sexta-feira, 22 de março de 2024

As brasileiras que são vítimas de 'stalking': 'Tenho medo de sair de casa e não voltar'

 Gazeta da Torre

Quando a atriz Fernanda Antoniassi aceitou em 2020 uma solicitação de amizade de um perfil falso com a foto do ator britânico Henry Cavill, que deu vida ao Super-homem no cinema, ela não imaginava que começaria a ser perseguida por um desconhecido.

Fernanda conta que, logo depois, a pessoa por trás do perfil falso passou a interagir com a atriz.

“Sabia que era golpe, mas resolvi dar trela para juntar provas e fazer uma denúncia seguindo o conselho de uma amiga advogada.”

Passados sete dias, Fernanda resolveu bloquear o perfil em suas redes sociais.

“Foi quando ele passou a criar outros perfis e a me mandar solicitação sem parar. Para piorar, em alguns, ele até tentava fazer chamada de vídeo”.

Fernanda estava sendo vítima de stalking, termo em inglês que designa o crime de perseguição no qual alguém invade repetidamente a vida privada da vítima presencialmente ou na internet.

“Vivi essa situação durante semanas. Ele parava e, depois, voltava. Até que um dia, resolvi atender uma das ligações”.

Foi quando, pela primeira vez, Fernanda conseguiu ver seu perseguidor: um homem que ela diz nunca ter visto antes.

“Perguntei o que ele queria e disse que já tinha procurado a polícia", conta ela.

"Foi quando ele me exigiu dinheiro para não matar minha mãe, porque ele dizia saber onde morava, mesmo sem eu nunca ter lhe falado.”

Ao desligar a chamada, a atriz levou as gravações para a polícia. Mas ninguém foi formalmente acusado do crime até agora.

“Nesse meio tempo, minha casa passou a ser rondada por carros, meu imóvel foi assaltado e já gravei dois drones a noite rondando a casa onde vivo com meus pais”, diz Fernanda.

A atriz que teve que passar a fazer tratamento para ansiedade após o caso: “Tenho medo dele estar mais próximo do que imagino”.

Fernanda diz que a última tentativa de contato do perseguidor aconteceu no final de 2023.

“Depois que publiquei um relato nas redes sociais, alertando outras mulheres, ele meio que parou, mas ainda sinto receio”, afirma a atriz.

"Hoje, tenho medo de sair de casa e não voltar, pois não sei quando estou ou não sendo perseguida.”

155 casos por dia

Histórias como a de Fernanda são mais comuns do que se imagina.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam para uma média de cerca de 155 casos de stalking registrados por dia nas delegacias brasileiras.

Para se ter uma ideia, apenas em 2022, 56.560 casos do tipo foram registrados no país.

São Paulo (17.019), no Rio Grande do Sul (5.424) e no Paraná (4.801) são os que concentram a maior parte dos registros policiais de stalking no Brasil.

Em geral, a maioria dos casos registrados envolvem vítimas mulheres, entre 16 e 24 anos, e homens como perseguidores.

"Mas também existem registros de mulheres que perseguem homens”, diz Juliana Brandão, pesquisadora sênior do FBSP.

No mundo, o termo stalking começou a ser usado no final da década de 1980 para descrever a perseguição insistente a celebridades pelos seus fãs.

No entanto, foi apenas em 1990, na Califórnia, Estados Unidos, que a conduta passou a ser criminalizada pela primeira vez.

Atualmente, países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália já possuem legislações específicas para lidar com o stalking.

A lei que criminaliza o stalking no Brasil é de 2021 e prevê prisão de seis meses a dois anos e multa para esse tipo de conduta.

A pena pode ser aumentada quando a vítima é criança, adolescente, idoso ou mulher.

O crime é definido como perseguição reiterada por qualquer meio, como a internet, que ameaça a integridade física e psicológica de alguém, interferindo na liberdade e na privacidade da vítima.

Brandão explica que, por ser um crime novo na legislação brasileira, muitos casos ainda não são registrados, porque muitas vítimas não sabem que esse tipo de atitude é um crime.

“Na maioria dos casos, o stalking acontece com o fim de um relacionamento, porém temos notado um crescimento de casos de desconhecidos que passam a perseguir mulheres pelas redes sociais, principalmente, quando estas se recusam a ter contato”, diz Brandão.

“Nesse caso, falamos de cyberstalking, cuja perseguição acontece no ambiente virtual e acaba até tendo mais impactos na vida da vítima do que atos presenciais.”

Solano de Camargo, presidente da Comissão de Privacidade, Proteção de Dados e Inteligência Artificial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, explica que o stalking se diferencia dos demais crimes contra a mulher pelo seu foco na perseguição persistente e indesejada.

"Enquanto outros crimes, como a violência doméstica ou o assédio sexual, podem envolver atos isolados ou específicos de violência ou coerção, o stalking caracteriza-se pela repetição e pela persistência do comportamento persecutório”, diz Camargo.

Pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil classificam o stalking em três níveis:

Leve: inclui comportamentos como seguir a vítima nas redes sociais, enviar mensagens não solicitadas ou e-mails, e outras formas de comunicação indesejada. Embora possa ser perturbador, esse nível de stalking pode não representar uma ameaça física imediata.

Moderado: pode envolver ações mais intrusivas, como seguir a vítima em público, aparecer repetidamente em lugares frequentados por ela, realizar ligações telefônicas frequentes ou enviar presentes não solicitados. Esse nível de stalking começa a ter um impacto mais significativo na sensação de segurança da vítima.

Grave: caracteriza-se por comportamentos que representam uma ameaça direta à segurança da vítima, como perseguição física, invasão de propriedade, vandalismo, ameaças explicitas ou até mesmo violência física ou moral. Esse nível de stalking requer atenção imediata das autoridades e medidas de proteção para a vítima.

Camargo ressalta que o stalking é um crime progressivo, o que significa que pode escalar de um nível mais leve para um mais grave ao longo do tempo.

"Por isso, é absolutamente imprescindível que as vítimas de stalking busquem ajuda logo nos primeiros sinais de perseguição, para prevenir a escalada do comportamento abusivo do criminoso”, alerta.

'Tremia de medo'

A radialista sul-matogrossense Verlinda Robles começou a ser vítima de stalking em 2017.

Tudo começou com uma ligação na rádio. Na época, ela apresentava um programa, e um ouvinte da cidade de Costa Rica, no interior do Mato Grosso do Sul, passou a ligar todos dias oferecendo uma música para Verlinda.

“Sempre fui simpática com todos os ouvintes, mas fui percebendo que aquilo não era normal", diz ela.

"Agradecia o carinho pelo meu trabalho, mas dizia que aquilo já estava fugindo do normal e pedia para ele parar de ligar.”

Mas o pedido não surtiu efeito. O homem voltou a ligar para a rádio e a pedir para falar com a radialista. Verlinda voltou a pedir que ele parasse, mas ela diz que seu perseguidor "não queria entender”.

Ela conta que a situação fugiu do controle quando o perseguidor que conseguiu seu número de telefone particular.

“Era impressionante, não tinha hora. Ele me ligava no trabalho, a tarde e até de madrugada", diz.

"Chegou em um ponto em que eu não atendia mais telefonemas, porque sempre era ele. Eu bloqueava um número, ele me ligava de outro.”

Foi quando o perseguidor passou a fazer contato com Verlinda de outras formas e a ligar nos telefones de seus amigos.

O homem passou a comprar presentes que deixava na rádio, mas ela conta que recusava todos e pedia para devolver.

"Mas ele continuava. Eu me sentia ofendida, porque já não bastasse a perseguição ele achava que podia me comprar. Lembro que, quando via ele, eu tremia de medo.”

Em meio à perseguição, Verlinda resolveu se mudar em busca de novas oportunidades de trabalho.

Do norte do Mato Grosso do Sul, a radialista foi morar no sul do Estado, onde acreditava estar livre do seu perseguidor.

Passado alguns dias, um colega da rádio onde ela estava trabalhando falou para ela que tinha um homem que estava ligando todo dia me mandando um abraço.

Era o perseguidor de Verlinda.

Na mesma semana, ela entrou no site da operadora de telefonia para pegar um boleto para pagar sua conta. Foi quando Verlinda viu que já estava paga.

"Na hora, achei estranho, pois sabia que não tinha feito o pagamento. Quando fui averiguar com a operadora, descobri que o endereço de entrega da conta tinha sido trocado e quem tinha pago era quem estava me perseguindo.”

A radialista resolveu então denunciar o caso em suas redes sociais. A publicação feita em 2019 viralizou.

"Não sei até hoje como ele conseguiu alterar meu endereço de pagamento. Para eu voltar para o meu endereço, foi uma odisseia.”

A radialista também fez um boletim de ocorrência contra o homem e se tornou uma das primeiras vítimas de stalking no Brasil a conseguir uma medida protetiva contra um perseguidor.

Verlinda diz que muita gente até hoje pergunta porque ela não o denunciou antes.

"Sentia tanta vergonha de chegar na delegacia e os policiais acharem que estava querendo aparecer que fui querendo fugir dele, sem procurar ajuda.”

Com a medida protetiva, a perseguição cessou, conta Verlinda. Ela soube que, alguns meses depois, seu perseguidor morreu por problemas de saúde, mas os traumas ficaram.

“Confesso que até hoje olho embaixo da cama ao chegar em casa por medo de ter alguém me perseguindo", diz.

"Não alugo casa sem ter grades na janela; e até para me relacionar com as pessoas tenho dificuldade. É uma sombra que, infelizmente, levo na minha vida.”

Como reagir e denunciar

Daniel Barros, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), explica que, quando a vítima de stalking é uma pessoa famosa, o perseguidor tem na maioria das vezes um transtorno mental.

“O stalking com anônimos, na maior parte dos casos, não tem a ver com transtorno mental, tem a ver com gênero, do sujeito simplesmente não aceitar o fim do relacionamento ou ser rejeitado por alguém”, explica o psiquiatra.

Um estudo publicado em 2009, no periódico Law and Human Behavior, que fez um perfil de 200 pessoas condenadas por stalking constatou que, em média, apenas 25% dos casos de perseguição duram mais de um ano.

Segundo a pesquisa, o fator que leva à perseguição duradoura é o vínculo que a vítima tinha com o autor.

Assim, no caso de ex-maridos ou ex-namorados perseguidores, o stalking tende a durar mais. “O mais importante é não falar com o perseguidor", afirma Barros.

"Não troque mensagem, não fale, não tenha nenhum contato, e leve a sério a situação, pois falar com ele tende a aumentar esse comportamento, porque o perseguidor entende que conseguiu o que queria: sua atenção.”

Jamila Ferrari, delegada coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) do Estado de São Paulo diz que o principal sinal de que uma pessoa é vítima de stalking é se sentir ameaçada pelas constantes investidas do perseguidor.

“O enfrentamento sem dúvida é feito com informação. Informar constantemente às pessoas de que existe esse crime e punição para quem comete é uma das medidas mais importantes de prevenção”, diz a delegada.

Atualmente, a vítima de stalking no Brasil pode procurar ajuda em qualquer delegacia de polícia.

Contudo, especialistas dizem ser aconselhável que, em casos mais graves, a pessoa perseguida busque apoio também de advogados, serviços de assistência psicológica e grupos de apoio.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil recomendam algumas medidas que podem ajudar a diminuir as chances de ser vítima de stalking:

- Manter as informações pessoais privadas;

- Ajustar as configurações de privacidade nas redes sociais;

- Evitar compartilhar detalhes sobre rotina e localização;

- Estar atento a comportamentos suspeitos ou pessoas que pareçam estar seguindo ou monitorando de forma persistente.

“Nessas situações, mediante provas e identificação do autor, a vítima pode obter na Justiça uma ordem de restrição contra o perseguidor, obrigando-o a manter distância da vítima, sob pena de ser preso em flagrante em caso de violação da ordem”, ressalta Solano.

* Solano de Camargo - Pós-doutorando em Direito Internacional pela Faculdade de Direito de Coimbra (UC). Doutor e Mestre em Direito da Universidade de São Paulo (USP).

BBC Brasil

- divulgação -

segunda-feira, 18 de março de 2024

Sustentabilidade e o futuro da hotelaria

 Gazeta da Torre

Lúcia Silveira Santos explica como a indústria hoteleira está adotando práticas mais sustentáveis e como os hóspedes podem fazer escolhas conscientes ao reservar um hotel

Sustentabilidade refere-se à habilidade de utilizar os recursos naturais sem prejudicar o bem-estar das futuras gerações. O conceito de consumo consciente está se tornando cada vez mais difundido entre os brasileiros, e, independentemente do setor industrial, pequenas atitudes podem gerar um impacto significativo. Esta perspectiva é igualmente relevante no contexto do setor hoteleiro.

A sustentabilidade na indústria hoteleira implica a implementação de medidas que visam a reduzir o impacto ambiental, social e econômico dos hotéis. Isso abarca desde a diminuição do consumo de recursos naturais até o apoio às comunidades locais e o respeito pela cultura e pelo patrimônio da região onde o estabelecimento está inserido.

De acordo com Lúcia Silveira Santos, doutoranda em Turismo pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, para que um hotel seja reconhecido como sustentável, ele precisa focar em quatro pontos: eficiência energética, gestão de resíduos, conservação da água e apoio à comunidade local.

Quatro pontos da sustentabilidade

Para mitigar o consumo de energia, é possível implementar sistemas de iluminação e climatização mais eficientes. Além disso, a incorporação de fontes de energia alternativas, como placas solares, pode reduzir a dependência de energia convencional. Uma solução eficaz e simples é a adoção de cartões inteligentes, que automaticamente desligam a luz, o ar-condicionado e a televisão quando o hóspede deixa o quarto.

Visando a uma abordagem sustentável na gestão de resíduos, os hotéis podem adotar práticas como reciclagem e compostagem de resíduos sólidos, além de reduzir o desperdício de alimentos nos restaurantes. Para isso, é viável estabelecer parcerias com cooperativas de catadores e, sempre que possível, envolver os hóspedes nessas iniciativas. Uma ideia interessante seria criar uma pequena horta de temperos, utilizando os produtos da compostagem, e permitir que os hóspedes participem do processo, desde o cultivo até a colheita, como forma de incentivar seu envolvimento.

Com o objetivo de promover a conservação da água, os hotéis podem adotar medidas como a instalação de dispositivos economizadores nos quartos e áreas comuns, além de implementar sistemas de captação de água da chuva para uso não potável. Embora já seja comum encontrar chuveiros e torneiras com sensores para evitar o desperdício, soluções criativas podem ser ainda mais eficazes. Por exemplo, uma música com duração máxima de 5 minutos durante o banho pode alertar o hóspede sobre o consumo excessivo de água, ou a presença de um simples relógio no banheiro, mostrando a quantidade de litros utilizada durante o banho, também pode ser uma maneira eficaz de conscientização.

Parcerias com fornecedores locais evitam grandes deslocamentos e ainda beneficiam a comunidade do entorno, gerando uma vizinhança mais amigável, fomentando empregos e ampliando também a responsabilidade social da empresa-hotel.

Buscando o melhor

A pesquisadora aponta certificados ecológicos que podem ajudar futuros hóspedes na seleção de hotéis sustentáveis, como LEED, GreenGlobe ou Travelife. Certas empresas chegam a calcular a quantidade de gases do efeito estufa que são lançados na atmosfera a partir do consumo energético do hotel e calculam a quantidade de árvores que precisam ser plantadas para compensar essa emissão. Esses são os hotéis neutros em carbono ou carbono zero, cujas árvores costumam ser plantadas em locais degradados ambientalmente. Os dois primeiros hotéis do Brasil com esse tipo de certificado ficam em Santos, litoral de São Paulo e pertencem ao grupo Accor.

Jornal da USP

- divulgação -

quinta-feira, 14 de março de 2024

Eu quero meu Sertão de Volta

 Gazeta da Torre

Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão de Pernambuco, e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Em todos os espaços de convivência, praças bares e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro desqualifica e coisifica a mulher e embrutece o homem.

O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta “beber cair e levantar”, ou ‘dinheiro na mão e calcinha no chão”?

O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam a violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando “vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de p*** pra todo lado”? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas?

Por onde andam as mulheres que fizeram movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie. E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade.

E não pense que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos?

Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas, criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem.

O que esses conjuntos musicais praticam não é forró! O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual! O forró é gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical que, em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresenta como bandas de “forró eletrônico”! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80.

Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática. Os arranjos executados são parecidos! Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo gonzaguiano. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral.

Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo sem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo. Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo!

Mas, felizmente, há exemplos que podem ser seguidos. A Prefeitura do Recife tem conseguido realizar um São João e outras festas de nosso calendário cultural com uma boa curadoria musical e retorno excelente de público. A Fundarpe tem demonstrado a mesma boa vontade ao priorizar os projetos de qualidade e relevância cultural.

Escrevendo essas linhas, recordo minha infância em Serra Talhada, ouvindo o maestro Moacir Santos e meu querido tio Edésio em seus encontros musicais, cada um com o seu sax, em verdadeiros diálogos poéticos! Hoje são estrelas no céu do Pajeú das Flores! Eu quero o meu sertão de volta!

Anselmo Alves, Pesquisador, documentarista e colaborador da Gazeta da Torre                  Pernambucano de Serra Talhada.

- divulgação -

quarta-feira, 13 de março de 2024

SUPERA realiza live gratuita com especialistas; Participe!

 

Com o tema: “O futuro do seu cérebro – O que diz a neurociência”, iniciativa quer mobilizar a sociedade sobre o assunto.

Em comemoração à Semana Mundial do Cérebro, o SUPERA realiza, no dia 14 de março, às 19h (horário de Brasília), a live “O futuro do seu cérebro – O que diz a neurociência”, um evento online com informação de qualidade, com a neurocientista parceira da marca, Livia Ciacci e a neurologista Ilana Werneck, franqueada SUPERA de Pouso Alegre (MG).

A live acontecerá no canal oficial do SUPERA no YouTube e a participação é gratuita mediante inscrição.

(inscreva-se)  

metodosupera.com.br/semana-mundial-do-cerebro-supera-realiza-live-gratuita-com-especialistas/).

Neste evento, os participantes poderão acompanhar as últimas pesquisas realizadas sobre o cérebro, como a neurociência tem contribuído para avanços na medicina, quais são os principais mistérios do cérebro que estão sendo desvendados pela ciência e outros assuntos.

Sobre a Semana Mundial do Cérebro

A Semana Mundial do Cérebro 2024 acontece de 11 a 17 de março, no Brasil, liderada pelo SUPERA, maior rede de estimulação cognitiva do país. A iniciativa acontece em concordância com a Dana Foundation, organização sem fins lucrativos dedicada a avançar a compreensão sobre o cérebro humano e apoiar pesquisas em neurociência.

No Brasil, o SUPERA encabeça o discurso para conscientizar a população sobre a saúde do cérebro, qualidade de vida e os cuidados a longo prazo com o órgão mais importante do corpo humano.

Por isso, durante todo o mês de março, as mais de 260 unidades da marca espalhadas por todo o Brasil, estarão especialmente de portas abertas para tirar dúvidas da população acerca da saúde do cérebro.

Sobre a Dana Foundation

Fundada em 1950 por Charles A. Dana, a Dana Foudation tem como objetivo promover o progresso nas ciências cerebrais, educar o público sobre o cérebro e suas funções, e incentivar o desenvolvimento de tratamentos para distúrbios cerebrais.

Live – O futuro do seu cérebro – O que diz a neurociência

Quando: 14 de março

Onde: Canal do SUPERA no YouTube – https://youtube.com/metodosupera

Inscrições:  

https://bit.ly/semana-mundial-do-cérebro-2024

Siga o SUPERA nas redes sociais

Para reflexão:

Algo só é impossível até que alguém duvide e resolva provar o contrário. “Albert Einstein”

Você sabia:

O cérebro humano tem a mesma consistência macia de uma barra de manteiga.

Resposta do desafio de Fevereiro.

Há um saco cheio de grãos de café. Como você pode preencher completamente dois  sacos do mesmo tamanho com os grãos de café moído do primeiro saco?

Resposta: Colocando um saco dentro do outro

Desafio de Março:

Pense rápido...

Qual o masculino de lebre?

a)Coelho      b) lebréu      c) lebrão      d) lebre.

Resposta na próxima edição

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906

Unidade Boa Viagem

Telefone: (81) 30331695

Chico Science - O homem que veio do futuro

 Gazeta da Torre

No Recife do fim dos anos 1980, um grupo de jovens passava as tardes ouvindo músicas que não tinham espaço nas rádios pernambucanas, dominadas pelo axé baiano e pelo rock do Sudeste. Vinis recém-lançados em outros países e fitas cassetes raras eram bens preciosos nas mãos de quem ansiava pela troca de informação, escassa na época. Naquele grupo que começava a enfrentar a vida adulta, a união se dava pela apreciação de bandas new wave, pós-punk, hip-hop e funk; discussões sobre literatura e, principalmente, pela junção de mentes inquietas em efervescência.

Do lado de fora, a cidade era um caos. Os índices de qualidade de vida, desemprego e violência não eram favoráveis, e o Estado de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto passava por um marasmo cultural, social e econômico. Nesse contexto, Recife viu nascer o manguebeat, movimento de contracultura que, por meio da mistura de ritmos, mostrava as desigualdades da região. Naquela altura, Pernambuco virava berço de uma figura que rompeu barreiras geográficas e apontou, em sua música, as injustiças sociais testemunhadas por todos. Era Chico Science.

Vinte anos após sua morte precoce, a memória de Francisco França continua presente. Apontado como o catalisador do manguebeat, Chico se tornou figura de associação imediata à cena. Hoje, no Recife, além de um memorial e uma estátua em sua homenagem, até um manguezal leva seu nome. “Ele foi um criador, um mestre, um artesão dos sons. Foi como Caetano e Gil na Tropicália, como João Gilberto na Bossa Nova, ou Erasmo e Roberto na Jovem Guarda. Aquele criador timoneiro que, sem estrelismo e com respeito às tradições, dirigiu o barco do manguebeat”, afirma Herom Vargas, autor de Hibridismos musicais de Chico Science & Nação Zumbi (Ateliê, 2007).

“Ele tinha essa capacidade de falar com o povo. Foi um grande líder, mesmo que não tivesse a intenção de ser”, afirma José Carlos Arcoverde, conhecido como Mabuse, o “ministro da tecnologia” do manguebeat. Era ele quem fazia alguns dos cartazes dos shows e das festas do movimento. “Ele tinha desenvoltura para colocar um autor como Josué de Castro como parte de um referencial simbólico para os moleques que estavam ouvindo as músicas. Depois de Chico, nunca vi mais nada igual”, diz o amigo.

Assim como o barco de Caetano e Gil levou Rita Lee e Tom Zé, a Bossa Nova de João Gilberto cresceu no apartamento de Nara Leão, e Wanderléa foi marca da Jovem Guarda com Roberto e Erasmo, Chico não estava sozinho. O manguebeat era encabeçado por todos aqueles jovens que ajudaram a criar uma revolução cultural. Mas, até alcançá-la, percorreram um longo caminho.

Manguetown

Caçula de quatro filhos, Science começou sua história com a música por meio do amor pela black music norte-americana e figuras como James Brown e Grandmaster Flash. Na escola, frequentou as poucas e únicas aulas de teoria musical que faria. Todas as suas composições se dariam com onomatopeias anotadas e repetidas para os músicos das bandas pelas quais passou. “Ele tinha uma inteligência pop muito aguçada e intuitiva, apesar de não ter a formalidade educacional. Pegava a orelha de um livro e captava aquilo que batia com o desejo das pessoas”, conta Hélder Aragão, o DJ Dolores, que Chico conheceu no período em que frequentava o grupo de break “Legião Hip Hop” com Jorge Dü Peixe, atual vocalista do Nação Zumbi.

Dolores, responsável pela identidade visual do manguebeat, havia chegado recentemente de Sergipe e seu apartamento logo se tornou o ponto de encontro dos estudantes, que ainda moravam com os pais. “Eu brinco que eu sou a Nara Leão do manguebeat. Tudo começou no meu apartamento, foi a música que uniu todo mundo.”

Eventualmente, todas as cabeças necessárias para iniciar um movimento estavam ali. Dü Peixe, amigo de infância e parceiro musical de Science; Fred 04, estudante de comunicação e criador da Mundo Livre S/A; Mabuse e Renato L., companheiros de Fred no programa “Décadas” na rádio universitária; Lúcio Maia e Alexandre Dengue, músicos da Orla Orbe e Loustal, bandas de Chico no fim da década de 1980. O grupo só crescia.

Com o que sobrava dos salários, era hora de colocar em prática o lema de “mudar o lugar ou mudar de lugar”, produzindo festas em uma cidade que só abria os bares para a música regional e heavy metal. A solução foi fazer parcerias com os cabarés e se aproveitar do ar boêmio da antiga zona portuária, que, no início da década de 1990, ainda era considerada decadente.

A proposta musical era quase que educativa. “Ninguém era DJ profissional, era uma programação que tocava de Sam Cooke a Talking Heads. A única coisa em comum na variação dos sons era o fato de eles não tocarem em outros lugares. Não tínhamos a obrigação de uma pista lotada. Era algo meio missionário”, brinca Fred Rodrigues Montenegro, o Fred 04.

Como resultado das festas, o grupo começou a formar um público que se identificava com o novo conceito. “De repente nos vimos fazendo parte da cidade, descobrimos a nossa voz. Ver que o que estávamos fazendo tinha efeito nos dava um certo senso de cidadania”, lembra Dolores, que começou sua carreira como DJ naqueles eventos.

Simultaneamente, Chico era apresentado pelo colega de trabalho Gilmar Bola 8 ao Lamento Negro, grupo social da comunidade de Peixinhos, em Olinda. A mistura de maracatu, coco de roda e samba-reggae chamou sua atenção. Nos ensaios, conheceu o percussionista Maureliano, que segundo o músico Pácua, amigo de Chico e cantor do Lamento Negro à época, foi quem executou as batidas que viriam a se tornar marca do Nação Zumbi. “Ele disse o que queria e Maureliano fez na hora. Chico foi a cabeça, e o Mau, a execução. Chico foi o cara que teve a sensibilidade de ver aquele som no gueto e reconhecer o potencial para espalhar pelo mundo.”

Com a batida na cabeça e percussionistas do Lamento Negro na banda, a Loustal de Lúcio Maia e Dü Peixe se tornava Chico Science & Lamento Negro e, posteriormente, Chico Science & Nação Zumbi. Fizeram sua estreia em 1991, em Olinda, com um som que era uma mistura de todas as referências do grupo: o rock, a black music e os ritmos regionais.

O conceito de som do mangue veio em seguida, em uma mesa de bar, com um empolgado Science planejando um evento coletivo que levasse as batidas para o resto do país. Pácua brinca que às vezes achava que Chico vinha do futuro. “Ele falava como se soubesse que ia dar certo, parecia um filósofo com aquele papo de mangue. No Brasil, os caras com visão são considerados loucos, quando na verdade são gênios”.

Choque na lama

A metáfora do mangue como um ecossistema produtivo e diverso que sobrevivia em uma cidade sem energia foi trabalhada coletivamente. Como jornalista, Fred decidiu reunir todas as ideias em um release, a fim de divulgar o festival de música idealizado por Chico, o “Viagem ao centro do mangue”.

Assim que foi recebido pela imprensa, em 1992, o “Caranguejos com cérebro” ganhou ares de manifesto e acabou se tornando um registro definitivo e incansavelmente reproduzido do nascimento de uma nova cena musical no Recife e no Brasil. “Eu quis passar o que a gente via: pessoas brilhantes indo embora depois de formadas e ninguém ficando no Recife para pensar em um projeto para a cidade”, afirma o líder da Mundo Livre S/A, uma das mais importantes bandas daquela cena.

Mabuse ainda se impressiona com a falta de intencionalidade na criação do manguebeat. “O papel do acaso nessa história é fantástico, porque o grande objetivo não era criar um movimento. A única intenção era a de conseguir viver de produção musical. Mas a metáfora usada foi muito feliz, fez todo o sentido”, diz o amigo de Chico.

Com ou sem intenção, o manifesto incitou uma onda que atingiu até outros segmentos. “Percebemos que, além da nossa pequena turma, outras pessoas na cidade, até da moda e do cinema, compartilhavam aquele desejo. O rótulo acabou tomando conta de qualquer coisa que se produzisse no Recife. Bandas de hardcore eram manguebeat, assim como bandas de hip-hop e forró”, lembra Dolores.

Ao mesmo tempo, a carreira de Science com o Nação Zumbi deslanchou. Em 1994, o grupo lançou Da lama ao caos, seu primeiro álbum, pela Sony Music. Gravado no Rio de Janeiro e produzido por Liminha, o disco não teve o espaço esperado nas rádios brasileiras. A banda, no entanto, saiu em uma turnê internacional que passou pelos Estados Unidos e Europa. Os shows no exterior se repetiram após o lançamento de Afrociberdelia, em 1996. Produzido por Eduardo BiD, teve melhor desempenho que o primeiro e participação de convidados como Gilberto Gil e Marcelo D2. Posteriormente, os dois álbuns foram incluídos na lista dos 100 melhores discos da música brasileira da revista Rolling Stone, em uma votação feita com jornalistas, produtores e estudiosos.

O manguebeat se espalhava pelo mundo ao mesmo tempo que mudava radicalmente a cultura pernambucana, tornando-a mais democrática. “A música passou a ser uma plataforma de crítica à cidade, mas também de valorização do universo do trabalhador, da cultura negra, periférica. A cultura pernambucana sempre foi conservadora e elitista. O mangue rompe com esse padrão”, afirma a socióloga e estudiosa do movimento Carolina Leão.

Para a também socióloga Paula Tesser, Science teve função primordial nesse sentido. “Ele propôs, através do riso, a invenção do brasileiro que, mesmo estando abandonado à sua sorte, deve reagir, transformando sua tristeza em diversão musical”, diz.

Longa vida ao groove

Em um período de férias no auge da banda, em fevereiro de 1997, o carro de Chico Science se chocou contra um poste no trecho entre Recife e Olinda, e o músico não resistiu. Com o impacto da perda, Fred 04 e Renato L. escreveram um novo manifesto intitulado “Quanto vale uma vida”, que relembra a intensa produção cultural dos cinco anos anteriores, a importância do cantor e a necessidade de o Nação Zumbi continuar existindo, uma ideia unânime entre os membros do movimento. O grupo segue ativo até hoje, com Jorge Dü Peixe no vocal.

Para os mangueboys, Chico foi essencial na consolidação do manguebeat e, com sua energia, era a representação perfeita daqueles ideais. “Tantas coisas mudaram no planeta e parece que ele já sabia de tudo”, lembra o músico Otto, que foi percussionista da primeira formação do Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A. “Chico está nos cordões dos mestres da sabedoria popular, é composto dos sonhos pernambucanos, dos versos proféticos e das rimas do MC. O Brasil conheceu uma lenda do rock, do rap e do maracatu. Tem gente que faz tanta coisa em tão pouco tempo na terra”, diz.

Zero Quatro e Dolores destacam o espírito festivo e incansável do compositor. “Ele não se conformava com as coisas paradas. Podia estar na quarta pior cidade do mundo, mas, se precisasse mover uma montanha pra fazer uma festa, ele fazia. Chico não ia se divertir pela metade se podia fazer isso 100% do tempo. Estar com ele sempre era algo rico”, afirma Fred. “Era um entusiasmo absolutamente contagiante. As pessoas tendem a ser muito pessimistas com as coisas, mas ele já chegava dizendo que ia dar certo, convencendo todo mundo a se envolver”, conta o DJ.

E, de fato, convenceu. Em 2009, o manguebeat de Chico, Fred 04, Dü Peixe, Mabuse, Renato L., Lúcio Maia, Dengue e tantas outras pessoas se tornou patrimônio imaterial de Pernambuco. As crianças aprendem sobre a importância do movimento e de Science nas escolas. No Recife e em Olinda, artistas ligados ao manguebeat levam o legado e as ideias de Chico e seus companheiros para as novas gerações por meio de ONGs e trabalhos sociais para crianças e adolescentes. O movimento, assim como a relevância de Chico Science, segue cheio de vida.

Laura Lewer/Revista Cultural

segunda-feira, 11 de março de 2024

A ‘nova cesta básica’ com menos ultraprocessados

 Gazeta da Torre

Modificação visa reduzir risco de doenças, valorizar a agricultura familiar e proteger o meio ambiente.

O presidente Lula assinou na terça-feira, 5, um decreto que institui a nova composição da cesta básica – kit de alimentos essenciais para a alimentação da população. Com mais itens in natura ou minimamente processados, a ideia do governo é tornar a alimentação do brasileiro mais diversificada e saudável.

A principal mudança é a redução na oferta de ultraprocessados. Segundo evidências científicas, o consumo de alimentos industrializados ricos em açúcar, gordura e aditivos aumenta a prevalência de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, hipertensão e diversos tipos de câncer.

O anúncio ocorreu durante a 1ª reunião plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), no Palácio do Planalto.

Com a nova composição, a cesta básica será composta de alimentos de dez grupos diferentes, compondo um padrão alimentar mínimo para todo o país. Ela englobará:

- feijões (leguminosas)

- cereais

 - raízes e tubérculos

-  legumes e verduras

 - frutas

- castanhas e nozes (oleaginosas)

- carnes e ovos

-  leites e queijos

- açúcares e sal

- óleo e gorduras

- café, chá, mate e especiarias.

Alguns itens que anteriormente compunham a cesta básica foram excluídos, como biscoitos recheados, macarrões instantâneos, misturas para bolo e molhos, entre outros ultraprocessados.

Na prática, o texto vai servir para guiar e orientar o governo federal na formulação de políticas públicas relacionados à produção, ao abastecimento e ao consumo de alimentos. 

“O movimento do governo de excluir os alimentos ultraprocessados da cesta básica está de acordo com as nova diretrizes da reforma tributária, que estabelece princípios relacionados à preservação do meio ambiente, da saúde e da sustentabilidade social. O Governo Federal não pretende seguir desonerando ou concedendo benefícios a produtos e serviços que não estejam alinhados a esses preceitos atuais”, diz Maira Cristina Santos Madeira, advogada tributarista e sócia do escritório Abe Advogados.

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome afirma ter utilizado critérios de acordo com a sustentabilidade, sazonalidade e  benefícios à saúde para compor a cesta. Dessa forma, serão priorizados, sempre que possível, alimentos agroecológicos, locais e oriundos da agricultura familiar.

Também foram observadas  diretrizes importantes como a Política Nacional de Alimentação e Nutrição e o Guia Alimentar para a População Brasileira, que completa dez anos em 2024.

Por que menos ultraprocessados?

O alerta sobre os alimentos que podem ser prejudiciais à saúde ganhou força no Brasil em outubro de 2022, quando entrou em vigor a mudança na rotulagem de produtos embalados por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após discussões que duraram uma década.

Com a nova regra, os itens passaram a ter, em destaque, informações sobre o excesso de três nutrientes: açúcar, gordura e sódio.

Além disso, de acordo com um novo estudo publicado em fevereiro, no jornal BMJ Global Health, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associados ​a problemas de saúde, como doenças cardíacas e pulmonares graves, tumores malignos, perturbações de saúde mental e morte precoce.

A pesquisa também levanta a questão do que deve ser feito para controlar e reduzir a produção e consumo dos ultraprocessados. Segundo os cientistas, só a reformulação destes produtos não elimina os danos e a rentabilidade desencoraja os fabricantes a mudarem a produção para alimentos nutritivos.

Por isso, ações de controle e políticas públicas – como a decretada pelo governo – são essenciais. Por exemplo: a restrição de publicidade, a proibição da venda desses produtos em frente ou perto de escolas e hospitais e medidas fiscais que tornem os alimentos não processados ​​tão acessíveis, disponíveis e baratos quanto os ultraprocessados. 

Fonte: Veja

- divulgação -

terça-feira, 5 de março de 2024

A onda de calor

 Gazeta da Torre

O relatório da Organização Climate Central, sediada nos Estados Unidos, avalia que os recordes de temperatura registrados em várias partes do mundo "não surpreendem" e fazem parte da "tendência de aquecimento alimentada pela poluição de carbono".

"Enquanto a humanidade continuar a queimar carvão, petróleo e gás natural, as temperaturas continuarão a subir, e os impactos disso vão acelerar e se espalhar", alerta a entidade.

Para lidar com o problema — ou ao menos mitigar seus efeitos na economia e na saúde de bilhões de pessoas — especialistas apostam justamente na transição energética rumo a fontes menos poluentes e na preservação das florestas.

Os acordos políticos e diplomáticos que tentam viabilizar esse processo — discutidos anualmente nas cúpulas do clima organizadas pelas Nações Unidas — tentam assegurar que a subida dos termômetros pelos próximos anos não ultrapasse certos limites (como um aumento de até 1,5 °C em relação aos níveis pré-Revolução Industrial), para minimizar as consequências deletérias.

A ideia, por exemplo, envolve substituir os combustíveis fósseis — que geram os gases por trás do efeito estufa e do consequente aquecimento do planeta — por fontes de energia sustentáveis e renováveis.

Outro aspecto fundamental dessa equação está em reduzir drasticamente o desmatamento, especialmente de florestas tropicais como a Amazônia. Isso porque essas reservas contêm grandes quantidades de carbono e ajudam a frear a subida da temperatura global.

"Essa mitigação não é simples, mas precisa ser feita para conseguirmos ficar no melhor cenário possível. Isso exige cortes drásticos, mudanças na matriz energética e alterações estruturais na nossa sociedade", pontua a geógrafa Karina Lima, doutoranda e pesquisadora de clima na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),

"Cada décimo de grau a mais que evitarmos importa e faz toda a diferença, inclusive na ocorrência de eventos extremos."

Lima ainda explica que, além da mitigação, é necessário discutir também a adaptação de cidades e bairros para esses cenários de calor extremo.

"Nós não estamos preparados para a realidade de agora e para lidar com eventos de chuvas fortes ou calor intenso", observa ela.

"Precisaremos repensar as cidades, aumentar a vegetação em locais estratégicos, como os pontos de ônibus e os locais em que as pessoas ficam expostas por um tempo prolongado, investir no isolamento térmico das casas, pintar telhados com cores mais claras, garantir o acesso à água potável e ao protetor solar, fazer campanhas de conscientização, evitar exposições ao calor que não sejam absolutamente necessárias...", lista ela.

"Não damos o devido valor à urgência deste problema. As mudanças climáticas são uma questão transversal, que afeta todas as áreas da nossa vida, da segurança alimentar à saúde e a economia."

"E esse é o maior desafio da Humanidade", conclui ela.

Fonte:BBC News Brasil

- divulgação -

Lixo já é abundante no fundo do mar brasileiro

 Gazeta da Torre

Detritos foram encontrados entre 200 e 1.500 m de profundidade e a 200 km de distância da costa nos Estados de São Paulo e Santa Catarina; descarte contamina peixes de mar profundo levados ao comércio, com efeitos a longo prazo

Tido como uma das principais opções de alimentação saudável, os peixes podem também trazer consigo pedaços de lixo e contaminantes mesmo se pescados no mar profundo, longe das praias. A presença desse material nas encostas continentais, que estão entre os ambientes mais remotos e menos conhecidos do Planeta, revela que o lixo é um problema que a humanidade está levando para todos os ecossistemas.

Essa preocupação foi levantada recentemente no primeiro registro científico de lixo em mar profundo do Brasil, publicado no Marine Pollution Bulletin por pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da USP. A grande quantidade de lixo foi encontrada entre 200 e 1.500 metros de profundidade, a cerca de 200 km de distância da costa nos Estados de São Paulo e Santa Catarina, durante as expedições do projeto Deep-Ocean, financiado pela Fapesp. O estudo foi liderado pela oceanógrafa Flávia Tiemi Masumoto e teve a supervisão do professor Marcelo Roberto Souto de Melo, ambos do Laboratório de Diversidade, Ecologia e Evolução de Peixes (Deep Lab) do IO.

O objetivo inicial do projeto era estudar a diversidade de peixes de mar profundo no Brasil. No entanto, os pesquisadores foram surpreendidos pela enorme quantidade de lixo coletado com os animais. A rede usada trazia frequentemente embalagens de alimentos, sacolas plásticas, garrafas, latas e utensílios de pesca. Alguns desses resíduos eram materiais altamente tóxicos e prejudiciais ao meio ambiente, como tintas para embarcações e latas de óleo para motor.

Dos 31 locais selecionados para a coleta — 16 a sudeste de Ilhabela (SP) e 15 próximos a Florianópolis (SC) —, em apenas três deles os peixes não vieram acompanhados de lixo. Separados pela composição, o plástico representou mais da metade da quantidade desses itens e esteve presente em todos os locais pesquisados. Em seguida vieram os metais, com 14% do total; os têxteis, com 11%; o vidro, com 7%; e as tintas de embarcações, com 6%. Outros tipos de itens somaram 17%. Quando pesados, os objetos de vidro vencem, seguidos pelos de metal, de concreto e têxteis, com respectivamente 29%, 22%, 13% e 13% do peso total.

Há indícios de que parte do material pode estar no mar há décadas. “Nós conseguimos verificar a data de validade de alguns produtos. Tinha uma embalagem de coco ralado cuja data de fabricação era de 1996. Isso não significa que o material foi jogado naquela data, mas pode ser uma estimativa”, comenta Flávia.

Descarte ilegal

“A origem do lixo pode ser tanto o descarte no continente quanto diretamente no local. Como alguns compostos mais densos afundam rapidamente, é provável que tenham sido descartados pela tripulação de embarcações ou de plataformas, mas existe também a possibilidade de que as correntes marinhas transportem objetos com menor densidade, como as sacolas e embalagens plásticas” explica Marcelo.

Entre as maiores preocupações estão os blocos de tinta colhidos, que podem ser fonte de contaminantes. Nesse caso, o descarte durante a manutenção das embarcações seria a única explicação. “As tintas têm um composto que é justamente para que nenhum organismo fique aderido ao casco dos navios e plataformas, então são muito tóxicas para o meio ambiente”, ressalta Flávia.

Vale destacar que a descarga de substâncias nocivas ou perigosas no mar territorial brasileiro é proibida por lei desde 2000.

De acordo com o professor, uma política para evitar essa poluição seria a fiscalização das empresas que operam no mar, com treinamento e conscientização da equipe a bordo. O material que já está no local, no entanto, dificilmente será retirado. “Recolher esse lixo não é viável tanto do ponto de vista econômico quanto logístico.”

Microplástico

Outro impacto apontado é a presença de microplásticos no oceano, que pode também resultar do processo de fragmentação de pedaços maiores de plástico e, consequentemente, ser ingerido pelos organismos, inclusive aqueles importantes comercialmente, como a merluza, por exemplo.

Além disso, sabe-se que algumas espécies que migram verticalmente nos oceanos também podem ser uma fonte de microplástico para o mar profundo. “Algumas espécies de peixes ficam em regiões mais profundas durante o dia e à noite sobem para regiões mais rasas para se alimentarem. Eles servem como uma fonte de plástico para o mar profundo, porque podem comer o plástico da superfície e descer. Uma vez que são predados, esse material plástico pode passar na cadeia alimentar.”

Um indício de que os animais de mar profundo também consomem o que é despejado no oceano são grãos de milho e de soja encontrados no estômago de uma espécie de peixe-granadeiro coletada. Para entender melhor esse ciclo, o trabalho desenvolvido por Flávia em seu mestrado é o de estudar os impactos do lixo através da avaliação de microplástico ingerido pelos peixes apanhados no mesmo projeto. A próxima etapa será investigar a possibilidade de contaminação nos invertebrados encontrados em algumas amostras, como esponjas-do-mar, poliquetas e pequenos crustáceos.

Fonte: Jornal da USP

- divulgação -

segunda-feira, 4 de março de 2024

A importância de cachorros e gatos para pessoas idosas


Cachorros e gatos para pessoas idosas e para muitas pessoas representa uma relação familiar, na qual o amor, o carinho e a sensação de bem estar se manifestam. Além desses fatores, você sabe qual a importância dos denominados “pets” na vida das pessoas idosas?

Em uma rápida pesquisa em base de dados de produções científicas, como o Google Acadêmico, é possível identificar estudos de diversas naturezas que buscam correlacionar a interação de animais com pessoas idosas. De acordo com as produções científicas, essa interação pode colaborar, por exemplo, com o controle da pressão arterial de pessoas idosas residentes de instituições de longa permanência, terapias na área de fonoaudiologia, prevenção e superação de comportamentos suicidas e aspectos associados às demências.

Cachorros e gatos para pessoas idosas

Um estudo publicado por pesquisadores japoneses no mês de Outubro de 2023 descreve os benefícios do convívio de idosos com cães e/ou gatos. Cerca de 11.200 indivíduos com 65 anos ou mais foram acompanhados ao longo de quatro anos e passaram por avaliações de natureza cognitiva, sociodemográfica, psicossocial e hábitos de vida, como alimentação e prática de exercícios físicos.

Os resultados desse estudo indicaram que tutores de cachorros apresentaram 40% menor risco para o desenvolvimento de demência.

Outros dois fatores, além da tutoria de animal de estimação, foram associados a esses resultados: a atividade física e a interação social. Em conjunto os três fatores auxiliam na manutenção da qualidade física, cognitiva e psicológica de pessoas idosas.

Outro estudo, desta vez realizado por pesquisadores dos Estados Unidos, teve como objetivo investigar a relação entre pessoas com 50 anos ou mais que possuíam algum tipo de animal de estimação com variáveis cognitivas, físicas e psicológicas.

Neste estudo, 378 pessoas foram entrevistadas. Os resultados indicaram que tutores de cachorros apresentaram melhores resultados para a prática de atividades físicas diárias e os tutores de gatos apresentaram melhor desempenho nas habilidades de aprendizagem e memória semântica.

Apesar de encontrar estudos descritivos sobre a interação entre indivíduos idosos e animais de estimação em contexto brasileiro, esses estudos não apresentam uma amostra considerada grande e também não apresentam acompanhamento por um período de tempo elevado, o que dificulta a comparação com estudos internacionais. Também é válido destacar uma limitação de pesquisas que investigam os benefícios da interação entre idosos e animais de outras espécies, além dos cachorros.

Apesar dessas limitações, em resumo, a importância de animais de estimação como gatos e cachorros na vida dos idosos pode se manifestar nos aspectos:

• Psicológicos – corroborando com a redução de sintomas depressivos como a solidão e sintomas de estresse e ansiedade;

• Sociais – uma vez que a tutoria de um animal de estimação incentiva a interação social;

• Físicos – com o estímulo a prática de atividades como a caminhada, por exemplo.

Assina este artigo

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva. Gerontóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP). diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). Membro da diretoria da Associação Brasileira de Alzheimer- Regional São Paulo. É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo

Para reflexão:

O que não nos desafia, não nos faz mudar. Autor desconhecido

Você sabia:

Embora pensemos que nosso cérebro seja branco ou cinza, numa pessoa viva ele tem, na verdade, um tom rosado.

Resposta do desafio de Janeiro.

Se João fosse Maria, lago seria:

a) rio     b) córrego     c) mar     d) riacho     e) lagoa

Reposta: letra E.

Desafio de Fevereiro:

Há um saco cheio de grãos de café. Como você pode preencher completamente dois  sacos do mesmo tamanho com os grãos de café moído do primeiro saco?

Resposta na próxima edição.

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906

Unidade Boa Viagem

Telefone: (81) 30331695