terça-feira, 15 de setembro de 2026

Candidatos pinóquios!

 Gazeta da Torre

De acordo com análises de professores e colunistas publicadas pelo Jornal da USP, os candidatos políticos mentem ou distorcem fatos durante as campanhas eleitorais principalmente por estratégia pragmática para angariar votos, apelo emocional e desvantagem competitiva.

O filósofo e professor da USP Renato Janine Ribeiro explica que muitas mentiras ocorrem na forma de promessas irrealizáveis. Segundo ele, para uma campanha ser considerada ética, ela deveria ser o mais verdadeira possível. No entanto, na busca pela vitória, os candidatos recorrem frequentemente ao que se chama de estelionato eleitoral: prometem o que sabem que não poderão cumprir porque percebem que o eleitorado muitas vezes prefere ouvir ilusões reconfortantes a verdades duras e complexas.

Em debates e análises promovidas pela Rádio USP, aponta-se que a mentira funciona como uma manifestação corrosiva no ecossistema político. Quando um candidato passa a utilizar a desinformação de forma sistemática e obtém vantagens com isso, ele coloca os adversários em desvantagem. Isso acaba forçando um ciclo vicioso onde outros atores políticos se veem tentados a flexibilizar seus compromissos com a verdade para não perder espaço na disputa.

As mentiras e narrativas manipuladas geralmente não focam na lógica, mas sim em despertar sentimentos profundos como medo, indignação ou esperança messiânica. Ao desviar o debate público de propostas técnicas e orçamentárias para focar em pautas puramente emocionais ou morais, os candidatos — especialmente os que buscam a reeleição estadual — conseguem mobilizar e fidelizar o eleitorado de maneira muito mais rápida e econômica.

Como bem sintetizou o professor Floriano Marques Neto em análises repercutidas na Faculdade de Direito da USP, a mentira é o maior perversor do processo eleitoral justamente porque ela altera o principal pilar da democracia: a formação livre e consciente da exclusão do eleitor.

Fonte: Rádio USP

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