Gazeta da Torre
De acordo com
análises de professores e colunistas publicadas pelo Jornal da USP, os
candidatos políticos mentem ou distorcem fatos durante as campanhas eleitorais
principalmente por estratégia pragmática para angariar votos, apelo emocional e
desvantagem competitiva.
O filósofo e
professor da USP Renato Janine Ribeiro explica que muitas mentiras ocorrem na
forma de promessas irrealizáveis. Segundo ele, para uma campanha ser
considerada ética, ela deveria ser o mais verdadeira possível. No entanto, na
busca pela vitória, os candidatos recorrem frequentemente ao que se chama de
estelionato eleitoral: prometem o que sabem que não poderão cumprir porque
percebem que o eleitorado muitas vezes prefere ouvir ilusões reconfortantes a
verdades duras e complexas.
Em debates e
análises promovidas pela Rádio USP, aponta-se que a mentira funciona como uma
manifestação corrosiva no ecossistema político. Quando um candidato passa a
utilizar a desinformação de forma sistemática e obtém vantagens com isso, ele
coloca os adversários em desvantagem. Isso acaba forçando um ciclo vicioso onde
outros atores políticos se veem tentados a flexibilizar seus compromissos com a
verdade para não perder espaço na disputa.
As mentiras e
narrativas manipuladas geralmente não focam na lógica, mas sim em despertar
sentimentos profundos como medo, indignação ou esperança messiânica. Ao desviar
o debate público de propostas técnicas e orçamentárias para focar em pautas
puramente emocionais ou morais, os candidatos — especialmente os que buscam a
reeleição estadual — conseguem mobilizar e fidelizar o eleitorado de maneira
muito mais rápida e econômica.
Como bem
sintetizou o professor Floriano Marques Neto em análises repercutidas na
Faculdade de Direito da USP, a mentira é o maior perversor do processo
eleitoral justamente porque ela altera o principal pilar da democracia: a
formação livre e consciente da exclusão do eleitor.
Fonte: Rádio
USP
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