sábado, 17 de outubro de 2020

A filósofa Carissa Véliz acaba de publicar o livro 'Privacidade é poder'

 Gazeta da Torre

A filósofa Carissa Véliz

Antes mesmo de você sair da cama ou desligar o alarme do seu celular, muitas organizações já sabem a que horas você vai acordar, onde dormiu e até com quem.

E quando você acordar e pegar o celular, eles ainda saberão muitos mais detalhes particulares sobre você: pela música que você toca, eles vão deduzir, por exemplo, seu humor.

Até mesmo ligar a máquina de lavar ou fazer café pode revelar informações pessoais.

Seus gostos, seus hobbies, seus hábitos, seus relacionamentos, seus medos, seus problemas médicos...

Praticamente tudo o que fazemos é espionado e controlado por empresas que, por sua vez, compartilham todas essas informações pessoais entre si e com vários governos.

Não se trata apenas de venderem os seus dados pessoais, mas do imenso poder de influenciar que isso lhes confere.

Esses assuntos são abordados em Privacy is Power (ou Privacidade é poder), o livro que acaba de ser publicado no Reino Unido pela filósofa mexicana-espanhola Carissa Véliz, professora do Instituto de Ética e Inteligência Artificial da Universidade de Oxford.

Nascida no México em uma família espanhola que teve que deixar a Espanha após a Guerra Civil e encontrar refúgio naquele país, Véliz se interessou por privacidade quando começou a investigar a história de seus parentes em arquivos da Espanha.

"Fiquei pensando se eu tinha o direito de saber o que meus avós não me contaram sobre a Guerra Civil Espanhola", explica Véliz.

Hoje ela é uma especialista em privacidade e no imenso poder que nossos dados pessoais conferem a empresas e governos.

ENTREVISTA da BBC News Mundo

BBC News Mundo - Por que a privacidade é importante?

Carissa Véliz - A privacidade é importante porque a falta dela dá aos outros imenso poder sobre nós. Quando outras pessoas sabem muito sobre nós, elas podem interferir em nossas vidas.

A privacidade nos protege de abusos de poder. Por exemplo, ele nos protege contra a discriminação. Se seu chefe não souber a religião que você segue, ele não poderá discriminá-lo.

A privacidade é como a venda que cobre os olhos da Justiça para que o sistema nos trate com igualdade e imparcialidade.

Neste momento, não somos tratados como iguais: não vemos o mesmo conteúdo online, não nos são oferecidas as mesmas oportunidades, muitas vezes não pagamos o mesmo preço pelos mesmos produtos — graças a algoritmos de sites da internet que usam nossos dados para nos oferecerem informações e produtos diferentes.

Se somos tratados de acordo com nossos dados (se somos mulheres ou homens, magros ou gordos, ricos ou pobres) não somos tratados como cidadãos iguais. Privacidade é poder.

Se continuarmos dando nossos dados a empresas, não devemos nos surpreender depois que os ricos serão quem escreve as regras de nossa sociedade. Se dermos aos governos nossos dados, não devemos depois nos surpreender que esses mesmos governos passem a nos controlar.

Para que a democracia seja forte, os cidadãos devem estar no controle dos dados. É por isso que a privacidade é uma preocupação política — e não apenas individual.

BBC News Mundo - Quais dos nossos dados são coletados por meio de dispositivos eletrônicos? Você pode nos dar alguns exemplos?

Véliz - Tudo que você pode imaginar e um pouco mais. Quem são seus amigos e familiares, onde você mora, onde trabalha, com quem dorme, se está sendo infiel ao seu parceiro, sua orientação sexual, suas opiniões políticas, que carro você tem, quanto dinheiro você ganha.

Também quanto gasta, se tem dívidas, se foi vítima ou autor de um crime, o que come, quanto bebe, se fuma, o que compra, se tem alguma doença, o que o preocupa, a que horas vai dormir e a que horas acorda, como você dirige, o que você procura na internet, o que chama sua atenção, qual é o seu humor.

Seu carro, por exemplo, se for 'inteligente', fica atento à música que você gosta e o assento mede até seu peso.

BBC News Mundo - E que uso é feito desses dados e por quem?

Véliz - Todas essas informações são vendidas a quem oferecer o lance mais alto. Os 'data brokers' compilam dossiês sobre os usuários da internet e os vendem.

BBC News Mundo - Quem os compra?

Véliz - Empresas de marketing, seguradoras, bancos, empregadores em potencial e até governos e, em alguns casos, criminosos que desejam roubar sua identidade.

BBC News Mundo - Que dano isso pode causar — que alguns de nossos dados pessoais sejam conhecidos por outros?

Véliz - Os danos podem ser tanto individuais (alguém roubando seu número de cartão de crédito e comprando algo com ele, ou alguém roubando sua identidade e cometendo crimes em seu nome), quanto danos coletivos (hackeando nossa democracia, como a empresa Cambridge Analytica tentou, enviando propaganda personalizada, incentivando algumas pessoas a votarem e desencorajando outras, ou enviando notícias falsas para confundir a população e gerar desconfiança).

Em casos extremos, a falta de privacidade mata: de suicídios por humilhação pública (como aconteceu no ano passado na Espanha) a regimes autoritários que usam dados pessoais para perseguir certos grupos (a China usa dados biométricos e pessoais para perseguir os uigures).

Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os nazistas usaram registros públicos para procurar judeus.

Na França, onde o censo não coletou informações sobre religião por motivos de privacidade, eles encontraram e mataram apenas 25% da população judia.

Na Holanda, onde existiam registros muito detalhados de domicílio e religião, eles encontraram e assassinaram cerca de 75% da população judia. A diferença são centenas de milhares de pessoas.

Como essa informação não existia na França, os nazistas confiaram a tarefa de coletar dados sobre religião a René Carmille, Controlador Geral do Exército francês.

Carmille disse que usaria máquinas Hollerith, que funcionavam com cartões perfurados da IBM, para fazer um censo. O que os nazistas não sabiam é que Carmille era uma das pessoas mais importantes da Resistência Francesa.

Ele reprogramou as máquinas para que não perfurassem a coluna 11, onde os cidadãos indicavam sua religião. Ao não coletar essas informações, Carmille salvou centenas de milhares de vidas.

Vista dessa forma, a falta de privacidade (indiretamente) causou a morte de mais pessoas do que o terrorismo.

No meu livro, argumento que você deve pensar nos dados pessoais como se fossem uma substância tóxica, porque de certo modo é. Eles estão envenenando nossas vidas, como indivíduos e como sociedades.

Os dados pessoais devem ser regulamentados da mesma forma que regulamentamos outras substâncias tóxicas, como o amianto.

BBC News Mundo - As informações coletadas sobre nós podem ser usadas para discriminar algumas pessoas ou para outros fins perversos?

Véliz - Claro. Imagine que uma empresa deseja contratar alguém. Você tem dois candidatos que são igualmente competentes.

A empresa compra os dados de ambos os candidatos e percebe que um deles professa uma religião ou apoia um partido político contrário às crenças do chefe da empresa.

Ou você fica sabendo que um candidato tem um problema de saúde que pode ser sério no futuro, ou que tem filhos pequenos.

A empresa pode contratar o candidato que tem a religião certa, ou que apoia o partido político que eles apoiam, ou pode preferir o candidato mais saudável, ou o que não tenha família para distraí-lo.

Discriminação é ilegal, mas quem vai ficar sabendo? Você pode ter sido vítima de discriminação e nunca descobrir.

BBC News Mundo - Como sociedade, por que é importante mantermos nossa privacidade?

Véliz - Porque sem privacidade não há garantia de igualdade, nem justiça, nem liberdade, nem democracia. A vigilância em massa é incompatível com o Estado de Direito.

A arquitetura da vigilância é perfeita para cairmos em uma sociedade de controle ou com tendências autoritárias. A liberdade de pensamento não pode ser garantida quando tudo o que lemos está sendo observado.

A confidencialidade entre advogados e clientes, ou médicos e pacientes, não pode ser garantida quando tudo o que dizemos se transforma em dados que são coletados, analisados e vendidos.

A falta de privacidade ameaça nossa autonomia, nossa capacidade de governar a nós mesmos, como indivíduos e como cidadãos.

Como pode haver confiança entre os cidadãos, ou debates políticos saudáveis, se há atores estrangeiros querendo hackear nossa psicologia, usando dados sobre os nossos medos para incitar o conflito entre nós?

BBC News Mundo - Mark Zuckerberg, presidente e fundador do Facebook, declarou em 2010 que "a era da privacidade acabou". É isso mesmo? Precisamos nos resignar ao fato de que empresas e governos sabem cada vez mais sobre nossa vida pessoal?

Véliz - Zuckerberg teve e ainda tem interesse financeiro no fato de as pessoas acreditarem que a privacidade é coisa do passado. Mas a privacidade é mais relevante do que nunca.

Tente pedir a um estranho que lhe forneça a senha de seu e-mail: ninguém vai dar isso a você. A privacidade não morreu. Pelo contrário. Este é apenas o começo da luta por nossa privacidade online.

O próprio Zuckerberg, percebendo que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com sua privacidade, mudou o tom de sua publicidade e afirmou no ano passado que o futuro é privado.

Não, não devemos nos resignar. Devemos lutar por nossa privacidade, porque há muita coisa em jogo. Nossa forma de vida está em jogo. Nosso futuro e o futuro de nossos filhos.

Mesmo nas sociedades mais capitalistas, concordamos que certas coisas devem estar fora do mercado. Por exemplo, se colocarmos os votos à venda, corroemos a democracia. Se vendermos o resultado das partidas de futebol, arruinamos o esporte.

Temos que colocar nossos dados pessoais nessa lista de coisas que não deveriam estar à venda. Permitir que os urubus de dados lucrem aprendendo sobre nossas vulnerabilidades é escandaloso.

BBC News Mundo - Como você pode combater a perda de privacidade individualmente? Você pode nos dar alguns conselhos práticos?

Véliz - Pare de usar o Google; use DuckDuckGo. Pare de usar o WhatsApp; use Signal. Não forneça seus dados pessoais para quem não precisa deles.

Se uma empresa pedir seu e-mail e não precisar dele, dê um e-mail falso, assim como você daria um telefone falso para alguém inconveniente que não aceita "não" como resposta.

Não viole a privacidade de terceiros: não poste fotos ou mensagens de alguém sem seu consentimento, e não compartilhe nenhuma imagem ou vídeo que viole a privacidade de alguém.

Não seja um acessório para vigilância em massa. Evite comprar objetos que se conectam à internet se não for necessário.

Eletrodomésticos como máquinas de lavar e chaleiras funcionam melhor se não estiverem conectados à Internet e não puderem ser hackeados.

Informe-se mais sobre o assunto privacidade. Leia sobre isso, e comente. Exija que as empresas e seus representantes políticos protejam a sua privacidade.

BBC News Mundo - Ter privacidade é um direito? E se for, quem deve garantir e proteger esse direito?

Véliz - Sim, a privacidade é um direito humano, é um direito tanto legal como moral.

É dever dos governos e dos cidadãos proteger esse direito, assim como o seu direito à vida é protegido tanto pelo Estado quanto pelas pessoas ao seu redor.

BBC News Mundo - E por que o direito à privacidade não é protegido?

Véliz - A privacidade não está sendo suficientemente protegida por razões financeiras, porque a venda de dados é lucrativa. É por isso que eu argumento em meu livro, "Privacidade é poder", que nós temos que acabar com a economia de dados.

Enquanto os dados forem lucrativos, haverá abusos. Algumas pessoas podem pensar que é radical fazer uma chamada para encerrar a economia de dados.

Mas o radical é ter um modelo de negócios que dependa da violação massiva e sistemática de nossos direitos.

BBC News Mundo - Há quem diga que não se preocupa que empresas e governos tenham acesso aos seus dados privados e pessoais, que elas não têm nada a esconder. O que diria a essas pessoas?

Véliz - Diria que você tem muito a esconder e a temer, a menos que seja um exibicionista com desejos masoquistas de sofrer roubo de identidade, discriminação, desemprego, humilhação pública e totalitarismo, entre outros riscos possíveis.

Outra coisa é que você não sabe o que tem a esconder. Você pode ter uma doença que ainda não se manifestou, mas que, quando os abutres de dados descobrirem (e eles podem descobrir antes de você), eles usarão isso contra você.

Um problema com a privacidade é que muitas vezes não percebemos como ela é importante até que a perdemos e sofremos as consequências. E então é tarde demais.

BBC News Mundo - Que implicações éticas existem por trás da perda de privacidade que sofremos?

Véliz - Muitas. Talvez a mais importante seja que Estados e empresas de comércio de dados estão apoiando um sistema econômico profundamente imoral, porque ele depende da violação sistemática de nosso direito à privacidade.

BBC News Mundo - Alguém pode fazer uso político de nossos dados pessoais? A falta de privacidade pode ser uma ameaça à democracia?

Véliz - Sem dúvida. Já aconteceu com Cambridge Analytica, que interferiu no referendo do Brexit e nas eleições americanas em que Trump ganhou.

A empresa usou dados pessoais para tentar convencer os cidadãos que votariam em Hillary Clinton de que votar não valia a pena, por exemplo. O conteúdo personalizado é tóxico e deve ser banido.

Ninguém tem acesso direto à realidade: sabemos (ou pensamos saber) o que está acontecendo no mundo por meio de nossas telas. Se a informação que uma pessoa recebe é diametralmente diferente daquela de seu vizinho, não há como se entender e ter uma discussão racional.

Cada um vai pensar que o outro é louco. Mas não somos loucos, estamos simplesmente sendo expostos a imagens do mundo tão diferentes que não são compatíveis.

Quando o conteúdo que vemos é individual, a esfera pública se fragmenta em realidades individuais, guetos informativos.

BBC News Mundo - Ainda estamos a tempo de recuperar nossa privacidade?

Véliz - Estamos na hora certa. Podemos proibir a economia de dados, forçar os abutres de dados a apagar nossas informações confidenciais, impor deveres fiduciários a qualquer pessoa que manipule nossos dados (de tal forma que os nossos dados só possam ser usados por nós e nunca contra nós, exatamente como acontece com os médicos, que só podem usar o que sabem para nos beneficiar e nunca para nos prejudicar), melhorar nossos padrões de segurança cibernética e muito mais.

Estamos passando por um processo de civilização semelhante ao que passamos no contexto pré-digital. Conseguimos transformar o Velho Oeste em um lugar habitável.

Graças à regulamentação, podemos confiar que os alimentos vendidos no supermercado são (relativamente) comestíveis, que os carros que dirigimos são (relativamente) seguros e que a água que bebemos é suficientemente limpa.

No futuro, teremos imposto as medidas adequadas para confiar que podemos usar a tecnologia sem que ela nos use. Algo importante a ter em mente é que a tecnologia pode funcionar perfeitamente bem sem a necessidade se negociar com nossos dados.

A venda de dados é apenas um modelo de negócios. Podemos financiar tecnologia de outras maneiras.

BBC News Mundo - Por que você se interessou pelo tópico de privacidade?

Véliz - Meu interesse pela privacidade começou como um assunto pessoal. Eu estava pesquisando a história da minha família nos arquivos da guerra civil na Espanha.

Descobrir certas coisas que não sabia sobre meus avós me fez pensar se eu tinha o direito de saber o que eles não me contaram e se tinha o direito de escrever sobre isso.

Filósofa, busquei respostas em minha disciplina, mas elas não me satisfizeram.

Naquele mesmo verão, quando visitei os arquivos com minha mãe, (Edward) Snowden revelou que o mundo inteiro estava sendo monitorado eletronicamente por agências de inteligência. Isso me chocou. Então comecei a investigar a privacidade com mais seriedade.

Acabei escrevendo minha tese de doutorado na Universidade de Oxford sobre ética e política de privacidade. Quanto mais eu leio sobre isso, mais o estado de nossa privacidade me preocupa.

Quanto mais eu leio história, mais percebo que a economia de dados é uma loucura absoluta, que é extremamente perigoso ter tantos dados populacionais mal protegidos.

Vender para quem quiser comprar é colocar a população em risco constante. Os dados pessoais frequentemente acabam sendo abusados, mais cedo ou mais tarde.

Eles são uma bomba-relógio.

Irene Hernández Velasco

BBC News Mundo

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Desinformação sobre vacina tem alto engajamento no Facebook em setembro

 Gazeta da Torre

Levantamento da União Pró-Vacina mostra que, no Brasil, conteúdo com afirmações falsas foi o mais repercutido entre temas ligados a vacinação nesse mês na rede social

No mesmo mês em que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) cobraram de países medidas firmes para combater a disseminação de informações falsas sobre a covid-19 e que o mundo registrou um milhão de mortos pelo novo coronavírus, um vídeo com diversas afirmações falsas sobre as vacinas desenvolvidas contra essa doença originou a desinformação com mais engajamento no Facebook no Brasil no mês de setembro.

A constatação foi feita em uma análise da União Pró-Vacina (UPVacina), iniciativa que reúne instituições da USP em Ribeirão Preto e outros setores da sociedade, para combater notícias falsas sobre vacinas e gerar conteúdo baseado em evidências científicas. Uma análise anterior, veiculada no início de setembro no Jornal da USP, já alertava que conteúdos que estavam restritos a grupos antivacina poderiam ganhar larga divulgação por meio de outras redes de desinformação, devido à alta demanda de informação por questões relacionadas à pandemia.

Conteúdo do vídeo

O vídeo de aproximadamente 13 minutos, produzido pelo jornalista e funcionário concursado da Câmara dos Deputados Cláudio Lessa e publicado originalmente no YouTube no dia 8 de setembro, faz entre o 4º e o 10º minuto diversas afirmações falsas e alarmistas sobre a vacina de mRNA contra a covid-19 baseadas em argumentos comprovadamente mentirosos e que circulam há tempos pelos grupos antivacina.

O primeiro deles é uma suposta interferência que elas poderiam causar no material genético de quem as recebe, gerando problemas de saúde “irreversíveis e incuráveis”. Segundo a microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, já existem vacinas de DNA, semelhantes às de mRNA, seguras e usadas no meio veterinário. Elas não causam mutação porque não se integram ao DNA do animal, apenas possuem fragmentos da sequência genética do vírus dentro de um DNA circular chamado plasmídeo.

“Essa informação genética é utilizada pela célula para produzir uma proteína do vírus de interesse, que será apresentada para o sistema imune. O sistema imune ‘enxerga’ a proteína viral e monta uma resposta imune e memória imunológica. O mesmo princípio vale para a vacina de mRNA, que é de fato uma tecnologia nova, mas não teria como se integrar ao nosso genoma. É apenas informação genética do vírus, que será usada para produzir uma proteína”, diz ela.

O vídeo utiliza outras diversas afirmações falsas utilizadas pelos movimentos antivacina, como a presença de “nanopartículas de controle social” nos imunizantes, que permitiriam monitorar a vida pessoal de qualquer cidadão, e que tudo isso seria parte de um plano do empresário norte-americano Bill Gates para reduzir drasticamente a população mundial.

“Esse tipo de desinformação sobre vacinas não parece vir do movimento antivacina clássico, que atribui falsamente casos de autismo às vacinas. Parece muito mais uma tentativa de grupos com uma agenda político-ideológica, que usam a temática sensível para disseminar teorias da conspiração sobre liberdades individuais. Há, inclusive, vídeos circulando com a notícia falsa de que vacinas são feitas em células de fetos abortados. Esses conteúdos têm um potencial extremamente danoso para a sociedade, podendo abalar a credibilidade não somente das vacinas contra a covid-19, mas de vacinas como um todo”, afirma Natália.

Diversas agências que checam a veracidade de informações divulgadas nas redes sociais já analisaram as informações do vídeo e também destacaram que são falsas.

Repercussão

O material ganhou destaque após a publicação, no dia 24 de setembro, no site Jornal da Cidade Online, que possui mais de 10 milhões de visitas por mês e é alvo de investigações sobre fake news. O responsável pelo portal, José Tolentino, também tem condenações, uma delas expedida no dia 30 de março deste ano, por difamar uma desembargadora do Rio de Janeiro em um de seus conteúdos, e outra por caluniar um desembargador do Rio de Janeiro em 2018.

Outra grande ajuda para amplificar a desinformação foi a publicação, no dia 25 de setembro, do vídeo na página da deputada Bia Kicis (PSL) no Facebook. A deputada, que é investigada em inquérito do STF por disseminação de fake news, não apenas publicou o vídeo como fez uma edição, colocando sua própria logomarca.

Claudio Lessa, autor do vídeo original, também enfrenta processo pela divulgação de fake news ligadas à covid-19 movido pelo governador do Espírito Santo, Renato Casagrande.

A análise

Os pesquisadores da UPVacina analisaram, em setembro, os links relacionados à temática de vacinas com o maior engajamento no Facebook e também os vídeos com maior número de visualizações no YouTube.

Considerando a postagem na página de Bia Kicis e a matéria do Jornal da Cidade Online, as interações chegam a 232,3 mil, entre curtidas, comentários e compartilhamentos no Facebook. Ao analisarmos somente os compartilhamentos, ou seja, o quanto o conteúdo viralizou, o post e a matéria sobre o vídeo, juntos, foram compartilhados por 79,7 mil usuários, enquanto as outras sete notícias de maior engajamento no mesmo mês, em conjunto, tiveram 79,6 mil compartilhamentos.

Até o dia 30 de setembro, mais de 180 mil pessoas haviam visualizado a peça no YouTube. Outras 350 mil viram a peça na página da deputada no Facebook. Se essas duas peças fossem apenas um vídeo no YouTube, teriam atingido um total de 530 mil visualizações, superando o vídeo mais visto nessa plataforma com conteúdo relacionado a vacinas no mês de setembro, que teve 500 mil visualizações.

“Os dados levantados demonstram que a desinformação contra as vacinas para a covid-19, impulsionada pela demanda de conteúdos referentes à pandemia, extrapolou o nicho dos grupos radicais que são contra as vacinas, atingindo agora novas proporções. Para se ter uma ideia, os grupos antivacina demorariam pelo menos 13 anos para conseguir essa quantidade de compartilhamento em suas publicações caso mantivessem o ritmo de postagens da análise divulgada em agosto. A tendência é que essas campanhas de desinformação continuem ocorrendo e cresçam com a proximidade do lançamento das vacinas”, comenta o analista de comunicação do Instituto de Estudos Avançados da USP, João Rafael.

O Jornal da Cidade Online atualizou o texto em seu site no dia 29 de setembro, mas manteve o vídeo original produzido por Cláudio Lessa. Até a publicação desta matéria, a deputada Bia Kicis ainda não havia excluído a postagem, mesmo com a marcação de conteúdo falso feita pelo Facebook também no dia 29.

“Essas correções ou avisos de conteúdo falso, que são colocados vários dias após a publicação da desinformação, acabam tendo, na prática, pouca ou nenhuma efetividade, pois nesse tempo o conteúdo já foi amplamente disseminado entre os usuários das plataformas. É urgente que as grandes empresas de tecnologia reforcem suas políticas de combate à desinformação, principalmente no momento em que a sociedade enfrenta uma pandemia”, comenta João.

No caso do vídeo original no YouTube, no período da análise, ele seguiu disponível sem o aviso que é colocado pela plataforma quando há abordagem de temas relacionados à covid-19. O conteúdo ainda é monetizado, ou seja, permite que o YouTube e o autor lucrem com propagandas de diversas empresas, entre elas oito grandes marcas de destaque no Brasil: Mercado Livre, Samsung, Carrefour, MRV, Bradesco, iFood, Gomes da Costa e Natura.

Fonte:Jornal da USP

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Mudança na rotulagem: uma boa notícia que poderia ser muito melhor

 Gazeta da Torre

Há uma expressão popular muito utilizada que diz: "Devagar com o andor que o santo é de barro". É o mesmo que pedir cautela, cuidado.

Portanto, vale uma reflexão diante da nova rotulagem nutricional para alimentos industrializados, aprovada quarta-feira, dia 7, pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ao contrário do que inúmeras entidades da Nutrição defendiam, será incluído um símbolo em forma de lupa na parte frontal das embalagens para identificar o alto teor de gordura saturada, sódio ou açúcar adicionado, prejudiciais à saúde.

Não há dúvidas de que a sinalização representa um grande avanço, mas a ASBRAN não considera ser a melhor opção dentre as que estavam em debate.

A ASBRAN, juntamente com demais entidades ligadas à Alimentação e Nutrição, sempre defendeu a sinalização em formato de triângulos, amparada por conceitos técnicos de melhor aplicabilidade.

"Avançamos muito sim positivamente, mas é preciso que a sociedade saiba que poderíamos ter um resultado melhor do que o que foi escolhido. O alerta mais visível nas embalagens, com informações claras e precisas, era o mais adequado. Além disso, é bom lembrar que as evidências científicas mostraram que o modelo de advertência em formato de triângulo se mostrou mais eficiente para o entendimento do grande público", disse a presidente da ASBRAN, Ruth Guilherme.

Por que defendemos triângulos?

O modelo dos triângulos foi proposto pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC em parceria com especialistas em design da informação da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Recebeu apoio de várias entidades da Nutrição, entre elas a ASBRAN. Pesquisas já comprovaram que o triângulo é a forma mais eficaz de informar o consumidor na hora da compra.

Fonte:Asbran

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Brasil vê crises simultâneas, democracia corroída e indiferença à morte

 Gazeta da Torre

“Estamos acostumados a achar que o que vivemos é diferente de tudo, como se estivéssemos em uma situação única. E acho que estamos. Não há nenhum momento na história do Brasil em que seja possível ver [essas] três coisas ao mesmo tempo: uma superposição de crises – há uma crise política, uma crise ambiental, uma crise econômica, uma crise sanitária, só falta a crise social –, um processo de corrosão da democracia por dentro das instituições e o comportamento de um largo setor da sociedade brasileira de indiferença e desprezo diante da morte”.

Esse é o retrato do Brasil de 2020 na visão da historiadora, cientista social e professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Heloisa Starling, compartilhada em entrevista a plataforma UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP.

De acordo com ela, no Brasil, embora não se despreze a democracia e todos digam ser republicanos, na realidade, “não se tem orgulho da democracia” e “é como se a nossa república fosse oca, vazia de significado”. Observando a conjuntura atual, ela reforça esse entendimento dizendo que “mesmo governos conservadores, como Dutra (1946 – 1951), Collor (1990 – 1992) e Jânio Quadros (1961), não agiram deliberadamente no sentido de produzir a corrosão das instituições democráticas por dentro delas”.

Heloisa salienta que valores republicanos e democráticos – os quais ela considera estarem ameaçados na atualidade – não podem se perder, porque geram “crescimento na qualidade de vida”.

“Estamos olhando muito para a sociedade autoritária, mas a história do Brasil é uma longa luta pela liberdade, desde as santidades indígenas botando os portugueses para correr”, destaca a historiadora. “A república oferece um conjunto de valores que estão ligados ao bem comum, à compaixão, a essa capacidade que tenho de me identificar com o outro independentemente de quem ele seja, porque ele está sofrendo”, explica.

Pandemias

Prestes a lançar o livro A bailarina da morte: a gripe espanhola no Brasil, em parceria com a também historiadora Lilia Schwartz – com quem escreveu Brasil: uma biografia –, Heloisa aponta similaridades entre o surto que afligiu o País em 1918 e o de covid-19, como maquiagem de estatísticas e o anúncio de um remédio que seria eficaz contra a doença chamado de “chloro quinino” – apesar da semelhança nominal, não tem relação com a cloroquina.

“Em Recife, inventaram uma doença para não ter que fazer estatística da gripe espanhola. Em Porto Alegre, houve censura do governo, não podia sair no jornal. Na Bahia, o governo dizia que não havia gripe e quem falava mal da Bahia era mau patriota”, conta a historiadora.

Por outro lado, ela indica que, quando o número de mortes decorrentes de gripe espanhola começou a crescer, autoridades em saúde foram chamadas para orientar a população, não se negando mais os malefícios da doença e reforçando a confiança na ciência. Por fim, ela realça outra diferença entre a pandemia atual e a do século passado: “Em nenhuma cidade que estudamos, a sociedade se manifestou de forma indiferente [à morte]”, frisa.

Fonte:UM Brasil

Lei de Importunação Sexual é menos tolerante e mais abrangente

 Gazeta da Torre

Conhecida como LIS, a lei criminalizou comportamentos indesejados, com cerca de 130 sentenças proferidas e mais de 200 decisões em segunda instância

Cantadas invasivas, beijinhos “roubados” e muitas outras ações inadequadas agora são crime. A LIS – Lei da Importunação Sexual, de número 13.718,  sancionada em 24 de setembro de 2018, alterou o Código Penal. “Em seus dois anos de vigência, avanços foram verificados, cerca de 130 sentenças foram proferidas e há mais de 200 decisões em segunda instância”, diz Heidi Florêncio, professora do Departamento de Direito Penal da Faculdade de Direito da USP. A nova lei pune outros tipos de crime, que não se enquadram em assédio sexual ou estupro.                                                                                                                     

 “A principal motivação para a sanção da lei, que teve grande repercussão na mídia, foi o abuso sofrido por mulheres em meios de transporte coletivo, como ônibus e Metrô”, lembra a professora Heidi. Segundo ela, situações como essa não contavam com enquadramento jurídico na lei. “Algumas decisões consideravam esses fatos como contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor, recebendo como pena apenas uma multa. Para ser enquadrada como estupro, um crime hediondo, com uma pena de seis a dez anos, seria necessário uma violência ou grave ameaça, o que geralmente não está presente nesses casos.”                                                                                                               

A professora lembra que “ainda há muito medo e preconceito por parte de quem sofre a agressão sexual em denunciar o ocorrido, isto porque nessas situações o que vale é única e exclusivamente a palavra de quem sofreu a violência. Nem sempre a pessoa está acompanhada, está sozinha, não tem nenhuma testemunha para relatar os casos. Mas, como ocorre na grande maioria dos crimes sexuais, a palavra da vítima tem uma grande importância e muitas decisões são baseadas única e exclusivamente em seu relato, o que é o suficiente para uma condenação”.

Fonte:Rádio USP

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Eleições infectadas: até que ponto a Covid-19 vai influenciar o voto em 2020

 Gazeta da Torre

Além do adiamento, ações de combate ao novo coronavírus (Sars-Cov-2) poderão influenciar a eleição e reeleição de prefeitos do país

Segundo Luiz Roberto de Farias, cientista político e professor da ECA-USP e da Universidade Metodista, a pandemia e as ações dos prefeitos no combate a Covid-19 irão influenciar a opinião da população e, consequentemente, a eleição ou reeleição dos candidatos.

“Certamente o combate à pandemia é hoje uma bandeira importante por se tratar do ponto-chave nos noticiários e nas conversas.”, diz Luiz, que completa explicando como os políticos poderão usar a pandemia para se reelegerem:

“Cada um vai construir uma narrativa em torno de sua epopéia no combate à doença, e deverá trazer números que possam mostrar esses bons resultados, tanto em termos de cura quanto de recuperação de empregos, atendimento social”, afirma.

Luiz diz ainda que o êxito dos candidatos que buscam a reeleição pode estar atrelado ao discurso e às narrativas que os políticos adotarem nas campanhas.

“As reeleições também vão passar pela predisposição das pessoas a acreditar no discurso – sério e científico ou especulador e irresponsável – de cada candidato. A capacidade de o prefeito conseguir associar o seu nome a medidas populares como o Auxílio Emergencial , por exemplo, pode ser muito positiva nas urnas, por mais que nada tenha a ver com o poder municipal”, explica.

Fake news e influência

O docente diz também que o uso de robôs na disseminação de notícias falsas sobre o novo coronavírus vai aumentar o número de eleitores que acreditem em informações negacionistas sobre a pandemia, facilitando possíveis manipulações.

“Por conta do uso de robôs na disseminação de informações falsas, cresce o grupo de pessoas que acreditam em informações negacionistas. Mas é claro que o discurso pode ser bem formatado e mostrar aparências que não correspondam à verdade.”, diz Luiz, que completa:

“O eleitor deverá checar – como sempre deveria fazer – o discurso com os atos ao longo do processo, informando-se por meio da imprensa e não por redes sociais digitais. Ainda assim, muitos procurarão um viés de confirmação para defender o seu candidato, o que é um erro enorme”.

Influência de Bolsonaro

Luiz diz ainda que a postura de Bolsonaro frente à pandemia visa criar uma cortina de fumaça e manipular pessoas conduzidas “por blocos, sem reflexão ou crítica”. Ele também afirma que partidos apoiadores do presidente e de sua postura deverão conseguir votos nas eleições.

“A maior parte da população, acredito, não será levada por esse tipo de enviesamento. Todavia, o governo deve conquistar um número significativo de prefeituras em todo o país, mesmo que hoje não haja clareza sobre vínculos a partidos, pois ao longo desse período do governo federal já houve vários acordos e rupturas com partidos políticos.”, concluiu.

Por Guilherme Strabelli - iG Último Segundo

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Década da Biodiversidade termina sem nenhuma meta cumprida

 Gazeta da Torre

A chamada Década da Biodiversidade se encerra neste ano com um balanço desolador. Apesar de alguns avanços importantes obtidos em algumas áreas, nenhuma das 20 metas adotadas pela Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CDB) para o período 2011-2020 foi completamente atingida, e apenas seis foram parcialmente alcançadas, segundo um relatório divulgado na última terça-feira, 15 de setembro. Espécies continuam a ser ameaçadas de extinção em grande número e as áreas naturais das quais elas — e a própria espécie humana — dependem para sobreviver continuam a ser degradadas ou destruídas em grande escala ao redor do mundo.

“A humanidade está numa encruzilhada”, foi a expressão escolhida pela CDB para descrever o relatório. “Muitas coisas boas estão acontecendo ao redor do mundo e devem ser celebradas e incentivadas. No entanto, a taxa de perda de biodiversidade não tem precedentes na história da humanidade e as pressões estão se intensificando”, declarou a secretária-executiva da CDB, Elizabeth Maruma Mrema, da Tanzânia.

O relatório divulgado nesta semana é a quinta edição do Panorama Global da Biodiversidade (GBO 5, em inglês), que traz uma revisão completa dos avanços (e retrocessos) obtidos ao longo dos últimos dez anos na execução do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020, que foi aprovado em 2010 pela CDB. Parte essencial desse plano são as 20 Metas de Aichi — assim chamadas em função do local onde elas foram acordadas, no Japão —, que contemplam 60 objetivos relacionados à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade mundial. Desses 60 objetivos, segundo o relatório, apenas 7 foram atingidos; houve avanços em 38; nenhuma mudança em 9; retrocessos em 4; e não foi possível estabelecer uma avaliação em 2.

“O Panorama Global da Biodiversidade é um excelente instrumento de trabalho para aqueles — ainda poucos — que se preocupam com questões ambientais planetárias”, diz o pesquisador José Pedro de Oliveira Costa, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, que já foi secretário de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e do governo estadual paulista. “Ele mostra que, apesar de algum progresso, as condições da Terra continuam se deteriorando. Por mais irracional que pareça, a humanidade é assim; preocupada com o dia a dia, o lucro imediato, sem se incomodar com o colapso futuro, por mais próximo que esse colapso esteja.”

As seis metas que foram classificadas como “parcialmente atingidas” no relatório são as que tratam do combate a espécies exóticas invasoras (Meta 9); da criação de áreas protegidas (Meta 11); da adoção do Protocolo de Nagoya sobre recursos genéticos da biodiversidade (Meta 16); da adoção de estratégias nacionais de biodiversidade (Meta 17); do aumento da conscientização pública e do conhecimento científico sobre a biodiversidade (Meta 19); e dos recursos financeiros destinados à conservação da biodiversidade (Meta 20) — que dobraram na última década, mas ainda são infinitamente menores do que os incentivos financeiros disponíveis para atividades nocivas ao meio ambiente.

Por: Herton Escobar, repórter de ciência e meio ambiente do Estadão

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O candidato Celso Alencar - Programas e propostas pragmáticas estruturadoras


O candidato Celso Alencar, tem como programas e propostas pragmáticas estruturadoras que emanam várias características que incidem na saúde sanitária relacionadas aos vários Distritos de Saúde da Cidade do Recife, quais sejam: a habitação , a renda, a alimentação, as relações psicossociais entre outros.

- Articulação Política para transformação da Guarda Municipal em Guarda de Segurança Municipal

- Atuar junto aos Conselhos Tutelares e na sustentabilidade ambiental

- Equalificação do Orçamento Participativo

- Projeto de regulamentação da REVERSÃO da coleta de lixo e sua devida reciclagem

- Gestão na REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA dos imóveis urbanos

- Incentivo ao Servidor, com melhorias no Reciprev/Saúde Recife

- Extensão de corrimões em escadarias

- Base de Sustentação nos morros de arrimo em período de chuva

- Projeto de SANEAMENTO BÁSICO

- PROJOVEM com criação novas academias do bairro

- Implantação de Escolinhas de Futebol

- Maior acessibilidade para portadores de deficiência física

- Viabilizar um maior número de ciclovias

- Acompanhar as prestações de contas do Prefeito junto ao Tribunal de Contas do Estado.

- Política efetiva de proteção a Cães e Gatos de rua

*Celso Alencar, Advogado, morador do bairro da Torre e CANDIDATO A VEREADOR nas próximas eleições municipais. Número 40.200.

'Libelu – Abaixo a Ditadura' vence no 25º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade

 Gazeta da Torre

A política deu o tom na premiação da competição brasileira do 25º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, na noite de domigo, 4.

Libelu – Abaixo a Ditadura, de Diógenes Muniz, venceu como melhor filme e o júri integrado por Francisco César Filho, Ignácio de Loyola Brandão e Cristiana Grumbach atribuiu duas menções – a Segredos do Putumayo, de Aurélio Michiles, e Fico Te Devendo Uma Carta do Brasil, de Carol Benjamin, os dois abordando a questão dos direitos humanos no País, no período áureo do ciclo da extração da borracha na Amazônia e durante a ditadura militar.

Libelu reconstitui a história do grupo Liberdade e Luta, pioneiro a gritar Abaixo a Ditadura nas manifestações dos anos 1970 e mais tarde originária da tendência O Trabalho, do PT.

Na competição internacional, o júr integrado por Jorge Bodanzky premiou Colectiv, de Alecxander Nanau. Um incêndio na boate com esse nome produziu dezenas de mortos e centenas de feridos em Bucareste. O filme é sobre organização jornalística independente que investiga o assunto e descobre, para além do horror das vítimas, uma gigantesca fraude no sistema de saúde. A premiação foi remota, pelo site do festival.

Fonte:Estadão

domingo, 4 de outubro de 2020

O célebre desenhista Quino morreu, mas deixa como legado as mensagens e dúvidas da menina inconformista

 Gazeta da Torre

Mafalda foi uma tira escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino. As histórias, apresentando uma menina preocupada com a humanidade e a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo, apareceram de 1964 a 1973, usufruindo de uma altíssima popularidade na América Latina e Europa.

 “O que importam os anos? O que realmente importa é ver que no fim das contas a melhor idade da vida é estar vivo.” E isso foi o que importou a Joaquín Salvador Lavado, o Quino, durante toda a sua vida. Defendeu-o através das tiras da Mafalda, a menina inconformista que criou em 1963. O desenhista, que morreu na quarta-feira (30/9) aos 88 anos, deixa esta e outras grandes lições de vida através de reflexões, comentários divertidos e perguntas incômodas que ― como as das crianças ― são difíceis de responder. Entre elas, frases inesquecíveis que debatia e se contrariava com seus amigos. Como Felipe, que não queria estudar; Susana, cujo maior sonho era ser mãe; Manolito, obcecado pelo dinheiro, e Miguelito, um existencialista de seis anos.

Frases de Mafalda

- Afinal, que história é essa? A gente vai tocando a vida, ou é a vida que vai tocando a gente?

- Deveria haver um dia na semana em que os telejornais nos enganassem um pouco dando boas notícias.

- Sem dúvida, a primavera é o que a vida tem de mais publicitário.

- Temos homens de princípios, uma pena que nunca os deixem passar do princípio.

- Como sempre: o urgente não deixa tempo para o importante.

- Mamãe, quando você conheceu o papai, sentiu que as chamas da paixão a devoravam, ou só davam uma tostadinha?

- Hoje quero viver sem perceber.

“Conheci a obra do Quino nos anos 1960, quando chegaram ao Brasil as publicações da editora argentina Ediciones de la Flor, e fiquei maravilhada. Tinha 17 ou 18 anos”, conta a artista Laerte por telefone. 

“O trabalho de Quino é inalcançável”, define André Dahmer, cartunista de 46 anos que publica na Folha de S.Paulo. Dahmer ficou “desconcertado” e “impactado” ao saber da notícia da morte do argentino, cinco minutos antes de conversar com o EL PAÍS. “Perdemos um mestre, um dos melhores, uma voz que sempre clamou pela humanidade com sua obra muito poética, sem raiva, embora tratasse de temas duros”, afirma.

Fonte:El País

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Advogado e morador da Torre Celso Alencar

Olá, eleitores da Torre e Madalena! É com imensa satisfação que estou apresentando meu nome CELSO ALENCAR - 40200,  como candidato a vereador nas próximas eleições municipais a serem realizadas em 15.11.2020, e gostaria de deixar bem claro a todos aqueles  que não me conhecem que estou ingressando na política não por vaidade pessoal, mas por minha ligação com os históricos de lutas de meus familiares (os Arraes e os Alencares), onde o sangue jorra nas veias por justiça social.

Estou concorrendo a esse cargo de vereador para exercer conjuntamente com todos vocês sem nenhuma pretensão de usar o mandato para obter qualquer vantagem financeira, pois sou detentor de recursos próprios para minha sobrevivência, onde cheguei a uma etapa de minha vida de poder me dedicar ao povo menos favorecidos e carentes do nosso bairro e cidade, pois vivo de perto a realidade de desigualdades sociais do povo Recifense, hoje, me sinto uma pessoa preparada para  exercer esse mandado com maestria.

Nas próximas postagens apresentaremos nossos programas e projetos pragmáticos de vereança para a cidade do Recife.

CELSO ALENCAR – 40200.

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=348341453177827&id=100040059248246&sfnsn=wiwspmo

Especialistas discutem as ideias de Mário Pedrosa para o Brasil

 Gazeta da Torre

Com organização de professores da USP, evento acontece a partir de 5 de outubro, com transmissão pelo Youtube

Em 2020 são celebrados os 120 anos do nascimento de Mário Pedrosa (1900-1981), intelectual pernambucano que contribuiu de modo decisivo para a formação e o desenvolvimento político e artístico do Brasil. Para lembrar a data, será promovido, de 5 de outubro até 30 de novembro, sempre às segundas-feiras, um evento que vai revisitar a vida e a obra do escritor, jornalista, crítico de arte e militante. A organização é do Programa de Pós-Graduação em História Econômica do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB) e da Fundação Perseu Abramo.

Homenagem a Mário Pedrosa – 120 anos vai reunir historiadores, arquitetos, psicólogos, economistas e políticos para discutir o pensamento do intelectual, com transmissão ao vivo pelo Canal do Youtube da FFLCH/USP. Haverá também uma exposição virtual durante todo o evento. Segundo o professor da USP Everaldo Andrade, um dos organizadores do encontro, “Mário Pedrosa é um dos grandes pensadores do século 20 no Brasil, com contribuições não só na crítica de arte, mas também com obras importantes sobre a economia brasileira, sobre a defesa da democracia e a luta contra o fascismo e até mesmo na arquitetura, com trabalhos sobre a fundação de Brasília, além de contemplar ainda a psicologia”. Para o professor, Mário Pedrosa é “uma luz” para se pensar o futuro imediato do País.

Mário Pedrosa nasceu em Timbaúba, no interior de Pernambuco, em uma família próspera – seu pai era senador da República. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e aos 20 anos se transferiu para São Paulo, onde iniciou carreira no Jornalismo. Nessa época, aderiu ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e depois à dissidência oposicionista, como conta Andrade, ressaltando sua militância política intensa. “Nos anos 30, ele encabeçou em São Paulo um movimento antifascista importante. Durante o período Vargas, se exilou na França e depois nos Estados Unidos e, quando voltou ao Brasil, em 1945, retomou sua atividade no jornalismo, tornando-se referência nacional na crítica de arte moderna. Na década de 60, continuou atuando politicamente, sofreu perseguições durante a ditadura militar e precisou fugir do País novamente, nos anos 70, exilando-se no Chile”, relata Andrade.

Em 1977, Mário Pedrosa retornou ao Brasil, um pouco doente, mas ainda assim realizando suas intervenções na arte, continua Andrade. “Ele escreveu um livro sobre Rosa Luxemburgo – A Crise Mundial do Imperialismo e Rosa Luxemburgo – e atuou na formação do Partido dos Trabalhadores (PT). Antes de existir o partido, apoiou as mobilizações contra a ditadura e em defesa da democracia. “Mário Pedrosa se envolveu com a política econômica do Brasil de maneira muito intensa, como demonstram seus artigos de jornais escritos nos anos 50 e 60, publicados no Estadão ou no Jornal do Brasil, onde acompanha de perto todos os acontecimentos políticos e, inclusive, formula propostas”, explica Andrade, citando dois livros que considera fundamentais na carreira do intelectual, do ponto de vista da história do Brasil: A Opção Brasileira e A Opção Imperialista, lançados em 1966.

Crítico de arte reconhecido

“Não faltou reconhecimento para o Mário Pedrosa crítico de arte em vida. Embora ele tenha começado efetivamente a carreira de crítico de arte nos jornais cariocas tardiamente (só no final dos anos 1940, depois da volta de seu exílio nos Estados Unidos), rapidamente foi reconhecido”, afirma o professor Francisco Alambert, também docente da FFLCH e organizador do evento. “Na verdade, a influência que causou foi avassaladora”, ressalta. “Ele tinha uma formação intelectual única. Conhecia profundamente os debates do marxismo mais avançado, teoria e prática, havia estudado teoria estética, psicologia da forma (Gestalt) e tinha uma capacidade de síntese em um texto que, mesmo restrito às exigências jornalísticas, era de uma profundidade única”, comenta.

Foi essa formação que, segundo Alambert, fez com que ele se tornasse o principal defensor do abstracionismo, a nova vanguarda que chegava tardiamente no Brasil e que se opunha às diferentes formas do figurativismo, que foram marcas do primeiro modernismo e eram até então inquestionáveis. “Sua defesa apaixonada desse novo caminho da arte, e também da arquitetura, o colocou no centro dos debates estéticos e políticos dos anos 1950 e 1960. Não apenas como crítico, mas também como planejador e organizador das instituições artísticas que iam surgindo. Ele foi figura central dos novos museus de arte moderna (o MAM de São Paulo e o MAM do Rio de Janeiro), das Bienais de São Paulo, da Associação Internacional dos Críticos de Arte (Aica) e de sua representação no Brasil, a Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA)”, conta.

Tudo isso acontecia a par da militância política radical e muito consequente, diz Alambert, lembrando que sua trajetória passaria ainda pela fundação de um jornal, o Vanguarda Socialista. “O Golpe de 1964 o perseguiu a ponto de, aos 70 anos, Mário ser obrigado a fugir novamente do País. Foi para o Chile, a convite de Allende (Salvador Allende, então presidente do país), e lá, já consagrado como um dos maiores críticos de arte do mundo, realiza o projeto de um museu originalíssimo, o Museu da Solidariedade, destinado a ser uma realização do socialismo democrático chileno, que ele organizou com o apoio dos mais importantes artistas da época do mundo todo”, relata Alambert, informando que o golpe de Augusto Pinochet, no Chile, em 1973, o levou a novo exílio, na França.

“No final da década de 1970, ele foi progressivamente abandonando o ofício da crítica de arte e suas posições sobre o destino da cultura mudaram com a emergência daquilo que ele definiu, antes de o termo se tornar moda, de arte ‘pós-moderna’”, destaca Alambert. Ainda segundo o professor, na medida em que Mário Pedrosa se afastava da rotina da arte, ele se reaproximava da política, “defendia apaixonadamente uma união latino-americana contra o crescente imperialismo norte-americano, criticava radicalmente o desenvolvimentismo falido e planejava a reorganização da política do socialismo democrático a partir das greves do ABC paulista desde 1978”.

Vanguarda Socialista

O jornal Vanguarda Socialista, publicado entre 1945 e 1948, reunia um grupo de intelectuais socialistas independentes – entre eles o professor da USP e crítico literário Antonio Candido –, que não eram vinculados ao Partido Comunista. “Um grupo que não tinha muito espaço, não porque era da esquerda, mas porque não era da esquerda oficial”, diz o professor Everaldo Andrade. Ele cita um fato pouco conhecido sobre Mário Pedrosa: o seu vínculo com Pagu (Patrícia Galvão), que também fazia parte do grupo e compartilhava a mesma posição do crítico sobre a arte. “Ambos acreditavam que a arte não deveria ser panfletária, ou seja, ligada explicitamente a questões políticas. Para eles, o artista deveria ser completamente livre, porque isso o aproximaria da emancipação e de um projeto revolucionário de país”, lembra Andrade, acrescentando ainda que Jorge Amado e Cândido Portinari foram duramente criticados por Mário Pedrosa por submeterem a liberdade artística a um controle político.

“Desde seu falecimento, em 1981, até o final dos anos 1990, a fama de Mário Pedrosa ficou restrita a um pequeno grupo de admiradores (alguns críticos mais velhos, militantes trotskistas)”, aponta Alambert. Mas, “desde que Otília Arantes passou a republicar organizadamente e explicar sua obra (sempre dispersa em textos publicados por todo o mundo), o interesse por Mário Pedrosa renasceu poderosamente”, garante Alambert. “Jovens críticos e artistas passaram a ver nele ideias, posturas e intuições que alimentavam o presente e o futuro. E não apenas no Brasil. Em toda parte, da América Latina aos Estados Unidos e Europa, as ideias e métodos do crítico e do pensador marxista da sociedade foram arregimentando adeptos fervorosos e estupefatos com aquele pensador sui generis”, completa, informando que em 2015 o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) publicou uma alentada coletânea de textos do crítico brasileiro. “Desde então, Mário Pedrosa estava definitivamente colocado no panteão dos maiores pensadores da arte do século 20, e do 21 também.”

Discussão ampla

Homenagem a Mário Pedrosa – 120 anos está organizado em oito mesas-redondas, que buscam cobrir a trajetória de Mário Pedrosa, mas que também têm uma preocupação temática devido à ampla atuação do intelectual, que, como diz Andrade, discutia desde assuntos como a crítica da arte impulsionar a marca abstrata no Brasil até a produção de artigos críticos às políticas do chamado desenvolvimentismo nacionalista. A mesa de abertura, no dia 5, Mário Pedrosa: Fascismo, Bonapartismo e Ditaduras Brasileiras, vai abordar questões sobre autoritarismo e democracia. Andrade destaca ainda a mesa Psicologia e a Obra de Mário Pedrosa, informando que o crítico usava a psicologia como instrumento de reflexão sobre a arte, e que vai trazer sua relação com a psiquiatra Nise da Silveira; além do debate acerca da arquitetura, área em que Mário Pedrosa também se tornou referência ao elaborar trabalhos importantes, como as suas reflexões sobre a construção de Brasília.

Outro tema conhecido de quem estuda o autor, Mário Pedrosa: Internacionalismo, Trotski e 4ª Internacional, trata de sua adesão ao Movimento Comunista Internacional, ligado à Oposição de Esquerda liderada por Leon Trótski, no final dos anos 30. “Ele é considerado o fundador do trotskismo brasileiro”, comenta Andrade. Além disso, na França, em 1938, foi o único latino-americano presente no congresso de fundação da Quarta Internacional, onde foi eleito para o comitê executivo internacional, e, como informa Andrade, mesmo depois de ter deixado a militância na 4ª Internacional, continuou sendo uma referência e também perseguido, até mesmo pelo Partido Comunista Brasileiro, que não aceitava a posição independente de Mário Pedrosa. “Ele foi um crítico e um socialista marxista independente, e foi muito discriminado. Ele era um pensador livre, progressista, o que permitiu que produzisse uma obra aberta, criativa e independente. Uma obra original sobre os problemas e o desenvolvimento do Brasil”, afirma Andrade.

Ainda segundo Andrade, um aspecto interessante em sua biografia é que seus textos políticos caíram no esquecimento, sendo ele lembrado e estudado na área da crítica da arte. O próprio Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, do qual Mário Pedrosa foi diretor, como conta Andrade, tinha um projeto de publicar dez volumes com o conjunto de seus artigos sobre crítica de arte e texto políticos, porém apenas quatro foram publicados. “O evento tem o objetivo de resgatar Mário Pedrosa como uma das referências mais importantes da cultura e do pensamento brasileiro contemporâneo, além de incentivar a retomada dos estudos acerca desse intelectual”, diz o professor, e avisa que todo o material produzido durante o evento será publicado posteriormente em formato de livro.

Fonte:Jornal da USP