quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Em tempos de eleições: agências de checagem não são suficientes para conter o distúrbio informacional

 Gazeta da Torre

As agências de checagem de fatos desempenham um papel essencial no combate à desinformação, promovendo uma cultura de verificação que deveria ser adotada por todos. É crucial ressaltar que a apuração rigorosa e a incessante checagem de fatos são responsabilidades inatas do jornalista. No entanto, o pensamento crítico, essencial para lidar com o atual ambiente informacional, é adquirido ao longo da carreira e com a vivência pessoal. O uso acelerado de robôs (bots) nas redes sociais e aplicativos de mensageria instantânea, especialmente para disseminar mensagens falsas, discursos de ódio e teorias da conspiração, é uma preocupação constante entre os estudiosos da comunicação.

A circunstância do tempo de atenção dos internautas revelou-se tão significativa que se pode afirmar que essa aceleração está gerando um novo “sensorium“, uma forma superficial e apressada de consumir material digital. Esse comportamento, cada vez mais comum, tende a se espalhar amplamente, contaminando o modo como todos interagem em rede. Este é o ponto nevrálgico de preocupação para o jornalismo, que busca atrair e manter a audiência para cumprir seu propósito maior: fornecer informações de interesse público com a ética que lhe é inerente.

Ademais, é necessário redobrar a checagem de informações provenientes de fontes não profissionais, que muitas vezes carecem de responsabilidade ética ao compartilhar conteúdo. É fundamental combater o “efeito manada” que leva à disseminação indiscriminada da turbulência da informação. Para que um fato se torne notícia, ele precisa ser verdadeiro, respeitando a prioridade ética do jornalismo: a busca pela “verdade factual”, expressão cunhada por Hannah Arendt (1906-1975) em seu ensaio Verdade e Política, publicado na revista New Yorker em 1967. Dominique Wolton destaca a importância do jornalista em distinguir a expressão pessoal da informação factual nas redes sociais, ressaltando que a internet exige um trabalho contínuo de verificação para garantir a qualidade das informações compartilhadas.

Por Magaly Prado, professora convidada do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

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