segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Ginástica cerebral para sair do sedentarismo

 

Os primeiros dias do ano são marcados por promessas, uma das mais comuns, sem dúvida, é a melhora na qualidade de vida, o que inclui a adoção de uma vida mais saudável com hábitos em alimentação e exercícios físicos.

Para cumprir as promessas e chegar ao final do ano com quilos a menos ou mais disposição, no entanto, um fator é quase sempre ignorado: a cognição, ou, o seu cérebro e como ele pode te ajudar a se organizar dentro deste processo.

Ginástica para o cérebro e ginástica para o corpo – qual é a relação?

O cérebro não é um músculo, mas precisa ser exercitado. É o exercício ou ginástica para o cérebro é igualmente relevante para manter corpo, mente e cérebro em concordância e, consecutivamente, alcançar os objetivos.

A neurocientista parceira do SUPERA – Ginástica para o Cérebro, Livia Ciacci, reforça que a relação entre a ginástica para o cérebro e a ginástica para o corpo é fundamental para uma vida equilibrada e um ano mais produtivo.

“A ginástica para o cérebro e para o corpo são complementares. Ambas contribuem para o funcionamento geral do organismo, promovendo equilíbrio e bem-estar. Ao combinar ambas as práticas, estamos investindo em uma abordagem holística para a saúde. A integração de atividades físicas e mentais promove um estilo de vida mais saudável, impactando positivamente diversos aspectos, desde a disposição física até a clareza mental”, lembrou.

Ginástica cerebral e sedentarismo: O corpo não está separado

Um dos mitos que dificulta este entendimento, segundo ela, é tratarmos partes do corpo com diferente relevância, uma contradição, uma vez que, a “máquina” humana precisa de harmonia para funcionar.

“Lembre-se que nada é separado no corpo humano, o cérebro é impactado constantemente pelo estado geral do corpo, e ter uma boa quantidade de musculatura, preparo físico e boa circulação sanguínea são os primeiros requisitos para uma cognição saudável”, lembrou.

Além disso, exercitar o cérebro trará uma melhor noção de rotina e de planejamento das atividades e metas, proporcionando mais eficiência no pensamento estratégico. Toda mudança implica em esforço, e os exercícios para o cérebro o tornam mais apto e disposto a enfrentar os esforços em prol dos resultados, o que também se aplica a novos hábitos.

Como a concentração e o foco ajudam a manter a constância nos exercícios?

Concentração e foco parecem coisas fáceis, mas em poucos momentos da vida paramos para aprender como desenvolver essas habilidades.

São habilidades que dependem do controle de atenção e de estratégias mentais para manter o objetivo e a motivação ao longo do tempo.

A mente concentrada é menos propensa a perder o interesse, tornando a atividade física mais agradável e sustentável.

O foco mental contribui para a resistência física. Em situações desafiadoras, como momentos de cansaço durante o exercício, a capacidade de manter a concentração ajuda a superar obstáculos e continuar. O foco na técnica e na execução correta dos movimentos durante o exercício melhora a coordenação motora. Isso não apenas reduz o risco de lesões, mas também torna os treinos mais efetivos e aumenta a autoconfiança.

E sabe qual é uma ferramenta fantástica para treinar a capacidade mental de foco e concentração, sim, o ábaco!

Benefícios de exercitar o cérebro e o corpo

Corpo e cérebro andam juntos, literalmente! Os benefícios das práticas associadas são inúmeros. “A curto prazo melhora na autoestima, por estar fazendo algo por si e motivada pelas primeiras metas cumpridas. A médio prazo, ela já terá se adaptado a uma nova rotina, experimentará a constância e começará a aumentar o nível de dificuldade nas atividades cognitivas e os pesos da academia! A longo prazo, ela terá mais resistência física, mais massa magra e uma circulação sanguínea melhor, o que garantirá o suprimento adequado de oxigênio para um cérebro em pleno desenvolvimento”, destacou a especialista.

Quando pensamos em Ginástica cerebral e sua ligação com o sedentarismo precisamos entender que exercitar corpo e cérebro é algo tão fundamental para a longevidade quanto os músculos. É o que aponta o relatório 2020 da comissão Lancet para prevenção e intervenção com as demências – um dos estudos mais importantes do mundo no tema – destaca a função cardiovascular e o estímulo cognitivo como indiscutíveis para envelhecer de forma saudável.

Ginástica cerebral e sedentarismo: 6 benefícios de exercitar o corpo e a mente simultaneamente

1. Melhora da função cardiovascular, o que previne problemas no sistema nervoso central e controla a pressão sanguínea;

2. Melhora o metabolismo dos açúcares, controlando a diabetes e protegendo o cérebro;

3. Melhora da disposição física para se dedicar aos esforços cognitivos das atividades de cálculo;

4. Melhora do humor e da disposição para as interações sociais e jogos;

5. Melhora da concentração e foco para manter a rotina de autocuidado e planejamento das metas;

6. Melhora da reserva cognitiva, o que permite mais capacidade de lidar com lesões caso aconteçam.

Para reflexão:

Não deixe os seus medos te privarem da vida incrível que você merece ter. ‘Daniel Duarte

Você sabia:

O Brasil tem mais ou menos 50 mil espécies de flores e é o país com a flora mais rica do mundo.

Resposta do desafio de Dezembro:

Quando eu tinha seis anos, a minha irmã tinha a metade da minha idade. Agora que tenho 70 anos, com quantos anos minha irmã está?

Resposta: Minha irmã está com 67 anos, nossa diferença de idade é de 3 anos.

Desafio de Janeiro:

Se João fosse Maria, lago seria:

a) rio     b) córrego     c) mar     d) riacho     e) lagoa

Resposta na próxima edição.

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906

Unidade Boa Viagem

Telefone: (81) 30331695

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

ALGUNS BANHEIROS USADOS NO CARNAVAL TAMBÉM PODEM SER PORTA DE ENTRADA PARA DOENÇAS

Por Dra. Elza Cavalcanti
Ginecologista, Mastologista e Colaboradora do Gazeta da Torre
Carnaval, para muita gente, é festa com pouca roupa, bebida, relacionamentos momentâneos com desconhecidos, muito descuido... e aí?

Durante o Carnaval, as secretarias de Saúde realizam ações para minimizar os possíveis efeitos negativos do feriadão, uma delas é evitar o aumento de casos de doenças transmitidas por meio de relação sexual. A atenção é redobrada porque as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) são desconhecidas por grande parte da população e apresentam sintomas parecidos com os de outras enfermidades menos graves, o que dificulta o diagnóstico e, consequentemente, o início do tratamento.

Dra Elza Cavalcanti
No entanto, como alerta a Dra. Elza Cavalcanti, profissional da área de ginecologia e mastologia do Hospital das Clínicas e de seu consultório na Madalena, algumas doenças podem ser transmitidas também por meio do contato da mucosa (pele) nesse período de carnaval.

Uma das doenças que está surgindo com maior frequência em pacientes que buscam tratamento com profissionais da urologia e ginecologia é o papilomavírus humano, causador de uma doença sexualmente transmissível chamada HPV. Ela é de difícil cura e se manifesta através de sintomas como verrugas que surgem na região íntima masculina ou feminina, após o contato íntimo com o infectado ou infectada.

“O número de mulheres infectadas pelo papilomavírus humano que procura meu consultório é cada vez maior”, observa a Dra. Elza.

Como mencionamos acima, a atenção tem que ser redobrada para quem valoriza a vida saudável. No carnaval não tem como evitar banheiros públicos. Afinal, são essenciais, para aliviar as necessidades fisiológicas.  Os problemas aparecem quando esses locais não são limpos adequadamente. Como são frequentados por milhares de pessoas em um único dia de carnaval, podem acumular muitos vírus e bactérias causadoras de doenças.

“A principal parte do corpo atingida nesses locais é a mucosa (pele). Por isso, a regra para os usuários e usuárias não se darem mal é uma só: tomar cuidado e se prevenir. Como? Não andar descalço, não sentar diretamente no assento sanitário e lavar bem as mãos com água e sabão após usar o banheiro”, diz a Dra. Elza.

Os especialistas do assunto relatam que o maior risco é o de ter contato com resíduos de fezes, urina ou secreções genitais contendo bactérias causadoras de infecções intestinais e o vírus que transmite hepatite A. Em raras situações, podem ocorrer até infecções genitais. A maioria das transmissões é por falta de cuidado com as mãos. São elas que movem tampas de sanitários, abrem torneiras, encostam em tudo. Por esse contato, adquirem micro-organismos que podem ficar sob as unhas ou entre os dedos. Mais tarde, as mãos vão à boca e ocorre a transmissão.

“Talvez as mulheres estejam mais expostas em algumas situações. Ao entrar nesses locais, evite contato com peças do ambiente. Antes de sair, deve-se lavar e secar as mãos adequadamente. Evitar o trinco da porta de saída também é esperto, use papel para isso e descarte-o”, complementa Dra. Elza. Portanto, brinque o carnaval com responsabilidade, pois a vida continua após a festa.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Proteína produzida pelo corpo pode amenizar efeitos do envelhecimento no cérebro

 Gazeta da Torre

Os efeitos benéficos da proteína klotho, produzida pelo corpo humano, nas células do sistema nervoso são mostrados em pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. Experimentos feitos em laboratório mostram que a proteína, ao favorecer a produção de energia e a imunidade das células, também estimula a ação antioxidante contra o estresse e a destruição celular.

Os resultados do estudo reforçam o papel da klotho como possível opção para contornar os efeitos do envelhecimento no sistema nervoso, associado a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson. A pesquisa é descrita em artigo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Para entender o papel da klotho, primeiro é preciso entender como é obtido o suprimento de energia do sistema nervoso central. “Sabemos que o cérebro pesa 2% do peso do corpo mas gasta 20% da energia que uma pessoa consome quando em repouso. Os neurônios possuem uma alta demanda energética, pois são as principais células envolvidas com nossa capacidade de memorizar, aprender, pensar”, explica ao Jornal da USP a pesquisadora Ana Maria Marques Orellana, do ICB, primeira autora do artigo.

Já os astrócitos, diz ela, são células de suporte. “Isolam as sinapses, que são os espaços entre os neurônios onde ocorre a transmissão de informações de uma célula a outra, protegem eles na vigência de um estímulo lesivo, juntamente com as células do sistema imunológico do cérebro, que são as micróglias, e também têm um papel fundamental no suprimento de energia.”

A pesquisadora relata que a principal fonte de energia para o cérebro é a glicose, que chega até o órgão pela circulação sanguínea. “Quem controla a entrada de nutrientes no sistema nervoso é a barreira hematoencefálica, que tem transportadores específicos para diversos nutrientes, como a glicose, os corpos cetônicos (fonte de energia em jejum), e o lactato”, aponta.

Mas como evitar oscilações no suprimento de energia aos neurônios? “Os astrócitos fazem isso. Eles captam a glicose e a transformam em glicogênio, gerando um pequeno estoque. Os neurônios não têm capacidade de estocar energia, consomem a glicose imediatamente. Então os astrócitos mantêm o suprimento constante.”

Outra via pela qual os astrócitos são capazes de suprir os neurônios é fornecendo lactato, obtido pela conversão de glicose, quando seu nível está em baixa e durante a atividade física. “Para evitar oscilações dependentes das concentrações de substratos oriundos do sangue, existe um acoplamento energético natural entre neurônios e astrócitos”, descreve Ana Orellana. “O neurônio capta a glicose e esta será usada para gerar energia imediatamente, sem estoque. O astrócito, por sua vez, capta a glicose, que é armazenada como glicogênio, favorecendo uma reserva.

Nos neurônios, a divisão da glicose também se dá por duas vias (conjunto de reações químicas), a das pentoses e a da PFKFB3. Porém, a das pentoses é a preferencial por estimular sistemas anti-oxidantes, logo, idealmente a PFKFB3 deve ser constantemente inibida. A via das pentoses utiliza moléculas de carboidratos com cinco átomos de carbono cada uma, as pentoses, e a PFKB3 é uma enzima que atua no metabolismo da glicose.

PROTEÇÃO DAS CÉLULAS

A pesquisa verificou se a klotho era capaz de alterar parâmetros do metabolismo em neurônios e astrócitos e se isso os protegeria. “Ela é uma proteína anti-envelhecimento produzida nos rins e no sistema nervoso central. Seus níveis se relacionam diretamente com o envelhecimento, assim, ao longo dos anos, temos menos klotho no sangue e no cérebro. Isso está associado ao déficit cognitivo”, afirma Ana Orellana. “Ademais, sabemos que no envelhecimento temos redução do metabolismo de glicose e oxigênio no cérebro, o que fica mais intenso na presença de doenças neurodegenerativas, e também há alterações na eficiência das mitocôndrias, parte das células que produz energia, e queda na atividade da via das pentoses nos neurônios.”

“Observamos que as culturas de astrócitos quando foram tratadas com klotho in vitro, em laboratório, tiveram diminuição dos efeitos moleculares desencadeados pela insulina e portanto aumento da sinalização anti-oxidante. Para entender como esse efeito anti-oxidante atua, expusemos essas células a diferentes graus de estresse oxidativo e a klotho foi capaz de proteger os astrócitos da morte diante de estímulos de baixa e média intensidade”, afirma a pesquisadora.

“Já os neurônios tratados com a klotho tiveram redução da atividade de algumas proteínas relacionadas à cascata molecular desencadeada pela insulina, que é fundamental para que a glicose adentre à célula, mas que interfere negativamente em mecanismos de degradação proteica, que podem ser benéficos para o cérebro. A klotho promoveu uma redução da via da PFKFB3, favorecendo a via das pentoses que aumenta a conversão de fatores anti-oxidantes na célula, e também a degradação de proteínas, que normalmente está menos ativa no envelhecimento.”

Segundo a cientista, a redução da PFKFB3 e o aumento da degradação das proteínas não foi suficiente para proteger os neurônios das mesmas concentrações de estresse oxidativo às quais os astrócitos foram submetidos, indicando que um estímulo intermediário para o astrócito é intenso para o neurônio, levando à morte. “Em trabalhos anteriores, no entanto, verificamos que, na vigência de inflamação, a klotho protege o neurônio da morte se o estímulo for intermediário para ele”, ressalta.

“Sabemos que a sinalização da insulina é fundamental para a vida, mas a super estimulação dessa via tem um caráter prejudicial na medida em que inibe a degradação de proteínas mal enoveladas, de agregados, prejudica a autofagia [processo normal de degradação de componentes da própria célula], tem potencial pró-inflamatório e aumenta o estresse oxidativo. A klotho contrapõe os efeitos da insulina, favorece a degradação e eliminação de proteínas e aumenta o potencial antioxidante.”

O professor do ICB, Cristóforo Scavone, que orientou a pesquisa, relata que há estudos mostrando que a administração periférica de klotho reverte o déficit cognitivo em modelo animal de Parkinson.

Aparentemente, haveria menos efeitos colaterais, pois as ações da klotho são bem balanceadas, e os anticorpos provocam edema, inchaço. Porém essas são hipóteses que vão exigir anos de pesquisas, ressalva Scavone.

Ana Orellana destaca que é possível melhorar os níveis da klotho no organismo por meio de exercício físico regular e da administração de compostos presentes na alimentação, como o resveratrol, existente nas uvas roxas. “Além da atividade física, a ingestão de menos calorias pode reduzir a estimulação da via da insulina, e o consumo de vinho em baixas quantidades poderia proporcionar o benefício do resveratrol”. Os estudos no ICB tiveram a colaboração do National Institue of Aging (NIA), em Baltimore (Estados Unidos).

Fontes: ASBRAN (Associação Brasileira de Nutrição); Jornal da USP;

Viva a Democracia!

 Gazeta da Torre

A nossa democracia deve ser sempre celebrada e respeitada! Essa é uma garantia de que estaremos sempre abertos ao debate, às críticas e opiniões do povo, fundamentais na construção de justiça social.

A charge é do cartunista Cazo - O chargista Luiz Fernando Cazo foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba 2020. Cazo produz charge, cartunes e ilustrações para jornais e revistas de todo o Brasil, inclusive semanalmente para o Jornal da Economia. Além dos trabalhos publicados pela revista Veja, Cazo atua na produção de ilustrações para 16 jornais e livros, sites e blogs.

MD, Gazeta da Torre

Como a mídia molda percepções sobre a crise hídrica no Brasil

 Gazeta da Torre

A escassez de água no Brasil é um problema complexo, que afeta diversas regiões do País, especialmente as áreas urbanas e ruralizadas. Um estudo recente, liderado por Lira Luz Benites Lazaro, pós-doutoranda no Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, revelou uma visão aprofundada sobre a crise hídrica no Brasil, com especial atenção ao estado de São Paulo.

O artigo Avaliando narrativas de escassez de água no Brasil – Desafios para a governança urbana, publicado no periódico Environmental Development, se originou da análise de mais de dois mil artigos de jornais de grande circulação no Brasil, cobrindo o período de 2010 a 2021, para mapear narrativas de escassez de água no País, identificando as fontes e tipos de narrativas mais persuasivos sobre o tema.

De acordo com a autora, o trabalho evidenciou que as narrativas observadas estão longe de serem neutras. “As narrativas sobre as mudanças climáticas, a escassez hídrica e outras questões importantes, como a pandemia, são produzidas em um contexto social e político, e cada grupo tem seus discursos predominantes, que muitas vezes acabam sendo os mais influentes nas tomadas de decisão”, esclarece.

Ela destaca a importância de refletir sobre temas como gestão, mudanças climáticas, acesso à água e impactos ambientais para entender melhor a formulação de políticas públicas e a perspectiva social sobre a crise hídrica. “Os discursos ocorrem em um contexto político e social, e algumas narrativas muitas vezes influenciam as tomadas de decisão e a gestão, enquanto outras são marginalizadas”, pontua a autora.

A investigação de Lira Lazaro também destaca a má gestão e falta de planejamento estratégico em São Paulo desde a década de 1970, agravada pela crise hídrica de 2014-2016. No texto, a Sabesp, empresa até então semi-privatizada, é criticada pela falta de investimento e infraestrutura adequados. Além disso, os comitês de bacias hidrográficas são apontados como ineficazes devido a desafios como a legitimidade das representações e dificuldades em estabelecer diretrizes para debates politizados.

Para o professor Pedro Jacobi, orientador do projeto e pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, “o principal problema [da gestão hídrica] está associado ao tema da dificuldade do diálogo com a própria gestão pública, a população com a gestão pública, muitas vezes da falta de transparência e, ao mesmo tempo, dos entraves administrativos da própria gestão.”

Durante a crise de 2014-2016, o governo de São Paulo adotou várias medidas, incluindo a utilização de reservas técnicas e políticas de incentivo e penalização relacionadas ao consumo de água. No entanto, algumas dessas medidas, como a redução da pressão da água, geraram problemas adicionais, como saúde e contaminação da água.

“Quando falamos da gestão hídrica associada à política nacional e no caso específico do comitê de bacia, nós temos diferentes segmentos. Então, no caso de São Paulo, quando se fala em sociedade civil, se incluem todos os atores que não são públicos; já em nível nacional, você tem uma situação diferente”, defende Jacobi.

Para ambos os pesquisadores, o trabalho recente enfatiza a necessidade de uma avaliação e melhoria contínua nas estruturas de governança da água e ressalta a importância de desvendar as diversas narrativas sobre a escassez de água e seu impacto nas soluções, políticas e gestão da água. Em especial, considerando o contexto que envolve decisões ambientais e seus impactos em um cenário de mudanças climáticas que afeta também o Brasil.

Sobre isso, o professor reforça que “em termos de clima, uma coisa muito preocupante é a questão do desmatamento na Amazônia e o impacto no que ficou denominado como ‘rios voadores’. Quanto mais houver desmatamento, maior o risco de perda de evapotranspiração, e isso se reflete diretamente no volume de chuva”.

Para Lira Lazaro, a pesquisa traz à tona a complexidade da crise hídrica no Brasil, destacando a interdependência dos vários setores envolvidos e a importância de políticas públicas que considerem essa complexidade.

Apesar de não ter mapeado a possível influência das narrativas reportadas diante da tomada de decisões políticas sobre o assunto, a especialista teoriza que relacionar ambos os assuntos seria “valioso”.

“Por exemplo, poderíamos cruzar os dados para mostrar como certas decisões foram tomadas em resposta a essas narrativas”, afirma ela ao pontuar que o evidenciamento da inação do Poder Público também constituiria uma conclusão importante. “O silêncio é uma forma de negação que usa a fábula clássica das roupas novas do imperador como exemplo de uma conspiração de silêncio, uma situação em que todas as pessoas se recusam a reconhecer uma verdade óbvia ou relutam em afirmá-la publicamente”

A análise é um lembrete importante de que as crises hídricas são questões multifacetadas, influenciadas por uma variedade de fatores sociais, políticos e ambientais, e que uma compreensão aprofundada das narrativas envolvidas pode ser essencial para a formulação de soluções mais eficazes e sustentáveis.

*Mais informações: e-mails lbenites@usp.br, com Lira Luz Benites Lazaro e prjacobi@usp.br, com Pedro Jacobi

Fonte:Jornal da USP

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

O Festival Rec-Beat 2024

 Gazeta da Torre

O Festival Rec-Beat divulgou, na segunda-feira (8), a data e identidade visual da 28ª edição do evento, que acontecerá entre os dias 10 e 13 de fevereiro, no Cais da Alfândega, no Bairro do Recife Antigo. Vale lembrar, que em 2023, o Rec-Beat recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, em reconhecimento a história, de quase 30 anos, fomentando a música na cidade, extrapolando fronteiras nacionais e internacionais.

A grade de shows do festival promete trazer artistas locais, nacionais e internacionais para o Carnaval do Recife. Já a identidade visual desta edição é assinada pelo jovem artista plástico e grafiteiro recifense Afro'G, que mistura elementos futuristas, negritude e vivências periféricas. Afro'G ilustrou o festival com a exploração das intersecções entre a cultura Hip Hop e suas particularidades.

Em 2023, o prefeito João Campos (PSB) sancionou a lei 19.157, que reconhece o Festival Rec-Beat como Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. A proposta, de autoria da vereadora Cida Pedrosa (PCdoB), foi apresentada na Câmara Municipal no mês de junho/2023 e, após ser aprovada pelas comissões de Legislação e Justiça e de Educação, Cultura, Turismo e Esportes, foi aprovada em plenário no dia 27 de novembro.

No texto, Cida Pedrosa defende que o Rec-Beat oferece acesso gratuito a uma programação diversa e requintada, o que torna o evento democrático e acessível a diversas camadas da população.

O festival acontece anualmente e é um dos mais disputados espaços do Carnaval de Pernambuco, sendo realizado no centro do Recife.

Fontes: CBN Recife; JC;

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

BookTok, fenômeno das redes sociais, impacta venda e visibilidade de obras literárias

 Gazeta da Torre

A hashtag BookTok, que geralmente acompanha os vídeos de indicações de livros, já acumula mais de 200 bilhões de visualizações

A hashtag BookTok, que geralmente acompanha os vídeos dos influenciadores, já acumula cerca de 206 bilhões de visualizações. Mas a popularidade das obras não fica restrita ao universo digital. Colleen Hoover, autora norte-americana, se tornou um fenômeno do TikTok graças à divulgação de suas obras na plataforma. A autora possui uma hashtag própria – ColleenHoover –, que acumula mais de 4 bilhões de visualizações.

De acordo com o portal PublishNews, ‘É Assim que Acaba’, livro de Colleen lançado em 2016, foi o segundo livro mais vendido de 2023. A autora ainda aparece no ranking em 3° lugar, com o livro ‘É Assim que Começa’, lançado em 2022, e em 14° lugar, com Verity, de 2018. Em 2022, Colleen conseguiu emplacar sete livros no ranking, e conquistou o 1°, 4°, 9°, 15°, 17°, 18° e o 20° lugar, o que equivale a quase 300 mil cópias vendidas.

A venda de obras de Colleen foi diretamente influenciada pelos vídeos de booktokers. Aline Frederico, professora de Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, explica que é típico das comunicações de massa que certos grupos tenham grande poder de influência – e grande número de seguidores – e que consigam gerar certo impacto através de suas recomendações.

“É assim que funciona também no caso dos livros: a gente vai ter alguns booktokers, instagrammers, booktubers que vão estar envolvidos nesse mundo literário, fazendo indicação de livros, e tem então essa capacidade de dar atenção para determinados títulos, e com isso fazer o número de exemplares vendidos aumentar”, explica Aline.

O BookTok e as redes sociais, no geral, são uma grande ferramenta para ajudar na divulgação de obras literárias, mas não são um definidor para o sucesso de um livro. “São determinados nichos de mercado, determinados grupos e audiências que fazem um uso sistemático das mídias sociais e nesses grupos as mídias sociais têm impacto maior nos resultados de vendas no mercado editorial. Mas isso não vai acontecer com todas as obras, com todos os nichos, geralmente são inclusive casos isolados”, exemplifica a professora.

Fórmula mágica? 

Para Aline, o movimento de divulgação de obras nas redes sociais depende de condições específicas, como as tendências que estão em alta no momento, do que está sendo falado e quem são os influenciadores que divulgarão os livros, por exemplo; também, se a obra em questão dialoga com uma audiência usuária de redes sociais, a professora acredita que certamente a divulgação na internet terá mais impacto. Porém, isso depende muito do público-alvo do livro.

Nos Estados Unidos, antes das mídias digitais, o “fenômeno Oprah” funcionava como um forte impulsionador de vendas. “Quando a Oprah divulga um livro no programa dela, é muito certo que ele vai aumentar o volume de venda significativamente, e hoje a gente vê isso nas redes sociais com os influenciadores digitais”, aponta.

Dessa forma, a professora acredita que um fator que influencia os livros a virarem um fenômeno das redes sociais – além de encontrar a pessoa certa para realizar essa divulgação – é que o livro aborde questões que estão sendo comentadas no momento, e que ele seja capaz de cativar os leitores.

De acordo com Josmar Andrade, professor de Marketing da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), do mestrado profissional Empreendedorismo da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) e assessor da Agência USP de Inovação, para que a divulgação de livros seja bem-sucedida, é preciso identificar o público-alvo e entender como esse grupo adquire informações sobre a obra literária – se é através das redes sociais, se eles frequentam os pontos de venda, se é através da indicação de um crítico.

Além disso, Andrade pontua a importância do engajamento do próprio autor nesse processo. “Muitos autores não gostam muito dessa questão de autopromoção, não gostam muito dessa palavra – às vezes vista como certo pejorativo, não gostam muito de lidar com o mercado – mas nós estamos vivendo um outro mundo, e esse outro mundo exige uma nova postura. Você quer ter leitores? Você precisa se conectar com eles”, explica.

Por isso, se o público-alvo de uma obra estiver nas redes, é interessante que o autor ofereça conteúdos e crie certa intimidade com os leitores. Essa, de acordo com o professor, é uma estratégia que pode aumentar sua aceitação, visibilidade e potencialmente criar os fenômenos, que são construídos através das recomendações entre pessoas.

Fases de divulgação

O mercado da literatura é amplo e possui vários segmentos e subdivisões, que podem ser organizados de acordo com faixas etárias – literatura infantil, infantojuvenil, jovem adulta, adulta. Dessa forma, cada grupo terá uma estratégia própria de divulgação.

No entanto, como explica Aline, de forma geral é possível estabelecer algumas fases importantes para a divulgação de uma obra. A primeira é o momento do lançamento do livro, que geralmente é acompanhado de um evento que movimenta um grupo de pessoas interessadas naquele título e que normalmente marca um pico de vendas – a depender, segundo a professora, das características da obra.

Depois, outro aspecto importante pontuado pela professora é o envio do livro para formadores de opinião. “Tradicionalmente, esses formadores de opinião são a imprensa especializada, tanto revistas literárias como a grande imprensa, principalmente os jornais e revistas de grande circulação. Mas, hoje em dia, também a gente tem nas redes sociais muitos grupos formadores de opinião”, explica.

Esse processo depende do segmento das obras: se o livro divulgado é classificado como young adult – jovens adultos, em português –, a audiência é fortemente consumidora de mídias sociais. Dessa forma, os formadores de opinião escolhidos devem, preferencialmente, atuar na internet, por exemplo. Por outro lado, segundo Aline, a literatura mais tradicional será mais divulgada no circuito da produção cultural da crítica literária, em revistas como Rascunho, Quatro Cinco Um, e cadernos de cultura dos grandes veículos de imprensa.

Por fim, a participação em feiras e eventos literários também é um fator relevante, segundo a professora. “O autor não termina o trabalho quando ele termina de escrever o livro e ele é publicado. Ele vai, então, ter uma agenda de divulgação da obra seguindo o calendário dos eventos literários”, aponta.

Andrade explica que uma obra literária é um produto como qualquer outro que busca seu público consumidor. A divulgação do livro pode ser realizada através da assessoria de imprensa e matérias, por exemplo. “Também é possível, hoje em dia pelo mercado digital, a gente dar destaque ao livro dentro dos próprios sites das livrarias e dos marketplaces como a Amazon”, aponta. Anúncios e estratégias de venda física também podem ser realizados.

Fonte: Jornal da USP

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Programe suas leituras de férias com publicações gratuitas oferecidas pela USP

 Gazeta da Torre

São várias plataformas que oferecem livros com download gratuito, desde assuntos como turismo até coleções temáticas

Final de ano e férias se aproximando, período ideal para colocar as leituras em dia, mergulhando em aventuras ou se aventurando pelo conhecimento. Várias plataformas da USP oferecem livros com downloads gratuitos, com assuntos que vão desde engenharia, saúde, arquitetura, educação, turismo, além de coleções temáticas, até revistas acadêmicas de vários departamentos da USP, e também de conteúdo universitário do Brasil, que inclui o acervo de 16 grandes editoras acadêmicas e 42 selos editoriais. Há também publicações internacionais, mais de 7.400, de jornais e revistas sobre gastronomia, artes, ciências, esportes, saúde e entretenimento de mais de 60 países.

Portal de Livros Abertos da USP (aberto ao público interno e externo da USP)

Endereço:

https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP

Disponibiliza obras que podem ser baixadas na íntegra e que cobrem assuntos como engenharia, saúde, arquitetura, educação, turismo. Há ainda as séries, exemplos de títulos são Coleção Botânica, Coleção Mitos da Pós-Modernidade, Coleção Museu Aberto e Estudos da Ásia​. Criado em março de 2016, o sistema do Portal de Livros Abertos da USP é o mesmo utilizado e desenvolvido pelas Universidades de Stanford, nos Estados Unidos, e Simon Fraser, no Canadá, e atualmente está sob a gestão da Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais (ABCD).

São mais de 900 títulos publicados, entre eles, para uma leitura bem leve, o volume 3 de Crônicas para ler e ouvir, que acaba de entrar no ar, reunindo textos de alunos da disciplina de Radiojornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, produzidos no segundo semestre de 2023, entre como Consolação-Paulista, Pesadelo à Luz do Dia, O Voo, Gato Preto e Perigos Nada Aparentes; ou ainda livros que fazem refletir sobre a situação das universidades, caso da série Repensar a Universidade: Desempenho Acadêmico e Comparações Internacionais; Impactos para a sociedade; e Saberes e Práticas.

Fonte: Jornal da USP

domingo, 24 de dezembro de 2023

Natal!

 

Natal! O bom velhinho aparece em diferentes locais da cidade. Sim, chegou finalmente o Natal. Nessa época do ano não existe nada mais especial do que juntar a família, trocar palavras carinhosas. Sim, a ocasião é sinônimo de carinho e gratidão e aqui no Gazeta da Torre não é diferente.

Agora, não se trata apenas sobre presentes. Pelo contrário, melhor do que trocá-los é aproveitar o periodo para parar um pouco, olhar em volta e agradecer pelas pessoas incríveis e grandes conquistas que temos na vida. E isso passa também por oferecer aos outros nossa atenção, amizade verdadeira, respeito e amor incondicional.

É isso que dá à vida um sentido tão especial. Há mais, muito mais, para o Natal do que luz de vela e alegria. E o espírito de doce amizade que brilha todo o ano. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente para gerar paz e entendimento a todos. Enfim, é isso que significa o verdadeiro espirito de Natal.

Neste momento tão lindo do ano, o time do Gazeta da Torre deseja que o seu coração se encha de luz e a sua casa fique lotada de amor e felicidade.

Desejamos que você possa viver esta época tão feliz junto de quem mais ama, partilhando amor, saúde, esperança e paz.

Que seja mais um Natal abençoado, com muitas reflexões positivas, mas sem nunca esquecer que o mais importante são os sorrisos, os abraços e o carinho entre todos.

Feliz Natal!

#Natal #Recife #Madalena #Torre

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

A inquietação do brasileiro em busca de sinais de bem-estar

 Gazeta da Torre

Av. Conde da Boa Vista, Recife/PE

Por Gaudêncio Torquato, escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor político

Fosse escolher a lenda mitológica que mais se assemelha à sua vida, provavelmente o povo brasileiro colocaria a história do castigo de Sísifo entre as preferidas. Sísifo, que viveu vida solerte, conseguiu livrar-se da morte por duas vezes, sempre blefando. Rei de Corinto, não cumpria a palavra empenhada, até que Tânatos veio buscá-lo em definitivo para levá-lo ao Hades. Como castigo, os deuses o condenaram impiedosamente a rolar montanha acima um grande bloco de pedra. Quase chegando ao cume, o bloco desaba montanha abaixo.

O povo brasileiro se sente no estado de um eterno recomeço. Quando acha que as coisas estão se normalizando, o desastre aparece. Por isso, o homem comum se vê numa ilha ameaçada por pequenas e grandes catástrofes. Escândalos explodem aqui e ali, devastando o tecido institucional. A corrupção continua a aumentar seu Produto Interno Bruto. E até escancara seus métodos. O governo promete realizar a reforma tributária, que claudica no Congresso. Impostos e tributos diminuirão? Promessa para boi dormir. Decepciona a performance do nosso aluno, principalmente no terreno da matemática. Lula pede menos advogados e mais formandos de ciências exatas. Dá condições para isso?

Os jovens se afastam da política, área da qual sempre tomaram distância. Analisemos o caso dos infantes e adolescentes. Conectam-se horas e horas por meio de seus celulares. Comunicam-se com quem? Com seus egos. Desenvolvendo a linguagem? Não. Apenas consolidam o que tenho chamado de linguagem tatibitate. Comunicação com um rapazinho de 13 anos.

— Como está você?

— Bem.

— Conte-me como foi sua aula de história?

— Legal.

— O professor é bom, o que ele ensinou?

— Joia.

— Conte-me como foi o seu dia ontem? Lembra-se?

— Legal.

A linguagem patinante se encerra com um abrupto tchau, bj.

Para onde esta geração do “oi” está nos levando? Para os campos das balbuciações, o início dos tempos, a aurora da linguagem falada. Quem leu um livro neste ano? Quantas páginas tinha? Cinco, sete, dez páginas? Estamos vivenciando tempos de socialização do universo de conteúdo. O Google e outras ferramentas de busca ajudam a Humanidade a encontrar respostas para as questões mais complexas. A famosa (mesmo com pouco tempo de vida) inteligência artificial tem respostas rapidíssimas para os mais encrencados problemas. Mas ainda está na fase de amadurecimento.

Já contei uma vez. Perguntando sobre minha pessoa, meus livros e outros escritos, deu uma resposta com dados parcialmente corretos, corrigidos com calorosas desculpas ante discordâncias. O pior erro foi me jogar nas Filipinas, a terra do Ferdinando Marcos, o ditador cuja esposa, Imelda, tinha uma coleção de milhares de sapatos. Onde a turma do “oi, tudo bem” nos levará? E a IA vai ajudar esta geração a sair de seu cantinho nas redes? A procurar sair do turbilhão de “ais, ois, bye, legal, tudo bem, sim, não”?

Onde está o fervor cívico? O amor à pátria? O sentimento de nação?

Alexis de Tocqueville, há quase 200 anos, em Democracia na América assim descrevia a alma norte-americana: “Existe um amor à pátria que tem a sua fonte principal naquele sentimento irrefletido, desinteressado e indefinível que liga o coração do homem aos lugares onde o homem nasceu. Confunde-se esse amor instintivo com o gosto pelos costumes antigos, com o respeito aos mais velhos e a lembrança do passado; aqueles que o experimentam estimam o seu país com o amor que se tem à casa paterna”.

Que amor à pátria pode existir em espíritos tomados pelo pavor, pela violência de tiros a esmo, pelas balas perdidas, pelos assaltos que infestam as ruas centrais e periféricas, pela bandidagem que monta seus escritórios no interior dos cárceres? Que espírito público pode vingar no seio das massas quando as elites dividem espaços de poder, de forma egocêntrica e ignominiosa, que volta a colocar na ordem do dia o lamento de Simon Bolívar, o timoneiro, quando, um dia, retratou a sofrida América Latina: “Não há boa fé na América, nem entre os homens nem entre as nações; os tratados são papéis, as constituições não passam de livros, as eleições são batalhas, a liberdade é anarquia e a vida um tormento. A única coisa que se pode fazer na América é emigrar”.

Emigrar foi a opção de milhares de brasileiros em tempos não muito remotos. Hoje, muitos retornam à casa sob o patrocínio de uma aparente estabilidade econômica, grifada com uma angustiante interrogação. Emigrar também foi uma opção de milhões de brasileiros, que, nas últimas décadas, saíram do campo para as cidades, à procura de emprego. Estabilidade que traga a segurança do emprego e o conforto de um salário razoável, capaz de prover as necessidades mínimas. Estabilidade que permita a todos divisar, com nitidez, a linha do horizonte. O consumidor coloca em seu balcão de prioridades a necessidade de saber quanto dinheiro terá no início e no final de cada mês. Tal sentimento eleva a taxa de nacionalidade. Viver sob a ilusão de ganhos inflacionários já não mais faz a cabeça do poupador. Ele quer mais é se sentir integrante do selecionado grupo de cidadãos do Primeiro Mundo que tem na moeda um fator de equilíbrio social.

Não basta, contudo, a estabilidade monetária. Os brasileiros sonham em recuperar outros sinais antigos de bem-estar. A chama telúrica que se apaga com o violento sopro da inchação das metrópoles e o crescimento desordenado dos bairros volta a se acender no coração de segmentos de todas as classes sociais. A verdade é que o fator econômico, no País, canibalizou o fator político. Hoje, a política procura resgatar seu protagonismo, arreganhando a bocarra para agarrar nacos do orçamento nacional.

E as massas, como se comportam? Observando. Refugiando-se nas 800 mil organizações não governamentais, que passam a abrigar suas demandas. Hora de arregalar os olhos.

Fonte: Jornal da USP

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Tem coisas que ninguém vai fazer por você!

 Gazeta da Torre

Dia de tensão em nosso país, dia histórico para a nossa população e, certamente, você já ouviu falar que no fim do dia, uma metade vai chorar e a outra metade vai sorrir e celebrar! Isso acontece também a cada jogo de futebol, que até pode dar empate, mas, em muitos casos, esse empate vem com gosto de derrota.

Na vida, isso acontece diariamente das mais diferentes maneiras, nas nossas escolhas, no dia a dia. Mas tem coisas que podemos fazer diferente, e muitas delas ninguém pode fazer por nós. No caso do resultado das eleições, depende de uma movimentação maior, que vai além do esforço e desejo individual. E o que podemos fazer diferente, e realmente depende bem de nós, é quanto à nossa vida financeira. Diferente da maioria dos brasileiros, que há anos gastam mais do que ganham, e por isso se enfiam em dívidas, outros podem até não se endividar, mas queimam todas as reservas e possibilidades de ter um futuro mais tranquilo.

Depende de cada um de nós ligar para negociar a conta do celular, TV a cabo ou internet, pesquisar melhor a hospedagem e passagens da viagem que deseja fazer, se planejar com antecedência. Procurar não só equilibrar melhor as despesas, gastando de forma mais inteligente e dentro das reais possibilidades, mas também de procurar outras maneiras de gerar renda, me refiro aqui a uma, duas, três ou mais formas para se ter uma renda extra.

Fatores externos, os quais exercemos como indivíduo, têm pouca influência, tal como política, futebol entre outros, não nos possibilitam muitas das grandes mudanças que de fato precisamos, desejamos. Dessa maneira, a liberdade de mudar a realidade, começa no lugar que vivemos. Na nossa casa, sim, na nossa família, sim, por isso vale o olhar, a dedicação, o envolvimento e o empenho a fim de fazer diferente, de fazer acontecer, nas contas, no relacionamento e nos reais valores daquilo que queremos viver!

O que eu gostaria de deixar para finalizar essa reflexão é em relação à sua parte, a minha parte e ao que verdadeiramente podemos fazer! E então, o que você pretende fazer diferente em 2024? Já parou para pensar? Comece de agora, dificilmente você se arrependerá.

E no que depende de nós, de mim, de você, dos seus e dos meus, para os seus e para os meus, não vamos vacilar e perder a oportunidade de realizar e procurar, se dedicar para sermos cada vez mais felizes, no que tange os relacionamentos, a saúde, o bem-estar, as risadas, a busca, os momentos, as conquistas, as experiências e as realizações. Claro, sem deixar de lado os cuidados com a sua saúde financeira.

Grande abraço e até a próxima!

sábado, 2 de dezembro de 2023

Cuidado com a conduta nas CONFRATERNIZAÇÕES de final de ano

 Gazeta da Torre

Izabel Carvalho, Consultora

Ter a conduta adequada nestas ocasiões é muito importante. Não que seja menos importante portar-se bem entre amigos e parentes. Mas no ambiente corporativo o resultado dos excessos pode prejudicar uma carreira. É nesse momento de relaxamento onde as pessoas mostram quem realmente são, que um chefe pode, por exemplo, confirmar a impressão que tem de um funcionário que ele pretende promover. Qualquer falha no comportamento pode manchar a imagem pessoal e a da empresa.

A etiqueta social não é uma “frescura” como muitos pensam. Ela é necessária para o bom convívio em sociedade, para impor limites. Não importa o lugar, a situação, o comportamento deve ser sempre pautado pelo respeito e pela boa educação.

O conceito de etiqueta está intimamente ligado à cortesia e à prática de boas maneiras. Não existem regras rígidas, mas está ligada à tradição de cada sociedade. Mesmo o homem da pré-história já havia aprendido a cooperar e se organizar socialmente, até como forma de garantir sua sobrevivência.

Mas, foi na França que surgiram as normas de etiqueta como forma de padronizar o comportamento de um grupo social. Nessa época eram distribuídos aos nobres “etiquettes” fixados nos convites contendo as instruções de como se portar, o lugar a ser ocupado na mesa, entre outras.

Bom mesmo é pensar em etiqueta como uma extensão da ética, como normas de comportamento de respeito ao outro, mais do que os cerimoniais e a forma correta de segurar talheres, etc. Mais importante é ser gentil com os caixas de supermercado, evitar uso de celular em ambientes fechados, ceder a vez a uma senhora na fila, não se exibir, corresponder a um favor recebido, retornar uma ligação e um e-mail, não ocupar duas vagas de estacionamento, nunca esquecer de dizer  “bom dia”, “por favor” e “muito obrigado”. Saber impor-se sem grosseria.

Mas é importante entender que a festa de confraternização é uma continuação da rotina da empresa e as pessoas precisam ter isso muito claro. Melhor comportar-se bem para não se preocupar com o “day after” (a ressaca moral, que é pior que a ressaca da bebida).

Nestes eventos não costumam permitir que se levem parentes e/ou amigos; então é melhor evitar constrangimentos.

Apresentar-se com um visual alegre valorizando o estilo de cada um, mas que seja também adequado na cor, comprimento, transparência etc. Denota extremo mau gosto usar roupas inadequadas mesmo que aquele colega maravilhoso, paquerado o ano inteiro, for presença confirmada. Ter cuidado com os palavrões e comentários, lembrar-se que todos os chefes, diretores e colegas também estarão por lá.

É recomendado que quanto mais alto for o cargo do executivo, menos tempo essa pessoa permaneça nessa confraternização. Isso porque sua presença tende a inibir os funcionários menos graduados.

Os presentes de “amigo secreto” devem ser escolhidos com critério, levando-se em conta o poder aquisitivo do presenteado para não gerar constrangimento. O que for sorteado com o nome do chefe deve escolher algo que obedeça à faixa de preço estipulada para os presentes dos demais funcionários.

Não atrasar porque pode deixar os organizadores ansiosos e é sinal de pouco caso. Pior ainda se o atrasado for o chefe da equipe. Ter discrição na hora de comer e esperar as pessoas hierarquicamente superiores servirem-se antes. Beber com moderação!

Ser agradável e procurar falar de amenidades. Falar mal de chefes e colegas, bem como criticar a organização nesta circunstância é expressamente errado. Evitar contar estórias catastróficas e ficar falando de doenças porque em dias de festa as pessoas procuram alegria e diversão.

As confraternizações são sempre uma ótima oportunidade pra você melhorar seu network. Não deixe escapar esta chance comportando-se como se estivesse na última festa da sua vida. Não esqueça: mesmo sendo dia de festa é uma extensão do ambiente de trabalho!

São apenas algumas dicas porque a dica mais importante é ter bom gosto e bom senso. Em qualquer situação uma pessoa inconveniente torna sempre o ambiente desagradável. Não queira ser lembrado(a) por isso.

Izabel Carvalho, Consultora – Gazeta da Torre

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

O intestino é o segundo cérebro? Entenda

 Gazeta da Torre

Por que este órgão é costumeiramente chamado de “segundo cérebro” dentro da estrutura do corpo humano?

O intestino é, frequentemente, chamado de “segundo cérebro”. Isso acontece devido à sua complexa rede de neurônios e ao seu papel fundamental na regulação de diversas funções corporais e emocionais. Esse conceito está relacionado ao sistema nervoso entérico, que consiste em milhões de neurônios presentes no trato gastrointestinal.

Sim, nós temos neurônios no intestino!

O intestino desempenha um papel vital na digestão e absorção de alimentos, mas vai além disso. Ele é capaz de operar de forma independente do cérebro central, embora também esteja interconectado a ele. Essa rede de neurônios intestinais influencia o humor, o comportamento e até mesmo a cognição.

A neurocientista do SUPERA, Livia Ciacci, explica que, neste contexto, se alimentar nunca foi só sobre calorias porque sempre significou uma sobrevivência em grupo.

Por isso o sistema límbico, aquele responsável pelas emoções, tem uma conexão próxima com o sistema gastrointestinal e com as moléculas sinalizadoras de cada tipo de nutriente.

“O intestino possui cerca de 500 milhões de neurônios. É o suficiente para formar um cérebro próprio! Esse sistema nervoso próprio não tem só a função de coordenar a digestão e absorção, ali também é produzida 90% da serotonina liberada no corpo (sim, aquela substância associada ao bem-estar), além de mais 30 mensageiros químicos e manutenção de toda a rede de bactérias essenciais na saúde”, detalhou.

Tanta complexidade nas interações entre mente e intestino é exemplificada por muitas descobertas recentes na área. Hoje sabemos que o tipo de microbiota (famílias de bactérias) que temos no intestino facilita ou complica a qualidade das habilidades cognitivas, o humor e como o sistema imunológico está.

“Sabemos que alimentos exagerados em gordura e açúcar alteram as mensagens de recompensa no cérebro e que descontamos muitas frustrações e ansiedades na comida! Estudos bem recentes têm mostrado como uma dieta balanceada com o uso de probióticos (“bactérias do bem” que ajudam a equilibrar a microbiota intestinal), apresentaram resultados positivos na diminuição dos sintomas de depressão e ansiedade”, explicou.

Relação intestino – cérebro

Chamamos de eixo intestino-cérebro a comunicação bidirecional entre os sistemas entérico e nervoso. Ou seja, segundo a especialista do SUPERA – Ginástica par ao cérebro, ambos os sistemas influenciam o funcionamento e desempenho um do outro. “Todas as substâncias produzidas pelo intestino ou por suas bactérias influenciam o cérebro, e o estresse é um exemplo de como o cérebro pode afetar o intestino. O estresse crônico pode causar problemas gastrointestinais, como dor abdominal, diarreia ou constipação”, concluiu.

10 dicas que fazem bem ao cérebro e ao intestino

1.    Consuma uma dieta rica em fibras: As fibras alimentares são essenciais para a saúde do intestino, pois promovem o crescimento de bactérias benéficas. Alimentos como frutas, legumes, grãos integrais e leguminosas são boas fontes de fibras.

• Inclua probióticos na sua alimentação: Probióticos são micro-organismos benéficos para o intestino. Iogurtes e alimentos fermentados são boas fontes de probióticos.

• Hidrate-se: Beber água suficiente é crucial para manter o equilíbrio hídrico no corpo, inclusive no intestino.

• Consuma ácidos graxos ômega-3: Peixes, como salmão e sardinha, são ricos em ômega-3, que ajuda a reduzir a inflamação no corpo e pode beneficiar o cérebro.

• Exercite-se regularmente: A atividade física não apenas ajuda na circulação sanguínea, mas também estimula a liberação de substâncias químicas benéficas para o cérebro.

• Reduza o estresse: O estresse crônico pode afetar negativamente o intestino e o cérebro. Práticas de gerenciamento do estresse, como meditação e ioga, podem ser úteis.

• Durma bem: O sono adequado é vital para a saúde cerebral e intestinal. Tente manter uma rotina de sono regular.

• Evite alimentos processados e açúcares refinados: Esses alimentos podem causar inflamação e perturbar o equilíbrio das bactérias intestinais.

• Mantenha um peso saudável: O excesso de peso está associado a problemas intestinais e pode afetar a função cerebral.

• Mantenha-se mentalmente ativo: Exercitar o cérebro por meio de exercícios cognitivos ou ginástica para o cérebro ajuda a preservar a função cognitiva.

Para reflexão:

“Eu gosto do impossível porque lá a concorrência é menor”. Walt Disney.

Você sabia:

O cérebro humano tem a mesma consistência macia de uma barra de manteiga.

Resposta do desafio de Setembro:

Um pedreiro diz: “Se eu tivesse dois tijolos a mais, o dobro desse número seria 100”.

Quantos tijolos ele tem?

a)42         b) 44         c) 48        d) 52         e) 50

 Resposta letra E 50:  48 + 2 = 50 X 2 = 100

Desafio de Outubro:

Quais as capitais brasileiras mais faladas em Dezembro?

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906

Unidade Boa Viagem

Telefone: (81) 30331695