A insônia e outros distúrbios do sono têm se consolidado como um importante problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados divulgados pelo ministério da saúde, cerca de 72% dos brasileiros apresentam algum tipo de alteração no sono (BRASIL,2023). Esses números revelam um cenário preocupante, evidenciando uma condição amplamente disseminada na população brasileira.
Nesse contexto, entende-se a insônia como a dificuldade
persistente para dormir ou manter um sono reparador, mesmo quando existem
condições adequadas para isso. Quando ocorre de forma frequente — ao menos três
vezes por semana por um período superior a três meses — passa a ser considerada
crônica. Esse quadro não afeta apenas o descanso noturno, mas compromete a
saúde física, mental e emocional, interferindo no funcionamento diário e na
qualidade de vida. A privação de sono também pode estar associada a transtornos
de ansiedade, depressão e ao agravamento de doenças já existentes, reforçando
seu reconhecimento como um problema de saúde (BRASIL,2023).
Evidências científicas recentes indicam que a insônia
crônica está associada a alterações neurobiológicas importantes, como aumento
de processos inflamatórios, desequilíbrios hormonais e comprometimento da
consolidação da memória. Estudos longitudinais demonstram que a privação de
sono pode contribuir para o acúmulo de proteínas neurotóxicas no cérebro, como
a beta-amiloide, fator diretamente relacionado ao desenvolvimento de demências,
incluindo a Doença de Alzheimer (MUSIEK. et al, 2016). Dessa forma, a má
qualidade do sono ao longo da vida tem sido reconhecida como um fator de risco
modificável para o declínio cognitivo e para síndromes demenciais.
Segundo o estudo de Oliveira et al. (2022), os problemas
de sono apresentam desigualdades importantes, com maior ocorrência de queixas
entre mulheres, pessoas idosas e indivíduos com menor nível de escolaridade. O
estudo também aponta que indivíduos com pior autoavaliação de saúde apresentam
maior prevalência de distúrbios do sono, reforçando a influência de
determinantes sociais na qualidade do sono da população brasileira.
Diante desse cenário, torna-se essencial investir em
ações de prevenção e cuidado contínuo com o sono. Entre as principais
orientações estão (BRASIL,2022):
• Manter
horários regulares para dormir e acordar;
• Evitar o
uso de telas eletrônicas antes de dormir;
• Reduzir o
consumo de cafeína, álcool e nicotina no período noturno;
• Garantir
um ambiente adequado para o descanso, com pouco ruído, iluminação reduzida e
temperatura confortável;
• Não normalizar a insônia: dificuldades persistentes para dormir devem ser avaliadas por profissionais de saúde, especialmente quando impactam o bem-estar e o funcionamento diário.
Insônia e
cuidados necessários na população idosa
A insônia apresenta prevalência ainda maior entre pessoas
idosas, exigindo atenção específica. Um estudo nacional realizado com
brasileiros com 60 anos ou mais, a partir dos dados do Estudo Longitudinal da
Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) identificou que 58,6% dos idosos
relataram algum tipo de insônia, incluindo dificuldade para iniciar o sono,
manter o sono ou acordar precocemente. Esses dados evidenciam que mais da
metade da população idosa convive com alterações significativas no padrão de
sono.
O mesmo estudo aponta que a insônia na pessoa idosa está
associada:
• Presença
de duas ou mais doenças crônicas;
• Pior
percepção da própria saúde;
• Fatores
relacionados ao estilo de vida.
Além disso, alterações no sono nessa fase da vida podem
contribuir para:
• Sonolência
diurna excessiva;
• Prejuízos
cognitivos;
• Alterações
de humor;
• Maior
risco de quedas;
• Redução
da autonomia.
Dessa maneira, o sono deve ser sempre parte da avaliação
integral da saúde da pessoa idosa.
As estratégias de prevenção e cuidado incluem:
• Acompanhamento
regular das condições de saúde;
• Revisão
do uso de medicamentos;
• Estímulo
a uma rotina diária estruturada;
• Exposição
à luz natural durante o dia;
• Prática
de atividades físicas adequadas e atenção aos aspectos emocionais e sociais.
Cuidadores, familiares e profissionais de saúde
desempenham um papel fundamental na identificação precoce dos problemas de
sono, contribuindo para intervenções que promovam qualidade de vida,
funcionalidade e envelhecimento saudável.
Reconhecer a insônia como um problema frequente, multifatorial e com impactos relevantes ao longo de todo o curso da vida é um passo essencial para fortalecer ações de promoção da saúde e cuidado integral da população brasileira.
Assinam este texto:
Beatriz Bagli Moreira, Larissa Januário de Oliveira e
Vanessa Di Gregório Morais – Graduandas do curso de Bacharelado em Gerontologia
na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo
(EACH-USP).
Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela Faculdade de Medicina da USP. Vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.
Para reflexão:
De que me adianta temer o que já aconteceu? O tempo do medo já aconteceu, agora, começa o tempo da esperança. “Paulo Coelho”
Você sabia que:
A privação de sono também aumenta a temperatura cerebral.
Reposta do desafio de Março:
Lógica da Páscoa:
Nos Estados Unido você não pode tirar foto de um coelho
com um ovo de Páscoa.
Por quê?
Resposta: Porque foto se tira com uma câmera ou um celular
Desafio de Abril:
No Caminho do Trabalho.
Quando Eduardo foi trabalhar, ele viu no caminho 3
supermercados do lado direito e 2 supermercados do lado esquerdo; na volta, ele
viu 3 supermercados do lado esquerdo e 3 do lado direito.
Como isso é possível?
Resposta na próxima edição:
Serviço:
Método Supera - Ginástica para o Cérebro
Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP
02-4270)
Unidade Recife Madalena
Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.
Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)


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