sexta-feira, 10 de julho de 2020

E se Cazuza estivesse vivo e ativo nas redes sociais?

Gazeta da Torre

Pelo comportamento do artista nos últimos anos de vida, dá para fazer um exercício de como seria sua atuação como influencer

Um desafio de Facebook fez saltar na tela uma lembrança: Cazuza tinha saído de cena havia exatos 30 anos. A missão implicava em publicar capas de dez álbuns importantes, e o último da lista era “O tempo não para”, gravação ao vivo lançada em 1988. Àquela época, o artista lutava contra uma doença sem cura, preconceitos medievais e contra a política elitista estabelecida – o establishment.

Nos últimos anos de vida, sua militância contra a caretice vigente ganhou contornos de linchamento público típico das atuais redes sociais. Se estivesse vivo, Cazuza teria 62 anos e, provavelmente, muitos perfis para divulgar sua obra e ideias. Ele foi no passado e poderia ser hoje um grande influenciador – ou influencer, no idioma dominante nas redes. E, certamente, acumularia muitos haters, palavra em inglês utilizada como eufemismo para definir o comportamento de ódio na internet.

Assumidamente bissexual, Cazuza não se acovardou diante da fábula da “doença gay”, propagada por hipócritas da época para se referirem ao vírus da Aids, que acabou tirando a vida do jovem poeta. A malandragem heterossexual do tipo “não tenho nada com isso” se repetiu recentemente na disseminação da ideia de um tal “kit gay”, que nunca existiu. Em suas redes sociais, o artista teria denunciado a mentira em alto e bom som até ser ouvido por todos. A comunidade LGBTI+, que foi abandonada a própria sorte no Brasil contemporâneo, teria um aliado importante nesse esclarecimento público.

Há 30 anos, o HIV provocava a morte de milhares de brasileiros, a maioria por desinformação – ainda não tinham inventado o termo “fake News”. Ao falar abertamente sobre seu caso, Cazuza salvou vidas na mesma proporção em que atraiu ataques discriminatórios. Todo cidadão com mais de 50 anos hoje e com vida sexual ativa desde a adolescência deve um pouco de sua existência a pessoas que se expuseram, como o fez Cazuza.

Por ser uma doença transmitida principalmente por contato sexual, era um tabu falar sobre ela e uma vergonha muito grande exigir camisinha no ato – tido como coisa de “bicha aidética”, xingamento comum à época, lamentavelmente. Cazuza escancarou o tema nos palcos e nos discos sem pudores, disseminou informação e realidade. Entender para prevenir foi a máxima que ele aplicou ao vírus e que, se tivesse sobrevivido, teria utilizado agora para desmascarar a “gripezinha” em seus hipotéticos perfis sociais.

Ao ser transparente, Cazuza implorava por ajuda, por mobilização em relação à propagação da Aids, não para si próprio, que era apenas um CPF no meio da multidão. Fugia de apelos sentimentais ou de piedade, mostrava-se forte em público. Demonstrava saber que enquanto fosse tratado como um “câncer gay”, o HIV estaria distante de tratamentos eficazes. O preconceito e a ignorância mataram e matam muitos cidadãos. Se tivesse conta no Twitter, talvez se tornasse uma versão mais experiente e desbocada de Felipe Neto, e se dedicaria a abrir corações e mentes contra atos discriminatórios.

Mesmo sem a toxicidade das redes atuais, pairava no ar daquela época uma certa acusação moral contra o cantor, uma caretice velada sempre sugerida nas entrelinhas, como se fosse um problema exclusivo de “minorias promíscuas”. Não era. Desde 1981, o HIV matou mais de 35 milhões no mundo e, atualmente, 37 milhões convivem com a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Pelo menos duas reportagens em mídias importantes naqueles tempos explicitaram o tom discriminatório a que Cazuza foi submetido. Uma reportagem afirmando que o artista estava agonizando em praça pública arriscou-se numa profecia de araque: “É até discutível se sua obra irá perdurar, de tão colada que está no momento presente.” (Revista Veja, 26.abr.1989). Hoje, sabemos que a análise é que estava descolada da realidade e queria apenas “lacrar”, no jargão da sociedade 2.0.

Em outra matéria de destaque naquele ano, um texto crítico detonou a qualidade de seu último álbum - “Burguesia” (Polygram, 1989) -, em que parte foi gravada com o cantor deitado em uma maca. Até aí, tudo normal em criticar um trabalho artístico. Mas o inferno está nos detalhes e nas ironias desnecessárias e reveladoras. O artigo termina desejando “Melhor sorte no próximo” ao artista (Folha Ilustrada, 13.ago.1989). Cazuza morreu um ano depois, em 7 de julho de 1990, muito debilitado pela doença, com a própria reportagem já havia detectado e explorado.

A propósito, está neste último trabalho a música “Manhatã” (Cazuza/Leoni), uma piada sobre como o brasileiro pronunciaria o nome da ilha de Manhattan, em Nova York. A composição descreve o deslumbramento de um nacional ao se deparar com as “maravilhas” do primeiro mundo e com o idioma inglês.

Se fosse hoje e o cantor estivesse atuante nas redes, é de se crer que teria desmascarado a farsa da objetividade e da impessoalidade daquele jornalismo, muito alinhado com o pensamento das elites que tanto Cazuza criticava. E o poeta tinha lugar de fala – como se diz atualmente -, pois nasceu em “berço de ouro” – como se dizia antigamente. Sua indignação com os rumos políticos e sociais do país explodia nos palcos. Expressões como “jogando pérola aos porcos” e “caipiras endinheirados” eram, segundo relatos, repetidas por ele para se referir ao público, que pagava caro para ver seus shows ao vivo - ou em tempo real, fosse hoje.

Assim, Cazuza ia deixando de ser o roqueiro rebelde da época do Barão Vermelho e virando o artista engajado explicitado desde o álbum “Ideologia” (1988). Em 10 de janeiro de 1989, chegou ao horário nobre da TV aberta com o especial “Uma prova de amor”, da Rede Globo.

Em tempos atuais, seria como se tivesse transmitido uma live da sacada de seu apartamento no Leblon, no Rio de janeiro, com transmissão simultânea em todas as plataformas, cantando “Vamos pedir piedade/ Senhor, piedade! / Pra essa gente careta e covarde”. Ou ainda “Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro/ Transformam um país inteiro num puteiro / Pois assim se ganha mais dinheiro”. Certamente alcançaria os trending topics – como um punhado de brasileiros costuma chamar os assuntos que estão fazendo sucesso – ou bombando – na internet naquele momento.

Em um desafio de Facebook, Cazuza provavelmente teria dificuldade para escolher dez discos que o influenciaram, dada a diversidade e riqueza de sua obra. Certo é que, se felizmente estivesse vivo, “aquele garoto que ia mudar o mundo” não estaria assistindo “a tudo em cima do muro”. Estaria por aí postando verdades inconvenientes e denunciando o “museu de grandes novidades” que se tornou o amado “Brasil, mostra a tua cara!”.

Composições citadas:

Blues da Piedade - Frejat/Cazuza

O Tempo não para - Arnaldo Brandão/Cazuza

Ideologia - Frejat/Cazuza

Brasil - Cazuza/George Israel/Nilo Romero

Ricardo Fotios é jornalista, professor universitário e pesquisador de temáticas relacionadas ao uso de tecnologias no ecossistema da comunicação.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Prefeitura do Recife entrega mais de 150 tablets para profissionais da Academia da Cidade

Gazeta da Torre

A Prefeitura do Recife começou a entregar mais de 150 tablets aos profissionais do Programa Academia da Cidade (PAC), para melhorar o acompanhamento dos alunos nos 42 polos do programa espalhados pela cidade. O objetivo é de auxiliar os professores de Educação Física nas atividades desenvolvidas remotamente, já que, por causa da pandemia, as aulas presenciais nos polos estão suspensas desde março. Manter a prática de atividades física com segurança é fundamental para os usuários da Academia da cidade, que tem o perfil composto majoritariamente por pessoas do grupo de risco à covid-19.

No perfil do PAC no Instagram (@pacrecife), os professores têm promovido aulas de diversas modalidades como práticas corporais, dança do ventre, step, ginástica com objetos, além de fazerem lives que discutem assuntos relacionados à vida saudável, entrevistas com convidados da área da saúde e atendimentos individuais à distância e reuniões entre as equipes de forma virtual. Os conteúdos podem ser acessados também através do aplicativo Atende em Casa, que também está disponível no site www.atendeemcasa.pe.gov.br. A equipe do Programa Academia da Cidade também está gravando conteúdo para o aplicativo Movimenta Recife, em parceria com os profissionais da Secretaria Executiva de Esportes.

Os tablets também vão facilitar e agilizar o trabalho dos profissionais da Secretaria de Saúde (Sesau) do Recife na inclusão da produção deles no e-SUS, um sistema de alinhamento das informações da Atenção Básica a nível nacional.Somente no ano passado, os mais de 150 profissionais do PAC fizeram mais de 600 mil atendimentos nos 42 polos da Academia da Cidade espalhados pelo Recife - mais de 50 mil atendimentos por mês.

Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Proteções trabalhistas têm de ser ligadas às pessoas e não aos empregos

Gazeta da Torre

A forma tradicional de trabalho, caracterizada por vínculo de emprego entre trabalhador e empresa, deve continuar predominando no mundo por décadas, mas modalidades não empregatícias – como o trabalho autônomo, por produção e atividades sem subordinação – estão crescendo em ritmo acelerado. Com isso, para proteger a crescente quantidade de pessoas que trabalham sem vínculo formal com uma empresa, é necessário atar os benefícios trabalhistas e previdenciários aos trabalhadores, e não mais aos empregos.

Esse é um ponto fundamental do futuro do trabalho, de acordo com o sociólogo e professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), José Pastore, em entrevista a Plataforma UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP. De acordo com ele, na Europa e nos Estados Unidos, 25% dos trabalhadores já exercem atividades sem vínculo formal de emprego, e o Brasil – cuja taxa é estimada em 24% – não fica muito atrás.

Professor José Pastore

“Esse alerta vem sendo dado por todos os analistas do mercado de trabalho para ver se chegamos a algum tipo de proteção mínima para as pessoas que trabalham sem vínculo empregatício. Hoje em dia, as proteções existentes na CLT estão ligadas ao empregado, e não às pessoas”, pontua Pastore, que também é presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho (Cert) da FecomercioSP. “Quando a gente fala em pessoas que trabalham sem vínculos empregatícios, as proteções têm que estar ligadas às pessoas, e não aos empregos”, reitera. 

O sociólogo cita o exemplo do seguro-desemprego, benefício conferido somente a quem é demitido do setor formal. “Quem trabalha por conta própria muitas vezes também para de trabalhar, mas não tem essa ajuda para a sua manutenção porque o seguro-desemprego não se aplica”, explica. 

Pastore salienta que, apesar de o debate sobre o assunto ainda ser incipiente, a vinculação dos benefícios de proteção ao trabalhador começa a ter os primeiros bons exemplos no mundo. Na Alemanha, por exemplo, um ator recrutado para uma peça de teatro não tem relação empregatícia com a companhia. Contudo, recebe os benefícios previdenciários por meio de um sistema no qual o profissional paga 50% da contribuição, a empresa, 25%, e o Estado, os demais 25%.

“É um modelo que permite àqueles que trabalham por conta própria terem proteções básicas, que são pagas através de contribuições compartilhadas entre o prestador de serviço, o tomador do serviço e o Estado. Esse regime compartilhado é o que está se mostrando mais promissor”, destaca.

Ameaças ao emprego

Observando a atual conjuntura, o sociólogo classifica a pandemia de covid-19 como uma “catástrofe” no campo do trabalho. As perspectivas de retomada dos empregos perdidos em função dos efeitos do coronavírus na economia, segundo ele, não são boas, uma vez que o País, ao se ver em meio à crise, mal tinha se recuperado, de fato, da recessão anterior. De todo modo, Pastore ressalta que é difícil fazer uma estimativa do real impacto do vírus no mercado de trabalho porque não se sabe quando o surto será controlado.

“Seja qual for a previsão que viermos a fazer com base nas estatísticas, tudo indica que para chegar a uma taxa de desemprego civilizada, de 5% ou 6%, o Brasil vai demorar muitos anos, porque vamos sair dessa crise muito endividados. O País vai sair mais pobre, os trabalhadores vão sair com menos trabalho e renda e [mais] empobrecidos e a desigualdade social deve aumentar”, analisa. “Vamos levar muitos anos para recuperar a economia, havendo bom senso e colaboração dos nossos políticos”, frisa.

A eventual redução da oferta de emprego em função do avanço tecnológico é outro temor presente no campo do trabalho. Pastore aponta que o futuro exigirá que o trabalhador passe por um processo de qualificação contínua. Ele cita previsão do Fórum Econômico Mundial que indica que 1 bilhão de trabalhadores terão de se requalificar nos próximos dez anos para se manter aptos a ocupar postos de trabalho.

“Tecnologia, se ela destrói ou cria [empregos], é secundário, o importante é o trabalhador estar preparado para acompanhar o seu desenvolvimento”, enfatiza Pastore. “Ou seja, as pessoas só vão poder tirar proveito das novas tecnologias e conseguir manter o seu emprego ou o seu trabalho na medida em que fiquem em um processo permanente de educação e qualificação”, conclui o sociólogo.

Fonte:UM Brasil

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Recife sediará virtualmente o II Seminário Internacional de Turismo Criativo

Gazeta da Torre

Evento contou com 900 vagas gratuitas e será transmitido de forma online, com mesas temáticas e oficinas e experiências criativas

Estão esgotadas as 900 vagas para participar do II Seminário Internacional de Turismo Criativo.  O Recife vai sediar virtualmente a segunda edição do evento, que é uma realização do Fórum de Turismo Criativo do Recife em parceria com a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer. O webnário é direcionado aos setores do turismo, economia criativa e desenvolvimento territorial.

 “Pela segunda vez, estamos realizando este importante Seminário Internacional, demonstrando a força que Recife possui no panorama mundial do Turismo Criativo, onde contamos com política pública para o segmento, diversas experiências aquecendo o mercado turístico do Recife, ambiente acadêmico pesquisando e produzindo conhecimento sobre essa temática, além de eventos de porte sendo promovidos na cidade para discussões, aprendizagens e novos avanços no campo do turismo em diálogo com a inclusão social e o desenvolvimento territorial”, pontuou a secretária de Turismo, Esportes e Lazer do Recife, Ana Paula Vilaça.

Com o foco na reflexão sobre a integração dessas áreas para o aprimoramento de produtos e serviços capazes de redesenhar os cenários, os negócios, as pessoas e as relações diante dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus, o encontro abre possibilidade para aprendizagens, diálogos, trocas de experiências e vivências criativas. Os inscritos irão participar da videoconferência que será transmitida pela plataforma Sympla Streaming, entre os dias 7 e 10 de julho.

O evento contará com mesas temáticas e oficinas que contarão com nomes nacionais e internacionais como Tiago Castro, da Creatour (Portugal); Marília Paes, da Qualiconsulte (Brasil); Tania Zapata, do Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH); Jayme Fonseca Júnior, do Recife Beer Tour (Brasil) e outros. E para vivenciar o espírito do Turismo Criativo, serão oferecidas oito experiências criativas, dentre elas Viva a Xambá, Um Xêro do Recife e Cozinhando Sururu com a Chef Negralinda. Confira a programação completa abaixo: 

PROGRAMAÇÃO

DIA 1 - 07/07

10:00 - 11:30: Mesa Temática: Turismo Criativo - O que podemos aprender com experiências internacionais?

Tiago Castro - CREATOUR (Portugal)

Marisela Pilquiman (Chile)

Larissa Almeida – RECRIA (Brasil)

14:00 - 15:00: Oficina:  Sucesso do Cliente: transformando consumidores em clientes promotores da sua marca.

Marília Paes – QUALICONSULTE (Brasil)

DIA 2 - 08/07

10:00 - 11:00: Oficina: Faça você mesmo: experiências online+offline em gastronomia

Chef Rapha Vasconcellos (Brasil)

19:00 - 20:00: Mesa temática: Aprendizagens e desafios do Plano de Turismo Criativo do Recife

Tania Zapata – IADH (Brasil)

Ana Paula Vilaça – SETUREL (Brasil)

Renata Gamelo - Fórum de Turismo Criativo do Recife (Brasil)

DIA 3 - 09/07

16:00 - 17:30: Mesa temática: Criativos, Reinventar!

Olavo Medeiros - O Melhor de Sampa (Brasil)

Maria del Mar Vanín - Experiências Kumé (Colômbia)

Priscilla Marques – SECULT (Brasil)

 19:00 - 20:00: Oficina: Como formatar uma experiência para a plataforma Airbnb

Roderick Jordão – La Ursa Tours (Brasil)

João Paulo – RECRIA (Brasil)

PROGRAMAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS – PAGAS**

**As experiências online compõem a programação alternativa do evento e participação nestas atividades está condicionada à capacidade de atendimento de cada anfitriã/anfitrião e ao pagamento de uma contribuição definida pelo mesmo.

DIA 1 – 07/07

19:00 - 21:30: Experiência: Ecstatic Dance Brasil – Dança que Leva ao Êxtase

Anfitrião: EDBr | Ecstatic Dance Brasil

 Duração: 2h30

Contribuição: espontânea

Capacidade: 1000 pessoas

Plataforma:

Reservas: Email: contato.ebdr@gmail.com / Telefone: (21) 986364427 (Pedro Araújo) / Instagram: @ecstatcdancebrasil

DIA 2 – 08/07

14:00 - 15:00: Experiência: Viva a Xambá!

Anfitriões: Mari e Guitinho da Xambá (Brasil)

Duração: 1h

Contribuição: R$ 20,00

Capacidade: 30 pessoas

Plataforma: Zoom

Reservas: Email: mari.marileide@gmail.com / Telefone: (81) 997840624 (Mari) / Instagram: @grupobongar

16:00 - 17:30:  Experiência: Redescobrindo a cerveja – uma experiência sensorial pela bebida que você (acha que) já conhece

Anfitrião: Jayme - Recife Beer Tour (Brasil)

Duração: 1h30

Contribuição: R$ 30,00

Capacidade: 10 pessoas

Plataforma: Zoom

Reservas: Email: josejaymejunior@gmail.com / Telefone: (81) 994515189 /Instagram: @brejamais

16:00 - 17:30:  Experiência: Toque de Mágica

Anfitrião: Rapha Santacruz (Brasil)

Duração: 1h30

Contribuição: R$ 25,00

Capacidade: 30 pessoas

Plataforma: Zoom

Reservas: Email: raphasantacruz@gmail.com / Telefone: (81) 995810033 /Instagram: @rapha_santacruz

DIA 3 – 09/07

10:00 - 11:30: Experiência: Um xêro de Recife

Anfitriã: Duda Carvalho – Recicultura (Brasil)

Duração: 1h30

Contribuição: R$ 25,00

Capacidade: 10 pessoas

Plataforma: Zoom

Reservas: Email: contatorecicultura@gmail.com / Telefone: (81) 999217948 (Duda) / Instagram: @recicultura

10:00 - 11:30: Experiência: Cozinhando Sururu com a Chef Negralinda

Anfitriã: Chef Negralinda (Brasil)

Duração: 1h30

Contribuição: R$ 40,00 (opcional + R$20,00 para receber um kit com insumos em casa)

Capacidade: 10 pessoas

Plataforma: Zoom

Reservas: Email: chefnegralinda@gmail.com / Telefone: (81) 983669845 (Geisiane) /Instagram: @negralindaa_oficial

DIA 4 - 10/07

19:00 - 20:00: Experiência: Aula de Frevo Online

Anfitrião: Junior Viegas

Duração: 1h

Contribuição: Espontânea

Capacidade: 100 pessoas

Plataforma: Instagram

Reservas: Email: studioviegaspe@gmail.com / Telefone: (81) 997331866 /Instagram: @frevoonline

20:00 - 21:20: Show Musical com Isabela Moraes e Juliano Holanda

Anfitrião: Ágora Sonora

Duração: 1h20

Contribuição: R$ 20,00

Capacidade: 100 pessoas

Plataforma: Zoom

Reservas: Email: agorasonorape@gmail.com / Telefone: (81) 999973164 /Instagram: @agorasonora

Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife

Acessórios: Amarre-se nestes curingas e enriqueça seu visual de inverno

Gazeta da Torre
 Fonte Marie Claire -Globo

Os acessórios se tornaram o ponto fundamental da composição de um look. A palavra como definição de complemento de uma roupa ficou pequena para o vasto poder que desempenha, deixando de ser simplesmente um “acessório.”

Com a chegada da temperatura mais fria do ano, cintos, lenços, cachecol e echarpe, tem o poder de transformar uma roupa básica em looks descontraídos ou sofisticados.

Saiba como usá-los para tirar o máximo da versatilidade que eles oferecem.

A nossa Consultora de Imagem e Estilo Fatima Fradique, selecionou alguns looks com amarrações diversificadas para que vocês possam multiplicar seu guarda-roupa ou closet, e reforçar a personalidade de seus looks com fascinação, emoção, e prazer...

CONFIRA ABAIXO:

1) LOOK: Com amarração – LENÇO

 Fonte Tallita Lisboa

Em geral, os lenços são feitos de tecidos mais leves, como algodão, para uma produção mais casual, seda e cetim, os mais requintados. A escolha da estampa também define estilo: clássico, como poás, fashion, como animal print ( estampa animal ); e descoladas, como as étnicas. Versáteis, eles vão bem amarrados no pescoço; na cintura como cinto, no cabelo e até mesmo na alça da bolsa.

Fica a dica: No pescoço, o ideal é sempre deixá-los mais folgados e parte do pescoço aparente para alongar o visual.

2) LOOK: Com amarração – Cachecol.

 Fonte Mercado Livre

Os mais clássicos são os de padronagem xadrez, tricô, crochê ou malha. Indispensáveis nos dias frios, fazem par com blusas quentinhas e casacos. Como o tecido dos cachecóis costumam ser grosso e encorpado, cuidado com os modelos muito compridos e volumosos. São difíceis de serem guardados na bolsa, caso esquente, e não valorizam todos os biótipos, já que aumentam a parte superior do corpo e costumam desfavorecer as gordinhas ou quem tem muito busto.

3) LOOK: Com amarração – Echarpe.

 Fonte Buyer & Brand

Bem parecidos com o cachecol, só que de tecido bem mais leve, como seda, crepe, musseline ou algodão.  Pode ser enrolado ao pescoço e com ambas as pontas para frente, com um único transpasse, ou em amarrações mais criativas. Se a ideia é uma produção fashion, aposte na mistura de estampas. O segredo é sempre a harmonia entre elas, o que você consegue coordenando as estampas. Elas ficam bem em todo tipo de corpo, mas procure deixar sempre uma parte do pescoço à mostra para dar ainda mais leveza a produção.

4) LOOK: Com amarração – Cinto.

 Fonte Manu Luize

Não precisa ficar só no cós da calça. No inverno, são cada vez mais usados para amarrar o corpo, emprestando nova silhueta aos casacos pesados.

Fica a dica: É bom lembrar que os acessórios têm o poder de dar acabamento á imagem. São um arremate, o toque final à roupa, a sua assinatura de estilo.

Espero que aprovem as dicas e arrasem em suas produções de inverno.

Facebook ( Fanpage) Fatima Fradique.

Instagram: https://www.instagram.com/fatima_fradiquecrc/?hl=en  

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Pontos de atenção para empresas no pós-pandemia

Gazeta da Torre

Passamos semanas sem ver nossos amigos e familiares, sem ir à escola ou mesmo sem poder ir ao trabalho. O isolamento é essencial para conter a propagação do coronavírus, mas causou muitos transtornos, como falências, demissões e perda da fonte de renda.

O futuro é incerto e não sabemos bem como será a rotina quando voltarmos às atividades. No entanto, uma coisa é certa: é pouco provável que os negócios voltem a ser como eram imediatamente. Conforme alguns países começam a retomar as atividades e começamos a ver uma possível redução das restrições, quais devem ser as preocupações dos empregadores?

“Pode parecer distante, mas em algum momento a pandemia de coronavírus vai terminar, e quando isso acontecer os empregadores vão precisar ter planos para ajudar suas equipes a voltar ao normal”, diz Kate Palmer, diretora associada da Peninsula, empresa de consultoria de RH e direito trabalhista.

Não suspenda de imediato a flexibilização do trabalho

Para muitas empresas, permitir formas de trabalho remoto foi algo totalmente novo, que elas nunca cogitaram antes. “Talvez a reação inicial ao fim da pandemia seja voltar aos modos de trabalho que eram usados antes, mas algumas empresas e seus funcionários podem estar satisfeitos com o trabalho remoto e decidir torná-lo permanente”, diz Palmer.

“O trabalho remoto pode ser uma forma de ajudar a equipe a administrar os compromissos externos, como o cuidado com os filhos, que foi intensificado pelo surto de coronavírus. Por exemplo, se o isolamento for flexibilizado, mas as escolas continuarem fechadas, os funcionários terão dificuldades”, ela acrescenta.

“Permitir o trabalho remoto de forma mais permanente é uma maneira de incentivar a fidelização e a permanência dos funcionários.  Se essa opção não for possível, é recomendável explorar outras formas de flexibilizar o trabalho, como uma jornada mista, presencial e remota, ou uma mudança nos horários”.

Pense em como será feito o distanciamento social

Não está claro como será o relaxamento do isolamento obrigatório, mas o distanciamento social vai continuar. Antes de trazer a equipe de volta, é provável que os empregadores precisem fazer mudanças no local de trabalho para manter uma certa distância entre os colaboradores.

“Permitir que alguns membros da equipe continuem trabalhando em casa pode ser uma solução, pois haverá uma diminuição no número de pessoas no escritório. Na ausência de trabalho remoto, os empregadores podem precisar adotar outras formas de flexibilização para manter a equipe em número reduzido”, diz Palmer.

Não se esqueça daqueles que saíram de licença

Alguns funcionários que vão voltar ao trabalho estavam de licença, ou seja, possivelmente ficaram afastados das atividades por um período prolongado. Em vez de enchê-los de trabalho assim que voltarem, é importante avaliar se eles precisam de treinamento ou atualizações.

“Deve ser mantido um canal de diálogo com os trabalhadores para mantê-los atualizados sobre a situação da empresa e incentivá-los a compartilhar as preocupações que possam ter”, recomenda Palmer.

Não espere que as pessoas se adaptem rápido

É importante ter paciência. Dificilmente as pessoas vão se jogar de cabeça nas rotinas de trabalho depois de uma pandemia global. Elas perderam familiares, amigos e salários, e passaram por um período de estresse e ansiedade sem precedentes. Por isso, alguns funcionários podem precisar de auxílio para voltar ao trabalho.

“A luta contra o coronavírus foi difícil para todos e pode ter sido ainda pior para alguns membros da equipe”, diz Palmer.

“Portanto, os empregadores devem indicar claramente os serviços de aconselhamento oferecidos, como um Programa de assistência ao funcionário, que pode ampliar o auxílio aos trabalhadores. Os gerentes também devem manter uma política para incentivar os funcionários que enfrentam dificuldades relacionadas à saúde mental a pedir ajuda”.

Lydia Smith

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Como cuidar das plantas no inverno? Dicas e conselhos de especialista

Gazeta da Torre

Assim como as pessoas, as plantas também sentem "na pele" as mudanças climáticas. A chegada dos dias frios pede cuidados específicos e atenção redobrada para que seu jardim cresça saudável e permaneça cheio de vida durante o inverno. Os ventos fortes, rajadas e a fuga do sol, por exemplo, são só algumas das dificuldades que precisam ser contornadas ao longo da estação mais fria do ano.

"É preciso lembrar que, no inverno, existe uma diferença de iluminação e as plantas acabam recebendo menos luz. A primeira coisa a se atentar é perceber como a luz natural muda dentro de casa", explica Lucas Midio, arquiteto e consultor de paisagismo. Assim, a troca de lugar dos vasos ou o remanejamento do jardim pode ser necessário. "Você vai precisar empurrar as plantas para mais perto da fonte de luz para elas se manterem bem", aconselha o especialista.

Como deve ser a rega no inverno?

Além das alterações na iluminação, a queda das temperaturas também implica em mudanças na rotina de rega, que deve ser consideravelmente menor nesse período. "Como as plantas estão com a atividade metabólica reduzida, essa água não é usada para os processos metabólicos e fotossintetinzantes e fica empoçada na região da raiz", explica Midio. O excesso de água e umidade, por sua vez, pode provocar o apodrecimento da raiz e o surgimento de pragas oportunistas e fungos.

Poda e manutenção


Talvez você não saiba, mas o inverno é uma das épocas mais propícias para a realização da poda, que deve ser feita no finalzinho da estação. Nesse momento, as plantas entram em um período de dormência que potencializa seu crescimento próximo a chegada da primavera. "No inverno, as plantas não produzem tanta energia. É um momento bem favorável para a poda, pois, assim que a temperatura subir, elas redistribuem esses hormônios e reforçam o crescimento", ressalta o consultor.

As podas de manutenção também são mais do que bem-vindas nessa época. Retirar galhos e folhas mortas prolongará a vida das plantas e fará toda a diferença para o resto do ano. "Esses resíduos são áreas suscetíveis ao apodrecimento e aparecimento de decompositores, já que o excesso de material orgânico atrai pragas. E como a planta está nesse estado mais dormente, é o momento ideal para elas atacarem".

Adubação


Assim como a rotina de rega, a adubação precisa ser revista durante os dias mais frios. O excesso de matéria orgânica por conta da fertilização do solo também pode proporcionar o surgimento de pragas indesejadas, justamente porque a planta não utilizará todos os nutrientes. Quem aproveitará essa adubação, na realidade, será o fungo!

Cuidados com cactos e samambaias


Espécies como cactos e samambaias costumam gerar muitas dúvidas sobre quais os cuidados necessários para o inverno, mas a verdade é que a manutenção dessas espécies não precisa ser um pesadelo. "Todas as nossas plantas nativas já estão habituadas ao regime solar da época do inverno brasileiro. No ambiente natural, elas sabem que será uma época de estiagem e com menos luz", explica Lucas. "Em casa, o ideal é aproximar esses cactos da zona que recebe mais sol na casa para que eles se mantenham saudáveis, e depois retirar, se for o caso. Lembre-se que, na natureza, essas plantas permanecem sob o sol durante até 8h por dia".

Para as samambaias não tem segredo. As mais comuns são de áreas úmidas e nunca devem ser expostas diretamente ao sol. "Mantenha-as em um local que receba apenas luz difusa ou rebatida. As samambaias também não gostam de vento, então colocá-las próximas a uma corrente de ar é um grande erro", reforça.

Por Rafael Belém

quarta-feira, 1 de julho de 2020

A cultura e o pós-pandemia

Gazeta da Torre
Visitação em 2019 no Museu da Abolição (PE) 
Foto: Camila Mendes

Por Luiz Armando Bagolin, docente e pesquisador do IEB/USP e ex-diretor da Biblioteca Mário de Andrade

Bastou as autoridades locais adotarem medidas de relaxamento ao isolamento social, para as pessoas rapidamente saírem às compras, lotando estabelecimentos comerciais de rua, shoppings populares e feiras livres. O “novo normal”, pelo menos por aqui, é algo impensado, porque as nossas gentes, por motivos diversos, alguns justificáveis, outros não, estão dando pouca atenção às medidas coletivas de combate à pandemia. Vão retomando a vida cotidiana de idas e vindas, de trocas, conversas e negócios, como se nada de mais grave houvesse acontecido, ou pior, como se à nossa volta milhares de pessoas não estivessem ainda doentes e outras muitas morrendo.

No campo da cultura, das artes e do entretenimento, entretanto, a velocidade da retomada, mesmo quando em algum momento a pandemia for debelada e a doença controlada (pois ela não desaparecerá), o comportamento será bem diferente. Com museus, centros culturais, bibliotecas e outros espaços dedicados à cultura fechados, exposições e espetáculos cancelados, e toda a pirâmide de produção nos mais diversos gêneros, da assim chamada alta cultura à cultura popular, bem como a de massa, atingida, não é possível ter prognósticos muito positivos sobre o que acontecerá num futuro próximo.

Olhando na direção dos países desenvolvidos, que já passaram pelo pico da pandemia, e estão planejando ou recomeçando a abrir museus e instituições culturais, percebemos que mesmo em lugares onde, ao contrário do Brasil, a visitação a espaços culturais, a exposições de arte, livrarias, concertos etc. é um hábito cultivado, incentivado pelo Estado e caro a uma percentagem grande da população, está havendo uma mudança quanto ao padrão de comportamento em relação ao status anterior à disseminação da doença.

Em média, a nova circulação de pessoas nos principais museus europeus foi reduzida de 30 a 40%. Erike Schmidt, diretor das galerias Degli Ufizzi, declarou que agora é o momento “ideal para experimentar as exposições de maneira calma, relaxada e tranquila, como era possível há décadas e décadas atrás”.

Outros museus na Itália também estão reabrindo com orientação de receber menos pessoas ou de controlar a entrada para receber apenas pequenos grupos. Na Espanha, o Prado reabriu com a meta de receber no máximo 1.800 pessoas por dia; o Museu do Louvre, assim como o Beaubourg, promete reabrir a partir do dia 1º de julho também com controle e redução de visitantes. No Reino Unido, as instituições nacionais abrirão a partir do dia 4 de julho; a Tate Modern, no entanto, não tem planos de reabertura para tão logo.

Bernard Blistène, diretor do Pompidou, diz que é o momento para se pensar numa nova relação com o público, mais qualitativa: é hora para “desacelerar”. O KW de Berlim, instituição voltada à arte contemporânea, abriu desde o final de maio, recebendo no máximo 40 pessoas por dia. Karoline Köber, porta-voz do instituto, diz que “aqueles que vão ao museu ver arte amarão o silêncio”.

No ambiente do mercado de arte, das grandes feiras internacionais, como Basel, Arco etc., o tema é o mesmo: a desaceleração. Há marchands, dealers, curadores e outros profissionais ligados às feiras que passam meses viajando de um lugar para outro, de feira para feira, participando de encontros, coletivas de imprensa, jantares e reuniões infindáveis no intrincado e cada vez mais supérfluo e hiperinflacionado mercado da arte contemporânea. Mas agora esses profissionais estão se perguntando: para que isso tudo? O que realmente importa? O que é essencial?

O mercado, as galerias, suas feiras, assim como os grandes museus e suas coleções continuarão a existir e a tendência é retornarem à normalidade, à recepção tanto dos amantes das artes, especialistas ou não, quanto dos amantes de selfies. Isso ocorrerá novamente, não tenho dúvidas, e dentro de muito pouco tempo. Do ponto de vista psicológico, as pessoas tendem a voltar a se comportar de acordo com os hábitos adquiridos, sobretudo quando se deseja superar ou esquecer um processo traumático.

Com cuidados de higiene e limpeza ampliados e reiterados, controle do número de acessos de visitantes e redução da programação de mostras, ampliação do tempo das exposições, as coisas vão pouco a pouco se ajustando. Concha Iglesias, diretora de comunicação do Museu Reina Sofia, diz que “o pós-pandemia será um período sem exposições de grandes nomes e longas filas. Esta é a hora de buscar novas colaborações entre as diferentes instituições, entre o público e o privado, e intensificar o trabalho em rede”.

Resta, no entanto, saber qual será o impacto econômico sobre essas instituições, haja vista que uma boa parte, 50% das suas receitas ou mais, vem de ingressos e da venda de souvenirs, livros e catálogos.

Aqui no Brasil, no entanto, a situação das instituições e lugares da cultura, que já era bem complicada, com um aparato que se espalha por uma região de dimensões continentais, falta de recursos e principalmente de políticas públicas abrangentes que entendam a cultura como um ativo econômico importante, tende a se agravar ainda mais.

Nos últimos anos, o investimento em cultura, ainda que tenha sofrido pequenos aumentos em aportes aqui e acolá, não foi suficientemente significativo para salvaguardar o nosso patrimônio, aprofundar as ações de pesquisa e de preservação de acervos, que são obrigatoriamente mantidos por lei, assim como ampliar o interesse e a visitação do público, em seus mais diversos estratos sociais, e que, em última análise, é o destinatário principal dessas ações e o vedor destes acervos.

Houve nos governos anteriores uma preocupação mais evidente, pelo menos, com a manutenção de grupos e dinâmicas sociais descentralizadas, não necessariamente vinculadas às instituições culturais formais, buscando iniciativas que pudessem ser expressões políticas do conceito de “cidadania cultural” (Michel de Certeau reconhecera essas expressões como “forças ou operações táticas”), o que favoreceu e dirimiu em parte, ainda que minimamente, os agravos históricos cometidos contra as minorias sociais, assim como a impossibilidade de acesso das mesmas aos bens culturais estabelecidos.

Houve o justo reconhecimento do Estado de que o que faziam e ainda fazem é arte e é cultura. A Lei Rouanet continua sendo, por aqui, o principal instrumento para o financiamento público da cultura (com isenção ou devolução parcial de impostos devidos principalmente por pessoas jurídicas), embora a maioria dos projetos contemplados ainda estejam muito concentrados nas regiões Sudeste e Sul, e atendam particularmente à produção de grandes espetáculos ou iniciativas com retorno comercial.

Se a lei já era insuficiente para dar conta da abrangência e diversidade cultural brasileira num cenário com tíbia recuperação econômica, na atual situação, com o aprofundamento da crise e diante da recessão que se aproxima, sem precedentes na história do País, ela não poderá ser vista como a única carta na manga para a recuperação das atividades culturais. Soma-se a isso a percepção de que o governo atual não tem nenhum projeto para a área, nenhuma política, a não ser a evidente habilidade de gerar crises simultâneas.

As pessoas e instituições estão se reinventando, por necessidade e iniciativa própria, desenvolvendo atividades que dependem cada vez mais das plataformas digitais. As próprias atividades na Universidade (aulas e reuniões, sobretudo) estão sendo feitas em formatos não presenciais. Mas há uma gama enorme de outras atividades – aulas em ateliês, exposições, encontros e pesquisas nos acervos físicos, além do contato in loco com o patrimônio material e imaterial – que teve de ser suspensa, não se sabe por quanto tempo ainda. Blistène acredita que “o espaço do museu terá que ser mais do que nunca uma plataforma de intercâmbio e educação”.

Julgo ser interessante pensar nessa direção, investindo em novas formas de comunicação que permitam às instituições, notadamente as detentoras de acervos, sejam as públicas, sejam as particulares, institutos e fundações, aproximarem-se cada vez mais de propostas educacionais e interdisciplinares com conexões nacionais e internacionais.

A reconstrução de tudo que perdemos, por desventura ou desgoverno, passa pela construção de um ambiente melhor do que o que presenciamos até agora para as nossas crianças e jovens.

A universidade pública brasileira, junto a órgãos como o Icom e outros, poderia ajudar no momento pós-pandemia a criar um observatório sobre as dinâmicas e práticas culturais, mapeando o que se perdeu, o que foi reinventado e se manteve, o que se transformou. Os dados obtidos pelas pesquisas desse observatório seriam úteis para se traçar iniciativas de amparo e apoio às instituições, aos coletivos e indivíduos relacionados direta e indiretamente com o ambiente cultural, facilitando a criação ou a aproximação de redes integradas interessadas em parcerias para a sustentação de nosso sistema cultural.

A presença e apoio do Estado são muito importantes para se atender não somente às necessidades das pessoas, consideradas individualmente em seu bem-estar e segurança, mas também para preservar e estimular aquilo que produzimos como comunidade e que nos torna parte dela. Porém, somente com a ajuda de todos poderemos superar num tempo não demasiado distante os efeitos danosos desta crise que é sanitária, econômica, cultural e social.

Fonte:Jornal da USP

terça-feira, 30 de junho de 2020

"Eles não servem para nada, não comprem", diz Natalia Pasternak sobre testes rápidos de Covid-19

Gazeta da Torre

Quando a especialista Natalia Pasternak fala que "Eles não servem para nada...”, ela está se referindo aos testes rápidos de Covid-19 vendidos em farmácias e não ao governo.

Na entrevista no Roda Viva (TV Cultura) desta segunda-feira (29), a microbiologista Natalia Pasternak falou sobre a efetividade de testes do novo coronavírus vendidos em farmácias e a falta de testes eficazes para profissionais de saúde.

Pasternak é doutora em microbiologia pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e autora do livro 'Ciência no Cotidiano'. É fundadora e primeira presidenta do Instituto Questão de Ciência.

A cientista falou sobre as diferenças entre o RT-PCR, considerado o teste padrão no diagnóstico da Covid-19, e os testes sorológicos e rápidos, e avaliou os números de diagnósticos da doença no Brasil.

Sobre os testes rápidos, a pesquisadora foi categórica: "Eles não servem para nada, não comprem. Não deveria ser vendidos em farmácias, mais confunde a população do que ajuda, as pessoas não sabem interpretar os testes".

"A maioria desses testes rápidos de farmácia não é bom. Eles são ruins. Além de tudo a qualidade deles é duvidosa, a sensibilidade deles é baixa, eles podem dar muito erro de falso-positivo, como de falso-negativo", alertou.

TV Cultura

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Sutiã, calça jeans, maquiagem: a quarentena será a queda de alguns costumes?

Gazeta da Torre

“Minha gaveta de sutiãs deve estar com saudade de mim.” “Faz dois meses que não coloco uma calça jeans.” “Maquiagem? Não lembro o que é.” É fácil encontrar essas observações ao navegar pelo Twitter, Facebook ou nos grupos de amigos do WhatsApp. Durante a quarentena, as necessidades são reduzidas ao básico. E, as roupas, claro, entram no esquema. Pijama, chinelo e moletom são o uniforme dessa nova era?

Por mais difícil que seja prever hábitos futuros, até mesmo tratando-se do próximo mês, é possível traçar paralelos entre a atualidade e outros pontos da história para, talvez, encontrar semelhanças nos comportamentos.

Um histórico recente: do pós-guerra ao ‘new look’

Um dos momentos históricos de mudança radical na moda feminina foi a Primeira Guerra Mundial. Com os homens na Europa sendo enviados ao front, incluindo adolescentes, as mulheres, até então tratadas como bibelôs, ocuparam os postos de trabalho braçal. Pela primeira vez, elas se livraram das saias pesadas para vestirem calça e macacão durante as jornadas nas fábricas. A oportunidade de usar uma roupa leve e confortável já havia mudado o panorama para sempre.

“O contexto de guerra tornou a indumentária atribuída às mulheres até então inútil, pois você precisa de movimento de corpo, seja para trabalhar em fábricas, como enfermeiras em hospitais ou angariando fundos de guerra. A mulher encurta o cabelo, a roupa se torna mais prática, e ela vai conquistando o ambiente urbano”, explica Patrícia Helena Soares Fonseca, professora dos cursos de Moda e Design da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), o uso da calça comprida ficou ainda mais popular na Europa. Afinal, não é eficiente correr de bombardeios usando vestidos.

Mas no pós-Segunda Guerra, surgiu uma mudança conservadora. O corpo da mulher voltou a ser preso, e veio a opulência dos vestidos, cheios de dobras, camadas e estruturas pesadas. Era o ‘new look’ inventado por Christian Dior, que saiu das passarelas e influenciou guarda-roupas em todo o planeta.

A história recente do mundo ocidental deixa claro que prever o que as pessoas vão querer vestir depois da pandemia é tarefa quase impossível. “Há a possibilidade de repensar o vestuário. É claro! E seria o ideal. Mas isso vai acontecer?”, questiona Patrícia.

Mulheres refletem sobre padrões e consumo

Se depender de Nuta Vasconcellos, sim. Criadora do projeto Chá de Autoestima, palestrante e estudante de Psicologia, ela tem levado a discussão para as suas seguidoras: 26 mil na conta do projeto e 14,3 mil na pessoal. Isso só no Instagram. A descrição de seu perfil, aliás, já dá o spoiler: “feminino consciente”.

“Noto que as seguidoras estão refletindo mais sobre o que fazem pensando em agradar ao olhar masculino ou para serem mais bem aceitas socialmente”, observa Nuta, que também encontra espaço para repensar seus próprios padrões: “Durante a quarentena, notei que faço minhas unhas por questões sociais. Não tenho feito em casa, e não ligo. Mas sempre fazia para dar as palestras.”

O look de home office estava integrado à rotina há muito tempo: roupa mais folgada, sapatos confortáveis (ou nenhum).

“Sempre usei roupa básica e funcional para trabalhar em casa. Mas quando tenho vontade de me arrumar mais, colocar maquiagem, fazer um penteado, eu faço”, diz, antes de acrescentar: “Ah, mas se tem uma coisa que não coloco pra ficar em casa é jeans”.

A empresária de nome artístico Gaia Qual a-versão, que conduz o projeto de educação sexual para mulheres “Meu clitóris minhas regras”, reforça que a quarentena está demonstrando que “ter guarda-roupas cheio não vale de nada”. Ela já era adepta de um guarda-roupas básico, enxuto e confortável (“de calçados tenho só três pares de tênis, um sapato e dois chinelos”). Ela não usa sutiã há sete anos.

“E vou te dizer que é complicado tentar viver com o mínimo, viu? Eu tenho que bater perna pelo Centro de São Paulo inteiro para encontrar uma camiseta preta lisa ou uma calcinha de algodão, que são as recomendadas para não irritar a pele e manter a saúde da vulva. Aliás, está aí uma dica importante para as mulheres, não apenas durante a quarentena”, aponta Gaia. Para ela, a própria indústria não está pronta nem tem interesse em uma mudança a um estágio mais básico do consumo. “É muito mais rentável vender peças que, em seis meses, sairão de moda, e precisarão ser repostas.”

Olhar para o futuro

Presidente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda e diretora da editora Estação das Letras e Cores, Kathia Castilho acredita que a moda se adapta rapidamente às novas realidades, o que é uma ótima notícia. A parte não tão boa é que, para isso, é preciso vontade de mudar os padrões de consumo.

“A moda veste a história, então está conectada ao seu tempo. Já estamos vendo soluções de designers para máscaras que protegem o rosto mas sem esconder as expressões faciais, por exemplo, e pesquisas tecnológicas para pensar na roupa como defesa, tecidos antibacterianos… O aspecto utilitário da moda está borbulhando”, analisa Kathia Castilho, que é doutora em Comunicação e Semiótica. “A questão é pensar no que vamos valorizar, como sociedade, nesse momento pós-pandemia.”

Para ela, apesar do muito que se caminhou em direção a uma moda mais confortável e útil para as mulheres, há características que merecem uma boa reflexão ainda. A primeira delas é a de que a maneira de vestir o corpo feminino muitas vezes ainda é direcionada a um suposto olhar masculino de sedução. “Isso inclui a roupa ajustada no corpo, nem sempre o mais saudável ou confortável para quem veste. É importante desvincular a vestimenta do olhar do homem e do poder sobre o corpo feminino”, pondera a Kathia.

Outro ponto primordial é que as transformações e evoluções da moda se deem na direção da sustentabilidade.

“A indústria da moda é uma das principais causas de poluição e agressão ao meio ambiente. Mas há alternativas, como participar de grupos de compra consciente, consumir produtos mais duráveis e fomentar a indústria local, em vez de grandes marcas”, acredita a pesquisadora.

Patrícia Fonseca, professora da FAAP, também chama a atenção para o ponto: o de que é preciso se discutir os excessos.

“Espero que haja uma reflexão sobre o que queremos como sociedade. Pensar a moda aliada à ciência, à saúde, ao meio ambiente, e repensar o consumo. Fazer uma moda mais sustentável e tecnológica? Ou sair correndo em direção ao shopping assim que a quarentena acabar?”, provoca Patrícia.

Nuta já escolheu de que lado quer ficar e comprova na prática: a conta do cartão de crédito teve redução de 60% no período de quarentena.

“Não estou deixando de ter nada de essencial: comida, luz, internet, remédios… Estou bem e gastando menos. E isso me fez pensar no quanto consumimos porque estamos num mundo que faz a gente consumir o tempo todo.”

Como após qualquer grande ruptura, nasce um momento propício para repensar as prioridades. É a hora ideal para pensar de quais hábitos se livrar.

*Por Marina Cohen, jornalista com trabalhos no jornal O Globo e Jornal do Brasil. Hoje, escreve para o Projeto#Colabora.