segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Em novo decreto, papa Francisco autoriza mais funções para mulheres na Igreja

 Gazeta da Torre

Imagem:Reuters

Mudanças são incluídas no Código de Direito Canônico

O papa Francisco, em mais um passo para ampliar as funções das mulheres na Igreja Católica Romana, alterou regras nesta segunda-feira (11) para permitir formalmente que elas atuem como leitoras em liturgias, distribuidoras de comunhão e prestem serviços no altar.

Em decreto, o papa formalizou o que já vinha acontecendo em muitos países desenvolvidos há anos. Mas, ao introduzir a mudança no Código de Direito Canônico, será impossível para os bispos conservadores impedir que as mulheres em suas dioceses tenham essas funções.

O Vaticano enfatizou, no entanto, que essas funções são "essencialmente distintas do sacerdócio ordenado", o que significa que não devem ser vistas como um precursor automático para que mulheres possam um dia serem ordenadas no sacerdócio.

"O pontífice, portanto, estabeleceu que as mulheres podem ter acesso a essas práticas e que podem ter funções litúrgicas institucionais", disse o Vaticano em nota explicativa.

No decreto, denominado Spiritus Domini, Francisco disse que tomou a decisão após reflexão teológica.

Ele afirmou que muitos bispos de todo o mundo disseram que a mudança era necessária para responder às "necessidades dos tempos".

Fonte:Agência Brasil

DIVULGAÇÃO

As polêmicas novas regras do WhatsApp que exigem compartilhamento de dados com Facebook

 Gazeta da Torre

O WhatsApp anunciou que passa a ser obrigatório o compartilhamento de dados de seus usuários com o Facebook, dono do aplicativo de troca de mensagens.

Quem não concordar com a mudança, conforme a notificação enviada pela plataforma, é convidado a apagar o app e desativar a conta.

"A política de privacidade e as atualizações dos termos de serviço são comuns na indústria, e estamos informando os usuários com ampla antecedência para que revisem as mudanças, que entrarão em vigor em 8 de fevereiro", disse um porta-voz do Facebook à agência de notícias AFP.

"Todos os usuários deve aceitar as novas condições se quiserem continuar usando o WhatsApp", acrescentou.

A União Europeia e o Reino Unido, contudo, serão exceções. Devido a acordos firmados com organizações de proteção de dados da região, a empresa não vai impor o compartilhamento de informações — o que foi interpretado por alguns como uma vitória da rígida legislação sobre privacidade e proteção de dados da região, a empresa não vai impor o compartilhamento de informações — o que foi interpretado por alguns como uma vitória da rígida legislação sobre privacidade e proteção de dados pessoais que a região vem implementando nos últimos anos.

A medida gerou uma onda de críticas e provocações. O empresário Elon Musk, CEO da Tesla, sugeriu a migração para o concorrente Signal. Outros propuseram o Telegram.

Quais dados serão compartilhados?

À AFP, o Facebook declarou que as novas condições "permitirão o compartilhamento de informações adicionais entre WhatsApp e Facebook e outros aplicativos como Instagram e Messenger". Isso inclui dados do perfil, mas não o conteúdo das mensagens, que seguem sendo encriptadas, conforme a empresa.

Em sua plataforma, o WhatsApp detalha a gama de informações que podem ser disponibilizadas a outras empresas do grupo: número de telefone e outros dados que constem no registro (como o nome); informações sobre o telefone, incluindo a marca, modelo e a empresa de telefonia móvel; o número de IP, que indica a localização da conexão à internet; qualquer pagamento ou transação financeira realizada através do WhatsApp.

Também podem ser compartilhados números de contatos, atualizações de status, dados sobre a atividade do usuário no aplicativo (como tempo de uso ou o momento em que ele está online), foto de perfil, entre outros.

Conforme a página, o objetivo da coleta de dados é "operar, fornecer, melhorar, entender, personalizar, oferecer suporte e anunciar nossos serviços".

Procurado pela BBC, o Facebook não respondeu ao pedido de entrevista para esclarecer o que motivou as mudanças na política de privacidade.

Após o anúncio, o número de downloads do app Signal, também um serviço de trocas de mensagens encriptadas, disparou. Além de Musk, Jack Dorsey, cofundador do Twitter, também recomendou o uso de aplicativo para burlar o consentimento forçado imposto pelo Facebook.

A plataforma de análise de dados Sensor Tower reportou que mais de 100 mil pessoas o haviam instalado, enquanto o Telegram registrou quase 2,2 milhões de downloads, segundo a Reuters.

O volume de downloads do WhatsApp, por sua vez, caiu 11% nos sete primeiros dias de 2021 em comparação com a semana anterior, ainda segundo a Sensor Tower.

Exceção europeia

Após uma confusão inicial a respeito da mudança de regras para usuários na Europa, que também receberam notificações de atualização na política de privacidade, o Facebook divulgou um comunicado nesta quinta (7/01) para esclarecer que ela não valeria para a "região europeia", que cobre a União Europeia, o Espaço Econômico Europei e o Reino Unido.

"Para evitar qualquer dúvida, segue valendo que o WhatsApp não compartilha os dados de seus usuários na região europeia com o Facebook", reforçou um porta-voz da empresa.

De acordo com a plataforma, a exceção se deve a negociações firmadas com organizações europeias dedicadas à proteção de dados — para alguns, um resultado direto do endurecimento da legislação referente à privacidade e proteção de dados pessoais em curso nos últimos anos.

Paul Tang, deputado holandês no Parlamento Europeu, compartilhou em sua conta no Twitter a notícia sobre a mudança das regras para os demais países e acrescentou: "Por isso a proteção de dados é importante".

Fonte:Tilt/UOL

domingo, 10 de janeiro de 2021

País sem leitores é país sem pensamento, por Nélida Piñon

 Gazeta da Torre

Escritora Nélida Piñon

“Teria de haver uma revolução social, no sentido de infundir ânimo por conhecimento nas pessoas – saber torna uma pessoa fascinante”, analisa a escritora, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e primeira mulher a ter presidido a instituição, Nélida Piñon.

Em entrevista a plataforma UM BRASIL, ela comentou os desafios de criar um país com mais leitores, as dificuldades de acesso aos livros e a presença das mulheres na literatura nacional. “Os pais deveriam ter a literatura como um bem almejado para os filhos”, defende. Ainda falta nos brasileiros uma busca pela ascensão social por meio do saber e dos livros, segundo ela.

 “Temos de provar aos jovens brasileiros que quando você sabe, você é até eroticamente mais interessante”, explica Nélida. “Você quer ao seu lado pessoas que te estimulem a ver o mundo de uma maneira dilatada através do viés da imaginação.” Sobre as escolas brasileiras, ela diz que é necessária uma mudança estrutural. “Aqui você não aprende o que é essencial sobre o trabalho educacional: ouvir, pensar, responder, contestar, buscar uma mínima soberania das ideias”, observa.

Na visão da escritora, nossa sociedade não tem apreço pela cultura em sua forma oficial (como os livros), além de não termos formação educacional para entendermos o que lemos. “Deve-se entender as nuances contidas num livro”, explica. O sistema terá de ser revigorado e refeito, no entendimento da entrevistada.

 “Como você pode fortalecer o sistema educacional para uma criança que não tem casa? Uma criança brasileira não tem lugar onde ler, só isso já é um drama”, justifica. Para Nélida, somos uma sociedade que, de algum modo, disfarçou suas precariedades por meio da imitação. “Imitamos os modismos que vinham do exterior e somos muito vulneráveis ao que vem de fora, que automaticamente desvaloriza o que é produzido aqui dentro”.

Para a imortal da ABL, não nos damos conta de que, ao abraçar o que vem de fora, não conseguimos criar contraste entre o estrangeiro e o que temos. “Diria que somos excessivamente colonizados”, conclui. Nélida explica ainda que tem um posicionamento muito claro sobre a participação das mulheres na literatura.

“A nossa sociedade é indulgente com o homem: ele pode ter uma obra não tão significativa e é quase imediatamente aplaudido. É oficialmente lido pelas classes determinantes do poder literário. Quando a mulher é lida, as mesmas pessoas simulam que não leram, para não ter de dizer uma palavra favorável a respeito dela”, enfatiza.

Apesar de reconhecer que a mulher chegou tardiamente ao mundo clássico da cultura, pois não podia ler ou escrever, ela diz que temos mais mulheres escritoras importantes que as estatísticas indicam. “Muitas mulheres que são importantes escritoras não são alçadas à categoria da plenitude e do conhecimento, pois são postas à margem.”

Entre os 40 membros efetivos da ABL, apenas cinco são mulheres. Nélida foi a primeira mulher a presidir a instituição e exerceu seu mandato no ano do centenário da ABL. “Exerci uma presidência com soberania e plenitude, porque ninguém me controlou. A comunidade masculina não se dá conta que está faltando uma figura invisível, que é a mulher, mas é um fato que as pessoas cada vez mais estão se dando conta.”

Ainda sobre esse tema, ela entende que a língua portuguesa tem características machistas (como os plurais que são, em sua maioria, no masculino, por exemplo). “A língua tem decisões machistas, mas é machista sobretudo porque o homem fala o tempo todo e não deixa a mulher falar”, afirma Nélida. “Sou uma feminista histórica, muito consciente e atenta. Busco a beleza no texto e tenho empenho de reverenciar a língua portuguesa.”

Segundo ela, a sociedade vai ter de ser trabalhada e vai buscar soluções para essa questão. Já sobre o fato de escritores brasileiros serem pouco conhecidos no exterior, ela afirma que isso deriva de várias razões, entre elas, o fato de poucos brasileiros escritores terem ido viver longas temporadas na Europa. “Houve uma vacância nossa nos grandes centros decisórios. Não há uma política de expansão cultural nossa e a diplomacia brasileira nunca se empenhou nisso”, diz.

Acerca da política nacional, ela se afirma tão perplexa quanto qualquer outra pessoa. “Parece-me que é um dano que não tem reparação. Como vamos voltar a acreditar que nossas utopias do passado eram possíveis?”, questiona. Segundo ela, a criação de Brasília quebrou a coluna vertebral no Brasil e deixou vácuos no poder. “Criou-se um império do qual o brasileiro foi expulso.”

Fonte:UM Brasil.

VENDE-SE I Imóvel tipo kitnet em área de 2.400m²

Imóvel medindo 40m x 60m = 2.400m².Terreno com declive, contendo imóvel tipo kitnet com 2 quartos, sala/cozinha/wc. Situado na Rua dos Oitizeiros, 13-Araça, Estrada de Aldeia, km 10, Camaragibe-PE. Grande área verde com fruteiras.

Preço de Venda:  R$ 500.000,00. Aceita proposta. Interessados agendar visita com Corretor Aldemir Lucena (81) 9.8838.1959/9.8894.4598.





sábado, 9 de janeiro de 2021

ONU dá início à Década do Oceano

 Gazeta da Torre

A Organização das Nações Unidas decidiu que, entre 2021 e 2030, viveremos sob a geração e divulgação do conhecimento relacionado ao oceano; especialista aponta que o objetivo é a geração de conhecimentos sobre o ambiente

A Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu que entre 2021 e 2030 o mundo viverá a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, a Década do Oceano. Assim como em outras “décadas propostas pela ONU” desde 1960, que abordaram temas como racismo e biodiversidade, a ideia é que os países membros da ONU unam esforços para um objetivo comum.

 “A década está pautada centralmente na geração e divulgação do conhecimento relacionado ao oceano”, explica o professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, sobre o objetivo da ONU ao estabelecer a Década do Oceano.

O entendimento humano sobre o oceano avança a passos largos. Cada vez mais se percebe o quanto as atividades humanas dependem desse ambiente, e também o influenciam, em questões como a produção de oxigênio, regulação do clima, sequestro e armazenamento de carbono. Contudo, de acordo com o professor, o processo de desenvolvimento de ciência oceânica deve ainda se preocupar com outro fator: “Deve haver tradução para a sociedade. Sem a tradução desse conhecimento para a população e para os tomadores de decisão, a gente não consegue caminhar em direção ao uso sensato do oceano, que é o que a década busca”.

Fonte:Rádio USP

A Espaço Clip - COLÔNIA DE FÉRIAS

Espaço Clip

A Espaço Clip (https://www.instagram.com/clip.recife/?hl=en) está com COLÔNIA DE FÉRIAS nesse mês de JANEIRO, com muitas oficinas: de artes, jogos, culinária, musicalização, entre outros! 

Situada no bairro da TORRE, a colônia de férias está acontecendo no turno da manhã, das 8h às 11h, e crianças a partir de 2 anos até 12 ano podem participar!

Venha conhecer o espaço e deixar seu/sua filho(a) curtir as férias aprendendo e brincando!

https://www.facebook.com/clip.recife/

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Cordel no ensino de geografia: oficinas mostram impacto da violência urbana na periferia

 Gazeta da Torre

Nos cordeis criados a partir de discussões, conceitos geográficos como território, lugar, paisagem e região deram lugar a temas mais urgentes para os alunos, como “a violência no bairro”.

A interdisciplinaridade na educação é um recurso fundamental, pois reflete a valorização do indivíduo como um todo, capaz de descobrir, assimilar e levar para sua realidade, de forma criativa, as várias áreas do conhecimento humano. Partindo dessa premissa, pode-se pensar em uma complementaridade de duas áreas aparentemente diferentes, tal como o relacionamento entre Literatura e Geografia. Em artigo publicado na revista Geografia, Literatura e Arte, os estudantes de geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Julia Queiroz, Kelly Moreno e Leandro da Silva, buscaram entender as dinâmicas que constituem a periferia e a violência construída à partir da produção de cordéis feitos por alunos de uma escola no Rio de Janeiro.

O estudo também se propôs a introduzir novas maneiras de interpretação e análise do espaço geográfico e seus conceitos, no texto, definido não só como “constituído de fenômenos naturais, como também sociais, porque ele sofre constantemente transformações devido às necessidades dos contextos nos quais as sociedades vivenciam ao longo do tempo”, explicam os autores. Novas metodologias são criadas para o processo de aprendizagem, deixando de lado o ensino mais tradicional, como o livro didático, no intuito de proporcionar “um pensamento crítico acerca da leitura de mundo do aluno”. Assim, o objetivo dos autores é apresentar a literatura como uma linguagem para pensar e ensinar geografia, compreender as ações que originam a periferia e a violência, tendo como ferramenta a implementação de oficinas para criações de cordel.

Essa vivência proposta pelos autores em classe de 7º ano da escola CIEP 439-Luiz Gonzaga Júnior, Luiz Caçador, no bairro de São Gonçalo, realizou-se com a implantação do Projeto de Extensão de Oficinas Escolares de Geografia, em que se pode trabalhar com os espaços em que habitam esses alunos e o que estes percebem nesse cotidiano. Assim, os alunos relatam, pela literatura de cordel, processos de violência nesses espaços. O cordel se tornou um meio de os professores conhecerem a “realidade dos estudantes por meio de conceitos e conteúdos que trabalhem com as escalas de análise do global ao local”, comentam os autores. Essas oficinas atuam como experimentação de compreensão de conteúdos geográficos que podem interessar o aluno para que se estabeleça a relação e a crítica entre a realidade e o meio em que vivem.

Conceitos geográficos como território, lugar, paisagem e região deram lugar a temas mais urgentes e importantes para os alunos: “a violência no bairro” e a partir dessas discussões os cordéis foram criados. O destaque dos autores é “observar que a atividade acabou trazendo o cordel como o meio de entender a formação da periferia de São Gonçalo e como a violência gera impacto no/na discente”. Quando o aluno percebe a relação entre entre ele e seu espaço, despertado com o senso crítico e a sensibilidade que a literatura de cordel desperta nas oficinas, há um maior interesse na área da Geografia e o estímulo de estar capacitado para “analisar as problemáticas sociais e sua inserção na sociedade”. Nesse estudo, a problemática da violência na periferia é algo que estabelece a construção do conhecimento geográfico.

De acordo com o professor Daniel Pereira Rosa, a ocupação do município de São Gonçalo deveu-se à impossibilidade de permanência direta nos centros urbanos, “fazendo do local uma cidade dormitório”. Então ao município coube o papel de periferia, “cidade – dormitório que abrigava o reservatório de mão-de-obra de trabalhadores com baixa qualificação”, destaca. O artigo aponta a falta de saneamento básico, coleta de lixo, esgoto a céu aberto, precarização dos serviços como fatores que caracterizam o município como periferia, taxado como espaço  “marginalizado, violento”. O desenvolvimento urbano e a migração para os centros urbanos geraram a chamada periferia, “espaços segregacionistas sociais e econômicos que são criados, como por exemplo bairros de classe alta, média e baixa”, o que, sem dúvida, acaba por estimular a luta de classes e formas de resistência.

Com a desigualdade social e o descaso do Estado, a educação é afetada, obrigando os moradores de São Gonçalo a desdobrarem-se entre o fugir da violência local, o estudo e o trabalho, enfrentando a falta de recursos, com o agravante de, muitas vezes, serem vistos como delinquentes. Aí entra a educação possível que se faz em alguns lugares das periferias, como no município em questão, como meio indiscutível de auxílio no combate à violência, com a conscientização de meninos e meninas relatando, nos cordéis, violências e abusos de todo tipo. Nesse contexto, a literatura de cordel é tomada pelos professores como recurso artístico e multidisciplinar para práticas de aprendizagem que podem interferir no cotidiano do aluno, mostrando a importância da Geografia no sentido de lidar-se com os desafios encontrados na realidade do cotidiano “diante da concepção do mundo atual e dos impactos causados pela desigualdade social”.

Por Margareth Arthur/Portal de Revistas USP

Artigo

QUEIROZ, J. G. L. de; SILVA, L. V. C. da; MORENO, K. B. Análise do Cordel no ensino de Geografia: visão da periferia e a violência urbana: visión de la periferia y violencia urbana. Revista Geografia, Literatura e Arte, v. 2, n. 2, p. 15-30, 2020. ISSN: 2594-9632. DOI:  https://www.revistas.usp.br/geoliterart/article/view/167885. Disponível em:  https://www.revistas.usp.br/geoliterart/article/view/167885. Acesso em: 11 nov. 2020.

DIVULGAÇÃO


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

A pernambucana Duda Beat, a rainha da sofrência pop

 Gazeta da Torre

Na transição entre o êxito do primeiro álbum e a preparação do segundo, a rainha da sofrência pop vive o ‘meiostream’ enquanto se prepara para apresentar aos fãs uma persona mais madura e feliz

A mulher perdidamente apaixonada, a última romântica, uma egoísta. A adepta de um amor bem gostosinho e sem compromisso, mas que clama pertencer a um tempo contrário ao presente, onde os amores são para sempre. Nos pouco mais de dois anos de carreira, Eduarda Bittencourt, de 33 anos, a Duda Beat (brincadeira com beat do movimento Mangue Beat que, assim como ela, é natural de Pernambuco), vem entoando as dores e delícias de uma geração de sentimentos intensos e intermitentes. Sofre-se, mas se chora dançando.

Nas 11 faixas de Sinto Muito — um trabalho independente com produção de Tomás Tróia, seu guitarrista e hoje seu marido, e com Lux, tecladista, e que abriga o hit Bixinho — com x mesmo —, Duda canta as desilusões de uma mulher que, como ela mesma diz, transborda um amor não correspondido. A primeira frase do álbum, da música Bédi Beat, já mostra de cara sua intensidade: “eu vivia à flor da pele, nem percebia que das vezes que eu ria era vontade de chorar”.

Mas se a Beat fever ainda não afetou o seu sistema imunológico, talvez te passem despercebidos alguns detalhes, como o fato de que, apesar de ter sido catapultada ao posto de rainha da sofrência pop pela estética nada discreta e música exuberante, foi no silêncio que Eduarda se deu conta de que o seu futuro não estava nas elucubrações a respeito do ethos que tinha na Faculdade de Ciência Política que frequentava à época e muito menos na Medicina, sonho antigo que lhe roubou sete anos de aulas em cursinhos de pré-vestibular.

Depois de sucessivas decepções amorosas e um futuro ainda turvo no quesito carreira, por indicação de uma amiga, se matriculou em um retiro de meditação onde passou 10 dias em completo silêncio. Foi então, absorta em seus pensamentos, que Eduarda se deu conta que o seu gosto duvidoso para homens ligados à música na verdade escondia uma forte ligação dela mesma com a primeira arte. “Foi uma iluminação: se eu sempre me apaixono por músicos, eu devo gostar desse mundo, do palco. Então vou fazer isso para viver”. Nesse caso, o amor foi correspondido.

Sem nunca ter escrito uma canção sequer, saiu do retiro com a ideia já fixa na cabeça. Entrou em contato com o músico Tomás Tróia —na época, apenas um amigo—, e o convidou para que ele produzisse aquilo que a sua cabeça ainda marinava. “Todo mundo já amou sem ser correspondido, já levou um pé na bunda. Foi uma coisa que realmente veio do coração, acreditava que aquilo ia tocar as pessoas e que elas sentiriam empatia”, conta.

Trecho do Clipe de Duda Beat, "Pro mundo ouvir"

Veio ao mundo, então, a Duda Beat nos termos que hoje se conhece: a loira platinada, sempre de gloss nos lábios, acessórios neon e figurinos que poderiam ser aproveitados em desfiles do Met Gala, que canta toda a enxurrada de sentimentos que transborda pelos gadgets da geração Z. Fazem parte do primeiro disco versos como “Se não quer/Não me dá like”; “Minha mãe me ensinou/Que se é pra brincar de amor/Não pode ser desesperada”; e o mais famoso, “Só mais uma vez não vai fazer diferença”.

A sofrência empoderada rendeu à pernambucana o troféu de Artista Revelação no Prêmio Multishow e Women’s Music Awards de Melhor Show, ambos em 2019. No Spotify, as suas músicas somam 100 milhões de plays. O clipe de Bixinho, de baixo orçamento mas não menos fiel à sua estética, tem mais de 11 milhões de visualizações. Entre as parcerias musicais firmadas, nomes como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Jaloo e Nando Reis. “Eu sempre tive segurança em mim. Uma pessoa que tenta Medicina sete vezes não desiste fácil, eu corro atrás, vou estudar, procuro reconhecer meus erros e aprender. Eu ainda me vejo nesse lugar de meiostream (gargalha), porque estou fazendo as coisas pouco a pouco, tenho muito que aprender”, reflete.

Com um novo disco gravado durante a quarentena e com previsão de lançamento no primeiro semestre de 2021, Duda pretende dar sequência ao Sinto Muito, para “continuar com esse título de rainha da sofrência pop”, define ela, aos risos, e canta ao outro lado do telefone, com o carregado e doce sotaque recifense: “Eu não vou buscar a felicidade em mais ninguém”. Esse é um trecho de sua canção Bolo de Rolo. “Essa é a frase que me representa muito, essa coisa de que a gente tem que olhar para gente e se amar”.

E Duda aprendeu a se amar. Sua relação com a moda, que vem desde a adolescência, foi uma grande parte desse aprendizado. As mangas bufantes que oscilam entre cores vibrantes e tons pastel e os grandes laços que a caracterizam são reflexo do seu “encontro de alma” com seu stylist, Leandro Porto. “Acredito que a roupa é uma extensão da nossa arte, conversa com a letra, a melodia, a narrativa que quero contar. Com cada estética, eu comunico algo ao meu público. Ser mulher no Brasil é sofrer pressão estética o tempo todo, mas eu lido com isso da melhor forma possível, eu amo meu corpo, não tenho medo de usar as roupas que eu uso. Sou muito bem resolvida com isso”, garante.

Ela também não tem medo de se posicionar politicamente nas redes sociais, seja falando em defesa dos trabalhadores da cadeia produtiva da música, alguns dos mais afetados pela crise econômica da covid-19, ou criticando o governo de Jair Bolsonaro pela má gestão no controle da pandemia. “Me posiciono politicamente porque é muito natural para mim. Eu quero que meu público saiba que voz ele está seguindo ali, acho que é uma maneira de eles me conhecerem também”, diz.

Enquanto se mantém ativa e criativa na quarentena, pensando também formas de ajudar sua equipe —graças à live que fez no Dia dos Namorados, pôde remunerar a todos—, ela continua trabalhando, já em modo de despedida, do Sinto Muito. O adeus definitivo talvez seja o clipe de Pro mundo ouvir. “Essa música é meu xodó, foi a primeira que compus pro disco”, derrete-se ela.

Fonte: Joana Oliveira, repórter

DIVULGAÇÃO

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Futuro, ano zero

 Gazeta da Torre

Depois de meses fora de órbita, em 2021 é hora de pôr os pés no chão. Empreenderemos a recuperação da crise sanitária e econômica? Lutaremos seriamente contra a mudança climática? Especialistas fazem suas apostas

Pode ser uma aterrissagem suave ou forçada. Depois de um 2020 de morte, doença, confinamento e recessão em que o mundo flutuou em uma estranha irrealidade, o ano de 2021 começa entre a promessa de vacinas que acabem com tudo isso e a angústia por novas ondas que nos devolvam à linha de largada. A humanidade está fora de órbita há um ano e se aproxima o momento de pôr os pés no chão.

“As coisas não voltarão a ser como antes. Começamos a ter consciência de que foi a civilização que criou e espalhou o vírus: os aviões e os carros, as concentrações multitudinárias e os estádios de futebol”, diz o famoso neuro-psiquiatra, psicólogo, psicanalista e etologista francês, Boris Cyrulnik, uma das 10 pessoas consultadas ― todas especialistas em áreas que vão da história ao pensamento, da economia à geopolítica ― para preparar este artigo. “Se restabelecermos as mesmas condições de consumo e de transporte, em dois ou três anos haverá outro vírus e será preciso recomeçar.”

Nada está escrito. O ano de 2021 pode ser o momento de decisões ― sobre a organização das relações internacionais, sobre a economia, sobre o meio ambiente, sobre os valores democráticos ― que marquem as próximas décadas. Um ano zero.

“A história sempre está radicalmente aberta. Sempre pode ir por um lado ou por outro. A crença de que haverá um progresso simplesmente porque queremos que o bem vença é um erro”, diz a historiadora Anne Applebaum, autora de Twilight of Democracy (“Crepúsculo da democracia”), ensaio que narra em primeira pessoa o conflito no mundo ocidental entre liberais e autoritários. “Também é um erro acreditar que, inevitavelmente, fracassaremos. Não sou declinista, mas também não acho que tudo sairá bem sem fazer nada para conseguir isso.”

O historiador marxista Eric Hobsbawm falava de um século XX curto, entre 1914, ano do início da Primeira Guerra Mundial, e 1991, ano do fim da Guerra Fria, com o desaparecimento da URSS. E se também houvesse um século XXI curto? E se sua data inaugural não tivessem sido os atentados de 11 de setembro de 2001, ou a quebra do banco Lehman Brothers em setembro de 2008, e sim o surgimento do vírus SARS-CoV-2 na cidade chinesa de Wuhan no final de 2019? Ou, melhor, a esperada derrota do vírus em 2021 ou 2022, do mesmo modo que 1991 marcou a vitória do campo ocidental contra o bloco soviético?

“O momento em que se proclama que uma pandemia terminou é arbitrário”, avisa Laura Spinney, autora de Pale Rider: The Spanish Flu of 1918 and How it Changed the World (”cavaleiro pálido: a gripe espanhola de 1918 e como ela mudou o mundo), livro de referência sobre a mal denominada gripe espanhola, que matou entre 50 e 100 milhões de pessoas entre 1918 e 1920. “Suponho que isso ocorrerá quando os Governos, de maneira escalonada pelo mundo, levantarem as restrições, quando as pessoas tiverem um certificado atestando que estão vacinadas e sentirem confiança para retomar sua vida anterior.”

Spinney assinala que a diferença entre a pandemia de agora e a gripe de 1918 é a existência de uma vacina. “Até alguns dias atrás, enfrentávamos a pandemia da mesma forma que isso foi feito ao longo da história, com as velhas técnicas de distanciamento social: afastar-nos uns dos outros, fechar espaços públicos, impedir encontros em massa, usar máscaras. Lutávamos com armas antigas e agora lutamos com a arma mais moderna possível.”

A dúvida é o que ocorrerá depois da vitória, se esta chegar. “Imaginemos que no verão [boreal, inverno no Hemisfério Sul] as vacinas permitam acabar com o distanciamento social. Passaremos uma boa parte do resto do ano nos acostumando a viver no novo mundo, que não será igual ao antigo”, diz George Friedman, presidente da Geopolitical Futures, empresa especializada em previsões geopolíticas. “A questão é superar com sucesso a transição de uma realidade, uma economia e uma sociedade baseadas na covid-19 para algo mais estável”.

Friedman, que vive no Texas, acredita que a situação atual é insustentável, e não só por razões econômicas. Cita como exemplo seu neto de quatro anos e a possibilidade de que, se as vacinas não funcionarem, ele não vá à escola em um futuro próximo. “Você vai à escola para quê? Para aprender? Não. Para brigar. Para discutir. Para se entender com outras crianças”, diz. O perigo é que a excepcionalidade de 2020 acabe se prolongando, algo que ele descarta. “Teríamos uma geração deformada. Isto não é a realidade”, diz. É preciso aterrissar, e quanto antes, melhor.

O filósofo Bruno Latour, autor de um ensaio titulado precisamente Où Atterrir? (“Onde aterrissar?”), argumenta, ao contrário de Friedman, que a pandemia significou um banho de realidade, uma tomada de consciência sobre nossos limites e nossa dependência da natureza, do clima até os micróbios. “Vivemos uma mudança cosmológica ou cosmográfica que tem a mesma importância que as grandes mudanças do século XVI. Naquela época foi descoberto o infinito do mundo. Agora passamos de um mundo que acreditávamos ser global e universal para um mundo relocalizado, no qual é preciso prestar atenção a cada gesto, a cada sopro que damos”, afirma. Ao pensar no que 2021 nos reserva, Latour fala da mudança climática ― a “mutação ecológica”, diz ―, “tão próxima que sabemos que passaremos de uma crise a outra, de um confinamento a outro”. Com a diferença de que o futuro confinamento não será em casa, mas em uma terra convulsionada.

“Espero que 2021 seja o ano da volta à normalidade, mas a uma normalidade com consciência coletiva renovada, que permita avançar em matéria ambiental”, diz a economista Mar Reguant, professora da Northwestern University em Illinois e codiretora do grupo de trabalho sobre a mudança climática na comissão de especialistas encarregada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, de preparar a economia para o pós-covid-19. “Na frente pessimista, será um ano de novos desastres ecológicos e humanos nos quais a mudança climática ficará evidente com mais força”, prevê Reguant. Mas ela também deseja que o fundo de recuperação europeu, aprovado em julho, “dedique-se a transformar um modelo econômico e energético obsoleto”; que o futuro presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cumpra suas promessas de combate à mudança climática, e que as empresas petrolíferas “entendam que não terão lugar em um futuro próximo se não se reinventarem”.

Outra crise potencial é a da desigualdade. Durante 2020, os trabalhadores com menor renda empobreceram, devido aos fechamentos forçados pelos confinamentos em setores como os de restaurantes e turismo e à redução dos salários. As pessoas com maior renda, por sua vez, gastaram menos e economizaram mais. “Há uma lacuna que já existe e não vai desaparecer quando a vacina chegar e as restrições forem levantadas”, diz o economista Marc Morgan, membro do Laboratório Mundial da Desigualdade, do qual Thomas Piketty é um dos diretores. “O papel dos gastos governamentais será muito importante para voltar a criar empregos depois da chegada da vacina.”

“O que considero absolutamente urgente é que, com a crise do coronavírus ― mas não só, também com a crise climática e a crise alimentar, que sempre é esquecida, e a grande instabilidade econômica ―, sejam modificadas nossas instituições internacionais e nossas atitudes, e segurança global seja colocada à frente de nossas preocupações”, enfatiza Bertrand Badie, professor emérito do Instituto de Ciências Políticas em Paris. “A segurança global é a que afeta toda a humanidade e não só uma nação ou outra. É isso que faz com que o vírus seja mais ameaçador do que os tanques russos para a Europa.”

Badie, no entanto, acrescenta: “O que pode ocorrer é justamente o contrário: que a crise, em vez de levar a um fortalecimento da governança global, favoreça uma tensão neonacionalista no mundo todo. A eleição de novembro nos Estados Unidos mostrou uma incrível resistência do nacionalismo. O fato de 74 milhões de pessoas terem votado em Donald Trump é a prova de que o neonacionalismo já é um componente fundamental dos comportamentos políticos no mundo atual”.

“Em alguns lugares, a pandemia fortaleceu os autoritários”, assinala Anne Applebaum. “Quando as pessoas sentem medo, estão dispostas a aceitar coisas às quais, em tempos normais, fariam objeções. Não estou falando da coisa superficial dos confinamentos: todo mundo entende para que servem”, acrescenta. “Ao mesmo tempo, a pandemia foi uma prova do valor da ciência e da cooperação internacional. Finalmente sairemos desta, graças às vacinas. E de onde vêm as vacinas? São criadas por consórcios internacionais, pela cooperação germano-americana, por fábricas na Bélgica que exportam para toda a Europa. Todas as soluções para o problema envolvem cooperação internacional, cooperação científica e cooperação comercial. Deveria ser uma lição para os nacionalistas.”

Um risco em relação às vacinas são as teorias da conspiração que proliferaram durante a pandemia e atribuem aos imunizantes todos os tipos de males. Não é incomum que uma pandemia ― na qual o medo do desconhecido se soma à falta de harmonia de governantes que adotam medidas confusas e contraditórias ― seja um terreno fértil para teorias absurdas, algumas com fedor antissemita, que veem um complô para a instalação de um Governo mundial.

“A retórica antivacinas ganhou muita força. Como a palavra oficial ― da imprensa, da política, do mundo médico ― está desacreditada, muitas pessoas não vão querer ser vacinadas”, diz a historiadora Marie Peltier, autora de Obsession: Dans les Coulisses du Récit Complotiste (“obsessão: nos bastidores da narrativa conspiracionista”). “O conspiracionismo e seu impacto na realidade foram subestimados. Para acabar com uma pandemia, é necessária uma vacinação em massa. O problema não será só político, mas também sanitário.”

Sem as vacinas, não será possível reduzir o distanciamento físico nem retomar completamente as atividades. Em seu livro Les Capitalismes à l’Épreuve de la Pandémie (“os capitalismos postos à prova pela pandemia”), o veterano economista Robert Boyer alerta que quanto mais as medidas profiláticas forem prolongadas, mais difícil será restaurar a economia: “Apesar das ajudas em massa, as falências reduzirão a capacidade de produção e de emprego, empobrecerão os mais desfavorecidos, e os jovens dificilmente se integrarão à vida ativa, correm o risco de se ver penalizados de forma duradoura, sem esquecer que a queda dos investimentos hipoteca o crescimento futuro”.

“A tarefa prioritária dos Governos é restaurar até dezembro 2021 a confiança de ficar frente a frente”, diz Boyer por telefone. “A segurança sanitária é uma precondição para o reinício do crescimento. E isso ocorrerá depois de acontecimentos que podem ser dramáticos: mortalidade, incerteza, protestos pela liberdade”, acrescenta. “Uma terceira onda teria efeitos devastadores para a credibilidade dos governantes.”

Não sabemos o que encontraremos no desembarque. Em um dos cenários possíveis, deixaremos lentamente para trás a pandemia, que já matou mais de 1,7 milhão de pessoas e infectou 78 milhões. A economia voltará a andar depois da pior recessão em décadas. As democracias, depois que muitas delas administraram pessimamente a covid-19, resistirão aos ataques das forças autoritárias. Depois de recuar para as fronteiras nacionais quando o vírus ameaçou com mais força, as grandes potências e os grandes blocos econômicos buscarão novas formas de cooperação ― uma globalização com rosto humano ― e, escaldados pelo impacto que um fenômeno natural pode ter no planeta, redobrarão as medidas contra a mudança climática. A derrota de Trump nas eleições americanas de novembro anuncia o início do fim do nacionalismo populista, de sua retórica incendiária e suas teorias da conspiração.

É um cenário possível, mas não o único. No caso oposto, as campanhas de vacinação serão tão caóticas como foram a distribuição de máscaras no início da pandemia e, depois, a organização dos sistemas de rastreamento e teste. Quando os Governos suspenderem as ajudas milionárias para os trabalhadores e os setores mais afetados pela crise, as empresas quebrarão, o desemprego aumentará e as desigualdades dispararão. A volta das fronteiras para frear a expansão do vírus se tornará permanente. Os demagogos saberão aproveitar o descontentamento e darão as respostas que as democracias, transformadas em símbolo de mau governo e polarização, não terão conseguido oferecer. A resposta da China à pandemia estabelecerá as tecnocracias ditatoriais como modelo de eficácia.

Aterrissagem forçada? Ou suave? O ano de 2021 dificilmente reproduzirá ao pé da letra um dos dois cenários mencionados; é mais provável que se mova em uma zona cinzenta na qual nenhuma das duas tendências prevaleça.

Boris Cyrulnik, filho de judeus assassinados nos campos de extermínio nazistas, estuda há décadas o conceito de resiliência, a capacidade de superar a adversidade. É possível, diz ele, que a saída da pandemia signifique uma volta ao business as usual, como se nada tivesse mudado. Ou que nas ruínas da devastação sanitária e econômica surja um salvador, um ditador que agite os ressentimentos. Isso ocorreu em outras épocas de medo e caos. Mas há outra saída, diz o neuropsiquiatra e autor, entre outros, de La Nuit, j’Écrirai des Soleils (“à noite, escreverei sóis”).

“O sprint, a corrida constante, provoca estresse”, diz Cyrulnik. “É preciso redescobrir o prazer da lentidão, porque a lentidão protege, oferece o prazer de viver em paz.”

Fonte: Marc Bassets, repórter – El País

DIVULGAÇÃO

domingo, 3 de janeiro de 2021

Mulheres enfrentam alta de feminicídios no Brasil da pandemia e o machismo estrutural das instituições

 Gazeta da Torre

No feriado do Natal, ao menos seis mulheres foram mortas por ex-companheiros. Assassinato de juíza mobilizou Judiciário, que coleciona casos de misoginia.

O laudo do Instituto Médico Legal deixou claro que se tratou de um crime de ódio. Ódio contra uma mulher. Segundo a perícia, das 16 facadas que ceifaram a vida da juíza Viviane Vieira do Amaral, 45, dez delas foram desferidas no rosto. A magistrada foi assassinada pelo ex-marido na frente das três filhas na véspera do Natal. Ao menos outras cinco mulheres tiveram destino semelhante no feriado, em casos que ganharam repercussão na mídia —o número pode ser ainda maior. Esta barbárie choca, mas não surpreende quem acompanha a situação de violência contra a mulher no país em um ano no qual os feminicídios cresceram quase 2% no primeiro semestre de 2020, totalizando 648 casos segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Nos meses mais críticos da pandemia, entre março e abril, a alta foi ainda maior: em São Paulo o número de mulheres assassinadas por companheiros ou ex-companheiros subiu 41,4% no período.

A morte de Viviane e das demais vítimas assassinadas na véspera ou no feriado de Natal (são elas Thalia Ferraz, 23, Evelaine Aparecida Ricardo, 29, Aline Arns, 38, Anna Paula Porfírio dos Santos, 45, e Loni Priebe de Almeida, 74), escancarou o machismo estrutural que permeia a sociedade e instituições, e que ganha força no país em um contexto no qual o próprio presidente conquistou notoriedade por suas atitudes misóginas —”você não merece ser estuprada”, afirmou o então deputado federal Jair Bolsonaro a uma colega em 2014. O arroubo mais recente do mandatário contra mulheres ocorreu na segunda-feira, quando ele cobrou que a ex-presidenta Dilma Rousseff apresentasse um “raio-x” para comprovar que ela foi vítima de tortura e teve o maxilar quebrado durante a ditadura militar.

A ocorrência destes crimes no final do ano não é apenas uma coincidência. A promotora de Justiça Gabriela Mansur aponta que historicamente situações de violência contra a mulher tendem a aumentar em feriados e datas marcantes, como Carnaval, Páscoa, Natal e Ano Novo. “Há um aspecto de reflexão familiar e tristeza, as pessoas ficam mais sensíveis, e muitas vezes os homens que estão separados de suas mulheres por serem agressivos ou abusivos ficam com ainda mais raiva da ex-companheira, como se elas fossem as culpadas pela separação e pelo distanciamento dele da família”, explica.

O assassinato destas seis mulheres provocou forte reação na opinião pública, o que obrigou o Judiciário a tomar medidas para além das notas de repúdio e solidariedade aos parentes e amigos das vítimas. O grupo de trabalho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) responsável pela elaboração de estudos e propostas para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher convocou uma reunião extraordinária no sábado (02/01) para discutir propostas para amenizar o problema. Em nota, a entidade sugeriu “a tipificação dos crimes de stalking —perseguição reiterada e obsessiva— e de violência psicológica contra a mulher, bem como o aumento das penas dos crimes de ameaça, de injúria e de lesão corporal” contra mulheres. “Na maioria dos casos, esses crimes antecedem a prática de feminicídios e precisam encontrar uma resposta penal adequada, numa tentativa de se impedir a escalada da violência”, afirmou a coordenadora do grupo do CNJ, Tânia Regina Silva Reckziegel.

O Supremo Tribunal Federal também pareceu sensibilizado com as mortes. Em nota após o assassinato de Viviane e das demais vítimas, o presidente da Corte, Luiz Fux, divulgou nota afirmando que “deve ser redobrada, multiplicada e fortalecida a reflexão sobre quais medidas são necessárias para que essa tragédia não destrua outros lares, não nos envergonhe, não nos faça questionar sobre a efetividade da lei e das ações de enfrentamento à violência contra as mulheres”.

Mas se na teoria (e nas notas de solidariedade) o STF se mostrou empenhado em evitar feminicídios e outras formas de violência contra a mulher, o tribunal foi alvo de críticas na matéria. Em setembro a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal determinou, por 3 votos a 2, que não cabia recurso a uma decisão do Tribunal do Júri de 2017 que inocentou um homem que confessou ter tentado matar sua ex-companheira a facadas após descobrir uma suposta traição. Além da confissão do réu, havia farto material probatório da tentativa de homicídio, o que não convenceu o STF a anular a decisão de primeiro grau (algo que legalmente poderia ter sido feito).

Trata-se de uma discussão complexa que põe em questão a soberania de um júri formado por cidadãos, a regra no Brasil em caso de crimes contra a vida. Especialistas em direito e gênero apontam que a decisão dos ministros abriu caminho para que outros feminicidas lancem mão do argumento de “defesa da honra” para justificar o assassinato de mulheres, o que agravaria ainda mais o quadro de violência de gênero no país. “A nossa Corte Suprema não pode acatar a absolvição com base na ‘legítima defesa da honra’, sobrepondo os princípios da soberania dos vereditos do júri popular e da íntima convicção dos jurados ao princípio, também constitucional, da dignidade da pessoa humana, no caso, das mulheres, valor expresso na Constituição Federal de 1988 como um dos fundamentos da democracia”, escreveram as professoras Silvia Pimentel e Fabiana Cristina Severino e advogada Leila de Andrade Linhares Barsted em artigo para o EL PAÍS. O trio lembrou que o combate à tese da legítima defesa da honra foi um marco na mobilização feminista contra a impunidade com a campanha “quem ama não mata!” pela punição dos assassinatos de Eliane de Grammont, em São Paulo, Heloisa Ballesteros, em Minas Gerais, Cristhel Arvid Johnston e Angela Diniz, no Rio de Janeiro, que repercutiram na grande imprensa no final dos 70 e começo dos 80.

A pedido do ministro Alexandre de Moraes, o Supremo vai discutir num julgamento presencial no plenário se o júri é ou não soberano em todos os casos. A nova análise ainda não têm data e depende do presidente da Corte, Luiz Fux, para ser pautada.

Machismo estrutural no Judiciário

Enquanto se aguarda esse desfecho, o cotidiano no Judiciário segue colecionando casos de misoginia e violência contra a mulher. Durante audiência virtual referente a um processo pelo não pagamento de pensão alimentícia, o juiz Rodrigo de Azevedo Costa, de uma das varas de família da capital paulista, fez piada com a lei Maria da Penha e com agressões contra mulheres. “Se tem lei Maria da Penha contra a mãe, eu não tô nem aí. Uma coisa eu aprendi na vida de juiz: ninguém agride ninguém de graça”, afirmou o magistrado durante a sessão. O caso foi revelado pelo site Papo de Mãe, do portal UOL. Após a divulgação dos vídeos, Costa se tornou alvo de uma investigação da Corregedoria.

Antes disso o caso da influencer Mariana Ferrer já havia mostrado as dificuldades que uma mulher enfrenta ao dizer ter sido vítima de estupro. O caso teria ocorrido dentro de uma boate na qual ela trabalhava, em Florianópolis, em dezembro de 2018. Durante o julgamento em novembro deste ano, o advogado do réu André de Camargo Aranha insultou Ferrer, alegando que ela tirava fotos sensuais em posições “ginecológicas”, e afirmando que “seu ganha pão a desgraça dos outros [ao] manipular essa história de virgem”, dentre outras barbaridades. Aranha terminou absolvido, uma vez que o promotor responsável pelo caso alegou que não havia como o empresário saber, durante o sexo com a jovem, que ela não estava em condições de consentir a relação. Ou seja, não teria havido a intenção de estuprar, tese aceita pelo juiz.

“Esta violência institucional de gênero contra mulheres cometida por integrantes do Judiciário que ocupam posições de poder sempre existiu”, afirma a promotora Mansur. Com a pandemia e as audiências virtuais, passíveis de serem gravadas, isso “ficou escancarado”. Sem falar especificamente do caso do magistrado Costa, que está sendo investigado, ela afirma que comportamentos do tipo “impedem que a mulher obtenha a ajuda necessária, e a colocam em risco”. “Quando a ela vai à Justiça já sofreu outras violências: ela deve ser amparada e ser recebida com respeito e dignidade. As mulheres estão sendo violadas em seu direito de ação, de ter acesso ao sistema de Justiça, que está sendo obstacularizado pela violência institucional de gênero, permeada pelo machismo institucional”, diz.

Apesar destes casos de “violência institucional” do Judiciário contra mulheres, Mansur afirma que trata-se de uma minoria. “Temos muitos profissionais comprometidos e engajados com o tema da violência contra a mulher, e isso vem numa crescente. São bons profissionais comprometidos, que não podem ter sua imagem rasgada por causa da conduta de poucos”.

A tipificação dos crimes de stalking e violência psicológica contra mulher, bem como o endurecimento das penas para violência de gênero, são medidas defendidas por Cristiana Bento, ex-delegada e atual subsecretária de Políticas para Mulheres do Estado do Rio de Janeiro —onde ocorreram dois dos seis feminicídios neste Natal. “Mas é preciso começar nas escolas, com as crianças. Defendemos que haja uma matéria específica, uma disciplina obrigatória que aborde violência de gênero. [Emplacar esta medida ] É uma briga nossa com o Legislativo”, afirma. Para ela, não existe solução de curto prazo para o problema. “Nenhum país consegue colocar um policial na porta de cada vítima. Por isso que acho que é preciso quebrar a cultura machista e patriarcal que permeia nossas instituições. É preciso quebrar com essa cultura machista que enxerga a mulher como objeto, e isso se faz também com educação.”

Fonte:El País

DIVULGAÇÃO



sábado, 2 de janeiro de 2021

Posse de vereadores em Recife é marcada por feito histórico com vereadora negra

 Gazeta da Torre

Dani Portela em sua primeira participação na Câmara Municipal

Dani Portela presidiu a Reunião Solene na Câmara Municipal por ter sido a parlamentar mais votada em 2020 e se tornou a primeira vereadora negra a assumir a Mesa Diretora da Casa.

O dia da cerimônia de posse dos vereadores de Recife (PE), na sexta-feira 1º, foi marcado por um feito histórico. A vereadora Dani Portela, do PSOL, presidiu a Reunião Solene por ter sido a parlamentar mais votada em 2020. Com isso, foi a primeira vez que uma vereadora negra assumiu a Mesa Diretora da Casa.

Em seu discurso, a vereadora exaltou a importância do momento para a população negra, como uma reintegração de posse dos territórios políticos.

Ela também lembrou que é a única mulher negra eleita para a Câmara da capital pernambucana e considera sua presença no espaço como uma “reparação histórica”.

Fonte:Brasil247

DIVULGAÇÃO

Um ano de COVID-19: OMS pede união e fim de ataques à ciência

 Gazeta da Torre

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgou uma mensagem um ano após a notificação pela China do surto de COVID-19 na cidade de Wuhan, em 31 de dezembro. Ele prestou um tributo às muitas vidas perdidas para a doença e aos atos generosos que ajudaram a equipar hospitais e apoiar agentes de saúde e pacientes.

Na mensagem, o chefe da OMS afirmou que a escolha a fazer em 2021 é simples e profunda: "É preciso ignorar partidarismos, teorias da conspiração e ataques à ciência para combater a crise com compaixão e cuidado, compartilhando a vacina com todos, como numa grande família global".

Ele fez um apelo a doadores para que a imunização chegue a mais países. Tedros afirmou que o mecanismo de vacinação da OMS, Covax Facility, precisa com urgência de US$ 4 bilhões para comprar doses para nações de rendas baixa e média. Para ele, este é o desafio que todos devem enfrentar em 2021. 

Segundo Tedros, a pandemia provocou a resposta mais rápida e mais abrangente de uma emergência global de saúde de toda a história. Ele citou a mobilização sem paralelos da ciência e a busca de uma solução marcada pela solidariedade global.

Lições - Tedros Adhanom elencou algumas lições da pandemia. A primeira é a urgência de os governos aumentarem os gastos com o sistema público de saúde, desde o financiamento e acesso às vacinas para todos até a preparação para uma próxima e inevitável pandemia.

A segunda é que irá levar bastante tempo até que todos estejam imunizados contra a COVID-19 e por isso todos precisam continuar praticando as medidas de segurança contra o vírus: distanciamento social, uso de máscaras, lavagem de mãos e distância de lugares fechados e lotados.

Por fim, cooperação e solidariedade como uma comunidade global para promover e proteger a saúde hoje e no futuro.

Fonte:Nações Unidas Brasil

DIVULGAÇÃO

O Instituto Manoel Medeiros


O Instituto Manoel Medeiros (Instituto de Radiologia e Imagem Manoel Medeiros), localizado à Rua Joaquim Nabuco, 516, iniciou suas atividades como empresa em 1981 através de seu sócio fundador Dr. Manoel Medeiros, o qual já realizava atendimento neste formato para pessoa física.

Atualmente o quadro do Instituto conta com profissionais na área de Raios x, Ultrassonografia, Mamografia e Consultas de Especialidades Médicas. A marcação de exames pode ser pessoalmente no endereço:  Rua Joaquim Nabuco, 516, Graças, Recife/PE (após Drogaria Quatro Cantos). Telefone: (81) 4321-5151.

Papa Francisco: Covid mostrou a importância de se interessar pelos problemas dos outros

 Gazeta da Torre

'Envio meus melhores votos de paz e serenidade para o novo ano', disse o pontífice na sexta-feira 1

O Papa Francisco fez, nesta sexta-feira 1, sua primeira aparição pública de 2021, depois de ter de cancelar sua participação em duas celebrações na Basílica de São Pedro por uma “dor ciática”.

Atrás de um púlpito na biblioteca do Palácio Apostólico, decorado com uma árvore de Natal e uma manjedoura, o Papa fez a tradicional oração do Angelus.

“Envio meus melhores votos de paz e serenidade para o novo ano”, disse.

“Os dolorosos acontecimentos que marcaram a vida da humanidade no ano passado, em particular a pandemia, nos ensinaram como é necessário nos interessar pelos problemas dos outros e compartilhar suas preocupações”.

Na quinta-feira, o Vaticano anunciou que o Papa sofria de “dor ciática” e que não poderia conduzir as celebrações litúrgicas programadas para a noite de quinta-feira e a manhã de sexta na Basílica de São Pedro.

Pouco antes do Natal, dois cardeais que fazem parte do círculo íntimo do Papa, um polonês e um italiano, contraíram a Covid-19, levantando dúvidas sobre a proteção de Francisco, 84 anos.

Embora os encontros oficiais do Papa com altos funcionários da Santa Sé sejam comunicados diariamente, o pontífice também tem muitos encontros privados na Casa de Santa Marta, onde vive.

Durante o primeiro confinamento na Itália, Francisco ficava isolado em sua biblioteca aos domingos para a oração do Angelus, mas depois aparecia com frequência em uma janela para saudar uma praça de São Pedro quase vazia.

O Papa é tido como uma pessoa do grupo de risco, considerando que, aos 21 anos, em 1957, Jorge Bergoglio sofreu pleurisia aguda e os cirurgiões tiveram de retirar parcialmente o pulmão direito, segundo detalha seu biógrafo Austen Ivereigh.

Fonte:AFP