sexta-feira, 22 de abril de 2022

SETUR-PE e EMPETUR com nova etapa nas ações para fortalecer os segmento de AVENTURA E TURISMO CRIATIVO em Pernambuco

 Gazeta da Torre

Com o objetivo de transformar o Estado num destino ainda mais representativo, oferecendo serviços e mão de obra qualificados, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Turismo e Lazer e da Empetur, passa para uma nova fase do Plano Estratégico para o Turismo de Aventura e formação para o segmento de turismo criativo.

Ambas ações são destinadas aos gestores municipais e ao trade das regiões.

 “O desenvolvimento do plano estratégico de turismo de aventura servirá para identificar as necessidades de organização, estruturação e requalificação das atividades em todo o Estado, a partir da análise profissional sobre o que já é oferecido e também do olhar sobre o que tem grande potencial e ainda não é trabalhado. Já com relação ao turismo criativo, estamos oferecendo uma capacitação para que novos produtos sejam criados, inovando a oferta turística das cidades”, comentou o secretário de Turismo e Lazer, Rodrigo Novaes.

O Plano Estratégico para o Turismo de Aventura é realizado em parceria com a Adventure Travel Trade Association – ATTA, entidade internacional especializada no gênero, e tem o objetivo de pensar o setor com foco nos mercados nacional e internacional, desenvolvendo atividades que visam alinhar e educar empresas públicas e privadas, permitindo a priorização de produtos com foco em tendências e demandas do mercado. Um dos produtos a serem oferecidos é um relatório estratégico para apoiar o futuro do destino no turismo sustentável.

A ação está prevista para ser concluída em junho de 2022 e será dividida em três fases, contemplando 33 municípios. São eles: Alagoinha, Bezerros, Bonito, Buíque, Brejo da Madre de Deus, Carnaíba, Carnaubeira da Penha, Cabo de Santo Agostinho, Caruaru, Fernando de Noronha, Gravatá, Goiana, Ibimirim, Igarassu, Ipojuca, Ilha de Itamaracá, Jaboatão dos Guararapes, Macaparana, Pedra, Petrolândia, Recife, Salgueiro, Santa Cruz do Capibaribe, São Benedito do Sul, São José da Coroa Grande, São José do Egito, Serra Talhada, Sirinhaém, Venturosa, Vicência,Tamandaré, Taquaritinga do Norte, Triunfo.

Com potencial imenso para o turismo de aventura, Pernambuco já oferece experiências como rapel, vôo-livre, mergulho, trilhas, arvorismo e tirolesa, em destinos como Bonito, Bezerros, Buíque, Gravatá, Recife, Fernando de Noronha, Petrolândia, Igarassu, Serra Talhada, Triunfo, Vicência, entre outros.

Já na área de turismo criativo, será oferecido, em conjunto com o Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano (IADH), ao qual está ligado a Recria – Rede Nacional de Turismo Criativo, o curso de Formação para a Inovação da Oferta Turística do Interior de Pernambuco. Será em formato de uma capacitação técnica para incentivo à criação de novas iniciativas e da elaboração de rotas integradas entre destinos. A ideia é estimular empreendedores locais na criação de produtos e serviços.

“O Recife é um dos destinos pernambucanos que já trabalham bem o turismo criativo, conta com várias iniciativas e roteiros neste segmento. Agora é a vez de despertar o interior do Estado para esta tendência, que é uma das que mais cresce em todo o mundo. Estamos muito felizes em iniciar o ano de 2022 com este projeto e também planejando o turismo de aventura no Estado”, comenta o presidente da Empetur, Antonio Neves Baptista.

O IADH é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), que tem como missão desenvolver capacidades de pessoas e organizações em estratégias e processos de desenvolvimento local sustentável, atuando desde 2003.

Fonte: Governo PE

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Caminhos e descaminhos da Educação no Brasil - Especialistas da USP traçam um painel na atual situação educacional do País

 Gazeta da Torre

Escola pública do município de Moreno-PE.
Foto:Bobby Fabisak

E o que precisa ser feito para, mais do que se educar, se formar cidadãos

Diante de tantos desafios que o Brasil tem enfrentado nos últimos anos – pandemia e a discussão sobre vacinas, retorno da inflação, governo errático, para ficarmos só com alguns –, talvez a educação seja o maior deles. Porque a crise na educação brasileira não é recente, não é de hoje, apesar de ter sido exponenciada nos últimos anos – e o País ter cinco ministros da área em menos de quatro anos talvez seja a síntese da crise educacional pela qual o Brasil enveredou. Não vale falar aqui de questões pastorais, disputa de influências e pedidos e propostas canhestras. Tudo isso é mais consequência do que causa. O fato é que a educação brasileira é como um grande e pesado avião que tem tido vários percalços em sua viagem rumo ao futuro. Só que, diferentemente das viagens dos aviões de carreira, a turbulência intermitente é a regra, não a exceção. E o destino ainda parece incerto.

No livro A Escola Pública em Crise, resultado de um seminário internacional realizado em 2019 na Faculdade de Educação da USP (FE-USP), é dito na apresentação: “Entendemos que o campo da educação e a escola pública mais especificamente vivem uma crise histórica”. Mas, afinal, que crise é essa que tem na escola pública seu ponto de partida mas não se resume a ela? “Naquele momento, entendíamos que havia uma crise estrutural, que tinha a ver já com um governo federal que assumiu o poder desprovido de qualquer compromisso com uma pauta educacional. Entendíamos que o Brasil estava sem projeto e sem rumo no tocante às políticas educativas. Acreditamos que o cenário que visualizávamos naquele ano de 2019 apenas se aprofundou”, explica a professora e pesquisadora da FE Carlota Boto, uma das organizadoras do volume.

“Nos últimos anos, nós tivemos sucessivas trocas de ministros da Educação, sem que houvesse uma diretriz sobre qual é a orientação a ser dada para a melhoria do ensino público. Se nós perguntarmos quais são as prioridades das políticas públicas no campo da educação, não saberemos responder a essa pergunta”, avalia ela. Já para Bernardete Gatti, conselheira da Câmara de Educação Superior e integrante do Comitê Consultivo da Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, o desafio é “privilegiar o bem comum, o bem público, o respeito à diversidade, mantendo princípios éticos e sociais, sem desesperançar”. “O panorama hoje se nos apresenta repleto de dilemas desorientadores”, afirmou ela em recente entrevista ao Jornal da USP.

Entre esses dilemas parece estar a inescapável questão tecnológica e o chamado letramento digital – tanto solução quanto problema quando o quadro a ser compreendido é o da educação. Para o professor sênior do Instituto de Física da USP (IF) e coordenador acadêmico da Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica do IEA, Luís Carlos de Menezes, se os anos de pandemia “escancararam e aprofundaram as desigualdades do País, especialmente na educação”, eles também tiveram outro condão: “difundir recursos tecnológicos de informação e comunicação que se mostraram importantes para o ensino”, afirmou ele recentemente ao Jornal da USP. E aí talvez residam o problema e o dilema tecnológico. O pesquisador e professor da Faculdade de Educação Ocimar Alavarse comenta que os dados indicam uma defasagem na leitura e resolução de problemas matemáticos por parte dos alunos. “Essas duas competências são muito importantes”, diz. “A capacidade de leitura interfere no aproveitamento de todas as disciplinas da escola, assim como na resolução de problemas, que, embora associada à matemática, diz respeito à lógica e ao raciocínio”,  afirmou ele, em entrevista à Rádio USP, sobre a mudança no Ensino Médio.

Sem planejamento, sem futuro?

Políticas públicas: talvez essas sejam as palavras mágicas que poderiam abrir as portas para um futuro mais promissor da educação no Brasil – e para todos os envolvidos, não só na escola básica, mas em todos os níveis. Mas essas palavras parecem esquecidas, em um mutismo governamental que não vem necessariamente de hoje. E isso, ao se falar de um Ministério da Educação que tem uma verba de quase R$ 160 bilhões. Mas o problema, aparentemente, não é falta de dinheiro. “O problema da educação no Brasil é um problema que envolve, sim, o financiamento. Mas envolve também o uso da verba. A impressão que dá é a de que o MEC hoje não sabe onde aplicar seus recursos. Não há projetos, não há diretriz, não há orientação. Falta interesse em investir na educação pública”, analisa Carlota Boto. “Esse atual governo federal não tem projeto para a educação. Aquilo que foi desenhado pelos últimos governos também não ajuda. A BNCC do Ensino Médio, por exemplo, desmontou com as disciplinas clássicas dessa etapa de ensino. Assim, pode-se perguntar como se dará a formação de um jovem, se essa formação não contempla uma sólida base de História, de Filosofia e de Geografia, para citar somente três exemplos”, afirma a professora da Faculdade de Educação, se referindo à Base Nacional Comum Curricular, o instrumento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da educação.

Nessa falta crônica de planejamento – que coloca em risco um futuro mais tangível para milhões de brasileiros – acaba-se, também, se perdendo aquilo que foi conquistado. É o caso do Inep, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. O instituto – que leva o nome de um dos principais educadores da história brasileira, ao lado de nomes como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, que não encontraram sucessores do mesmo nível em um passado recente – fornece a base de dados para a realização de levantamentos estatísticos e avaliações em todos os níveis e modalidades de ensino, como o Enem. Mas a recente crise no Inep, no final do ano passado, quando um grupo de servidores do instituto – às vésperas do Enem – solicitou afastamento alegando “falta de comando técnico” e “clima de insegurança e medo”, colocou todo o trabalho em risco.

“Eu diria que nós incorporamos todas as crianças e jovens na escola. Cumprimos, portanto, a primeira geração de direitos educacionais. Falta enfrentarmos a segunda geração – com vistas à qualidade de ensino – e a terceira geração, que postula o descentramento do currículo. Além disso, é preciso que não nos esqueçamos de que o currículo tem uma dimensão de aprendizado da convivência. Não há mundo individual sem uma dimensão coletiva”, afirma Carlota Boto. “Sendo assim, há que se proporcionar, para além da dimensão cognitiva do aprendizado de saberes e conhecimentos, a habilidade da convivência com o outro, com o diferente, com o diverso. Mudar o foco da educação em prol do coletivo requer, antes de tudo, vontade política. É preciso interpretar esse mundo coletivo. E proporcionar condições para que os alunos também o façam”, acredita ela.

“Os gráficos sobre analfabetismo no Brasil mostram em que país vivemos, hoje, e que Brasil Fernando Henrique, Lula e Dilma receberam e tiveram que administrar e alfabetizar. Cada um à sua maneira tentou enfrentar o problema sem destruir o que já havia sido feito antes. Agora o desafio é outro, imenso, formar de fato o brasileiro. Alfabetizando o que ainda falta e a pandemia da covid ampliou, desenvolvendo habilidades, oferecendo aos estudantes conhecimento para que ele possa sobreviver no mundo contemporâneo”, acrescenta Janice Theodoro.

Já quanto ao binômio retórica x ação, a situação é ainda mais complexa, acredita Janice Theodoro. “Para a educação ser igual para todos, a sociedade deveria evoluir em direção a uma melhor distribuição de renda e de acesso à cultura”, afirma a professora. “Uma vida equilibrada marcada pela ética requer aprendizado, exige modelos de identidade com base no bem comum, convívio social com pouca violência e muita discussão e participação política. Cultura e educação andam coladas. Só juntas permitem ver a proporção das coisas, o tamanho do mundo, ensinando a lidar com a diferença. Não é fácil.”

A professora Carlota Boto vai no mesmo diapasão. “Historicamente, a educação tem sido enfatizada no discurso político, sem que haja um correspondente investimento nas políticas públicas. Porém, nos últimos anos, eu diria que nem isso vem acontecendo. Há um vácuo nas ações e outro vácuo nos discursos. Esse governo federal não fala de educação. Quando fala, menciona questões de ideologia. Sobre as questões do conteúdo, da melhoria da escola pública, não se diz nada”, afirma ela. “E, no entanto, a educação do futuro deverá ser intercultural, engajada com as pautas do ambiente. Deve ser uma pedagogia do respeito, da inclusão, da pertença a um mundo comum, que proporcione padrões de convivência que sejam pautados pela tolerância à diferença. Aliás, é mais do que tolerância com o diferente. Trata-se efetivamente de abraçar a diferença, em nome da valorização de sociedades que, por princípio, são multiculturais e multiétnicas. A convivência com o outro é também por si só um elemento educativo. É preciso levar as escolas a desenvolverem práticas democráticas na interação entre professores e alunos, mas cuidar também para que se ensine os alunos a serem críticos em relação ao próprio conhecimento aprendido. Trata-se de uma postura crítica e analítica diante do mundo: diante das desigualdades, diante das injustiças. Trata-se também de uma nova relação com o conhecimento e com os valores.”

Que cidadãos estamos formando?

Diante dessas questões colocadas, é importante se perguntar: afinal, que cidadãos estão sendo formados? De que forma? É o que a professora Janice Theodoro afirmou há pouco: o desafio é formar o brasileiro, mesmo com uma bolha social a separar estudantes cultural e educacionalmente. E aí nos deparamos com um dilema: por quais caminhos seguir? Tem-se investido em uma formação talvez mais “tecnicista”, de formação, digamos, de “cérebro de obra”,  do que de cidadãos?

“Sim, a formação hoje preconizada é tecnicista. Em nome do que se passa a compreender como projeto de vida, circunscreve-se o aluno à sua situação de existência atual, como se ele estivesse destinado à fatalidade de permanecer nesse seu lugar de nascimento. Isso vai acentuar a distância entre os projetos de vida dos jovens de camadas mais abastadas e aqueles pretensamente mais modestos projetos de vida dos jovens mais pobres. É isso que se espera: que os projetos correspondam ao caráter estático da sociedade brasileira, com suas fraturas e desigualdades”, afirma Carlota Boto. “A ação educativa tem alguma autonomia em relação às políticas que a estruturam. Então, pelo empenho, pela dedicação e pela competência de professores em todos os recantos deste País, há sim cidadãos sendo formados. Mas isso é uma formação a contrapelo. Formamos cidadãos críticos e comprometidos com um mundo mais justo apesar da lógica de um modelo político que vai em direção contrária.”

Fonte: Jornal da USP

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Os Ovos de Páscoa em 2022

 Gazeta da Torre

A ida ao supermercado tem se tornando um verdadeiro filme de terror para o brasileiro. Os alimentos, juntos dos combustíveis, são os itens que mais têm pesado no bolso nos últimos meses. Em fevereiro, o IPCA, o índice que mede a inflação oficial do país, chegou a seu maior nível desde 2015.

No entanto, essa época do ano, tem chamado a atenção um item em especial: os ovos tradicionais de Páscoa. . Essa lembrança, muito tradicional por aqui, já não tem despertado afeto na hora da fila da caixa. Ovos 'populares' não saem por menos de R$ 30. Se quiser apresentar uma criança com os acompanhantes acompanhados de brinquedinhos, pode ir preparando o bolso.

Bombons e barras viram alternativas. . Em conversa com o Estadão, o presidente da marca de chocolates Dengo, conhecido por ser o segmento do premium, Estevan Sartoreli, disse que esse movimento de substituir ovos por barros e bombons não é de hoje. "Temos visto cada vez menos ovos. As pessoas estão mais interessadas pela qualidade do chocolate diz o executivo. Barras e bombons também pesam menos na conta final pois o valor agregado (mão de obra, embalagem etc) é menor que o dos ovos.

Fonte: Yahoo Finanças. 

Prefeitura do Recife inicia preparativos para celebrar o São João 2022 nas ruas

 Gazeta da Torre

Diante das tendências de expressiva queda nas curvas de contaminação da pandemia, com novas prováveis flexibilizações dos protocolos sanitários, a Prefeitura do Recife começou os preparativos para celebrar, sem restrições de público e com muito forró, o ciclo festivo mais nordestino do calendário brasileiro. O anúncio foi feito pela prefeitura com sua secretaria de cultura.

Os editais de subvenção e das atrações artísticas para o São João do Recife 2022 serão lançados nesta quinta-feira (14), pela Secretaria de Cultura e pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, dando início às tratativas para que o Recife possa, finalmente, voltar a celebrar nas ruas e por toda a cidade a festa democrática e plural, uma marca da capital pernambucana.

As datas dos festejos, com detalhes da programação, serão anunciadas posteriormente, observando a atualização dos protocolos estaduais, mas uma novidade já está garantida: neste São João da retomada cultural, o Recife terá festa para todo lado, espalhando o arrasta-pé por vários bairros, mantendo o Sítio Trindade como polo de destaque, mas desta vez transformando o Recife Antigo num grande arraial a céu aberto, com decoração, palco, várias atrações, apresentações de quadrilhas, comidas típicas e muito forró.

Por toda a cidade, a festa será embalada por trios pé-de-serra, grandes forrozeiros e forrozeiras de todo o Nordeste, além de quadrilhas e outras tradições da cultura popular nordestina, que se encontrarão nesta saudosa celebração à nossa diversidade e riqueza cultural.

Fonte:PCR.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Com imenso poder econômico, “BIG TECHS” atuam como GOVERNOS

 Gazeta da Torre

Escritora e professora, Alexis Wichowski

O avanço e o alcance de grandes empresas de tecnologia sobre os consumidores estão moldando uma relação complexa entre ambas as partes. As big techs, que detêm bilhões de consumidores integrados em ecossistemas de produtos e de serviços, já atuam como imensas estruturas econômicas com capacidades superiores às de muitas nações. Estas organizações, com força quase como a de um Estado e sem barreiras físicas, são os chamados “governos de rede”, conforme caracteriza a escritora e professora da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, Alexis Wichowski.

 “Governos de rede trabalham com produtos e serviços tecnológicos, e uma das coisas que os diferencia é que eles tratam os clientes quase como cidadãos de seus produtos e serviços. Eles investem em serviços para protegê-los, por exemplo. O Facebook tem uma equipe antiterrorista que é maior do que a do governo americano”, reforça a escritora.

Em entrevista para o canal UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, em parceria com a Brazilian Student Association (BRASA) – associação formada por brasileiros que estudam no exterior –, Alexis pontua que, quando a pandemia ganhou força no país norte-americano entre fevereiro e março, quem realmente tomou a iniciativa de proteger as pessoas não foi o governo ou o país, mas os “governos de rede”, isto é, as empresas que compõem a grande indústria tecnológica, como Google, Microsoft, Amazon e Facebook.

 “Elas foram algumas das primeiras entidades a declarar que os funcionários trabalhariam em casa – para a proteção deles –; a garantir que funcionários que trabalhem por hora não perderiam o emprego, mesmo incapazes de irem ao local de trabalho; bem como dariam licença parental àqueles cujos filhos não fossem mais à escola”, enfatiza a especialista em política internacional e em relações públicas. Ainda assim, a escritora defende a importância de que as ações dessas entidades sejam reguladas em âmbito internacional.

Ela também analisa o risco que tanto poder sobre uma quantidade massiva de dados, nas mãos de poucas empresas, representa de fato para as pessoas, e como tais fatores afetam a geopolítica internacional.

* Alexis Wichowski é gestora e pesquisadora no Instituto Harmony e professora na School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade Columbia. Atualmente, a pesquisadora ainda trabalha como secretária de imprensa da cidade de Nova York e realiza regularmente pesquisas sobre impacto da mídia, tecnologia e governo. É especialista em tecnologia, mídia e comunicação, com PhD em Ciência da Informação pela Universidade Albany, em Nova York, nos Estados Unidos.

Fonte:UM Brasil.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Secult-PE celebra Ariano Suassuna com lançamento de livro digital

 Gazeta da Torre

O mestre Ariano Suassuna

O legado do mestre Ariano Suassuna ganha mais uma obra em celebração a sua arte e memória. Apoiado pela Secretaria Estadual de Cultura, o lançamento oficial do livro digital “Museu Armorial dos Sertões – Caderno 1” aconteceu na quinta-feira, dia 7 de abril, às 17h, no salão anexo do Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), no bairro das Graças, no Recife. A obra gratuita estará disponível no link: 

 www.cultura.pe.gov.br/pagina/literatura/museu-armorial-dos-sertoes

“Nesta obra-documento, quem acessar o livro terá disponível preciosidades do universo concebido por um artista de primeira grandeza das artes brasileiras. Ariano se tornou um demiurgo. Verdadeiro criador de um mundo cuja cosmologia é composta com o que há de mais profundo e sensível do Nordeste brasileiro”, exalta Gilberto Freyre Neto, secretário de Cultura de Pernambuco.

Entre os seis filhos de Ariano, Manuel Dantas Suassuna é o único que, como o pai, foi escolhido pela arte. Hoje, transformou-se em uma espécie de guardião e defensor de suas ideias e criações. Ele ficou responsável pela curadoria do “Museu Armorial dos Sertões”.

“Trazer novas luzes sobre a criação de Ariano Suassuna, com ênfase em sua trajetória biográfica, sua poesia e sua criação plástica é reafirmar a importância de sua produção para Pernambuco e para o Brasil. Unir uma equipe com conhecimento e capacidade para realizar tal propósito é, também, seguir valorizando e fortalecendo a força criadora desse artista fundamental para que se compreenda parte da arte brasileira”, destaca Dantas.

“As pessoas vão ter acesso a uma produção de primeiríssima linha. É importante destacar que esse projeto foi criado para comemorar a efeméride dos 50 anos do Movimento Armorial, em 2020. Mas, como passamos pelo conturbado período de pandemia, acabou ocorrendo o atraso”, explica Roberto Azoubel, coordenador de Literatura da Secult/PE.

Biografia e iluminogravuras

O livro digital 'Museu Armorial dos Sertões - Caderno 1"

O livro é dividido em dois eixos principais. No primeiro, a narrativa se detém sobre o início da trajetória do escritor Ariano Suassuna: os primeiros anos de vida, a trágica morte do pai e a mudança para o Recife. A história é alinhavada com a ajuda de alguns poemas criados por ele.

O trecho biográfico vai, cronologicamente, até a publicação do primeiro poema de Ariano, “Noturno”, em 7 de outubro de 1945, quando ele tinha 18 anos. A autoria dessa parte inicial é da escritora e jornalista Adriana Victor, amiga de Ariano, com quem conviveu e trabalhou por 20 anos.

No segundo trecho, o poeta, ensaísta e professor Carlos Newton Júnior, principal estudioso e conhecedor da obra de Ariano Suassuna, de quem também era amigo e compadre, traz uma análise sobre as iluminogravuras – obras que unem a poesia a desenhos, ambos criados por Ariano – e a sua importância na criação do escritor.

Também fazem parte do projeto o programador visual Ricardo Gouveia de Melo e o artista plástico Manuel Dantas Suassuna. Ricardo é hoje o responsável pela criação dos projetos gráficos de mais de 20 edições de obras do escritor junto à editora Nova Fronteira. A obra conta ainda com as fotografias de Gustavo Moura, Manuel Dantas Vilar, Geyson Magno e Léo Caldas.

Ariano Suassuna

Romancista, poeta, dramaturgo, dramaturgo e ensaísta, Ariano Suassuna nasceu na capital da Paraíba, em 16 de junho de 1927, e passou a maior parte de sua vida em Pernambuco, no Recife, onde nos deixou em 23 de julho de 2014.

Considerado um dos mais importantes escritores brasileiros, tem obras traduzidas em diversos idiomas e publicadas em vários países.

Membro da Academia Brasileira de Letras e vigoroso defensor da cultura brasileira, foi o idealizador do Movimento Armorial – que busca a criação de uma arte erudita brasileira a partir das raízes populares da nossa cultura.

Serviço:

Livro “Museu Armorial dos Sertões – Caderno 1”

Acesso gratuito à obra: 

www.cultura.pe.gov.br/pagina/literatura/museu-armorial-dos-sertoes

Fonte:Cultura PE


segunda-feira, 28 de março de 2022

MODA - ACESSÓRIOS - Saiba como usá-los para valorizar ainda mais seu estilo

 Gazeta da Torre


Os acessórios têm o poder de dar acabamento à imagem. São um arremate, o toque final á roupa, a sua assinatura de estilo. A palavra como definição de complemento de uma roupa ficou pequena para o vasto poder que desempenha, deixando de ser simplesmente um acessório.

Mas, como usá-los? A tendência hoje diz que se usa praticamente de tudo – uma liberdade de expressão total. O leque de opções é muito amplo, fazendo com que a informação, o bom gosto, o bom senso e seu estilo pessoal  prevaleça na hora da composição do look.

Alguns destaques ganham força nesta temporada. Mas, quem  vai nos mostrar é a nossa Consultora de Imagem e Estilo Fatima Fradique, que fez uma seleção de sapatos, bolsas e cintos, com dicas de ouro para que vocês possam montar suas produções de um jeito simples e certeiro. Vale a pena conferir!

1)  ACESSÓRIO:  

SAPATO FEMININO – METALIZADO

Para muitas pessoas, o sapato se encaixa em um dos prazeres mais sedutores da vida, seja para usar, seja para colecionar, para admirar... É importante que você tenha consciência da mensagem que está passando através de seus sapatos, e saiba adaptá-la à ocasião apropriada.

Os calçados metalizados que fizeram sucesso nos invernos anteriores, esse ano vem com tudo em todas as estações e nas mais variadas opções de sapatos femininos.

E ao contrário do que se imagina,  esse acabamento também combina com looks do dia a dia, para trabalho, passeio, festas, em fim. Basta saber combinar e ousar!

2) ACESSÓRIO: SAPATO - SCARPIN

Curinga do guarda-roupa feminino, dentro de suas inúmeras releituras – sejam o bico, a textura, a cor ou o salto – continua elegantíssimo.

Dica de ouro: O nude não é uma cor única e traz diversas nuances, por isso o sapato deve ser provado no pé, procurando uma opção de tom que fique mais próximo do seu tom de pele. Essa aproximação de cor de pele com scarpin nude ajuda a trazer a ideia de uniformidade de tons, e isso alonga as pernas. Além disso, também é possível usar tons nudes que não fiquem tão próximos do tom de pele, mas, nesse caso o truque de alongamento não funciona tão bem.

3) ACESSÓRIO: BOLSA –VINHO / BORDEAUX

Com o poder de protagonista, a bolsa pode mudar de estilo, cor, formato, mas continua sendo a companheira indispensável para compor um look e útil no dia a dia. Uma perfeita representante do universo de sua dona que confere atitude ao visual que ela deseja.

A bolsa cor vinho, aqui mostrada é um tom que pode ser usado com diversas combinações de cores, pois é muito versátil e pode ser uma cor tão coringa como o preto.

Dica de ouro: O tamanho da bolsa tem de ser proporcional ao seu. Uma mulher pequena sumirá usando uma bolsa grande, enquanto uma mulher alta fica maior ainda com um modelo pequeno.

4) ACESSÓRIO: BOLSA + SAPATO 

Tem que combinar sapato com bolsa? Já faz um bom tempo que a bolsa não precisa necessariamente combinar com o sapato.

Antes de mais nada é importante ressaltar que o ideal é que o sapato combine com a bolsa porém, isso não quer dizer que tenham de ser da mesma cor ou estampa. O essencial é que as tonalidades conservem e sejam harmônicas.

5) ACESSÓRIO: CINTO DE COURO  -  PRETO

Os cintos femininos reconquistaram seu lugar! Independente de forma, espessura, modelo ou cor, os cintos são peças-chaves no guarda-roupa feminino.

Eles podem transformar o look criando vários visuais em uma única peça. Valorizando a roupa em um estilo mais despojado ou mesmo elegante.

6) ACESSÓRIO: CINTO – DECORADO

Ultimamente vê-se um retorno dos cintos decorados, quase bijoux, que podem arrematar um look sobre a camisa e o vestido, ou sobre uma camisa longa e calça. É um visual despojado que pode disfarçar algumas sobremesas a mais...

 E para finaliza:  FICA A DICA DA ESPECIALISTA.

Nunca se esqueça da velha regra que até hoje é considerada a melhor: o bom senso impera. Olhe-se no espelho antes de sair de casa. Se achar que está usando algo a mais, na dúvida tire!  Na hora de combinações de peças, leve em conta colares, brincos, anel, pulseiras, sapatos, bolsa e cinto.

Espero que aprovem as dicas e que façam suas produções sem erro. Até a próxima edição!

Facebook ( Fanpage ) Fatima Fradique

Instagram: https://www.instagram.com/fatima_fradiquecrc/?hl=en

terça-feira, 22 de março de 2022

Abrir espaço à diversidade na liderança é obrigação de todos

 Gazeta da Torre

Daniela Weitmann, executiva de negócios

Criar ambientes onde mulheres, negros e pessoas de perfis distintos se sintam representadas pelas lideranças e possam almejar chegar a estas posições é uma obrigação de todos, especialmente daqueles que atingiram cargos mais elevados em suas carreiras. É o que pensa Daniela Weitmann, executiva de negócios e chefe do Departamento Digital da DLL, empresa holandesa do ramo financeiro.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Daniela conta que, quando trabalhou em uma grande empresa do ramo de produtos esportivos, notou que, quanto mais alto o nível hierárquico, menor a participação de mulheres nas posições de liderança.

“Isso foi um dos grandes motivos de eu ter sido a fundadora da Associação de Mulheres da Nike, que ajudou a conversar sobre estes tabus”, declara. “[A ideia era] como criar um ambiente em que as mulheres vão olhar para cima e se ver representadas. Isso é muito importante para conseguirmos mudar a meta [de diversidade]”, acrescenta.

Na entrevista, que faz parte da série UM BRASIL e BRASA EuroLeads – um novo olhar sobre o Brasil, com apoio da Revista Problemas Brasileiros (PB), Daniela ressalta que a abertura dos espaços de liderança para pessoas de grupos considerados minoritários não está ocorrendo com a rapidez esperada.

“Estamos tomando as medidas necessárias para que esta mudança seja feita na velocidade necessária? Provavelmente, não, mas acho que não podemos tirar de nós mesmos a responsabilidade de conduzir a mudança”, sinaliza a executiva.

Com experiência em grandes marcas internacionais em alguns países europeus, Daniela destaca que em nações mais igualitárias, como a Suécia, as pessoas reagem “à hierarquia de uma maneira diferente, porque todos se consideram iguais”.

Além disso, ela, estrangeira e grávida, não enfrentou tantas dificuldades para conseguir um emprego no país do Norte da Europa. O mesmo não ocorre, contudo, no Brasil e em outras nações ocidentais.

“Acho que existe uma consciência geral de que tem de mudar não só a participação de gênero, mas a racial e a de estilos de liderança. Muitas vezes, vemos somente pessoas extremamente extrovertidas na liderança, não vemos introvertidos em cargos de destaque”, salienta Daniela. “Então, acho que existe uma consciência geral de que isso tem de mudar”, reforça.

Papel do líder

Daniela afirma que é função do líder identificar a capacidade e a vontade dos subordinados, a fim de potencializá-los dentro da organização. Desta forma, quando há vontade, mas o liderado carece de determinadas habilidades, o líder deve prover condições de treiná-lo. Na situação contrária, quando sobra capacidade, mas falta vontade, a ideia é mentorar o subordinado.

“Como consigo mudar o seu mindset [mentalidade], vender o sonho? Saber fazer você sabe, mas ainda não comprou o sonho. O que faz o seu coração ticar? De repente, não é crescimento financeiro; de repente, é como vai influenciar outras vidas. Tenho de conhecê-lo melhor para saber como motivá-lo”, explica.

Na visão dela, cabe ao líder potencializar o crescimento de outros profissionais. “Quando vemos talentos que têm tanto vontade quanto capacidade, é só ajudar a voar”, sugere a executiva.

Assista à entrevista na íntegra no Canal UM BRASIL!

Fonte: UM Brasil

quinta-feira, 17 de março de 2022

Mulheres no climatério podem contar com canal de orientação

 Gazeta da Torre

Isabel Cristina Esposito Sorpreso fala sobre o projeto do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina, que criou o site Menopausando

A Ginecologia do Hospital das Clínicas da USP  lançou o site Menopausando para mulheres no climatério. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª edição, a professora Isabel Cristina Esposito Sorpreso, do Departamento de Ginecologia do HC/FMUSP discorreu sobre a importância do projeto.

De acordo com Isabel, “esse foi um projeto intitulado Educação em Saúde para Mulheres na Transição para a Menopausa e Pós-Menopausa. É um projeto apoiado por um edital da Pró-Reitoria de Graduação e do Programa Santander de Políticas Públicas. Esse edital visava a estimular melhorias para a população no município de São Paulo e também no Estado de São Paulo, e veio a pandemia. A ideia inicial era nós estarmos novamente falando a respeito, com grupos de orientação, multiprofissional, para as mulheres. Então, a ideia era trazer as reuniões em grupo, que são muito importantes, a educação em saúde com essa temática.”

A professora comentou sobre o fato de muitas mulheres passarem por isso, mas não terem a oportunidade de saber que outras estão passando pelos mesmos sintomas. “Nesses grupos elas se identificam, porque elas começam a falar, é a oportunidade delas falarem a respeito, darem risada e muitas vezes dizer ‘poxa, não sou só eu’; ou então se identificar, às vezes aquela mulher não identificou ainda que está nessa fase, ‘poxa, eu também estou sentindo isso’. Então, a ideia do site, na verdade, é trazer informações sobre essa fase da vida da mulher, orientações sobre essa fase.

A importância da orientação

O autocuidado é imprescindível. “É fundamental que a mulher tenha essa percepção, é fundamental que ela reconheça os sintomas, é fundamental que ela tenha uma imagem mais positiva dessa fase, exatamente o reconhecimento faz com que ela tenha esse poder do autocuidado, é um empoderamento dessa mulher nessa fase para que ela tenha o autocuidado”, atesta Isabel, que completa ao dizer que “o site visa a trazer orientações inicialmente gerais dessa fase, como manutenção de atividades físicas e uma boa alimentação. Então, os primeiros podcasts estão sendo de orientação.”

O site é um canal de trocas importantes das mulheres com os alunos e a Universidade. A professora relata: “Esse site teve toda a idealização com alunos da graduação, tanto de Medicina quanto da Faculdade de Saúde Pública. Nós tínhamos iniciação científica com esse site, desde o logo, desde o tema, cor, foi feito um Google Forms com mais de 400 mulheres em plena pandemia, olha só a participação das mulheres no interesse delas sobre a temática. Ele é todo idealizado por estudantes e já pelas mulheres, que trouxeram o querer saber sobre, e este site continua sendo alimentado pelos estudantes, é uma forma dessas mulheres se comunicarem com a Universidade, mas também com os estudantes, para aproximar o estudante dessa forma de comunicação.”

* Para acessar o Menopausando, acesse o linkhttps://sites.usp.br/menopausando/.

Fonte: Jornal da USP.

domingo, 13 de março de 2022

O Brasil tem capacidade de ser autossuficiente na produção de fertilizantes?

Gazeta da Torre 

Especialistas comentam que a questão tem sido tratada de forma inadequada nas últimas décadas no Brasil

Em 2021, o agronegócio brasileiro exportou US$ 120,59 bilhões, responsabilizando-se por nada menos do que 40,6% das vendas externas do País. Mais um resultado que consolidou a imagem do Brasil como potencial celeiro do mundo. Neste início de 2022, contudo, o agronegócio, um dos alicerces do nosso PIB, deparou-se com um obstáculo imprevisto, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que está desorganizando inúmeras cadeias de comercialização globais, especialmente a de fertilizantes, da qual a agricultura brasileira é excessivamente dependente.

Em uma de suas edições recentes, a revista Exame traçou o seguinte quadro: “O Brasil hoje importa 85% dos fertilizantes que consome para a sua agricultura. No ano passado, o País consumiu 43 milhões de toneladas de fertilizantes. As três principais cadeias – soja, milho e cana-de-açúcar – consumiram 73%. O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, atrás dos Estados Unidos, da Índia e da China, e nós consumimos algo em torno de 8,5% a 9% de todo o produto no mundo. Só que esses outros três países são grandes produtores de fertilizantes, e o Brasil não".

O obstáculo imprevisto faz com que o governo brasileiro corra atrás de alternativas que supram, a curto prazo, os fertilizantes tradicionalmente fornecidos pela Rússia e Belarus, mas também coloca duas questões: por que o Brasil se tornou tão dependente da importação de insumos para a sua produção agrícola, a coluna de sustentação de sua pauta de exportações; quais as possibilidades de modificação desse quadro de dependência de importações, a médio e longo prazos?

O Jornal da USP discutiu esse tema com especialistas da USP (https://jornal.usp.br/atualidades/o-brasil-tem-capacidade-de-ser-autossuficiente-na-producao-de-fertilizantes/): Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), Paulo Sérgio Pavinato, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), e Mauro Osaki, pesquisador da área de custos agrícolas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq da USP, que concedeu entrevista para o programa Desafios. Aqui, seguem dois dos especialistas.

Ildo Sauer

Professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP

“A questão dos fertilizantes tem sido tratada de forma inadequada nas últimas décadas no Brasil. Basicamente trata-se de demanda de macronutrientes como fósforo, potássio e nitrogenados, mesanutrientes como enxofre, magnésio e cálcio, e micronutrientes como boro, zinco, bismuto, cobalto e outras coisas mais. O Brasil tem importado entre 75% e 85% dos fertilizantes. É preciso tratar separadamente os três macronutrientes. Primeiro, nitrogenados.”

“Uma parte relevante dos nitrogenados amônia e ureia era produzida pela Petrobras na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Sergipe e Bahia, usando gás natural, e por uma outra fábrica de fertilizantes, em Araucária, no Paraná, que usava um outro processo com resíduos de refinaria. As três foram fechadas há alguns anos pela decisão de olhar em um curto prazo a rentabilidade. De fato, não fazia muito sentido importar gás natural (…), reagaseifica-lo para depois convertê-lo em amônia e ureia, quando seria mais barato importar o gás via GNL, importar amônia diretamente.”

“Porém, agora que nós descobrimos os recursos do pré-sal, há uma grande quantidade de gás disponível, não faz mais sentido que não se tivesse já criado um plano estratégico para produzir fertilizantes nitrogenados a partir das imensas quantidades de gás natural disponíveis no pré-sal.”

“Então, os nitrogenados já poderiam ter sido resolvidos. Já em relação ao fósforo e ao potássio, a situação é um pouco mais grave porque, apesar de se ter notícias que existem esses recursos no Brasil, nenhum projeto concreto tem sido desenvolvido em escala necessária. Porque também não foram desenvolvidos os estudos […] geológicos para descobrir mais recursos, fazer o seu estudo de viabilidade econômica para convertê-los em reservas e aí passar a produzir os fertilizantes aqui no Brasil.”

“O que falta é organizar essa indústria. Há soluções possíveis para melhorar reduzindo os custos, aumentando a produtividade, gerando mais empregos e ajudando o ambiente do Brasil. É necessário urgentemente revisar as políticas públicas, integrar esses vários setores à indústria dos resíduos, a indústria do saneamento com a indústria energética, com a indústria elétrica, a indústria do gás e com a indústria de fertilizantes do sistema agrícola. É possível recuperar biofertilizantes e energia dos resíduos orgânicos, originados da cadeia alimentar e das podas de vegetação de áreas ajardinadas urbanas. É um desafio fazer isso, mas é possível e nós estamos dando uma modesta contribuição com nossas pesquisas aqui no Instituto de Energia e Ambiente.”

Paulo Sérgio Pavinato

Professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz

“Nós não temos reservas de fosfato suficiente para suprir a demanda em uma grande escala e também não temos reserva potássica para suprir a demanda do Brasil em uma grande escala. Então há possibilidade de produzirmos mais fertilizantes, mas num longo prazo e com investimentos altos principalmente da indústria de fertilizantes e governamental.“

“Há possibilidade sim, de expansão, mas não em curto prazo. Imagina-se aí que, com investimentos pesados dentro de 6 a 8 anos, o Brasil poderia ser quase que autossuficiente em produção de nitrogenados, produzir quase todo o fosfatado e produzir uma boa parte do potássio que demanda, mas, pelas projeções e pela política que temos no Brasil, a possibilidade de isso ocorrer é pequena.”

“Há necessidade política governamental para que isso ocorra e também negociações com as empresas das grandes commodities das grandes empresas internacionais que estão atuando no mercado de fertilizantes no Brasil.”

“Acreditamos que vamos continuar dependentes externos ainda de fertilizantes por um bom tempo, e o mercado que se caracteriza agora, nessa situação atual, está bem complicado né, nós tendemos a ter um aumento no preço dos fertilizantes porque não vai haver oferta no mercado.”

Fonte: Jornal da USP

quarta-feira, 9 de março de 2022

No mundo em guerra, Brasil precisa saber lidar com todas as grandes potências

 Gazeta da Torre

A guerra entre Rússia e Ucrânia simboliza o fim de um período no qual havia apenas uma potência no mundo. Após três décadas de supremacia, o sistema unipolar, regido pelos Estados Unidos, está saindo de cena. Em seu lugar, emerge uma disputa que deve interpor limites e alimentar tensões entre três nações poderosas dos pontos de vista econômico e militar. No meio disso, o Brasil, sem se alinhar a nenhum lado, precisa cumprir o objetivo da política externa: colher benefícios para o seu desenvolvimento. Isso é o que pensa Carlos Gustavo Poggio, pesquisador e professor de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

Em entrevista a plataforma UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Poggio, analisando a invasão russa ao território ucraniano, destaca que o mundo pós-Guerra Fria, no qual os Estados Unidos ditaram as regras, está ruindo. A ascensão da China e a proeminência da Rússia estão causando uma “mudança estrutural”, de modo que seja importante que o Brasil saiba se adaptar ao novo cenário.

 “No mundo multipolar, se você não se amarrar necessariamente a nenhum dos polos, consegue extrair vantagens”, indica Poggio, também PhD em Estudos Internacionais pela Old Dominion University.

 “Qual deve ser o objetivo e a diretriz da política externa brasileira? O Brasil é um país em desenvolvimento, precisa de recursos e investimentos. Podemos conseguir isso diversificando. Então, o ideal é o País saber jogar com estas diferenças para trazer benefícios maiores. O objetivo da política externa é beneficiar a população brasileira”, complementa.

Na avaliação do especialista, ainda é cedo para mensurar os efeitos colaterais das sanções à Rússia, impostas em volume inédito, na economia brasileira. De todo modo, Poggio teme que o conflito no Leste Europeu contamine ainda mais a polarização política e atinja a diplomacia do País.

 “O Brasil estará, teoricamente, bem equipado para lidar com este mundo [das grandes potências] se souber voltar às origens e às tradições da diplomacia brasileira, que estão ligadas ao multilateralismo e à busca negociada pelos acordos”, salienta. “Então, o Brasil tem, se souber aproveitar a qualidade da nossa diplomacia, como se inserir nisso de forma vantajosa”, acrescenta.

Guerra na Ucrânia

De acordo com Poggio, a invasão à Ucrânia ocorre como forma de o Kremlin dizer que chegou a hora de rediscutir o sistema internacional, de modo que a Rússia não se postará como coadjuvante.

“[A guerra] é muito além da Ucrânia. O país é só um objeto neste jogo das grandes potências”, frisa.

O professor de Relações Internacionais também afirma que, independentemente dos bombardeios ao território ucraniano, o presidente russo, Vladimir Putin, “já perdeu” a guerra, porque não conseguiu alcançar os objetivos políticos que almejava com o conflito armado.

“Acho que Putin cometeu um erro estratégico gravíssimo, porque tudo o que ele queria aconteceu ao contrário. Qual é o seu grande objetivo nos últimos 20 anos? Semear divisão entre os europeus”, explica o pesquisador. “O que vimos nesta crise, rapidamente, foi um processo muito grande, como nunca se viu, de integração europeia. A Europa agindo de forma unida e rápida”, avalia.

Assista à entrevista na íntegra no Canal UM BRASIL!

Fonte:UM Brasil

quinta-feira, 3 de março de 2022

Demora na vacinação de crianças e adolescentes, por questões políticas, não se baseia na ciência

 Gazeta da Torre

A vacinação de crianças e adolescentes é uma necessidade sanitária para controle da pandemia e para dar segurança às famílias na prevenção da covid-19. Sem ela, casos graves podem ocorrer ainda na infância. Apesar disso, tem-se visto movimentos e ações politizadas contra a vacinação para essa faixa etária no Brasil.

A professora Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, explicou que, antes de se aprovar uma vacina, tem uma instância muito séria, com reuniões, avaliações, documentação que é avaliada para discutir a respeito com equipes de especialistas, além do pronunciamento, que é público.

Mesmo após isso, o Ministério da Saúde convocou uma audiência pública, com especialistas que não foram responsáveis pelos ensaios clínicos ou fizeram artigos sobre o assunto, apenas para usar a sua “autoridade” na área e serem contrários à questão da vacinação. “Houve muita disseminação, nesse espaço público, de informação falsa sobre os efeitos das vacinas. Isso gera pânico na sociedade. É totalmente compreensível”, ressalta Lorena.

Internação de jovens é preocupante

A professora destaca que a taxa de crianças e adolescentes internados por covid-19 no mundo está elevada. “Nós temos dados mostrando que temos internações e óbitos mundialmente. No caso do Brasil, há uma evidência muito preocupante: uma taxa elevada nessa faixa etária de óbito.” Ela prossegue, explicando que, por isso, deveríamos estar reagindo para querer proteger esses jovens e vaciná-los.

E a vacinação ainda não avançou o necessário para adolescentes acima de 12 anos, com apenas 25% de vacinados.“Temos uma fragilidade nos protocolos, nas escolas, do uso de máscaras e distanciamento. Temos uma série de problemas e já estamos colocando crianças no ambiente onde há chance de estarem expostas ao vírus”, afirma Lorena.

Outro ponto reforçado pela professora é que a demora na vacinação ocorre por questões políticas, “que não estão baseadas na evidência e na investigação científica”. Nesse momento, o que precisa ser feito é dialogar com a comunidade de pais, com as escolas, para procurar tirar dúvidas, entender os desafios da situação e a importância da vacinação.

A professora escreveu um artigo sobre essa questão da luta injustificada e politizada contra a vacinação de crianças e adolescentes no Brasil. Para ler,  https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/02/A-luta-injustificada-e-politizada-contra-vacinacao-de-criancas-e-adolescentes-no-Brasil-ARTIGO-Profa.-Lorena-Barberia.pdf.

Fonte: Jornal da USP.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Desiludidos, brasileiros fazem êxodo sem precedentes

 Gazeta da Torre

Nunca antes tantos brasileiros viveram fora de seu país. Sobrecarregados pela insegurança e pelas dificuldades econômicas, a cada ano, dezenas de milhares de jovens e aposentados, ricos e pobres, fazem as malas para reconstruir suas vidas longe da maior economia da América Latina.

Historicamente uma terra de acolhimento de asiáticos, africanos e europeus, o Brasil agora vê seus filhos partirem: 4,2 milhões deles viviam no exterior em 2020, número que começou a crescer ininterruptamente desde 2016, quando o Itamaraty registrava três milhões de emigrantes.

A situação se aprofundou em 2019.

“Não sei se diria que estava infeliz (…) mas não via futuro. Já estava pensando em ter uma família e pensei: ‘não posso fazer isso aqui’. Eu amo meu país, minha família inteira está lá, mas, por enquanto, meu marido e eu não estamos pensando em voltar”, disse Gabriela Vefago Nunes à AFP.

Como muitos que buscam melhores empregos e qualidade de vida, esta enfermeira de 27 anos deixou sua terra natal em setembro para se estabelecer em Québec, no Canadá, o nono destino mais procurados por migrantes brasileiros, com 121.950 pessoas registradas.

Com quase 1,8 milhão, os Estados Unidos encabeçam a lista, seguidos por Portugal (276,2 mil) e Paraguai (240 mil), onde houve migração de perfil rural na década de 1970, segundo relatório recente do Ministério das Relações Exteriores.

– “Nada em troca” –

Os altos índices de violência, inflação, desemprego e o impacto da pandemia da covid-19 são os ingredientes do maior êxodo do Brasil, que supera a fuga migratória surgida em meados dos anos 1980 (1,8 milhão), então motivada pela hiperinflação, concordam especialistas ouvidos pela AFP.

“Agora se trata, principalmente, de uma questão econômica, de falta de oportunidades de trabalho, da impossibilidade de crescer no mercado, de ganhar mais dinheiro, poupar, comprar uma casa”, explica Gabrielle Oliveira, especialista em migração e professora da Universidade de Harvard.

“As pessoas perderam a confiança e se sentem, de alguma maneira, traídas por seu próprio país. Pensam: ‘Eu dei tanto e não recebo nada em troca'”, acrescenta.

O engenheiro mecânico Marcos Martins, de 58 anos, considera-se um privilegiado por ter uma vida profissional “mais bem-sucedida” do que boa parte dos brasileiros. Ainda assim, também pretende partir. E, em abril, espera já ter trocado a “estressante” cidade do Rio de Janeiro por Lisboa, onde pretende continuar seus empreendimentos, junto com sua mulher.

O relatório do Ministério brasileiro das Relações Exteriores não especifica idades, nem condições socioeconômicas, mas Oliveira afirma que os migrantes que vão para Estados Unidos e Europa têm perfis muito variados. Ainda assim, esclarece a especialista, em sua maioria, são jovens e homens.

Na diáspora dos anos 1980, aqueles que deixaram o país eram, principalmente, pessoas de maior poder aquisitivo. Agora, alguns brasileiros pobres vendem seus pertences e até se endividam para poderem migrar, de forma irregular, ou legalmente, relata Oliveira.

– Risco futuro –

Em Portugal, há vantagens fiscais para aposentados e empresários brasileiros, diz a publicitária carioca Patrícia Lemos. Em 2018, ela montou neste país europeu uma empresa para ajudar seus compatriotas a se mudarem e se adaptarem.

“Aqui, uma pessoa de 50, 60 anos, consegue trabalhar. No Brasil, não consegue trabalho nem para vender pipoca”, diz Patrícia, destacando que muitos de seus compatriotas se estabelecem com mais facilidade na Europa por terem nacionalidade portuguesa, ou italiana, produto da colonização, ou da recepção de migrantes da Itália.

Segundo especialistas, além de perder mão de obra qualificada de setores com alta demanda, como o de tecnologia, o êxodo pode ser um risco para o futuro do país, devido às projeções recentes que alertam para um envelhecimento populacional.

Em 2100, o grupo etário a partir dos 65 anos poderá representar 40,3% dos 213 milhões de brasileiros, contra 7,3% em 2010, segundo um relatório publicado em outubro passado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério da Economia. O grupo abaixo de 15 anos cairá de 24,7% para 9%.

“É algo que, para o futuro, pode complicar muito, quando você vê muitas pessoas se aposentando e menos pessoas na idade produtiva”, alerta a especialista Gabrielle Oliveira.

Fonte: AFP