sexta-feira, 10 de julho de 2026

Frutas nativas brasileiras mostram potencial na prevenção de doenças do envelhecimento celular

 Compostos bioativos da jabuticaba, açaí, cambuci e guaraná aparecem como promissores contra doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas; autores de estudo ressaltam necessidade de mais ensaios clínicos

Jabuticaba

Jabuticaba, açaí, cambuci, guaraná, marolo e outras frutas nativas brasileiras podem contribuir na prevenção de doenças crônicas associadas à inflamação e ao estresse oxidativo. É o que sugere uma revisão científica que reuniu estudos publicados nas últimas décadas e identificou evidências de que compostos bioativos presentes nesses frutos ajudam a proteger as células contra danos relacionados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de enfermidades cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas.

Conduzido por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, o estudo integrou o doutorado da nutricionista Maria Carolina Zsigovics Alfino, orientado pela professora Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, em colaboração com pesquisadores da Universidad Autónoma do Chile. A pesquisa faz parte de uma linha de investigação do grupo Alimentos, Nutrição e Saúde Mental da FSP, que estuda o potencial de compostos bioativos presentes na biodiversidade brasileira para a prevenção e o controle de doenças crônicas não transmissíveis.

Segundo a professora Elizabeth Torres, o trabalho dá mais um passo no caminho de transformar evidências científicas em informações que possam subsidiar recomendações alimentares e estratégias de promoção à saúde pública. “Doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade no mundo. Identificar alimentos acessíveis e ricos em compostos bioativos capazes de auxiliar na prevenção dessas doenças tem impacto direto na promoção da saúde pública”, afirma.

Apesar dos resultados promissores, a professora ressalta a necessidade de novos estudos — a principal limitação da revisão foi que a maior parte das evidências analisadas veio de pesquisas realizadas em modelos celulares ou animais. “Ensaios clínicos com seres humanos ainda são escassos”, relata.

Inflamação

Segundo a nutricionista Maria Carolina Alfino, os estudos indicam que os compostos bioativos presentes nas frutas nativas brasileiras atuam diretamente no controle da inflamação e do estresse oxidativo. Substâncias como flavonoides, antocianinas, carotenoides e ácidos fenólicos ajudam a neutralizar radicais livres e a reforçar os mecanismos naturais de defesa antioxidante do organismo.

Além disso, reduzem a produção de moléculas inflamatórias e regulam processos celulares associados ao desenvolvimento de doenças. “Ao controlar o estresse oxidativo e a inflamação crônica, dois mecanismos associados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas, as substâncias contribuem para a manutenção da saúde e para a prevenção de doenças crônicas”,  diz.

Elizabeth Torres destaca ainda que os benefícios observados na pesquisa não se restringem à polpa dos frutos. “Cascas, sementes e outros subprodutos geralmente descartados também apresentaram potencial biológico, ampliando as possibilidades de aproveitamento sustentável desses alimentos”, relata.

Jabuticaba lidera número de estudos

Entre as frutas analisadas, a jabuticaba foi a que reuniu o maior volume de estudos. Pesquisas realizadas com extratos da casca, da polpa e até dos galhos da planta apontaram elevada atividade antioxidante e capacidade de reduzir marcadores inflamatórios associados à obesidade, resistência à insulina, inflamações intestinais e alterações cardiovasculares. Os efeitos são atribuídos, principalmente, às antocianinas, aos flavonoides e ao ácido elágico presentes no fruto. De acordo com Maria Carolina Alfino, esses compostos atuam neutralizando radicais livres, reduzindo danos celulares e modulando processos inflamatórios envolvidos no desenvolvimento de doenças crônicas.

O açaí e o guaraná também figuraram entre as espécies mais investigadas. No caso do guaraná, os estudos apontam potencial neuroprotetor relacionado à ação conjunta da cafeína e das catequinas. As substâncias demonstraram capacidade de reduzir danos provocados pelo estresse oxidativo e pela inflamação, fatores associados à degeneração celular e a doenças que afetam o sistema nervoso.

Já o açaí tem despertado interesse não apenas pela polpa, mas também por seus subprodutos, especialmente as sementes. Estudos experimentais mostram que essas estruturas concentram elevadas quantidades de procianidinas, compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os resultados sugerem potencial para reduzir processos inflamatórios relacionados a distúrbios metabólicos, assim como de complicações cardiovasculares e renais.

Saúde do cérebro

A revisão também identificou evidências de que os compostos bioativos das frutas nativas podem contribuir para a proteção do sistema nervoso. Substâncias presentes principalmente no guaraná podem ajudar a reduzir a neuroinflamação, processo associado a doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson, e a alguns transtornos psiquiátricos.

“As propriedades bioativas encontradas no guaraná atuam em mecanismos de redução da ativação excessiva de células inflamatórias do cérebro e na diminuição da produção de citocinas pró-inflamatórias, moléculas que participam da resposta inflamatória do organismo”, afirma Maria Carolina Alfino.

Outro aspecto destacado no artigo é o possível impacto positivo das propriedades bioativas dessas frutas sobre a microbiota intestinal, ou seja, favorecer o crescimento de bactérias benéficas e reduzir processos inflamatórios sistêmicos, fortalecendo a chamada conexão intestino-cérebro. Nesse contexto, o guaraná se destacou pelos efeitos neuroprotetores, enquanto a jabuticaba apresentou resultados promissores no controle da inflamação intestinal e na proteção das células contra danos oxidativos.

Para Maria Carolina Alfino, os resultados reforçam a importância de valorizar espécies nativas ainda pouco presentes na alimentação dos brasileiros. Segundo ela, a influência da globalização dos hábitos alimentares contribuiu para a concentração do consumo em frutas como maçã, banana e laranja, enquanto muitas espécies brasileiras com elevado valor nutricional permanecem pouco conhecidas pela população.

Fonte: Jornal da USP

- anúncio -



terça-feira, 30 de junho de 2026

Toda geração tem seus craques e suas memórias afetivas também, venha entender

Há memórias que não chegam em silêncio. Elas acendem. Às vezes é uma música, o cheiro de uma comida ou o nome de um craque que marcou uma época. De repente, aquilo que parecia distante volta com força: o rádio ligado na sala, a família reunida diante da televisão, o gol comemorado na rua, a camisa do time guardada com cuidado. Mais do que recordar partidas, recordar o futebol é revisitar momentos de vida (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008).

Toda geração tem seu craque. Uns cresceram acompanhando Pelé, outros vibraram com o Zico, Sócrates, Romário ou Ronaldo Fenômeno. Cada nome carrega muito mais do que estatísticas: guarda histórias, afetos, encontros e experiências compartilhadas. Assim, o futebol ultrapassa o campo e transforma-se em um espaço simbólico onde memória, identidade e pertencimento se encontram.

Estudos iniciais voltados ao envelhecimento mostram que lembranças associadas ao futebol possuem forte valor emocional e tendem a permanecer preservadas por mais tempo, inclusive em pessoas com demência. Segundo o Instituto de Longevidade (2024), memórias relacionadas ao esporte geralmente estão ligadas a experiências marcantes e emoções profundas, o que favorece sua preservação mesmo diante do avanço da Doença de Alzheimer. Nesse contexto, o futebol pode atuar como um importante estímulo para resgatar recordações, fortalecer vínculos e promover participação social (INSTITUTO DE LONGEVIDADE, 2024).

Nem todas as lembranças permanecem conosco da mesma forma. Algumas desaparecem com o tempo, enquanto outras continuam vivas mesmo após muitos anos. Isso acontece porque determinadas vivências carregam um forte componente emocional, dando origem ao que chamamos de memória afetiva (OLIVEIRA; PASIAN; JACQUEMIN, 2001).

A memória afetiva refere-se às lembranças associadas às emoções e situações importantes vividas ao longo da vida. Diferentemente de informações armazenadas de forma mecânica, essas recordações permanecem ligadas aos sentimentos despertados no momento vivido, tornando-se mais marcantes e duradouros (SUPERA, 2023). Dessa forma, acontecimentos acompanhados de alegria, pertencimento e vínculo emocional tendem a ser lembrados com maior facilidade.

No futebol, isso se torna evidente. Muitas pessoas não recordam apenas o resultado de uma partida, mas o significado que aquele momento teve em suas vidas. O time acompanhado durante a juventude, o jogador admirado ou uma conquista marcante podem permanecer vivos na memória por estarem associados a sentimentos, a relações e a fases da trajetória pessoal.

Atualmente, convivem diariamente cinco gerações diferentes, e cada uma delas possui memórias marcadas pelo futebol e pela Copa do Mundo. Os Baby Boomers viveram a era de Pelé; a Geração X acompanhou nomes como Romário e Bebeto; os Millennials cresceram assistindo Ronaldinho Gaúcho; a Geração Z vivencia o futebol de Lionel Messi, Neymar e Kylian Mbappé; enquanto a Geração Alpha, fortemente marcada pela tecnologia e pela velocidade da internet, consome o esporte de forma mais dinâmica, acompanhando fenômenos como a Kings League e conteúdos digitais em tempo real.

Dessa maneira, cada geração possui uma memória afetiva marcada pelo futebol. Ao refletir sobre as conquistas do Brasil na Copa do Mundo, percebe-se que a última vitória ocorreu em 2002, fazendo com que as pessoas nascidas naquele período tenham atualmente cerca de 24 anos. Nesse sentido, estudos apontam a importância da intergeracionalidade. Uma pesquisa realizada com 12 idosos e 21 crianças e adolescentes, durante um período de oito meses, concluiu que “a convivência intergeracional promove benefícios mútuos, pois permite que as pessoas idosas revivem lembranças importantes de suas trajetórias, enquanto os mais jovens ampliam sua compreensão sobre a velhice e aprendem a valorizar as experiências das pessoas idosas” (MASSI et al., 2016, p. 406).

Além disso, segundo o G1 (2014), cerca de 700 milhões de pessoas assistiram à abertura da Copa do Mundo, realizada no Brasil em 2014. Esse dado permite refletir sobre quantas gerações estavam reunidas compartilhando emoções, experiências, comemorando gols, vestindo a mesma camisa, colecionando álbuns de figurinhas e criando lembranças que permaneceriam vivas por muitos anos.

O impacto dessa convivência geracional promovida pelo futebol vai muito além do simples entretenimento, fortalecendo-se como um terreno fértil  para troca de experiências e memórias. Quando diferentes idades se encontram para falar de futebol, o jovem não apenas ouve sobre o gol do passado, mas passa a compreender o contexto histórico e social da época, impulsionando uma rica transmissão cultural e ressignificando o papel da pessoa idosa na sociedade. Esse diálogo constante atua diretamente no fortalecimento de vínculos familiares e sociais, tornando o jantar ou a arquibancada em espaços de cumplicidade entre gerações compartilhando a mesma vibração. Nesse cenário, o esporte se estabelece como uma poderosa ferramenta de conexão emocional, capaz de traduzir sentimentos complexos em uma linguagem universal. Sob a ótica da saúde pública e do bem-estar, essa inserção social e o estímulo cognitivo proporcionados pelas lembranças e interações futebolísticas funcionam como pilares para um envelhecimento mais ativo e integrado (NERI, 2021). Ao se manterem conectados afetivamente com suas comunidades e estimulados por meio de suas paixões, as pessoas idosas encontram no esporte um canal para preservar sua identidade, exercitar funções cognitivas, combater o isolamento e exercer sua cidadania plenamente (BOREM et al., 2019).

Em conclusão, fica evidente que cada geração tem o seu próprio craque, formado pelos ídolos e pelas mídias de seu tempo, seja na era de ouro de Pelé acompanhada pela rádio, ou na dinamicidade digital da nova Geração Alpha. No entanto, independente de quem veste a camisa 10 da vez, todas as gerações compartilham o mesmo amor genuíno pelo futebol. As estatísticas e os resultados dos jogos podem se perder nos registros do tempo, mas a memória afetiva gerada ao redor do campo une muito mais do que separa, demonstrando que o sentimento de pertencimento sobrevive aos anos. O futebol, portanto, funciona como uma verdadeira ponte entre tempos e pessoas, um patrimônio cultural e emocional intangível que conecta o passado ao presente e garante que as futuras gerações continuem celebrando a vida, o afeto e as conexões humanas a cada novo apito inicial.

Assinam este texto as gerontólogas:

Beatriz Bagli Moreira

Betsabe Aparecida Jorge Ylla

Nathália Kubo Barboza

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva

Para reflexão:

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar. Cora Coralina

Você sabia que:

Narina Invertida

Aproximadamente 85% das pessoas respiram por uma narina de cada vez e trocam a cada cerca de quatro horas, tempo que varia de pessoa para pessoa. É o cérebro quem faz a troca. A narina usada será sempre a inversa ao lado do cérebro que estiver mais ativo

Resposta do desafio de Maio:

Zezinho tem 24 bolas. Dá 4 para Luizinho e ambos ficam com quantidade igual.

Quantas bolas tinha Luizinho inicialmente?

a) 18          b) 14          c) 16         d) 12          e) 24

Resposta: letra C.

Explicando: 24 – 4 = 20, se ambos agora ficaram com 20, significa que se Luizinho ganhou 4, antes ele tinha 16 bolas.

Desafio de Junho:

Alguns meses têm 30 dias, outros têm 31. Quantos meses têm 28 dias?

Resposta na próxima edição

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)

https://www.instagram.com/superarecifemadalena/?hl=en

Referências Bibliográficas:

 -  BOREM, F. S. et al. O futebol como instrumento de estimulação cognitiva e socialização em idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, e190045, 2019.

-  INSTITUTO DE LONGEVIDADE. Futebol ajuda idosos com Alzheimer a resgatar memórias. São Paulo, 2024. Disponível em: https://institutodelongevidade.org/longevidade-e-saude/saude-mental/futebol-ajuda-idosos-com-alzheimer.

- MASSI, Giselle et al. Impacto de atividades dialógicas intergeracionais na percepção de crianças, adolescentes e idosos. Revista CEFAC, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 399-408, mar./abr. 2016. DOI: 10.1590/1982-0216201618217515.

- NERI, A. L. Envelhecimento ativo e solidariedade intergeracional: reflexões contemporâneas. Campinas: Alínea, 2021.

OLIVEIRA, E. A.; PASIAN, S. R.; JACQUEMIN, A. A vivência afetiva em idosos. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 21, n. 1, p. 68–83, 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-98932001000100008. Acesso em: 21 maio 2026.

- SCHNEIDER, R. H.; IRIGARAY, T. Q. O envelhecimento na atualidade: aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e sociais. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 25, n. 4, p. 585–593, 2008.

- SUPERA. Memória afetiva e emoções: qual a relação? 2023. Disponível em: https://metodosupera.com.br/memoria-afetiva-e-emocoes/

Torcedores se preparam para a abertura da Copa do Mundo. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/06/torcedores-se-preparam-para-abertura-da-copa-do-mundo.html.

domingo, 31 de maio de 2026

Benefício da estimulação cognitiva é pauta com o Supera no Drauziocast

Bate-papo com Dr. Drauzio Varella

No dia 10 de abril, a vice-presidente do Supera, Bárbara Perpétuo, e a Profa. Dra. Sônia Brucki, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e médica neurologista, participaram de um bate-papo com o Dr. Drauzio Varella, no Drauziocast, para falar sobre o que é, quais são os benefícios da estimulação cognitiva e também sobre o Estudo Supera de Estimulação Cognitiva, pesquisa que evidenciou os benefícios do método em pessoas idosas saudáveis.

Veja, abaixo, os principais destaques apresentados no episódio.

Perda de memória, empobrecimento cognitivo e excesso de telas 

No início da entrevista, Drauzio questiona a Dra. Sônia sobre os motivos da população estar perdendo a memória. De acordo com a neurologista, o excesso de informações que nos bombardeiam diariamente dificulta a divisão da atenção pelo cérebro entre os tantos estímulos simultâneos, o que compromete a retenção das informações e, posteriormente, a recuperação da memória. Segundo ela, isso se aplica a todas as idades.

Além disso, outros dois tópicos abordados foram o brain rot (empobrecimento cognitivo) e o excesso de telas. A professora Sônia explica que, no passado, o aprendizado era mais pautado na leitura, o que favorecia a consolidação das memórias de forma mais concentrada. Já hoje, com o excesso de telas, muitas vezes o consumo de conteúdo ocorre de forma passiva. Ela destaca que a tecnologia não é o problema, mas sim a maneira como lidamos e interagimos com ela.

“O problema é o tipo de estímulo e o uso que você faz dele. Se você discute e pensa (sobre o conteúdo digital), é ótimo.” – Dra. Sônia Brucki.

A Inteligência Artificial pode prejudicar o cérebro?

De acordo com a Profa. Dra. Sônia Brucki a inteligência artificial, de uma forma geral, (IA) pode ser uma aliada no aprendizado, desde que você tenha um conhecimento prévio e seja capaz de discernir o que é bom ou não da resposta que você recebeu. Ou seja, é filtrar as informações que você recebe da IA.

O que é a estimulação cognitiva?

Na continuação do papo, Drauzio pergunta diretamente à vice-presidente, Bárbara Perpétuo, sobre a estimulação cognitiva. Segundo ela, a estimulação cognitiva é um conjunto de atividades sistematizadas que aprimoram habilidades como memória, funções executivas e a cognição em geral. No caso da metodologia Supera, esse trabalho também envolve o desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Com isso, novas sinapses são criadas, tornando o cérebro mais robusto.

Como o Supera utiliza a estimulação cognitiva para trabalhar o cérebro?

Bárbara explica que o método é aplicado de forma prática, com uma aula semanal de duas horas, que inclui atividades com o ábaco para exercitar a memória. Além disso, há livros de desenvolvimento cognitivo, como o Abrindo Horizontes, jogos, neuróbicas, dinâmicas e atividades on-line. Todas essas ferramentas possuem uma intencionalidade voltada ao aprendizado e ao desenvolvimento do cérebro.

O princípio utilizado é o da sistematização, aliado à variedade, à novidade e ao grau crescente de desafio. Todos esses elementos fazem o cérebro sair da zona de conforto, fortalecendo a memória, o raciocínio e o foco, além de contribuir para a melhoria da socialização.

Estudo Supera de Estimulação Cognitiva e as evidências científicas sobre o funcionamento do estímulo neurocognitivo

A Dra. Sônia apontou a existência de evidências sobre o funcionamento e os benefícios da estimulação cognitiva e, juntamente com a vice-presidente do Supera, destacou o Estudo Supera de Estimulação Cognitiva, realizado por pesquisadores da USP, que evidenciou os benefícios do método na vida de pessoas idosas.

Segundo Bárbara, o estudo randomizado, conduzido com o apoio do Supera, apresentou melhorias nas funções executivas, na cognição e na memória, além de reduzir a autopercepção do declínio cognitivo e os níveis de depressão, promovendo maior bem-estar e qualidade de vida entre os participantes. Além disso, ela destaca que, ao estimular o cérebro, é possível resgatar a autoconfiança e a autoestima, melhorando a forma como a pessoa percebe a si mesma.

Quer saber mais sobre a entrevista?

Confira o episódio abaixo:

https://youtu.be/KWl1P4jcrSg?si=DmYsQzxthxIa1Ti2

Para reflexão:

Não desista diante de um obstáculo. Nós somos capazes de vencer todos eles. Basta acreditar. “autor desconhecido”

Você sabia que:

O cérebro possui cerca de 160 quilômetros de veias sanguíneas que o irrigam, o equivalente a quatro voltas completas ao redor da Terra

Resposta do desafio de Abril:

No Caminho do Trabalho.

Quando Eduardo foi trabalhar, ele viu no caminho 3 supermercados do lado direito e 2 supermercados do lado esquerdo; na volta, ele viu 3 supermercados do lado esquerdo e 3 do lado direito.

Como isso é possível?

Resposta: Ele voltou por outro caminho

Desafio de Maio:

Zezinho tem 24 bolas. Dá 4 para Luizinho e ambos ficam com quantidade igual.

Quantas bolas tinha Luizinho inicialmente?

a)18          b)14          c)16         d)12          e) 24

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

"O Bolsa Família se tornou um marco global no combate à pobreza extrema”, afirmou economista vencedora do Prêmio Nobel de Economia

 Gazeta da Torre

Em entrevista à revista Exame, os economistas vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, defenderam que o debate sobre transferência de renda precisa sair da lógica simplista entre “ser contra ou a favor” e passar a focar em novos modelos de proteção social.

Em vez de perguntar se é bom ou ruim, dado que é tão relevante politicamente e que, segundo todas as evidências disponíveis, tem bons impactos, seria muito mais útil começar a pensar no que seria o Bolsa Família 2, 3 ou 4”, afirmou Abhijit Banerjee.

Na entrevista, Esther Duflo afirmou que o Bolsa Família se tornou um marco global no combate à pobreza extrema e ajudou a inspirar programas semelhantes em outros países.

“O Bolsa Família foi um enorme sucesso no Brasil em termos de seu objetivo imediato, que era reduzir a pobreza extrema”, disse a economista.

Ela lembrou que o programa brasileiro, mesmo sem ter sido originalmente desenhado como experimento acadêmico, acumulou evidências suficientes para demonstrar resultados concretos.

Segundo Duflo, estudos semelhantes realizados no México, em conjunto com avaliações brasileiras, ajudaram a convencer governos ao redor do mundo a adotar modelos de transferência de renda condicionada.

Ao mesmo tempo, os economistas afirmam que justamente por ter sido bem-sucedido o programa precisa evoluir.

Fonte:Exame

anúncio

O Recife Junino 2026 tá chegando!

 Gazeta da Torre







São 19 dias de festa, 14 polos, mais de 1,2 mil apresentações e muito arrasta-pé pela cidade.

Artistas: Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Jorge de Altinho, Assisão, Lia de Itamaracá, Joyce Alane, além dos homenageados Caju e Castanha, e muitos outros nomes já confirmados na programação.

Fonte: PCR

anúncio

SAÚDE - Alerta da ONU

 Gazeta da Torre

A circulação do sarampo voltou a acender um alerta nas Américas às vésperas da Copa do Mundo de 2026, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).

A queda na cobertura vacinal em vários países tem permitido o retorno de uma doença altamente contagiosa um único caso pode infectar até 18 pessoas.

Com o aumento da circulação internacional, especialmente durante grandes eventos como a #Copa, cresce o risco de entrada de casos importados e de surtos locais.

Países como Canadá, Estados Unidos e México já enfrentam transmissão em curso, elevando a preocupação das autoridades de saúde.

Para conter o avanço do vírus, a recomendação é clara: atingir pelo menos 95% de cobertura vacinal de forma homogênea em todo o território.

Sem essa proteção, o fluxo de milhões de visitantes pode facilitar a disseminação do sarampo entre viajantes e populações não imunizadas.

A Gopspaho reforça que vacinação em dia e vigilância epidemiológica ativa são essenciais para evitar surtos e proteger a população.

Acesse a matéria completa e acompanhe a cobertura da ONU News em português em news.un.org/pt

Foto: UNICEF/Nahom Tesfaye.

Por ONU Brasil

anúncio

Brasileira eleita uma das personalidades mais influentes do mundo em 2026

 Gazeta da Torre

Natural da cidade de São Paulo e criada no interior do estado, em Itapetinga, a pesquisadora da Embrapa Mariangela Hungria foi eleita uma das personalidades mais influentes do mundo em 2026 por renomada publicação norte-americana TIME. Seu nome figurou na categoria Pioneiros graças às suas pesquisas na área de insumos biológicos dentro da agricultura.

O foco da pesquisa de Mariangela é justamente a substituição total ou parcial de fertilizantes químicos por micro-organismos portadores de propriedades como a fixação biológica de nitrogênio, a síntese de fitormônios e a solubilização de fosfatos e rochas potássicas.

“O reconhecimento é a percepção de que o mundo considera isso importante. Ter alimentos mais saudáveis, promover a saúde do solo, com menos resíduos químicos, no conceito de saúde única. Esse reconhecimento não é só a alegria por ter sido reconhecida, como também pode ajudar a divulgar ainda mais essa nossa bandeira, da qual o Brasil é líder mundial e que eu quero que seja cada vez mais”, apontou a pesquisadora, formada pela USP e com doutorado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, além de ter passagens pelas Universidades de Cornell e da Califórnia.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias; CARAS Brasil;

- anúncio -


sexta-feira, 1 de maio de 2026

Dia do Trabalhador - Há, de fato, o que comemorar?

 Gazeta da Torre

“As últimas décadas foram de retrocesso quando se fala em condições de trabalho”, segundo professora Vera Lucia Navarro, da USP, os efeitos do retrocesso nas condições do trabalho já são evidentes. “O adoecimento psíquico relacionado ao trabalho está em expansão no País, tomando proporções epidêmicas.” A docente acrescenta que transtornos mentais e comportamentais figuram entre as principais causas de afastamento laboral, com sucessivos recordes de licenças médicas.

O professor José Pastore, especialista em relações do trabalho e mercado de trabalho no Brasil, aponta que o Congresso, apesar da péssima qualidade atual dos parlamentares, precisa enfrentar a precarização, destacando a necessidade de debate sobre o fim da escala 6x1. Pesquisas indicam que jornadas excessivas e a falta de tempo de descanso afetam a qualidade de vida e a saúde dos trabalhadores.

*Vera Lúcia Navarro é professora associada doutora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP/USP). Especialista em sociologia do trabalho, ela pesquisa temas como precarização do trabalho, saúde do trabalhador e transformações no mundo do trabalho.

*José Pastore, sociólogo renomado e professor titular da FEA-USP, especialista em relações do trabalho e mercado de trabalho no Brasil. Com Ph.D. pela University of Wisconsin, é autor de diversos livros, membro da Academia Paulista de Letras e articulista no jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Jornal da USP

- anúncio -

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Brasil: um país com alto índice de insônia

 

A insônia e outros distúrbios do sono têm se consolidado como um importante problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados divulgados pelo ministério da saúde, cerca de 72% dos brasileiros apresentam algum tipo de alteração no sono (BRASIL,2023). Esses números revelam um cenário preocupante, evidenciando uma condição amplamente disseminada na população brasileira.

Nesse contexto, entende-se a insônia como a dificuldade persistente para dormir ou manter um sono reparador, mesmo quando existem condições adequadas para isso. Quando ocorre de forma frequente — ao menos três vezes por semana por um período superior a três meses — passa a ser considerada crônica. Esse quadro não afeta apenas o descanso noturno, mas compromete a saúde física, mental e emocional, interferindo no funcionamento diário e na qualidade de vida. A privação de sono também pode estar associada a transtornos de ansiedade, depressão e ao agravamento de doenças já existentes, reforçando seu reconhecimento como um problema de saúde (BRASIL,2023).

Evidências científicas recentes indicam que a insônia crônica está associada a alterações neurobiológicas importantes, como aumento de processos inflamatórios, desequilíbrios hormonais e comprometimento da consolidação da memória. Estudos longitudinais demonstram que a privação de sono pode contribuir para o acúmulo de proteínas neurotóxicas no cérebro, como a beta-amiloide, fator diretamente relacionado ao desenvolvimento de demências, incluindo a Doença de Alzheimer (MUSIEK. et al, 2016). Dessa forma, a má qualidade do sono ao longo da vida tem sido reconhecida como um fator de risco modificável para o declínio cognitivo e para síndromes demenciais.

Segundo o estudo de Oliveira et al. (2022), os problemas de sono apresentam desigualdades importantes, com maior ocorrência de queixas entre mulheres, pessoas idosas e indivíduos com menor nível de escolaridade. O estudo também aponta que indivíduos com pior autoavaliação de saúde apresentam maior prevalência de distúrbios do sono, reforçando a influência de determinantes sociais na qualidade do sono da população brasileira.

Diante desse cenário, torna-se essencial investir em ações de prevenção e cuidado contínuo com o sono. Entre as principais orientações estão (BRASIL,2022):

  Manter horários regulares para dormir e acordar;

  Evitar o uso de telas eletrônicas antes de dormir;

  Reduzir o consumo de cafeína, álcool e nicotina no período noturno;

  Garantir um ambiente adequado para o descanso, com pouco ruído, iluminação reduzida e temperatura confortável;

  Não normalizar a insônia: dificuldades persistentes para dormir devem ser avaliadas por profissionais de saúde, especialmente quando impactam o bem-estar e o funcionamento diário.

Insônia e cuidados necessários na população idosa

A insônia apresenta prevalência ainda maior entre pessoas idosas, exigindo atenção específica. Um estudo nacional realizado com brasileiros com 60 anos ou mais, a partir dos dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) identificou que 58,6% dos idosos relataram algum tipo de insônia, incluindo dificuldade para iniciar o sono, manter o sono ou acordar precocemente. Esses dados evidenciam que mais da metade da população idosa convive com alterações significativas no padrão de sono.

O mesmo estudo aponta que a insônia na pessoa idosa está associada:

  Presença de duas ou mais doenças crônicas;

  Pior percepção da própria saúde;

  Fatores relacionados ao estilo de vida.

Além disso, alterações no sono nessa fase da vida podem contribuir para:

  Sonolência diurna excessiva;

  Prejuízos cognitivos;

  Alterações de humor;

  Maior risco de quedas;

  Redução da autonomia.

Dessa maneira, o sono deve ser sempre parte da avaliação integral da saúde da pessoa idosa.

As estratégias de prevenção e cuidado incluem:

  Acompanhamento regular das condições de saúde;

  Revisão do uso de medicamentos;

  Estímulo a uma rotina diária estruturada;

  Exposição à luz natural durante o dia;

  Prática de atividades físicas adequadas e atenção aos aspectos emocionais e sociais.

Cuidadores, familiares e profissionais de saúde desempenham um papel fundamental na identificação precoce dos problemas de sono, contribuindo para intervenções que promovam qualidade de vida, funcionalidade e envelhecimento saudável.

Reconhecer a insônia como um problema frequente, multifatorial e com impactos relevantes ao longo de todo o curso da vida é um passo essencial para fortalecer ações de promoção da saúde e cuidado integral da população brasileira.

Assinam este texto:

Beatriz Bagli Moreira, Larissa Januário de Oliveira e Vanessa Di Gregório Morais – Graduandas do curso de Bacharelado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).

Profa. Dra. Thais Bento Lima da Silva – Gerontóloga pela Universidade de São Paulo (USP). Mestra e Doutora em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela Faculdade de Medicina da USP. Vice-diretora científica da Associação Brasileira de Gerontologia (ABG). É parceira científica do Método Supera. Coordenadora do Grupo de Estudos em Treino Cognitivo da Universidade de São Paulo.

Para reflexão:

De que me adianta temer o que já aconteceu? O tempo do medo já aconteceu, agora, começa o tempo da esperança. “Paulo Coelho”

Você sabia que:

A privação de sono também aumenta a temperatura cerebral.

Reposta do desafio de Março:

Lógica da Páscoa:

Nos Estados Unido você não pode tirar foto de um coelho com um ovo de Páscoa.

Por quê?

Resposta: Porque foto se tira com uma câmera ou um celular

Desafio de Abril:

No Caminho do Trabalho.

Quando Eduardo foi trabalhar, ele viu no caminho 3 supermercados do lado direito e 2 supermercados do lado esquerdo; na volta, ele viu 3 supermercados do lado esquerdo e 3 do lado direito.

Como isso é possível?

Resposta na próxima edição:

Serviço:

Método Supera - Ginástica para o Cérebro

Responsável Técnica: Idalina Assunção (Psicóloga, CRP 02-4270)

Unidade Recife Madalena

Rua Real da Torre, 1036. Madalena, Recife.

Telefone: (81) 30487906 – 999000603 (WhatsApp)


Clubes de leitura crescem no Brasil

 Gazeta da Torre

Cerca de 47% da população brasileira se considera leitora, o que equivale a mais de 93 milhões de pessoas. Há alguns anos, o fenômeno dos clubes de leitura vêm crescendo no país, conquistando cada vez mais novos leitores e contribuindo, gradativamente, para que essa porcentagem aumente.

Para colaborar ainda mais, neste mês, em que comemoramos o Dia Mundial do Livro (23/04), foi lançado, pelo Ministério da Educação, a plataforma MEC Livros, que funciona como uma biblioteca digital gratuita e oferece milhares de títulos de livros nacionais e internacionais. Seja sozinho, com amigos, na internet, com livro físico ou com e-books, as iniciativas visam tornar o hábito de leitura mais acessível e mais prazeroso.

A plataforma é aberta ao público em geral, como uma política de acesso à leitura e à educação. Qualquer pessoa pode acessar o MEC Livros. Não é necessário estar matriculado em escola, faculdade ou curso técnico.

Todo o conteúdo disponível no MEC Livros é gratuito. Não há cobrança de mensalidade e taxas nem necessidade de compra de livros. O acesso é público e livre e a leitura das obras ocorre em plataforma própria via login gov.br.

A plataforma reúne obras literárias contemporâneas, clássicos da literatura brasileira e mundial e outros conteúdos voltados à formação cultural e cidadã. O acervo é pensado para atender diferentes perfis de leitores e trajetórias de leitura.

O acervo não é estático: a plataforma é atualizada periodicamente com novas obras que estão em domínio público ou que tiveram autorização de divulgação. Isso amplia o repertório de leitura disponível e fortalece o acesso à leitura literária.

Caso o leitor queira relatar desconforto, erro de informação ou sugerir contextualizações adicionais, o MEC Livros disponibiliza canais de contato para diálogo e aprimoramento contínuo da plataforma.

*Mais informações:

https://www.gov.br/mec/pt-br

Vídeo: TV Brasil

- anúncio -

Copa do Mundo FIFA 2026 - A Arena Nº1 que acontecerá em Recife

 Gazetya da Torre

foto ilustração

O anúncio oficial, realizado no início de março de 2026, confirma a capital pernambucana no circuito nacional desse projeto, que é considerado a maior watch party (festa de transmissão) da Copa no Brasil, substituindo o modelo oficial do Fan Fest da FIFA.

A Arena Nº1 acontecerá em Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Goiânia (GO). O evento promete telões gigantes para transmissão dos jogos da seleção brasileira, shows com grandes atrações musicais e ativações de marca. Mais do que apenas uma tela, as arenas serão projetadas como centros de entretenimento completos, com apresentações musicais antes e depois das partidas, além de diversas ativações de marca. A Ambev estima que o público acumulado nas cinco cidades pode chegar a 600 mil pessoas ao longo do torneio.

A iniciativa representa uma expansão significativa de um conceito que a Brahma testou na Copa de 2022, quando montou pontos de exibição na Praia de Copacabana, no Rio, e no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Os locais exatos dentro das capitais escolhidas ainda estão sendo definidos, mas a primeira operação está confirmada para a estreia do Brasil contra o Marrocos, no dia 13 de junho.

O projeto é liderado pela marca Brahma, com o objetivo de criar um hub central de experiências e entretenimento para os torcedores durante o mundial de 2026. Leandro Mendonça, diretor de eventos e experiências da Ambev, reforçou que o objetivo é consolidar a Arena Nº1 como o principal ponto de encontro da torcida. Curiosamente, embora a controladora da Ambev, a AB InBev, seja patrocinadora global da Copa, a operação brasileira optou por não aderir ao modelo oficial de “fan fest” da FIFA.

A empresa não revelou quanto vai investir no projeto, mas garantiu que o valor está à altura da experiência que quer entregar. “O que posso dizer é que está alinhado com a experiência que queremos entregar. Não estamos medindo esforços para garantir que seja a principal festa em cada uma dessas cidades”, finaliza Mendonça.

Fonte: Live MKT News

- anúncio -

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - A descoberta foi acidental ou não?

 Gazeta da Torre

*Foto do filme ‘O Descobrimento do Brasil’, primeira grande produção de Humberto Mauro como funcionário do INCE (Instituto Nacional de Cinema Educativo), criado em 1936 pelo Ministério da Educação e Cultura do governo Getúlio Vargas

Qualquer um que tenha passado pelos bancos escolares brasileiros até meados dos anos 1980 certamente aprendeu uma floreada história sobre o episódio chamado de descobrimento do Brasil, o dia em que o navegador português Pedro Álvares Cabral (1467-1520) e sua comitiva avistaram as terras que depois se tornariam a maior colônia lusitana, em 22 de abril de 1500.

Trata-se de uma narrativa épica, em que Cabral e seus comandados enfrentavam a fúria do Atlântico para consolidar a então nova rota comercial que ligava a Europa à Índia, contornando o continente africano e dobrando o Cabo da Boa Esperança.

Mas então, nervosas que estavam as águas do oceano e sob intensa tempestade com forte ventania, as embarcações acabaram sendo obrigadas a ajustar a rota, “abrindo” cada vez mais para o oeste e distanciando-se da costa da África. Até que, acidentalmente, chegaram às tais novas terras, “descobrindo” o Brasil e tomando posse do território, com direito a celebração de missa e troca de presentes com os nativos.

E assim, apregoavam os professores de história do ensino primário de antigamente, havia nascido o Brasil.

Historiadores contemporâneos, contudo, colocam em xeque esta narrativa. Não há um consenso por que os documentos conhecidos são poucos e não explicam com clareza. Mas o que a grande maioria concorda é que Cabral ao menos sabia que encontraria alguma coisa indo por ali — não necessariamente um território tão grande.

E que parte de sua missão, além de consolidar a nova rota para a Índia, selando o sucesso empreendido anteriormente por Vasco da Gama (1469-1524), era estabelecer a conquista daquilo que havia sido garantido à coroa portuguesa pelo Tratado de Tordesilhas, firmado seis anos antes com a Espanha.

Contexto e posse

Para a historiadora Clarissa Sanfelice Rahmeier, professora na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), “toda a história do descobrimento ou achamento do Brasil deve ser entendida à luz de, no mínimo, dois elementos que caracterizavam o contexto em que se deu a vinda dos europeus para cá”. São eles os tratados de limites estabelecidos entre Portugal e Espanha “e a situação socioeconômica vivenciada pelos países ibéricos à época da chegada de Cabral”.

“A narrativa que apresenta a versão da chegada por acaso deriva do primeiro elemento, referente à disputa, por Portugal e Espanha, das terras achadas ou por achar no processo de expansão marítima impulsionado pelos dois países”, pontua ela.

Isso porque, como a linha estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas não era precisa, tanto o planejamento quanto a comunicação das viagens exploratórias eram impactados. “Havia várias interpretações a seu respeito e a falta de uma exata localização, bem como o desconhecimento do que seria encontrado nas terras do além-mar”, afirma Rahmeier.

A historiadora ressalta que foi por conta disso que a coroa portuguesa financiou a viagem do explorador Duarte Pacheco Pereira (1460-1533) em 1498. Muitos acreditam que ele — e não Cabral — tenha sido o primeiro português a pisar nas terras que hoje são o Brasil.

Versão oficializada pelo império

Para o historiador Victor Missiato, não há dúvidas de que quem consolidou essa ideia de “descobrimento por acaso” foi o império brasileiro, no contexto da pós-independência. É do período a construção do imaginário a respeito do episódio da chegada dos portugueses. “Se a gente pegar aquela obra do [pintor Victor] Meirelles [(1832-1903)], ‘Primeira Missa no Brasil’ [feita entre 1869 e 1861], há toda uma referência de um destino manifesto por parte da Igreja e de Portugal, no sentido de trazer a palavra, a verdade, o sentido de colonização para essas terras”, comenta ele.

Foram assim erguidas as bases da narrativa. Segundo Missiato, “o descobrimento de um povo que vai construir sua história a partir das ideias do catolicismo e do nacionalismo”.

“Essa versão [da descoberta ‘sem querer’] durou muito tempo porque primeiro ela se constituiu como uma história oficial no século 19 e essa ideia de história oficial que se utiliza apenas de fontes oficiais, durante muito tempo, foi considerada a história científica da modernidade”, aponta Missiato.

Durante décadas, “toda a sociedade brasileira foi formada a partir dessa ideia oficial de descobrimento do Brasil”, ressalta o pesquisador. A partir dos anos 1930, ideias diferentes começaram a surgir no âmbito acadêmico. Mas ainda levaria muito tempo para serem adotadas essas versões pelos livros e apostilas escolares.

“Havia interesses claros no sentido de perpetuar uma perspectiva redentora, salvadora e ao mesmo tempo uma perspectiva centralizadora da história do Brasil”, comenta ele. Afinal, uma chegada por acaso tira o peso da “conquista planejada”, que pode ser interpretada como nociva e dominadora. Uma descoberta acidental, fortuita, parece evocar um capricho do destino, facilitando a conexão mítica com ideias de salvação e redenção.

Fonte: BBC News Brasil

- anúncio -