Gazeta da Torre
As agências de
checagem de fatos desempenham um papel essencial no combate à desinformação,
promovendo uma cultura de verificação que deveria ser adotada por todos. É
crucial ressaltar que a apuração rigorosa e a incessante checagem de fatos são
responsabilidades inatas do jornalista. No entanto, o pensamento crítico,
essencial para lidar com o atual ambiente informacional, é adquirido ao longo
da carreira e com a vivência pessoal. O uso acelerado de robôs (bots) nas redes
sociais e aplicativos de mensageria instantânea, especialmente para disseminar
mensagens falsas, discursos de ódio e teorias da conspiração, é uma preocupação
constante entre os estudiosos da comunicação.
A circunstância
do tempo de atenção dos internautas revelou-se tão significativa que se pode
afirmar que essa aceleração está gerando um novo “sensorium“, uma forma
superficial e apressada de consumir material digital. Esse comportamento, cada
vez mais comum, tende a se espalhar amplamente, contaminando o modo como todos
interagem em rede. Este é o ponto nevrálgico de preocupação para o jornalismo,
que busca atrair e manter a audiência para cumprir seu propósito maior:
fornecer informações de interesse público com a ética que lhe é inerente.
Ademais, é
necessário redobrar a checagem de informações provenientes de fontes não
profissionais, que muitas vezes carecem de responsabilidade ética ao
compartilhar conteúdo. É fundamental combater o “efeito manada” que leva à
disseminação indiscriminada da turbulência da informação. Para que um fato se
torne notícia, ele precisa ser verdadeiro, respeitando a prioridade ética do
jornalismo: a busca pela “verdade factual”, expressão cunhada por Hannah Arendt
(1906-1975) em seu ensaio Verdade e Política, publicado na revista New Yorker
em 1967. Dominique Wolton destaca a importância do jornalista em distinguir a
expressão pessoal da informação factual nas redes sociais, ressaltando que a
internet exige um trabalho contínuo de verificação para garantir a qualidade
das informações compartilhadas.
Por Magaly Prado, professora convidada do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP
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