quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Posicionamento da Presidência sobre vacinação repercute em grupos antivacina

 Gazeta da Torre

Declaração contra obrigatoriedade da vacinação foi incorporada por movimentos que difundem desinformação sobre saúde, mostra análise do grupo União Pró-Vacina (instituições ligadas à USP Ribeirão Preto).

Uma declaração do presidente Jair Bolsonaro sobre a obrigatoriedade das vacinas a uma apoiadora, divulgada no dia 31 de agosto, teve intensa repercussão em grupos antivacina brasileiros. É o que mostra uma recente análise da União Pró-Vacina, grupo formado por instituições ligadas à USP Ribeirão Preto que atua no combate à desinformação sobre vacinas.

Abordado por uma mulher que pedia a proibição da vacina contra a covid-19 pelo governo, Bolsonaro respondeu: “Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. O que parecia apenas uma fala equivocada do presidente foi reforçada, no dia seguinte, em peças da Secretaria Especial de Comunicação da Presidência (Secom).

.Nos principais grupos antivacina do Facebook no Brasil, a repercussão foi instantânea. A análise da União Pró-Vacina mostra que entre o dia 31 de agosto e as 23h59 do dia 2 de setembro 14 publicações já reverberavam a declaração e as peças de comunicação, totalizando 773 interações, sendo 426 reações, 264 comentários e 83 compartilhamentos.

Segundo os pesquisadores, neste momento em que as campanhas de desinformação contra as vacinas estão em franca produção, o posicionamento institucional da Presidência da República acaba sendo utilizado por grupos radicais que disseminam em larga escala desinformação sobre saúde nas plataformas digitais para potencializar ataques infundados às pesquisas das vacinas contra a covid-19 e contra outras doenças em geral.

A Secretaria Especial de Comunicação da Presidência reforçou o discurso de Bolsonaro. Um material publicitário com a fala do presidente foi veiculado no dia seguinte nas mídias sociais do governo e teve ampla repercussão. Até o fechamento deste texto (09/09/2020, às 18h40), no Twitter, por exemplo, foram mais de 10,6 mil compartilhamentos, 8,4 mil curtidas e 4,7 mil comentários. No Facebook, 5,7 mil compartilhamentos, 7,4 mil curtidas e 3,8 mil comentários.

A União Pró-Vacina chama atenção para o fato de que, se por um lado a Secom demonstra ter uma estrutura ágil para criar e disseminar peças que podem gerar desconfiança sobre as vacinas em um momento crucial, por outro, a página Ministério da Saúde – Vacinação no Facebook, dedicada exclusivamente à divulgação de informações sobre vacinas e que possui mais de 1,1 milhão de seguidores, não divulga uma peça de comunicação desde o dia 5 de junho.

Um contexto preocupante

O contexto da declaração do presidente não poderia ser pior. O País vive em meio a uma pandemia de uma doença grave que soma quase quatro milhões de casos e cerca de 123 mil mortes. Em todo o mundo, cientistas correm contra o tempo em busca de uma vacina contra a covid-19. Segundo a Organização Mundial da Saúde existem 165 em desenvolvimento e seis delas já na terceira fase de testes, que verifica a eficácia do imunizante.

Estudo recente realizado pela Avaaz aponta que o volume de desinformação sobre a covid-19 foi quatro vezes maior que o volume de informações verdadeiras. Outra pesquisa, realizada pela agência de verificação Lupa, demonstra que o Brasil é o segundo país do mundo que mais dissemina desinformação sobre covid-19. Por aqui, a União Pró-Vacina analisou a quantidade de conteúdo falso em grupos antivacina nas mídias sociais entre os meses de maio e julho e notou um aumento de 383%. Por trás desse triste pódio, está a atuação de grupos que consideram as vacinas como elementos centrais de diversas teorias da conspiração e de possíveis iniciativas secretas para frear o crescimento populacional.

Soma-se a todo esse contexto o julgamento, pelo Superior Tribunal Federal (STF), de um recurso extraordinário em que se discute a possibilidade de pais deixarem de vacinar seus filhos com base em “convicções filosóficas, religiosas, morais e existenciais”. O recurso está em análise e a decisão deve sair em breve.

Ou seja: ainda que as pesquisas obtenham uma solução contra a covid-19 em curto prazo, esse cenário de desinformação ampla somado a um posicionamento oficial que acaba reforçando a fala de grupos antivacina pode colocar em risco futuras campanhas de vacinação não apenas contra o novo coronavírus, mas até mesmo contra doenças que já estão controladas hoje graças às próprias vacinas.

A própria Organização Mundial da Saúde reconhece o risco que esses grupos representam para a saúde pública. Em audiência no Congresso Nacional sobre vacinas contra a covid-19, a médica e representante da OMS no Brasil Socorro Gross destacou que eles representam um desafio para vencer a pandemia. “Existem desafios importantes quando falamos de uma nova vacina. Existem desafios regulatórios, de planificação, de insumos, de aceitação da população. Especialmente quando temos grupos importantes antivacina e com fake news”, lembra ela.

Por que vacinar?

Em nota oficial divulgada no dia 2 de setembro, a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) reforçou a importância das vacinas como instrumento fundamental para a redução de mortalidade e o aumento da qualidade e da expectativa de vida em todo o mundo.

“A SBIm entende que é dever das autoridades públicas e dos profissionais da saúde conscientizar a população acerca da importância da vacinação, independentemente da obrigatoriedade, sob pena de vivermos retrocessos como a volta do sarampo devido às baixas coberturas vacinais. Entende também que é dever de cada pessoa buscar a vacinação com o objetivo não apenas da proteção individual, mas também coletiva”, diz a nota.

A presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak Taschner, destaca que a vacinação não pode ser uma escolha individual. Em artigo publicado em 2017 no Jornal da USP, ela explicou que algumas vacinas imunizam apenas a partir da terceira ou quarta dose, quando a criança já tem 5 ou 6 anos. Portanto, uma população vacinada protege bebês e crianças que ainda não estão completamente protegidos, além de pessoas imunocomprometidas, que não podem ser vacinadas.

Meta de imunização não atingida

Pela primeira vez em quase 20 anos, o Brasil não atingiu a meta para nenhuma das vacinas indicadas para crianças de até um ano, segundo dados de 2019 do Programa Nacional de Imunizações. As coberturas vacinais têm sofrido uma queda nos últimos cinco anos, com uma redução, dependendo do imunizante, de até 27%. Para comentar sobre esse quadro preocupante, o Jornal da USP no Ar recebeu a professora Marta Heloísa Lopes, do Departamento de Moléstias Infecciosas, responsável pelo Centro de Imunizações do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

A professora Marta Heloísa Lopes conta que essa queda, já observada há alguns anos, pode ser explicada por muitos fatores. O primeiro apontado por ela é a complexidade que a vacinação tem adquirido. Com o aumento no número de vacinas oferecidas na infância, é preciso certo conhecimento, segundo ela, para manusear a carteira de vacinação. “A carteira é tão complexa em informações que os responsáveis não percebem quando chega o momento de vacinar as crianças”, aponta.

Outro fator é o desabastecimento de vacinas. “No ano passado, tivemos por algum tempo o desabastecimento da vacina pentavalente, muito importante na infância. Quando o responsável chega a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e é informado que terá de voltar em um outro dia, a chance de não retornar é grande.” Isso porque, segundo Marta, podem não ter tempo ou recursos financeiros para outro deslocamento até a UBS. Outra questão apontada por ela é a dificuldade em atualizar os bancos de dados, onde todas as vacinas distribuídas precisam ser registradas.

Sobre o movimento antivacina, a professora acredita não ser tão forte no País, porém há muito hesitação por parte dos pais. “Infelizmente, cada vez mais, existem mais e mais notícias que levantam dúvidas a  respeito das vacinas”, explica. Soma-se a esse quadro a pandemia e o isolamento social. “A mensagem, pelo menos nos primeiros meses, era bem clara: ‘fique em casa’. Bem, se eu fico em casa, não vou à UBS. Então nem sempre é fácil coordenar essas situações”, conta Marta.

Ela reforça o fato de a vacinação ser um ato individual que tem, porém, um benefício coletivo. “Quanto mais pessoas vacinadas, menos o agente etiológico vai se disseminar na população. Se estou doente e as pessoas ao meu redor estão vacinadas, não consigo transmitir o agente etiológico para elas”, diz. Segundo ela, o calendário completo considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de crianças a adultos, contém cerca de 19 vacinas. “A meta seria ter a cobertura de todas. Adianta termos 19 vacinas mas sem cobertura ideal?”, questiona.

Uma das perspectivas que o Ministério da Saúde está propondo é uma campanha de multivacinação para outubro, a fim de tentar reverter a situação e atualizar as carteiras. Mas, para a imunologista, o fundamental no momento é a comunicação. “Precisamos restabelecer a confiança da população no Programa Nacional de Imunizações, um programa muito amplo, que já foi exemplo no mundo inteiro”, completa.

Fonte:Jornal da USP

Jardim Botânico do Recife reabre ao público nesta sexta (11) com novos protocolos de segurança

 Gazeta da Torre

Jardim Botânico do Recife

O Jardim Botânico do Recife, equipamento ambiental ligado à Prefeitura do Recife, reabre à visitação com novidades e recomendações para evitar a proliferação do novo coronavírus. A partir do dia 11 de setembro, os visitantes poderão usufruir da beleza do local, seguindo todas as normas de higienização e recomendações das autoridades sanitárias para manter a proteção do público e dos servidores. Nessa reabertura, dois novos espaços passam a integrar o Jardim Botânico a partir do dia 15 de setembro: a Arena Arbor e o Jardim Temático de Biomas, formado por espécies coletadas em expedições realizadas pelos analistas ambientais do equipamento.

Para retornar às atividades com segurança, a principal medida será controlar o fluxo de entrada com o limite de 150 pessoas no espaço, no horário de funcionamento de terça-feira a domingo, das 9h às 15h. Ao atingir este limite máximo, os novos visitantes precisarão aguardar a saída de um grupo para ter acesso ao JBR. O controle será feito na recepção, mediante aferição de temperatura com termômetros a laser no ato de entrada. O uso de máscara cobrindo boca e nariz será obrigatório durante toda a visita, assim como o distanciamento mínimo recomendado de 1,5 metro. As caminhadas ambientais só poderão acontecer para grupos de até 8 pessoas do mesmo convívio e, nesta fase, permanecerá suspensa a realização de agendamento para ensaios fotográficos e filmagens. Para circular no equipamento ambiental que abriga fragmentos remanescentes de Mata Atlântica é recomendável usar calças compridas, sapatos fechados e levar a própria garrafa de água.

No percurso de visitação, estarão disponíveis totens com álcool em gel para higienização frequente de quem estiver circulando. Locais com algum grau de confinamento, como o orquidário, terá limite de visitação permitido a seis pessoas por vez, enquanto o Jardim Sensorial, que permite às pessoas tocarem em plantas, texturas, formas e sentir aromas, estará fechado. Já o espaço de convivência recebeu sinalização com as normas de distanciamento social entre os bancos. As atividades de educação ambiental estão temporariamente suspensas com o intuito de evitar aglomeração e manuseio em objetos, assim como as visitas guiadas devido a impossibilidade de respeitar o distanciamento necessário.

No dia 15 de setembro, novos atrativos passarão a fazer parte do circuito de visitação. O primeiro é a Arena Arbor, um espaço inovador criado para compartilhamento de conteúdo, encontros e palestras, fruto de uma parceria  inédita entre a Prefeitura do Recife e a mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo, CASACOR Pernambuco 2018. Montada no Jardim Botânico do Recife, a Arena Arbor tem a sustentabilidade como destaque no projeto assinado pela startup pernambucana Selvagen, do arquiteto Paulo Carvalho, onde a estrutura tridimensional respeita o espaço em que é inserida, unindo a arquitetura à natureza já existente no local. Iluminação natural, uso de iluminação em LED e estrutura de encaixe são só mais outros pontos que tornam uma construção sustentável.  

O projeto esteve entre os concorrentes ao Building of the Year (“Edifício do Ano”) promovido pelo ArchDaily, maior site de arquitetura do mundo, foi classificado entre os cinco melhores projetos na categoria Arquitetura Digital na premiação chinesa Idea-Tops e conquistou o Silver A’ Design Award (troféu de prata) na categoria Arquitetura, Construção e Estrutura, ao lado de grandes nomes da arquitetura mundial na Itália. A estimativa da vida útil do equipamento é que chegue a 50 anos ao ar livre. No acesso ao espaço, foi criado um novo jardim temático, o Jardim de Biomas, com espécies coletadas em expedições realizadas por analistas ambientais do Jardim Botânico do Recife, muitas delas ameaçadas de extinção, e que somará aos outros sete jardins temáticos disponíveis. Recentemente, o Jardim Botânico do Recife passou a integrar uma rede de intercâmbio de sementes com jardins botânicos das capitais brasileiras por meio do Programa Bandeira Verde, com intuito de conservar e proteger a biodiversidade das regiões.

Para proporcionar a ampliação da produção de substratos para os cuidados com a natureza do equipamento público ambiental também foi desenvolvida uma nova composteira no Jardim Botânico e está sendo viabilizado um projeto para ampliação do viveiro de mudas. Os funcionários do JBR estão treinados para ajudar a proteger a saúde de todos, assim como a preservação da flora, fauna e a tranquilidade nos caminhos da natureza deste remanescente de Mata Atlântica na  cidade. “Durante todo o período em que esteve fechado à visitação, o Jardim Botânico do Recife continuou realizando sua manutenção de rotina, tanto no viveiro de produção de mudas, quanto nas coleções científicas, como orquidário, cactário, passifloraceae, seguindo todas as recomendações de segurança e saúde. Contamos com a colaboração de todos os recifenses nesta retomada, respeitando estas normas para podermos desfrutar a beleza da natureza com segurança”, pontua o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, José Neves Filho.

Sobre o Jardim Botânico do Recife

O Jardim Botânico do Recife (JBR), localizado no Km 7,5 da BR 232, no bairro do Curado, foi totalmente requalificado pela Prefeitura do Recife e entregue à população em dezembro de 2013.  Desde 2014, após a requalificação, o JBR registrou uma alavancada no número de visitações, somando 500 mil visitas nos últimos cinco anos.  Entre os seus atrativos, estão trilhas ecológicas, sete jardins temáticos (palmeiras, bromélias, cactos, flores tropicais, plantas medicinais, orquidário, jardim sensorial), centro de convivência, biblioteca, econúcleo, trilha acessível, Jardim de Passifloracea, banco de geoplasma, parque de geração de energia solar e uma casa de vegetação. A partir de agora, passa a contar com a Arena Arbor, um espaço inovador e móvel criado para compartilhamento de conteúdo, encontros e palestras.

O JBR também disponibiliza um recurso para visita virtual através de aplicativo desenvolvido pelo grupo Mobile da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), disponível gratuitamente no Google Play. Composto pelo professor Gilberto Cysneiros Filho e pelos alunos Anderson Melo de Morais e Flávia Ximenes da Silva, o grupo criou o serviço com o objetivo de oferecer informações sobre os diversos espaços presentes no Jardim Botânico. Ao baixar o app, será possível conhecer o local por meio de visita guiada por textos, áudios, mapa, localização e imagens.

Com tantas melhorias, o Jardim Botânico do Recife - que completou 41 anos de funcionamento em 2020 - recebeu do Ministério do Meio Ambiente a elevação para a categoria “A”, integrando a seleta lista dos cinco melhores do Brasil e passou a integrar uma rede de intercâmbio de sementes ameaçadas de extinção com outros jardins botânicos do país através do Programa Bandeira Verde.

Fonte:Prefeitura da Cidade do Recife

O que te move: sua imagem ou seu coração

 Gazeta da Torre

Sandra Caselato, artes plásticas e psicologia, exploradora dos processos psicológicos e das relações humanas. Especialista em comunicação

Quando eu tinha oito ou nove anos fiz aulas de balé. Na sala havia um grande espelho, e eu não conseguia tirar os olhos de mim mesma enquanto dançava. O espelho me trazia autoconfiança e segurança. Admirava minha postura e aperfeiçoava meus movimentos de acordo com o que via a professora demonstrar. Estava orgulhosa de como "dançava bem".

No fim do ano fizemos uma apresentação para as famílias e comunidade. Havíamos ensaiado bastante, era um momento de celebração da nossa "evolução como bailarinas”.

O problema é que no dia da apresentação não havia espelho... sem a referência externa de minha própria imagem refletida me sentia insegura, perdida e até mesmo sem forças. Além do mais havia aquela multidão de pessoas na plateia olhando para mim! De repente estava completamente autoconsciente de meu corpo e isso era desconfortável e desconhecido. Estava acostumada a ter como referência algo fora de mim mesma (a imagem no espelho) e não o que ocorria internamente em meu próprio corpo. Meu poder, potência ou capacidade de ação dependia de um fator externo e, na ausência dele, eu não conseguia performar tão bem. A minha motivação e satisfação não vinham da ação de dançar em si, mas de apreciar a imagem refletida no espelho.

Assim como Narciso, da mitologia Grega, que se apaixonou por seu próprio reflexo no lago, definhou e morreu pois esqueceu de comer, eu também me desconectava de meu próprio corpo e de mim mesma, quando focava apenas na imagem do espelho. Penso em como, da mesma forma, a imagem de perfeição que muitas vezes queremos retratar nas mídias sociais nos faz nos desconectarmos de nós mesmos e do que realmente importa em nossas vidas.

Pesquisas na área da psicologia sobre motivação humana mostram que quando os fatores motivadores são internos, como dançar pelo simples prazer de dançar, por exemplo, a satisfação na realização e o aprendizado da atividade, seja ela qual for, são aumentadas.

A motivação intrínseca (interna) é a motivação inerente ou inata de fazer algo pelo próprio interesse e vontade, pelo simples prazer em fazer, sem precisar de influência externa. É o motivador pessoal mais eficaz, que aumenta a satisfação pessoal, a autorrealização e a autoestima.

Quando os motivadores são externos, como por exemplo publicar fotos nas mídias sociais para receber aprovação ou reconhecimento dos outros, a satisfação pessoal é menor ou temporária.

A motivação extrínseca (externa) é qualquer gratificação ou incentivo fornecido por uma pessoa ou entidade externa. Empresas costumam por exemplo oferecer bônus, elogios públicos e prêmios como motivadores. Na escola, as notas são um motivador extrínseco e nas famílias, castigos e recompensas costumam ser usados. Quando a motivação para realizar algo vem de fora, os resultados a curto prazo podem até ser maiores, mas a médio e longo prazo decaem, pois a satisfação na realização da atividade é menor ou até mesmo inexistente.

O psicólogo Marshall Rosenberg, criador da Comunicação Não-Violenta (CNV), sugeria: "Não faça nada que não seja por prazer". Quando fazemos coisas em função de receber recompensas externas ou por medo, culpa, vergonha, dever ou obrigação, a tendência é que a motivação seja baixa e acabemos ficando infelizes, mal-humorados, irritados, deprimidos. Nós mesmos e as pessoas ao nosso redor acabam sofrendo as consequências.

No século 13, o mestre sufi Rumi já dizia: "quando você faz coisas a partir de sua alma, você sente um rio em movimento dentro de você, uma alegria em fluxo. Quando a ação vem de outra parte, esse rio seca."

Mesmo as "obrigações" de trabalho, cuidado com a casa ou em relação aos filhos por exemplo, podem ganhar novo significado e sentido se encontramos uma motivação interna para realizá-las.

Convido você a questionar quais as suas motivações para realizar as atividades que realiza. Elas vêm de dentro, do seu coração, ou de fora? O que você faz em sua vida que realmente ecoa internamente e o que resulta somente em belas imagens ou fotografias vazias de sentido interno verdadeiro?

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Hospital da Mulher retoma consultas ambulatoriais

 Gazeta da Torre

Hospital da Mulher do Recife

Na terça-feira (08), o Hospital da Mulher do Recife (HMR), no Curado, retomou as consultas ambulatoriais, suspensas desde o dia 18 de março. O espaço do ambulatório, que abrigou uma das enfermarias de covid-19 instaladas provisoriamente na unidade, funcionará com 50% de sua capacidade de atendimento, respeitando todos os protocolos para garantir segurança aos pacientes e colaboradores.

Para cumprir as exigências do Plano de Convivência com a Covid-19, a unidade adotará o distanciamento recomendado entre as pessoas, com agendamento limitado a, no máximo, quatro pacientes por hora, além de exigir o uso obrigatório de máscaras por parte de pacientes e colaboradores. Já estão sendo remarcadas pela central de regulação as consultas com cardiologista, infectologista, nutricionista, ginecologista, endocrinologista, mastologista, dermatologista, reumatologista e psicólogo. O ambulatório do HMR funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.

"O Hospital está se empenhando para prestar assistência da forma mais segura possível. Acreditamos que nossas usuárias serão parceiras nesses cuidados, respeitando os critérios de segurança, como por exemplo, não comparecer à unidade se estiver com sintomas gripais”, orientou Dra. Isabela Coutinho, diretora-geral do HMR.

Referência na assistência humanizada às mulheres, sobretudo gestantes, o Hospital da Mulher do Recife passou a ser referência também no acolhimento humanizado de pacientes com covid-19 ao abrigar, na área externa da unidade, um dos sete hospitais de campanha erguidos pela Prefeitura do Recife. Ainda funciona, na área interna do Hospital da Mulher, uma ala de UTI para pacientes com covid.

Em agosto, voltaram a funcionar a UTI da Mulher e a Casa das Mães. Os profissionais de saúde que passaram os últimos meses na linha de frente da pandemia voltaram a atuar nas áreas de ginecologia e obstetrícia.  Durante o período mais crítico da pandemia, a Casa das Mães funcionou como área de apoio aos profissionais de saúde da linha de frente e, agora, o espaço volta ao seu funcionamento normal, servindo de residência provisória para mães que tiveram alta após o parto, mas cujos bebês continuam internados. A casa também abriga gestantes de alto risco em situação de vulnerabilidade social e bebês de alta, cujas mães ainda precisam de cuidados médicos.

*Hospital da Mulher (24 horas) - Rod BR-101 s/n - Curado, Recife - PE, 50790-640

Telefone: (81) 2011-0100

Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O CIRCUITO CULTURAL DIGITAL DE PERNAMBUCO

 Gazeta da Torre

Em 2020, o Circuito Cultural de Pernambuco mudou e dessa vez o encontro será de forma digital. Do dia 9 a 13 de setembro, tem início a nossa primeira etapa do Circuito Cultural Digital de Pernambuco. A programação conta com vários artistas locais e nacionais, que estarão em: oficinas, saraus, shows, debates e palestras.  Mais informações:  https://www.circuitoculturalpernambuco.com.br/.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Prefeitura inicia reabertura gradual das Academias Recife

 Gazeta da Torre

A Prefeitura do Recife iniciou, quinta-feira (3), a reabertura das Academias Recife, espaços públicos que proporcionam acesso gratuito a equipamentos de musculação com instrutores profissionais. A retomada das atividades é possível devido à melhora nos indicadores da pandemia da covid-19 na cidade, que já tem 110 dias de redução dos números. Com isso, a população ganha mais uma opção para praticar atividades físicas e cuidar da saúde. O programa tem cerca de 100 mil inscritos.

A Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel) reabrirá as Academias Recife de forma gradual, seguindo um cronograma que prevê a liberação de dois espaços por dia útil e um aos sábados. No primeiro dia, voltam a funcionar as academias da Mustardinha (pela manhã) e Santo Amaro (à noite). “Todas as nossas 18 Academias Recife serão reabertas até o dia 15 de setembro. O cuidado é necessário para que possamos fazer avaliar cada passo, com toda a segurança sanitária e avaliando os protocolos”, explica a secretária Ana Paula Vilaça.

As Academias Recife funcionam das 5h30 às 9h30 e das 17h às 21h (segunda a sexta) e das 6h às 10h (sábados), sempre com professor e estagiário para acompanhamento dos alunos. Nesta fase, serão permitidos 18 alunos por aula, sendo um por máquina. “Os protocolos para o retorno incluem distanciamento mínimo de 1,5 metro, não frequentar as academias caso tenha sintomas ou confirmação de contágio da covid-19, uso de máscaras, aferição da temperatura com termômetro a laser e higienização constante das mãos, materiais esportivos e equipamentos”, explica a secretária executiva de Esportes, Yane Marques.

Criadas pela atual gestão municipal, as Academias Recife beneficiam os moradores de todas as Regiões Político-Administrativas (RPAs) com acesso gratuito a equipamentos de musculação e a instrutores profissionais, que indicam e acompanham as atividades físicas a serem realizadas ao ar livre, pelos usuários, de maneira individualizada.

LIBERAÇÕES - Na área de esportes, já haviam sido liberadas no Recife a prática de futevôlei, vôlei de praia, beach tennis, aulas em grupo com profissionais de Educação Física, pistas de BMX, caminhada, corrida, ciclismo, patins, patinetes e skate nos calçadões, parques e praças do Recife. Estão autorizados também o uso das pistas de skate e das quadras de tênis da orla.

Prefeitura da Cidade do Recife

Aprovado, texto que muda Código de Trânsito e aumenta validade da CNH volta à Câmara

 Gazeta da Torre

Em sessão remota nesta quinta-feira (3), o Plenário do Senado aprovou o projeto que altera o Código de Trânsito, ampliando para 10 anos a validade da carteira de motorista (PL 3.267/2019). Foram 46 votos a favor e 21 contrários, além de uma abstenção. De iniciativa do Poder Executivo, a proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados no final de junho. Como foi modificado no Senado, o projeto retorna para nova votação na Câmara. 

O projeto estabelece várias alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB — Lei 9.503, de 1997). Entre elas, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passará a ter validade de dez anos para condutores com até 50 anos de idade. Hoje, a regra geral é de cinco anos de validade. A proposta também estabelece cinco anos para condutores entre 50 e 70 anos de idade; e três anos para condutores com 70 anos ou mais.

O texto determina que os exames de aptidão física e mental sejam realizados por médicos e psicólogos peritos examinadores e altera regras para o uso da cadeirinha ou do assento de elevação, acrescentando referências de peso e altura ao limite de 10 anos de idade. O projeto do governo também estabelece regras mais brandas para a retenção da carteira e para exames toxicológicos. Para a suspensão da carteira, o número de pontos pode chegar a 40, conforme a situação — o dobro do que é hoje.

"Modernização"

O relator, senador Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou que o projeto tem um caráter de modernização da legislação de trânsito. Para o senador, quanto mais redução na carga burocrática “que sobrecarrega os ombros dos cidadãos comuns, mais reduziremos o custo Brasil, com reflexos positivos no crescimento e no emprego”.

— Após quase 23 anos da aprovação do CTB, são necessárias adequações a esse diploma, em função das rápidas mudanças que acontecem no trânsito — argumentou o relator.

Ciro Nogueira destacou como um ponto de grande importância o uso obrigatório das cadeirinhas infantis, que passa a fazer parte do texto do CTB e não mais apenas de normas infralegais, como é atualmente. Ele também destacou a regulamentação dos corredores de motos e lembrou que há um grande crescimento desse tipo de transporte nos últimos anos no país. Ciro fez ajustes redacionais no texto e informou que foram apresentadas 101 emendas ao projeto, das quais ele acatou nove: três de redação e outras seis de mérito.

Com base em uma sugestão do senador Lucas Barreto (PSD-AP), o relatório acatou a diferenciação de regras específicas para os pneus de utilitários, como os jipes. Outra sugestão acatada, do senador Jean Paul Prates (PR-RN) e também de Lucas Barreto, estabelece que a penalidade de advertência, em substituição à multa, somente será aplicada uma única vez no período de 12 meses. Não havia limite no texto original.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) também teve sua sugestão acatada e o projeto passou a estabelecer como a infração o ato de transportar ou manter embalagem de bebida alcoólica aberta no interior do veículo. Outra emenda acatada, do senador Jorginho Melo (PL-SC), assegura ao médico credenciado que, até a data de 10 de dezembro de 2012, tenha concluído e sido aprovado em Curso de Capacitação, o direito de exercer o cargo de perito. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) também teve uma emenda acatada, mantendo a pena de prisão hoje prevista na legislação para os casos de motorista embriagado que tenha provocado acidente grave. O texto do governo previa substituição de pena.

Os senadores Lasier Martins (Podemos-RS) e Eliziane Gama (Cidadania-MA) apresentaram destaques para tentar aprovar suas emendas, também para evitar abrandamento da legislação no caso de infrações de trânsito. Submetidos a votação, porém, os destaques foram rejeitados.

Educação

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) disse que o projeto tem o mérito de flexibilizar a pontuação para a suspensão da carteira, partindo de 20 pontos, para quem tiver mais infrações graves, chegando até 40 pontos, para quem tiver infrações leves. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou que a matéria foi enviada ao Congresso Nacional em junho de 2019. Segundo o senador, foi um ano de debate na Câmara dos Deputados, com seis audiências públicas, com a participação da sociedade brasileira. Ele destacou que o projeto é importante, por exemplo, para motociclistas profissionais, que terão mais garantia de não ter seu veículo apreendido.

— O projeto interessa à vida e ao cotidiano de milhões de brasileiros – argumentou.

Para o senador Marcos Rogério (DEM-RO), já está na hora de reformar o Código de Trânsito. Ele disse que o projeto diminui a burocracia e moderniza a legislação. Na opinião de Telmário Mota (Pros-RR), o sistema de trânsito atual está falido e as alterações são importantes. Ele apontou que a educação é mais eficiente do que a punição e criticou o que chamou de indústria de multas.

A senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) também defendeu o projeto, destacando que a educação é essencial para um trânsito seguro. Ela ressaltou a previsão de escolinhas para crianças sobre a legislação de trânsito. O senador Chico Rodrigues (DEM-RR) destacou os exames realizados por peritos e a criação de um cadastro positivo como pontos importantes do projeto.

"Imprudência"

A aprovação da matéria, no entanto, não veio sem polêmica. Há duas semanas, o projeto já havia sido retirado de pauta, por falta de consenso em torno do texto. Os senadores Fabiano Contarato e Mara Gabrilli (PSDB-SP) apresentaram um requerimento para que a matéria fosse debatida nas comissões de Assuntos Sociais (CAS), Direitos Humanos (CDH) e de Infraestrutura (CI). O senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que presidia a sessão, rejeitou o requerimento, alegando que, conforme as normas para a pandemia, as matérias são apresentadas diretamente no Plenário.

Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), seria prudente deixar a discussão para outro momento, em que especialistas pudessem ser ouvidos. O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) disse que aprendeu, ao longo de seus anos como policial rodoviário, que velocidade e imprudência não combinam. Ele apontou que o projeto “está vindo muito rápido e sem prudência”. O senador ainda criticou o que chamou de privilégios para motoristas profissionais, previstos no projeto, e sublinhou que a saúde desses profissionais é importante para toda a cadeia do trânsito.

O senador Jean Paul Prates (PT-RN) destacou que não houve nenhuma discussão em comissão ou com especialistas. Ele ainda lembrou que, em meio a uma pandemia, não há razão para a pressa na votação do projeto e sugeriu analisar a matéria com calma e serenidade. O senador Major Olimpio (PSL-SP) pediu mais tempo para amadurecer as alterações propostas. Ele disse temer que o número de mortes no trânsito aumente no país em decorrência da nova legislação e lamentou o fato de a matéria ter levado um ano na Câmara dos Deputados e ser votada às pressas no Senado.

Mortes no trânsito

Mara Gabrilli afirmou que seria importante ampliar a discussão sobre as mudanças. Ela citou uma pesquisa que coloca o Brasil como 3º país no mundo com mais com mortes no trânsito. A senadora ressaltou que 20 pessoas por hora entram em hospitais públicos como vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Mara Gabrilli acrescentou que 60% das vítimas dos acidentes de trânsito são jovens, com idade entre 15 e 39 anos. Ela apontou também o custo econômico desses acidentes, já as vítimas retiradas do mercado de trabalho, que geram custos para a Previdência e a saúde pública, causando grandes prejuízos pessoais e econômicos.

— No trânsito, eu prefiro ficar com a cautela do que com a imprudência, que um dia me deixou tetraplégica. Eu sou uma vítima do trânsito e seria imprudente de minha parte não fazer esse alerta — declarou a senadora. 

Luto

Outro requerimento, do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), pedia o adiamento da votação da matéria. Ele alegou não entender essa “insistência danada” para votar o projeto no meio de uma pandemia. O senador ainda cobrou mais debates sobre o assunto e lembrou que a legislação de trânsito avançou nos últimos anos para poupar vidas.

— Isso não é prioridade para o Brasil no momento. Façam isso, não! As alterações propostas só vão matar mais gente — alertou o senador.

A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) também criticou a urgência na votação da matéria. Ela lembrou que trabalhou como médica e viu que a maioria das vítimas de trânsito que procuram os hospitais públicos são de pessoas de baixa renda — o que ampliaria o sofrimento com os acidentes. Para a senadora, educação é importante, mas a punição também tem seu valor nas questões do trânsito.

O senador Lasier Martins lamentou o aumento do número de pontos para a suspensão da carteira. Na visão de Lasier, algumas alterações podem servir de estímulo às infrações no trânsito. Fabiano Contarato também criticou a votação da matéria. Ele informou que o Brasil registrou mais de 40 mil mortos e 300 mil mutilados em decorrência de desastres no trânsito no ano passado e classificou o projeto como “antivida” e “famigerado”.

— Infelizmente, no Brasil, em matéria de trânsito, o único condenado é a família da vítima. Agora, vamos aumentar de 20 para 40 a pontuação para perder a carteira? A quem interessa a reforma da legislação do trânsito? — questionou o senador.

Conforme informou Contarato, nem 2% dos motoristas têm carteira suspensa. Assim, segundo ele, as alterações são para beneficiar uma minoria que dirige cometendo infrações. Ele também lamentou o fato de o exame de saúde passar a ter validade de 10 anos e afirmou que as estatísticas “têm rosto e têm história”.

— Não vai ter minha digital nesse projeto. O Senado está se apequenando. Este é um momento de luto e eu queria pedir, às vítimas do trânsito, perdão pelo que o Senado está fazendo — afirmou Contarato, que ao fim da votação teve uma de suas emendas acatada, para impedir penas alternativas para motoristas alcoolizados causadores de acidentes graves.

Apesar dos vários apelos, o requerimento pelo adiamento foi rejeitado por 39 votos a 30. 

Fonte: Agência Senado

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Papa reencontra fiéis em primeira audiência em público em seis meses

 Gazeta da Torre

"Viva o papa!", em carne e osso. Os fiéis ou curiosos puderam trocar algumas palavras na quarta-feira (2) com o papa Francisco, privado de abraços, mas saboreando sua primeira audiência geral em público em seis meses.

"Depois de todos esses meses, estamos retomando nosso encontro cara a cara e não tela a tela", exultou o papa argentino, de 83 anos, obrigado desde março a transmitir por vídeo sua tradicional audiência de quarta-feira.

"É lindo!", disse ele, sorrindo para as 500 pessoas presentes.

Um retorno limitado e com máscara, longe das multidões jubilosas de uma movimentada Praça de São Pedro, onde o soberano pontífice fazia sua chegada triunfante de papamóvel, antes de apertar milhares de mãos e pegar nos braços uma multidão de crianças.

A última audiência geral do papa na Praça de São Pedro, rodeada pelos braços acolhedores das colunatas de Bernini, teve a presença de 12.000 pessoas no dia 26 de fevereiro.

"A atual epidemia demonstrou a nossa interdependência, estamos todos ligados", sublinhou o papa.

Após uma medição da temperatura, os participantes da audiência tiveram o privilégio de entrar nesta quarta-feira no pátio de São Dâmaso, que costuma receber chefes de Estado, passando por uma majestosa escadaria de mármore do palácio pontifício e cruzando guardas suíços imóveis e devidamente mascarados.

Cada um se sentou numa das 500 cadeiras instaladas distantes uma da outra, em duas zonas separadas por uma ampla área destinada ao papa.

*AFP.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

A Lei Aldir Blanc e os desafios estruturais para a cultura

 Gazeta da Torre

Gestores públicos precisam se organizar para que recursos da lei emergencial para o setor cheguem aos trabalhadores culturais que ficaram sem renda

O desmonte da cultura não é de agora, e nem a partir da ascensão de governos autoritários e dos discursos de ódio que passaram a criminalizar os trabalhadores da cultura. Porém, mesmo com essa conjuntura política, por mais paradoxal que possa ser, a cultura conseguiu uma importante vitória com a aprovação da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, fruto de muita mobilização dos trabalhadores em diálogos constantes com deputadas e deputados no Congresso Nacional. A Lei 1417/20 irá transferir R$ 3 bilhões do Fundo Nacional de Cultura aos governos estaduais e municipais. O principal desafio é garantir que os recursos cheguem em quem de fato precisa, aos trabalhadores da cultura que ficaram sem renda.

A Lei Aldir Blanc tem três objetivos: renda emergencial; subsídio mensal para manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas, instituições e organizações culturais comunitárias que tiveram as suas atividades interrompidas por força das medidas de isolamento social; e chamadas públicas por meio de editais ou prêmios para realizações de atividades artísticas que possam ser transmitidas pela internet ou disponibilizadas por meio de redes sociais e outras plataformas digitais.

Segundo o Decreto 10.464 que regulamenta a Lei 1417/20, o Estado ficará responsável pelo pagamento da renda emergencial e os Municípios pelo subsídio mensal aos espaços culturais. Tanto Estado quanto Município deverão elaborar e publicar editais, chamadas públicas ou prêmios, e no mínimo 20% dos recursos deverão ser destinados para esse fim sem que haja sobreposição entre os entes federativos.

Os recursos serão transferidos da União para os estados e municípios, preferencialmente por meio dos fundos estaduais, municipais e distrital de cultura ou, quando não houver, de outros órgãos ou entidades responsáveis pela gestão desses recursos. Por mais que a lei não exija a adesão dos estados e municípios ao Sistema Nacional de Cultura, a operacionalização para receber este recurso é complicada.

Muitos municípios que nem sempre tem uma pasta exclusiva da cultura, e por diversos casos são divididas com a educação, turismo, e esporte, irão receber valores nunca antes vistos e com uma equipe reduzida para operar toda a burocracia. Os dados do Mapa Da Desigualdade 2020 mostram, por exemplo, que municípios como Mesquita e Guapimirim empenharam 0,00% no orçamento da cultura em 2018. De acordo com estimativas da Confederação Nacional de Municípios, estas duas cidades na Baixada Fluminense  vão receber, respectivamente, R$1.194.065,71 e R$424.838,63. O total previsto para o governo fluminense é de R$103.152.867,83.

Os estados têm 120 dias e os municípios 60 dias, contados a partir da data do repasse feito pela União, para enviar seu plano de implementação com a destinação dos recursos – e, além disso, deverão publicar regulamentações próprias. A participação da sociedade civil no acompanhamento, fiscalização e construção do plano de implementação é de extrema importância.

Outro fator para implementação da lei é avaliar a realidade de espaços culturais, para transferência dos subsídios mensais, que são de, no mínimo, R$3 mil e, no máximo, R$ 10 mil, de acordo com os critérios estabelecidos pelo gestor local. Para isso, os municípios precisam atualizar os seus cadastros para fazer esse mapeamento. O Mapa da Desigualdade 2020 nos mostra que a Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro tem 186 museus, sendo sua maioria concentrada na capital. Os dados provocam a reflexão sobre apagamentos históricos e a identificação de novos lugares de memória e representação para além das versões oficiais.

Sobre a compreensão de espaços culturais, a Lei 14017/20 é bem abrangente. Estão descritos: pontos e pontões de cultura; teatros independentes, escolas de música, de capoeira, artes, estúdios, companhias e escolas de dança; circos; cineclubes; centros culturais, casas de cultura e centro de tradições regionais; museus comunitários, centro de memória e patrimônio; bibliotecas comunitárias; espaços culturais em comunidades indígenas; centro artísticos e culturais afro-brasileiros; comunidades quilombolas; espaços de povos e comunidades tradicionais; festas populares e de caráter regional; teatro de rua e demais expressões artísticas e culturais realizadas em espaços públicos; livrarias, editoras e sebos; empresas de diversão e produção de espetáculos; estúdios de fotografia; produtoras de cinema e audiovisual; ateliês de pintura, moda, design e artesanato; galerias de arte e fotografias; feiras de arte e artesanato; espaços de apresentação musical; espaços de literatura, poesia e literatura de cordel; espaços e centro de cultura alimentar de base comunitária, agroecológica e de culturas originárias, tradicionais e populares; e outros espaços e atividades artísticas e culturais validados nos cadastros.

A Lei Aldir Blanc resgata um debate importante para os gestores públicos de cultura, a implementação e regulamentação do Sistema Nacional de Cultura, criado em 2012. O sistema tem o objetivo de fortalecer as políticas públicas de cultura por meio de uma gestão compartilhada entre estados, municípios e a sociedade civil para ampliar a participação social e, principalmente, garantir ao cidadão o pleno exercício de seus direitos culturais. Dos 22 municípios da RMRJ, apenas três não aderiram ao SNC, no entanto, só Nova Iguaçu e Petrópolis têm todos os componentes (conselho, plano e fundo) do sistema de cultura local institucionalizados. Os demais municípios ainda estão em fase de institucionalização, segundo os dados do VerSNC.

O trabalho só recomeçou, e caberá aos candidatos do executivo e legislativo eleitos nas eleições municipais de 2020 seguir com a tarefa e o debate da adesão, institucionalização e implementação dos sistemas de cultura. No meu ponto de vista, são instrumentos valiosos para que a cultura tenha estratégias, metas e diretrizes que precisam ser assumidas no planejamento público; seja política de Estado, e não de governo; e que no pós-pandemia não volte a ser objetivo de descaso, e, sim, esteja na centralidade do desenvolvimento social e econômico, garantida como um direito.

Por Taty Maria é assessora de projetos da Casa Fluminense 

Ensino de qualidade precisa ser para todos ou será apenas privilégio social

 Gazeta da Torre

Educador Mario Sergio Cortella

O ensino escolar em uma sociedade que busca a prosperidade dos indivíduos precisa ser acessível a todos e nas melhores condições possíveis, pois, se apenas uma parte tiver acesso à educação de qualidade, essa democracia não estará oferecendo qualidade, apenas privilégios. “Em uma sociedade que almeja ser decente, quantidade total é sinônimo de qualidade social”, afirma o educador Mario Sergio Cortella, mestrado e doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP.

A conversa é fruto de uma parceria do canal com a Brazilian  Student  Association  (BRASA) – associação formada por brasileiros que estudam no exterior. A BRASA se reúne com o UM BRASIL para analisar os problemas e os desafios do País em diversas frentes.

Na entrevista, Cortella coloca em perspectiva a desigualdade em torno do acesso ao ensino de qualidade em escolas públicas e analisa como a pandemia agrava ainda mais esse problema estrutural. Para ele, neste momento, deve se pensar com cautela sobre o retorno dos estudantes às aulas presenciais.

“Se eu fosse o secretário de Educação da cidade de São Paulo hoje, não retomaria as atividades no território da escola. Se há prejuízos para as famílias em termos alimentares ou de cuidados, pelo fato de as crianças não estarem indo à escola, é necessário que se encontre outro caminho para que não se perca esse apoio. Mas, hoje, sem que se tenha nitidez dos movimentos que o vírus faz, a concentração [de pessoas] em um momento em que se busca evitá-la seria algo muito perigoso”, pondera.

Ele ressalta que, neste momento, é importante que as secretarias estaduais e o governo federal preparem materiais escolares impressos a serem entregues às famílias como uma forma de dar mais suporte para o ensino remoto, tendo em vista que o acesso digital não é totalmente difundido. “É essencial se buscar um ordenamento melhor na forma de se executar o ensino remoto”, diz o educador.

Cortella também enfatiza outro problema estrutural marcado no Brasil: o analfabetismo entre adultos, que, agora, precisam ajudar os filhos com as atividades escolares. “Quando eu era secretário, nós constatamos que de nada adiantava pedir aos pais que ajudassem os filhos com as tarefas, pois boa parte não tinha o ensino fundamental I. Isso se chama realidade. Isso tem de ser levado em conta agora, é preciso um esforço nacional para lidar com este momento. Se não fosse o esforço imenso de milhares dos profissionais da educação no dia a dia, nossa ação desastrosa seria muito mais intensa”, pondera.

“Será difícil lidar com o pós-pandêmico sem que haja um tipo de consenso nacional para que a gente consiga cuidar daquilo que será desastroso: as condições de vida, de trabalho e de alimentação”, conclui.

Fonte: UM Brasil


terça-feira, 1 de setembro de 2020

Descarte incorreto de máscaras pode causar impacto nos oceanos

 Gazeta da Torre

A ingestão dos resíduos provenientes desse descarte pelos animais marinhos provoca sensação de saciedade, levando-os a um processo de inanição e à morte

A utilização de máscaras e luvas tem sido um dos principais meios de proteção contra o novo coronavírus, mas o descarte incorreto dos itens caracteriza um novo tipo de poluição. Os EPIs têm sido encontrados em oceanos ao redor do mundo, como em Hong Kong, na França, na Inglaterra e no Brasil. Segundo especialista, o descarte incorreto das máscaras e luvas pode levar a contaminações pela covid-19, além de impactar diretamente a vida marinha, podendo causar a morte de animais que porventura ingiram os itens.

O professor Alexander Turra, docente do Departamento de Oceanografia Biológica do Instituto Oceanográfico da USP e coordenador da cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano, alerta que há graves riscos quanto ao impacto do descarte incorreto dos EPIs nos oceanos, uma vez que os organismos marinhos têm o potencial de ingerir esses materiais. A longo prazo, a degradação desses itens gera fragmentos chamados de microplásticos e, por serem menores, são facilmente ingeridos pelos variados animais marinhos: “A ingestão desses resíduos leva, normalmente, a uma falsa sensação de que o organismo está saciado em termos de alimentação e isso leva os animais a um processo de inanição que acaba, muitas vezes, levando à morte”.

As máscaras e luvas devem ser descartadas em lixeiras, preferencialmente as que possuem tampa, de modo a evitar contato humano posterior e que esses materiais vão parar nas ruas e, consequentemente, oceanos, como informa o professor Turra: “É fundamental que as pessoas utilizem o material apropriadamente e descartem de forma correta. O descarte é simples: basicamente colocar o produto numa lixeira fechada”, e alerta: “Temos que lembrar que o vírus tem uma duração que pode variar em função da superfície na qual ele está, então é importantíssimo que essa máscara, ao ser jogada no lixo, não volte a ter contato com nenhum pessoa. Com isso, a gente tem uma medida simples e que leva a uma proteção, não só das pessoas, mas também do ambiente, considerando que esse material vai para um aterro”.

Para o especialista, a chegada de lixo no mar é fruto de problemas estruturais da sociedade, como a pobreza, a má distribuição de renda e a dificuldade de acesso aos serviços públicos: “A gente tem uma série de outros elementos que tem o esgoto como via de chegada no mar, como a poluição difusa, o lixo jogado nas ruas ou mesmo o descarte inadequado de resíduos sólidos nos corpos d’água, enfim, é uma série de processos que tem suas raízes na pobreza, na má distribuição de renda, falta de acesso aos serviços públicos, no consumo não consciente e no descarte inadequado. É uma série de processos sistêmicos que acabam, dada a complexidade do problema e as mais variadas falhas nesse sistema, levando ao fenômeno do lixo no mar”.

Turra acredita que as máscaras de pano são uma solução para garantir o reúso e evitar o descarte incorreto: “As máscaras de pano correspondem a uma boa estratégia para se proteger do vírus e proteger a sociedade da contaminação, reduzindo essa contaminação. Obviamente, elas sendo laváveis, podem ser utilizadas várias vezes, então elas não vão acabar parando no ambiente”, finaliza.

Fonte: Jornal da USP

Prefeitura da Cidade do Recife vistoria cumprimento dos protocolos pelos barraqueiros e ambulantes na orla da praia de Boa Viagem

 Gazeta da Torre

Primeiro dia de volta 
das atividades dos 
barraqueiros e ambulantes 
nas praias 
(Foto:Andréa do Rêgo Barros)

Na segunda-feira (31), dia estipulado pelo Governo do Estado para a volta das atividades dos barraqueiros da orla de Boa Viagem, cerca de 120 profissionais da Prefeitura do Recife deram início a uma operação para orientar banhistas e comerciantes cadastrados em relação ao cumprimento dos protocolos de convivência com a covid-19. Durante os dias de ação, também haverá a distribuição de cerca de mil máscaras para os frequentadores da praia, para reforçar a obrigatoriedade do uso. Além do trabalho de orientação e fiscalização realizado pela PCR, é fundamental contar com a colaboração de toda a população, que tem papel essencial no enfrentamento ao novo coronavírus.

No total, 1.165 trabalhadores cadastrados pela Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano, entre ambulantes e barraqueiros fixos, estão liberados a voltar a comercializar na faixa de areia. O trabalho de vistoria está sendo realizado por trabalhadores da Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel), Diretoria Executiva de Controle Urbano (Dircon), Procon Recife, Vigilância Sanitária, Brigada Ambiental, Guarda Civil Municipal do Recife (GCMR), Polícia Militar e CTTU. Todos estão na praia para orientar os banhistas e os comerciantes cadastrados em relação cumprimento dos novos protocolos estabelecidos pelo Governo do Estado. O objetivo é evitar o aumento da curva de contágio pela covid-19, dando mais segurança aos recifenses e contribuindo para que a capital pernambucana mantenha os mais de 100 dias de diminuição dos indicadores da pandemia.

De acordo com o comandante da Guarda, Marcílio Domingos, “a Guarda Civil Municipal do Recife está atuando nessa operação de forma educativa, para orientar à população, os barraqueiros e ambulantes nessa volta do comércio na areia. Reforçamos a importância de todos usarem máscara, higienizar as mãos e objetos, além de manter o distanciamento social”, ressaltou.

“Frequentar a Orla de Boa Viagem é uma verdadeira experiência que vai além do sol e do banho de mar. A nossa praia proporciona uma verdadeira experiência também gastronômica, com os nossos famosos caldinhos e água de coco geladinha. Tudo isso faz parte de uma vivência que é experimentada tanto pelos moradores da nossa cidade quanto pelos turistas e visitantes. A retomada do comércio dos quiosques do calçadão e, agora, com a volta do trabalho dos barraqueiros e ambulantes, traz de volta para a nossa praia essa vitalidade”, afirmou a secretária de Turismo, Esportes e Lazer do Recife, Ana Paula Vilaça.

Diariamente, os profissionais da PCR realizarão rondas ao longo dos oito quilômetros de orla para confirmar o respeito às regras. Confira as principais:

- A ocupação deverá respeitar o distanciamento. O permissionário precisará dimensionar, para cada grupo, um espaço com área mínima de 4m x 4m. Entre grupos diferentes, serão necessários 1,5 m de distância;

- A quantidade de guarda-sóis e cadeiras ficará limitada ao que couber na área destinada a cada permissionário, respeitando a área de 4m x 4m. Será permitido um guarda-sol, quatro cadeiras e uma mesa de apoio por cada grupo, que não poderá ter mais de 10 pessoas;

- O guarda-sol não poderá ser removido de um grupo de clientes para outros sem a devida higienização;

- Fica proibido o aluguel de piscinas infláveis;

- Todos os funcionários, prestadores de serviço, barraqueiros, ambulantes e clientes deverão usar máscaras (exceto quando estiverem comendo ou ingerindo líquidos);

- Os cardápios deverão ser distribuídos plastificados ou em material que permita a correta higienização a cada atendimento;

- Palitos de dente, sal, pimenta, ketchup e outros itens deverão ser distribuídos, preferencialmente, em sachês;

- Cadeiras, mesas, bandejas e guarda-sóis deverão ser desinfectados após o uso de cada cliente com produtos à base de cloro, álcool 70% ou similares autorizados pelo protocolo;

- Funcionários, barraqueiros, ambulantes e clientes deverão ter acesso a álcool 70% líquido ou gel para higienizar as mãos;

- Reforçar a higiene dos locais onde os alimentos são preparados e dar preferência a talheres, copos e pratos descartáveis, em embalagens individuais;

- Informar constantemente aos clientes sobre as medidas de higiene adotadas, assim como utilizar as redes sociais e mídias internas para reforçar a importância da prevenção contra o novo coronavírus;

- Estar atento ao estado de saúde dos funcionários e afastá-los por 10 dias quando apresentarem sintomas de covid-19. Orientá-los a acessar o site ou aplicativo Atende em Casa (https://www.atendeemcasa.pe.gov.br/login) para receber instruções. Mediante resultado negativo, a volta pode ser imediata.

Fonte:Prefeitura da Cidade do Recife