terça-feira, 18 de julho de 2023

Até 2060, 40% da biodiversidade da Caatinga pode ser afetada pela mudança climática

 Gazeta da Torre

O clima do futuro na região deve ser ainda mais quente e seco, tornando-se mais difícil e impactante para as árvores, que devem ser substituídas por vegetação de baixo porte, especialmente gramíneas

Perda de espécies, substituição de plantas raras por outras mais generalistas e homogeneização de 40% da paisagem são as principais consequências das mudanças climáticas na Caatinga, bioma que tende a apresentar clima ainda mais árido no futuro. A previsão é de um estudo cujos resultados foram divulgados no Journal of Ecology.

Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Federal da Paraíba (UFPB), Federal de Pernambuco (UFPE), Federal de Viçosa (UFV) e do Instituto Federal Goiano (IFGoiano) se debruçaram sobre dados de coleções científicas, herbários e da literatura para compilar um banco de dados inédito, com mais de 400 mil registros de ocorrência de cerca de 3 mil espécies de plantas do bioma. Além da distribuição geográfica, foram agregadas informações sobre a forma de crescimento das espécies de plantas (gramíneas, herbáceas, vegetação arbustiva, plantas arbóreas ou suculentas), clima e solo onde ocorrem. Também foi calculada a proporção de espécies arbóreas em cada localidade versus a de não arbóreas.

Por meio de modelos avaliados e validados, com diferentes tipos de algoritmos estatísticos e inteligência artificial, foram feitas mais de um milhão de projeções com as possíveis respostas das espécies da Caatinga às mudanças climáticas do futuro.

“Baseamos nossas previsões no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2021, que contém simulações sobre o clima no planeta”, explica Mario Ribeiro de Moura, pesquisador da Unicamp e autor do trabalho.

“Mas vale lembrar que não sabemos como a humanidade vai se comportar daqui pra frente, por isso consideramos dois cenários: no otimista, surgirão tecnologias capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e viabilizar o Acordo de Paris [que prevê limitar o aumento da temperatura média global até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais]; já no pessimista, as taxas de desmatamento, o uso de combustíveis fósseis e o crescimento populacional se manterão elevados, sem que se avance em inovação.”

Os resultados do estudo, financiado pela FAPESP por meio de dois projetos (22/12231-6 e 21/11840-6), indicam que 99% das comunidades de plantas da Caatinga experimentarão perda de espécies até 2060. O clima do futuro na região deve ser ainda mais quente e seco, tornando-se mais difícil e impactante para as árvores, que devem ser substituídas por vegetação de baixo porte, especialmente gramíneas, por sua facilidade de se expandir e crescer. Como consequência, serão afetados também os serviços ecossistêmicos que a vegetação fornece para as populações, como fotossíntese, renovação do ar e armazenamento de carbono – os famosos estoques de carbono acontecem na forma de biomassa vegetal, acumulada nos troncos, raízes e folhas, que naturalmente é maior nas árvores.

Esses eventos serão mais visíveis em áreas montanhosas, como a Chapada Diamantina e a Chapada do Araripe, respectivamente no sul e no centro-norte do bioma. A explicação é simples: conforme o clima esquenta, espécies das baixadas se deslocam na montanha para continuar habitando uma região climaticamente mais satisfatória. Já as das porções mais altas acabam extintas. “Para o bioma inteiro, previmos, no cenário otimista, 50 espécies de plantas extintas e, no pessimista, 250”, diz Moura. “Ambos são muito ruins.”

Com tudo isso, 40% da região sofrerá uma simplificação de sua composição, com perda de espécies raras. “É como se pegássemos a paisagem e batêssemos num liquidificador para homogeneizar tudo.”

Projetos de mitigação

Com esses dados em mãos, a ideia dos pesquisadores é que a interlocução entre diferentes níveis de governo passe a considerar planejamentos de conservação em macroescala, com visão de longo prazo. Criar esse tipo de estratégia é importante tanto para mitigar os efeitos das mudanças climáticas quanto para cessar outros tipos de impacto de origem humana, como desmatamento, destruição de hábitats e degradação e exposição do solo.

“Projetos que recuperem a conectividade da paisagem em áreas sujeitas a impactos por mudanças climáticas, por exemplo, aumentam as chances de as espécies que ali vivem conseguirem se dispersar ao longo do tempo para regiões mais adequadas, seja por meio de animais ou pelo vento”, diz Moura. “Por outro lado, se impactamos demais a biodiversidade da região, por degradação e desmatamento da vegetação natural, uso generalizado de agrotóxicos ou caça, comprometemos ainda mais os recursos que temos daqui pra frente.”

Fonte: Oeco

Novo megamural da Boa Vista - Projetos que retratam através da arte o tema “Recife Cidade da Música”

 Gazeta da Torre

Novo megamural da Boa Vista, Recife/PE

Uma nova intervenção artística acaba de encher de cores e alegria a fachada do Edifício Santa Apolônia, localizado no bairro da Boa Vista. O megamural mais recente da cidade, intitulado "Recife Meu Amor" com autoria do artista Marquinhos ATG, busca celebrar a rica diversidade de expressões artísticas e culturais existentes na cidade. A iniciativa foi promovida pela Prefeitura do Recife, por meio da  Secretaria Executiva de Inovação Urbana (SEIURB), e contou com a parceria da Tintas Iquine. A obra, inspirada pelo tema "Recife Cidade da Música", resulta do Edital de Credenciamento para Realização de Intervenções Artísticas em Empenas Cegas, o primeiro do gênero em Pernambuco.

imagem do Instagram

Assim, o Recife se junta a outras capitais brasileiras, onde a pintura de murais em grandes empenas já é realidade. O "Recife Meu Amor" é o quarto megamural promovido pela Prefeitura do Recife em fachadas de prédios localizados no bairro da Boa Vista, região central da capital pernambucana. “A gente percebeu um olhar de felicidade das pessoas ao redor. Mas não é só o visual. O impacto causado aqui vai desde a gente que está pintando, a equipe que a gente formou, os moradores e o comércio ao redor. A ideia de fazer esse megamural é que as pessoas olhem para ele e vejam felicidade, festa e sintam a música tocar. Os ritmos, né? Eu queria que as pessoas olhassem para esse painel e tivessem esse sentimento de escutar todo aquele fervor do pernambucano, do recifense”, conta Marquinhos ATG.

Localizado na movimentada intersecção da Av. Conde da Boa Vista com a Rua do Hospício, o megamural abrange uma área de 390 m² e foi concebido com o auxílio de 519 litros de tinta fornecidos pela Tintas Iquine, parceira do artista. "Estamos em diálogo com os produtores da próxima empena, reafirmando o trabalho da Prefeitura do Recife em fortalecer a arte urbana em nossa cidade. Os megamurais são uma manifestação poderosa desse compromisso, evidenciando o poder transformador da arte em espaços públicos. Além de promover interação e diálogo, essas obras revitalizam as fachadas dos edifícios e têm o potencial de atrair turistas, impulsionando a economia criativa local", explica a secretária executiva de Inovação Urbana, Flaviana Gomes.

Entre chuvas persistentes e muita determinação, a obra foi concluída em apenas 15 dias de trabalho. O artista alugou um apartamento no mesmo prédio para facilitar a execução e abrigar a equipe composta por 12 profissionais. Entre eles estavam os artistas Leloboy, Dope e Luther, convidados por Marquinhos para participar da execução do megamural. “Levei em consideração suas experiências, histórias e, principalmente, a afinidade e admiração que tenho por eles. Esses profissionais têm um impacto transformador nas comunidades periféricas onde residem. A energia positiva presente em todos os dias foi o impulso necessário para que tudo se desenvolvesse de forma harmoniosa. Nossas conversas e a troca de experiências foram incríveis, e isso se refletiu no resultado final do painel, que transborda toda essa energia compartilhada”, acrescenta Marquinhos.

EDITAL MEGAMURAIS - Ao todo foram classificados 24 projetos que retratam através da arte o tema “Recife Cidade da Música”, onde dois deles estão concluídos e um está em andamento. A contratação para execução dos megamurais depende da disponibilidade de realização e capacidade técnica do proponente conforme exigência do edital, bem como à disponibilidade orçamentária durante o tempo da vigência. O valor pago pelos serviços prestados é de R$ 75 mil, correspondente ao tamanho padrão da empena de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) metros quadrados - ficando sob a responsabilidade do proponente credenciado a totalidade dos custos referentes ao planejamento e a execução  das intervenções artísticas em empenas cegas (fachadas sem aberturas) de edifícios de visibilidade pública no Recife.

Fonte: PCR

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Pessoas que perderam emprego para inteligência artificial

 Gazeta da Torre

Até pouco tempo, Dean Meadowcroft era redator em um pequeno departamento de marketing.

As funções dele incluíam redigir comunicados à imprensa, postagens em redes sociais e outros conteúdos para a empresa.

No fim do ano passado, no entanto, a companhia introduziu um sistema de inteligência artificial (IA).

"Na época, a ideia era trabalhar junto a redatores humanos para ajudar a acelerar o processo, simplificar um pouco mais as coisas", diz ele.

Dean Meadowcroft

"Meio que fez todo mundo parecer nivelado, em cima do muro, e exatamente igual, e, por isso, ninguém se destacava realmente."

O conteúdo também precisava ser verificado por uma equipe humana para garantir que não tivesse sido retirado de nenhum outro lugar.

Demissão

Mas a inteligência artificial era rápida. O que um redator humano podia levar entre 60 e 90 minutos para escrever, a IA era capaz de fazer em 10 minutos ou menos.

Cerca de quatro meses após a introdução da tecnologia, a equipe de quatro pessoas de Meadowcroft foi demitida.

Meadowcroft não tem certeza, mas está quase certo de que a IA os substituiu.

"Eu ria da ideia de que a IA pudesse substituir os escritores, ou afetar meu trabalho, até que isso aconteceu”, diz ele.

Trabalhos em risco

A última onda da inteligência artificial ocorreu no fim do ano passado, quando a OpenAI lançou o ChatGPT.

Com o respaldo da Microsoft, o ChatGPT pode dar respostas semelhantes às humanas a perguntas e pode, em questão de minutos, gerar redações, discursos e até receitas.

Outras grandes empresas de tecnologia também estão apresentando seus próprios sistemas — o Google, por exemplo, lançou o Bard em março.

Embora não sejam perfeitos, esses sistemas são treinados para buscar, no oceano de dados disponíveis na internet, uma quantidade de informações impossível de digerir até mesmo para uma equipe de humanos.

Isso faz com que muita gente se pergunte que tipos de empregos podem estar em risco.

No início deste ano, um relatório do Goldman Sachs dizia que a inteligência artificial poderia potencialmente substituir o equivalente a 300 milhões de empregos em tempo integral.

A perda de postos de trabalho não aconteceria da mesma forma em todos os setores da economia.

Segundo o relatório, 46% das tarefas administrativas e 44% das profissões jurídicas poderiam ser automatizadas, mas apenas 6% na área de construção e 4% na de manutenção.

O relatório também indica que a introdução da inteligência artificial poderia aumentar a produtividade e o crescimento e poderia gerar novos empregos.

Já existem algumas evidências disso.

O caso da IKEA

Em junho, a IKEA afirmou que, desde 2021, capacitou 8,5 mil funcionários que trabalhavam em seus call centers como consultores de design.

A empresa diz que 47% das chamadas dos clientes agora são atendidas por uma inteligência artificial chamada Billie.

Embora a IKEA não preveja nenhuma perda de emprego como resultado do uso de inteligência artificial, esses desdobramentos estão deixando muita gente preocupada.

Uma pesquisa recente do Boston Consulting Group (BCG), que entrevistou 12 mil trabalhadores de todo o mundo, descobriu que um terço estava preocupado com a possibilidade de ser substituído pela inteligência artificial no trabalho — e a equipe da linha de frente estava mais preocupada do que os gestores.

Jessica Apotheker, do BCG, diz que isso se deve em parte ao medo do desconhecido.

"Quando você olha para líderes e gestores, mais de 80% deles usam a inteligência artificial pelo menos semanalmente. Quando você olha para o pessoal da linha de frente, esse número cai para 20%. A falta de familiaridade com a tecnologia gera muito mais ansiedade e preocupação para eles em relação aos resultados."

Mas talvez haja um bom motivo para estar ansioso.

Um exemplo no YouTube

Por três meses no ano passado, Alejandro Graue fez trabalhos de dublagem para um canal popular do YouTube.

Parecia um tipo de trabalho promissor, todo o conteúdo do canal em inglês precisava ser dublado para espanhol.

Graue saiu de férias no fim do ano passado confiante de que haveria trabalho quando ele voltasse.

"Contava com esse dinheiro para viver. Tenho duas filhas, então preciso do dinheiro", diz ele.

Mas, para surpresa dele, antes de voltar ao trabalho, o canal do YouTube publicou um novo vídeo em espanhol — no qual ele não havia trabalhado.

Alejandro Graue

"Quando cliquei no vídeo, o que escutei não foi minha voz, mas uma voz gerada por inteligência artificial — uma dublagem muito mal sincronizada. Foi terrível. E eu fiquei pensando: O que é isso? Vai ser meu novo colega de trabalho no canal? Ou vai me substituir?", relembra.

Um telefonema para o estúdio em que trabalhava confirmou o pior. O cliente queria experimentar a inteligência artificial porque era mais barato e mais rápido.

O experimento acabou sendo um fracasso.

Os espectadores reclamaram da qualidade da dublagem e, por fim, o canal retirou os vídeos que apresentavam a voz gerada por IA.

Mas Graue não achou isso muito reconfortante.

Ele acredita que a tecnologia só vai se aperfeiçoar e se pergunta onde vão parar os dubladores como ele.

"Se isso começar a acontecer em todos os trabalhos que eu tenho, o que devo fazer? Devo comprar uma fazenda? Não sei. Que outro trabalho eu poderia procurar que não será substituído também no futuro? É muito complicado", diz ele.

Colaboração

Se a IA não substituir o seu trabalho, é provável que você precise começar a trabalhar com ela de alguma forma.

Após alguns meses de trabalho como freelancer, o ex-redator Dean Meadowcroft tomou um novo rumo.

Ele agora trabalha para um provedor de assistência a funcionários, que oferece conselhos de bem-estar e saúde mental às equipes.

Trabalhar com inteligência artificial faz parte agora da sua função.

"Acho que é aí que está o futuro da inteligência artificial, oferecendo acesso rápido ao conteúdo liderado por humanos, em vez de eliminar completamente esse aspecto humano", diz ele.

Fonte: Ian Rose, Repórter de negócios da BBC News

domingo, 9 de julho de 2023

Encolhimento das metrópoles revela deslocamento populacional para cidades menores

 Gazeta da Torre

Recife (PE) -  vista aérea

Após dois anos de atraso, ocasionado pelo corte de verbas do governo Bolsonaro e a situação pandêmica, os primeiros dados do Censo Demográfico 2022 começaram a ser divulgados na última semana de junho. Um dos dados inéditos levantados pelo IBGE é o encolhimento populacional nas grandes cidades. Assim, mesmo que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro continuem crescendo, existe uma relativa diminuição populacional em capitais como Salvador, com queda de 9,6%, e Natal, com 6,5%. Paralelamente a isso, as cidades médias e pequenas têm recebido cada vez mais moradores em busca de uma melhor qualidade de vida.

Motivações

Alex Abiko,  professor de Gestão Urbana e Habitacional da Escola Politécnica da USP,  explica que esse fenômeno de deslocamento da população para cidades menores pode ser observado como um reflexo da piora na qualidade de vida em grandes centros. Aspectos como o aumento da violência e do custo de vida, além da piora dos serviços públicos  nas metrópoles são considerados pelos residentes que decidem se mudar.

Assim, moradores estabelecem um comparativo com o cenário sobrecarregado de grandes cidades com uma ideia de uma qualidade de vida melhor em cidades pequenas. “No entanto, eu queria afirmar que essa é mais uma percepção dos moradores em relação às cidades médias, mais do que realmente aquilo que está acontecendo”, ressalta Alex Abiko.

Consequências

A migração de cidades grandes e cidades menores, inevitavelmente, irá provocar mudanças no funcionamento urbano e público de ambas, mesmo que com efeitos diferentes. Por exemplo, de acordo com o professor, o esvaziamento dos grandes centros pode ser benéfico, já que, com o menor número de pessoas utilizando a mesma infraestrutura, pode haver um aumento na qualidade de vida.

Por outro lado, há uma maior dificuldade das cidades menores lidarem com a chegada de um volume populacional maior do que o suportado por suas políticas públicas. Abiko comenta que essa possível sobrecarga é explicada pelo fato de não existirem recursos e infraestrutura suficientes para lidar com o fenômeno. Assim, não se trata de uma falta de planejamento, uma vez que o governo não espera um crescimento populacional repentino.

“Esse movimento pode criar um grande problema nas cidades médias, que até então tinham uma boa qualidade de vida”, prevê o professor ao alertar sobre uma possível sobrecarga das políticas públicas.

Cenário

Apesar dessa perda populacional nas metrópoles ser considerada inédita pelo novo estudo do IBGE, o especialista explica que já havia sido detectada uma tendência mundial de desaceleração do crescimento populacional. Pode-se observar que essa queda está diretamente relacionada com o fenômeno de urbanização de países em desenvolvimento.

Dessa forma, a partir do processo de urbanização das cidades nota-se uma série de tendências de transformações, como a diminuição do tamanho das famílias brasileiras. Dado que pode ser relacionado com a queda de 18,7% no número de pessoas por domicílios, de acordo com o Censo de 2022.

Fonte: Jornal da USP

- divulgação -

sábado, 8 de julho de 2023

COPA DO MUNDO FEMININA – 2023 I Com psicóloga e ginecologista, seleção feminina valoriza saúde das atletas na Copa

 Gazeta da Torre

Delegação brasileira leva Núcleo de Saúde e Performance para a Copa do Mundo da Austrália

A Seleção Brasileira Feminina já chegou à Austrália, onde vai disputar a próxima Copa do Mundo de Futebol, celebrando conquistas: viagem em voo fretado na última segunda-feira (3) e a recente criação de uma equipe de  saúde multidisciplinar, o chamado "Núcleo de Saúde e Performance".

Quanto ao voo, os benefícios são muitos. O time tem a possibilidade de "tratar a atleta na individualidade", fazer testes cognitivos e "trabalhos para evitar o desgaste" como não conseguiriam num voo comercial.

Já o núcleo promove ganhos maiores ainda, com médicos, fisioterapeutas e profissionais da nutrição, psicologia e ginecologia atuando na preparação das atletas.

"Esse núcleo de saúde e performance também pensa em fatores de como minimizar jet lag, melhorar parte física, parte nutricional. É um núcleo fantástico e inédito, não tem nem na masculina ainda", disse Ana Lorena Marche, gerente de seleções femininas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), segundo a coluna Elas na Área, do Placar.

De acordo com o portal Terra esportivo, a própria convocação para a Copa, na última semana, já foi um registro histórico. Isso porque duas mulheres estiveram à frente do processo - Ana e a treinadora do time, Pia Sundhage.

Atenção à saúde

Essa atenção com a saúde física e mental das atletas vem ganhando espaço nos últimos tempos. A ausência de psicólogo na delegação para a copa masculina repercutiu mal ano passado.

Ao falar sobre o assunto no programa "Bem, Amigos", do sportv, o então técnico Tite reconheceu a importância de um acompanhamento emocional e disse que já tinha "assessoramento de pessoas suficientemente abalizadas" para conduzi-los "nessa seara psicológica".

De acordo com reportagem do Estadão feita à época, o argumento para dispensar a presença de um psicólogo foi o tempo da competição: apenas um mês. A avaliação foi de que o tempo era curto para criar conexão e confiança entre os atletas e o profissional.

Foco na saúde mental

Mas essa não parece ser a visão na seleção feminina, afinal a Copa que acontecerá a partir do próximo dia 20 de julho na Austrália e Nova Zelândia, também tem duração de um mês. Pela primeira vez, o time conta com a experiência de Marina Gusson, psicóloga do esporte, na delegação enviada para o mundial.

Para a também psicóloga Larissa Fonseca, esse suporte significa melhor autocontrole, foco, posicionamento assertivo e até mais precisão de movimentos, afinal, a psicóloga vai atuar na integração da equipe, percebendo momentos críticos e falhas a corrigir.

“É extremamente importante ter uma psicóloga em situações onde precisamos ter alta eficiência. Essa exigência é estressante, aumenta a ansiedade e pode gerar consequências como a instabilidade emocional. Além disso, a pressão interna e as situações inesperadas (como perder uma jogada, uma lesão ou um adversário inesperado), nos demanda autocontrole emocional”, afirma Larissa, especialista em ansiedade, em entrevista ao Terra.

Ela lembra que, no geral, as emoções precisam ser contidas e transformadas em pensamentos relacionados à motivação, conquista e sucesso para o grupo. Quando essa base emocional é trabalho, o retorno é o desenvolvimento da inteligência emocional.

Saúde integrada

Entre os profissionais de saúde na delegação também estão dois médicos, preparadora física, fisiologista, dois fisioterapeutas e dois massagistas, segundo informado pela assessoria de comunicação da seleção. O time ainda conta com ginecologista e nutricionista no Brasil, que atuam junto ao grupo de performance.

A fim de entender como atua um nutricionista esportivo, o Terra ouviu a especialista Renata Brasil, que destaca a importância desse trabalho tanto para o rendimento do atleta quanto para a recuperação muscular. "A gente precisa focar muito na recuperação, na reparação do sono, que é o que vai preparar as jogadoras para o dia seguinte - de treino ou de jogo", frisa a nutricionista da Clínica Soloh de Nutrição.

"Tem a questão da hidratação, de não perder os sais minerais que são fundamentais até mesmo pra evitar câimbras ou dores musculares, então manter as jogadoras sempre hidratadas com os micronutrientes que são fundamentais, como zinco e magnésio", completa.

Já a saúde íntima das atletas é cuidada pela ginecologista Tathiana Parmigiano, especialista em Medicina Esportiva,. Para a também ginecologista Monique Novacek, ter o acompanhamento de uma especialista no assunto antes do torneio foi um acerto porque a profissional pôde acompanhar e tratar eventuais alterações no ciclo menstrual das jogadoras.

"A gente tem alterações hormonais, principalmente do cortisol que pode alterar todos os nossos outros hormônios, como estrogênio e progesterona, que acabam afetando o fluxo menstrual. Então, em situações de muito estresse, tem pacientes que têm alteração de ciclo", exemplifica a médica, também obstetra e mastologista da Clínica Mantelli, ao Terra.

Outra possibilidade, também decorrente do estresse, são alterações na microbiota vaginal, o que leva ao corrimento. Tudo isso só reforça a importância de manter uma equipe de saúde multidisciplinar para atender as atletas e promover as melhores condições físicas e mentais para que elas disputem o título.

Fonte: Ailma Teixeira, Reporter

- divulgação -

quarta-feira, 5 de julho de 2023

‘Manicômio tributário’ não se resolve sem a reforma da máquina pública, alerta economista

 Gazeta da Torre

Paulo Rabello Castro, economista

Há décadas em busca de uma nova formulação do sistema tributário, ainda não está claro ao País qual será o desenho a ser adotado na eventual reforma que se promete realizar ainda em 2023, mas já é crescente o receio de que piore o que já se tem hoje, o que seria um cenário problemático para as empresas.

“O manicômio tributário não se resolve sem a reforma da máquina pública, que não se trata apenas de uma modernização administrativa, mas uma rumo à eficiência. Estaremos ‘enxugando gelo’ em qualquer Reforma Tributária se tivermos que correr atrás de despesas que se aceleram e se expandem acima do PIB — e a despesa pública, hoje, não cabe no PIB”, alerta Paulo Rabello de Castro, Mestre e doutor em Economia pela Universidade de Chicago, nos EUA, em entrevista ao Canal UM BRASIL – uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

“Para um governo que quer só manter a carga, promete-se que não haverá nenhuma avaliação do controle do gasto. E com uma alíquota apenas, cometeremos fortíssimas injustiças. Há alíquotas de 5%, de 12%, de produtos que chegam nos supermercados a 15%, de 21% etc. Ao se fazer convergir alíquotas diferenciadas, nivelando-as para cima, e depois prometer uma devolução, esse é um purismo estúpido”, defende o economista.

Na entrevista, Castro também fala sobre Estados e municípios. “Prefeitos e prefeitas ficam temerosos de perder o controle dos atuais mecanismos de tributação. O serviço é extremamente importante, uma área que cresce a cada dia. É certo que precisamos unificar gradualmente essas bases, mas não adianta querer fazer tudo ao mesmo tempo. Temos de respeitar a base tributária municipal”, conclui.

Fonte: UM Brasil

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domingo, 2 de julho de 2023

Sport fecha como novo fornecedor de alimentos e bebidas para dia de jogos, que será exclusivo na Ilha

 Gazeta da Torre

Estádio Aldemar da Costa Carvalho

O Sport Club do Recife fechou uma parceria com um novo fornecedor de alimentos e bebidas, que será exclusivo na Ilha do Retiro em dias de jogos do Clube. Trata-se da empresa Grand Bar e Eventos, cuja operação já começa a funcionar a partir deste domingo (02), quando o Leão enfrenta o Ceará, pelo Campeonato Brasileiro. E haverá promoções, bem como atrações e condições especiais.

A mudança operacional e o novo fornecimento têm como objetivo oferecer uma melhor experiência aos rubro-negros, com mais e diversas opções gastronômicas para o usufruto do torcedor. Desta forma, a partir de então, está restrita a entrada de alimentos e bebidas na sede da Ilha do Retiro e nos bolsões de acesso aos setores.

A nova operacionalização, que presta serviço em outras arenas do Brasil, ofertará esfirras, pizzas, sanduíches e açaí. O fornecimento de bebidas, inclusive, também contará com uma maior variedade nas marcas de cervejas da Ambev, que servirá também Becks, Spaten, Skol Beats Sense, Budweiser Zero e Red Bull, além da Brahma Chopp e Duplo Malte – as duas últimas, inclusive, terão promoção no bolsão de acesso da sociais, por R$ 5 e R$ 7, respectivamente, entre às 16h e às 17h.

A Ilha do Retiro, inclusive, contará com 130 pontos de pagamento em todos os setores do estádio. Os volantes, que transitam, aceitam pix e cartão, enquanto os caixas recebem Pix, cartão e dinheiro. Os bares também serão equipados com TV para que a torcida não perca nenhum momento do jogo enquanto dirige-se para comprar alimento ou bebida.

Fonte: Sport Club do Recife

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terça-feira, 27 de junho de 2023

Brasil pretende aprovar leis eólica offshore e hidrogênio verde até o final do ano, diz ministro da energia

 Gazeta da Torre

Ministro da Energia, Alexandre Silveira

O Brasil pretende aprovar uma estrutura regulatória para energia eólica offshore e hidrogênio verde até o final deste ano, disse o ministro da Energia do país à Reuters nesta terça-feira, enquanto o maior país da América Latina busca desbloquear novos setores para abastecer seus transição energética.

O presidente esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva apostou sua reputação internacional na reformulação das credenciais ambientais do Brasil, que foram derrotadas por seu antecessor de extrema direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula e seus assessores adotaram a transição para uma economia verde como foco de suas políticas de desenvolvimento impulsionadas pelo Estado.

Como parte desses esforços, o ministro da Energia, Alexandre Silveira, destacou um próximo leilão de linhas de transmissão para transportar energia solar e eólica onshore do nordeste do país para usinas no sul. Com um piso de R$ 16 bilhões, o leilão pode liberar R$ 200 bilhões (US$ 41,79 bilhões) em investimentos, disse ele.

Atualmente, o Brasil não possui legislação em vigor para regular a energia eólica offshore e o hidrogênio verde. No início de janeiro, o governo brasileiro emitiu um decreto que abriu espaço para o desenvolvimento da geração de energia eólica offshore no país. Algumas empresas, como Shell e Equinor , demonstraram interesse.

"Acreditamos que até o final do ano teremos uma estrutura regulatória segura para plantas offshore para apresentar ao mundo", disse Silveira, explicando que seu ministério também espera ter regulamentação para projetos de hidrogênio verde no mesmo período.

"O hidrogênio verde é uma possibilidade real para expandirmos muito nossa posição em energia limpa e renovável", disse ele.

As esperanças de Lula por uma economia verde surgem quando a petrolífera estatal Petróleo Brasileiro enfrenta desafios para reabastecer suas reservas de petróleo.

Os reguladores ambientais frustraram recentemente as esperanças da Petrobras de explorar perto do rio Amazonas, onde pretendia fazer sua primeira grande descoberta doméstica de petróleo em mais de uma década.

Silveira disse ainda acreditar que é importante para a Petrobras explorar a Foz do Amazonas, onde o maior rio do mundo se encontra com o Oceano Atlântico, desde que a empresa siga as regras ambientais.

Após esse revés regulatório, a Reuters informou que a Petrobras pode olhar para o exterior em busca de crescimento futuro. Questionado sobre sua opinião, Silveira disse que embora a empresa ainda tenha "muito a fazer no Brasil... nada impede que ela também tenha uma visão mundial quando se trata de sua estratégia internacional".

Silveira disse que o governo tomará uma decisão sobre a retomada das obras da usina nuclear de Angra 3 ainda este ano. As obras, orçadas em R$ 20 bilhões, representam um "grande desafio", disse Silveira, já que o governo deve conciliar a necessidade de segurança energética com custos provavelmente mais altos para os consumidores.

Reportagem de Catarina Demony e Miguel Pereira em Lisboa, Edição de Gabriel Stargardter e David Evans - Reuters

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segunda-feira, 26 de junho de 2023

O futuro da moda é circular

 Gazeta da Torre


Em 2022, Natália Ba, bacharel em Negócios da Moda, mestre em Gestão de Design e criadora da marca Guilla Brazil, conversou com a mediadora Juliana Bastos, mestranda do curso de Têxtil e Moda da USP, voluntária do Sustexmoda  sobre algumas questões que envolvem a circularidade da moda. A convidada desenvolve e gerencia produtos sustentáveis, voltados para empresas que desejam adaptar seu modelo de negócios à economia circular da indústria da moda.

Ela explica na live – ‘O futuro da moda é circular - Natália Ba’ (YouTube) que, de modo geral, o que rege a indústria da moda atualmente é a economia linear, que compreende os processos de extração, produção, consumo e descarte de um produto. Na economia circular, a cadeia têxtil deve acontecer em um círculo fechado, onde a matéria que entra jamais pode ser descartada, ela deve ser reaproveitada e passar por um novo ciclo de usabilidade. Os princípios bases desse ecossistema englobam um ciclo biológico e um ciclo técnico.

O ciclo biológico procura eliminar resíduos e poluição desde o princípio da produção, manter os materiais em uso e regenerar os sistemas naturais. Já no ciclo técnico, a matéria deve passar por processos que mantenham ou prolonguem seu ciclo de vida, sejam eles reciclagem, remanufatura, reutilização ou redistribuição. Para Natália, não há como discutir sustentabilidade sem abordar a economia circular.

Durante a live, ela também diz que desenvolveu sua tese de mestrado voltada para todos os agentes responsáveis pela produção e descarte indevido de lixo têxtil. Para além das ações de empresas, ela investigou de que maneira os consumidores poderiam participar e colaborar para o desenvolvimento de uma cadeia têxtil mais sustentável.

Tanto sua pesquisa quanto um relatório sobre consumidores responsáveis do Instituto Akatu — organização sem fins lucrativos que mobiliza o consumo consciente — indicaram que o público deseja que as marcas atuem de forma sustentável, mas não querem se responsabilizar com o descarte da compra. “Se o consumidor quiser jogar uma peça no lixo, não temos o que fazer. Mas se nós, marcas e professores, fizermos uma pesquisa e educarmos esse consumidor, acredito que conseguiremos mudar isso”, afirmou Natália.

Algumas soluções encontradas pela convidada seriam o upcycling, o downcycling e a reciclagem. O upcycling, como citado anteriormente, é um processo de transformação de resíduos têxteis em novos materiais com melhor qualidade e valor ambiental. A reciclagem é a recuperação de um produto para que ele possa ser reutilizado sem perder suas características técnicas. Já o downcycling é um método de reciclagem geralmente utilizado em materiais que não podem ser reciclados continuamente, como o plástico. Esse processo confere menor qualidade e durabilidade ao objeto, ainda que auxilie a diminuir o descarte inapropriado.

Além dessas práticas, Natália cita a logística reversa, processo no qual o consumidor devolve um produto usado para o comerciante e/ou distribuidor do qual comprou, concedendo a oportunidade de reaproveitamento do material para a empresa.

O aspecto mercadológico da problemática também foi abordado durante o bate-papo. Segundo Natália, é necessário observar quais processos são empregados em cada empresa para ser possível revertê-los em estratégias sustentáveis gradualmente. Mas ela alerta que é preciso ter cuidado para não praticar o greenwashing — técnica de marketing que promove discursos, ações e propagandas sustentáveis que não se sustentam na prática.

*Assista a live na íntegra: 'O futuro da moda é circular - Natália Ba'  

https://www.youtube.com/watch?v=Zd_Ch72XWe4

Fonte: Jornal da USP

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terça-feira, 20 de junho de 2023

O fole roncou! Uma história do forró

 Gazeta da Torre

Um dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros, o forró tem uma história cheia de episódios marcantes. Nascido a partir da mistura de ritmos nordestinos como baião, xaxado, coco, arrasta-pé e xote, existe há mais de sete décadas, sobrevivendo aos muitos modismos.

O Fole Roncou! reconstitui sua trajetória e revela histórias curiosas e divertidas de grandes nomes da música popular, como Luiz Gonzaga, personagem central dessa trama; Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Anastácia, Antonio Barros e Sivuca.

O livro exigiu três anos de trabalho, cerca de 80 entrevistas e pesquisas em acervos da Paraíba, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro. Simultaneamente, os autores Carlos Marcelo e Rosualdo Rodrigues foram construindo a narrativa, sempre guiados por conversas e – muitas – descobertas. O resultado é um livro cheio de histórias contagiantes, marcadas pela sanfona, por muito suor e chamego.

Sobre os autores

Paraibano de João Pessoa, Carlos Marcelo Carvalho é formado em jornalismo pela UnB. Foi repórter, editor de cultura e editor-executivo do Correio Braziliense e um dos ganhadores do Prêmio Esso 2005 (na categoria Primeira Página). Desde 2011, é editor-chefe do Estado de Minas. Escreveu os livros Nicolas Behr: eu engoli Brasília (2003) e Renato Russo: o filho da revolução (2009).

Rosualdo Rodrigues nasceu em Coremas, interior da Paraíba. Formou-se em jornalismo pela UFPB e trabalhou no Jornal de Brasília e no Jornal da Paraíba nas funções de redator, repórter e secretário de redação. A maior parte da carreira, porém, foi desenvolvida no Correio Braziliense, como subeditor de cultura, repórter e crítico musical (1992-2002), atividades que voltou a exercer, no mesmo jornal, a partir 2008.

Fontes: Amazom; Livraria 30Porcento;

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Além do preconceito de gênero, mulheres negras têm trabalho em dobro para comprovar capacidadena ciência e na tecnologia

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Doutora Sonia Guimarães

Durante muito tempo, foi difundido na sociedade que o cérebro da mulher não era biologicamente capaz de lidar com temas complexos — como os relacionados às ciências exatas —, deixando de liderar uma nação e todas as áreas inerentes ao interesse coletivo, como Economia, Tecnologia, Segurança e Saúde. No Brasil, em especial, essa barreira historicamente sempre foi imposta desde cedo às meninas. A reflexão é de Sonia Guimarães, doutora em Física e professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das mais prestigiadas instituições de ensino brasileiras. Sonia é a primeira mulher negra do País a se tornar doutora em Física.

“Até 1996, mulheres eram impedidas mesmo de prestar vestibular para o até ITA. Hoje, as melhores notas do vestibular são de mulheres. A melhor nota dentre quem se seguiu em 2022 foi de uma mulher, com 9,5 em todas as engenharias. A luz no fim do túnel para elas está em parar de acreditar na história de que são menos capazes. As campeãs das Olimpíadas de Física e Matemática são meninas; os países que menos tiveram mortes por covid-19 têm presidência feminina ou uma mulher como ministra da Saúde. Elas não são menos capazes, só estão chegando ao poder aos poucos”, argumenta. Desde o início da década de 1990, Sonia já lecionava no ITA, a única mulher negra dentre as pouquíssimas no campus, tendo em vista que, na época, elas não podiam ingressar como estudantes.

No bate-papo, a cientista ressalta que a melhor forma de atrair o público feminino desde cedo para carreiras que envolvem ciências exatas e tecnologia é mostrar os exemplos de mulheres que não apenas não acreditavam na falácia da incapacidade, como também estão chegando aos mais altos cargas e posições, representando, inclusive, 70% das publicações científicas do País.

Fonte:UM Brasil

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A 23ª Fenearte - entre os dias 5 e 16 de julho

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A Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) será realizada entre os dias 5 e 16 de julho de 2023

A edição deste ano tem como tema "Loiceiros de Pernambuco - Arte da terra, poesia das mãos", em homenagem à arte feita com barro por povos indígenas.

O evento, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), é um dos mais aguardados do calendário anual para artesãos e artesãs de Pernambuco e uma das maiores do Brasil.

A edição seguirá o mesmo padrão das demais já realizadas e funcionará das 14h às 22h durante os 12 dias de feira.

O espaço contará com 5 mil expositores inspirados pelo espaço de 30 mil m². Além disso 26 estandes com artes de outros países como Angola, Emirados Árabes, Filipinas, Peru, Turquia e Tailândia.

Os visitantes, por sua vez, podem comparecer à feira durante os dias de programação. A entrada custará em média R$15,00 inteira, bem como R$7 a meia entrada.

Feneart

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segunda-feira, 5 de junho de 2023

Retórica da moralidade domina debate público e valoriza mais governantes do que instituições

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Em um discurso inflamado, um deputado recentemente cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levantou as bandeiras da religião e da moralidade contra uma decisão jurídica. Apesar do estranhamento na repercussão desse episódio nas redes sociais, as ideias de que a sociedade brasileira precisa ser cristã, da família branca, heterossexual e temente a Deus conversam com uma parcela grande da sociedade e não irão desaparecer, de forma que a esquerda se engana ao pensar que essas crenças estão apenas associadas a um modo de vida tradicional que irá sumir com a modernização, defende Angela Alonso, professora de Sociologia na Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

Na entrevista ao Canal UM BRASIL, uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), ela fala sobre os dez anos dos protestos de junho de 2013, que culminaram, anos mais tarde, no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O tema é tratado no seu livro recém-lançado Treze: a política de rua de Lula a Dilma. A entrevista marca a estreia da série Brasil com S, que surge da parceria entre a revista Exame e o UM BRASIL — e que trará diversos nomes dos cenários nacional e internacional para debater os principais temas do País.

Um dos pontos que Angela avalia no bate-papo, comandado pelos jornalistas Gilson Garrett Junior e Vinícius Mendes, é como, durante os últimos dez anos, a moralidade tenha se tornado um tema predominante na política, nas manifestações e nos discursos. Para ela, é preciso contextualizar a “grande-angular da moralidade”, ou seja, como o tema vem, cada vez mais, permitindo se juntar, como que debaixo de um guarda-chuva, os que eram “injuntáveis”: pessoas pró-mercado e defensores das liberdades individuais, assim como os favoráveis ao regime militar e superautoritários. “E ainda coube os evangélicos, em defesa da moralidade privada. Esse grande ‘guarda-chuva moralizador’ que foi juntando gente se mostrou um dos grandes temas de junho de 2013, sem contar os protestos subsequentes. [O discurso que vemos hoje] é menos sobre o que os governos de esquerda fizeram e mais sobre como isso foi lido por essa parte da sociedade”, enfatiza.

A socióloga ainda explica que, para a direita brasileira, a discussão em torno de temas mais caros à esquerda, como os problemas sociais do País, nunca é encarada de fato, em decorrência do receio de se perturbar a hierarquia social. Contudo, esse mesmo grupo novamente apela à moralidade quando defende que, antes de discutir as políticas contra a desigualdade, é preciso que exista um governo moralmente impoluto. “Essa retórica da moralização passou a dominar o debate político, de que são os bons governantes que devem ser valorizados, e não as boas instituições e as boas políticas”, sinaliza. “Os discursos recentes de parlamentares continuam tentando trazer de volta a conversa para o plano da moralidade e tirá-la da desigualdade.”

Movimentos nas ruas a partir das jornadas de junho de 2013

Na entrevista, Angela explica que uma parte do que vimos em 2013 cresceu nos anos seguintes. “Junho era um mosaico com muitos grupos e movimentos, com objetivos e agendas diferentes, que estiveram ao mesmo tempo nas ruas, pois tinham em comum o partido do governo federal — mas não havia um projeto e uma direção em comum”, destaca. Nos anos seguintes, as ruas foram tomadas por movimentos de feições mais liberais, conservadoras, e outros francamente reacionários.

Há algumas definições para o que foi aquele momento: crise de representação, reação contra o sistema político e a tese do “sequestro” (uma das mais predominantes atualmente), que defende que se tratava de um protesto de esquerda, mas que a direita tomou conta. “O ponto que eu defendo no livro é que não foi só nem uma coisa nem outra. Todas essas forças estavam, ao mesmo tempo, nas ruas. Quando ‘andamos’ apenas de junho para frente, acabamos considerando que foi aquilo que produziu o bolsonarismo. Eu fui olhar o passado para entender as origens desses movimentos”, afirma.

A socióloga ainda lembra que os protestos foram considerados pelo governo federal, à época, como de esquerda, de modo que as políticas de resposta ocorreram apenas nessa direção. Contudo, o slogan inicial dos protestos — contra o aumento de R$ 0,20 no aumento da passagem de ônibus em São Paulo — foi criado por gente que não pertencia à esquerda. “Essa parte da rua não foi chamada para negociar naquele momento. A gente pode pensar o que teria acontecido se os movimentos de feição mais liberal e conservadora também tivessem sido considerados. Será que não teriam deixado a rabeira autoritária no sereno?”, questiona.

UM Brasil

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