quarta-feira, 18 de maio de 2016

Leitores do Gazeta da Torre: Atenção para a importância da Limpeza de Pele

Coluna Saúde e Bem-estar do Gazeta da Torre  - Por Dra. Mileny Almeida - Fisioterapeuta da FisioDermatus/Torre



Se você acha que seus esfoliantes faciais e ácidos podem limpar plenamente sua pele, você está enganada!! A verdade é que terapias combinadas, em qualquer área, seja da beleza, como da saúde, podem trazer resultados surpreendentes.

 Para que você entenda, o processo de regeneração cutânea acontece a cada 30, 40 dias, portanto esse é o intervalo mínimo entre as sessões. Nos casos de poucos cravos e uso caseiro de esfoliante, o procedimento pode ser realizado a cada 2 ou 3 meses, sempre de acordo com a avaliação e recomendação do profissional

Afinal, por que aderir a limpeza de pele? Imagine que sua pele, assim como seu quarto, precisa de uma faxina periódica. A diferença é que sua pele é algo que te acompanha 24 horas por dia, está exposta a poluição, resíduos, sujeira, maquiagem,  sebo, células mortas e isso vai ser assim todos os dias da sua vida, ou seja, o cuidado deve ser regrado e redobrado.

A limpeza de pele promove um detox fundamental à cútis: remove células mortas, desobstrui os poros, extrai cravos abertos (pontos pretos), cravos fechados (pontos brancos) e milium, aquelas bolinhas brancas que são cravos mais resistentes, cobertos por uma camada de pele. Além do mais, melhora a condição da pele, clareia e até pode reduzir a produção de sebo. A importância da limpeza de pele não se resume apenas à remoção de cravos e espinhas. Ela elimina a sujeira, controla o excesso de oleosidade, afina o extrato córneo, proporciona maior permeabilidade cutânea e retira o acúmulo de células mortas da camada córnea, o que favorece a hidratação e, consequentemente, previne o envelhecimento, além de deixar a pele saudável, com aparência mais jovem e limpa.E além de todos esses benefícios, após a limpeza todos os cremes que você usa penetrarão mais facilmente na sua pele, pois os poros estarão limpos!! 

A cada limpeza de pele você nota sua pele mais uniforme, com mais viço.

Então não perca tempo e agende sua limpeza de pele com uma de nossas fisioterapeutas especialistas em fisioterapia dermato-funcional! A Fisiodermatus tem 10 anos de experiência no mercado!!


Dra. Mileny Almeida( Fisioterapeuta da FisioDermatus- 3055-0558) 



domingo, 15 de maio de 2016

15 de MAIO - Dia INTERNACIONAL DA FAMÍLIA






MERCADO DA MADALENA - REGISTRO 30042016

Gazeta da Torre


O MERCADO DA MADALENA, um dos mais tradicionais e conhecidos mercados do Recife. Ponto de encontro das amizades antigas e dos boêmios que dão mais vida e música ao espaço.

No vídeo, o cantor Eduardo Abrantes, em suas apresentações no Mercado da Madalena divulgando seu CD - Dois Tempos. O seu novo trabalho tem participações especiais de Irah Caldeira na música Vida e Maciel Melo na música Passatrilho.


Um ótimo trabalho realizado pelo nosso artista e frequentador do Mercado da Madalena, Eduardo Abrantes.



segunda-feira, 9 de maio de 2016

CONTINUA A CAMPANHA DE IMUNIZAÇÃO NAS UNIDADES DE SAÚDE DE RECIFE - POLICLÍNICA LESSA DE ANDRADE NA MADALENA É UMA DELAS


Mais de 200 mil pessoas, dentro do grupo prioritário que deve receber a vacina contra influenza no Recife, o equivalente a 45% do público-alvo, estão imunizadas, é o que informa a Prefeitura da Cidade do Recife.

Além disso informa que até o final do mês de abril, 50 mil doses tinham sido aplicadas e com a vacinação do Dia D da 18ª Campanha Nacional de Vacinação Contra Influenza, o número total da população, que tomou a vacina, triplicou. A vacinação segue até o dia 20 de maio para o público-alvo, nas mais de 160 unidades de saúde espalhadas pela cidade, das 8h às 17h.

Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife



domingo, 8 de maio de 2016

MÃES PARECIDAS COM AS FILHAS

Como não podia ser diferente, também no meio artístico, a quantidade de filhas muito parecidas fisicamente com suas mães é muito grande. Uma delas é Kelly Key com sua filha, Suzanna Freitas, fruto do relacionamento da cantora com Latino.

Quem também se parece muito é Giovanna Lancellotti e Giuliana, que poderiam ser confundidas por irmãs. Aos 46 anos, a mãe da atriz que estará na novela "Sol Nascente", chamou atenção pela beleza.

Outro caso semelhante é de Julia Anquier e Debora Bloch, protagonista, ao lado de Marina Ruy Barbosa, da novela "Justiça" são muito parecidas.

Confira as fotos das mães com suas filhas

Kelly Key com sua filha , Suzanna Freitas
Giovana Lancelloti e Giuliana
Debora Bloch e Julia Anquier
Flávia Alessandra e Giulia
Carolina Ferraz e Valentina
Regina e Gabriela Duarte


sábado, 7 de maio de 2016

MERCADO DA MADALENA - REGISTRO 07052016

Gazeta da Torre


O MERCADO DA MADALENA, um dos mais tradicionais e conhecidos mercados do Recife. Ponto de encontro das amizades antigas e dos boêmios que dão mais vida e música ao espaço.





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Mercado da Madalena: PRESENTES ORIGINAIS PARA O DIA das MÃES

Gazeta da Torre

No Box Minha Comadre, Mercado da Madalena, você pode encontrar uma maneira de ser original e diferente na hora de presentear no DIA das MÃES. 







MINHA COMADRE: Mercado da Madalena - Box 147 – 98603.9024




quinta-feira, 5 de maio de 2016

LEITORES DO GAZETA DA TORRE: SUPERAR NÃO É ESCOLHA, É NECESSIDADE

Gazeta da Torre

Alexey Romanov é um adolescente russo que já nasceu sem as mãos, mas isso nunca foi desculpa para nada. 

 Alexey Romanov
Ele poderia ter sido impedido de fazer várias coisas nessa vida, principalmente aquelas que, tradicionalmente, exigem os dedos. Só que ele simplesmente arruma o jeito dele de fazer o que parece impossível, aprendendo até mesmo a tocar piano! Um exemplo espetacular de superação.

Na música clássica, o alemão Ludwig van Beethoven é conhecido por ter criado obras fantásticas mesmo tendo convivido com a surdez. Agora, um adolescente russo mostra ao mundo como vencer a deficiência para realizar um sonho. Alexey Romanov é considerado um pianista promissor, já se apresenta com a orquestra da República do Tartaristão, e se tornou uma celebridade no país após se apresentar em um programa de TV.

Nascido em Zelenodolsk, uma vila na República do Tartaristão, Romanov iniciou seu contato com a música há dois anos, inspirado pelos trabalhos de Mozart e Vivaldi. No início, teve apoio de um professor de música da escola especializada para crianças com deficiência onde estuda, que começou ensinando melodias de filmes e séries famosas, como “Twilight“ e “Titanic”, muito populares na Rússia. O adolescente também recebe apoio de dois amigos, que o ensinaram o básico da música e a ler notas.

— Eles ainda me ajudam — disse o adolescente, ao “Guardian”. — Eles me mandam partituras para que eu estude. Se eu gostar, deixo entrar dentro de mim.

A vida de Romanov não ganhou apenas a música há dois anos, mas também uma família. Ele foi adotado na mesma época e foram seus pais adotivos Vladimir and Luisa Levachkovye, que perceberam sua predisposição para as artes e compraram um teclado. Com tempo e muita prática, Romanov começou a participar e ganhar competições de música.

“Dificuldades preparam pessoas comuns para destinos extraordinários.” - C.S Lewis (Escritor e Romancista britânico)

Confira abaixo Alexey tocando a música tema de Crepúsculo:


quarta-feira, 4 de maio de 2016

H1N1: VACINAÇÃO NA REDE PÚBLICA VAI ATÉ O DIA 20 DE MAIO

A CAMPANHA DE IMUNIZAÇÃO SEGUE NAS UNIDADES DE SAÚDE DA CIDADE. POLICLÍNICA LESSA DE ANDRADE NA MADALENA É UMA DELAS.

Fonte: Prefeitura da Cidade do Recife

Mais de 200 mil pessoas, dentro do grupo prioritário que deve receber a vacina contra influenza no Recife, o equivalente a 45% do público-alvo, estão imunizadas, é o que informa a Prefeitura da Cidade do Recife. Até a sexta-feira (29), 50 mil doses tinham sido aplicadas e com a vacinação do Dia D da 18ª Campanha Nacional de Vacinação Contra Influenza, realizado no sábado (30), o número total da população, que tomou a vacina, triplicou. A vacinação segue até o dia 20 de maio para o público-alvo, nas mais de 160 unidades de saúde espalhadas pela cidade, das 8h às 17h.

Unidade de Saúde - Policlínica Lessa de Andrade
Estr. dos Remédios, 2416 – Madalena 
(próximo ao Bompreço Benfica)
Telefone:(81) 3355-7800
De acordo com a prefeitura, a meta é vacinar pelo menos 80% do público-alvo, formado por 365.4 mil pessoas - crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores de saúde, pessoas com mais de 60 anos, jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional e pessoas portadoras de doenças crônicas e outras condições clínicas especiais. A coordenadora do Programa de Imunização do Recife, Elizabete Azoubel, reforça que as pessoas portadoras de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, cardiopatias, entre outras, devem levar documento que comprove a doença, podendo ser até uma receita médica.

Influenza – É uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. É de elevada transmissibilidade e distribuição global, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies recém-condicionadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto a boca, olhos e nariz.

Situação epidemiológica da Influenza no Recife

Notificados 4.796 casos de Síndrome Gripal (SG), sendo 23 casos confirmados para Influenza A H1N1, e 104 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 12 casos confirmados para Influenza A H1N1 e 3 para outros vírus respiratórios. Considerando a soma dos casos positivos de SG e SRAG, o município conta com 34 casos positivos para Influenza A H1N1, com maior concentração na faixa etária de 1 - 9 anos (32,4%) e o bairro de Boa Viagem com maior número de casos confirmados (11%). Com relação ao mesmo período do ano passado, houve uma redução de 9% nas ocorrências de SG e 11% para SRAG. Foram registrados 9 óbitos suspeitos para SRAG, sendo 04 confirmados para Influenza A H1N1 (todos pela técnica de RT-PCR) com ocorrência entre adultos. Em relação ao mesmo período do ano passado, foram registrados 6 óbitos, todos descartados para Influenza pela técnica de imunofluorescência - única disponível naquele ano.

Em relação ao mesmo período do ano passado, foram registrados 6 óbitos, todos descartados para Influenza pela técnica de imunofluorescência - única disponível naquele ano.

· Lavar as mãos com água e sabão frequentemente (principalmente antes de consumir algum alimento, tocar os olhos, nariz ou boca e após tossir, espirrar e/ou usar o banheiro);

· Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço descartável e após o uso descartá-los em lixeiras;

· Na ausência do lenço, usar o ombro ou antebraço interno como barreira ao tossir ou espirrar;

· Não compartilhar alimentos, copos, garrafas, toalhas e objetos de uso pessoal;

· Manter os ambientes ventilados, com portas e janelas abertas, para favorecer a circulação de ar;

· Pessoas com gripe/resfriado devem evitar ambientes fechados e aglomerados, assim como contato direto com outras pessoas (abraço, beijo, apertos de mão etc.);

· Evitar sair de casa durante o período de transmissão da doença. Em adultos, este período dura, em média, até cinco dias após o início dos sintomas, e em crianças pode durar, em média, 10 dias;

 · Não usar medicamentos sem orientação médica. A automedicação pode ser prejudicial à saúde;

 · Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.





segunda-feira, 2 de maio de 2016

O CRESCIMENTO DO MERCADO FITNESS NA TORRE, MADALENA E RESTANTE DO BRASIL

Sol Vasconcelos Lima - Assessoria de Imprensa CREF12/PE-AL


Dados da Associação Brasileira de Academias (Acad) demostram que o Brasil tem, atualmente, mais de 30 mil academias e quase 8 milhões de alunos espalhados pelo país, o que gerou um faturamento para o setor de cerca de R$ 6,5 milhões somente no ano passado. Nosso país só fica atrás dos Estados Unidos nos números relacionados ao segmento. E não para por aí.

A população hoje em dia tem buscado a prática de atividades físicas não somente para obter um corpo definido. A busca de mais qualidade de vida e saúde tem impulsionado fortemente esse mercado fitness que tende a crescer cada vez mais.

Uma pesquisa recente do Ministério da Saúde demostrou que metade da população brasileira está acima do peso. Em 2006, 42,7% era a parcela da população que estava acima do peso. Já em 2011 esse número passou para 48,5%. Os dados são da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), e os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Atualmente, só no estado de Pernambuco, mais de 900 academias e mais de 7.000 Profissionais de Educação Física estão registrados no Conselho Regional de Educação Física da 12ª Região (CREF12/PE-AL), o que traduz a qualidade e a responsabilidade com que os serviços são prestados à população na referida área.

Desde 1998, com a promulgação da lei 9696, o exercício das atividades referentes à Educação Física devem ser orientadas por Profissionais registrados no Sistema CONFEF/CREFs, órgão responsável por fiscalizar e orientar o exercício da profissão.

É importante frisar que ao procurar um estabelecimento para a prática de atividades físicas, o usuário deve se certificar se ele tem autorização para funcionar e está registrado no Conselho. Também é relevante destacar que a orientação de um profissional devidamente habilitado para exercer a profissão é uma forma de evitar lesões e desenvolver uma atividade com segurança e obter os resultados esperados.

Outro aspecto muito importante ao qual o usuário deve atentar-se é à estrutura do estabelecimento. Deve-se observar, nas instalações, a qualidade e o estado de conservação em que se encontram os materiais e os aparelhos. Também, a higiene do local é fundamental, nos banheiros, vestiários, nas salas onde acontecem as aulas e no ambiente em geral. O espaço físico das salas de aula e a quantidade de profissionais orientando deve estar adequado ao número de alunos. Os estagiários devem estar identificados e supervisionados por Profissionais de Educação Física habilitados.

O exercício profissional de pessoas que não apresentam registro no Conselho é crime e a sociedade pode e deve denunciar, entrando em contato com o CREF12/PE-AL pelo e-mail  fiscalizacao@cref12.org.br ou pelo telefone do Departamento de Fiscalização (81) 3314-7321.

A prática regular de exercícios físicos traz inúmeros benefícios à saúde, mas a população deve sempre procurar um profissional de Educação Física porque “A Boa Orientação faz a Diferença”.

Serviço
Conselho Regional de Educação Física da 12ª Região / Pernambuco - Alagoas
(CREF12/PE-AL)
Rua Carlos de Oliveira Filho, Nº 54, Prado - Recife/PE
CEP 50720-230 
Fones:(81) 3226.2088 / 3226.0996

BUQUÊ DE RAINHA no Aeroporto Internacional dos Guararapes

Crônica de nosso colaborador Márcio Nilo

Aeroporto Internacional dos Guararapes.  Área de desembarque. Lá me encontro com a tarefa de esperar minha filha, que retorna de São Paulo num voo noturno. Tipo de tarefa que os pais, bobos por natureza, adoram fazer.

Gosto particularmente da área de desembarque dos Aeroportos, que é o espaço dos reencontros por excelência e lá, invariavelmente, conseguimos ver cenas afetuosas e de alegria. Procuro sempre ver os rostos dos passageiros que chegam, assim como daqueles que estão a esperar o seu amigo, o seu parente ou o seu amor. Alguns poucos com semblantes tristes, mas a grande maioria alegre, com os rostos iluminados. E o que dizer dos abraços que, como dizem por aí, são aqueles momentos em que dois corações se encontram?! Estas demonstrações de afeto são bonitas de se ver (vamos fazer de conta que inexiste a hipocrisia nas pessoas).

Cheguei com uma boa antecedência em relação ao horário do voo da minha filha e fiquei por ali observando aquela alegre movimentação. Eis que aparece no recinto jovem cidadão que logo chamou a atenção de todos, principalmente pelo o que vinha trazendo em mãos: lindo, exuberante e - por que não dizer? -  majestoso buquê de rosas. Majestoso sim, porque aquilo não era um buquê comum, era um buquê de rainha (parafraseando Nelson Rodrigues no hilário conto "A coroa de orquídeas" –(http://contobrasileiro.com.br/a-coroa-de-orquideas-conto-de-nelson-rodrigues/).

Ele portava aquele lindo exagero como quem toma conta de um troféu. O sorriso estava estampado não apenas onde deveria estar, mas também nos olhos, no rosto todo, na sua linguagem corporal. Enfim, o homem era todo sorriso. Estava ali, sem dúvidas, um homem tomado pelo amor. Pior. Tomado pelo amor romântico, aquele que “embobece”.

A maioria das pessoas olhou a figura com seu buquê por alguns segundos e foi tratar de receber os seus, mas eu me posicionei a uma discreta distância, para uma observação mais dissimulada, pois logo vislumbrei que teria uma cena bonita de se ver, bastava esperar. Nessas situações, ficamos estimulados a buscar no nosso imaginário particular os desdobramentos possíveis e logo imaginei uma daquelas cenas Hollywoodianas, quando os amantes se veem e correm um de encontro ao outro para o abraço tão esperado, de preferência, rodopiando. Nos filmes, inclusive, mostram estas cenas em câmera lenta, pra dar mais emoção. Neste nosso caso, a amada que estava sendo esperada (ou amado, afinal estamos na era da diversidade) deixaria para trás as malas enquanto que o nosso personagem principal correria com o majestoso buquê como se fosse um troféu, a ser entregue à dona do seu coração.

Mas o tempo foi passando e não foi exatamente isso o que aconteceu. Nosso apaixonado personagem começou a olhar insistentemente para a saída do desembarque e para o relógio, alternadamente. Notei que já não olhava mais o painel informando a situação dos voos, pois, imagino eu, o avião que traria a sua rainha já tinha aterrissado. Conforme os minutos foram passando já se notava nele um ar aflito e, em determinado momento, ele saca o seu telefone celular e tenta a ligação que tudo iria esclarecer. Torço para que se complete a ligação, pois a esta altura já me sinto cúmplice do cidadão e a carga emotiva da cena já tinha me atingido. Mas o semblante dele não mudou e novas tentativas foram feitas, sem sucesso.

Estava ali um homem perplexo. Ele olha para os lados como em busca de socorro e desvio o olhar rapidamente. Caminha impaciente para os lados. O majestoso buquê já não está mais em posição de troféu e agora era carregado como um fardo,  de cabeça pra baixo. O seu semblante nesse momento mostrava decepção e tristeza.

Em dado momento, deixo de observá-lo, pois vislumbrei minha filha (essa chegou na hora) na saída do desembarque. Após recepcioná-la, volto a procurar o nosso personagem e o vejo já ao longe, caminhando de forma lenta, com o buquê de cabeça pra baixo, posição incompatível com a majestade daquela obra prima. Daí pra frente nada mais vi e tudo agora fica por conta da nossa imaginação, pois esta história não pode acabar assim, de forma tão abrupta.

Podemos então imaginar o desfecho com  dois cenários, um pessimista e outro otimista.

No cenário pessimista, nosso romântico personagem, na saída do aeroporto, recebe ligação daquela que devia estar ali, ao lado dele, com o buquê nas mãos.  Ele então é informado que o "sentimento tinha ido embora" e ela tinha "encontrado alguém".  E aí relembro clássico aforismo de conhecido filosofo contemporâneo olindense (da corrente “filosofia de botequim”):  “o amor dói e faz sofrer”.

O buquê foi encontrado por José da Silva, auxiliar de serviços gerais do aeroporto, enterrado num latão de lixo, com pequenas avarias. José da Silva, rapidamente raciocinou e decidiu levar aquela maravilha para sua companheira, que há muitos anos não ganhava um mimo. Das Dores, quando recebeu o buquê, colocou todos os 32 dentes (alguns faltando, claro) num largo sorriso, que só veio acabar 1 semana depois. Só para valorizar, José da Silva não disse o valor do presente, mencionando apenas que tinha feito umas horas extras e que o importante é que ela tinha gostado e blá-blá-blá.  Como vimos, o cenário não foi tão pessimista assim, pois pelo menos alguém ficou feliz.

No cenário otimista, o nosso romântico personagem também recebe ligação de sua rainha, que explica tudo. Perdera o voo e correra para garantir a vaga no próximo, que sairia 40 minutos depois. Quando tentou ligar, avisando do contratempo, viu que a bateria do seu celular estava descarregada, não havendo tempo para mais nada, pois a chamada de embarque tinha iniciado. Acabara de chegar e fazia a ligação do aparelho de um passageiro. Estava ansiosa esperando por ele na área de desembarque.

O buquê foi visto num bonito jarro ao lado do ninho de amor, sendo testemunha ocular de cenas inenarráveis aqui neste espaço.



domingo, 1 de maio de 2016

1 DE MAIO – DIA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES



SEM CHEFE E SEM GARANTIA: ASSIM SERÁ NOSSO TRABALHO NO FUTURO


Artigo de Jacobo Pedraza

Descrever Jesús Elorza, community manager do Google, sem os anglicismos que ele usa com frequência é um desafio. Seu aspecto – barba, camisa abotoada até o último botão – é de hipster (termo frequentemente usado para se referir a um grupo de pessoas pertencentes a um contexto social subcultural da classe média urbana). Sua fascinação pelas redes sociais, pelos gadgets (tem um smartwatchconectado ao smartphone) e seus apps o transformam em um techie (pessoa que seja especialista na utilização de dispositivos tecnológicos). Seu emprego o transforma em protagonista da mudança da atual geração que está com 30 anos e tem uma nova forma de entender o trabalho.

Em parte é porque Jesús, 27 anos, que trabalha há quatro na sede da Google em Dublin (capital da Irlanda), passa o dia fazendo videoconferências, com o outro olho na tela do seu celular, onde se misturam vida pessoal e profissional até se confundirem. E, em parte são todas as comodidades que desfruta, e que fazem com que os escritórios da Google sejam qualquer coisa menos aquele espaço espartano no qual trabalhavam as gerações anteriores à dele.

“Temos muita flexibilidade no trabalho, vários restaurantes com comida de graça e, claro, muito boa, formação contínua, ginásio e piscina dentro do edifício, massagem, centro médico, salão de jogos...”, vai enumerando, recitando o modelo que Laszlo Bock, chefe de RH da Google (lá eles chamam de “gestão de pessoas”), descreve em seu livro Um Novo Jeito de Trabalhar: “Eu chamaria de um projeto de alta liberdade no qual os funcionários gozam de capacidade de tomada de decisão. Os líderes que criam o ambiente adequado vão se transformar em ímãs para as pessoas com mais talento do planeta”, explicou Bock no livro. Mas muito mais importante do que tudo isso é a maneira que Jesús pode projetar no trabalho parte de sua personalidade.

Ele ainda tem a caderneta na qual, há quatro anos, escreveu “trabalhar na Google” como um dos seus objetivos. Ele não presta um serviço. Contribui com sua personalidade para o projeto. É um trabalhador do futuro.

“A tecnologia trouxe mudanças drásticas no mundo do trabalho. Podemos resumi-las na hiperconectividade”, anuncia Juan Martínez-Barea, embaixador na Espanha da Singularity University, instituição acadêmica impulsionada pela NASA e localizada no Vale do Silício. Ele é autor do livro El mundo que viene (O mundo que virá). O telefone acelerou o ritmo de um mundo que deixou de depender do correio físico, mas as novas tecnologias provocaram algo muito mais drástico: tornaram prescindíveis os horários e os espaços comuns, aumentaram a disponibilidade e encorajaram a promiscuidade entre trabalhadores e empregadores.

Este último é essencial para começar a entender a mudança. Em um ambiente no qual qualquer um pode expor seus talentos para todos, seja como um portfólio em forma de conta do Instagram ou com currículo no LinkedIn, as empresas têm um acesso exponencialmente mais fácil aos possíveis empregados. São elas, portanto, que precisam ser atrativas para os trabalhadores, e não vice-versa, como até agora.

“O fardo agora é da empresa” confirma Margarita Álvarez, diretora de comunicação e marketing da Adecco Espanha, o maior fornecedor mundial de recursos humanos: “As grandes empresas tecnológicas e as start-ups mudaram o mercado. Agora lutamos todos, grandes e pequenos, pelo mesmo talento em um mercado sem barreiras. Procuramos pessoas que querem algo mais que uma carreira para toda a vida, que querem rapidez, propostas constantes de projetos interessantes, flexibilidade, bons companheiros...”.

Jesús recebe da Google uma atitude que seria considerada marciana em décadas passadas. “Você controla seu tempo, os objetivos, o que quer aprender, no que quer trabalhar... E acima de tudo, o bom ambiente que existe entre os colegas”, diz ele. Também ressalta a regra dos 20%: “Corresponde à parte do seu tempo que pode dedicar a um projeto ou conceito a ser desenvolvido que esteja ligado à empresa”. Ele tem espaço para fornecer ideias mesmo fora do seu setor. Outras empresas como Adobe ou Deloitte também usam ideias ousadas como licenças sabáticas remuneradas. Gore-Tex eliminou a cadeia de comando e as funções dos trabalhadores, permitindo que os chefes dos projetos sejam divididos e escolhidos por voto.

Os locais de trabalho também estão se adaptando a estes novos parâmetros. Atribuir áreas específicas do escritório como uma recompensa (uma sala a um trabalhador leal que foi promovido) ou como forma de promover a dinâmica acaba sendo menos produtivo. “Há empresas muito tradicionais já estão mudando para espaços de trabalho não nominativos, ou seja, que ninguém tem um lugar permanente. Não há papel, não há armários para ninguém. São dispostas grandes mesas de forma paralela para incentivar a interatividade”, diz Margarita Alvarez.

Num ponto extremo, esta promiscuidade nos levará, segundo previsão de Adam Davidson, colunista econômico do The New York Times, ao modelo Hollywood, que aplica a lógica de uma filmagem a todas as áreas de trabalho. “Um projeto é identificado, a equipe se reúne, trabalha apenas suficiente para completar a tarefa e se separa “, explica Davidson.

“É o modelo com o qual agora as pontes são construídas, aplicativos são criados e restaurantes são abertos”. Completa Juan Martínez-Barea: “Vai generalizar um tipo de trabalhador autônomo, ou parecido ao autônomo, que trabalhe dentro, graças à tecnologia que é oferecida hoje, de equipes que duram até a conclusão do projeto”. Ainda não sabemos se a cultura corporativa está pronta para absorver uma mudança radical de estrutura. “Toda vez encontramos mais pessoas trabalhando na Espanha quase como freelance”, afirma Álvarez.

Isso apesar de que ser autônomo nesse país significa, além de mais horas de burocracia, o pagamento de uma taxa de entre 50 e 260 euros por mês, mais que na França (lá, a taxa depende das receitas), Reino Unido (entre 13 e 58 euros anuais). A tendência pode lembrar os minijobs alemães, mas estes pelo menos oferecem uma cobertura de seguridade social e outras circunstâncias, tais como demissão, mas um autônomo espanhol está sozinho. Álvarez se volta para o otimismo: “Não se trata de perder a estabilidade, mas que as empresas acabem usando este modelo dentro de si mesmas para oferecer ao funcionário, em forma de projetos, os próximos passos da sua vida profissional. Seria insustentável que fôssemos todos autônomos”.

Mal-entendido, o modelo Hollywood pode ser confundido perigosamente com uma tendência cultural impossível de parar nos últimos anos: a gig economy, economia de trabalhos esporádicos. É a que promove as viagens de gastos divididos do BlaBlaCar, os taxistas amadores do Uber, o aluguel de apartamentos pelo Airbnb (um serviço online comunitário para as pessoas anunciarem, descobrirem e reservarem acomodações). 

O mesmo que entusiasma as start-ups – fazer com o mercado de trabalho o que Uber fez com a indústria dos táxis – preocupa muita gente – Uber multiplicou tanto os empregos ruins quanto a economia informal. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem, na verdade, um escritório específico para as formas de emprego não convencionais, que enfatiza a necessidade de “reconhecer que não estamos falando de trabalhos esporádicos, tarefas, favores ou levar alguém para casa. Falamos de trabalho. 

A economia de trabalhos esporádicos pode ser o futuro, mas precisamos começar a reconhecer que é trabalho, e trabalho deve ser decente. A proteção do trabalho não é incompatível com a inovação”.

A OIT abriu uma linha de pesquisa sobre o “futuro do trabalho”. O resumo é que não devemos prever o futuro, mas regulá-lo: “Cabe perguntar se a revolução tecnológica, que é caracterizada pelo uso de megadados, impressoras 3D e robôs, oferece um potencial tão grande a ponto de substituir a mão de obra”, diz. É possível ir além, como faz Martínez-Barea: “O mercado de trabalho vai se polarizar: as pessoas com baixas qualificações, empregos com baixo valor agregado e de baixos salários são os que correm mais risco. Os drones entregarão pedidos, os robôs fabricarão tudo e os veículos autotransportados transportarão mercadorias”, prevê. E podemos dar de ombros, como faz a OIT: “A tecnologia sempre acabou criando mais empregos do que destruiu”. No futuro tudo será diferente e tudo será igual. Em outras palavras, será o futuro de sempre.



OS PIORES ERROS DE UM ‘FREELANCE’


Artigo de Luis Meyer

O freelance, enquanto empreendedor que trabalha por conta própria, deve tomar os mesmos cuidados com a carreira que um empresário tradicional. É preciso conquistar uma carteira fiel de clientes, aprender a administrar o volume de projetos que assumiu, saber dizer “não” para trabalhos que fogem do escopo do negócio.

Pablo Nuñez é um programador especialista em html5, uma linguagem de programação impronunciável que apenas os membros de sua espécie são capazes de entender, escrever e transformar em virtuosos sites. Um dia, pediram a Nuñez uma série de animações em Flash, outro código reservado a uns poucos versados em zeros e uns. "Nunca havia programado com essa linguagem, nem me importei em aprendê-la um dia porque já estava obsoleta, mas o cliente insistiu que eu usasse Flash", lembra. Na época apenas um iniciante na vida de freelance, não se viu em condições de recusar o trabalho. 

"Então aceitei, porque os prazos de entrega iniciais davam margem para conseguir entregar. O fato é que os prazos de entrega nunca são confiáveis e começaram a me pressionar para terminar o trabalho antes. Estava tão atrasado e tão perdido, que encomendei essas mesmas animações para uma agência, que acabou me cobrando mais do que eu recebi", completa Pablo.

Y.J., tradutora de espanhol de romances e ensaios de autores alemães, passou por algo parecido. "Uma empresa alemã me pediu com urgência para traduzir seu relatório financeiro anual para uma subsidiária de Madri. Como me davam pouco tempo, me pagavam um dinheirão, e não pude dizer não. O problema é que o alemão jurídico tem pouco a ver com o falado, parecem idiomas diferentes e nem mesmo um nativo de Berlim entenderia. Para mim, era chinês, e como havia me comprometido, busquei tradutores especializados na Internet. No final, tive um lucro muito pequeno. Foi o trabalho mais mal pago e estressante da minha vida".

Ver o pagamento de um trabalho minguar é a melhor das opções nesse caso. A pior das hipóteses é perder futuros contratos. "Milhares de trabalhos bem-feitos somente poderão garantir, em parte, que o autônomo continuará trabalhando. Um [trabalho] mal feito pode acabar com sua carreira", alerta P.M, que presta serviços para uma consultoria de orientação profissional.

Mikel López, psicólogo, diz que por seu divã passaram vários freelances. "Chamo diariamente a ansiedade de 'e se...'. Muitos dos meus pacientes que trabalham por conta própria têm pavor de não saber se receberão no mês seguinte. Alguns aparecem com casos graves, apneias noturnas, durante as quais levantam no meio da noite sem poder respirar", afirma. Segundo o especialista, o quadro é agravado porque, devido à incerteza de receita no futuro, os freelances aceitam mais trabalho do que uma pessoa normal poderia realizar. "Têm pavor de dizer 'não' e perder oportunidades", complementa.

Mas a ansiedade não é a única consequência de acumular trabalho demais. Quanto menos tempo você tiver para realizar cada tarefa, pior será a qualidade do resultado. "Trabalhava para uma agência gigante e saí porque as horas trabalhadas não estavam em linha com meu salário. Pensei que sozinha ganharia mais, trabalhando menos tempo. Em meus primeiros anos de freelance não rejeitava absolutamente nada", diz Andrea Larraz, que era designer autônoma e atualmente é responsável pela comunicação de uma empresa. "De repente, as horas do dia não eram suficientes e faltavam dias no ano, não dava conta. Pensei que me contratavam pelo meu valor, mas depois percebi que era, simplesmente, porque estava sempre do outro lado da linha, disposta a dizer sim", relata.

Larraz parou de ser chamada porque seus trabalhos estavam cada vez mais medíocres. "Era muito boa, mas deixei meu talento de lado e apenas pensei no dinheiro. Resumindo, não estava entregando o que estavam pedindo, e custa muito dizer a um cliente que você vai deixá-lo na mão porque está trabalhando em outro projeto que, aliás, muitas vezes é da concorrência."

O grande sonho de um profissional autônomo é que um cliente lhe pague bem e, acima de tudo, regularmente. Por isso, quando você encontra algo assim, é tentador se acomodar nessa situação e recusar trabalhos que considera mais chatos. Cuidado: nessa época de instabilidade econômica, qualquer um pode te dar um pontapé da noite para o dia. Esse qualquer um pode ser o próprio cliente.

S.V., especialista em redes sociais, passou por isso recentemente. "Optei por ser freelance de uma só empresa, pois o salário era bom. Mas quando meu cliente começou a ir mal, ele quis revisar as condições de pagamento e, com isso, não conseguia mais pagar o aluguel. Decidi sair e procurar meus antigos clientes. Todos já estavam em outra e eu fiquei sem trabalho", afirma.

Geralmente o freelance novato peca pelo excessivo rigor. E isso não se aplica só ao trabalho, mas também à sua administração como autônomo. T.G. confirma: "Acontecia especialmente com aqueles que vinham de contratos indefinidos e haviam acabado de abrir seu próprio negócio. Muitos repassavam para a empresa os mínimos gastos. Tive que gerenciar nas contas da empresa 0,18 euros (77 centavos de real) do celular de um freelance que teve de ligar para um número de informações. Sejamos sérios. É justo pedir o que é devido, mas o freelance deve assumir que o preço combinado é um serviço completo e fechado, a menos que o trabalho tenha exigido um gasto excessivo. Nesse caso, deve ser combinado com o cliente de antemão".

Da mesma forma, não se deve relaxar sobre o que realmente lhe corresponde por direito. Por exemplo, o pagamento da fatura. Ser freelance significa ser cobrador de dívidas, ficar atrás e não deixar que seja o cliente que se lembre de pagar. Muitos sofrem de um esquecimento crônico grave inesperado nesses casos e, se o freelance não for atrás, podem acabar com um tipo de Alzheimer.

Cuidado com as investidas da Receita Federal. Não pagar a tributação correspondente aos serviços prestados enquanto autônomo ou o imposto de renda devido pode acabar arruinando a carreira de um freelance. O caso de R. S., jornalista, é da Espanha, mas serve de alerta porque ela aprendeu a lição às duras penas. "Não tinha de pagar o IVA [imposto europeu] por meus artigos, então decidi que também não ia pagar como autônomo.  Um dia recebi uma carta arrepiante com o logotipo de um ministério que me cobrava. Naquela revisão veio tudo à tona e com juros. Tive de pagar quase tudo o que tinha ganhado em dois anos", lamenta.



AS MULHERES ESTUDAM MAIS E CONTINUAM GANHANDO MENOS NO BRASIL


Artigo de Heloisa Mendonça e Marina Rossi

As mulheres brasileiras estão estudando mais que os homens. Mesmo assim, seguem ganhando menos que eles. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014, realizada pelo IBGE. Segundo os dados, coletados no país todo ao longo do ano passado ouvindo 363.000 pessoas, de maneira geral, o número médio de anos de estudos no Brasil subiu de 6,5 em 2004 para 7,7 no ano passado. Esse crescimento se dá principalmente pelas mulheres, que estudam em média oito anos, frente aos 7,5 anos dos homens.

Apesar de dedicar mais tempo de vida aos estudos, as mulheres continuam ganhando menos que os homens. A pesquisa aponta que elas são a maioria entre os que ganham entre um e dois salários mínimos (entre 788 e 1.576 reais). Na categoria até um salário, elas representam 30,6% da população. Os homens, por sua vez, são 21,5%. Elas também mantêm a dianteira nos trabalhos remunerados com até dois salários (33,5% contra 32,9% no caso masculino) e vão perdendo espaço à medida que o rendimento aumenta. Na faixa de 3 a 5 salários, por exemplo, as mulheres são 6,9% da população, enquanto o universo masculino é de 10,5% (o total no Brasil para essa faixa de renda é de 8,9%).

No topo da pirâmide, ou seja, 0,7% da população brasileira que ganha acima de 20 salários mínimos, as mulheres são 0,4% e os homens são 0,9%.

No cômputo geral do nível de ocupação apurado pela PNAD por gênero, 73,7% da população masculina está trabalhando. Esse porcentual cai para 51,2% quando se trata da população feminina. A maternidade, o acesso a empregos mais precários e informais são parte da explicação para essa diferença.

A PNAD trouxe ainda os dados sobre desigualdade no Brasil. No ano passado a diferença de ganhos entre o topo e a base da pirâmide continuou em queda. A tendência se manteve principalmente pelo aumento da renda da população mais pobre e a diminuição do rendimento dos mais ricos. Na contramão, a região Sudeste, a mais rica do país, mostrou uma alta no nível de desigualdade em 2014.

O resultado nacional se refletiu no índice de Gini, que mede a distribuição da renda de todos os trabalhadores, permaneceu numa trajetória decrescente, porque os 20% que ganham menos tiveram aumento no rendimento, enquanto os 10% que ganham mais aumentaram os ganhos em velocidade menor, segundo o IBGE. O indicador passou de 0,495 para 0,490 em 2014. Na escala do índice, quanto mais longe de 1 melhor é a distribuição da renda, o zero seria a perfeita igualdade.

A renda familiar da população brasileira com menor renda per capita tiveram aumento real de 6,2% (146 reais para 155). Já os domicílios pertencentes aos 10% mais ricos tiveram aumento menor, de 2,1% (de 5.076 reais para 5.183 reais).

Enquanto a média do país viu a distância entre ricos e pobres diminuir, o Sudeste viu a desigualdade aumentar. Ela passou de 0,475 em 2013 para 0,478. A região foi a única que apresentou alta do índice. Segundo o IBGE, isso ocorreu porque não houve ganho na parcela dos 10% mais pobres da população no Sudeste, o que já pode sinalizar os primeiros efeitos da recessão da economia brasileira. A parcela mais pobre da população brasileira teve uma renda média de trabalho de 430 reais no Brasil em 2014, 0,7% menor que 2013.

O Nordeste continua sendo a região brasileira mais desigual do país –seu índice de Gini foi de 0,501, acima da média nacional (0,490). A região, no entanto, foi a que mais reduziu a desigualdade no período.