
Ao formalizar o pedido de impeachment contra a
governadora Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe),
ontem (19), o deputado Romero Albuquerque (UB) criou um fato político. Mesmo
sabendo da dificuldade de o processo prosperar na Casa, porque a governadora
tem a maioria dos parlamentares como aliados, o pedido gera desgaste para
Raquel, sobretudo em um ano eleitoral.
Para aprovar um impeachment, é preciso que haja quórum, o
que hoje a oposição não tem, mesmo havendo materialidade na denúncia contra a
governadora no episódio da falta de fiscalização da empresa Logo Caruaruense
por parte do Estado. A empresa pertence ao pai de Raquel Lyra, o ex-governador
João Lyra Neto, e opera de forma irregular em Pernambuco desde que Raquel
assumiu a gestão, há três anos, segundo investigação do portal Metrópoles.
No entanto, além do desgaste externo, com o episódio da
Logo Caruaruense sendo lembrado na memória da população toda vez que houver
algo novo sobre o pedido de impeachment, Romero Albuquerque acabou valorizando
internamente, nos corredores do Palácio do Campo das Princesas e também na
Alepe, a fidelidade dos deputados da base governista, porque agora virou uma
missão ainda maior para Raquel e sua Casa Civil agradar aos governistas, principalmente
os mais distantes.
O fato político criado por Romero Albuquerque tem grande
potencial de gerar dor de cabeça para a chefe do Poder Executivo. Para ser
aprovado no plenário, o pedido de impeachment precisa do aval de dois terços
dos deputados, ou seja, 33 parlamentares. Na atual conjuntura, a oposição não
obtém esses 33 votos, mas nada garante que o cenário se mantenha com o trabalho
dos bastidores, o que vai exigir de Raquel mais articulação para preservar a
base unida e fiel.

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