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| Carlitos em sua área de trabalho |
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| A lanchonete na Avenida José Gonçalves de Medeiros, 84, Madalena; |
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| A mais nova lanchonete na Rua José Bonifácio - Torre; |
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Gazeta da Torre
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| Chieko Aoki |
Para a presidente da Blue Tree Hotels, Chieko Aoki,
alguns valores fundamentais para o sucesso do empreendimento podem guiar quem
busca adentrar a jornada do empreendedorismo, como a responsabilidade pelo
sucesso do negócio, a confianças nas pessoas, o reconhecimento das
oportunidades certas, a criação de um círculo de laços – isto é, de conexões –
e a identificação de um propósito.
“A palavra ‘propósito’
é muito simples, mas se trata de saber para onde se está indo, se aquilo que
estamos fazendo tem importância. Eu, por exemplo, criei um método de
hospitalidade. Isso faz parte do meu plano de melhorar a qualidade de serviços
no Brasil, agregando as qualidades do País às técnicas, aos procedimentos e ao
aprendizado”, afirma, na segunda entrevista da série especial do Mês da Mulher,
comandada pela jornalista Raquel Landim, do
Canal UM BRASIL, uma realização da Federação do Comércio de Bens,
Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Uma das estratégias implementadas por ela, inclusive, foi
a adoção de elementos culturais de algumas regiões do mundo em seus negócios: a
rigidez estadunidense com normas e processos; o espírito de “servir a reis e
rainhas” e a elegância no atendimento dos europeus; e os elementos mais
místicos e formais dos asiáticos, em particular os japoneses, como considerar o
cliente um “presente divino”. “São coisas diferentes, mas que formam uma
hotelaria melhor e dão mais capacidade para entender os clientes. A
flexibilidade cultural me ajudou muito a compreender o nosso papel, o que
tínhamos de fazer com determinadas culturas, bem como o que os clientes
gostariam que fizéssemos. Esta mistura tem sido útil na busca de uma solução de
hospitalidade que fosse brasileira. Um dos meus objetivos é criar a
hospitalidade brasileira com as características universais que todos os
clientes gostam.”
Outra das iniciativas dela, por exemplo, voltada às
mulheres, foi a criação de um cargo que cuidasse das relações com as hóspedes,
a fim de ajudar sobretudo as clientes a se sentirem mais à vontade dentro de um
hotel. “Antigamente, não havia esta liberdade. As mulheres comiam no quarto,
pois se sentiam constrangidas de entrar no bar”, lembra.
No bate-papo, a presidente da rede hoteleira ainda avalia
a falta de espaços para mulheres liderarem negócios e empreendimentos. “Há
barreiras transparentes, mas que existem, as quais as mulheres precisam romper.
Uma coisa que hoje já não soa tão natural é uma fotografia [em um ambiente
corporativo] composta somente por homens. Os líderes homens geralmente só
indicam outros homens. O salto precisa ser grande, de forma que mais mulheres
na liderança possam ‘puxar’ outras”, enfatiza a presidente da Blue Tree.
Turismo como política de Estado
Especificamente a respeito do setor de turismo em uma
visão macro, a CEO comenta que os planos para o sucesso ainda envolvem
estratégias mais duradouras, tendo em vista que a concorrência é internacional.
“Quando o país não tem nenhum recurso, recorre ao turismo, pois sempre há algo
diferente para mostrar. Como valorizar isso? Criando infraestrutura e um
investimento de longo prazo consistente. É necessário um plano de Estado para o
turismo.”
Além disso, ela pondera ser relevante fundamentar todo um
processo de educação da sociedade sobre como receber turistas. “Eu vi este
exemplo quando, nas Olimpíadas do Japão, as escolas primárias ensinavam as
crianças. Todos estavam preparados para explicar o que tem em sua cidade,
mostrar caminhos. É um trabalho de conscientização nas escolas, nos negócios e
na sociedade”, conclui.
Fonte: UM Brasil
- divulgação -
Gazeta da Torre
Essa é a conclusão do estudo de doutorado
"Comportamentos alimentares nos contextos comunitário e de sobrepeso e
obesidade: compreensão e avaliação do Grazing", defendido na Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, em março, pela
psicóloga Marília Consolini Teodoro, sob orientação da professora Carmem
Beatriz Neufeld.
A pesquisa mostra a importância do trabalho preventivo de
regulação emocional para prevenir a manifestação desse tipo de comportamento.
Marília explica que o grazing, tema pouco estudado no
Brasil, é o nome dado a comer quantidades pequenas ou modestas de alimentos de
maneira repetitiva e não planejada, sem ser em resposta à sensação de fome ou
saciedade, com algum nível de sensação de perda de controle. Segundo a
professora Carmem, “em um primeiro momento, não é necessariamente um
comportamento problemático ou associado a uma psicopatologia”. Mas explica que
pode gerar desdobramentos associados a “uma maior probabilidade de
desenvolvimento de uma psicopatologia, de uma patologia do comportamento
alimentar”.
Por isso, a identificação desse comportamento, aponta a
pesquisadora, poderá proporcionar “novas investigações para intervenções mais
direcionadas, principalmente na área dos problemas alimentares”.
Assim como abordagens multifatoriais para tratar essas
condições, que, “muitas vezes, não são consideradas um transtorno mental, mas
estão extremamente relacionadas com condições psicológicas”, para que os
pacientes sejam cuidados de forma integrativa e os resultados sejam mais
efetivos.
O estudo colocou como hipótese o entendimento de que o
grazing funciona como um mecanismo de regulação emocional para o alívio de
ansiedade, por exemplo. Outros estudos já associaram o comportamento,
principalmente, com a obesidade, a dificuldade de perder peso e outros tipos de
transtornos alimentares e sintomas depressivos e ansiosos. “O peso está
extremamente relacionado com condições psicológicas, assim como condições
comportamentais, como é o caso desse comportamento em específico”, afirma
Marília.
A pesquisadora investigou e avaliou a manifestação desse
comportamento na população brasileira, com uma amostra comunitária de 542
pessoas, em que a maioria estava em nível de peso considerado normal, e uma
amostra clínica de 281 pessoas, com participantes que apresentavam algum nível
de obesidade.
Marília conta que as amostras foram comparadas para
“entender também se havia alguma diferença na manifestação desse
comportamento”. Na amostra clínica, o grazing foi mais prejudicial, mas também
se manifestou de forma significativa na amostra comunitária, o que indica “a
relevância desse comportamento no Brasil”.
As pesquisadoras dividiram a manifestação desse
comportamento em dois grupos: o grazing repetitivo, que ocorre de forma
contínua, porém mais leve, menos prejudicial e menos associado à perda de
controle; e o grazing compulsivo, mais associado à perda de controle e a
sintomas psicológicos.
Outro resultado que chamou a atenção das pesquisadoras
foi que o estresse apresentou uma variação do grazing compulsivo, mais
associado à perda de controle. “Então a gente entende que o estresse parece ser
uma variável que colabora, que está relacionada com a manifestação desse
comportamento.”
Adaptação e validação de questionário
Para a pesquisa foi utilizado o Repeat Questionary
(Rep(eat)-Q), ferramenta que investiga a relação do grazing com o Índice de
Massa Corporal (IMC) e a psicopatologia. O IMC é um índice usado mundialmente
para saber se uma pessoa está em seu peso ideal, dividindo o peso pela sua
altura ao quadrado. O questionário foi adaptado e validado pelas pesquisadoras
para a população brasileira, mediante etapas de avaliação e estudo piloto, até
chegar à versão final adaptada como Questionário de Belisco Contínuo. Foi aplicado
também um questionário sociodemográfico e um questionário de avaliação de
sintomas ansiosos, depressivos e de estresse.
Ao todo, a pesquisa contou com quatro etapas. Na
primeira, as pesquisadoras traçaram um panorama sobre a avaliação psicológica de
transtornos alimentares e problemas alimentares associados, apresentando o
conceito de grazing e os instrumentos disponíveis para a avaliação. A segunda
foi uma revisão da literatura sobre o tema e as definições usadas, população
estudada, prevalência e associações já encontradas sobre o comportamento, além
das lacunas que ainda existem sobre a questão. Já a terceira foi a adaptação e
validação do questionário para a população brasileira e, para finalizar, a aplicação nas amostras comunitária e
clínica, além de análises de comparação entre elas.
Fonte: Jornal da USP
- divulgação -
Gazeta da Torre
Por Maria
Luiza Tucci Carneiro, Historiadora e professora da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP
Em situações de crise – como esta em que o Brasil vive,
abalado pelas fragilidades da nossa democracia –, constatamos que a polarização
radical compromete a vida e negligencia a morte. É neste contexto que avalio o
discurso antissemita e as acusações de genocídio feitas pelo presidente Lula da
Silva ao Estado de Israel e ao povo judeu. Suas declarações emergem como uma
terrível combinação de ingredientes clássicos que compõem o discurso
antissemita de raiz, (re)alimentando versões deturpadas da História. Não foi
por acaso que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz,
afirmou que Lula é persona non grata em Israel até que se desculpe em relação à
sua fala comparando a atuação atual de Israel ao Holocausto.
Após o ataque empreendido pelo grupo terrorista Hamas
contra a população civil de Israel em 7 de outubro de 2023, a banalização do
Holocausto ressurgiu em meio aos discursos do presidente Lula reciclados como
arma política contra o Estado de Israel e à comunidade judaica como um todo. É
fato que, desde outubro de 2023, o antissemitismo maquiado de antissionismo
ganhou status de verdade, sendo disseminado por uma legião de racistas que
sustentam discursos acusatórios sem a real dimensão das consequências.
Neste contexto, o antissionismo que mascara o
“antissemitismo de raiz” assimilado por Lula deve ser interpretado como uma recaída
da postura do governo brasileiro simbolizando um retrocesso na nossa luta
contra o racismo, o negacionismo e a xenofobia. Recupera-se, assim, a histórica
tensão entre antissemitismo/antissionismo e os ideais democráticos. As frases
aleatórias e descontextualizadas que Lula tem empregado contra o Estado de
Israel têm despertado sentimentos antijudaicos por parte dos seus correligionários
e, ao mesmo tempo, têm gerado uma certa decepção naqueles que votaram no PT.
Daí a importância de investirmos contra o negacionismo de natureza ideológica e
contra o antissemitismo que, enquanto uma forma de racismo, tem servido aos
grupos, tanto de direita como de esquerda, que atuam no cenário político
nacional e internacional.
Independente de qualquer sigla partidária, negacionistas
e antissemitas sempre tentam impor suas “visões de mundo” deturpadas pela
ignorância dos fatos. Dessa forma, instigam a violência e o ódio, negando e/ou
ignorando a verdade dos fatos históricos, dentre os quais o Holocausto,
genocídio singular na história da humanidade. Os grupos signatários dos
“tratados negacionistas” devem ser qualificados como uma espécie de “perpetradores
da memória”, que por ignorância ou interesses políticos tentam sustentar falsas
versões. Interessa a essas lideranças gerar uma multidão de desmemoriados,
alienados e despossuídos de espírito crítico.
É evidente que a ignorância favorece o avanço de
movimentos “antis” que, valendo-se das crises sociais, vêm a público no formato
de discursos de ódio. Assim, sob este viés, poderemos avaliar a proliferação de
novas cepas de perpetradores das mais distintas linhagens: racistas,
revisionistas, negacionistas, populistas, neonazistas, fascistas, dentre outros
“istas” e “ismos”. O debate sobre este tema passa, necessariamente, pela
compreensão dos direitos humanos, levando-nos a refletir acerca da
responsabilidade do Estado sobre a vida do cidadão.
Aqui retomamos o tema da banalização do Holocausto: o
fato do Holocausto ser uma categoria única dentre tantos outros genocídios, tem
servido aos negacionistas, neonazistas e antissemitas para desmoralizar os
testemunhos das vítimas, dentre as quais temos seis milhões de judeus
assassinados pelos nacional-socialistas e colaboracionistas. Aliás, esta é mais
uma das razões para o Estado brasileiro estimular (e não negar) a memória
pública de um dos episódios mais abomináveis da história: o Holocausto, além de
estimular o processo de implementação de dois Estados: o Estado de Israel e o
Estado Palestino.
Neste Brasil multirracial – que desde o seu descobrimento
convive com o racismo (histórico e estrutural) e a discriminação contra negros,
judeus, indígenas, ciganos, doentes mentais e dissidentes políticos – fica
difícil falarmos em uma política de intolerância zero, pois esse ódio, assim
como a ignorância, tem raízes seculares neste país. Se por um lado as
lideranças políticas têm dificuldades em assumir a verdade histórica e promover
a justiça social, por outro, os negacionistas aproveitam-se das redes sociais
para instigar o linchamento virtual daqueles que clamam pelos seus direitos,
incluindo o direito à vida e o direito de existir enquanto nação.
Essa equidistância pragmática herdada do governo Vargas
foi retomada em 1975, quando o governo brasileiro, atingido pela crise mundial
do petróleo, optou por uma postura radical: votou na Assembleia Geral da ONU a
favor da Resolução n. 3379, que qualificava o “Sionismo como forma de racismo e
discriminação racial”. Com o fim da Guerra Fria alguns países árabes e
muçulmanos, junto com Cuba, Coreia do Norte e Vietnã, não mudaram suas posições
apesar da Resolução n. 4686, de 1991, ter anulado a decisão da Resolução n. 3379.
A grande guinada do Estado brasileiro no reconhecimento
da centralidade do racismo na estruturação das desigualdades sociais foi dada
em 2001, por ocasião da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, a
Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância,
promovida pela ONU em Durban, na África do Sul. Em meio ao debate, os países
árabes tentaram desviar o foco da reunião ao comparar, novamente, o sionismo ao
racismo. Felizmente, no documento final, os países participantes, incluindo o Brasil,
proclamaram que o Holocausto não deve ser nunca esquecido, além de condenarem a
persistência e o reaparecimento do neonazismo, do neofascismo e das ideologias
violentas baseadas em preconceitos raciais ou nacionais. Declararam, por
consenso, que esses fenômenos “não se podem justificar em qualquer caso, nem em
qualquer circunstância”.
Atualmente – analisando as recentes falas do presidente
Lula da Silva classificando as ações de Israel como genocídio, comparando-as ao
Holocausto [sic] – constatamos que o eixo de argumentação emerge desfocado,
destituído de saber e do sentimento de humanidade que privilegia o direito à
vida. O Holocausto não deve ser visto como um “item ocasional da conduta do
Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial”, e sim como uma política
meticulosamente planejada pelas lideranças do Estado nacional-socialista alemão
e executado por meio de aparatos repressivos do poder, como a polícia e a
censura. Calculismo, burocracia, antissemitismo e fanatismo foram ingredientes
que garantiram sucesso à fórmula acionada por Adolf Hitler, que, a partir de
1933, encontrou um ambiente de crise propício à proliferação de suas ideias
antissemitas.
Daí a importância de distinguirmos o que realmente foi o
Holocausto, que, pela força de suas singularidades, é hoje considerado como um
genocídio sem precedentes na história da humanidade: exatamente por ultrapassar
a ideia de “tragédia judaica”, por envolver outras minorias em diferentes
escalas e, ao mesmo tempo, por trazer para o debate a questão humana, ainda que
irrepresentável em sua absoluta excepcionalidade, como querem alguns.
Enfim: não podemos dar chance à proliferação da mentira
que fundamenta a “teoria da cegueira”. Antes de empregar de forma irresponsável
as palavras Genocídio e Holocausto, todo cidadão deve estar atento às
persistências e ambiguidades dos discursos racistas. Tais “enganos” corroem a
democracia alimentando visões distorcidas com o propósito de acuar, perseguir,
isolar e, até mesmo, exterminar aqueles que não se encaixam no modelo
idealizado como “normal”. Revisitando o nosso passado e avaliando a atual crise
humanitária vivenciada por israelenses e palestinos na Faixa de Gaza durante o
conflito Israel versus grupo terrorista Hamas, questiono: a quem serve a
cultura da ignorância que privilegia o terror e a mediocridade?
Uma coisa é certa: a ignorância mata, sendo hoje uma
espécie de “vírus” que abre fissuras para a proliferação de novas cepas
racistas das mais distintas linhagens. Enquanto resíduos criptografados no
inconsciente coletivo, os arquétipos antissemitas sugerem (e instigam) os seres
humanos a endossar ações para a violência e o ódio sem limites. Assim,
considero que, atualmente, os mitos sobre os judeus emergem reciclados,
simultaneamente e em várias partes do mundo, corroídos por preconceitos
seculares que carregam nas suas entranhas o germe da intolerância. Para a
escala do ódio basta um passo.
Fonte: Jornal da USP
Gazeta da Torre
Os anos tem passado e algumas coisas realmente não mudam,
a cada ano a média de brasileiros que gasta mais do que ganha, se mantém em
60%, 6 a cada 10, ou seja, menos da metade dos brasileiros conseguem poupar,
isso é um desafio. Diante disso, Judite percebeu que abrir mão do consumo
imediato para planejar e realizar conquistas num prazo maior é um ponto de
virada para equilibrar melhor as contas e melhorar a sua saúde financeira.
Lendo sobre finanças pessoais, planejamento e educação
financeira, Judite percebeu que poucos realmente se dão conta disso, e que essa
atitude pode ser perfeitamente trabalhada, incorporada, independente do perfil
da pessoa, a maioria tem a real possibilidade de conseguir poupar, mesmo que
comece com muito pouco, é possível sim, e se já poupa, pode procurar as
oportunidades de melhoria.
Mas de que maneira trabalhar essa atitude e finalmente
começar a poupar? Adotar novos hábitos é uma ótima alternativa, o caminho para
plantar e colher bons frutos.
Através de ações diárias, semanais e mensais, Judite
conseguiu um controle bem maior da sua vida financeira e, consequentemente,
conseguiu também refletir melhor diante de determinadas situações, fazendo
escolhas melhores, procurando assim poupar mais e avançar em busca dos seus
objetivos.
Judite percebeu que uma vida financeira bem organizada é
a verdadeira ponte para a realização dos nossos sonhos.
E para isso ela pontuou seis das principais atitudes que
tomou para evoluir:
1. Use o cartão de crédito com consciência
É claro que o cartão de crédito tem vantagens e, em
algumas situações, usá-lo é até necessário e inteligente, daí Judite chegou a
um ponto: usar o cartão de forma consciente e inteligente, coerente, evitando o
excesso. O mais indicado para muitas pessoas é usar o cartão apenas para
compras essenciais, quando já não tiver dinheiro para pagar à vista, estancar
ao máximo, isto é, não usar o cartão
para compra de supérfluos, jogando assim ainda mais gastos para o outro mês.
Judite não é contra o cartão de crédito, muito pelo contrário, mas com o tempo
percebeu que boa parte das pessoas que se encontram endividadas tem um cartão
de crédito pesado no meio.
2. Não parcele à
toa
Ela observou no dia a dia, que algumas pessoas do seu
ciclo de amizade estão com o orçamento totalmente comprometido devido ao
excesso de compras parceladas. Os pequenos valores, somados, pesam bastante
quando fecha a fatura do cartão. Nas conversas com pessoas mais próximas
observou que quem tem o hábito de parcelar, dificilmente tem controle do que
está fazendo. As compras parceladas poderiam ser as mais caras como passagem
aérea, geladeira, TV, entre outros, pois assim pode aliviar o fluxo mensal e
não pesar no mês.
3. Acompanhe a fatura do seu cartão e extrato durante o
mês
Judite passou a ter muito mais controle das suas finanças
quando incluiu na rotina a checagem na parcial do cartão de crédito e no
extrato de sua conta bancária durante o mês. Isso proporcionou mais controle
das contas. Ela percebeu que devia tratar o cartão de crédito e a conta
bancária como a casa dela, que não deixava ninguém entrar ou sair a qualquer
hora. Da mesma maneira, precisa saber o que entra e sai na conta, na fatura do
seu cartão, analisar e filtrar.
4. Evite comprar por impulso
As vitrines bonitas e chamativas, os descontos
“imperdíveis”, ofertas de parcelamento, “juros zero”, e as tantas promoções
sempre atraíram Judite, e logo adiante vem a black friday, o Natal. Tudo isso é
tentador, não é? Para a maioria das pessoas sim, mas Judite está vacinada, e já
não cai nos gatilhos e tentações como antes, pois sabe o quanto isso pesa
depois, era uma verdadeira ressaca financeira, e isso ela já não quer mais
viver.
5. Pesquise antes de comprar
E isso se tornou uma rotina na vida dela, não apenas em
compras de alto valor, como carros, viagens e eletrônicos. Alguns produtos mais
baratos também podem fazer parte de suas pesquisas. É muito comum que os preços
variem de acordo com a loja, seja no supermercado ou no mercadinho da esquina,
então vale o esforço.
Compare preços, qualidade e o custo-benefício dos
produtos que está à procura. Com todas essas informações em mãos, você poderá
tomar a melhor decisão de compra. Claro, Judite não faz isso seja feito com
todos os itens, mas, para alguns de valor mais relevantes isso já é
obrigatório.
6. Não despreze os pequenos valores do dia a dia, eles
podem se multiplicar
Tem uma frase que Judite escutou do seu mentor financeiro
(Leandro Trajano) e nunca esqueceu: “pequenos buracos afundam grandes navios”.
Mas estes já não afundam mais o orçamento dela. Fique atento a isso, reflita
sobre os hábitos e inclua já no seu dia a dia!
Abraço e até a próxima!
Para cumprir as promessas e chegar ao final do ano com
quilos a menos ou mais disposição, no entanto, um fator é quase sempre
ignorado: a cognição, ou, o seu cérebro e como ele pode te ajudar a se
organizar dentro deste processo.
Ginástica para o cérebro e ginástica para o corpo – qual
é a relação?
O cérebro não é um músculo, mas precisa ser exercitado. É
o exercício ou ginástica para o cérebro é igualmente relevante para manter
corpo, mente e cérebro em concordância e, consecutivamente, alcançar os
objetivos.
A neurocientista parceira do SUPERA – Ginástica para o
Cérebro, Livia Ciacci, reforça que a relação entre a ginástica para o cérebro e
a ginástica para o corpo é fundamental para uma vida equilibrada e um ano mais
produtivo.
“A ginástica para o cérebro e para o corpo são
complementares. Ambas contribuem para o funcionamento geral do organismo,
promovendo equilíbrio e bem-estar. Ao combinar ambas as práticas, estamos
investindo em uma abordagem holística para a saúde. A integração de atividades
físicas e mentais promove um estilo de vida mais saudável, impactando
positivamente diversos aspectos, desde a disposição física até a clareza
mental”, lembrou.
Ginástica cerebral e sedentarismo: O corpo não está
separado
Um dos mitos que dificulta este entendimento, segundo
ela, é tratarmos partes do corpo com diferente relevância, uma contradição, uma
vez que, a “máquina” humana precisa de harmonia para funcionar.
“Lembre-se que nada é separado no corpo humano, o cérebro
é impactado constantemente pelo estado geral do corpo, e ter uma boa quantidade
de musculatura, preparo físico e boa circulação sanguínea são os primeiros
requisitos para uma cognição saudável”, lembrou.
Além disso, exercitar o cérebro trará uma melhor noção de
rotina e de planejamento das atividades e metas, proporcionando mais eficiência
no pensamento estratégico. Toda mudança implica em esforço, e os exercícios
para o cérebro o tornam mais apto e disposto a enfrentar os esforços em prol
dos resultados, o que também se aplica a novos hábitos.
Como a concentração e o foco ajudam a manter a constância
nos exercícios?
Concentração e foco parecem coisas fáceis, mas em poucos
momentos da vida paramos para aprender como desenvolver essas habilidades.
São habilidades que dependem do controle de atenção e de
estratégias mentais para manter o objetivo e a motivação ao longo do tempo.
A mente concentrada é menos propensa a perder o
interesse, tornando a atividade física mais agradável e sustentável.
O foco mental contribui para a resistência física. Em
situações desafiadoras, como momentos de cansaço durante o exercício, a
capacidade de manter a concentração ajuda a superar obstáculos e continuar. O
foco na técnica e na execução correta dos movimentos durante o exercício
melhora a coordenação motora. Isso não apenas reduz o risco de lesões, mas também
torna os treinos mais efetivos e aumenta a autoconfiança.
E sabe qual é uma ferramenta fantástica para treinar a
capacidade mental de foco e concentração, sim, o ábaco!
Benefícios de exercitar o cérebro e o corpo
Corpo e cérebro andam juntos, literalmente! Os benefícios
das práticas associadas são inúmeros. “A curto prazo melhora na autoestima, por
estar fazendo algo por si e motivada pelas primeiras metas cumpridas. A médio
prazo, ela já terá se adaptado a uma nova rotina, experimentará a constância e
começará a aumentar o nível de dificuldade nas atividades cognitivas e os pesos
da academia! A longo prazo, ela terá mais resistência física, mais massa magra
e uma circulação sanguínea melhor, o que garantirá o suprimento adequado de
oxigênio para um cérebro em pleno desenvolvimento”, destacou a especialista.
Quando pensamos em Ginástica cerebral e sua ligação com o
sedentarismo precisamos entender que exercitar corpo e cérebro é algo tão
fundamental para a longevidade quanto os músculos. É o que aponta o relatório
2020 da comissão Lancet para prevenção e intervenção com as demências – um dos
estudos mais importantes do mundo no tema – destaca a função cardiovascular e o
estímulo cognitivo como indiscutíveis para envelhecer de forma saudável.
Ginástica cerebral e sedentarismo: 6 benefícios de
exercitar o corpo e a mente simultaneamente
1. Melhora da função cardiovascular, o que previne
problemas no sistema nervoso central e controla a pressão sanguínea;
2. Melhora o metabolismo dos açúcares, controlando a diabetes
e protegendo o cérebro;
3. Melhora da disposição física para se dedicar aos
esforços cognitivos das atividades de cálculo;
4. Melhora do humor e da disposição para as interações
sociais e jogos;
5. Melhora da concentração e foco para manter a rotina de
autocuidado e planejamento das metas;
6. Melhora da reserva cognitiva, o que permite mais capacidade de lidar com lesões caso aconteçam.
Para reflexão:
Não deixe os seus medos te privarem da vida incrível que você merece ter. ‘Daniel Duarte’
Você sabia:
O Brasil tem mais ou menos 50 mil espécies de flores e é o país com a flora mais rica do mundo.
Resposta do desafio de Dezembro:
Quando eu tinha seis anos, a minha irmã tinha a metade da
minha idade. Agora que tenho 70 anos, com quantos anos minha irmã está?
Resposta: Minha irmã está com 67 anos, nossa diferença de idade é de 3 anos.
Desafio de Janeiro:
Se João fosse Maria, lago seria:
a) rio b)
córrego c) mar d) riacho e) lagoa
Resposta na próxima edição.
Serviço:
Método Supera - Ginástica para o Cérebro
Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP
02-4270)
Unidade Madalena
Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.
Telefone: (81) 30487906
Unidade Boa Viagem
Telefone: (81) 30331695
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| Dra Elza Cavalcanti |
Gazeta da Torre
Os efeitos benéficos da proteína klotho, produzida pelo
corpo humano, nas células do sistema nervoso são mostrados em pesquisa do
Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. Experimentos feitos em
laboratório mostram que a proteína, ao favorecer a produção de energia e a
imunidade das células, também estimula a ação antioxidante contra o estresse e
a destruição celular.
Os resultados do estudo reforçam o papel da klotho como
possível opção para contornar os efeitos do envelhecimento no sistema nervoso,
associado a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson. A
pesquisa é descrita em artigo publicado na revista Scientific Reports, do grupo
Nature.
Para entender o papel da klotho, primeiro é preciso
entender como é obtido o suprimento de energia do sistema nervoso central.
“Sabemos que o cérebro pesa 2% do peso do corpo mas gasta 20% da energia que
uma pessoa consome quando em repouso. Os neurônios possuem uma alta demanda
energética, pois são as principais células envolvidas com nossa capacidade de
memorizar, aprender, pensar”, explica ao Jornal da USP a pesquisadora Ana Maria
Marques Orellana, do ICB, primeira autora do artigo.
Já os astrócitos, diz ela, são células de suporte.
“Isolam as sinapses, que são os espaços entre os neurônios onde ocorre a
transmissão de informações de uma célula a outra, protegem eles na vigência de
um estímulo lesivo, juntamente com as células do sistema imunológico do
cérebro, que são as micróglias, e também têm um papel fundamental no suprimento
de energia.”
A pesquisadora relata que a principal fonte de energia
para o cérebro é a glicose, que chega até o órgão pela circulação sanguínea.
“Quem controla a entrada de nutrientes no sistema nervoso é a barreira
hematoencefálica, que tem transportadores específicos para diversos nutrientes,
como a glicose, os corpos cetônicos (fonte de energia em jejum), e o lactato”,
aponta.
Mas como evitar oscilações no suprimento de energia aos
neurônios? “Os astrócitos fazem isso. Eles captam a glicose e a transformam em
glicogênio, gerando um pequeno estoque. Os neurônios não têm capacidade de
estocar energia, consomem a glicose imediatamente. Então os astrócitos mantêm o
suprimento constante.”
Outra via pela qual os astrócitos são capazes de suprir
os neurônios é fornecendo lactato, obtido pela conversão de glicose, quando seu
nível está em baixa e durante a atividade física. “Para evitar oscilações
dependentes das concentrações de substratos oriundos do sangue, existe um
acoplamento energético natural entre neurônios e astrócitos”, descreve Ana
Orellana. “O neurônio capta a glicose e esta será usada para gerar energia
imediatamente, sem estoque. O astrócito, por sua vez, capta a glicose, que é
armazenada como glicogênio, favorecendo uma reserva.
Nos neurônios, a divisão da glicose também se dá por duas
vias (conjunto de reações químicas), a das pentoses e a da PFKFB3. Porém, a das
pentoses é a preferencial por estimular sistemas anti-oxidantes, logo,
idealmente a PFKFB3 deve ser constantemente inibida. A via das pentoses utiliza
moléculas de carboidratos com cinco átomos de carbono cada uma, as pentoses, e
a PFKB3 é uma enzima que atua no metabolismo da glicose.
PROTEÇÃO DAS CÉLULAS
A pesquisa verificou se a klotho era capaz de alterar
parâmetros do metabolismo em neurônios e astrócitos e se isso os protegeria.
“Ela é uma proteína anti-envelhecimento produzida nos rins e no sistema nervoso
central. Seus níveis se relacionam diretamente com o envelhecimento, assim, ao
longo dos anos, temos menos klotho no sangue e no cérebro. Isso está associado
ao déficit cognitivo”, afirma Ana Orellana. “Ademais, sabemos que no
envelhecimento temos redução do metabolismo de glicose e oxigênio no cérebro, o
que fica mais intenso na presença de doenças neurodegenerativas, e também há
alterações na eficiência das mitocôndrias, parte das células que produz
energia, e queda na atividade da via das pentoses nos neurônios.”
“Observamos que as culturas de astrócitos quando foram
tratadas com klotho in vitro, em laboratório, tiveram diminuição dos efeitos
moleculares desencadeados pela insulina e portanto aumento da sinalização
anti-oxidante. Para entender como esse efeito anti-oxidante atua, expusemos
essas células a diferentes graus de estresse oxidativo e a klotho foi capaz de
proteger os astrócitos da morte diante de estímulos de baixa e média intensidade”,
afirma a pesquisadora.
“Já os neurônios tratados com a klotho tiveram redução da
atividade de algumas proteínas relacionadas à cascata molecular desencadeada
pela insulina, que é fundamental para que a glicose adentre à célula, mas que
interfere negativamente em mecanismos de degradação proteica, que podem ser
benéficos para o cérebro. A klotho promoveu uma redução da via da PFKFB3,
favorecendo a via das pentoses que aumenta a conversão de fatores
anti-oxidantes na célula, e também a degradação de proteínas, que normalmente
está menos ativa no envelhecimento.”
Segundo a cientista, a redução da PFKFB3 e o aumento da
degradação das proteínas não foi suficiente para proteger os neurônios das
mesmas concentrações de estresse oxidativo às quais os astrócitos foram
submetidos, indicando que um estímulo intermediário para o astrócito é intenso
para o neurônio, levando à morte. “Em trabalhos anteriores, no entanto,
verificamos que, na vigência de inflamação, a klotho protege o neurônio da
morte se o estímulo for intermediário para ele”, ressalta.
“Sabemos que a sinalização da insulina é fundamental para
a vida, mas a super estimulação dessa via tem um caráter prejudicial na medida
em que inibe a degradação de proteínas mal enoveladas, de agregados, prejudica
a autofagia [processo normal de degradação de componentes da própria célula],
tem potencial pró-inflamatório e aumenta o estresse oxidativo. A klotho
contrapõe os efeitos da insulina, favorece a degradação e eliminação de
proteínas e aumenta o potencial antioxidante.”
O professor do ICB, Cristóforo Scavone, que orientou a pesquisa,
relata que há estudos mostrando que a administração periférica de klotho
reverte o déficit cognitivo em modelo animal de Parkinson.
Aparentemente, haveria menos efeitos colaterais, pois as
ações da klotho são bem balanceadas, e os anticorpos provocam edema, inchaço.
Porém essas são hipóteses que vão exigir anos de pesquisas, ressalva Scavone.
Ana Orellana destaca que é possível melhorar os níveis da
klotho no organismo por meio de exercício físico regular e da administração de
compostos presentes na alimentação, como o resveratrol, existente nas uvas
roxas. “Além da atividade física, a ingestão de menos calorias pode reduzir a
estimulação da via da insulina, e o consumo de vinho em baixas quantidades
poderia proporcionar o benefício do resveratrol”. Os estudos no ICB tiveram a
colaboração do National Institue of Aging (NIA), em Baltimore (Estados Unidos).
Fontes: ASBRAN (Associação Brasileira de Nutrição); Jornal da USP;
Gazeta da Torre
A nossa democracia deve ser sempre celebrada e
respeitada! Essa é uma garantia de que estaremos sempre abertos ao debate, às
críticas e opiniões do povo, fundamentais na construção de justiça social.
A charge é do cartunista Cazo - O chargista Luiz Fernando
Cazo foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba 2020. Cazo
produz charge, cartunes e ilustrações para jornais e revistas de todo o Brasil,
inclusive semanalmente para o Jornal da Economia. Além dos trabalhos publicados
pela revista Veja, Cazo atua na produção de ilustrações para 16 jornais e
livros, sites e blogs.
MD, Gazeta da Torre
Gazeta da Torre
A escassez de água no Brasil é um problema complexo, que
afeta diversas regiões do País, especialmente as áreas urbanas e ruralizadas.
Um estudo recente, liderado por Lira Luz Benites Lazaro, pós-doutoranda no
Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, revelou uma visão aprofundada
sobre a crise hídrica no Brasil, com especial atenção ao estado de São Paulo.
O artigo Avaliando narrativas de escassez de água no
Brasil – Desafios para a governança urbana, publicado no periódico
Environmental Development, se originou da análise de mais de dois mil artigos
de jornais de grande circulação no Brasil, cobrindo o período de 2010 a 2021,
para mapear narrativas de escassez de água no País, identificando as fontes e
tipos de narrativas mais persuasivos sobre o tema.
De acordo com a autora, o trabalho evidenciou que as
narrativas observadas estão longe de serem neutras. “As narrativas sobre as
mudanças climáticas, a escassez hídrica e outras questões importantes, como a
pandemia, são produzidas em um contexto social e político, e cada grupo tem
seus discursos predominantes, que muitas vezes acabam sendo os mais influentes
nas tomadas de decisão”, esclarece.
Ela destaca a importância de refletir sobre temas como
gestão, mudanças climáticas, acesso à água e impactos ambientais para entender
melhor a formulação de políticas públicas e a perspectiva social sobre a crise
hídrica. “Os discursos ocorrem em um contexto político e social, e algumas
narrativas muitas vezes influenciam as tomadas de decisão e a gestão, enquanto
outras são marginalizadas”, pontua a autora.
A investigação de Lira Lazaro também destaca a má gestão
e falta de planejamento estratégico em São Paulo desde a década de 1970,
agravada pela crise hídrica de 2014-2016. No texto, a Sabesp, empresa até então
semi-privatizada, é criticada pela falta de investimento e infraestrutura
adequados. Além disso, os comitês de bacias hidrográficas são apontados como
ineficazes devido a desafios como a legitimidade das representações e
dificuldades em estabelecer diretrizes para debates politizados.
Para o professor Pedro Jacobi, orientador do projeto e
pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, “o
principal problema [da gestão hídrica] está associado ao tema da dificuldade do
diálogo com a própria gestão pública, a população com a gestão pública, muitas
vezes da falta de transparência e, ao mesmo tempo, dos entraves administrativos
da própria gestão.”
Durante a crise de 2014-2016, o governo de São Paulo
adotou várias medidas, incluindo a utilização de reservas técnicas e políticas
de incentivo e penalização relacionadas ao consumo de água. No entanto, algumas
dessas medidas, como a redução da pressão da água, geraram problemas
adicionais, como saúde e contaminação da água.
“Quando falamos da gestão hídrica associada à política
nacional e no caso específico do comitê de bacia, nós temos diferentes
segmentos. Então, no caso de São Paulo, quando se fala em sociedade civil, se
incluem todos os atores que não são públicos; já em nível nacional, você tem
uma situação diferente”, defende Jacobi.
Para ambos os pesquisadores, o trabalho recente enfatiza
a necessidade de uma avaliação e melhoria contínua nas estruturas de governança
da água e ressalta a importância de desvendar as diversas narrativas sobre a
escassez de água e seu impacto nas soluções, políticas e gestão da água. Em
especial, considerando o contexto que envolve decisões ambientais e seus
impactos em um cenário de mudanças climáticas que afeta também o Brasil.
Sobre isso, o professor reforça que “em termos de clima,
uma coisa muito preocupante é a questão do desmatamento na Amazônia e o impacto
no que ficou denominado como ‘rios voadores’. Quanto mais houver desmatamento,
maior o risco de perda de evapotranspiração, e isso se reflete diretamente no
volume de chuva”.
Para Lira Lazaro, a pesquisa traz à tona a complexidade
da crise hídrica no Brasil, destacando a interdependência dos vários setores
envolvidos e a importância de políticas públicas que considerem essa
complexidade.
Apesar de não ter mapeado a possível influência das
narrativas reportadas diante da tomada de decisões políticas sobre o assunto, a
especialista teoriza que relacionar ambos os assuntos seria “valioso”.
“Por exemplo, poderíamos cruzar os dados para mostrar
como certas decisões foram tomadas em resposta a essas narrativas”, afirma ela
ao pontuar que o evidenciamento da inação do Poder Público também constituiria
uma conclusão importante. “O silêncio é uma forma de negação que usa a fábula
clássica das roupas novas do imperador como exemplo de uma conspiração de
silêncio, uma situação em que todas as pessoas se recusam a reconhecer uma
verdade óbvia ou relutam em afirmá-la publicamente”
A análise é um lembrete importante de que as crises
hídricas são questões multifacetadas, influenciadas por uma variedade de
fatores sociais, políticos e ambientais, e que uma compreensão aprofundada das
narrativas envolvidas pode ser essencial para a formulação de soluções mais
eficazes e sustentáveis.
*Mais
informações: e-mails lbenites@usp.br, com Lira Luz Benites Lazaro e
prjacobi@usp.br, com Pedro Jacobi
Fonte:Jornal da USP
Gazeta da Torre
O Festival Rec-Beat divulgou, na segunda-feira (8), a
data e identidade visual da 28ª edição do evento, que acontecerá entre os dias
10 e 13 de fevereiro, no Cais da Alfândega, no Bairro do Recife Antigo. Vale
lembrar, que em 2023, o Rec-Beat recebeu o título de Patrimônio Cultural
Imaterial do Recife, em reconhecimento a história, de quase 30 anos, fomentando
a música na cidade, extrapolando fronteiras nacionais e internacionais.
A grade de shows do festival promete trazer artistas
locais, nacionais e internacionais para o Carnaval do Recife. Já a identidade
visual desta edição é assinada pelo jovem artista plástico e grafiteiro
recifense Afro'G, que mistura elementos futuristas, negritude e vivências
periféricas. Afro'G ilustrou o festival com a exploração das intersecções entre
a cultura Hip Hop e suas particularidades.
Em 2023, o prefeito João Campos (PSB) sancionou a lei
19.157, que reconhece o Festival Rec-Beat como Patrimônio Cultural Imaterial do
Recife. A
proposta, de autoria da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB), foi apresentada na
Câmara Municipal no mês de junho/2023 e, após ser aprovada pelas comissões de
Legislação e Justiça e de Educação, Cultura, Turismo e Esportes, foi aprovada
em plenário no dia 27 de novembro.
No texto, Cida Pedrosa defende que o Rec-Beat oferece
acesso gratuito a uma programação diversa e requintada, o que torna o evento
democrático e acessível a diversas camadas da população.
O festival acontece anualmente e é um dos mais disputados
espaços do Carnaval de Pernambuco, sendo realizado no centro do Recife.
Fontes: CBN Recife; JC;
Gazeta da Torre
A hashtag BookTok, que geralmente acompanha os vídeos de
indicações de livros, já acumula mais de 200 bilhões de visualizações
A hashtag BookTok, que geralmente acompanha os vídeos dos
influenciadores, já acumula cerca de 206 bilhões de visualizações. Mas a
popularidade das obras não fica restrita ao universo digital. Colleen Hoover,
autora norte-americana, se tornou um fenômeno do TikTok graças à divulgação de
suas obras na plataforma. A autora possui uma hashtag própria – ColleenHoover
–, que acumula mais de 4 bilhões de visualizações.
De acordo com o portal PublishNews, ‘É Assim que Acaba’,
livro de Colleen lançado em 2016, foi o segundo livro mais vendido de 2023. A
autora ainda aparece no ranking em 3° lugar, com o livro ‘É Assim que Começa’,
lançado em 2022, e em 14° lugar, com Verity, de 2018. Em 2022, Colleen
conseguiu emplacar sete livros no ranking, e conquistou o 1°, 4°, 9°, 15°, 17°,
18° e o 20° lugar, o que equivale a quase 300 mil cópias vendidas.
A venda de obras de Colleen foi diretamente influenciada
pelos vídeos de booktokers. Aline Frederico, professora de Editoração da Escola
de Comunicações e Artes (ECA) da USP, explica que é típico das comunicações de
massa que certos grupos tenham grande poder de influência – e grande número de
seguidores – e que consigam gerar certo impacto através de suas recomendações.
“É assim que funciona também no caso dos livros: a gente
vai ter alguns booktokers, instagrammers, booktubers que vão estar envolvidos
nesse mundo literário, fazendo indicação de livros, e tem então essa capacidade
de dar atenção para determinados títulos, e com isso fazer o número de
exemplares vendidos aumentar”, explica Aline.
O BookTok e as redes sociais, no geral, são uma grande
ferramenta para ajudar na divulgação de obras literárias, mas não são um definidor
para o sucesso de um livro. “São determinados nichos de mercado, determinados
grupos e audiências que fazem um uso sistemático das mídias sociais e nesses
grupos as mídias sociais têm impacto maior nos resultados de vendas no mercado
editorial. Mas isso não vai acontecer com todas as obras, com todos os nichos,
geralmente são inclusive casos isolados”, exemplifica a professora.
Fórmula mágica?
Para Aline, o movimento de divulgação de obras nas redes
sociais depende de condições específicas, como as tendências que estão em alta
no momento, do que está sendo falado e quem são os influenciadores que
divulgarão os livros, por exemplo; também, se a obra em questão dialoga com uma
audiência usuária de redes sociais, a professora acredita que certamente a
divulgação na internet terá mais impacto. Porém, isso depende muito do
público-alvo do livro.
Nos Estados Unidos, antes das mídias digitais, o
“fenômeno Oprah” funcionava como um forte impulsionador de vendas. “Quando a
Oprah divulga um livro no programa dela, é muito certo que ele vai aumentar o
volume de venda significativamente, e hoje a gente vê isso nas redes sociais
com os influenciadores digitais”, aponta.
Dessa forma, a professora acredita que um fator que
influencia os livros a virarem um fenômeno das redes sociais – além de
encontrar a pessoa certa para realizar essa divulgação – é que o livro aborde
questões que estão sendo comentadas no momento, e que ele seja capaz de cativar
os leitores.
De acordo com Josmar Andrade, professor de Marketing da
Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), do mestrado profissional
Empreendedorismo da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e
Atuária (FEA) e assessor da Agência USP de Inovação, para que a divulgação de
livros seja bem-sucedida, é preciso identificar o público-alvo e entender como
esse grupo adquire informações sobre a obra literária – se é através das redes
sociais, se eles frequentam os pontos de venda, se é através da indicação de um
crítico.
Além disso, Andrade pontua a importância do engajamento
do próprio autor nesse processo. “Muitos autores não gostam muito dessa questão
de autopromoção, não gostam muito dessa palavra – às vezes vista como certo
pejorativo, não gostam muito de lidar com o mercado – mas nós estamos vivendo
um outro mundo, e esse outro mundo exige uma nova postura. Você quer ter
leitores? Você precisa se conectar com eles”, explica.
Por isso, se o público-alvo de uma obra estiver nas
redes, é interessante que o autor ofereça conteúdos e crie certa intimidade com
os leitores. Essa, de acordo com o professor, é uma estratégia que pode
aumentar sua aceitação, visibilidade e potencialmente criar os fenômenos, que
são construídos através das recomendações entre pessoas.
Fases de divulgação
O mercado da literatura é amplo e possui vários segmentos
e subdivisões, que podem ser organizados de acordo com faixas etárias –
literatura infantil, infantojuvenil, jovem adulta, adulta. Dessa forma, cada
grupo terá uma estratégia própria de divulgação.
No entanto, como explica Aline, de forma geral é possível
estabelecer algumas fases importantes para a divulgação de uma obra. A primeira
é o momento do lançamento do livro, que geralmente é acompanhado de um evento
que movimenta um grupo de pessoas interessadas naquele título e que normalmente
marca um pico de vendas – a depender, segundo a professora, das características
da obra.
Depois, outro aspecto importante pontuado pela professora
é o envio do livro para formadores de opinião. “Tradicionalmente, esses
formadores de opinião são a imprensa especializada, tanto revistas literárias
como a grande imprensa, principalmente os jornais e revistas de grande
circulação. Mas, hoje em dia, também a gente tem nas redes sociais muitos
grupos formadores de opinião”, explica.
Esse processo depende do segmento das obras: se o livro
divulgado é classificado como young adult – jovens adultos, em português –, a
audiência é fortemente consumidora de mídias sociais. Dessa forma, os
formadores de opinião escolhidos devem, preferencialmente, atuar na internet,
por exemplo. Por outro lado, segundo Aline, a literatura mais tradicional será
mais divulgada no circuito da produção cultural da crítica literária, em
revistas como Rascunho, Quatro Cinco Um, e cadernos de cultura dos grandes
veículos de imprensa.
Por fim, a participação em feiras e eventos literários
também é um fator relevante, segundo a professora. “O autor não termina o
trabalho quando ele termina de escrever o livro e ele é publicado. Ele vai,
então, ter uma agenda de divulgação da obra seguindo o calendário dos eventos
literários”, aponta.
Andrade explica que uma obra literária é um produto como
qualquer outro que busca seu público consumidor. A divulgação do livro pode ser
realizada através da assessoria de imprensa e matérias, por exemplo. “Também é
possível, hoje em dia pelo mercado digital, a gente dar destaque ao livro
dentro dos próprios sites das livrarias e dos marketplaces como a Amazon”,
aponta. Anúncios e estratégias de venda física também podem ser realizados.
Fonte: Jornal da USP