terça-feira, 7 de abril de 2026

As construções de prédios e mais prédios, desordenadas, nas grandes metrópoles

 Gazeta da Torre

Urbanização desordenada transforma a paisagem natural, impactando o ciclo da água e o sistema de drenagem

A chuva que atingiu Recife tem causado transtornos para a população, que sofre com alagamentos e congestionamentos. Para André Rocha Ferretti, renomado engenheiro florestal (USP), o fenômeno é resultado da chamada mudança climática junto ao desenvolvimento desordenado que ocorre nas grandes metrópoles.

“Juntamos a mudança climática com esse efeito da ilha de calor, que é causado por essa grande região metropolitana cheia de concreto e cimento. Vemos também todo o problema da canalização dos rios, a ocupação de leitos de rios, de áreas de banhados – que seriam áreas inapropriadas para construção dos prédios, das infraestruturas públicas e privadas. Acabamos invadindo áreas em que naturalmente o excedente de água se concentrava, aí temos essa situação caótica”, disse Ferreti. Essas eram áreas que recebiam o excedente de água e que tinham a capacidade de funcionar quase como uma esponja, no entanto, foram impermeabilizadas com concreto e asfalto.

“Precisamos pensar no nosso município, nosso bairro, de forma a ampliar o poder de absorção desse excedente de água. Precisamos [pensar] nas estruturas cinzas, que são as estruturas de concreto – como os piscinões, as galerias pluviais, todo esse sistema de drenagem – que precisa ser ampliado, porque está vindo mais água do que vinha historicamente e eles não foram dimensionados para esse volume tão grande de água em um período de tempo muito curto, então não dão mais conta de escoar tanta água”, apresenta  Ferretti.

*André Rocha Ferretti é um renomado engenheiro florestal (USP) e mestre em Ciência e Tecnologia de Madeiras, com atuação destacada na conservação da natureza e economia da biodiversidade.

Fontes: Agência Brasil; Veja;

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