segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Será que usamos apenas 10% do nosso cérebro? A neurociência responde

 Gazeta da Torre

Mito ou verdade? O guia definitivo para entender o funcionamento do seu órgão mais importante

Você certamente já ouviu falar que usamos “apenas” 10% do nosso cérebro. Seria verdade? Como medir essa porcentagem? Uma pessoa mais inteligente usaria mais o cérebro? Como usar mais o cérebro e ser mais inteligente?

Para responder todas essas perguntas, Lívia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginástica para o Cérebro, preparou um guia definitivo do seu cérebro, acompanhe:

Mito ou verdade?

Segundo a neurocientista, esse, é, sem dúvidas, um dos mitos mais absurdos já criados! O cérebro é um órgão ativo que fica ligado o tempo todo enquanto estivermos vivos. A cada instante, várias áreas do cérebro estão interagindo por meio das mudanças eletroquímicas que caracterizam os impulsos nervosos. “Porém, essas muitas áreas não são ativadas por impulsos ao mesmo tempo. Podemos usar como exemplo uma reunião entre pessoas: para que todos entendam o que está acontecendo e tomem uma decisão, as falas devem ser organizadas uma de cada vez. Imagine se todos começarem a falar juntos, qual será o resultado da reunião? O cérebro funciona em uma constante dança combinada entre áreas em atividade e em repouso”, detalhou.

Para ter uma noção de quanto cada milímetro do cérebro é importante, é só observar a quantidade de problemas que uma pessoa pode ter caso haja uma lesão no tecido cerebral, por menor que seja!

Todo mundo usa 100%

A conexão entre órgão e corpo e entre cérebro e mente é foco de muitas interpretações e pode trazer alguns erros de abordagem. A questão sobre utilizarmos nosso cérebro o tempo todo ou não é uma dessas dúvidas. O primeiro mito que precisamos quebrar é de que o funcionamento do cérebro está ligado ao nível de consciência. Apesar de ser natural fazer a associação de a diminuição da atividade mental consciente seria seguida de diminuição da atividade cerebral, não é assim que acontece! O fato é que em níveis de consciência diferentes (dormindo por exemplo) temos um outro estado de funcionamento, mas o cérebro continua trabalhando.

“Quanto a usar mais ou menos o cérebro, todo mundo utiliza 100% do seu cérebro o tempo todo. As diferenças estão em o quanto você desenvolve e melhora suas habilidades para que elas sejam mais eficientes”, explicou.

E quem tem QI mais elevado, como fica?

Ainda de acordo com Livia Ciacci, neurocientista do SUPERA – Ginastica para o cérebro, inteligência tem a ver com o processo cognitivo de receber estímulos, captar informações, processá-las e emitir respostas, ou seja, a inteligência está mais relacionada com usar recursos disponíveis para resolver problemas do que com decorar respostas certas.

As inteligências utilizam diferentes combinações das capacidades do cérebro para se adaptar ao ambiente, e essas capacidades terão variações entre as pessoas, pois cada um terá desenvolvido níveis diferentes de cada capacidade. As inteligências então são resultado de combinações de habilidades!

“Cada habilidade, como fazer cálculos mentais ou ter um pensamento criativo, pode ser treinada e desenvolvida, porque o cérebro tem a propriedade da plasticidade neuronal e vai desenvolver melhor as redes de neurônios que forem mais utilizadas. Se eu treino ser criativa (o), a tendência é que a cada dia seja mais fácil ser criativa”, disse.

Cérebro: use-o ou perca-o!

A neurocientista Marian Diamond, primeira a mostrar comprovações científicas da neuroplasticidade, disse certa vez: “Cérebro: use-o ou perca-o”. Isso significa, em linhas gerais, que o cérebro é um órgão que se adapta aos estímulos e, desta forma, o único jeito de usar melhor este órgão é usando-o cada vez mais. “É importante lembrar que tudo o que fazemos com intensidade e frequência tem o poder de melhorar as conexões neurais e tornar o cérebro especialista na tarefa”, alertou a autora.

Dá pra ficar mais inteligente? 

Agora você já sabe que, quando se trata de cérebro, o único jeito de fazê-lo funcionar melhor é estimulando e isso pode ser feito de uma forma aplicada em diversas situações: procure dar ao seu cérebro estímulos que envolvem novidade, variedade e grau de desafio crescente com a prática de ginástica para o cérebro e outros recursos que proporcionem uma atividade constante e desafiadora para a mente. Você pode estudar mais, se aperfeiçoar em algo no seu trabalho ou aprender um hobby novo: existem diversas possibilidades para manter o seu cérebro ativo e, consequentemente, mais inteligente.

Para reflexão:

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando: porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Sarah Westphal

Você sabia:

O que é ÁBACO?

O Ábaco é um antigo instrumento de cálculo, que segundo muitos historiadores foi inventado na Mesopotâmia, pelo menos na sua forma primitiva e depois os chineses e romanos o aperfeiçoaram. Outros creem  que teve sua origem na China e Japão há mais de 2.500 anos.

Benefícios de usar o Ábaco para alunos SUPERA.

O Ábaco desenvolve habilidades como: Atenção, Concentração, Memória, Raciocínio Lógico, Agilidade de Raciocínio, Coordenação Motora, Disciplina, Perseverança e Autoestima.

Resposta do desafio de Janeiro:

O que passa por dentro da casa, mas fica do lado de fora?

Resposta: BOTÃO

Desafio de Fevereiro:

Quem escuta tudo mas não fala com ninguém?

Resposta na próxima edição.

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 3236-2907

Unidade Boa Viagem

Telefone: (81) 30331695

Você pode pagar menos na conta do celular

 Gazeta da Torre


Certamente, você reconhece que o Brasil é um país evoluído para algumas coisas, mas bem atrasado em outras. É modelo no formato da tecnologia das eleições na concepção de votação e apuração, estando muito à frente de vários países de primeiro mundo, mas se, falarmos em telefonia móvel, em relação ao 5G e ao ritmo lento para despontarmos como fornecedores dessa tecnologia, no momento não passa de um sonho distante. Assim como nas formas de cobrança, serviço e tudo o que pagamos em relação à telefonia celular, a verdade é que nosso cenário não é dos melhores.

Quem tem mais de 30 anos, certamente, já se deparou com alguma dessas situações: ouvir o celular tocar e, antes de atender, desligarem, receber uma chamada a cobrar, uma mensagem pedindo que retorne ou que o crédito acabou e pedindo para ligar de volta. Sim, são meios de quem está do outro lado pode ter encontrado para poupar, mas não são nada amigáveis. De modo geral, isso é coisa do passado, pois ligação já não tem um custo alto no plano da maioria das pessoas, o que tem peso de ouro hoje é o acesso ao pacote de dados, internet. Algo que pode ser bem equilibrado e utilizado, sobretudo por aquelas pessoas que passam maior parte do tempo em ambientes com Wi-Fi, não é mesmo?

No Brasil, é recente o perfil em que os usuários de muitos países já vivem há mais de uma década, sem ter restrições em relação a ligar para uma operadora ou estado diferente, roaming e mais pontos que por muito tempo custavam bem caro por aqui, e ainda hoje, surpreende uma ou outra pessoa que viajou e se assustou com o valor da conta.

Por isso, trago aqui alguns pontos essenciais para que você tenha uma conta mais enxuta, adequada e que caiba no seu bolso sem maiores problemas e privações de uso, pois acredite, frequentemente ainda vejo pessoas com a conta mais cara, sendo que a maioria delas não precisaria pagar mais caro, por isso vale observar ponto a ponto.

1) Identifique o seu perfil de consumo

Para se assegurar de que isso está bem, você pode puxar as últimas três contas e se certificar da média de consumo do pacote de dados que você tem, observando esse consumo em gigas utilizados por mês (faça uma média). Vi muitos casos de pessoas que tem mais gigas contratados do que a média que consome. Fique de olho nisso, pois é como se você pedisse uma pizza de 10 fatias e comesse apenas cinco ou seis, e repetisse isso todo mês, faz sentido? E, claro, observe também se você tem um plano contratado com uma quantidade abaixo da sua média de consumo, o que pode te trazer um custo adicional alto frequente por estourar o pacote de dados, por exemplo, e ter que contratar todo mês um adicional. Por fim, se você viaja com frequência, observe como isso pode impactar a sua despesa e adeque o serviço a sua real necessidade, ao seu perfil de usuário.

2) Escolha o pacote mais adequado ao seu perfil, pesquise bem

Com base no seu perfil, você saberá a sua demanda por dados, isto é, a média de gigas de internet que você consome por mês. Hoje em dia, minutos é dor de cabeça para poucos, pois os planos, de modo geral, têm minutagem livre. Se você tem um plano antigo observe isso, pois pode estar te custando mais. De acordo com isso, você tem uma base para identificar o pacote médio ideal para você, fale com a pessoa de sua operadora, apresentando o seu perfil de consumo e questionando sobre a oferta deles que melhor se encaixa com isso.

3) Operadoras e Promoções

Com base no seu perfil e no pacote que te atende, levante informações, vá a duas ou três operadoras e veja o pacote mais perto das suas necessidades, do que se viu no item 2 acima, em relação ao que é mais adequado para o seu perfil em termos de consumo. E você pode comparar com o plano de outras operadoras, claro. Analise a qualidade do serviço dela na sua região e avance.

Não se apegue a uma determinada operadora, seja coerente com sua necessidade e o melhor custo-benefício encontrado. De tempos em tempos, veja se vale mudar ou não de operadora, sempre de olho nas promoções que são constantes. Porém, se for mudar, procure saber antes se não tem algum contrato de fidelidade vigente na atual, alguma multa em questão.

4) Plano Controle

Alternativa interessante para quem não quer ter surpresas ou costuma receber contas sempre acima do valor médio do pacote contratado e que por outro lado não quer utilizar o pré-pago. Neste tipo de plano, você tem um pacote pré-contratado que, quando consumido em sua totalidade (mensal), para seguir usando é necessário adicionar um valor extra de crédito. A vantagem, reforço, é que você não tem surpresas na conta.

5) Pré-pago

Boa opção para quem não faz muitas ligações, para quem recebe mais, usa a internet através do Wi-Fi e de forma mais básica, sem baixar vídeos ou músicas com frequência. Se uma ou duas recargas de baixo valor no mês te atendem, e tens o perfil de usuário deste item, vale analisar e considerar esta opção. Mas se você, hoje, tem o pré-pago e faz várias recargas por mês, perde tempo com isso, provavelmente, seria beneficiado com o Plano Controle, por exemplo. Cuidado para não estar se iludindo com o pré-pago e gastando mais do que muita gente que tem conta.

6) Plano família ou empresarial

De acordo com o seu perfil, família, empresa e de usuário conforme explorado acima, um desses planos pode se encaixar muito bem, sendo bem vantajoso, vale considerar. Pesquise, veja as opções oferecidas pelas operadoras, negocie, existe essa possibilidade, mas muita gente só escuta e não tenta articular, negociar.

7) Ter chip de várias operadoras não te ajuda a economizar

Isso é coisa do passado, em termos de consumo e economia. Algumas pessoas ainda têm isso devido à qualidade do serviço oferecida em diferentes lugares, mas se a ideia é economizar, muita atenção. Além de que não é nada prático.

8) Use e abuse das redes Wi-Fi

Procure ter o acesso automático à rede Wi-Fi dos lugares que você vai com frequência, pois, estando nelas, você consegue uma boa economia no seu pacote de dados. Se quiser ter certeza que mesmo estando no ambiente Wi-Fi seus dados não estão sendo consumidos, desligue o uso de dados.

9) Ao viajar para fora do país, lembre...

Ao realizar viagens internacionais, ligue antes para sua operadora e verifique quais serviços ela oferece para você durante este período. Muitas operadoras já têm pacotes ou serviços muito atrativos, que te permitem usar o celular de forma prática, similar ao dia a dia aqui e sem pesar muito no bolso.

E se você recebe a conta mensal, não esqueça de verificar sempre o que está sendo cobrado, além de poder observar se o seu perfil de consumo mudou, não é difícil encontrar cobranças indevidas, lançadas de forma equivocada ou misteriosa. Não custa nada cuidar do que é seu e entender bem o que está sendo cobrado!

Abraço e até a próxima!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

MODA - VERÃO CHIQUE: COMO FICAR ELEGANTE NO CALOR!

 Gazeta da Torre

imagem: Moda 20

Roupas leves e confortáveis são indispensáveis para temporada de calor. Como transpiramos mais, os tecidos precisam absorver a umidade e deixar a pele respirar sob as fibras. Boas opçôes não faltam! Basta escolher a que mais combina com seu estilo: Linho, Algodão,Viscose, e Seda estão entre os melhores tecidos.Com eles vocês vão conseguir montar looks frescos, versáteis e super atuais. Para não ter dúvidas na hora de escolher suas peças, a nossa Consultora de Imagem e Estilo Fatima Fradique listou alguns looks de tecidos leves e fresquinhos para vocês arrasarem no calorão.Vale apena conferir!

1. LOOK: VESTIDO MIDI - VERY PERI

imagem: Lvly Store

O vestido midi Very Peri - Tonalidade Roxa, a cor escolhida pela Pantone para 2022, tem como destaque,minis poás, elástico na cintura para mais conforto,forro em malha e barra com recortes e lateral curta. A saia tem bastante movimento, e a blusa tem elástico no busto com decote reto, alças de amarracao. Vai bem para festas de aniversário e encontro com as amigas.

2. LOOK: SAIA WRAP DRESS - COLOR BLOCK.

imagem: Pinterest

As saias são fresquinhas e charmosas. Na vibração da feminilidade, essa peça do guarda-roupa da mulher tem cada vez mais estilo. O look aqui mostrado é uma linda saia wrap dress - também conhecida como transpassada ou envelope, que  tem como destaque o color block com tons suaves e detalhes na modelagem. Essa saia ganha originalidade e lugar de destaque na moda, principalmente no verão. Ponto para essa peça de ontem, hoje e sempre...

3. LOOK: VESTIDO EM LINHO LISTRADO - PLUS SIZE

imagem: Madame Ninna Plus

O linho é derivado de uma fibra natural, fresco de aparência rústica e altamente absorvente. É um tecido particularmente confortável e indicado para usar em clima quente. O look aqui mostrado é um vestido maravilhoso em linho com estampa de listras em  cores suaveis, modelo regata com alças largas, decote V, botões  frontais e comprimento até o joelho com amarração na cintura, dando um formato bonito e feminino à silhueta. Eis aí um vestido super charmoso. Ideal para o clima de verão!

4. LOOK: MACACÃO - ESTAMPADO.

imagem: Pinterest

Macacão, peça única que toda mulher deveria ter no seu guarda-roupa ou closet. O look aqui mostrado é um lindo macacão estampado,  tecido plano de algoão, poliester e elastano. Possui recortes com anatomia no busto, ziper invisível, cós amplo e bolsos nas laterais. Com ele você  vai do trabalho ao lazer com charme e muito estilo. Vale apena investir!

5. LOOK: CALÇA DE CINTURA ALTA

imagem: Pinterest

A calça de cintura alta se tornou popular por se adptar perfeitamente em biótipos diferentes. Ou seja, veste PP ao GG essa modelagem ganhou força nos anos 70.  Peça  curinga e  fundamnetal no guarda-roupa da mulher que prioriza conforto elegância. Essa composição de blusa estampada e decote  profundo formou um duelo perfeito  para os dias de calor. 

Dica da Especialista: Siga os looks que mais valorizam o seu corpo e o seu jeito de ser. Afinal, de nada adianta usar uma tendência, se você não se sentir confortável com ela.

Desejo a todas e todos vocês muita saúde e paz. Até a proxima edição!

Facebook ( Fanpage ) Fatima Fradique

Instagram: https://www.instagram.com/fatima_fradiquecrc/?hl=en

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

ESG é a transformação para que as empresas continuem existindo no futuro

 Gazeta da Torre

André Carvalhal, escritor e consultor

As empresas da atualidade precisam passar por uma transformação da qual não podem se esquivar se quiserem continuar existindo no futuro. De acordo com André Carvalhal, escritor, consultor em marketing e designer para sustentabilidade, o cuidado com o meio ambiente, as ações sociais e a aderência a condutas exemplares de governança – práticas condensadas na sigla ESG – se tornaram questão de sobrevivência no mundo empresarial.

Em entrevista a plataforma UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Carvalhal afirma que a pauta ESG está avançando, principalmente no âmbito das grandes empresas, por causa do quesito financeiro.

 “Hoje, a Bolsa valoriza este tipo de negócio, e o mercado financeiro está cada vez mais atento a isso. E eu sou procurado por empresas que me falam isso declaradamente: ‘O meu acionista espera que eu implante políticas de sustentabilidade’”, conta o escritor, autor de quatro livros nas áreas de Moda, Comportamento e Sustentabilidade.

De acordo com Carvalhal, as empresas perceberam que ações de preservação ambiental, inclusão social e de governança se tornaram um pilar fundamental para a perpetuação dos negócios.

“A primeira onda do discurso de sustentabilidade era muito sobre preservar os golfinhos, as tartarugas. Depois, preservar as pessoas, os seres humanos. Agora, o discurso é sobre preservar as empresas, dar sustentabilidade a elas”, diz o consultor.

Na avaliação de Carvalhal, a motivação financeira por trás da pauta ESG não deve ser vista de forma negativa, pois, sem isso, dificilmente seriam envidados os mesmos esforços.

“Vejo que, quando bate no bolso, a vontade de transformar acaba ganhando mais fôlego”, diz. “Não acho que isso seja necessariamente ruim, porque se isso motivar mudanças verdadeiras, profundas e estruturais, que bom que existe uma motivação”, complementa.

De todo modo, Carvalhal, receoso de que ações ESG se tornem modismo, salienta que é preciso reconhecer e valorizar os negócios verdadeiramente comprometidos com o movimento, o qual é capaz de construir uma sociedade mais inclusiva e atenta ao modo como utiliza os recursos naturais.

“Adoraria que tivesse sido pelo amor, mas pelo menos estamos vendo as mudanças acontecerem. Agora, precisamos identificar a verdade destas transformações. O ruim é quando vira moda. No meio disso, vemos muito oportunismo e greenwashing [maquiagem verde]”, destaca o escritor.

Assista à entrevista na íntegra no Canal UM BRASIL!

Fonte: UM Brasil

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Uso de protetor solar é essencial mesmo em dias nublados

 Gazeta da Torre

As altas temperaturas do verão exigem atenção redobrada em relação aos cuidados com a pele, uma vez que a exposição desprotegida ao sol e raios ultravioletas é o principal fator de risco para o câncer no tecido. 

Para conscientizar a população, o Instituto do Câncer lançou a campanha digital #UseFiltroPelaPrevenção, disponível em sua conta no Instagram, na qual incentiva o uso frequente de protetor solar.

https://www.instagram.com/institutodocancersp/?hl=en

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, a professora Maria Del Pilar Estevez Diz, coordenadora da Oncologia Clínica e Diretora de Corpo Clínico do Instituto do Câncer (Icesp) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, alerta que tumores na pele não se limitam à camada superficial do tecido e podem atingir outros órgãos próximos. “O câncer não atinge apenas a área exposta”, diz a médica, que também indica os dois possíveis tipos de ocorrência da doença: “Há o não melanoma e o melanoma. O segundo é menos frequente, mas mais agressivo”, completa.

Uso deve ser cotidiano

Maria destaca que a exposição não ocorre apenas em momentos de lazer, como visitas à praia ou a parques, e a aplicação de filtro solar deve ser cotidiana: “A exposição pode ocorrer nos trajetos e também no trabalho, no caso de pessoas que trabalham no campo, nas ruas da cidade, em construções e outros”. Bonés, guarda-sóis e roupas que cubram grande parte da pele também são eficazes na proteção, já que estabelecem uma barreira mecânica contra os raios ultravioleta emitidos pelo sol. “Se a pessoa entrar na água ou transpirar muito, ela precisa reaplicar o filtro solar também”, conta.

A professora recomenda que a população esteja atenta à própria pele, e procure assistência médica ao detectar qualquer alteração incomum no tecido. “Se sua pele apresentar alguma pinta ou lesão que não cicatriza, descama, sangra, é maior do que seis milímetros, irregular, não tem coloração homogênea ou está crescendo é muito importante visitar um profissional de saúde para verificar se aquela é uma lesão simples, comum, ou um câncer, que precisa ser tratado rapidamente”, diz Maria. “Peça também para seus familiares ou amigos conferirem as áreas menos visíveis, como as costas”, finaliza a médica.

Fonte: Jornal da USP

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

No Brasil de ELEIÇÕES DIRETAS, inflação controlada é sucesso político

 Gazeta da Torre

O economista Heron do Carmo

Quando pensa-se vencida, ela ressurge das cinzas. A inflação foi um dos principais problemas econômicos do Brasil em 2021, situação que não é novidade para um país que, ao longo de sua história, enfrentou diversos períodos de alta contínua dos preços. Contudo, somente a partir da Nova República, quando a população passou a votar diretamente para presidente, o que era até então convivência cedeu lugar para medidas contundentes de combate à inflação, de acordo com Heron do Carmo, professor sênior da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e membro do Conselho de Economia Empresarial e Política (CEEP) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Em entrevista a plataforma UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Carmo, reconhecido como um dos maiores especialistas em inflação do País, diz que, historicamente, o Brasil se acostumou com índices inflacionários superiores à média mundial. No decorrer do século 20, inclusive, diversos governos optaram por mecanismos que permitiam conviver com a alta dos preços, em vez de freá-la.

“No Brasil, já no Império, havia uma inflação mais alta. Teve também, nas várias fases da República, uma inflação acima da [média] do resto do mundo. E, a partir da Segunda Guerra Mundial, vivemos um processo inflacionário com algumas pequenas interrupções”, resume o economista. “Acontece que, no Brasil, o objetivo da política econômica não era controlar a inflação, no sentido de reduzi-la. Era controlar no sentido de que não tivesse uma tendência persistente de alta muito rápida. Então, foram adotadas aqui políticas gradualistas”, acrescenta.

De acordo com Carmo, a manutenção do poder de compra da moeda ganha outros contornos quando a classe política percebe que é uma “questão importante do ponto de vista do eleitorado”. Deste modo, inflação controlada se tornou elemento fundamental para o sucesso da política econômica.

“O [então] futuro presidente Fernando Henrique Cardoso saiu de suplente do Senado e chegou aonde chegou [com o Plano Real]. O presidente [José] Sarney, que era desconhecido do eleitor, se consagrou na Assembleia Constituinte [de 1987]. O [Fernando] Collor acabou sendo eleito numa situação de inflação descontrolada. A reeleição do presidente Lula ocorreu como consequência não só do crescimento, mas de uma inflação baixa”, cita o economista. “Então, inflação e atividade econômica são fundamentais para o desempenho político”, pontua.

Em períodos de inflação alta, Carmo salienta que o mais importante é a perspectiva da trajetória do nível de preços. Sendo assim, “a política econômica tem de ser apertada para não permitir que se repita a dose no período seguinte”, do contrário, “entra-se num processo difícil de reverter”.

Além disso, o especialista reforça que o estrato mais pobre da população é o mais penalizado pela alta contínua dos preços.

“Ouso afirmar que uma parte da resistência da desigualdade na sociedade brasileira se deve também ao comportamento da inflação. O País cresceu muito durante um tempo, mas sem que aquilo se refletisse numa redução mais expressiva da desigualdade, em parte justamente devido ao fenômeno inflacionário”, destaca o economista.

*Entrevista na íntegra no Canal UM BRASIL (YouTube).

Fonte: UM Brasil

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Obesidade, inatividade física e consumo abusivo de álcool aumentaram em adultos

 Gazeta da Torre

A Nota Técnica “Doenças Crônicas e Seus Fatores de Risco e Proteção: Tendências Recentes no Vigitel”, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), constata que a inatividade física, a obesidade e o consumo abusivo de álcool aumentaram em 2020, ano de início da pandemia. Esses hábitos constituem fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como hipertensão e diabetes. A piora dos indicadores acontece justamente durante um “apagão” de dados da principal pesquisa que monitora as DCNTs no Brasil, o Vigitel.

Devido à pandemia de COVID-19, o Vigitel sofreu um atraso na divulgação dos resultados. A pesquisa realizada por telefone pelo Ministério da Saúde desde 2006 em todas as capitais terminará a coleta dos dados de 2021 apenas em fevereiro de 2022.

 “A Nota Técnica do IEPS visa a preencher essa lacuna, reportando tendências e os números mais recentes sobre a prevalência de DCNTs e seus fatores de risco e proteção, utilizando dados do Vigitel, entre 2006 e 2020”, afirmam os autores no documento.

A piora foi em todos os indicadores, exceto o percentual de fumantes, entre 2019 e 2020. O consumo abusivo de álcool entre os adultos de capitais aumentou de 18,8% para 20,9%, e a inatividade física, de 13,9% para 14,9%.

A obesidade entre adultos nas capitais brasileiras deu um salto em 14 anos, de 11,8%, em 2006, para 21,5% em 2020. A prevalência foi maior em Manaus (24,9%), Cuiabá (24,0%) e Rio de Janeiro (23,8%). No total, 16 capitais registraram patamares acima de 20% em 2020. A alta chama atenção, porque, até 2011, nenhuma capital tinha essa taxa acima de 20%.

Dados da Nota Técnica mostram também uma associação entre nível de escolaridade e diagnósticos de hipertensão arterial e diabetes mellitus, por exemplo. O percentual de hipertensos e diabéticos entre aqueles com até 8 anos de estudo é quase três vezes maior do que no grupo com 12 anos de estudo ou mais. Enquanto entre os menos escolarizados 44,7% foram diagnosticados com hipertensão arterial e 15,2% com diabetes mellitus, no grupo com maior escolaridade essas taxas foram de 15,2% e 4,4%, respectivamente.

 “Observamos um gradiente claro entre nível de escolaridade e prevalência de doenças e fatores de risco no ano de 2020, o que sugere uma relação entre saúde da população e determinantes sociais”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as DCNTs são responsáveis por 41 milhões de mortes por ano no mundo e correspondem por 71% de todos os óbitos. No Brasil, as mortes causadas por DCNTs aumentaram, de 60,4%, em 1990, para 75,9% em 2017. Os custos de tratamento e relativos à perda de produtividade para a saúde e a economia do país, segundo a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), são estimados em 72 bilhões de dólares.

Fonte: ASBRAN (Associação Brasileira de Nutrição

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Um Desafio Financeiro para as 52 semanas de 2022

 Gazeta da Torre

Um desafio que tem como objetivo criar ou fortalecer o hábito de poupar, disciplinar-se e terminar o ano que estamos com um valor que vai ajudar com algum objetivo, na compra de algo especial ou a reduzir o aperto diante de todas as despesas do fim de um e começo de outro ano, dar um plus na reserva de emergência, uma grana mais para as férias dos filhos ou netos. E na verdade, é um desafio que é possível começar o desafio durante boa parte do ano.

Observe que a ideia do desafio serve como referência e você pode usar a sua criatividade tomando como base o que temos nele, de maneira que faça o que achar mais adequado e desafiador, porém, possível de realizar!

É algo simples e bem prazeroso, que vale fazer em família, envolvendo todos que moram juntos, mas você pode ser o responsável por conduzir e fazer com que essa prática seja cumprida.

Consiste em guardar pequenas quantias para transformá-las em valores consistentes ao final do ano. A cada semana, deposita-se um determinado valor, por isso o nome do desafio: pois um ano regular tem 52 semanas.

Para isso, pode-se usar uma caixa de sapato ou até mesmo um envelope, fazendo um corte como o de um cofrinho e colando a tabela do desafio na caixa ou envelope, ou mesmo botar num investimento de uma conta que você não usa muito e que deixe esse valor isolado de fato, de forma que possa resgatar no fim do ano.

O desafio tem vários níveis e pode ser adaptado para qualquer realidade, com o objetivo de poupar a cada semana. Motive todos em casa a fazer o desafio também, estabelecendo o valor a guardar, fixo ou crescente, a fim de manter os aportes semanais.

O desafio, no nível básico, consiste em depositar R$ 1 a mais que na semana anterior. Por exemplo: 1ª semana = R$ 1, 2ª semana = R$ 2, 3ª semana = R$ 3, 4ª semana = R$ 4 e assim por diante. Dessa maneira, poupa-se e aumenta-se o valor gradativamente, o que contribui para não se perceber o peso do dinheiro poupado. Quanto mais se aproxima o fim do ano, maiores as contribuições semanais, que chegam a R$ 52 na 52ª semana do ano. Ao final de um ano, totaliza-se a economia de R$ 1.378.

A cada aporte feito, é marcado um “X” ou “OK” na linha correspondente ao valor/semana ou pode indicar a data em que o dinheiro foi colocado na caixa ou envelope. Vale escolher um dia fixo da semana para fazer os aportes, a fim de não se esquecer de guardar o valor, de repente já anota o lembrete na agenda ou no celular.

Caso seja do interesse, pode aumentar o grau do desafio, aplicando as regras do nível 2, que seria R$ 2 a mais cada semana (2, 4, 6, 8, 10...). O desafio tem vários níveis e oferece diferentes dinâmicas, possibilitando que se criem alternativas adequadas de poupar conforme a realidade de quem se propõe a realizá-lo. O ideal é utilizar o nível efetivamente dentro das condições de cada pessoa ou família.

É sempre importante reforçar que a disciplina é essencial para se chegar ao fim desse desafio e também, que é possível iniciá-lo em qualquer semana do ano, bastando, para isso, fazer o primeiro aporte maior, com o valor equivalente ao que estaria acumulado até então por quem tenha começado o desafio desde a primeira semana do ano.

E não se prenda a pensamentos como de que na caixinha não está rendendo nada, porque o objetivo do desafio é fortalecer ou criar o hábito de poupar, e não buscar rentabilidade.

Para salvar a tabela do desafio, ou mesmo assistir o vídeo explicativo sobre ele, você pode acessar  www.desafiodas52semanas.com.br

Segue firme na jornada e comece já o seu desafio, não deixe para depois, pois certamente esse será mais um ano que milhares e milhares de pessoas estarão cumprindo ele, e com isso tendo esse plus no final do ano, além, claro, do hábito de poupar recorrente.

 

Te desejo um ano de muita saúde, conquistas e realizações!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Moda, Consumo e Sustentabilidade: Uma relação paradoxal

 Gazeta da Torre

Uma das formas mais fáceis de entender a sustentabilidade é através do tripé social, econômico e ecológico. Mas não apenas por meio dele. Segundo o Relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum de 1988, poderia ser compreendido por meio de um tipo específico de desenvolvimento: aquele que satisfaz as necessidades dos presentes de forma a não comprometer, de forma alguma, as habilidades das gerações futuras de satisfazerem as suas.

Ou seja: podemos pensá-la de uma forma ou de outra, mas ainda sim o resultado seria igual: a moda (como a conhecemos hoje) promove de forma inegável sentidos antagônicos (e, diga-se de passagem, paradoxais) à sustentabilidade. E por mais que este alarme tenha sido disparado anos atrás, parece que nós como consumidores e a indústria como produtores, insistimos em não o ouvir.

Moda versus Consumo

Segundo uma pesquisa realizada pelo Taboo in Fashion, 30% das roupas produzidas nunca são vendidas. Ou seja, 3 em cada 10 peças de roupas não são compradas. E o pior? Enquanto 1 em cada 5 que consumimos são descartadas sem nunca terem sido usadas, 12,8 mil toneladas de peças são enviadas a aterros sanitários de forma anual (ShareCloth).

Nesse sentido fica muito claro dizer que cada vez mais, e a partir de supostas necessidades, compramos o que não precisamos e incentivamos a produção (incessante) de um amontoado de coisas sem valor. Por quê? Porque quanto mais consumidos mais a indústria produz. E consequentemente, quanto mais ela produz, mais compramos sem nem ao menos refletir sobre o que estamos de fato levando para casa.

E é nessa relação de produção e consumo, ambos respaldados pela valorização do culto ao novo, que a conta não fecha. Pelo contrário. Nos deixou (e há algum tempo) em uma dívida tremenda para com o Planeta. Culpa da moda? Sim, a culpa é dela, mas também de relações superficiais.

Sustentabilidade x Relações Superficiais

Quando compramos algo, majoritariamente estamos comprando com base em uma relação extremamente superficial: a do ter. Quando estamos focados em ter algo (ou no caso, uma peça de roupa) apenas pelo desejo incessante de o possuir, não analisamos, não pensamos e não ponderamos. Simplesmente compramos.

Seja impulsionado por descontos distópicos ou campanhas de marketing alusivas, a resposta sempre será a mesma. Compramos porque somos induzidos a comprar. E o que isso tem de sustentável? Absolutamente nada.

O motivo? Mais do que estar respaldada sob uma lógica produtiva que não faz nada bem para o meio ambiente, a moda hoje insiste em um sistema que não mais se sustenta. E isso no sentido literal da coisa toda. Enquanto não mudarmos a lógica insustentável que está por trás de todo o sistema da moda, jamais a tornaremos sustentável, ou minimamente benéfica a nós e ao Planeta. Por quê? Porque mais do produzir de maneiras ambientalmente corretas, faz-se necessário cada vez mais questionar se tal produção, e consequentemente consumo, é realmente, impreterivelmente, verdadeiramente necessária.

Por Erika Gottsfritz, Graduanda em Design de Moda, Co-fundadora e editora do projeto de comunicação de moda independente Trameiras.

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Desejo de pintar, dançar e cantar é parte evoluída da mente humana, aponta estudo

 Gazeta da Torre

Fotomontagem de Jornal da USP
com imagens de Freepik e Pixabay

Das pinturas rupestres aos espetáculos na Broadway, o fazer artístico acompanha a humanidade. Mas por que compartilhamos do desejo de pintar, dançar e cantar? Com o objetivo de explorar a estrutura psicológica da motivação artística humana, o pesquisador Marco Antonio Correa Varella, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, testou a hipótese de que o engajamento humano com as artes é resultado da evolução da espécie. Para isso, analisou respostas de vestibulandos para ingresso em cursos artísticos. A pesquisa mostrou que as motivações artísticas têm aspectos como especificidade, autorreforçamento e estabilidade — indicativos de uma característica evolutiva da nossa espécie —, ou seja, somos animais natural e evolutivamente artísticos. “O estudo vai ajudar a nos fazer levar as atividades artísticas a sério, como parte integral da natureza humana”, afirma o pesquisador.

Entre as características que sugerem o caratér evolutivo, está a especificidade, uma especialização, neste caso, algo voltado principalmente ao domínio artístico — e não mera curiosidade. Além dessa, há o autorreforçamento, que acontece quanto o que motiva a atividade é o próprio prazer intrínseco de realizá-la; e a estabilidade temporal, a relativa invariância ao longo dos anos, que não varia com as modas e tendências históricas recentes.

O artigo com os detalhes do estudo foi publicado na Frontiers in Psychology, em 21 de dezembro de 2021, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) por meio de bolsa de pós-doutorado no Departamento de Psicologia Experimental do IP da USP.

O material faz parte de um número especial de 2021 que celebra os 150 anos do livro publicado em 1871 A descendência do Homem e a Seleção em relação ao sexo, de autoria de Charles Darwin (1809-1882), no qual o naturalista inglês — um dos cientistas a reunir evidências das raízes evolutivas da musicalidade humana — ressalta a universalidade da mente, referindo-se aos prazeres que várias populações sentem dançando, engajando-se em música, atuando, pintando, se tatuando e se autodecorando.

A motivação para usar capacidades artísticas — aquelas voltadas às habilidades na produção e apreciação das artes — é alvo de estudos há muitas décadas. Contrariando as ideias evolutivas de Darwin, o psicólogo Steven Pinker, pesquisador da Universidade de Harvard, Estados Unidos, diz que se trata de uma característica recente, gerada pela busca por status e prestígio social. Varella explica que, desse ponto de vista não evolutivo, a motivação para as artes seria extrínseca, isto é, quando se realiza uma atividade para obter reforços externos, como trabalhar para ganhar salário e se divertir com compras. Para essa motivação ser evoluída, dentre outras características como universalidade e antiguidade, ela deve ser intrínseca (autorreforçamento), aquilo que se faz pelo próprio prazer em fazer, além de específica e relativamente estável ao longo da trajetória humana.

Para analisar as motivações, Marco Varella pesquisou o questionário socioeconômico do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), que pergunta aos vestibulandos sobre o motivo de escolha do curso de Artes (música, dança, artes cênicas, artes visuais e estudos literários). O artigo contém dois estudos: um com 403.832 pessoas (48,8% mulheres) e o segundo com 1.703.916 participantes (51% mulheres), de 1987 até 2020, intervalo amplo para avaliar a estabilidade temporal da tendência. “As perguntas tinham alternativas mais intrínsecas, como ‘gosto pessoal’, ‘aptidão pessoal’, ‘satisfação pessoal’, e alternativas mais extrínsecas, como ‘influência da mídia, do professor, da família’, ‘salário’, ‘contribuição social’ e ‘prestígio social’. Agreguei num fator motivação intrínseca e outro de motivação extrínseca o conjunto de respostas correspondente”, afirma o pesquisador.

Os dados (de até 35 cidades de até seis Estados diferentes do Brasil) foram comparados com alguns cursos de não humanas, como Odontologia, e com cursos de humanas não artísticos, como Pedagogia, para saber se há um padrão geral motivacional para todos os cursos ou se há especificidade artística.

De acordo com o pesquisador, no geral de todos os cursos, os inscritos reportaram de duas a seis vezes mais fatores intrínsecos do que extrínsecos; já no conjunto de cursos artísticos os vestibulandos reportaram de 10 a 28 vezes mais fatores intrínsecos do que extrínsecos, o que sugere um perfil mais intrínseco e específico daqueles prestando Artes. Os fatores intrínsecos se mantiveram constantes ao longo dos anos nos dois estudos para todos os grupos, mas no grupo dos cursos artísticos ficaram mais constantes ainda. 

“Os resultados dos dois estudos convergiram, não corroboraram a hipótese de Pinker e corroboraram a hipótese evolutiva, de que exista um sistema motivacional evoluído, que é intrínseco, específico e estável temporalmente, voltado para nos encorajar a usar nossas capacidades artísticas para nos engajarmos em atividades esteticamente orientadas”, completa.

Dizer que somos animais natural e evolutivamente artísticos significa, para o pesquisador, dizer que, assim como com a linguagem ou a brincadeira, é bem possível que tenhamos uma propensão evoluída para desenvolver, ao longo de nossa primeira infância, um sistema motivacional que nos leva a gostar de arte por si só, a nos interessar por ela e querer repetir atividades — bem como de desenvolver capacidades específicas que nos permitem perceber, aprender, acompanhar, nos engajar, produzir, imitar e criar atividades e produtos esteticamente trabalhados. “Seríamos naturalmente equipados para fácil e intuitivamente processar informações artísticas”, completa.

Mas isso não quer dizer que nascemos grandes artistas. De acordo com Marco, atividades mais modernas como andar de bicicleta, dirigir carro, ler, digitar ao computador ou resolver equações de segundo grau são muito mais difíceis de se aprender do que atividades mais ancestrais como, andar, cantar, falar e brincar, mas todas são, em certo grau, aprendidas. “Esta facilidade precoce para lidar com essas atividades mais ancestrais indica uma preparação cognitiva preexistente para aprender e gostar de se aprimorar em tais atividades”, afirma.

Quais as vantagens evolutivas da propensão artística universal?

De acordo com o pesquisador, a literatura científica indica que a artisticidade poderia ter melhorado o desenvolvimento da cognição em geral, a coordenação motora e a criatividade, através de brincadeiras ou simulação de situações possíveis —  o que pode ser uma vantagem, em termos de sobrevivência. A utilização de símbolos e ornamentações em mensagens pode também ser adaptativa, promovendo cooperação e coesão social, pelos rituais em grupo, o que também é uma vantagem para sobreviver. Além disso, os fazeres artísticos podem ter aumentado as oportunidades de acasalamento e desejabilidade de indivíduos, forma de manter e competir por parceiros, com efeito positivo direto na reprodução dos indivíduos da espécie. Esta última linha de pesquisa com foco na seleção sexual foi iniciada por Darwin há 151 anos.

“A contribuição deste estudo se alinha ainda com a universalidade da atividade artística, com a antiguidade paleolítica das pinturas e gravuras rupestres, com a precocidade do interesse a engajamento artístico nas crianças, com a herdabilidade da variação individual nas capacidades artísticas, com a convergência adaptativa de comportamentos esteticamente orientados em outras espécies, entre outras fontes de evidência, apontando para o status evoluído da nossa artisticalidade”, afirma o autor do estudo.

O autor ressalta que não sugere que a tendência artística seja fixa, imutável, geneticamente determinada, puramente instintiva ou que não exista espaço para o aprendizado, fatores extrínsecos ou para a cultura. Ele está propondo que a facilidade de aprendizado artístico, o gosto e interesse genuíno para atividades esteticamente orientadas e a desenvoltura e fluência cultural que exibimos para as variadas modalidades artísticas indicam – junto com sua universalidade, antiguidade, precocidade, herdabilidade e convergência adaptativa – a existência de uma maquinaria psicológica evoluída, uma cognição específica e ancestral voltada para o domínio artístico.

Fonte: Jornal da USP

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Países que adotaram medidas de segurança sanitária tiveram crescimento econômico maior na pandemia

 Gazeta da Torre

A crise sanitária iniciada em 2020 teve consequências expressivas para a economia, e tanto governos como bancos centrais adotaram medidas de proteção do mercado financeiro. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, Leonardo Puehler, graduando do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, comenta os resultados distintos das ações de 95 países para fornecer socorro monetário em meio à pandemia.

Puehler conta que tal análise se fundamentou em três componentes de enfrentamento à crise: cada país foi avaliado com base nas medidas financeiras, de contingenciamento e de liquidez que adotou. Medidas financeiras são aquelas promovidas pelos próprios governos para preservar a economia, como a distribuição de auxílios emergenciais, por exemplo. Medidas de contingenciamento buscam garantir a segurança sanitária, o que pode ser alcançado através de lockdowns e distanciamento social. Por fim, medidas de liquidez são promovidas pelos bancos centrais para garantir que exista dinheiro em circulação no país, de modo a movimentar a economia.

Importância da liquidez no desempenho econômico

Durante crises, “os bancos precisam de capital para operar, emprestar e fazer operações. Principalmente no caso do Brasil, todo mundo buscou segurança, o que estava na compra do dólar. A moeda fugiu do País. O papel do Banco Central, então, é garantir a liquidez necessária para continuar funcionando”, explica o graduando.

A partir da verificação de dados fornecidos pelo Fundo Monetário Internacional, Puehler revela que os Estados que aderiram às medidas mais drásticas de segurança sanitária tiveram um maior crescimento econômico em 2020, e cita, como exemplo, a Nova Zelândia e a Irlanda. Outros países atingiram um resultado similar com a adoção de medidas financeiras eficazes, como os Estados Unidos. “O Brasil ficou no meio do caminho: promoveu ações econômicas de grande impacto, mas não promoveu as de contingenciamento”, completa.

Além disso, países mais ricos e estáveis apresentaram resultados distintos de países em desenvolvimento: “O Chile, por exemplo, teve um desempenho melhor do que o Brasil, mesmo sendo uma economia muito próxima”, ilustra o entrevistado.

Por fim, Puehler expõe que o desempenho institucional dos bancos apresentou mudanças significativas na atual recessão. “Grandes crises anteriores, como as de 2008 e 1929, tiveram causas centradas na economia. Desta vez, a causa da crise foi sanitária, e suas consequências econômicas exigiram uma ação muito diferente dos bancos centrais”, diz. “Eles precisaram articular medidas de socorro em escalas menores, para negócios de tamanhos menores, com muita intensidade, e gastaram muito mais dinheiro do que haviam gastado em outros momentos de crise”, finaliza.

Fonte: Jornal da USP

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Covid: novo pico em casos pega profissionais de saúde esgotados e desamparados

 Gazeta da Torre

Profissionais de saúde esgotados (Crédito:EFE)

"O que temos escutado é que existe uma grande sensação de exaustão - de profissionais de saúde dizendo 'não é possível. Vou ter que tirar férias, não vou aguentar', ao verem as emergências cheias novamente", diz à BBC News Brasil o psiquiatra Helian Nunes, um dos idealizadores do projeto Telepan Saúde, que desde o início da pandemia oferece sessões de aconselhamento psicológico gratuito online a mais de 640 profissionais de saúde de todo o país.

Há cerca de 200 pacientes ainda sendo acompanhados pelo Telepan (uma parceria da Universidade Federal de Minas Gerais com a Associação Brasileira de Neuropsiquiatria), alguns deles com sintomas de estresse pós-traumático, explica Nunes.

"Ficamos surpresos, porque achávamos que, quando a situação melhorasse, iríamos zerar os atendimentos. Mas não foi o que aconteceu. Muitas pessoas seguem em atendimento até hoje, não pudemos dar alta. E quem vai ocupar o lugar delas nos hospitais?"

A percepção de Nunes corrobora o que pesquisadores da Escola de Administração de Empresas da FGV-SP escutaram de profissionais de saúde pública do país, em rodadas de entrevistas que têm sido conduzidas desde abril de 2020. A mais recente foi publicada em outubro de 2021.

"Nossa expectativa era de que os resultados seriam sempre melhores: que os profissionais iriam aprender (a lidar com a doença), que sentiriam menos medo, que as questões de saúde mental iriam se acomodar. E não é isso o que os dados mostram", explica à BBC News Brasil a pesquisadora Gabriela Lotta, professora de Administração Pública e Governo da FGV.

O medo dos profissionais de saúde entrevistados pela pesquisa - de técnicos de enfermagem a médicos - frente à covid-19 se manteve em patamares acima de 80% ao longo de todas as rodadas da pesquisa.

Também mais de 80% deles sentiram que sua saúde mental foi afetada negativamente pela pandemia, mas menos de um terço (30%) afirmou ter recebido algum tipo de apoio para lidar com isso.

'Esperança de normalidade que se perdeu'

"Eles estão lá em condições muito ruins de saúde física e mental, e com a sensação de falta de apoio de políticas públicas e uma esperança de normalidade que se perdeu", avalia Lotta. "Uma frase que apareceu em muitas respostas é: 'somos soldados largados na frente da batalha'. A sensação de solidão é muito forte."

E, embora tenha havido um aprendizado técnico importante sobre como prevenir, enfrentar e tratar o coronavírus, a sucessão de mutações do vírus e de novas ondas de covid-19 faz com que a sensação de despreparo frente a doença continue elevada, explica Lotta.

A enfermeira Alessandra Alencar Gadelha de Melo sente isso em seu dia a dia em dois hospitais (um público e um privado) em Salvador (BA), apesar de já acumular quase três décadas de experiência na profissão.

"É claro que a gente sabe lidar melhor com o paciente de covid-19 ou de síndrome respiratória aguda grave. E a vacinação (em altos níveis no país) também dá um conforto. Mas sempre vem uma apreensão e ansiedade diante das novas variantes do coronavírus", diz ela.

Melo também é presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia e recebe relatos diários de colegas queixando-se da rotina em prontos-socorros lotados com pacientes com sintomas de covid-19 e influenza. Ela notou, ao longo da pandemia, a deterioração da saúde física e mental dos enfermeiros de seu Estado.

Até 2020, as principais queixas recebidas no sindicato eram relacionadas a atrasos salariais, explica a enfermeira. "Agora, a maioria das reclamações é por questões de saúde mental, esgotamento mental e assédio moral, (por conta de) relações de trabalho muito desgastadas e precarizadas."

"Nós nos contaminamos muito e adoecemos muito - houve um escancaramento das fragilidades e da precariedade da profissão. Os enfermeiros precisam ter vários vínculos trabalhistas (empregos), e quase todos esses vínculos são precários."

Os mais vulneráveis

Enfermeiros, técnicos em enfermagem e agentes de saúde estão entre os profissionais mais vulneráveis nas circunstâncias atuais, avalia Gabriela Lotta.

Até porque esses grupos são compostos em sua maioria por mulheres, e muitos são negros, o que significa que já sofrem o peso de outras desigualdades socioeconômicas, e têm salários relativamente baixos.

"São pessoas em condições piores para enfrentar a pandemia. Fazem dupla ou tripla jornada, muitas vezes não têm com quem deixar os filhos, ou têm de cuidar dos próprios pais. A sobrecarga mental é ainda pior", prossegue Lotta.

O psiquiatra Helian Nunes observou, também, muita fragilidade entre um grupo ainda mais amplo de profissionais.

"Já no início a gente viu que a vulnerabilidade é de todo o trabalhador (envolvido no atendimento a pacientes): desde o porteiro do hospital até o motorista da ambulância", pondera.

Enfermarias, prontos-socorros e postos de saúde também sofrem com uma carga de trabalho e uma carga horária crescentes, dizem os pesquisadores.

"Chamou nossa atenção o fato de os profissionais de saúde primária, como os que atendem em postos de saúde, mostrarem um nível de sofrimento bastante alto, maior até de quem trabalha em hospitais", explica à BBC News Brasil Débora Dupas Nascimento, doutora em Ciências e pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Mato Grosso do Sul.

Dupas é coordenadora de uma pesquisa que entrevistou 518 profissionais de saúde sul-mato-grossenses entre outubro de 2020 e março de 2021, cujos resultados foram publicados em novembro. E mais da metade dos entrevistados apresentaram sintomas - de leves a severos - de ansiedade, estresse e depressão.

"A literatura já mostra que, em contextos normais, profissionais da saúde já são mais suscetíveis a esses transtornos. Agora, na pandemia, isso se agravou, reduzindo o número de profissionais disponíveis por conta do número de afastamentos", explica a pesquisadora.

É que o contexto atual cria uma espécie de ciclo vicioso: quanto mais exaustão e contágio, mais profissionais precisam ser temporariamente afastados de seus trabalhos, aumentando a pressão - e o risco de adoecimento - dos profissionais que ficam.

É comum nesses cenários, diz Dupas, que trabalhadores sejam pressionados a encurtar suas licenças médicas ou a trabalhar doentes para suprir a demanda e cumprir plantões.

"A gente tem ficado muito preocupado com esse desgaste, porque as equipes estão sobrecarregadas novamente", agrega Helian Nunes. "Não estamos favorecendo a saúde dos nossos trabalhadores, e não tem profissional sobrando no mercado."

Dois médicos intensivistas consultados pela BBC News Brasil dizem que (felizmente), até o momento, o pico de casos de covid-19 não resultou em aumentos drásticos de casos graves que exijam internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Mas ambos dizem que suas equipes estão cansadas.

"Está todo mundo exausto. Reviver outra onda é mobilizar recursos e energias, e uma UTI de covid-19 exige o dobro ou o triplo (de esforço) do que uma UTI normal", diz o médico Matheus Alves, intensivista em Brasília. "Mas quem está na saúde vai tentar segurar, tirar força de onde não tem. Senão, quem que vai ser? A gente torce para as vacinas darem conta e para os casos pararem no máximo nas enfermarias."

"Os colegas estão meio resignados, são gato escaldado", afirma Edino Parolo, intensivista em Porto Alegre (RS). "Mas tem várias pessoas que conheço que fazem planos de mudar de área (e sair de UTIs), se especializar em outras áreas. Porque ainda estão se recuperando (da experiência na pandemia)."

O alívio da pandemia vivido entre meados e o final do ano passado havia aberto uma "janela de esperança" entre profissionais de saúde primária - janela que é fechada com a atual explosão de casos, acredita Gabriela Lotta.

"Hoje eles conciliam a fila de testagem para o coronavírus com a fila de vacinação e com a fila de pacientes passando mal, e tudo isso com um componente a mais: o apagão de dados na saúde", diz a pesquisadora.

Embora os dados da pesquisa mais recente da FGV sejam do ano passado, "a hipótese é de que esses profissionais estejam agora com um sentimento muito ruim, com a saúde mental muito abalada. E, em todos os momentos em que a pandemia cresceu, isso era escancarado pelos números. Agora, isso é muito mais invisibilizado".

Para Débora Dupas Nascimento, da Fiocruz, é preocupante o fato de tão poucos profissionais de saúde terem acompanhamento psicológico em um momento tão difícil.

"É preciso pensar em políticas públicas locais e nacionais para dar esse apoio a eles", argumenta. "E também é preciso haver momentos de lazer, com suas famílias ou de atividade física, e momentos de autocuidado. Porque ele (profissional da saúde) cuida dos outros, mas não (tem podido) cuidar de si mesmo."

Fonte: BBC News I Brasil