domingo, 12 de setembro de 2021

Estimulação cognitiva atrasa o Alzheimer em até cinco anos; veja dicas para estimular o cérebro

 Gazeta da Torre

A cada ano novos estudos científicos caminham para comprovar a importância da estimulação cognitiva ao longo de toda a vida, especialmente no processo de envelhecimento.

Neste sentido, os trabalhos científicos mais recentes confirmam que práticas envolvendo novidade, variedade e grau de desafio crescente - como a ginástica para o cérebro -, ajudam a retardar o aparecimento de sintomas de Alzheimer.

Desta vez pesquisadores conseguiram quantificar os benefícios da estimulação cognitiva e concluíram que manter o cérebro ativo pode atrasar o aparecimento dos sintomas de Alzheimer em até cinco anos.

A pesquisa foi publicada em julho na revista médica Neurology, da Academia Americana de Neurologia. 

Por onde começar?

É importante lembrar que o nosso cérebro precisa ser estimulado ao longo de toda a vida. Quando falamos de cérebro, nunca é tarde demais para iniciar esses estímulos, que sempre trazem resultados positivos, segundo a especialista em estimulação cognitiva e ginástica para o cérebro do Método SUPERA, Patrícia Lessa.

“Todos os cérebros aprendem e mantém a capacidade de aprender por toda a vida. Com isto, quero dizer, que é possível aprender em qualquer idade. Embora, quanto mais maduro for um cérebro, menos plástico, menos maleável é o cérebro e aprender exigirá mais esforço, mas sempre é possível aprender. A ginástica para o cérebro contribui de forma muito significativa neste processo”, explica a especialista.

A pesquisa de Robert Wilson, do Centro Médico Universitário Rush, em Chicago identificou ainda que os benefícios da estimulação cognitiva como forma de prevenção às demências podem ser aplicados mesmo a pacientes com 80 anos, de forma a prevenir o aparecimento de sintomas do Alzheimer, trazendo benefícios, mesmo nestes casos.

A pesquisa concluiu ainda que pessoas que estimularam o cérebro desenvolveram demência por volta de 94 anos, enquanto os pacientes que tiveram estímulos cerebrais mais baixos apresentaram demência aos 89 anos, uma diferença de cinco anos.

“São dados de fácil compreensão que chamam a atenção para dois pontos importantes: a importância de estimular o cérebro, os resultados desse estímulo e a eficácia do estímulo quando ele é feito da maneira correta”, lembrou Patrícia.

Como chegar lá?

Quanto mais estimulamos nosso cérebro ao longo da vida, mais fortalecemos nossa reserva cognitiva. Ao longo da vida, quanto mais sinapses tivermos entre os neurônios, maior é a resiliência do cérebro para enfrentar um problema, como o Alzheimer.

“Dessa forma, a prática da ginástica cerebral por toda a vida funciona como uma proteção para o cérebro, criando o que os neurocientistas chamam de reserva cognitiva, ou seja, a resiliência do cérebro em apresentar melhores condições de se proteger, tolerar ou lidar melhor com as alterações cerebrais que acontecem ao longo da toda nossa existência”, explicou.

Confira algumas dicas para manter o cérebro ativo e criar boas conexões:

1.Mantenha uma atitude positiva – Controlar pensamentos e emoções é um caminho seguro para que o cérebro tenha um processo de envelhecimento saudável e preparado para lidar com as adversidades. Não temos controle sobre o que nos acontece, mas temos controle sobre como vamos reagir a isso.

2.Busque novidades – Já parou para pensar como vivemos imersos na aprendizagem nos primeiros anos da vida e, repentinamente, na vida adulta, esse estímulo é abandonado? Pior do que isso: vivemos repetindo as mesmas ações em nosso trabalho e rotina. É possível incluir no dia a dia pequenas ilhas de desenvolvimento pessoal e mudar esse ciclo.

3.Atenção para a qualidade de vida – O conceito saudável envolve corpo, mente e espírito. Além de ter atenção a dieta e exercícios, busque diminuir o ritmo de vida, observando de perto qualidade do sono e emoções.

4.Aprenda algo novo – Sabe aquela sensação de preguiça para estudar quando se é adulto? Esse sentimento nada mais é do que o seu cérebro buscando economizar energia, reduzindo os esforços necessários para aprender algo novo. Não desista na primeira dificuldade.

5.Há vida depois da aposentadoria – São inúmeros os relatos de idosos que trabalharam a vida toda e se deprimem durante a aposentadoria. Se o trabalho remunerado não existe mais, procure atividades que lhe tragam prazer com foco no desenvolvimento constante.

6.Invista em bons relacionamentos – Seja na família, em grupos religiosos, segmentados ou beneficentes: sempre existe a possibilidade de conhecer novas pessoas e partilhar a vida com elas. Ter relacionamentos saudáveis são um ponto chave para manter o cérebro ativo durante o processo de envelhecimento.

7.Tire seu cérebro da zona de conforto – Ao longo da vida somos movidos por metas e desafios. Manter uma atitude positiva e aberta ao mundo e ao novo terá impacto muito positivo na sua qualidade de vida.

8.Faça ginástica para o cérebro – Por meio de um método exclusivo, com estímulos adaptados a todas as idades, a ginástica cerebral ativa circuitos importantes no cérebro. “Quem busca a ginastica cerebral, busca principalmente melhorar o desempenho, e não tratar doenças. Ao viver mais, nos deparamos com a necessidade de prevenir o declínio cognitivo tanto quanto possível. E, de fato, do ponto de vista da saúde, a melhor maneira de prevenir os sintomas do envelhecimento é melhorar o desempenho de forma sustentada. Melhor desempenho atrasará o declínio e, consequentemente, atrasará o início dos sintomas. Então, podemos dizer que a ginástica cerebral funciona quando melhora o desempenho cognitivo de forma sustentada e pode por funcionar como uma ‘neuroproteção’, contribuindo para a melhora da qualidade de vida”, concluiu a especialista.

ARTIGO EXTRA: RESPOSTA DO DESAFIO DE AGOSTO NA PRÓXIMA EDIÇÃO DE SETEMBRO

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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Brasil cobra a fatura do desmatamento na conta de luz

 Gazeta da Torre

O desmatamento na Amazônia só cresce

Não são apenas 14,20 reais por cada 100 quilowatt-hora que o brasileiro vai pagar a mais com a bandeira de escassez hídrica criada pelo Governo atual para tentar contornar a ameaça de apagão. “O que está sendo precificado na conta de luz é o desmatamento da Amazônia”, explica Pedro Luiz Côrtes, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP). Num momento em que a economia ainda ensaia estratégias para se recuperar da pandemia de covid-19, com inflação em alta e renda das famílias em queda, a iminência de uma crise energética acende um alerta sobre o impacto que o descaso com o meio ambiente pode causar à economia do Brasil.

Analistas ouvidos pelo EL PAÍS afirmam que a crise hídrica era previsível e que o Brasil teria melhores instrumentos para contorná-la, caso tivesse começado a combatê-la no período certo. “Estamos praticamente um ano atrasados. Em agosto de 2020 já sabíamos que a estiagem viria”, lamenta Côrtez.

O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) emitiu em 27 de maio o alerta de emergência hídrica na bacia do rio Paraná, que atende os Estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Mas só no final de agosto o Governo Federal anunciou uma estratégia para reduzir o consumo, com a criação da bandeira Escassez Hídrica no valor de 14,20 reais a cada 100 quilowatt-hora consumidos, que vale para todos os consumidores a partir deste mês até abril de 2022. Uma exceção é feita aos beneficiários da tarifa social, além de sistemas isolados, como os de Roraima e de outras áreas remotas, que não pagam bandeira tarifária. A nova tarifa representa um aumento de 4,71 reais, quase 50%, em relação à tarifa de bandeira vermelha 2 de 9,49 reais por 100 kWh, até então o maior patamar aplicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A maior seca em 91 anos é vista como um evento imprevisível pelo Executivo. “Trata-se de um fenômeno natural que também ocorre, com a mesma intensidade, em muitos outros países”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, durante pronunciamento em rede nacional recentemente, em que anunciou o plano de incentivo à participação social para reduzir o consumo de energia no país. A meta é que os órgãos federais reduzam em até em 20% o consumo. No entanto, para os grandes consumidores de energia, como indústrias, hospitais, shoppings, construção civil e metalúrgicas, o plano é incentivar a “redução voluntária do consumo” nas horas de ponta do sistema.

Enquanto o Governo aposta no aumento da conta de luz e no voluntariado para conter a crise, as empresas já começam a calcular os possíveis prejuízos. Levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 572 companhias, entre os dias 25 de junho e 2 de julho, mostra que nove em cada dez empresários estão preocupados com o aumento do custo, com a possibilidade de racionamento e a instabilidade no fornecimento de energia elétrica, segundo informações da Agência Brasil.

Fantasma do apagão

O fantasma do apagão somou-se aos recentes conflitos político e a indefinições em relação à reforma tributária para afetar os investimentos no segundo trimestre deste ano, de acordo com relatório do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI). Em um ambiente cercado por insegurança, as empresas recuaram em 3,6% seus investimentos no segundo trimestre frente ao período anterior. Essa é a primeira retração desde o estrago feito pela pandemia no segundo trimestre do ano passado.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estável no segundo trimestre, com recuo de 0,1% da economia ante o período anterior, mas com quedas preocupantes nas indústrias de transformação (-2,2%) e na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,9%). “A indústria só não recuou mais devido ao ramo extrativo, que registrou alta de 5,6%, estimulado pela melhora do comércio exterior de seus produtos, e também devido à construção, com a reativação dos empreendimentos habitacionais, especialmente nos maiores centros urbanos do país”, informou o IEDI.

Para a economista Juliana Inhasz, do Insper, a conta da crise de energia começará a ser cobrada no PIB no terceiro trimestre. “O aumento das tarifas de energia vai fazer com que os custos de produção aumentem mais ainda. As empresas vão cobrar mais do consumidor, que vai ter que comprar menos, porque a renda não está subindo. Teremos redução do consumo”, analisa a economista. Inhasz afirma que o Brasil vem depositando na vacinação contra a covid-19 toda a esperança de uma virada para a retomada econômica, e se esqueceu de que é preciso “investimento e gestão pública bem feita”. “Vacina é pré-condição para a retomada, mas temos outras variáveis a serem consideradas, como a confiança dos investidores.”

Em julho, a produção industrial nacional já caiu 1,3% frente a junho, segundo dados do IBGE, apesar de ter apresentado uma melhora de 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado. “Dos sete meses do ano, cinco ficaram no vermelho”, afirmou o IEDI. Como resultado, “o setor voltou a ficar abaixo do nível de produção do pré-pandemia, perdendo o que havia recuperado na segunda metade do ano passado”, segundo análise do instituto.

O Governo até vem optando por aumentar os juros para dar mais segurança aos investidores. O resultado, porém, não tem sido o esperado. “[O investidor pensa:] tudo bem, esse ano eu seguro as pontas, a inflação foi mais alta, melhora a arrecadação, come um pedaço da dividida...’ Mas esse é um fenômeno que queremos que seja temporário. Não queremos uma inflação permanentemente alta para ajustar conta pública. Queremos conta publica ajustada para impedir a inflação”, explica economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central. No longo prazo, no entanto, o cenário não é de redução de juros, o que encarece os investimentos, inclusive aqueles necessários para contornar a crise energética. “Temos visto as taxas de juros mais longas subindo e, parte disso, é por causa do risco fiscal que se topa ao emprestar dinheiro ao Brasil”, diz.

O economista Nelson Marconi, da Fundação Getulio Vargas (FGV), também atribui a uma “inoperância do Governo” os efeitos que a escassez hídrica terá na economia: “Era uma crise anunciada, que vai influir muito daqui para frente”. Marconi afirma que o problema da matriz energética é antigo, e depende de estímulos do Governo para novas tecnologias, como investimentos em energias alternativas. Ele também critica “a falta de política de combate às queimadas”, essenciais para garantir, inclusive, a sustentabilidade do agronegócio. “A estratégia do Governo de aumentar tarifa e reduzir para quem economizar é paliativa, terá um efeito marginal. Com o risco de um apagão como o de 2001, a recuperação pós-pandemia já arrefeceu e vamos crescer próximo de zero, no mesmo patamar que estávamos antes da crise sanitária”, afirma.

Crise não é a mesma de 2001

A crise de energia atual não é exatamente igual ao que aconteceu há 20 anos, quando, somada à crise hídrica, estava a falta de infraestrutura para transmissão e geração de energia ―o que fez com que o país enfrentasse nove meses de apagão. Pedro Luiz Côrtes, do IEE-USP, explica que dois componentes climáticos distintos estão mexendo com o clima no Brasil: a estiagem provocada pelo fenômeno La Niña, que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico esfriam, afetando o clima nas cinco regiões do país; e redução das chuvas causadas pela destruição da Amazônia. “Quando ocorre o desmatamento, a umidade que a floresta passa para a atmosfera diminui. Isso não é um fenômeno natural, é causado pela ação do homem”, explica Cortês.

Segundo ele, o Brasil não precisa só parar de desmatar, “é preciso reflorestar a Amazônia para que voltemos a uma normalidade climática daqui a 20, 30 anos”. Cortês defende que o Governo federal, diferentemente de 2001, tinha melhores instrumentos para lidar com a crise, como “ligar as termelétricas já no segundo trimestre para preservar os reservatórios”. Mas optou por esperar.

Desde o apagão no Governo Fernando Henrique Cardoso, o Brasil vem investindo para diversificar sua matriz energética, mas ainda não chegou a um equilíbrio. Em 2020, o país ultrapassou a marca de 2.000 usinas de geração de energia em funcionamento, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). As hidrelétricas são maioria (875), seguidas pelas eólicas (615 parques especialmente no Sul e no Nordeste). Além de 114 solares fotovoltaicos e 401 termelétricas, representadas em sua maioria pelas usinas a biomassa (286). De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios das usinas localizadas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste ainda são responsáveis por mais de 70% da produção. E, em agosto, eles operavam com apenas 22,7% de sua capacidade de armazenamento.

 Fonte:El País

domingo, 5 de setembro de 2021

Especialistas divergem sobre a melhor opção para as estatais brasileiras alcançarem a modernidade

 Gazeta da Torre

Para Alessandro Octaviani, ao defender a privatização, o governo brasileiro está fazendo o contrário do que ocorre nos países capitalistas do mundo contemporâneo, enquanto Sérgio Sakurai indaga se as empresas estatais desempenham bem seu papel de fornecer serviço ou produtos à população.

Dados do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais do Ministério do Planejamento mostram que 41 empresas estatais foram privatizadas no Brasil desde 1990, e os números não param por aí. Eletrobrás e os Correios estão em processo de privatização pelo governo. Mas essa é uma discussão que envolve várias questões, desde os benefícios para a população até as contas públicas e especialistas divergem sobre os benefícios das privatizações.

Segundo Alessandro Octaviani, professor do Departamento de Direito Econômico e Economia Política da  Faculdade de Direito (FD) da USP, o Brasil está na contramão do que vem sendo realizado nos estados capitalistas do mundo contemporâneo. Já o professor Sérgio Sakurai,  da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, argumenta que “é preciso analisar se as empresas estatais desempenham bem seu papel de fornecer serviço ou produtos à população. Ao se propor uma privatização é fundamental ver se o país está bem servido.”

 “Essa conversa de que as privatizações das empresas estatais brasileiras vão nos levar à modernidade, mais perto daquilo que é a vanguarda do capitalismo contemporâneo, é uma mentira, não se sustenta em nenhum fato, em nenhuma pesquisa empírica, ela é simplesmente uma falácia ideológica”, diz Octaviani . O professor lembra que, na Europa, a Alemanha possui cerca de 15 mil empresas estatais e que está passando por um processo em diversos setores de reestatização, afastando as empresas privadas que ofereciam serviços muito ruins.

Octaviani também contou que, “no Japão, das 600 empresas listadas em Bolsa, 400  têm participação direta do Estado japonês. Já na China existem cerca de 150 mil sociedades empresárias estatais e o país contribui na lista da Forbes –  das 500 maiores empresas do mundo, 50 são estatais chinesas. Nos Estados Unidos, os números e mapeamentos apontam a existência entre seis a sete mil estatais, sem contar as municipais.    

 A justificativa apresentada pelo Brasil para privatizar as estatais não se fundamenta e serve para pequenos interesses e investidores, diz o professor Octaviani. “O que nós temos é um discurso, via de regra falacioso, que afirma que vai vender as estatais para abater a dívida pública, só que a dívida pública, na verdade, o grande fator de  impulsionamento e de engrandecimento, é a política de juros, ou a política fiscal  muito descontrolada, prioritariamente pelo pagamento de juros que foram praticados desde o governo Fernando Henrique, com alguma modificação, mas basicamente sendo a mesma política até agora. É uma falácia afirmar que as estatais, sendo vendidas, diminuem a nossa dívida, porque isso tem uma série histórica de quase três décadas para apontar que é mentira”.

Privatização e concessão

O professor Sakurai diz que a comparação entre países de processos de privatização de estatais ou até mesmo de reestatização de empresas já privatizadas é inadequada, porque precisam ser consideradas características de cada país, como população, extensão territorial e marcos regulatórios, entre outros. “O ideal é buscar exemplos dentro do próprio país, como a privatização da telefonia no Brasil, em 1998, que quebrou o monopólio do Estado e permitiu que mais pessoas tivessem acesso às linhas telefônicas. E, ainda, “não confundir privatização com concessão”, defende o professor.

Sakurai lembra que as linhas telefônicas naquela época eram um ativo  que as pessoas declaravam no Imposto de Renda. “Uma linha telefônica chegava a custar US$ 5 mil e as pessoas ficavam em lista de espera de até cinco anos para conseguir a sua”, afirma. Com a privatização, várias empresas entraram nesse mercado e a oferta de telefones aumentou substancialmente. “Em 1998, o Brasil tinha 17 milhões de linhas telefônicas fixas e 4,6 milhões linhas de telefone celular. Hoje são 40 milhões de linhas fixas e 230 milhões de telefonia celular”. Além do preço ser mais acessível que no final do século passado.

Outra questão levantada pelo professor Sakurai se refere ao papel das empresas e cita a necessidade de analisar o desempenho das empresas estatais em  fornecer serviço ou produtos à população. “É o caso do Marco Legal do Saneamento. Grande parte da população brasileira não tem acesso a tratamento de esgoto”, analisa. “O Estado reconheceu sua incapacidade para fornecer coleta e tratamento de esgoto a toda a população brasileira e aprovou o Marco Legal, que permite a participação da iniciativa privada nessa prestação de serviço.”

Privatização na Europa

Embora alguns países da Europa estejam passando por uma onda de estatização, o aparato regulatório e a estabilidade política e econômica permitem certas tomadas de decisão. Na Europa, a maioria dos países tem acesso universal ao saneamento básico, por exemplo, o que não ocorre no Brasil.

Na experiência alemã, há um caso curioso em Berlin, cita Sakurai. “Um plebiscito foi feito para saber se a população queria a reestatização de uma empresa. Cerca de 80% das pessoas que responderam ao plebiscito optaram pela reestatização. Mas esse resultado foi desconsiderado, porque apenas 25% da população votou. Ficou caracterizado o desinteresse da população pelo assunto. O ideal seria que todos tivessem participado, o resultado seria representativo ou que o plebiscito tivesse sido feito com pessoas da cidade que fossem sorteadas aleatoriamente, minimizando a  chance de um resultado potencialmente enviesado. Por outro lado, ocorreu também que muitas empresas na Europa tiveram suas concessões encerradas e voltaram a ser geridas pelo Estado.

Por: Simone Lemos e Ferraz Junior/Rádio USP

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

DIVULGAÇÃO

O Instituto Manoel Medeiros (Instituto de Radiologia e Imagem Manoel Medeiros), localizado à Rua Joaquim Nabuco, 516, iniciou suas atividades como empresa em 1981 através de seu sócio fundador Dr. Manoel Medeiros, o qual já realizava atendimento neste formato para pessoa física.

Atualmente o quadro do Instituto conta com profissionais na área de Raio-X, Ultrassonografia, Mamografia e Consultas de Especialidades Médicas.

Instituto Manoel Medeiros: Rua Joaquim Nabuco, 516, Derby, Recife/PE (Próximo a Drogaria Quatro Cantos). Contato para marcação: (81) 98869-0407.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

INFOTOXICADOS: cansado de internet? Entenda o que o excesso de informação causa no seu cérebro

 Gazeta da Torre

Não importa sua ocupação, idade ou classe social: a sensação de cansaço mental por excesso de informações é uma queixa constante já classificada informalmente como uma epidemia, ou “infodemia” – termo utilizado por especialistas para mensurar o impacto do excesso de informações e dados na vida do homem moderno.

A boa notícia é que, para além de uma realidade ainda em ascensão, é possível virar a chave e aprender a filtrar os estímulos tecnológicos entendendo a relevância do que o nosso cérebro consome, absorvendo melhor a tecnologia, sem necessariamente ser intoxicado por ela.

Dado, informação e cansaço virtual

Para entender o cansaço mental que vem da vida online é preciso entender que a democratização dos meios de comunicação transformou todas as pessoas em produtores de dados e informações.

Se famílias inteiras se sentavam em frente a televisão para assistir os mesmos programas de TV há 30 anos, hoje nos contentamos em assistir a vida de outras pessoas em nossos celulares.

Cada informação, foto, vídeo, áudio é um dado que vai para o nosso cérebro e precisa de energia para ser consumido.

O risco, segundo a jornalista Ana Lucia Ferreira, analista de comunicação do Método SUPERA, está em não estabelecer um limite para a exposição virtual diária. “De forma isolada, os dados não alteram um contexto. Já dados contextualizados e comparados são informação. Somos bombardeados por informações e dados de todo tipo e muitas vezes não sabemos o que fazer com eles”, explicou.

O risco da atenção parcial constante

Você já percebeu que está cada vez mais difícil se concentrar? A atenção parcial constante é também uma consequência de um mundo multitarefa, em que somos assediados a realizar muitas coisas ao mesmo tempo.

Para o nosso cérebro isso tem consequências que merecem a nossa atenção. “O excesso de informações afeta não apenas a concentração, mas também habilidades como a memória. Assim como a maioria das habilidades que podem ser treinadas e aprimoradas, a atenção e a concentração também podem ser fortalecidas”, assegurou Patrícia Lessa, Diretora Pedagógica do Método SUPERA. 

Por que me sinto cansado na internet?

Levantamento da Data Never Sleeps (Dados Nunca Morrem) de 2020, mostrou que, a cada minuto cerca de 347 mil novos stories são postados no Instagram, 147 mil fotos são postadas no Facebook e 41 milhões de mensagens são trocadas no WhatsApp.

Se ninguém consegue acompanhar tudo que é postado em um dia na internet, os algoritmos direcionam o usuário para os estímulos pelos quais ele mais é atraído. Se por um lado isso é positivo, por outro isso também contribui para a sensação de looping e cansaço mental, uma vez que o usuário não é levado para longe de suas preferências.

“Já sabemos que os algoritmos trabalham para otimizar a experiência do usuário de forma que ele se mantenha dentro das suas preferências pessoais. Como o usuário de uma rede social sempre permanece na mesma zona, vendo os mesmos conteúdos não são instigados ao diferente, o que pode justificar essa sensação de estar sempre no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, também virtualmente”, explicou a jornalista.

Virando a chave

Uma forma de absorver melhor o que a tecnologia tem a oferecer e melhorar os “gaps” ocasionados pelo seu uso constante em termos de atenção e memória, é manter o cérebro ativo.

“Precisamos entender que quando exercitamos o cérebro ativo com novidade variedade e desafio crescente, as conexões entre neurônios se modificam, algumas ficam mais fortes, outras mais fracas, dependendo do uso. E essa mudança, com a experiência que é justamente a base do aprendizado, faz com que o cérebro responda de uma maneira diferente da próxima vez que for usado, que for acionado. Isso é possível graças ao conceito de neuroplasticidade (ou seja, a capacidade do cérebro se modificar de acordo com estímulos), já comprovado pela neurociência”, explica a Diretora Pedagógica.

Ela complementa dizendo que a missão do SUPERA enquanto empresa de estimulação cognitiva é também ajudar a sociedade a enxergar quando os estímulos não são favoráveis ao crescimento. “Como tudo na vida, navegar na internet também exige equilíbrio e bom senso”, conclui.

Confira algumas dicas para fazer as pazes com a tecnologia:

•Estabeleça horários para acessar as redes sociais;

•Priorize o que é importante. Você tem mesmo que ver tudo o que aconteceu na vida de todos os seus amigos? Priorize seu tempo e reserve um dia da semana apenas para interações sociais e virtuais;

•Evite os extremos - Se o excesso de informações é ruim, o contrário também não é bom. A alienação completa pode ter consequências individuais e coletivas. Busque sempre o equilíbrio;

•Entenda o que é relevante. Quem nunca deixou de seguir alguém porque o conteúdo das postagens não fazia mais sentido? Crie filtros para identificar se assistir alguém vai somar a sua vida ou não.

•Imagine um carro andando que freia toda hora? Quando estamos em uma tarefa e checamos as redes sociais a todo momento, interrompemos nosso pensamento e dificultamos a formação de memória.

•Treine a sua atenção: melhorar a atenção significa melhorar sua memória. A atenção é a porta de entrada para as informações que são captadas pelos vários sentidos do nosso corpo. Quando isto acontece, as in¬formações que recebemos chegam ao cérebro e são selecionadas conforme a prioridade que serão proces¬sadas.

•Mantenha o senso crítico: o que estou aprendendo vendo isso? Nossa vida é um constante aprendizado e sim: na internet aprendemos muitas coisas boas. Se um conteúdo causa mal-estar, questione o quanto você está crescendo com o que você vê todos os dias.

Para reflexão:

DI SCIPLINA é ponte entre a META e as REALIZAÇÕES.

Você sabia:

Um pedaço de tecido cerebral do tamanho de um grão de areia, por exemplo, contém 100.000 neurônios e 1 bilhão de sinapses, e todos se comunicando uns com os outros.

Desafio de Julho:

O que nunca volta, embora nunca tenha ido?

Resposta: Passado

Desafio de Agosto:

Qual a palavra de oito letras que se tirar quatro fica oito?

Resposta na próxima edição

Serviço:

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O mundo pós-COVID e o novo papel dos Nutricionistas

 Gazeta da Torre

Pedro Graça, nutricionista e professor

A COVID-19 ao quebrar a velha dicotomia entre doença infeciosa e crónica e ao criar grupos de risco em torno da idade e da desregulação metabólica promovida pela alimentação inadequada e sedentarismo transforma uma infeção viral, altamente contagiosa e global, num enorme desafio social e político que nos obriga a pensar a nutrição de forma diferente.

Neste contexto de mudança de paradigma na intervenção em saúde pública constata-se a continuidade da centralidade da alimentação adequada como fator determinante na manutenção do estado de saúde das populações e, por outro lado, o acesso a esta mesma alimentação adequada como fator importante para a redução das desigualdades em saúde. Mas se a adequação e o acesso à alimentação saudável continuarão centrais na promoção da saúde das populações, o modelo de intervenção do nutricionista terá de ser agora mais adaptativo a esta nova situação.

Em primeiro lugar, será necessário combater a anterior ideia de uma certa independência ou separação entre doença crónica e doença aguda. Como notamos, são categorias de doença que no contexto atual da COVID acabam por se interrelacionar e amplificar. A alimentação para a redução dos processos inflamatórios, manutenção do sistema imunitário em boas condições e controlo metabólico têm muito em comum e não devem ser separados. Estes processos são vitais na prevenção ou mitigação de futuros surtos de doença infeciosas e os nutricionistas que estão na comunidade irão ter um papel central nestas intervenções. Durante e entre crises futuras, ou entre vagas da mesma pandemia. Também as intervenções mais diferenciadas no combate à infeção necessitarão cada vez mais de profissionais capazes de providenciar o suporte nutricional adequado nas unidades de saúde mais especializadas e, portanto, esta é uma área que necessitará da nossa atenção máxima.

O mesmo se passará com o treino para um atendimento à distância dos profissionais de saúde com a necessária revisão de alguns códigos deontológicos e com uma posição menos conservadora e mais rápida e adaptativa por parte das entidades reguladora da profissão, nomeadamente as Ordens profissionais

Mas outros desafios irão aparecer. Os momentos de consumo alimentar são na sociedade e na sociedade mediterrânica em particular, momentos de convivialidade que são importantes para o bem-estar emocional das populações, para uma ingestão alimentar mais equilibrada e também para a redução dos impactos do consumo alimentar no meio ambiente. Competirá aos nutricionistas serem capazes de trabalhar novas regras de segurança dos alimentos e manter os padrões de convivialidade mínimos. Esta intervenção será ainda mais importante em locais de risco aumentado como os espaços onde existem doentes ou idosos institucionalizados. Os sistemas de produção e distribuição de alimentos tentarão utilizar, cada vez mais, os modelos de produção e autonomia local como resposta às necessidades de mercado. Será necessário desenhar novos sistemas. Depois da generalização do sistema de Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos (HACCP) com o objetivo de evitar potenciais riscos aos consumidores colocando à disposição alimentos seguros através do Regulamento (CE) nº852/2004 é tempo de revisitar os pontos críticos destes sistemas tendo como nova preocupação a infeção entre profissionais da cadeia alimentar.

Todos estes modelos, quer seja da prestação de cuidados quer seja do sistema produtivo alimentar, partem agora de um novo paradigma que se sublinha com esta crise . Quanto menor a participação do ser humano mais robusta fica a cadeia produtiva e menos sujeita estará a interrupções não programadas. Ou seja, vai-nos ser pedido, cada vez mais, para desenhar modelos de produção alimentar, de assistência à doença e de controlo que no futuro irão aumentar o desemprego em áreas mais tradicionais de intervenção do nutricionista. Nada que a obra distópica de Isaac Asimov não previsse desde os anos 40. O tema da dependência dos seres humanos em relação aos robots com capacidade para criar outros robots superiores e assim por diante, até que as máquinas se transformam em mecanismos tão complexos que escapam à possibilidade de verificação e controlo humanos. A robotização é certamente um processo que estas doenças irão acelerar, incluindo na cadeia alimentar e no trabalho.

Os nutricionistas deverão participar nestes rearranjos de forma a que este investimento não retire o acesso a produtos alimentares saudáveis à população mais desfavorecida economicamente. As populações mais desfavorecidas economicamente e malnutridas (por excesso ou carência) serão as primeiras a necessitar de apoio alimentar de qualidade neste e nos futuros surtos infeciosos. A escassez alimentar aparecerá. Pelo menos, a escassez de produtos saudáveis para os mais carenciados irá sentir-se e a insegurança alimentar voltará a ultrapassar os níveis de 2011. O treino e a formação para o apoio alimentar de emergência mantendo a qualidade nutricional, será certamente uma das áreas de formação dos nutricionistas no futuro. Assim como o combate ao estigma sobre os infetados numa primeira fase e sobre os doentes crónicos e os idosos que serão os grupos mais afetados nesta interação infeção – doença crónica – pobreza como determinante do tempo e utilização de recursos humanos e físicos dos sistemas de saúde.

Por Pedro Graça - Nutricionista, Professor Associado na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

Dia do NUTRICIONISTA - A busca por conhecimentos básicos sobre um novo tema

 Gazeta da Torre

A batalha contra a Covid-19 não aconteceu apenas nas UTIs, durante o cuidado com os pacientes. Diante de um vírus completamente desconhecidos, profissionais de saúde de diversas áreas precisaram estudar muito para tentar oferecer a melhor assistência aos pacientes. No caso da nutricionista Raquel Benjamim, de 25 anos, que desde janeiro atua no Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa (HECPI), esse foi um dos principais desafios ao tratar pacientes com o novo coronavírus. “Era uma doença nova e no começo havia muitas dúvidas e questionamentos. No caso da Nutrição, tivemos que ir buscar os conhecimentos básicos sobre o tema, junto com a equipe interdisciplinar, para poder fechar a melhor conduta para o paciente. Foi um aprendizado na prática. Como não havia literatura, fomos estudar, entender a patologia da doença, sua evolução, para encontrar a melhor estratégia", explica Raquel.

Feliz dia do Nutricionista!

*Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa (HECPI), localizado na Estância, é uma unidade de saúde municipal da Prefeitura do Recife, a primeira do Nordeste voltada para esse público.

Fonte: PCR

Dia do NUTRICIONISTA - Equipe de Nutrição do HC-UFPE promove a saúde por meio dos alimentos

 Gazeta da Torre

Em 31 de agosto é celebrado o Dia do Nutricionista, profissional de saúde que possui capacitação para atuar na prevenção, promoção e recuperação da saúde humana, planejando, executando e avaliando ações baseadas em conhecimentos da ciência da nutrição e alimentação. No Hospital das Clínicas da UFPE, unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), esses profissionais atuam nos ambulatórios, nas enfermarias, na Unidade de Produção de Alimentos (UPA), ofertam preceptoria aos residentes de Nutrição, além de participar ativamente de pesquisas com suas produções científicas publicadas em revistas reconhecidas na área.

De acordo com a chefe da Unidade de Nutrição Clínica do HC-UFPE, Silvana Frade, a nutrição tem um papel fundamental no âmbito hospitalar, pois promove a saúde por meio da alimentação. “Através da terapia nutricional adequada para cada doença e individualizada, utiliza-se os alimentos como ferramenta principal para atingir o objetivo de recuperar a saúde dos pacientes e minimizar complicações das doenças. O trabalho da Nutrição é feito com muita dedicação e zelo”, afirma.

No contexto da pandemia causada pelo novo coronavírus, a Unidade de Nutrição Clínica do hospital universitário adotou o Plano de Contingência para o enfrentamento da doença. A equipe buscou minimizar os impactos da infecção sobre a condição nutricional dos pacientes acometidos pela covid-19, objetivando preservar a massa magra e potencializar a resposta imunológica.

A atuação da UPA também está sendo fundamental neste momento. Com estratégias para garantir a alimentação segura dos pacientes, a equipe vem adotando medidas de contingência na cozinha e refeitório garantindo fluxos seguros para atender aos pacientes, acompanhantes, residentes e funcionários da instituição, obedecendo as regras de distanciamento social.

Mesmo na pandemia a UPA tem mantido as refeições especiais nas datas comemorativas, oferecendo um tratamento humanizado. Também levam nas embalagens dos alimentos mensagens de incentivo e força aos pacientes.

Feliz Dia do Nutricionista! Fica aqui a nossa singela homenagem.

Fonte:gov.br

domingo, 29 de agosto de 2021

Filmes brasileiros com ironia fina são destaques da nova e premiada safra do cinema nacional

 Gazeta da Torre

Desde a ficção científica, passando pela comédia realista, o faroeste de chanchada e o drama familiar, os longas-metragens do Festival de Gramado são vitrine da diversidade e qualidade do audiovisual nacional.

O Brasil não apenas sabe fazer cinema dos bons, como o faz com com um talento para a crítica social e política, com o requinte do bom uso da sátira e da ironia, sem cair no didatismo. É o que mostram os filmes que foram destaque no Festival de Cinema de Gramado, que, entre 13 e 21 de agosto, foi palco virtual de mostras e debates sobre a produção brasileira e latino-americana.

Carro rei

O grande vencedor nacional do 49º Festival de Cinema de Gramado é Carro rei, longa-metragem da diretora Renata Pinheiro, que dialoga com a ficção científica numa obra ao mesmo tempo realista, centrada na paixão e no caos movidos, em igual medida, pelos automóveis. Em Caruaru, no agreste de Pernambuco, o jovem Uno (interpretado por Luciano Pedro Jr.) —batizado em homenagem ao carro em que nasceu, a caminho da maternidade— tem esses veículos como seus melhores amigos, sendo capaz, inclusive, de comunicar-se com eles. Quando uma lei municipal determina que todos os veículos com mais de 15 anos de uso saiam de circulação, ele e o tio, o mecânico Zé Macaco (vivido com maestria por Matheus Nachtergaele) se unem para tentar salvar a frota de táxi da família. Aí começa uma espécie de revolução dos automóveis. Com vocação genial para seu ofício, Zé Macaco também aprende a se comunicar com os carros e, juntos, tio e sobrinho criam o Carro rei, que interage com humanos e é capaz de demonstrar sentimentos. Numa crítica à obsolescência programada e ao caos automobilístico nas cidades brasileiras, o filme mostra como, à medida em que se relaciona cada vez com os veículos, Zé Macaco regride na escala biológica, aproximando-se —inclusive fisicamente, sem que sejam necessários efeitos especiais— num símio.

Homem onça

Pedro (interpretado por Chico Dias) é funcionário de uma empresa estatal de gás —imaginária— que está prestes a ser privatizada. Pressionado, ele deve demitir sua equipe e antecipar a aposentadoria. No longa de Vinicius Reis, que estreia nos cinemas no dia 26 de agosto, o protagonista luta para preservar os trabalhos e direitos dos funcionários, mas fracassa. Ao perder o posto e se aposentar, Pedro perde também suas referências, seu casamento, sua própria identidade, e tenta se reencontrar ao regressar à sua cidade de origem. Baseado na história real do pai do diretor, que foi um funcionário da Vale do Rio Doce —o filme começa com imagens fotográficas reais dos protestos que aconteceram no país contra a privatização da empresa— Homem onça lembra o Brasil preso na promessa de futuro, mas que só sabe repetir o passado.

Jesus Kid

Em seu quinto longa-metragem, o diretor Aly Muritiba, baiano radicado no Paraná e ex-agente penitenciário que começou no cinema com documentários e ficções dramáticas, mergulha na comédia escrachada com ares de faroeste. Na adaptação do livro homônimo de Lourenço Mutarelli, lançado em 2012, Eugênio (interpretado por Paulo Miklos) é um escritor que vive um bloqueio criativo enquanto as histórias de Jesus Kid, seu grande sucesso, já não vendem tão bem. Sua tábua de salvação parece ser um convite para enclausurar-se por três meses em um hotel e escrever o roteiro de um filme, obedecendo às regras estabelecidas pelo cineasta e produtor ligados à publicidade e servis a quem quer que esteja no comando político e empresarial do país). No filme que dialoga com as obras dos irmãos Coen (especialmente com Barton Fink - delírios de Holywood, de 1991) e de Wes Anderson, Jesus Kid é uma sátira quase escancarada da política cultural atual no Brasil de Jair Bolsonaro. Na trama estão presentes, por exemplo, o empresário com o espalhafatoso terno verde-amarelo, os patos-símbolo de revanche patriota, um ideólogo chamado Olavo que prega novas diretrizes “estéticas” para a arte e o herói Super-Sérgio. “Se eles nos massacram, eu não vou me privar do prazer de tirar sarro da cara deles”, disse, sem titubear, Aly Muritiba na apresentação do filme em Gramado.

O novelo

Na ciranda de cinco irmãos adultos (todos homens), as lágrimas, abraços, pedidos de desculpa e discussões —tudo isso em meio a flashbacks da infância— são o pão de cada dia. Os cinco carregam o trauma do abandono paterno e da perda precoce da mãe, que fazia tricô para sustentá-los, e, depois de três décadas afastados, voltam a se reunir para descobrir se um paciente em coma numa UTI pode ser seu progenitor. Com temas que vão da paternidade à sexualidade, o longa dirigido por Claudia Pinheiro questiona os estereótipos ligados à masculinidade, que se acentuam socialmente nos corpos de homens pretos. Adaptado da peça homônima de Nanna Castro (que assina o roteiro do filme), O novelo traz um elenco negro em situações dissociadas do racismo, da marginalidade e do preconceito. As personagens são escritores, empresários, patrões. E, ao lado da sensibilidade estética, esse é um dos trunfos da obra.

A primeira morte de Joana

A primeira morte de Joana (vivida pela atriz (Letícia Kacperski) é a da uma tia-avó que falece aos 70 e que “nunca namorou ninguém”, conforme descobre a adolescente de 13 anos, um fato que passa a obcecá-la e que a faz intuir algum mistério familiar (ou muitos). Nesse coming of age nacional, dirigido pela gaúcha Cristiane Oliveira, o espectador acompanha as descobertas no amor e na sexualidade da jovem que vive em uma humilde e conservadora comunidade de origem alemã na litorânea cidade de Osório, no Rio Grande do Sul, prestes a ser transformada pela chegada dos “cataventos”, como os moradores locais chamam o parque eólico implantado no local. Uma metáfora da tempestade interna da protagonista e das mudanças que se atropelam nessa fase da vida. Esteticamente, a obra adota uma placidez que contrasta com o cerne da narrativa e propõe um mistério nos enigmas do sentir, que se estendem para muito além da adolescência.

Fonte:El País

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

 Divulgação

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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Levantamento mostra que País perde 16% da superfície de água

 Gazeta da Torre


Em 30 anos, 15,7% da superfície de água do Brasil desapareceu. No Estado mais afetado, o Mato Grosso do Sul, mais da metade (57%) de todo o recurso hídrico foi perdido desde 1990. Ali, essa redução ocorreu basicamente em um dos biomas mais importantes do País, o Pantanal.

Todos os biomas brasileiros foram afetados e suas perdas mensuradas em pesquisa inédita do MapBiomas, projeto que reúne universidades, organizações ambientais e empresas de tecnologia. Ao todo, 3,1 milhões de hectares de superfície de água sumiram, o equivalente a mais de uma vez e meia de todo o recurso hídrico disponível no Nordeste em 2020.

Das 12 regiões hidrográficas, oito revelam hoje os efeitos do desmatamento, da mudança climática e da destruição de mananciais, refletido na crise hídrica que afeta o meio ambiente e a geração de energia elétrica. "Nesse ritmo vamos chegar a um quarto (25%) de redução da superfície de água do Brasil antes de 2050", afirmou Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Após Mato Grosso do Sul, completam as três primeiras posições da lista: Mato Grosso, com perda de quase 530 mil hectares, e Minas Gerais, com saldo negativo de mais de 118 mil hectares. Boa parte dos pontos de maior redução encontram-se próximos a fronteiras agrícolas, o que sugere que o aumento do consumo e a construção de represas em fazendas, que provocam assoreamento e fragmentação da rede de drenagem, trazem prejuízos para a própria produção.

Para Maurício Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, a pesquisa é um recado para os "tomadores de decisões de que é preciso mudar imediatamente essa trajetória de degradação que o Brasil tem escolhido". Ele destaca que a criação de reservatórios em propriedades particulares é um dos pontos mais preocupantes.

"Quando a gente vê a discussão no Congresso sobre a flexibilização dos requisitos de licenciamento ambiental, não estão sendo considerados os cuidados que precisam ao serem feitas barragens dentro de propriedades privadas que causam perdas (para as bacias)", analisa Voivodic.

O estudo também mostra a relação entre regiões afetadas por queimadas e redução de água. O município que mais pegou fogo entre 1985 e 2020, segundo o MapBiomas Fogo, e que mais perdeu água nesse período, foi Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Cáceres, o quinto que mais queimou no País, é o segundo em perdas.

Além dos impactos ambientais, o problema detectado pela pesquisa implica perdas econômicas consideráveis. "Em algumas regiões de fronteira agrícola, como o Cerrado, chegar a um quarto de redução vai significar também o fim da safrinha", diz Azevedo, se referindo às culturas anuais mais curtas e que têm grande peso financeiro para os produtores.

Relação

O alerta do pesquisador converge com o relatório do IPCC publicado neste mês. O painel climático da ONU apontou que até 2040, uma década antes do que era previsto, a temperatura média da Terra deve chegar a 1,5 grau acima dos níveis pré-industriais. Entre as consequências para o Brasil estão a perda da capacidade de produção agrícola causada por estiagens no Centro-Oeste. O mesmo efeito climático se espera no Nordeste e na Amazônia.

Por lá, o estudo do MapBiomas também mostra esses efeitos. Até mesmo a bacia do Rio Negro perdeu superfície de água. Considerando o início e o final da série, foram mais de 360 mil hectares, queda de 22%. A queda mais acentuada ocorreu entre 1999 e 2000, com redução de mais de 560 mil hectares, ou um pouco mais de 27% a menos.

O que aconteceu com essa bacia, inclusive, é um exemplo. Após reduções acentuadas, mesmo anos com mais chuvas não são capazes de recuperar o estado inicial. Ou seja, os rios recuperaram, no máximo, parte dessas perdas.

Para o coordenador do MapBiomas, o trabalho reaqlizado pela ANA (Agência Nacional de Águas) é bom e as leis que regulam o uso da água no Brasil estão bem estabelecidas. O problema está mesmo no desmatamento, mudança climática e descaso com mananciais.

A postura negacionista em relação aos ataques ao meio ambiente do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que minimiza os impactos do desmatamento e fragiliza a fiscalização ambiental, preocupa especialistas.

Na gestão Bolsonaro, o número de focos de incêndios em regiões como Amazônia, Pantanal e Cerrado disparou. Em 2020, o Cerrado brasileiro assim como o Pantanal registraram as piores queimadas já captadas pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia

De acordo com estudo do próprio MapBiomas, todos os anos, uma área maior que a Inglaterra pega fogo no Brasil. A área queimada desde 1985 chega a quase um quinto do território nacional. Foram 1.672.142 km², o equivalente a 19,6% do Brasil. O fogo e escassez hídrica acionam um sinal de alerta. "Isso reforça a mensagem aos tomadores de decisão de que é preciso mudar imediatamente essa trajetória de degradação que o Brasil tem escolhido. Os prejuízos que estamos causando ao planeta vão necessariamente impactar nossa economia", diz o diretor do WWF-Brasil.

Fonte:Estadão.

Divulgação

sábado, 21 de agosto de 2021

Simplifique o relacionamento com o dinheiro desde a infância

 Gazeta da Torre

Já ouvi crianças se referirem ao caixa eletrônico como “máquina de fazer dinheiro”. Elas precisam entender que não é bem assim, aquele dinheiro é fruto de trabalho, e não está ali por acaso. E por falar em trabalho, acho válido refletirmos sobre algumas respostas automáticas que damos ao escutar dos filhos algo como “por que você tem que ir trabalhar?” ou “por que trabalham tanto?”. Muitos respondem simplesmente que fazem isso porque precisam ganhar dinheiro, pode até ser verdade para muitos, entendo, mas no meu caso prefiro falar a minha verdade eu diria, costumo responder que é porque tem pessoas que precisam do meu trabalho, e com o meu trabalho que eu gosto bastante, e é importante para mim, eu consigo ajudar as pessoas e assim, também organizar melhor nossos planos, viagens e mais do que precisamos e buscamos para a nossa vida.

E o “não”, será que educa? É muito importante que você reflita sobre isso. Em determinados momentos, ele é necessário, fundamental. Mas tenha cuidado para não usá-lo de forma equivocada. Se a criança vem pedir algo, o ideal quando possível, é que você pense junto com ela COMO é possível se organizar para alcançar aquele objetivo, não se contente em apenas dizer “não”.

Na minha visão, precisamos quebrar alguns comportamentos tradicionais e que terminamos por repetir, tal como dizer: “papai / mamãe não tem dinheiro!” ...em muitos casos, temos dinheiro sim, mas temos também prioridades, e na medida do possível isso deve ser esclarecido para a criança, é importante que se construa essa percepção. E também quebrar o tabu de que “dinheiro é sujo”, pois passa para muitos a impressão de que o dinheiro não é algo legal, que é ilícito, sujo, e podemos ser mais sutis ao dizer que “sempre que pegar em dinheiro é importante lavar as mãos, porque ele circula na mão de muitas pessoas”.

Muita gente pergunta qual o melhor investimento para ser feito pensando no futuro dos filhos. Isso é muito relativo: tem quem queira deixar um apartamento, dar um carro aos 18 anos, separar uma quantia para custear os estudos numa universidade particular, cada um com seus objetivos, não estou aqui para julgar. No meu caso, quero dar oportunidades de conhecimento, desenvolvimento para que meu filho possa galgar da melhor forma os caminhos dos planos dele, mesmo que depois veja que de alguma forma se equivocou e quero estar por perto para ajudar, orientar, participar.  Penso que entre 15 e 18 anos, ele deve fazer um intercâmbio, é uma experiência cultural relevante, idioma, enfrentar e viver o novo, o desconhecido. Para isso, minha esposa e eu, fazemos pequenos aportes, numa carteira que mescla uma parte maior na renda variável e um percentual menor na renda fixa,  para que a gente possa realizar esse desejo sem de forma mais planejada anos adiante.

Lembre-se sempre que o exemplo é o que rege, é o que arrasta. É o seu dia a dia, a sua vida financeira bem equilibrada, o seu padrão de vida adequado que vai propiciar com que a criança viva também de uma maneira agradável e positiva. Imagine um adolescente que ao longo da infância e na fase atual vê que sempre que questionados quanto a forma de pagamento nos estabelecimentos, escuta dos pais: “pode parcelar no máximo de vezes que puder”, fatalmente, no dia que adolescente tiver um cartão de crédito e essa possibilidade nas mãos, repetirá esse comportamento.

Acho muito legal a ideia de uma mãe que fiz o trabalho de planejamento e ela resolveu dar a mesada para o filho de 15 anos no valor que inclua a sua escola, plano de saúde, lanche, passeios e algo mais, com o objetivo de que a criança pagasse desse valor, a cada mês, esses serviços, com a ideia de passar um pouco do senso de responsabilidade, do custo que tudo isso tem. Inclusive, dependendo da idade, hoje em dia é bastante válido abrir a conta realmente no nome do seu filho para que ele tenha o cartão de débito com seu nome, claro, os adolescentes vão valorizar isso, chama responsabilidade, zelar pelo seu nome, pelo seu dinheiro e vá liberando, orientando, avançando aos poucos.

Use a criatividade, dedique um tempo para este processo, será transformador e certamente gratificante, faça acontecer!

Abraço e até a próxima!

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