sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Setembro Lilás: doença de Alzheimer o diagnóstico importa

 

Setembro é um mês marcado pela campanha de conscientização da doença de Alzheimer e outras demências. No Brasil, essa mobilização é frequentemente conhecida como Setembro Lilás e acompanha o World Alzheimer’s Month (Mês Mundial da doença de Alzheimer), campanha internacional coordenada pela Alzheimer’s Disease International (ADI). Todos os anos, pessoas, organizações e instituições de diferentes países se mobilizam para ampliar o conhecimento sobre as demências e enfrentar o estigma que ainda acompanha essas condições (ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL, 2026a).

O principal marco do mês acontece no dia 21 de setembro, Dia Mundial da Doença de Alzheimer. A data foi criada em 1994, durante a abertura da conferência anual da ADI, realizada em Edimburgo, na Escócia. O dia foi escolhido em comemoração aos dez anos da organização e marcou o lançamento do primeiro World Alzheimer’s Day, realizado pela ALZHEIMER’S DISEASE INTERNATIONAL (ADI) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o passar dos anos, a mobilização ganhou espaço para além de um único dia. Em 2010, foi realizada uma campanha-piloto envolvendo 12 países e, em 2011, teve início o Mês Mundial do Alzheimer. Desde então, setembro se tornou um período importante para ações de informações, diálogos e mobilizações sociais em torno das demências.

 No Brasil, o dia 21 de setembro também é reconhecido como Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer, instituído pela Lei nº 11.736/2008 e com iniciativas lideradas pela Federação Brasileira das Associações de Alzheimer. A lei estabelece que a data tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados dispensados às pessoas que receberam o diagnóstico. Embora a terminologia utilizada na lei reflita o período em que foi publicada, sua mensagem continua atual: o cuidado não se restringe à pessoa que recebe o diagnóstico, mas envolve também sua família, a sua rede de apoio e a sociedade.

De acordo com a OMS (2026), as demências estão entre os grandes desafios contemporâneos para a saúde e o cuidado. Em 2021, cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo, e aproximadamente 10 milhões de novos casos surgem a cada ano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum e corresponde a aproximadamente 60% a 70% dos casos.

Por trás desses números, no entanto, existem pessoas e famílias que precisam lidar com mudanças que nem sempre são facilmente reconhecidas ou compreendidas. A própria OMS destaca que, apesar de a idade ser o principal fator de risco conhecido, a demência não é parte do envelhecimento normal. Essa diferença é importante. Nem todo esquecimento significa doença, e algumas mudanças cognitivas podem ocorrer ao longo do envelhecimento. Porém, quando dificuldades de memória, linguagem, orientação, raciocínio ou realização de atividades habituais se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, é importante buscar uma avaliação adequada.

Ainda assim, o desconhecimento não é a única barreira. O diagnóstico de uma demência continua cercado por medo e preconceito. Muitas vezes, a pessoa passa a ser vista apenas a partir das perdas cognitivas, da dependência ou das dificuldades que podem surgir ao longo da progressão da doença. Estudos mostram que a forma como a demência é apresentada e discutida publicamente influencia as atitudes em relação às pessoas que vivem com essa condição. Uma comunicação baseada apenas em incapacidade e declínio pode reforçar emoções negativas e estereótipos. Por outro lado, abordagens que apresentam a pessoa para além do diagnóstico podem contribuir para atitudes mais positivas e menos estigmatizantes.

O estigma também continua presente nos espaços em que hoje buscamos informação. Ao analisar publicações feitas nas redes sociais durante o Mês Mundial do Alzheimer, Bacsu et al. (2025) identificaram estereótipos, crenças equivocadas e desinformação relacionados às demências. Para os autores, ampliar a educação sobre o tema é fundamental para enfrentar essas representações e melhorar a maneira como a sociedade percebe as pessoas que vivem com demência. Uma das principais mensagens do Setembro Lilás é que informação pode abrir caminhos para o cuidado. Reconhecer alterações cognitivas e procurar uma avaliação profissional permite investigar suas causas e compreender o que está acontecendo.

Quando há um diagnóstico de demência, isso não significa que “não há mais nada a fazer”. Existem possibilidades de tratamento e acompanhamento, intervenções farmacológicas e não farmacológicas, estimulação e reabilitação, orientação às famílias, adaptações na rotina e diferentes formas de suporte à pessoa que vive com a doença e a quem participa de seu cuidado. Em 2026, essa discussão está no centro da campanha mundial da ADI, que traz como tema “The Earlier You Know, The More You Can Do: A Dementia Diagnosis Matters” — em tradução livre, “Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer: o diagnóstico de demência importa” ou simplesmente: Alzheimer o diagnóstico importa.

A mensagem chama a atenção para um problema ainda presente em diferentes países: o medo, os estigmas e a falta de informações podem atrasar a procura por ajuda. Conhecer o diagnóstico, quando ele está presente, pode permitir acesso a tratamentos, cuidados e suporte, além de favorecer o planejamento e a participação da própria pessoa nas decisões relacionadas ao seu futuro.

Também não é possível falar de doença de Alzheimer sem olhar para quem está ao lado. Familiares e cuidadores frequentemente assumem novas responsabilidades ao longo da progressão da doença e precisam, eles próprios, de informações, orientações e suporte. O cuidado, portanto, precisa incluir não apenas quem recebe o diagnóstico, mas também as pessoas que compartilham essa trajetória.

Por isso, a conscientização proposta na campanha liderada pela FEBRAz no Setembro Lilás vai além de conhecer o nome da doença ou lembrar uma data no calendário. Ela envolve reconhecer sinais, buscar informação de qualidade, enfrentar preconceitos, favorecer o acesso ao diagnóstico e ao cuidado e, principalmente, não deixar que a doença apague a pessoa que existe para além dela. Falar sobre doença de Alzheimer é também falar sobre como queremos envelhecer e cuidar. Quanto mais informações circulam de forma responsável, maiores serão as possibilidades de construir uma sociedade preparada para conviver com as demências com mais conhecimento, respeito e acolhimento. Por isso o Supera  integra esta campanha com o evento Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro-2026.

Um evento realizado em parceria com a Associação Brasileira de Gerontologia (ABG) com especialistas das diferentes áreas, que trarão informações sobre prevenção, diagnóstico, tratamento, direitos e políticas públicas da doença de Alzheimer. Um evento gratuito, que acontecerá no contexto presencial e no formato remoto no canal do método Supera, @metodosupera, com emissão de certificado de participação.

Link para as inscrições: 

cadastro.metodosupera.com.br/lp-2026-despertando-a-sociedade

Assinam este texto, as gerontólogas:

Djessica Hilton Peixoto 

Kauane Macedo Barbosa 

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva

Para reflexão:

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. “Clarice Lispector”

Você sabia que:

Por mais surpreendente que possa parecer, o cérebro é responsável por mais conexões do que o número de estrelas da Via Láctea.

Resposta do desafio de Agosto

Numa sala há quatro cantos, em cada canto há um gato, cada gato vê três gatos. Quantos gatos estão na sala?

Resposta: Estão na sala 4 gatos.

Desafio de Setembro:

O que os números 2,10,12,16,18 e 19, têm em comum?

Resposta na próxima edição

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)

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