sábado, 31 de outubro de 2026

Desigualdades raciais e envelhecimento saudável: por que as condições de vida importam?

 

O envelhecimento é um processo natural e contínuo que se inicia na concepção do ser humano e se estende até o final da vida. O envelhecimento populacional é um reflexo do aumento do número de anos de vida e redução das taxas de natalidade e mortalidade. A expectativa de vida ao nascimento para o mundo aumentou de 64,2 anos em 1990 para 72,8 anos em 2019. Prevê-se que novas reduções na mortalidade resultem em uma longevidade média global de cerca de 77,2 anos em 2050 (Organização das Nações Unidas – ONU, 2022).

O crescimento da proporção de pessoas idosas na população nos trás reflexões a compreender o envelhecimento sob as mais variadas perspectivas, contemplando suas pluralidades e, para além da saúde,  as várias dimensões sociais dos indivíduos, como gênero, raça e classe social são os marcadores mais expressivos a serem considerados e as pesquisas têm acrescentado muitas novas contribuições sobre como atuam no envelhecimento. Em um mundo resultante do processo de colonização, a raça, hoje sabidamente uma construção social sem nenhuma base biológica, limita oportunidades e acesso a serviços, circunscreve relações, o que  define trajetórias e, consequentemente, afeta a saúde e a qualidade de vida de pessoas racializadas.

A vivência do racismo impacta negativamente a qualidade de vida e não se limita a reações decorrentes de interações entre pessoas, mas é fortemente influenciada por elementos estruturais. A escassa presença de pessoas negras em posições de liderança, nas universidades, nos índices de altos cargos e salários, qualidade de vida, acesso aos serviços de saúde, entre outros, impede que essa comunidade alcance uma expectativa de vida mais longa. Isso reflete a memória ancestral marcada pela conexão intrínseca entre resiliência e vulnerabilidade, além das construções culturais fundamentadas no passado escravocrata do Brasil.

Em virtude de práticas de discriminação baseadas na raça, os idosos negros enfrentam desafios únicos durante a velhice, reflexo das diversas desvantagens resultantes das disparidades econômicas, sociais e históricas, bem como às responsabilidades extras de viver numa sociedade onde a igualdade racial ainda é uma utopia. Outro aspecto importante é que o racismo gera desigualdades raciais relacionadas com circunstâncias de fragilidade. As atitudes discriminatórias são evidentes nas relações interpessoais, na família, na distribuição espacial dos espaços urbanos, na organização espacial das cidades, na constituição de grupos sociais e nas várias organizações com as quais cada sujeito se relaciona nos vários âmbitos de sua vida. Estas ações estão relacionadas a uma série de elementos socioeconômicos e culturais que impactam a saúde física e mental, além da integridade pessoal e coletiva.

A abordagem aqui é sobre raça, mas é importante ampliar esta leitura para as várias formas de opressão e discriminação às quais as pessoas podem estar expostas em toda e qualquer análise, o que é sintetizado no conceito de interseccionalidade. Interseccionalidade refere-se à percepção de que as formas de poder se alimentam das origens da colonialidade que é a permanência de estruturas de dominação, controle e hierarquia criadas pelo colonialismo, mesmo após o fim da ocupação política e territorial dos países.  E se diversificam em formas e características únicas, mas nunca isoladas. Esta forma de análise deve mostrar como, ao se interligarem, os indivíduos moldam e organizam as estruturas sociais, definindo assim posições políticas, experiências de opressão e de privilégio.

Informações do estudo Fragilidade em Idosos Brasileiros (FIBRA) coordenado pela Profa. Anita Neri em (2013) revelam que as condições socioeconômicas mais desfavoráveis da população negra na juventude persistem até a velhice, indicando a continuidade na falta de acesso a benefícios e oportunidades, o que resulta em efeitos adversos sobre a saúde, a cognição e o bem-estar. Os idosos negros, em sua maioria, apresentaram renda baixa, níveis educacionais reduzidos, um índice de analfabetismo mais elevado, residindo em lares que combinam várias gerações ou são de composições mistas, e com uma renda familiar que é percebida pelos próprios idosos como insuficiente para atender às suas necessidades.

A partir do formato censitário de classificação racial brasileira, para além da população negra, que reúne pretos e pardos, a população indígena também é sujeita a opressões. Muitos povos indígenas vivem em condições precárias de habitação, com alta vulnerabilidade social e econômica que afeta sua saúde, tornando-os prioridade em ações de saúde e políticas intersetoriais. Os idosos indígenas são considerados guardiões de conhecimentos essenciais sobre suas tradições, incluindo medicina, ervas, músicas, rituais e práticas ancestrais, desempenhando papel crucial na organização social, na preservação cultural e na sobrevivência das comunidades. Contudo, enfrentam desafios significativos na velhice para manter sua saúde e acessar serviços adequados, agravados por marginalização social, econômica e geográfica.

Investigações científicas e levantamentos demográficos, a exemplo do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), demonstram que as consequências cumulativas do racismo ao longo do curso de vida comprometem a saúde cerebral no envelhecimento. O racismo afeta a cognição de pessoas idosas ao provocar estresse crônico, envelhecimento biológico acelerado e desigualdades no acesso à saúde e à educação. Os principais mecanismos de impacto cognitivo compreendem:

• Estresse crônico e hipervigilância: a exposição recorrente a atos discriminatórios mantém ativados os mecanismos neurobiológicos de respostas ao estresse, provocando deterioração neuronal e prejuízos na memória, na atenção e nas funções executivas.

• Envelhecimento precoce (epigenética): a incidência cumulativa de micro agressões e assimetrias sistêmicas acelera o processo de envelhecimento celular, ampliando a vulnerabilidade ao declínio cognitivo prematuro e a patologias neurodegenerativas, como as demências.

• Desigualdades educacionais e socioeconômicas: as restrições impostas pelo racismo estrutural historicamente limitam a instrução formal e a inserção em ocupações com melhores rendimentos, resultando em uma menor reserva cognitiva em decorrência da baixa escolaridade.

• Obstáculos no acesso à assistência médica: a população idosa negra encara entraves significativos no acesso a serviços de saúde adequados, além de vivenciar a negligência e a ineficiência terapêutica tanto na rede pública quanto na privada de serviços, o que retarda a detecção e o manejo de doenças e comorbidades prejudiciais à cognição.

• Isolamento social e transtornos depressivos: a exclusão social e a perda prematura de entes queridos – motivadas pela violência urbana ou pela insuficiência de suporte médico – precipitam quadros graves de solidão e depressão entre pessoas idosas negras, sendo amplamente reconhecido que o transtorno depressivo não tratado exerce forte influência negativa sobre o desempenho cognitivo na velhice.

Dados sobre o acúmulo de desvantagens ao longo do ciclo de vida evidenciam o quanto o envelhecimento da população negra  depende da compreensão de que a velhice exige analisar a história de vida de cada pessoa e não apenas o corte etário atual, fundamentando políticas públicas que atuem preventivamente desde a base. As desigualdades raciais começam na infância e acumulam-se ao longo do curso de vida e se manifestam de forma severa e singular na velhice, comprometendo a longevidade e a qualidade de vida da população negra em uma etapa sensível, cheia de fragilidades e vulnerabilidades da vida.

Assinam este texto, as gerontólogas:

Prof. Dra. Thais Bento Lima da Silva E-mail: thaisbento@usp.br

Lucila Maria Barbosa Egydio. E-mail: lucilaegydio@alumni.usp.br

Para reflexão:

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim, terás o que colher. "Cora Coralina”

Você sabia que:

O cérebro de Albert Einstein pesava 1.230 gramas. Um cérebro médio de um homem pesa 1.360 gramas. Isso significa que tamanho e peso não dizem nada sobre a inteligência do indivíduo.

Resposta do desafio de Setembro.

O que os números 2,10,12,16,18 e 19, têm em comum?

Resposta: Todos os números iniciam com a letra D

Desafio de Outubro

Pense rápido: O que só cresce para trás?

Resposta na próxima edição

Serviço:

Método Supera – Estimulação Cognitiva

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Bairro da Madalena, Recife.

Telefone: (81) 999000603 (WhatsApp)

CULTURA POPULAR – O 20° Festival de Circo do Brasil

 Gazeta da Torre

Reencontro com o Parque Santana, no Recife, é neste sábado (31/10), às 19h30, pelo 20° Festival de Circo do Brasil. A apresentação do grupo autoral do Sertão de Pernambuco pelo @festivaldecircodobrasil é ao ar livre e GRATUITA, reforçando a importância da arte nos parques para a transformação social.

A arte nos parques transforma os espaços públicos em galerias ao céu aberto , promovendo a inclusão social, o senso de pertencimento e a melhoria da convivência comunitária. Parques com disciplinas artísticas tornam a cultura acessível a todas as classes sociais, integrando lazer, conscientização ambiental e diálogo político.

No passado recente e presente, o Samba de Coco Raízes fez um show no Parque Santana no ano de 2023, pelo Fan Festival.

O Samba de Coco Raízes de Arcoverde (ou simplesmente Coco Raízes de Arcoverde ) é um tradicional grupo de cultura popular brasileiro fundado em 1992 na cidade de Arcoverde, no Sertão de Pernambuco. Criado por Lula Calixto , o grupo uniu famílias tradicionais de conquistas da região — como a Família Calixto (incluindo o Mestre Assis Calixto), as irmãs Lopes e a família Gomes.

Além dos tamancos e das palmas, a sonoridade é composta por instrumentos como bombo (zabumba), caixa, triângulo, surdo, pandeiro e ganzá. Com raízes ligadas à herança afro-indígena e ao trabalho de pisar o chão (como na antiga mazuca ou na feitura de casas de taipa), o grupo rompeu as fronteiras do sertão pernambucano a partir dos anos 1996 e 2000, realizando turnês internacionais pela Europa (Alemanha, França, Bélgica, Itália e Noruega) e se tornando um dos maiores embaixadores da cultura popular do Nordeste.

Registros: @daniel_sal94 Daniel Lima

Coco Raizes de Arcoverde

@cocoraizesdearcoverde

Fonte: Brasil de Fato

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

No Brasil, Halloween ofusca folclore brasileiro

 Gazeta da Torre

Festa do Saci em São Luiz do Paratinga - Foto:Divulgação/Bem Bolado

Essa inversão cultural faz com que não lembremos que o dia 31 de outubro, no Brasil, é dedicado a um personagem genuíno do folclore nacional: o Saci-Pererê, que permanece parcialmente esquecido do nosso imaginário.

Anualmente, comemora-se o Halloween no dia 31 de outubro. “Gostosuras ou travessuras?”, perguntam as crianças ao saírem fantasiadas pedindo doces de casa em casa. A festa, normalmente celebrada em países do mundo anglófono – falante da língua inglesa -, foi importada para a cultura brasileira.

A intensa influência, especialmente norte-americana, fez com que o Dia das Bruxas, como ficou conhecido por aqui, fosse celebrado como mais uma comemoração no calendário nacional. Personagens como vampiros e bruxas, que não fazem parte da nossa cultura, foram incorporados às festividades brasileiras, apesar das importantes lendas da cultura nacional que poderiam ser celebradas, como o Saci-Pererê, menino negro de uma perna só que usa uma carapuça vermelha e fuma cachimbo. Mas o que muita gente não sabe é que, de fato, esse personagem também é comemorado no dia 31 de outubro, data que foi oficializada em 2004 no Estado de São Paulo e, em 2010, em todo o País.

Para entender por que a celebração Halloween tornou-se tão comum no Brasil, apesar da presença de figuras emblemáticas no folclore brasileiro e que fazem parte do imaginário nacional, é preciso antes saber de onde vem a cultura de celebrar essa data e de que formas ela chega até nós.

Origens das festividades

Normalmente, quando pensamos em Halloween, ou Dia das Bruxas, imagens como fantasias, doces e abóboras esculpidas com rostos medonhos vêm à nossa cabeça. Mas não foi sempre assim, como explica Ana Carolina Chiovatto, doutoranda em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Segundo ela, as origens das celebrações baseiam-se na sobreposição de diversas culturas, com a presença de festividades e rituais de diversos povos que aconteciam no mesmo período.

Uma das origens do Halloween é o festival celta Samhain, que marcava o fim do período de colheita, e era seguido do festival do Dia dos Mortos, quando, supostamente, aqueles que se foram poderiam circular no mundo dos vivos. A cultura celta contempla diversos povos que viviam na Europa e tinham cultos em comum. “Essas festividades são comumente chamadas de pagãs, um termo enviesado, já que pensamos no paganismo em oposição ao cristianismo como ponto de vista dominante”, afirma Ana.

Com a conquista pelos romanos e a cristianização desses povos, muitos desses cultos começam a ser modificados. “Os festivais celtas estavam relacionados à fertilidade, tanto da terra e dos animais quanto das pessoas, o que, para os cristãos, era considerado bárbaro. Por isso, houve uma tentativa de apagamento desses rituais”, aponta ela.

Os povos cristãos, então, passaram a celebrar seus mortos no dia 2 de novembro e, no dia em que os celtas celebravam o Dia dos Mortos (1º), instituem o Dia de Todos os Santos. “O cristianismo instituiu o Dia de Todos os Santos porque, segundo sua visão, são eles os mortos aos quais devemos prestar culto”, diz Ana. Além disso, para a visão cristã, a ideia de que as almas pudessem circular no mundo dos vivos era extremamente pagã. “Por isso, os cristãos distanciaram-se da celebração celta: o Halloween (31), véspera do Dia de Todas as Almas (all hallows’ eve) distancia-se da sua origem”, ela explica.

Ana esclarece, por fim, que hoje o 31 de outubro possui dois lados: um das religiões neopagãs, que buscam reavivar o sentido do Samhain; e o outro, do festival relido pelo cristianismo, que vai se converter na festa infantil das “gostosuras ou travessuras”, tão comum nos Estados Unidos, com a qual temos contato e, aos poucos, vamos incorporando.

A chegada do Halloween ao Brasil

Festa do Halloween

A população brasileira teve contato com o Halloween, como é celebrado nos dias atuais, por meio de filmes, séries de TV e outros produtos culturais estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos. Mas por que os brasileiros decidem celebrar a data  da mesma forma como nos EUA?

Esse quadro pode ser explicado por meio de um conceito esboçado pelo teórico estrategista de relações internacionais, Joseph Nye, o soft power, normalmente traduzido como “poder brando”. Alexandre Ganan Figueiredo, historiador e pesquisador de pós-doutorado pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, explica que esse termo diz respeito a um conjunto de iniciativas não militares ou econômicas, a fim de que um Estado atinja seus interesses de política externa.

“O soft power diz respeito à capacidade de um país ter influência direta em outros por meio de sua cultura, sua capacidade de se projetar como exemplo para o mundo”, ele explica. No caso dos EUA, um exemplo é a “poderosíssima indústria cultural norte-americana”, como produções de Hollywood e de séries de TV, que chegaram ao Brasil logo após a Segunda Guerra Mundial, “praticamente junto com a televisão”.

Outras formas desse poder se manifestam na influência acadêmica, como a leitura e intercâmbio de pesquisadores. Por fim, Figueiredo descreve também como elemento desse tipo de influência a exportação de um estilo de vida ideal, apresentado como um modelo a ser copiado. “Isso é muito forte aqui, seja no consumo dos produtos estrangeiros ou até mesmo copiando seus costumes, como é o caso da comemoração do Halloween no Brasil”, diz.

Ainda segundo Figueiredo, é tanto por meio do consumo da cultura norte-americana, como filmes e séries, quanto pela busca do ideal americano de vida, que a celebração do Halloween vai se instalando no País. “O Dia das Bruxas não possui relação com as tradições e a formação cultural brasileiras, por isso não é usual”, conclui Figueiredo.

31 de outubro: 

por aqui, é celebrado o Saci-Pererê

É a partir da perspectiva de que não há ligações  entre a celebração do Halloween e a cultura brasileira que, em 2003, apresentou-se um projeto de lei para que, no dia 31 de outubro, fosse celebrado no Brasil o Dia do Saci, um dos mais conhecidos personagens do folclore nacional. Em 2004, a data foi oficializada no Estado de São Paulo e, em 2010, no País.

“Além disso, havia uma percepção de que cada vez mais escolas do ensino básico valorizavam o Dia das Bruxas no modelo norte-americano”, aponta. Tendo o Brasil um folclore muito rico, com lendas e histórias vindas da miscigenação entre diversos povos, o que é próprio da nossa formação como País, foi colocado em questão: “Por que não promover uma reflexão sobre o papel da cultura nacional?”.

O Saci é uma lenda que traz tradições principalmente do Sul e do Sudeste do Brasil, mas apresenta características intrínsecas à formação do Brasil. “O Saci é um jovem negro, com seu cachimbo, um elemento indígena. Além disso, traz elementos da cultura árabe, que dominou, durante séculos, a Península Ibérica”, explica o historiador. Os elementos da cultura árabe presentes na lenda do Saci-Pererê manifestam-se na lenda do menino que pode ser preso em uma garrafa e conceder desejos, dispositivos narrativos presentes no ciclo de As Mil e Uma Noites, coleção de narrativas onde se encontra a figura do Gênio da Lâmpada. “A própria lenda dessa personagem representa o amálgama da nossa cultura.”

Algumas cidades do Brasil, sobretudo nos municípios de São Paulo, começaram a fazer festas para essas lendas do folclore nacional no dia 31 de outubro. “Em São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba, temos a Sociedade dos Observadores de Saci, que todo ano promove a Festa do Saci”, conta Baronetti.

O pesquisador explica que os estudos folclóricos no Brasil, desde o início do século 20, por meio do Movimento Folclórico Brasileiro, e grandes estudiosos, como Mário de Andrade e Edison Carneiro, buscam a inserção desses temas nas escolas. “O Dia do Saci tem o papel de estímulo, de resgate da nossa cultura, e é justamente um contraponto a esse projeto colonizador e imperialista que busca inserir aqui esses elementos alheios à nossa cultura.”

“A ideia não é acabar com o Halloween, mas criar um contraponto para que as crianças, além da tradição estrangeira, já conhecida, passem a ter contato também com tradições e culturas nacionais”, conclui o historiador, resgatando um pensamento de Plínio Marcos, dramaturgo brasileiro, dizendo que “um povo que não ama e preserva as suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre”.

Fonte:Jornal da USP

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

“Embora as eleições tenham se encerrados, os crimes de assédio eleitoral deverão ser severamente punidos”, apresenta o Presidente do Tribunal Superior do Trabalho

 Gazeta da Torre

“Embora as eleições tenham se encerrados, os crimes de assédio eleitoral deverão ser severamente punidos”. Esta foi a mensagem do Presidente do Tribunal Superior do Trabalho Ministro Vieira de Mello Filho, ao tempo em que agradeceu o trabalho do Ministério Público do Trabalho durante o processo eleitoral. O MPT continua atento.

Durante a 13ª sessão ordinária do Plenário do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o presidente da Corte declarou que o combate ao assédio eleitoral continua e que todas as denúncias serão apuradas e julgadas, mesmo com o termo da votação.

O ministro ressaltou que a encerramento do pleito não exime as instituições de investigarem irregularidades ou de responsabilizarem quem cometeu abusos.

Casos de coação, ameaça de demissão ou constrangimento no ambiente de trabalho por motivos políticos podem continuar sendo reportados ao MPT e aos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs).

Principais Canais de Denúncia

- Ministério Público do Trabalho (MPT): Pode ser acionado de forma anônima ou sigilosa pelo site mpt.mp.br/assedio-eleitoral ou pelo aplicativo MPT Pardal.

- Ministério do Trabalho e Emprego (MTE): Registrador de denúncias trabalhistas pela internet no portal de Inspeção do Trabalho ou pelo aplicativo Realizar Denúncia Trabalhista (exige login no gov.br).

- Justiça do Trabalho / TRT: Você pode acionar a Ouvidoria ou o Tribunal Regional do Trabalho de sua região (como oTRT-17ou o site do Tribunal Superior do Trabalho).

- Ministério Público Eleitoral (MPE): Acionado quando há acusações de crime ou irregularidade eleitoral.

Fonte: TSE

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

"Mudar o jeito de governar esse país"

 Gazeta da Torre

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou pela primeira vez após a vitória eleitoral deste domingo (25). O petista prometeu “mudar o jeito de governar este país”.

"Eu posso garantir que vamos mudar o jeito de governar esse país. Nós vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. A comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo", disse.

Ao comentar o processo eleitoral, Lula criticou a atuação das grandes plataformas digitais, como big techs, e afirmou que seu governo deverá avançar na orientação dessas empresas. Segundo ele, uma campanha foi marcada por tentativas de interferência externa no resultado das eleições.

“Nessa eleição, a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regular”, afirmou. "Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando bilhões e não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país", acrescentou.

O presidente agradeceu especialmente à juventude, aos idosos e aos militantes que participaram da campanha. Também destacou o papel do deputado federal André Janones (Rede-MG) na mobilização digital de seus apoiadores durante o segundo turno.

“Quero agradecer a esse companheiro Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar a moral da nossa tropa”, afirmou.

Fonte: Brasil de Fato

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia

 

Hoje, dia 12 de outubro de 2026, aconteceu a celebração do grande dia da padroeira na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e Santa Luzia, localizada no bairro da Torre, em Recife.

A paróquia encerrou ontem o seu novenário e hoje realizou as solenidades dedicadas à data magna de Nossa Senhora do Rosário, com uma programação religiosa tradicional que inclui missa e procissão pelas ruas do bairro.

sábado, 10 de outubro de 2026

Pedir para o garçom tirar foto do prato?

Gazeta da Torre 

O restaurante quer a foto perfeita, o cliente quer a foto perfeita e, no meio disso, o garçom virou fotógrafo. Em conversa com o apresentador Marcelo Tas, no Provoca, programa de entrevistas da TV Cultura, Bassoleil, chef de cozinha renomado francês radicado no Brasil, fala sobre a relação entre gastronomia, redes sociais e influenciadores.

Se antes o garçom precisava ter caneta, abridor e isqueiro no bolso, hoje a lista de funções ganhou uma nova tarefa: parar tudo para fotografar a mesa.

De acordo com especialistas em etiqueta e chefs renomados, pedir para o garçom tirar foto do prato é considerado uma gafe e deve ser evitado. Embora o hábito de registrar a comida seja extremamente comum na era das redes sociais, a etiqueta moderna traça limites claros sobre essa prática.

Vídeo: TV Cultura

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Unidade Técnica Local (UTL) da Funai foi alvo de um ataque com explosivos

 

A Unidade Técnica Local (UTL) da Funai em São Jerônimo da Serra, no Paraná, foi alvo de um ataque com explosivos na quinta-feira (08). Uma bomba foi instalada e detonada na entrada do edifício, causando depredação na fachada e estrutura do local, conforme comunicado pelo Ministério dos Povos Indígenas. Não havia servidores ou funcionários no prédio no momento da explosão, portanto não houve registro de feridos

Um boletim de ocorrência foi registrado, e a Polícia Federal junto à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) foram acionadas para apurar o caso e identificar os responsáveis.

Defender os povos indígenas é fundamental porque eles atuam como os principais guardiões da floresta e da biodiversidade, além de protegerem a própria estabilidade climática, os recursos hídricos e a democracia do país.

As terras indígenas funcionam como barreiras restritas contra o desmatamento, a mineração ilegal e a grilagem. Manter essas florestas em pé evita a emissão de milhões de toneladas de carbono na atmosfera e abriga grande parte da fauna e flora do país.

A luta indígena garante a sobrevivência de saberes ancestrais, línguas, tradições e modos de vida únicos que compõem a identidade e a riqueza cultural do país.

Os direitos dos povos originários estão garantidos na Constituição Federal de 1988 . Viabilizar ou ignorar ataques a esses direitos abre precedente para fragilizar as garantias de toda a sociedade brasileira.

Fontes: CNN; Brasil de Fato; Agência Brasil;

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

As aberrações do extremismo

 Gazeta da Torre

No teto do carro jovem dança com arma na mão

O extremismo baseia-se no dogmatismo, no fanatismo e na imposição de um único modo de vida ou opinião. Se afastar dos limites do debate democrático e buscar enfraquecer ou destruir a ordem política vigente. Resulta no fechamento total das negociações e na desumanização de quem pensa diferente. Um processo de radicalização alimentado por discursos de ódio nas redes sociais, afetando jovens inclusivos e gerando atos de violência no mundo físico.

A ascensão da extrema direita e seus valores anticivilizatórios estão engolindo a dinâmica das democracias e ameaçando as tímidas tentativas reformistas. Política não é o reino da racionalidade (mesmo aquela racionalidade oportunista, imediatista, desavergonhada, que distorce Maquiavel alardeando que MEU FIM, e só o meu, justifica qualquer manobra).

Infâmia terrena (desonra, vergonha ou humilhação máxima sofrida no mundo material) e maldições bíblicas soam como uma e a mesma coisa. São um sinal, o Sinal dos tempos que se anunciam. Nem sequer podem ser adoçadas por lembretes narcisistas. Têm de ser enfrentadas olho no olho. Enquanto se ignora ou menospreza o alcance e a profundidade desta mistura equívoca (chegou o Armaggedon!) não tem conversa, não tem diálogo, não há quem escute. As tentativas de ganhar a adesão dos indecisos fracassarão se persistirem no otimismo exagerado, ingênuo e cego, limitado a tão absurdo a ponto de ser ridícula conversão… dos já convertidos.

Fonte: Jornal da USP

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Ortobom Carrefour Torre

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

USP fica entre as 150 melhores universidades do mundo no ranking THE World

 Gazeta da Torre

USP

Classificada na posição 141ª, a USP é a universidade ibero-americana mais bem colocada no THE World University Ranking, divulgado hoje no final do mês de setembro, pela consultoria britânica Times Higher Education (THE). Essa é a melhor colocação da Universidade neste ranking, que é publicada desde 2012 e considerada um dos principais rankings universitários internacionais.

No ano passado, a USP estava no grupo 201-250. “Com grande satisfação recebemos o resultado do ranking THE World University que, mais uma vez, destaca a liderança da USP entre as universidades ibero-americanas e a posição entre as 141 melhores instituições de ensino superior do mundo. O desempenho da USP é resultado do trabalho coletivo de excelência de seus estudantes, servidores e docentes. Nossa comunidade está de parabéns”, avalia o reitor Aluísio Segurado.

“A USP vem trabalhando de forma sistemática para aprimorar a qualidade, a consistência e a completude dos dados institucionais reportados. Um exemplo é o esforço para qualificar as informações sobre os recursos captados para pesquisa, ampliando a interlocução com as fundações de apoio conveniadas à Universidade e o registro dos provenientes das principais agências de fomento. Mais do que buscar melhores posições recursos nos rankings, nosso trabalho é garantir que a dimensão, a qualidade e o impacto das atividades desenvolvidas pela USP estejam presentes, destacando pelos dados que”, destaca a coordenadora do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida), Renata Eloah de Lucena Ferretti-Rebustini.

A avaliação levou em conta 18 indicadores, agrupados em cinco eixos: Ensino, Ambiente de Pesquisa, Qualidade da Pesquisa, Indústria e Internacionalização. Mais informações sobre o ranking podem ser obtidas na página do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP.

Fonte: Jornal da USP

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sábado, 3 de outubro de 2026

MOMENTO SUPER IMPORTANTE

 

É super importante que as pessoas se informem sobre nossos candidatos e se aproximem da discussão política porque nosso voto é nosso grande poder como cidadão.

Por Amélia Janta, escritora

Ao contrário do mito de que a emancipação do país foi um processo pacífico resolvido apenas com o "Grito do Ipiranga", o Brasil enfrentou uma violenta Guerra de Independência contra as tropas leais a Portugal. Embora as estimativas variem entre os historiadores, calcula-se que o conflito tenha deixado muitos brasileiros mortos diretos em combate, chegando a projeções de até 20.000 mortos. Em resumo, muitos brasileiros morreram defendendo nosso país, para chegarmos à nossa independência. Não é justo que, agora, apareça um qualquer sem história e entregue nossas terras. Ao ir votar, pense nisso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O tudo ou nada!

 Gazeta da Torre

Na reta final, os candidatos adotam ataques mais diretos contra os adversários e alguns tentam resgatar desesperadamente o voto do eleitor.

À medida que o dia da votação se aproxima, o foco da campanha muda de “apresentar propostas” para “conquistar quem ainda não se decidiu”. O tom emocional ou dramático serve como um forte apelo para mobilizar o eleitorado que demonstra apatia ou distanciamento da política. Além disso, ativa-se a estratégia do voto útil, na qual os candidatos tentam convencer o eleitor a não “desperdiçar” o voto em concorrentes com menos chances.

Charge do cartunista e ilustrador Duke

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Em publicação no X, jurista aponta partido que abriga réus, foragidos, corruptos e golpistas

 Gazeta da Torre

Jurista Marcelo Uchôa

O jurista Marcelo Uchôa denunciou nas redes sociais que o Partido Liberal (PL) vem atuando como um instrumento político da extrema-direita para desestabilizar o sistema democrático brasileiro, ao mesmo tempo em que protege integrantes envolvidos em crimes graves contra o Estado de Direito.

Em publicação no X (antigo Twitter), Uchôa foi enfático: “O grupo de malfeitores que governou o Brasil e tentou um golpe difundiu bem a falsa narrativa de que está sendo perseguida por uma ditadura. Abriu a porta para que cada picareta fuja do país com o consentimento de parte da população. De fora, articulará o revés. A realidade requer atenção dobrada!”

Segundo o jurista, o PL deveria ter seu registro cassado desde que apresentou pedido de anulação do segundo turno da eleição presidencial de 2022 — sem questionar os resultados dos governadores eleitos nas mesmas urnas eletrônicas. “A democracia perdeu uma oportunidade histórica ao não exigir mais consequências dessa farsa institucional”, criticou.

A crítica de Marcelo Uchôa deixa claro que o PL não é apenas um abrigo para figuras controversas, mas um instrumento de ataque ao Estado Democrático de Direito, tentando normalizar práticas antirrepublicanas por meio do discurso da vitimização.

Como conclui o jurista, “os partidos que se utilizam da estrutura democrática para solapar a própria democracia precisam ser responsabilizados. Do contrário, a história se repetirá — como farsa e como tragédia.”

*Marcelo Ribeiro Uchôa, advogado, jurista e professor brasileiro, com atuação destacada em direitos humanos, direito constitucional e defesa da democracia. Doutorado em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Pós-doutorado em Direitos Humanos na Universidade de Salamanca, na Espanha.

Fonte: 082Notícias

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Dia da Pessoa Idosa - Envelhecer é ganhar histórias, experiências, memórias e novos capítulos para viver

 Gazeta da Torre

Hoje, 1º de outubro, é dia de reforçar o respeito, amor e carinho de quem continua vivendo de muitos jeitos: praticando esporte, cuidando da família, aprendendo coisas novas, trabalhando, viajando, descansando ou simplesmente aproveitando a vida no seu próprio ritmo.

É dia de lembrar daqueles que merecem ser cuidados com paciência, pois um dia foram eles que cuidaram de nós.

No vídeo, Anastácia, a Rainha do Forró, manda seu recado direto de sua página do Instagram. Como muitas pesquisas apontam que as políticas públicas voltadas para a população idosa são negligenciadas e não figuram como prioridades nos planos de governo dos candidatos, muitos idosos fazem questão de ir às urnas exercer sua cidadania e continuar participando do processo político.

O exercício da cidadania mostra ao idoso e aos candidatos que sua opinião ainda importa e que ele continua ativo na sociedade.

Para o idoso, reafirma o seu valor próprio, mostrando que envelhecer não significa perder a voz ou o papel de cidadão. Votar, debater e opinar mantém o idoso conectado e relevante para o futuro do país.

Para os candidatos e governantes, serve como um lembrete de que a população idosa é expressiva, consciente e tem demandas que precisam ser ouvidas e incluídas nos planos de governo.

Fontes: Agência Brasil; Jornal da USP;

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sábado, 19 de setembro de 2026

Muitos políticos utilizam os conceitos de "família" e "pátria"

Ferramentas de marketing político e retórico estratégico, independentemente de suas convicções pessoais.

Família e Pátria são conceitos que a maioria das pessoas associa a afeto, proteção, segurança e identidade. Ao se alinhar a esses valores, o político tenta transferir automaticamente esses sentimentos positivos para a sua própria imagem, simplificando a comunicação com o eleitorado.

O uso desses termos serve para criar uma identidade de grupo ("os defensores dos valores tradicionais"). Muitas vezes, uma retórica serve para sugerir que os adversários políticos são "contra a família" ou "traidores da pátria", deslegitimando a oposição sem a necessidade de debater propostas complexas.

Na ciência política, o comportamento privado de um indivíduo frequentemente difere de sua pessoa pública. O discurso serve para obter poder, enquanto as ações legislativas ou pessoais não podem refletir a defesa real de políticas públicas de apoio às famílias ou ao desenvolvimento soberano do país.

Enquanto isto, fica o desafio do arrependimento das lideranças religiosas que credenciaram tamanha iniquidade e de reconstrução da trajetória cristã, extremamente comprometida no seu testemunho perante a sociedade brasileira.

Afinal, estas lideranças não devem se esquecer do contexto no qual a fala de Jesus, contida no texto de Lucas 12.2, escolhido para o título da operação da PF, se dá. Como diz o Evangelho, no versículo anterior (12.1): “Ajuntando-se, entretanto, muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, [Jesus] começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a HIPOCRISIA”

Fontes:  Magali Cunha, Jornalista e doutora em Ciências da Comunicação

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Em tempos de eleições: agências de checagem não são suficientes para conter o distúrbio informacional

 Gazeta da Torre

As agências de checagem de fatos desempenham um papel essencial no combate à desinformação, promovendo uma cultura de verificação que deveria ser adotada por todos. É crucial ressaltar que a apuração rigorosa e a incessante checagem de fatos são responsabilidades inatas do jornalista. No entanto, o pensamento crítico, essencial para lidar com o atual ambiente informacional, é adquirido ao longo da carreira e com a vivência pessoal. O uso acelerado de robôs (bots) nas redes sociais e aplicativos de mensageria instantânea, especialmente para disseminar mensagens falsas, discursos de ódio e teorias da conspiração, é uma preocupação constante entre os estudiosos da comunicação.

A circunstância do tempo de atenção dos internautas revelou-se tão significativa que se pode afirmar que essa aceleração está gerando um novo “sensorium“, uma forma superficial e apressada de consumir material digital. Esse comportamento, cada vez mais comum, tende a se espalhar amplamente, contaminando o modo como todos interagem em rede. Este é o ponto nevrálgico de preocupação para o jornalismo, que busca atrair e manter a audiência para cumprir seu propósito maior: fornecer informações de interesse público com a ética que lhe é inerente.

Ademais, é necessário redobrar a checagem de informações provenientes de fontes não profissionais, que muitas vezes carecem de responsabilidade ética ao compartilhar conteúdo. É fundamental combater o “efeito manada” que leva à disseminação indiscriminada da turbulência da informação. Para que um fato se torne notícia, ele precisa ser verdadeiro, respeitando a prioridade ética do jornalismo: a busca pela “verdade factual”, expressão cunhada por Hannah Arendt (1906-1975) em seu ensaio Verdade e Política, publicado na revista New Yorker em 1967. Dominique Wolton destaca a importância do jornalista em distinguir a expressão pessoal da informação factual nas redes sociais, ressaltando que a internet exige um trabalho contínuo de verificação para garantir a qualidade das informações compartilhadas.

Por Magaly Prado, professora convidada do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

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Setembro Lilás: doença de Alzheimer o diagnóstico importa

 

Setembro é um mês marcado pela campanha de conscientização da doença de Alzheimer e outras demências. No Brasil, essa mobilização é frequentemente conhecida como Setembro Lilás e acompanha o World Alzheimer’s Month (Mês Mundial da doença de Alzheimer), campanha internacional coordenada pela Alzheimer’s Disease International (ADI). Todos os anos, pessoas, organizações e instituições de diferentes países se mobilizam para ampliar o conhecimento sobre as demências e enfrentar o estigma que ainda acompanha essas condições (ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2026a).

O principal marco do mês acontece no dia 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de Alzheimer. A data foi criada em 1994, durante a abertura da conferência anual da ADI, realizada em Edimburgo, na Escócia. O dia foi escolhido em comemoração aos dez anos da organização e marcou o lançamento do primeiro World Alzheimer’s Day, realizado pela ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL (ADI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o passar dos anos, a mobilização ganhou espaço para além de um único dia. Em 2010, foi realizada uma campanha-piloto envolvendo 12 países e, em 2011, teve início o Mês Mundial do Alzheimer. Desde então, setembro se tornou um período importante para ações de informações, diálogos e mobilizações sociais em torno das demências.

 No Brasil, o dia 21 de setembro também é reconhecido como Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, instituído pela Lei nº 11.736/2008 e com iniciativas lideradas pela Federação Brasileira das Associações de Alzheimer. A lei estabelece que a data tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados dispensados às pessoas que receberam o diagnóstico. Embora a terminologia utilizada na lei reflita o período em que foi publicada, sua mensagem continua atual: o cuidado não se restringe à pessoa que recebe o diagnóstico, mas envolve também sua família, a sua rede de apoio e a sociedade.

De acordo com a OMS (2026), as demências estão entre os grandes desafios contemporâneos para a saúde e o cuidado. Em 2021, cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo, e aproximadamente 10 milhões de novos casos surgem a cada ano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum e corresponde a aproximadamente 60% a 70% dos casos.

Por trás desses números, no entanto, existem pessoas e famílias que precisam lidar com mudanças que nem sempre são facilmente reconhecidas ou compreendidas. A própria OMS destaca que, apesar de a idade ser o principal fator de risco conhecido, a demência não é parte do envelhecimento normal. Essa diferença é importante. Nem todo esquecimento significa doença, e algumas mudanças cognitivas podem ocorrer ao longo do envelhecimento. Porém, quando dificuldades de memória, linguagem, orientação, raciocínio ou realização de atividades habituais se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, é importante buscar uma avaliação adequada.

Ainda assim, o desconhecimento não é a única barreira. O diagnóstico de uma demência continua cercado por medo e preconceito. Muitas vezes, a pessoa passa a ser vista apenas a partir das perdas cognitivas, da dependência ou das dificuldades que podem surgir ao longo da progressão da doença. Estudos mostram que a forma como a demência é apresentada e discutida publicamente influencia as atitudes em relação às pessoas que vivem com essa condição. Uma comunicação baseada apenas em incapacidade e declínio pode reforçar emoções negativas e estereótipos. Por outro lado, abordagens que apresentam a pessoa para além do diagnóstico podem contribuir para atitudes mais positivas e menos estigmatizantes.

O estigma também continua presente nos espaços em que hoje buscamos informação. Ao analisar publicações feitas nas redes sociais durante o Mês Mundial do Alzheimer, Bacsu et al. (2025) identificaram estereótipos, crenças equivocadas e desinformação relacionados às demências. Para os autores, ampliar a educação sobre o tema é fundamental para enfrentar essas representações e melhorar a maneira como a sociedade percebe as pessoas que vivem com demência. Uma das principais mensagens do Setembro Lilás é que informação pode abrir caminhos para o cuidado. Reconhecer alterações cognitivas e procurar uma avaliação profissional permite investigar suas causas e compreender o que está acontecendo.

Quando há um diagnóstico de demência, isso não significa que “não há mais nada a fazer”. Existem possibilidades de tratamento e acompanhamento, intervenções farmacológicas e não farmacológicas, estimulação e reabilitação, orientação às famílias, adaptações na rotina e diferentes formas de suporte à pessoa que vive com a doença e a quem participa de seu cuidado. Em 2026, essa discussão está no centro da campanha mundial da ADI, que traz como tema “The Earlier You Know, The More You Can Do: A Dementia Diagnosis Matters” — em tradução livre, “Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico de demência importa” ou simplesmente: Alzheimer o diagnóstico importa.

A mensagem chama a atenção para um problema ainda presente em diferentes países: o medo, os estigmas e a falta de informações podem atrasar a procura por ajuda. Conhecer o diagnóstico, quando ele está presente, pode permitir acesso a tratamentos, cuidados e suporte, além de favorecer o planejamento e a participação da própria pessoa nas decisões relacionadas ao seu futuro.

Também não é possível falar de doença de Alzheimer sem olhar para quem está ao lado. Familiares e cuidadores frequentemente assumem novas responsabilidades ao longo da progressão da doença e precisam, eles próprios, de informações, orientações e suporte. O cuidado, portanto, precisa incluir não apenas quem recebe o diagnóstico, mas também as pessoas que compartilham essa trajetória.

Por isso, a conscientização proposta na campanha liderada pela FEBRAz no Setembro Lilás vai além de conhecer o nome da doença ou lembrar uma data no calendário. Ela envolve reconhecer sinais, buscar informação de qualidade, enfrentar preconceitos, favorecer o acesso ao diagnóstico e ao cuidado e, principalmente, não deixar que a doença apague a pessoa que existe para além dela. Falar sobre doença de Alzheimer é também falar sobre como queremos envelhecer e cuidar. Quanto mais informações circulam de forma responsável, maiores serão as possibilidades de construir uma sociedade preparada para conviver com as demências com mais conhecimento, respeito e acolhimento. Por isso o Supera  integra esta campanha com o evento Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro-2026.

Um evento realizado em parceria com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) com especialistas das diferentes áreas, que trarão informações sobre prevenção, diagnóstico, tratamento, direitos e políticas públicas da doença de Alzheimer. Um evento gratuito, que acontecerá no contexto presencial e no formato remoto no canal do método Supera, @metodosupera, com emissão de certificado de participação.

Link para as inscrições: 

cadastro.metodosupera.com.br/lp-2026-despertando-a-sociedade

Assinam este texto, as gerontólogas:

Djessica Hilton Peixoto 

Kauane Macedo Barbosa 

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva

Para reflexão:

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. “Clarice Lispector”

Você sabia que:

Por mais surpreendente que possa parecer, o cérebro é responsável por mais conexões do que o número de estrelas da Via Láctea.

Resposta do desafio de Agosto

Numa sala há quatro cantos, em cada canto há um gato, cada gato vê três gatos. Quantos gatos estão na sala?

Resposta: Estão na sala 4 gatos.

Desafio de Setembro:

O que os números 2,10,12,16,18 e 19, têm em comum?

Resposta na próxima edição

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)