segunda-feira, 27 de abril de 2026

Brasil: um país com alto índice de insônia

 

A insônia e outros distúrbios do sono têm se consolidado como um importante problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados divulgados pelo ministério da saúde, cerca de 72% dos brasileiros apresentam algum tipo de alteração no sono (BRASIL,2023). Esses números revelam um cenário preocupante, evidenciando uma condição amplamente disseminada na população brasileira.

Nesse contexto, entende-se a insônia como a dificuldade persistente para dormir ou manter um sono reparador, mesmo quando existem condições adequadas para isso. Quando ocorre de forma frequente — ao menos três vezes por semana por um período superior a três meses — passa a ser considerada crônica. Esse quadro não afeta apenas o descanso noturno, mas compromete a saúde física, mental e emocional, interferindo no funcionamento diário e na qualidade de vida. A privação de sono também pode estar associada a transtornos de ansiedade, depressão e ao agravamento de doenças já existentes, reforçando seu reconhecimento como um problema de saúde (BRASIL,2023).

Evidências científicas recentes indicam que a insônia crônica está associada a alterações neurobiológicas importantes, como aumento de processos inflamatórios, desequilíbrios hormonais e comprometimento da consolidação da memória. Estudos longitudinais demonstram que a privação de sono pode contribuir para o acúmulo de proteínas neurotóxicas no cérebro, como a beta-amiloide, fator diretamente relacionado ao desenvolvimento de demências, incluindo a Doença de Alzheimer (MUSIEK. et al, 2016). Dessa forma, a má qualidade do sono ao longo da vida tem sido reconhecida como um fator de risco modificável para o declínio cognitivo e para síndromes demenciais.

Segundo o estudo de Oliveira et al. (2022), os problemas de sono apresentam desigualdades importantes, com maior ocorrência de queixas entre mulheres, pessoas idosas e indivíduos com menor nível de escolaridade. O estudo também aponta que indivíduos com pior autoavaliação de saúde apresentam maior prevalência de distúrbios do sono, reforçando a influência de determinantes sociais na qualidade do sono da população brasileira.

Diante desse cenário, torna-se essencial investir em ações de prevenção e cuidado contínuo com o sono. Entre as principais orientações estão (BRASIL,2022):

  Manter horários regulares para dormir e acordar;

  Evitar o uso de telas eletrônicas antes de dormir;

  Reduzir o consumo de cafeína, álcool e nicotina no período noturno;

  Garantir um ambiente adequado para o descanso, com pouco ruído, iluminação reduzida e temperatura confortável;

  Não normalizar a insônia: dificuldades persistentes para dormir devem ser avaliadas por profissionais de saúde, especialmente quando impactam o bem-estar e o funcionamento diário.

Insônia e cuidados necessários na população idosa

A insônia apresenta prevalência ainda maior entre pessoas idosas, exigindo atenção específica. Um estudo nacional realizado com brasileiros com 60 anos ou mais, a partir dos dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) identificou que 58,6% dos idosos relataram algum tipo de insônia, incluindo dificuldade para iniciar o sono, manter o sono ou acordar precocemente. Esses dados evidenciam que mais da metade da população idosa convive com alterações significativas no padrão de sono.

O mesmo estudo aponta que a insônia na pessoa idosa está associada:

  Presença de duas ou mais doenças crônicas;

  Pior percepção da própria saúde;

  Fatores relacionados ao estilo de vida.

Além disso, alterações no sono nessa fase da vida podem contribuir para:

  Sonolência diurna excessiva;

  Prejuízos cognitivos;

  Alterações de humor;

  Maior risco de quedas;

  Redução da autonomia.

Dessa maneira, o sono deve ser sempre parte da avaliação integral da saúde da pessoa idosa.

As estratégias de prevenção e cuidado incluem:

  Acompanhamento regular das condições de saúde;

  Revisão do uso de medicamentos;

  Estímulo a uma rotina diária estruturada;

  Exposição à luz natural durante o dia;

  Prática de atividades físicas adequadas e atenção aos aspectos emocionais e sociais.

Cuidadores, familiares e profissionais de saúde desempenham um papel fundamental na identificação precoce dos problemas de sono, contribuindo para intervenções que promovam qualidade de vida, funcionalidade e envelhecimento saudável.

Reconhecer a insônia como um problema frequente, multifatorial e com impactos relevantes ao longo de todo o curso da vida é um passo essencial para fortalecer ações de promoção da saúde e cuidado integral da população brasileira.

Assinam este texto:

Beatriz Bagli Moreira, Larissa Januário de Oliveira e Vanessa Di Gregório Morais – Graduandas do curso de Bacharelado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela Faculdade de Medicina da USP. Vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Para reflexão:

De que me adianta temer o que já aconteceu? O tempo do medo já aconteceu, agora, começa o tempo da esperança. “Paulo Coelho”

Você sabia que:

A privação de sono também aumenta a temperatura cerebral.

Reposta do desafio de Março:

Lógica da Páscoa:

Nos Estados Unido você não pode tirar foto de um coelho com um ovo de Páscoa.

Por quê?

Resposta: Porque foto se tira com uma câmera ou um celular

Desafio de Abril:

No Caminho do Trabalho.

Quando Eduardo foi trabalhar, ele viu no caminho 3 supermercados do lado direito e 2 supermercados do lado esquerdo; na volta, ele viu 3 supermercados do lado esquerdo e 3 do lado direito.

Como isso é possível?

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)


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