos, são na verdade uma expressão do humor popular, da capacidade de rir de si mesmo e de subverter a linguagem cotidiana.

O bloco de Socorro, fundado em 2011, se autodenomina um “Bloco Etílico Hortifruti Rock Tropical Pop Psicodélico de Balcão”. A agremiação, que se apresenta no Mercado da Madalena, mistura em seu repertório pop, rock e orquestra de frevo, criando uma sonoridade única e eclética.

Bloco de Socorro

Já o bloco de Marília, embora não tenha registros oficiais de sua atuação no Mercado da Madalena (havendo blocos homônimos em outras cidades), representa perfeitamente o espírito dos blocos de bairro. O nome, de duplo sentido evidente, brinca com a ideia de exaustão após a folia, ao mesmo tempo em que utiliza uma gíria popular para criar um efeito humorístico. A existência (ou a lenda) de um bloco com esse nome demonstra a liberdade criativa e a ausência de pudores que caracterizam o carnaval de rua do Recife.

Bloco de Marília

Esses blocos, com seus nomes inusitados e sua proposta descontraída, são a prova de que o Carnaval pernambucano vai muito além dos grandes desfiles. Eles representam a festa em sua forma mais pura e democrática: a celebração da vida, do humor e da criatividade popular, que floresce em cada esquina, em cada bar, em cada mercado da cidade.

Essa é a essência do Carnaval de Olinda e Recife: uma festa do povo, pelo povo e para o povo, que celebra a cultura pernambucana em toda a sua riqueza, diversidade e beleza.

 

Márcio Nilo

FEV/2026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O Rei e a Rainha do Carnaval 2026 do Recife

 Gazeta da Torre

Entre passos, suor e emoção, Amanda Lira @amandinhaliraa e Walber Ferreira @walberferreira_1 foram eleitos Rainha e Rei Momo do Carnaval do Recife 2026. Mais do que as coroas, as majestades agora têm a missão de salvaguardar nossa cultura, desfilando nossas tradições.

A Rainha do Carnaval 2026 do Recife

Eles venceram o concurso no Pátio de São Pedro na sexta-feira (30), destacando-se pelo frevo, simpatia e desenvoltura, recebendo cada um R$ 30 mil. A Rainha Amanda Lira, 29 anos, é passista do bairro do Pina, com 20 anos de cultura popular. O Rei Momo Walber Ferreira, 43 anos, é dançarino de arte popular.

Vídeo: Olívia Leite/PCR

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Aluna da rede estadual de ensino, de 18 anos, desenvolveu um detergente biodegradável a partir da casca da PINHA

 Gazeta da Torre

A professora Mirian Carvalho
e aluna Beatriz Rodrigues

Conhecida como a capital mundial da pinha, a cidade de Presidente Dutra, no semiárido baiano, produz, conforme dados da Secretaria de Agricultura, cerca de 20.000 toneladas da fruta por safra anual. Responsável pela maior parte da geração de emprego e renda local, a cadeia produtiva é motivo de orgulho para a população, tendo, inclusive, no mês de abril, a tradicional Festa da Pinha. Como forma de valorizar essa cultura, a professora Mirian Carvalho, do Colégio Estadual de Tempo Integral Leila Janaína Brito Gonçalves, propôs um desafio à estudante Beatriz Rodrigues, de criar um produto inovador que tivesse a pinha como matéria-prima.

As pesquisas da jovem cientista mostraram que a Annona squamosa, nome científico da pinha, contém saponinas, substâncias naturais com propriedades de limpeza e formação de espuma. Foi a partir desta descoberta, que a estudante desenvolveu um detergente biodegradável à base da casca da pinha. “Além do detergente em sua versão líquida tradicional, foi desenvolvida, em um segundo momento, a versão pastosa do produto. Essa variação utiliza basicamente os mesmos ingredientes, com alterações nas proporções, permitindo a criação de um novo formato sem a necessidade de mudança da matéria-prima”, conta Beatriz.

A equipe garante que o produto é exclusivo e inovador. “Em comparação aos detergentes convencionais utilizados no dia a dia, trata-se de um produto totalmente biodegradável, sendo utilizado também sabão neutro biodegradável em sua composição. As próximas etapas envolvem o aperfeiçoamento da fórmula do detergente, a partir de novos testes, buscando melhorar a eficiência, a consistência e a durabilidade do produto. Também está prevista a avaliação do impacto ambiental, reforçando o caráter sustentável da proposta”, ressalta Beatriz.

A professora orientadora, Mirian Carvalho, acredita que a educação científica e empreendedora, que tem permitido que centenas de estudantes da rede estadual de ensino possam fazer ciência na prática, é responsável por “reacender a esperança da juventude”. “Esses projetos não são apenas sobre ciência ou negócios, mas sobre devolver sonhos, fortalecer a autoestima e fazer com que cada jovem perceba que, mesmo vivendo no interior, eles podem transformar sua própria realidade e construir um futuro melhor”, afirma.

Destaque no Encontro Estudantil que reuniu cerca de 10 mil estudantes na Arena Fonte Nova, o projeto tem apoio da professora Indira Neiva, diretora do colégio, que ofereceu suporte e incentivo ao desenvolvimento do produto. Os parceiros incluem produtores de pinha e donos de depósitos da cidade de Presidente Dutra, que colaboraram doando a matéria-prima, o que possibilitou a realização dos testes e a produção do detergente. “Essa parceria reforçou a importância da colaboração entre escola e comunidade, mostrando como recursos locais podem ser aproveitados de forma sustentável e empreendedora”, conclui Mirian.

Vídeo: Irecê Trends

Fonte: Governo da Bahia

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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Entre Orelhas: o cachorro, o banqueiro e o Brasil

 Gazeta da Torre

*imagem: “O Cão”. Pintura de Francisco Goya, 1823. Fonte: Museu do Prado. O Cão é uma das “Pinturas Sombrias” de Goya, um conjunto de catorze imagens que ele criou enquanto vivia numa casa chamada Quinta del Sordo, que se traduz como a Villa dos Surdos. Na fase final da sua vida, Goya sofria de transtornos mentais e físicos, toda essa dor e agonia é visivel nas pinturas em questão.

Orelha não devia bilhões a ninguém. Seu único "crime" foi existir no lugar errado, na hora errada, cruzando o caminho de jovens para quem a violência se tornou uma forma de entretenimento, uma performance a ser transmitida ao vivo pelo Discord

O Brasil, este vasto palco de contradições, encena diariamente um drama que oscila entre a tragédia e a farsa. De um lado, a frieza dos números, os bilhões que evaporam em esquemas financeiros complexos, protegidos por um labirinto de liminares e sigilos. Do outro, a brutalidade visceral, o som de ossos se partindo sob o peso de uma violência gratuita, filmada e compartilhada como troféu. Em ambos os cenários, um mesmo espectro assombra a nação: a impunidade, essa entidade onipresente que garante que, no fim das contas, a balança da justiça penderá sempre para o lado do privilégio.

Em um canto do ringue, temos Daniel Vorcaro, o arquiteto do que o próprio Ministro da Fazenda descreveu como a “maior fraude bancária” do país (eu diria banqueira, bancária é trabalhadora, não herdeira). Com o Banco Master, tudo indica que Vorcaro orquestrou um esquema que fez desaparecer algo entre 12 e 23 bilhões de reais, através da mágica contábil de vender carteiras de crédito que, na prática, não passavam de fumaça. É o tipo de crime que não suja as mãos de sangue, mas corrói as fundações da confiança pública (ou deveria) e drena recursos que poderiam construir hospitais, escolas ou, quem sabe, abrigos para os incontáveis “Orelhas” que perambulam pelas ruas.

E por falar em Orelha, no outro canto do ringue, temos sua história. Um cão comunitário, um vira-lata de dez anos que conhecia a Praia Brava, em Florianópolis, como a palma de sua pata. Sua rotina de afagos e restos de comida foi interrompida por uma sessão de tortura perpetrada por quatro adolescentes de classe média-alta. Orelha não devia bilhões a ninguém. Seu único “crime” foi existir no lugar “errado”, na “hora errada”, cruzando o caminho de jovens para quem a violência se tornou uma forma de entretenimento, uma performance a ser transmitida ao vivo pelo Discord (aplicativo usado por gamers).

À primeira vista, os dois casos parecem pertencer a universos distintos. O que a alta finança, com seus ternos bem cortados e jargões impenetráveis, tem a ver com a crueldade suburbana de jovens entediados? Tudo. Ambos são manifestações da mesma doença social, a certeza de que certas vidas e certas ações estão acima da lei. Vorcaro, com suas alegadas conexões políticas que se estendem de Ciro Nogueira a Ibaneis Rocha, move-se em um tabuleiro onde a “facilitação política” é apenas mais uma peça no jogo. Seus advogados tecem defesas, seus aliados nos altíssimos escalões da República garantem o sigilo do processo, e a opinião pública assiste, perplexa, à transformação de um rombo bilionário em uma nota de rodapé nos jornais.

Enquanto isso, os agressores de Orelha, após o ato, embarcam para uma viagem “pré-programada” à Disney, o templo máximo do consumo e da fantasia, como se a brutalidade que deixaram para trás fosse apenas um pesadelo a ser esquecido entre montanhas-russas e personagens sorridentes. Parece que o Mickey não tem cessado de vencer. Lembremos que a juíza Vanessa Cavalieri, que estuda a radicalização de jovens, alerta que o que aconteceu com Orelha não é um ponto fora da curva, mas um evento diário nas profundezas da internet, onde a tortura animal virou commodity, com uma média de 30 cães e gatos mortos por noite em transmissões ao vivo. O mundo é sombrio, brava gente que lê.

O privilégio, em ambos os casos, opera como um solvente universal da responsabilidade. Para Vorcaro, é o privilégio do capital, a capacidade de comprar influência, de contratar os melhores advogados, de navegar pelos corredores do poder com uma desenvoltura que o cidadão comum jamais sonharia. Ele nega a fraude, claro, e chega a ironizar, dizendo que, se tivesse tanto poder, não estaria sendo investigado. É a clássica inversão de narrativa: a vítima, agora, é o bilionário acuado pela justiça. O privilégio se ressignifica como perseguição.

Para os adolescentes, o privilégio é o da classe social e da idade. A certeza de que o sobrenome, a escola cara e a viagem internacional funcionam como um passaporte para a impunidade. A violência que praticam é dessensibilizada, um produto de horas a fio consumindo conteúdo extremo online, um fenômeno que transforma a empatia em fraqueza e a crueldade em status. O privilégio, aqui, se ressignifica como uma “fase”, um “desvio de conduta” de “bons meninos” que “não tinham a intenção”.

Essa história de impunidade não é nova. Ela é a argamassa que une os tijolos da história brasileira. É a mesma impunidade que permitiu que, em 1997, jovens de Brasília queimassem vivo o indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos e, mais tarde, tivessem suas penas reduzidas a quase nada. É a mesma lógica que garante que crimes de colarinho branco – Collor e PC Farias que o digam – raramente resultem em algo além de uma tornozeleira eletrônica e uma biografia de superação. A mensagem é clara e consistente: no Brasil, o tamanho do crime e a severidade da punição são inversamente proporcionais ao status social do criminoso.

Vorcaro e os agressores de Orelha são, portanto, dois lados da mesma moeda farsesca. Um representa a violência fria e sistêmica, que opera nas sombras dos balanços e dos gabinetes. Os outros representam a violência quente e explícita, que se manifesta na ponta de um porrete contra um corpo indefeso. Mas a origem de ambos é a mesma: uma sociedade que normalizou a desigualdade a tal ponto que a própria noção de justiça se tornou relativa. Uma justiça para os que podem pagar por ela, e outra para o resto – incluindo os Orelhas, humanos ou não, que têm a má sorte de cruzar o caminho dos privilegiados.

A crônica do Brasil é, assim, a crônica de uma impunidade que se reinventa. Ela troca o terno pela bermuda de marca, o jatinho particular pela viagem à Disney, a fraude contábil pela transmissão no Discord. Mas sua essência permanece intacta, um lembrete constante de que, nesta terra – de palmeiras, sabiás e corpos torturados – alguns são mais iguais que outros. E enquanto os bilhões de Vorcaro se perdem em um abismo fiscal e os ossos de Orelha se decompõem sob a terra, a pergunta que fica, ecoando no silêncio da nossa indignação seletiva, é: até quando?

Por Lindener Pareto, Professor, Historiador, Comunicador. Mestre e Doutor pela USP

Nova troça ‘A Jiboia da Beira Rio’

No sábado (31), a troça ‘A Jiboia da Beira Rio’ desfilou pelas ruas do bairro da Madalena, Recife. Com muita alegria, valorizando nosso Frevo e nossa cultura. A concentração ocorreu na praça Eça de Queiroz (Praça do D'Ávila) com participação do Boneco Gigante do Comunicador Circo Bezerra. Uma festa bonita no bairro da Madalena!

Vídeo:Pernambuco Você É Meu

sábado, 31 de janeiro de 2026

Hábitos para exercitar o cérebro no dia a dia

O funcionamento do cérebro é influenciado, de forma contínua, pelos estímulos recebidos ao longo da rotina. Exercitar o cérebro no dia a dia pode ser adotado mesmo fora de ambientes formais de aprendizagem, contribuindo para o estímulo de funções cognitivas como atenção, memória, raciocínio e flexibilidade mental.

Na prática, exercitar o cérebro não precisa ficar restrito a atividades pontuais ou momentos específicos. Com algumas escolhas mais conscientes, esse estímulo pode fazer parte da sua rotina de forma simples e constante.

Pensando nisso, separamos alguns hábitos que você pode incorporar no dia a dia para exercitar o cérebro de maneira prática.

Aprender algo novo: um dos principais hábitos para exercitar o cérebro

Sempre que você aprende uma nova habilidade, o cérebro passa a lidar com situações inéditas. Nesse processo, adaptação, tentativa, correção de erros e consolidação de informações são exigidas, ativando diferentes funções cognitivas ao mesmo tempo, especialmente memória, atenção e raciocínio.

Esse aprendizado pode acontecer de várias formas. Aprender um idioma, tocar um instrumento, conhecer um jogo com regras novas ou desenvolver uma habilidade manual são exemplos de situações em que o cérebro sai do modo automático e passa a operar de forma mais ativa. Aqui, não é a complexidade da tarefa que faz a diferença, mas o nível de desafio cognitivo envolvido.

Segundo a meta-análise “The impact of cognitive training and mental stimulation on cognitive and everyday functioning of healthy older adults”, intervenções baseadas em treino e estimulação cognitiva estão associadas a melhorias mensuráveis em funções como memória, velocidade de processamento e funções executivas, quando comparadas a grupos sem intervenção, especialmente quando o estímulo ocorre de forma regular e estruturada.

Variar rotinas

Grande parte das atividades do dia costuma ser feita no automático. Isso facilita a rotina, mas, quando acontece o tempo todo, reduz o nível de exigência cognitiva.

Por isso, pequenas mudanças fazem diferença. Alterar o trajeto de sempre, reorganizar a ordem das tarefas ou testar novas formas de realizar atividades comuns exige mais atenção e tomada de decisão consciente. Como resultado, a flexibilidade cognitiva é estimulada, habilidade diretamente relacionada à adaptação e à resolução de problemas.

Ler de forma ativa

Assim como variar a rotina contribui para o estímulo cognitivo, a leitura também exerce um papel importante nesse processo. Seus efeitos, no entanto, são ampliados quando a leitura é feita de forma ativa, com reflexão sobre o conteúdo, conexões com experiências anteriores e organização mental das ideias apresentadas.

Com isso, o método estimula, além da linguagem, a memória de trabalho, a atenção sustentada e a compreensão. Ao longo do tempo, o pensamento crítico tende a ser fortalecido

Interações sociais como estímulo natural do cérebro

As interações sociais também exigem bastante do cérebro. Durante uma conversa, escuta, interpretação, organização de ideias e formulação de respostas acontecem simultaneamente.

Além disso, o contato com diferentes pontos de vista estimula a flexibilidade cognitiva e amplia o repertório mental. Por isso, as trocas sociais são consideradas estímulos cognitivos naturais no dia a dia.

Sono e pausas mentais no funcionamento cognitivo

O descanso tem papel fundamental no funcionamento cerebral. No sono, o cérebro organiza e consolida informações adquiridas ao longo do dia, principalmente aquelas relacionadas à memória

Da mesma forma, pausas ao longo da rotina ajudam a recuperar a atenção e reduzem a sobrecarga mental. Com isso, o desempenho cognitivo tende a se manter mais estável.

Jogos como ferramenta para exercitar o cérebro

Jogos que envolvem regras, estratégia e tomada de decisão exigem que o cérebro funcione em vários níveis ao mesmo tempo. Durante essas atividades, informações precisam ser lembradas, cenários precisam ser antecipados e estratégias precisam ser ajustadas conforme o jogo avança.

Dessa forma, o método trabalha funções como memória, raciocínio lógico, controle inibitório e atenção de maneira integrada. Quando entram na rotina com regularidade, esses jogos se tornam um estímulo cognitivo consistente.

Como o Supera ajuda a exercitar o cérebro?

O Supera é a primeira e a maior rede de estimulação cognitiva do Brasil, oferecendo um método inovador para fortalecer as funções cerebrais.

Com atividades dinâmicas e interativas, o Supera trabalha memória, concentração e raciocínio lógico de forma divertida e eficaz, além de oferecer diferentes benefícios socioemocionais para os praticantes.

Para reflexão:

O caminho mais certo de se vencer é TENTAR MAIS UMA VEZ. “Autor desconhecido”

Você sabia que:

A floresta Amazônica é a maior do mundo e 60% dela fica no Brasil.

O restante fica na Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

Reposta do desafio dezembro:

O que é, o que é?

Ao todo são 3 irmãos:

O mais velho já se foi.  (ONTEM)

O do meio está conosco.  (HOJE)

E o caçula não nasceu.  (AMANHÃ)

Resposta: AMANHÃ

Desafio de Janeiro:

Por onde é que o boi consegue passar, mas o mosquito fica preso?

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 WhatsApp

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