quinta-feira, 12 de março de 2020

A capital pernambucana completa 483 anos e a Cidade Patrimônio da Humanidade faz 485 anos

Gazeta da Torre
Fonte: CAU/PE

Quem pensa na capital pernambucana lembra logo da vizinha. Olinda na franja alta da planície estuária e o Recife ocupando a própria planície trazem paisagens “compartilhadas”, carnavais que se completam, cidadãos que se misturam. Muitos outros traços caracterizam a relação simbiótica entre as duas cidades. O dia 12 de março foi eleito como data de comemoração para ambos os municípios. Hoje é festa, é dia de comemorar. Viva Recife! Viva Olinda! 

Parabéns Recife e Olinda!

terça-feira, 10 de março de 2020

Luz, câmera, mulher

Joana Oliveira, El País

 Helena Solberg, única cineasta mulher do Cinema Novo
Livro conta a história de mulheres pioneiras na indústria audiovisual, como Cleo de Verberena, e salienta as brechas de gênero no setor

Em 1930, a paulista Cleo de Verberena vendeu joias e propriedades para realizar o sonho de fazer seu primeiro filme, O mistério do dominó preto, que ela mesma escreveu, produziu, dirigiu e estrelou. Mas o primeiro longa-metragem realizado por uma mulher no Brasil não existe para que a geração atual possa ver. A obra se perdeu no tempo. Os poucos registros sobre ela são recortes de matérias nos jornais da época. “Essa falta de preservação e de visibilidade do cinema nacional feito por mulheres foi o que me chamou a atenção. Considero o livro um ponto de partida para que outras publicações possam surgir”, diz Camila Vieira da Silva, curadora e crítica de cinema, organizadora, junto com Luiza Lusvarghi, da recém-lançada coletânea Mulheres atrás das câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018.

Organizado como um “pequeno dicionário das cineastas brasileiras”, o livro contempla aproximadamente 250 diretoras que realizaram pelo menos um longa-metragem de circulação nos cinemas e conta com 27 ensaios assinados por mulheres que pensam cinema no Brasil. “Não queria dar visibilidade apenas às diretoras, mas também às críticas e pesquisadoras. Ainda é difícil ver nas mesas dos festivais, por exemplo, mulheres debatendo o audiovisual”, aponta Camila. Além do pioneirismo de Cleo de Verberena, a obra destaca nomes como o de Helena Solberg, única cineasta mulher do Cinema Novo, e realizadoras contemporâneas, como Anna Muylaert.

Uma das dificuldades encontradas pela autora do livro foi achar os dados biográficos das primeiras realizadoras no cinema nacional. Encontrar cópias de suas obras, então, é quase impossível. “Há uma impossibilidade de acesso a esses filmes. Acaba sendo um esforço muito do espectador de ir atrás, investigar, e pode ser que outros filmes apareçam que a gente nem sabia que existiam", lamenta Camila.

“Muitas eram secretárias dos estúdios e, nas folgas, aproveitavam para usar aqueles meios de produção e fazer seus filmes. Quando o cinema virou indústria, com o objetivo gerar lucro, elas foram expulsas desses espaços e ocuparam só a frente das câmeras, como atrizes”, continua Camila. A partir de 1950, a porta de acesso para os meios de produção passou a ser a atuação. “Gilda de Abreu fez esse caminho no Brasil. Foi atriz e depois diretora. Nos Estados Unidos, foi o mesmo caso da Ida Lupino, primeira mulher a dirigir um film noir”, exemplifica Camila.

A crítica e pesquisadora explica a transição do cinema de película para o digital no Brasil favoreceu o acesso de mulheres aos meios de produção cinematográfica. “Apesar da crise institucional que estamos vivendo, com o corte de políticas públicas para o incentivo do audiovisual, acredito que ainda vai permanecer muito forte a produção de curtas-metragens, principalmente feito por mulheres negras. Também temos muitas mulheres fazendo documentários, que, muitas vezes, são produções mais viáveis financeiramente”, comenta.

A veterana Sandra Kogut, de 55 anos, também comemora as pequenas vitórias. “Minha geração começou a fazer cinema quando o cinema, no Brasil, tinha acabado”, diz, referindo-se ao Governo de Fernando Collor, que fechou a Embrafilme. “Além disso, quando comecei, além de mulher, era muito nova e tinha que mandar em equipes nas quais todos eram homens e, geralmente, mais velhos do que eu. Hoje em dia, as equipes são mais mistas”, afirma.

De fato, há maior paridade em alguns setores, como a produção executiva em que mulheres e homens correspondem a 41% e 42%, respectivamente (7% das produções são mistas), de acordo com a Ancine. No entanto, a brecha permanece em áreas tradicionalmente dominadas por eles, como a direção de fotografia: nas produções nacionais de 2018, 83% dos responsáveis pela função eram homens.

Cinema de gênero

Na história do cinema, as mulheres sempre escreveram, produziram e dirigiram filmes de todos os gêneros, de faroestes a comédias. No Brasil, um dos destaques no cinema de terror é Gabriela Amaral Almeida, de 40 anos, que começou a fazer curtas em 2009 e já dirigiu os longas O animal cordial (2017) e A sombra do pai (2018). “Têm-se esse conceito da feminilidade cinematográfica. Dentro da lógica da indústria audiovisual, os filmes de terror, são feitos por homens porque demandam mais orçamento, maior conhecimento técnico et cetera. Mesmo nos festivais de gênero, não raro sou a única diretora participante”, conta ela.

Gabriela diz que notou a discriminação quando deixou os curtas para dirigir o primeiro longa-metragem. “Curta não tem valor comercial, e, há dez anos, havia muitas políticas públicas de incentivo, então era mais fácil fazer. Quando se começa a fazer longas, a coisa muda, porque passa por financiamento privado, e aí há, sim, discriminação de gênero. “A demora da mulher para chegar ao cinema é a grana, não é o gênero em si. Homens com mesmo tempo de experiência e até com menos talento têm mais acesso a orçamentos maiores”, reclama.

É da condição de mulher e suas dificuldades —tanto na indústria cinematográfica quanto em outros âmbitos— que ela tira inspiração para seus filmes de terror. “Como mulher, a gente vive com medo, cresce com medo. Não temos sequer direito ao livre acesso às ruas, com segurança. Então, acho que fazer e assistir obras que refletem esse medo de outras formas acaba sendo satisfatório", explica.

domingo, 8 de março de 2020

Profissional da Madalena recebe prêmio minerva da inteligência

Gazeta da Torre
Na imagem, a psicóloga Idalina Assunção, colaboradora do Gazeta da Torre e administradora da Unidade SUPERA Recife Madalena, recebendo da Academia Brasileira de Ciências Criminais o prêmio minerva da inteligência 2019.

A Academia Brasileira de Ciências Criminais (ABCCrim), também designada pela sigla ABCCrim, é uma pessoa jurídica de direito privado sem fins econômicos, com fins culturais e educativos, constituída na forma de associação.

A ABCCrim é uma entidade sem fins lucrativos que reúne profissionais de diversas áreas, relacionados especialmente à produção do conhecimento no âmbito do crime, Criminologia, Perícias, Criminalística, Direito Penal e Processo Penal, Segurança Pública, Medicina Legal, Direitos Humanos, Psicologia e Psiquiatria Forense.

É objetivo da Academia Brasileira de Ciências Criminais estimular o processo de aprendizagem e o desempenho acadêmico dos estudantes e profissionais em relação aos conteúdos relacionados às Ciências Criminais e previstos nas diretrizes curriculares dos cursos de graduação.

A Associação Brasileira de Ciências Criminais é desenvolvida com o apoio técnico de Comissões Temáticas. Essas comissões, compostas por especialistas de notório saber, atuantes nas respectivas áreas, são responsáveis pela difusão das competências, conhecimentos, saberes e habilidades a serem compartilhadas com a sociedade e a quem o assunto interessar. Essa difusão científica opera-se por meio de publicações, debates, simpósios, congressos, eventos sociais e científicos promovidos pelos Acadêmicos. Anualmente, promove concursos, entrega de premiações e certificações em todo o Brasil.

O dia 8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Gazeta da Torre
Frida Kahlo - Pintora mexicana se transformou em 
ícone do surrealismo e do feminismo 
na década de 1950
O dia 8 de março é o resultado de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século XIX e se estenderam até as primeiras décadas do XX. Pena que ainda no Brasil vivenciamos muitos casos que aconteciam nas primeiras décadas do século XX. 

Desejamos que a luta contra casos inadmissíveis como agressões, desigualdades de direitos trabalhistas e sociais sempre continue incansavelmente. Esse é o nosso desejo.
Gazeta da Torre

Frida Kahlo - Pintora mexicana que se transformou em ícone do surrealismo e do feminismo na década de 1950


Gazeta da Torre
Frida Kahio
A figura da pintora Frida Kahlo se transformou exitosamente em um produto altamente rentável. Sua expressão, suas frases e até seu estilo fazem parte de uma moda que não passa. No entanto, algo permaneceu no caminho para além da popular imagem de Frida fumando um cigarro com uma camiseta de Daft Punk: o fato humano, altamente sensível e conflitivo, por uma vida que só pode ser descrevida como um complexo encadeamento de desventuras.

A famosa imagem de Frida fumano

Redescobrir Frida é, por um lado conhecer a esta personagem que nunca escondeu quem era, desde sua obsessão até sua ideologia política e sua sexualidade, e, por outro, observar sua obra atentamente, já que é a produção de uma artista que foi o suficientemente sensível para entender tudo o que acontecia ao seu redor, abrindo-nos a porta de um mundo que, embora mudou em mais de meio século, apresenta-se a nós brutalmente atual em muitos aspectos.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Comércio e instituições públicas do Grande Recife alteraram os horários de funcionamento pelo feriado estadual

Gazeta da Torre

A Data Magna de Pernambuco presta homenagem à Revolução Pernambucana de 1817, quando o estado se tornou uma república independente do resto do Brasil colonial.

Comércio e instituições públicas do Grande Recife alteraram os horários de funcionamento pelo feriado estadual da Data Magna de Pernambuco, na sexta-feira (6). As agências bancárias, por exemplo, não abrem e a Justiça funciona em esquema de plantão.

Comércio

De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife, na sexta-feira (6), as lojas trabalham em horário facultativo no Centro e nos bairros, podendo abrir das 9h às 17h.

Shoppings

Plaza Shopping - abre das 12h às 21h. O Hope, a unidade do Detran e a agência da Caixa ficam fechados. O cinema abre conforme o horário da sua programação.

Shopping Recife - lojas e praça de alimentação funcionam das 12h às 21h.

RioMar Shopping - lojas e quiosques abrem das 12h às 21h. A praça de alimentação e os restaurantes abrem das 11h30 às 21h. Os estabelecimentos do Espaço Gourmet também abrem às 11h30. As áreas de lazer têm horário especial: Rede Divertida, Oficina de Slime e Magic Games, das 12h às 21h; Game Station, Game Box e Boliche, das 12h às 23h; e o Cinemark Recife, das 12h até a última sessão.

Shopping Guararapes - não tem alteração de horário e abre normalmente, das 9h às 22h..

Shopping Tacaruna - lojas âncoras e megalojas funcionam das 9h às 21h. As lojas satélites, quiosques e praças de alimentação, lazer e serviços operam das 12h às 21h.

Paulista North Way - abre das 12h às 21h e o cinema segue programação normal.

Patteo Olinda Shopping - funciona das 12h às 21h para todas as operações de compras, alimentação e lazer. Serviços, Cinépolis e Smart Fit funcionam conforme programação própria.

Detran

Na sexta-feira (6), o Detran não funciona na sede, nos shoppings e expressos. No sábado (7), continua fechado na sede e funciona normalmente nos shoppings e expressos.

Educação

No feriado estadual, escolas públicas e privadas não abrem as portas. Confira como fica o funcionamento das unidades de ensino superior:

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - não tem expediente administrativo e acadêmico, mantendo apenas serviços essenciais, como o Hospital das Clínicas.

Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) - não funciona na sexta-feira (6), mas tem expediente normal no sábado (7).

Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso) - não funciona na sexta-feira (6), mas tem expediente normal no sábado (7).

terça-feira, 3 de março de 2020

Shows em Recife

SHOW MAROON 5
05/03
Centro de Convenções
18:00h

Três vezes vencedores do GRAMMY® Award e multiplatinados, a banda Maroon
5 anunciou datas extras na turnê Sul Americana 2020 produzida pela Live Nation. A banda irá passar pelo Brasil, com 4 datas no país e ainda México e Chile, além das datas já anunciadas no Uruguai, Argentina e Colômbia. No Brasil, a banda irá passar por Recife, no Esplanada do Classic Hall, no dia 05 de março. Os shows do Brasil ainda contarão com a abertura do trio musical Melim.

QUINTETO VIOLADO
05/02
Rio Mar
19h

Para comemorar a Data Magna, celebrada no dia 6 de março em homenagem à Revolução Pernambucana, o RioMar traz a banda Quinteto Violado. O show gratuito será no dia 5 de março, na Praça de Alimentação. Vem curtir com a gente!

Presentes para decoração de Páscoa

O grande momento de confraternização e prosperidade está chegando! A Páscoa já está batendo em nossa porta e cabe a nós, entrar neste clima que simboliza o renascimento de Jesus Cristo. Nesta ocasião, é comum que hajam troca de presentes, mesmo que sejam simples. Além disso, a decoração do ambiente pode receber um toque especial para a data.

No box Minha Comadre, Mercado da Madalena, você pode encontrar presentes para decoração de Páscoa. É só conferir! Contato: (81) 99693-4098.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Semana de Arte Flamenca do Instituto Cervantes traz workshops, cinema e apresentações para o Recife

Gazeta da Torre
 Karina Leiro - Crédito: Lane Hans
Projeto acontece nos dias 12, 13 e 14 de março e terá Master Class de todos os níveis com Karina Leiro, renomada bailadora brasileira

Proporcionar o encontro de profissionais, amadores e apaixonados pelo flamenco. Esse é o objetivo da Semana de Arte Flamenca que o Instituto Cervantes do Recife realiza nos dias 12, 13 e 14 de março, em sua sede, na Av. Agamenon Magalhães, 4535, Derby. O evento terá aula de técnica de sapateado, de castanholas, percussão de cajón, código de baile, entre outras e terá profissionais atuantes no Flamenco do Brasil como Karina Leiro, Mek Mouro, Dani Albuquerque, Lucas Almeida e Julián Sanchez.

Considerado uma das mais expressivas linguagens da arte e que tem uma identidade cultural diferenciada da Espanha, o Flamenco ganha cada vez mais apaixonados no Brasil e no Recife temos grandes profissionais atuando como professores e artistas, por isso é importante fazermos encontros e workshops, para trocarmos experiências e enriquecermos nossa formação.”, explica Dani Albuquerque, professora de Flamenco, bailaora e idealizadora do Projeto.

O encontro promoverá o estudo a partir de diversas ações, dentre elas: oficinas, aulas teóricas, master class, mostra de filmes e apresentações de flamenco. “ A ideia é mobilizar o nosso espaço cultural de forma multidisciplinar através de diferentes linguagens da arte, além de divulgar que também temos aulas regulares de Dança Flamenca, com turmas para iniciantes, iniciados e também para quem já está no nível intermediário.”, explica Daniel Gallego Arcas, diretor do Instituto Cervantes Recife. As aulas acontecem nas sextas à noite e nos sábados pela manhã, podendo abrir outros horário dependendo da formação de turmas.

Haverá também aula de Yoga, Movimento Somático, Teatro e Expressão Corporal, todos esses aplicado ao Flamenco, além de Mostra de Cine Flamenco e Tablado Flamenco (show, no sábado às 17h30). As inscrições para as oficinas podem ser feitas pelo (81) 9.9828-4281 ou pelo email danimsa@hotmail.com e custam R$40 para um curso e R$60, para dois cursos. Há ainda pacotes de R$120 com o combo de uma aula de técnica corporal + aulas de técnica sapateado + técnica de castanholas ou abanico ou ainda o combo de aula de consciência corporal + aula de cajón ou codigo de baile (palos) + master class. Para participar de todas as atividades, a inscrição custa R$190,00. Alunos matriculados na dança flamenca do Instituto Cervantes têm 50% de desconto.

O Tablado Flamenco (show) encerra as atividades do projeto no sábado às 17h30 e  será aberto ao público, com ingresso social de 1kg de alimento não perecível, a ser doado para a ONG Cores do Amanhã do Ibura.

Serviço:

Semana de Arte Flamenca do Instituto Cervantes do Recife

Av. Agamenon Magalhães, 4535, Derby

12, 13 e 14 de março

Inscrições: (81) 9.9828-4281 ou pelo email danimsa@hotmail.com


QUINTA-FEIRA (12/03/2020)

18h45 - CONSCIÊNCIA CORPORAL APLICADA AO FLAMENCO - DANIELA ALBUQUERQUE (Duração: 01H30min)

20h15 - TÉCNICA DE SAPATEADO PARA INICIANTES E INICIADOS - DANIELA ALBUQUERQUE (Duração: 01 Hora)

19h00 - OFICINA DE PERCUSSÃO (CAJÓN) - MEK MOURO (Duração: 01 Hora)

20h00 - MOSTRA DE CINE FLAMENCO (aberto ao público)

SEXTA-FEIRA (13/03)

18h45 - TÉCNICA DE SAPATEADO PARA INTERMEDIÁRIO (Duração: 01H00min) - KARINA LEIRO

19h00 - OFICINA DE PERCUSSÃO (CAJÓN) - MEK MOURO (Duração: 01 Hora)

20h00 - AULA DE TEATRO E EXPRESSÃO CORPORAL APLICADA AO FLAMENCO - ADRIANO CABRAL (Duração: 01 Hora)

20h00 - MOSTRA DE CINE FLAMENCO

SÁBADO (14/03)

MANHÃ

09H00 - AULA DE YOGA VOLTADA PARA O FLAMENCO - PROFESSORA DANIELA LAPA 

10H00 - TECNICA DE ABANICO - PROFESSORA KARINA LEIRO

11H00 - COREOGRAFIA (ALEGRÍAS) - PROFESSORA KARINA LEIRO

TARDE

14H00 - TÉCNICA DE CASTANHOLAS – KARINA LEIRO

14H00 - CÓDIGO DE BAILE / RITMOS (PALOS), PALMAS E CANTE - Lucas Almeida e Julián Sanchez (Duração: 01H00)

15H00 - MASTER CLASS (TODOS OS NÍVEIS)

16H00 - ENTREGA DOS CERTIFICADOS

17H30 - TABLADO FLAMENCO


PERCUSSÃO COM CAJÓN com o Professor MEK MOURO (Recife - PE) - Todos os níveis

CÓDIGO DE BAILE, PALMAS E RITMOS com o Professor Lucas Almeida (João Pessoa-PB) - Todos os níveis

CASTANHOLAS e ABANICO com a Professora Karina Leiro (Salvador - BA)

MASTER CLASS por ALEGRÍAS com a Professora Karina Leiro (Salvador - BA) - Todos os níveis

TECNICA DE SAPATEADO com a Professora Karina Leiro (Salvador - BA) - Nível Intermediário

CONSCIÊNCIA CORPORAL com a Professora Daniela Albuquerque - Todos os níveis

TECNICA DE SAPATEADO com a Professora Daniela Albuquerque - nível Iniciante / Iniciados

TÉCNICA CORPORAL ( o corpo na cena) com a Professor Adriano Cabral (Recife - PE)

AULA DE YOGA VOLTADA APLICADA AO FLAMENCO com a Professora Daniela Lapa (Recife - PE)

MOSTRA DE CINE - PELÍCULA A SER DEFINIDA

EXPOSIÇÃO DE FIGURINOS E ACESSÓRIOS - La Bailaora (Recife-PE)

TABLADO FLAMENCO com Lucas Almeida, Mek Mouro, Karina Leiro e Daniela Albuquerque

VALORES

OFICINAS

R$ 40,00 (1 curso)

R$ 60,00 (2 cursos)

R$ 50,00 (curso de diferenciação de palos (ritmos) e cante)


COMBOS PROMOCIONAIS

PACOTE 1 - 01 aula de técnica corporal + aulas de técnica sapateado + técnica de castanholas ou abanico

R$ 120,00

PACOTE 2 - 01 aula de consciência corporal + aula de cajón ou codigo de baile (palos) + master class

R$ 120,00

PACOTE 3 - todas as aulas (transitar por todos os níveis e modalidades)

R$ 190,00

Tecnologia que sequenciou em 48 horas coronavírus no Brasil permitirá monitorar epidemia em tempo real

Gazeta da Torre
Pesquisa do IMTSP-USP com Adolfo Lutz e Oxford é destaque mundial por rapidez recorde no sequenciamento do novo coronavírus que chegou ao Brasil. Dados podem ajudar a entender como vírus se espalha, aprimorar diagnóstico e desenvolver uma vacina.

Apenas dois dias após o primeiro caso de coronavírus da América Latina ter sido confirmado na capital paulista, pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz e das universidades de São Paulo (USP) e de Oxford (Reino Unido) publicaram a sequência completa do genoma viral, que recebeu o nome de SARS-CoV-2.

Os dados foram divulgados na sexta-feira (28/02) no site Virological.org, um fórum de discussão e compartilhamento de dados entre virologistas, epidemiologistas e especialistas em saúde pública. Além de ajudar a entender como o vírus está se dispersando pelo mundo, esse tipo de informação é útil para o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos.

“Ao sequenciar o genoma do vírus, ficamos mais perto de saber a origem da epidemia. Sabemos que o único caso confirmado no Brasil veio da Itália, contudo, os italianos ainda não sabem a origem do surto na região da Lombardia, pois ainda não fizeram o sequenciamento de suas amostras. Não têm ideia de quem é o paciente zero e não sabem se ele veio diretamente da China ou passou por outro país antes”, disse Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP.

De acordo com Ester Sabino, a sequência brasileira é muito semelhante à de amostras sequenciadas na Alemanha no dia 28 de janeiro e apresenta diferenças em relação ao genoma observado em Wuhan, epicentro da epidemia na China. “Esse é um vírus que sofre poucas mutações, em média uma por mês. Por esse motivo não adianta sequenciar trecho pequenos do genoma. Para entender como está ocorrendo a disseminação e como o vírus está evoluindo é preciso mapear o genoma completo”, explicou.

Esse monitoramento, segundo Sabino, permite identificar as regiões do genoma viral que menos sofrem mutações – algo essencial para o desenvolvimento de vacinas e testes diagnósticos. “Caso o teste tenha como alvo uma região que muda com frequência, a chance de perda da sensibilidade é grande”, disse.

Vigilância epidemiológica

Ao lado de Nuno Faria, da Universidade de Oxford, a pesquisadora coordena o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE). O projeto, apoiado por Fapesp, Medical Research Council e Fundo Newton (os dois últimos do Reino Unido), tem como objetivo estudar em tempo real epidemias de arboviroses, como dengue e zika.

“Por meio desse projeto foi criado uma rede de pesquisadores dedicada a responder e analisar dados de epidemias em tempo real. A proposta é realmente ajudar os serviços de saúde e não apenas publicar as informações meses depois que o problema ocorreu”, disse Ester Sabino à Agência FAPESP.

Segundo a pesquisadora, assim que o primeiro surto de COVID-19 foi confirmado na China, em janeiro, a equipe do projeto se mobilizou para obter os recursos necessários para sequenciar o vírus assim que ele chegasse no Brasil.

“Começamos a trabalhar em parceria com a equipe do Instituto Adolfo Lutz e a treinar pesquisadores para usar uma tecnologia de sequenciamento conhecida como MinION, que é portátil e barata. Usamos essa metodologia para monitorar a evolução do vírus zika nas Américas, mas, nesse caso, só conseguimos traçar a origem do vírus e a rota de disseminação um ano após o término da epidemia. Desta vez, a equipe entrou em ação assim que o primeiro caso foi confirmado”, contou ela.

Quebra de barreiras

O primeiro caso de COVID-19 no Brasil (BR1) teve diagnóstico molecular confirmado no dia 26 de fevereiro pela equipe do Adolfo Lutz. Trata-se de um paciente infectado na Itália, possivelmente entre os dias 9 e 21 de fevereiro. O sequenciamento do genoma viral foi conduzido por uma equipe coordenada por Claudio Tavares Sacchi, responsável pelo Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz (LEIAL), e Jaqueline Goes de Jesus, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP e bolsista da FAPESP.

“Já estávamos prevendo a chegada do vírus no Estado de São Paulo e, assim que tivemos a confirmação, acionei os parceiros do Instituto de Medicina Tropical da USP. Já estávamos trabalhando juntos há alguns meses no uso da tecnologia MinION para monitoramento da dengue”, contou Saccchi à Agência FAPESP.

“Conseguimos quebrar algumas barreiras com esse trabalho. A universidade treinou equipes e transferiu tecnologia para que o sequenciamento pudesse ser feito no lugar certo, que é o centro responsável pela vigilância epidemiológica. É assim que tem de ser”, disse Sabino.

Além do Lutz e da USP, participam do Projeto CADDE integrantes da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), ambos ligados à Secretaria de Estado da Saúde.

Plano de contenção

O infectologista e professor da FMUSP Esper Kallás tem auxiliado a Secretaria de Estado da Saúde, desde meados de janeiro, a elaborar a estratégia de atendimento de pacientes eventualmente infectados pelo SARS-CoV-2. O Instituto de Infectologia Emilio Ribas e o Hospital das Clínicas da USP foram escolhidos como instituições de referência para atender os casos graves no Estado.

“O HC segue um protocolo para contenção de catástrofe chamado HICS [sistema de comando de incidentes hospitalares, na sigla em inglês], que já foi acionado no atendimento a vítimas do massacre escolar em Suzano [ataque que deixou dez mortos em 2019] e durante a epidemia de febre amarela de 2018. Agora, sabendo que possivelmente há uma epidemia de coronavírus a caminho, já estabelecemos todos os fluxos de atendimento”, contou.

Ainda segundo Kallás, foi criado um grupo de trabalho para discutir protocolos de estudos clínicos que serão feitos com os pacientes diagnosticados e atendidos na rede pública estadual.

“Esse planejamento estratégico e a rápida publicação do genoma viral são indicadores da capacidade que o Estado de São Paulo tem de responder com ciência de alta qualidade e de contribuir para o entendimento das ameaças à saúde da população”, afirmou.

Por Karina Toledo / Agência FAPESP – Jornal da USP

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Governo de Pernambuco - O 15º Concurso de Registro de Patrimônio Vivo

Gazeta da Torre
 Será selecionados seis novos Patrimônios Vivos em 2020
Propostas podem ser enviadas para a Fundarpe, presencialmente ou por correspondência, até 20 de março

Reconhecer e apoiar mestres, mestras e grupos da cultura tradicional e popular de Pernambuco, o valor do seu legado e sua contribuição para a transmissão desses conhecimentos para pessoas de gerações mais novas, a fim de que mantenham os saberes e fazeres dos mais antigos. Este é o objetivo do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco (RPV), criado pelo Governo de Pernambuco, e gerido por intermédio da Secretaria de Cultura – Secult/PE e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – Fundarpe. As inscrições para o 15º Concurso do Registro do Patrimônio Vivo ocorrem entre os dias 20 de janeiro e 20 de março.

As propostas de candidaturas podem ser feitas presencialmente ou por correspondência (para a Fundarpe / Gerência Geral de Preservação do Patrimônio Cultural / Rua da Aurora, 463/469, Boa Vista, Recife-PE, 50050-000).


A candidatura, seja de pessoa física ou grupo, deve ser feita por uma entidade proponente, e não pelo próprio interessado. São consideradas aptas para apresentar candidatura: a Assembleia Legislativa de Pernambuco; as câmaras de vereadores dos municípios pernambucanos, além de entidades sem fins lucrativos, sediadas no Estado e atuantes a mais de dois anos.

A avaliação das propostas é feita pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural – CEPPC, que anualmente escolhe seis novos candidatos que passam a receber o diploma do Governo de Pernambuco com o título de “Patrimônios Vivos de Pernambuco” além de uma bolsa mensal vitalícia, no valor de R$ 1.600,00 (no caso de pessoa física) e R$ 3.200,00 (quando for grupo, entidade, agremiação ou associação).

Segundo o edital, “as bolsas de incentivo financeiro são destinadas a pessoas físicas ou jurídicas que tenham alcançado um estágio de reconhecida capacidade profissional ou institucional, escolhidas em decorrência de processo de seleção pública, que leva em consideração as justificativas, os currículos, o mérito e a qualidade dos trabalhos executados pelos candidatos à inscrição no RPV-PE”.

“É sempre uma honra e uma alegria para nós o processo de escolha dos novos Patrimônios Vivos. Pernambuco foi pioneiro na criação da lei, que hoje é uma referência para todo País, e a cada ano continuamos em busca de aprimorar. Conseguimos aumentar o número de Patrimônios escolhidos por ano de três para seis selecionados. Também já melhoramos o valor da bolsa vitalícia e desburocratizamos processos de apresentação de propostas para que eles integrem a programação de ações de Secult/Fundarpe em ciclos festivos. Nossa política para valorização dos Patrimônios Vivos é hoje uma prioridade, que se reflete na valorização cada vez maior que o Estado tem para com a nossa cultura tradicional e popular”, coloca Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe.

“O Registro do Patrimônio Vivo é um grande exemplo da valorização da política que queremos fortalecer, focada na diversidade dos nossos patrimônios materiais e imateriais, bem como na formação e na produção de novos conhecimentos, a partir dos saberes tradicionais. A cada ano, com o reconhecimento de novos mestres, mestras e grupos que são a base de nossa tradição cultural secular, fortalecemos ainda mais a base criativa da nossa cultura”, coloca o secretário de Cultura, Gilberto Freyre Neto.

A avaliação das candidaturas inscritas acontecerá em diferentes etapas. Primeiramente, etapa de habilitação documental, depois uma Comissão Especial de Análise elaborará pareceres sobre as candidaturas habilitadas considerando critérios, tais como: relevância do trabalho desenvolvido, idade do candidato ou tempo de existência do grupo e avaliação da carência social. Numa terceira etapa, os próprios candidatos apresentam seus trabalhos para uma plateia formada por conselheiros do CEPPC, responsáveis pela seleção dos contemplados, e por fim, em reunião ordinária o CEPPC deliberará o resultado final. A previsão é que a diplomação dos novos Patrimônios Vivos ocorra na cerimônia de celebração do Dia Nacional do Patrimônio Cultural, comemorado em 17 de agosto.

Panorama

A Lei do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco Lei Estadual 12.196/2002, normatizada por meio do Decreto nº 27.503/2004, deu início, em 2005, ao Concurso do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco – também conhecido como RPV – PE, fortalecendo as estratégias de salvaguarda dos saberes populares e tradicionais de mestres, mestras e grupos em diferentes áreas culturais e regiões do Estado. Inicialmente, registravam-se 3 (três) novos Patrimônios Vivos, situação alterada pela Lei Estadual 15.944/2016, aumentando para 6 (seis) os registros anuais no RPV- PE.

A substituição, em 2014, do antigo Conselho Estadual de Cultura pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural – CEPPC incluiu membros eleitos pela sociedade civil representando diferentes segmentos culturais, ampliando assim a participação social na escolha dos Patrimônios Vivos do Estado.

Na primeira edição do Concurso, ocorrida em 2005, reconheceram-se Patrimônios Vivos referentes aos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005. Em 2015 houve a interrupção do concurso em virtude da estruturação do CEPPC, que deliberou o resultado referente a 2015 e 2016 já em 2016, ano que também passou a valer o aumento do número de registrados por concurso.

Ao longo desses quinze anos, cada um dos novos “Patrimônio Vivo de Pernambuco” contou com prioridade em análises de projetos e participação em eventos promovidos pelo Estado, bem como participaram de diferentes ações de promoção, difusão e transmissão dos saberes, como o Festival Pernambuco Nação Cultural, Festival de Inverno de Garanhuns, Fenearte, Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, Outras Palavras, entre outros.

Até hoje, 63 Patrimônios Vivos foram registrados, sendo 48 pessoas físicas (entre elas 15 falecidas), e 22 grupos. São eles:

2005

Mestre Dila (in memoriam)

Mestre J. Borges

Zé do Carmo (in memoriam)

Banda Musical Curica (Sociedade Musical Curica)

Lia de Itamaracá

Maracatu Leão Coroado (Maracatu Carnavalesco Misto Leão Coroado)

Mestre Camarão (in memoriam)

Mestre Nuca (in memoriam)

Ana das Carrancas (in memoriam)

Canhoto da Paraíba (in memoriam)

Mestre Manuel Salustiano (in memoriam)

Manuel Eudócio

2006

José Costa Leite

Índia Morena

Homem da Meia-Noite (Clube de Alegoria e Crítica O Homem da Meia Noite)

2007

Zezinho de Tracunhaém (in memoriam)

Confraria do Rosário (Confraria do Rosário de Floresta do Navio)

Fernando Spencer (in memoriam)

2008

Mestra Selma do Coco (in memoriam)

Teatro Experimental de Arte

Caboclinho Sete Flexas (Caboclinhos 7 Flexas dos Recife)

2009

Maestro Nunes (in memoriam)

Maracatu Estrela Brilhante (Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu)

Caboclinhos Canindé (Clube Indígena Canindé)

2010

Sociedade Musical E. J. Nazarena (Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena)

Maestro Duda

Didi do Pagode

2011

Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

Mestra Maria Amélia

Mestre Galo Preto

2012

Associação M. E. de Timbaúba  (Associação Musical Euterpina de Timbaúba)

Arlindo dos 8 Baixos (in memoriam)

Mestre João Silva (in memoriam)

2013

Mestre Lula Vassoureiro

Banda Revoltosa (Sociedade Musical 5 de novembro)

Maestro Ademir Araújo

2014

Mestra Mocinha de Passira

Lula Gonzaga

Troça Carnavalesca Mista Cariri Olindense

2016

Claudionor Germano

Clube de Bonecos Seu Malaquias (Clube Carnavalesco Mixto Seu Malaquias)

Mestre João Espindola

Mestre Zé Lopes

Mestre Dedé Monteiro

Sociedade Musical XV de Novembro

2017

José Pimentel (in memoriam)

André Madureira

Dona Prazeres

Mestre Chocho

Bacamarteiros do Cabo (Sociedade de Bacamarteiros do Cabo)

Reisado do Inhanhum (Associação do Grupo de Reisado da Comunidade Quilombola)

2018

Gonzaga de Garanhuns

Cristina Andrade

Mestre Zé de Bibi

Cavalo-Marinho Estrela de Ouro de Condado

Casa Xambá (Organização Religiosa Africana Santa Bárbara Nação Xambá)

Banda Musical Saboeira (Sociedade 12 de Outubro)

2019

Mestre Saúba

Maracatu Cambinda Brasileira   (Sociedade Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira)

Mestre Aprígio

Mestre Nado

Mestre Assis Calixto

Tribo Carijós do Recife  (Tribo Indígena Carijós)

Fonte: Governo do Estado de Pernambuco

Governos não são eleitos para insultar educadores

Gazeta da Torre
Por José de Souza Martins, Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP
 O sociólogo e professor da USP José de Souza Martins
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
A publicação de uma lista da Secretaria de Educação de Rondônia com a determinação de recolhimento de 43 obras literárias destinadas às escolas, nos põe em face de orientações de governo que pedem análise e preocupação. Na objeção política ao livro e à leitura, no Brasil, que esse ato representa, é a civilização que está sob ataque com a chegada ao poder da mentalidade do desmonte do Estado brasileiro. Por aí, os eleitos de 2018 dão indicações de que supõem que, ao elegê-los, o povo abriu mão de seus direitos e conquistas como nação. Tudo vai se tornando revogável.

Não se trata de um evento de província, que nem por isso seria menos grave. Trata-se de desdobramento da guerra interna à erudição, declarada em diferentes atos de governo, como quando há semanas o próprio presidente sentenciou que os livros didáticos têm palavras demais. No seu governo, os livros serão, pois, instrumentos de minimização da cultura.

Governos não são eleitos para insultar educadores ou menosprezar cientistas ou desfazer as conquistas culturais e civilizatórias de um país. O governo atual não foi eleito para revogar o que somos no que de melhor temos. Protege-se no silêncio cúmplice da maioria.

As evidências que surgem nos diferentes setores do poder atual mostram que o regime de 1º de janeiro de 2019 funciona como um corpo invisível. É regulado por contaminação e identidade de propósitos que reúne os dispersos e frágeis na formação de um ser coletivo servil e cúmplice. Os absurdos de Brasília infiltram-se nos poros de Porto Velho e do país inteiro.

O governo de Rondônia filiou-se ao mesmo espírito da objeção presidencial antipedagógica, interpretou-a e ampliou-a. Entendeu que os livros arrolados fossem vetados e afastados dos estudantes. No veto, foi usado o pretexto de terem “conteúdos inadequados às crianças e adolescentes”. Dentre os autores visados pela medida kafkiana, estão Machado de Assis, o maior escritor brasileiro (fundador da Academia Brasileira de Letras), Mário de Andrade (da Academia Paulista de Letras), um dos pais do nosso modernismo, Euclides da Cunha (da ABL), Ferreira Gullar (da ABL), Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony (da ABL), Nelson Rodrigues, Edgar Allan Poe, Franz Kafka.

Interpelada, a Secretaria da Educação de Rondônia tentou minimizar as providências não consumadas, mas vazadas. O fato, porém, de que funcionários tenham se sentido autorizados a tomar a medida obscurantista é uma indicação de que a intolerância política e o autoritarismo estão de prontidão. À menor distração, podem invadir e ocupar nossos espaços de expressão e de liberdade.

A secretaria argumentou que recebera denúncia de que um dos autores censurados, Rubem Fonseca, usa palavrão em suas obras. Aqui, porém, não raro, quem não fala, pensa em palavrão. Nestes dias, o presidente fez para jornalistas o gesto impróprio e obsceno da banana, com o braço. Na linguagem gestual dos moleques de rua esse é o palavrão dos palavrões. Os repetidores de sinais do poder veem os palavrões dos outros, mas não os de sua própria cultura de botequim.

Não é o caso, mas no Brasil e em Portugal palavrão tem a função de ponto de exclamação falado. Seria falso e hipócrita negar importância literária ao modo como nos expressamos na vida, quando o palavrão indica a prioridade do que sentimos em relação ao que pensamos. Já os governantes estão obrigados a pensar antes de falar e antes de fazer. Caso contrário, ficam aquém da função que exercem.

A medida esboçada, em Rondônia, vai além e destaca em rodapé a recomendação: “Todos os livros de Rubem Alves devem ser recolhidos”. Está aí a impressão digital do sujeito oculto da delação. Rubem Alves foi educador respeitado, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que lhe reconheceu a competência e os serviços à educação do povo brasileiro ao lhe conceder o título de seu Professor Emérito.

Ele foi pastor presbiteriano em Lavras (MG), formado pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, filósofo, teólogo protestante renomado. Fez doutorado no Seminário Teológico de Princeton, nos EUA, com uma tese original e renovadora de grande repercussão, sobre Teologia da Esperança. Poeta, era também autor de livros infantis.

Como aconteceu com outros membros de várias igrejas protestantes e evangélicas no regime militar, Rubem Alves foi perseguido dentro de sua própria igreja. Seu pensamento social e educacional teve a envergadura de pensamento crítico e de questionamento da pastoral da subjugação e do silêncio em relação às questões sociais e do trabalho. Pastoral que dominou igrejas que sucumbiram à tentação da teologia da prosperidade, a teologia do individualismo alienante.

Artigo publicado no Jornal Valor Econômico