terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

‘CASA DE MAINHA’ - O projeto de um arquiteto brasileiro venceu o “Oscar da Arquitetura”

 Gazetada Torre

O urbanista Zé Vagner se inspirou nas necessidades da própria mãe para realizar o trabalho, feito na cidade de Feira Nova, no interior de Pernambuco.

Ele foi o único brasileiro premiado entre os melhores projetos residenciais no Arch Daily Building of The Year, uma das premiações mais democráticas e relevantes da arquitetura mundial.

O projeto de baixo custo, que contou com apenas dois pedreiros e material local, tinha como ideia valorizar o saber popular e conectar a tradição regional à arquitetura contemporânea.

Seu trabalho é elogiado por unir arquitetura contemporânea com a identidade e o calor do agreste pernambucano. O arquiteto Zé Vagner possui experiência prévia no Recife e formação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Considerado um dos nomes mais influentes da nova geração, ele é palestrante e utiliza as redes sociais (perfil @zeoarquiteto) para compartilhar sua visão de arquitetura.

Vídeo: GloboNews

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O mundo está assistindo a ascensão de líderes autoritários que se aproveitam do próprio jogo democrático

 Gazeta da Torre

Germano Almeida, analista de política internacional

A origem desse fenômeno pode estar na insatisfação da população quanto às instituições. É o que explica Germano Almeida, analista de política internacional, em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros.

Almeida lembra que, para além de uma ONU menos poderosa, o mundo vive, também, a ascensão de dois grandes poderes: Estados Unidos e China — bem como de poderes intermediários em crescimento, com grande potencial de ascensão.

“O caso norte-americano é muito claro. Há uma ideia de que os Estados Unidos falharam completamente nos últimos anos — e, depois, nos grandes números, vemos que os Estados Unidos continuam a ser a grande potência mundial”, explica. “A China vai reduzindo a diferença, mas não porque os Estados Unidos estão em queda livre. A China está a subir mais rapidamente, mas também com bastantes problemas. A pandemia mostrou

O que tem sido visto nas democracias ao redor do mundo é a consolidação do cenário ideal para a ascensão de discursos de caos, de instabilidade e de falência social, mesmo que exagerados. Esse quadro, segundo Almeida, é marcado por um “alto grau de insatisfação e de rejeição ao Congresso, ao Poder Executivo, à mídia, aos tribunais e às forças de segurança”.

É aí que o autoritarismo entra em cena. Segundo o analista, essa é uma situação propensa à ascensão do que ele chama de “homens fortes”. “São essencialmente líderes que rejeitam o sistema democrático — e que, muitas vezes, se aproveitam desse sistema, não se assumem como ditadores e vão ao jogo das eleições. A partir de certo ponto, ganham um certo controle e domínio, adotando a ideia de que ‘Se eu perdi, não valeu’”, conclui Almeida.

Fonte:UM Brasil

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Cresce o número de famílias que preferem ter pets em vez de filhos

 Gazeta da Torre

Nos últimos anos, tem-se observado um número crescente de pessoas que optaram por ter animais de estimação em vez de filhos. Esse movimento, conhecido como pet parenting ou parentalidade de animais de estimação, reflete uma mudança nos padrões de vida e nas prioridades das pessoas.

O professor Sérgio Kodato, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, acredita que os donos de pets podem adquirir um forte vínculo emocional pelos seus bichos, uma vez que esses animais passam a ocupar o lugar de um filho, tornando-se membro da família, criando hábitos, alterando rotinas de seus donos e até mesmo modificando o financeiro de um lar, fatores que alimentam uma dinâmica familiar.

Wlaumir Souza, sociólogo e psicanalista, explica que o fenômeno pet parenting está se tornando cada vez mais comum, devido às condições financeiras e ao encarecimento de ter um filho, além de uma mudança no modelo familiar. “Nós estamos saindo do modelo da família nuclear familiar para a família pet familiar, isso significa maior isolamento humano diante da incapacidade de comunicação e diálogo.”

Souza explica que os animais não respondem, não questionam e são fiéis aos seus donos e, portanto, são mais fáceis no convívio. “Para ser exato, o tutor do pet não quer uma pessoa independente, com opiniões únicas e pensamento crítico, ele quer alguém que não o questione.”

Kodato chama esse fenômeno moderno de humanização de animais e desumanização de crianças. “Essa perspectiva traz à tona uma série de reflexões e questionamentos sobre a maneira como estamos moldando nossas relações com os animais de estimação e os impactos que isso pode ter no desenvolvimento das crianças.”

O professor ainda informa que, à medida que a atenção e os recursos são desviados dos filhos para os pets, pode ocorrer uma diminuição da interação familiar e da convivência entre pais e filhos. “Algumas famílias podem concentrar seus esforços emocionais e financeiros no cuidado dos animais, negligenciando aspectos fundamentais do desenvolvimento infantil, como a educação, o apoio emocional e as experiências sociais.”

Fonte: Jornal da USP

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

DELÍRIO DE FEVEREIRO - Quando a cidade inteira pulsa no mesmo ritmo

 Gazeta da Torre

O Carnaval de Olinda e Recife é uma das manifestações culturais mais autênticas e vibrantes do Brasil, reconhecido mundialmente como patrimônio imaterial que preserva tradições seculares enquanto se reinventa a cada ano. Para compreender a grandeza desta festa, é necessário mergulhar em suas raízes históricas, que remontam ao período colonial brasileiro.

As primeiras manifestações carnavalescas em Pernambuco surgiram ainda no século XVII, quando trabalhadores se reuniam para a Festa de Reis, formando cortejos e improvisando cantigas em ritmos que prenunciavam o que viria a ser o frevo. No entanto, foi o entrudo português, introduzido pelos colonizadores, que marcou de forma mais contundente os primórdios da folia local. O entrudo era uma brincadeira popular em que as pessoas jogavam umas nas outras farinha, água, ovos e outros elementos, em uma celebração descontraída que antecedia a Quaresma.

Com o passar dos séculos, essas manifestações foram se transformando e ganhando características próprias. No final do século XIX, o Carnaval pernambucano começou a se estruturar com o surgimento dos primeiros clubes de frevo, agremiações formadas por trabalhadores assalariados, pequenos comerciantes, capoeiras, vendedores ambulantes e outros representantes das classes populares. Clubes como Vassourinhas (fundado em 1889), Caiadores, Canna Verde e Clube das Pás de Carvão evidenciavam como as camadas menos privilegiadas da sociedade se apropriavam do Carnaval, transformando-o em uma festa genuinamente popular.

Em Olinda, as festividades carnavalescas ganharam força no início do século XX, com o surgimento de clubes carnavalescos tradicionais, tais como o Cariri Olindense (1921) e o  Homem da meia noite (1931), o bloco que se tornaria símbolo máximo do Carnaval olindense.

De lá para cá o Carnaval de Olinda e Recife consolidou-se como uma festa de rua, democrática e acessível, onde a cultura popular se expressa de forma livre e criativa. A partir da década de 1970, com a fundação do Bloco da Saudade em 1974, surgiram os blocos líricos ou blocos de pau e corda, que resgataram a poesia e a nostalgia dos antigos carnavais. Em 1978, nasceu o Galo da Madrugada, que viria a se tornar o maior bloco de carnaval do mundo, reconhecido pelo Guinness Book em 1994.

Bloco Galo da Madrugada, Recife

O Carnaval de Olinda e Recife acontece sob o sol escaldante do verão pernambucano, em um clima tropical que convida à festa ao ar livre. As ladeiras estreitas e coloridas de Olinda, com suas casas coloniais e igrejas barrocas, criam um cenário único, onde a história se mistura à folia. O Centro Histórico de Olinda, tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO, transforma-se em um grande palco a céu aberto, onde mais de um milhão de pessoas se espremem para acompanhar os blocos e troças.

No Recife, as ruas do bairro de São José e do Recife Antigo fervilham com a passagem de dezenas de agremiações. O calor intenso, a cerveja gelada, a alegria contagiante e a música incessante criam uma atmosfera de êxtase coletivo. É um carnaval que acontece de dia, sob o sol inclemente, onde o suor se mistura ao brilho das fantasias e ao colorido dos confetes e serpentinas.

Recife Antigo

Mas é na música que reside a verdadeira alma do Carnaval pernambucano. O frevo, ritmo nascido no Recife no final do século XIX, é a trilha sonora desta festa. A palavra “frevo” vem de “ferver”, uma referência ao modo como a dança fervilha nas ruas, com seus passos acrobáticos e sua energia contagiante. O frevo mistura elementos da marcha, do maxixe e da capoeira, criando um ritmo acelerado e vibrante que é executado por orquestras de sopro e metais.

Frevo

Os blocos líricos que surgiram no Recife no início dos anos 1920 foram inspirados nos pastoris e nas folias de reis. Sua característica principal é a orquestra de pau e corda acompanhada por um coral feminino, que canta marchas e canções líricas com arranjos sofisticados. A partir de 1974, com a fundação do Bloco da Saudade, esses blocos passaram a ser conhecidos como Blocos Independentes ou Blocos Líricos, e se multiplicaram pela cidade.

Blocos Líricos

Além do frevo, o Carnaval pernambucano também celebra outros ritmos tradicionais, como o maracatu, o manguebeat, a ciranda, o coco e os caboclinhos, evidenciando a riqueza e a diversidade da cultura popular de Pernambuco. O Maracatu Nação, com seus tambores pesados e seu cortejo majestoso, é uma homenagem às raízes africanas da cultura pernambucana, enquanto o manguebeat, movimento musical surgido nos anos 1990, trouxe uma renovação ao Carnaval, misturando ritmos tradicionais com rock, hip-hop e música eletrônica.

Uma das características mais marcantes do Carnaval de Olinda e Recife é a espontaneidade e a participação popular. Diferentemente de outros grandes carnavais do Brasil, onde a festa é organizada em torno de desfiles de escolas de samba ou blocos fechados com cordões de isolamento, a folia pernambucana acontece na rua, de forma democrática, descentralizada e acessível a todos.

O folião não é um mero espectador, mas o protagonista do espetáculo. A festa é gratuita, aberta e sem barreiras. Não há cordas separando os brincantes dos observadores. Todos são convidados a participar, a dançar, a cantar, a se fantasiar e a se entregar à alegria coletiva. Como descreveu o escritor Paulo Montezuma, “O Galo da Madrugada invade o centro da cidade de tal maneira que não se sabe mais quem é o Galo, quem olha para o Galo, quem não é o Galo, onde está o Galo. O galo é o povo. São as pessoas que sonham, cantam, brincam, sem preconceitos e sem cordas de isolamento, sob o sol ou a chuva, com dinheiro ou sem dinheiro.”

Nas ladeiras de Olinda, a multidão se espreme para seguir as troças e blocos, cantando e dançando em uma comunhão contagiante. A criatividade se manifesta nas fantasias, muitas vezes improvisadas, que vão do humor à crítica política e social. É comum ver foliões fantasiados de personagens históricos, super-heróis, animais, figuras do folclore ou simplesmente vestidos com roupas coloridas e extravagantes. Os bonecos gigantes, com mais de dois metros de altura, são um dos símbolos máximos do Carnaval olindense, e dezenas deles desfilam pelas ruas, representando personalidades, personagens de ficção ou figuras criadas pela imaginação popular.

Bonecos gigantes de Olinda

Olinda no dia de carnaval

No Recife, o Galo da Madrugada é a expressão máxima dessa espontaneidade. Fundado em 1978 por um grupo de amigos que queria resgatar o Carnaval de rua da cidade, o Galo começou com apenas 75 pessoas fantasiadas de almas penadas, acompanhadas por uma pequena orquestra de frevo. Hoje, o bloco arrasta cerca de 2 milhões de foliões no Sábado de Zé Pereira, em um desfile que dura mais de nove horas e conta com 30 trios elétricos, 30 bandas de frevo, 6 carros alegóricos e milhares de pessoas de apoio.

Essa espontaneidade é a alma do Carnaval de Olinda e Recife. É a liberdade de ser quem se quer ser, de se juntar a um bloco desconhecido, de dançar frevo até o sol raiar, de se emocionar com a passagem de um bloco lírico, de rir com as fantasias criativas, de se perder nas ladeiras de Olinda e se encontrar na multidão. É uma festa que se reinventa a cada ano, mantendo vivas suas tradições ao mesmo tempo em que abre espaço para o novo, para a crítica, para a experimentação e para a celebração da vida.

O Carnaval de Olinda e Recife é muito mais do que uma festa. É uma manifestação cultural complexa e multifacetada, que expressa a identidade, a criatividade e a resistência do povo pernambucano. Desde suas origens no entrudo colonial até a consolidação como uma das maiores festas populares do mundo, o Carnaval pernambucano soube preservar suas tradições ao mesmo tempo em que se renova e se adapta aos novos tempos.

O lirismo do frevo de bloco, a energia contagiante do frevo de rua, a espontaneidade dos foliões, a democratização da festa, a criatividade das fantasias, a grandiosidade dos bonecos gigantes, a diversidade de ritmos e manifestações culturais – tudo isso faz do Carnaval de Olinda e Recife uma experiência única e inesquecível.

É uma festa que celebra a vida, a arte, a música, a dança, a poesia, a crítica social, a diversidade e a liberdade. É um carnaval que acontece na rua, sem cordas, sem barreiras, sem preconceitos. É o povo que se transforma em artista, que se apropria do espaço público, que cria e recria a cada ano a maior folia popular do Brasil.

A Irreverência dos Blocos de Bairro: O Caso do Mercado da Madalena

Além das grandes e tradicionais agremiações, o Carnaval de Recife é marcado pela efervescência de centenas de blocos de bairro, que representam a alma mais irreverente e espontânea da folia. O Mercado da Madalena, um dos mais tradicionais da cidade, é um polo de criatividade carnavalesca, onde surgem blocos com nomes humorísticos e de duplo sentido, uma característica marcante do espírito pernambucano.

Dois exemplos notáveis dessa veia cômica são os blocos de Socorro e Marília (*Por questões de conformidade com as políticas editoriais, não podemos apresentar os nomes). Os nomes, que à primeira vista podem parecer chocantes ou absurdos, são na verdade uma expressão do humor popular, da capacidade de rir de si mesmo e de subverter a linguagem cotidiana.

O bloco de Socorro, fundado em 2011, se autodenomina um “Bloco Etílico Hortifruti Rock Tropical Pop Psicodélico de Balcão”. A agremiação, que se apresenta no Mercado da Madalena, mistura em seu repertório pop, rock e orquestra de frevo, criando uma sonoridade única e eclética.

Bloco de Socorro

Já o bloco de Marília, embora não tenha registros oficiais de sua atuação no Mercado da Madalena (havendo blocos homônimos em outras cidades), representa perfeitamente o espírito dos blocos de bairro. O nome, de duplo sentido evidente, brinca com a ideia de exaustão após a folia, ao mesmo tempo em que utiliza uma gíria popular para criar um efeito humorístico. A existência (ou a lenda) de um bloco com esse nome demonstra a liberdade criativa e a ausência de pudores que caracterizam o carnaval de rua do Recife.

Bloco de Marília

Esses blocos, com seus nomes inusitados e sua proposta descontraída, são a prova de que o Carnaval pernambucano vai muito além dos grandes desfiles. Eles representam a festa em sua forma mais pura e democrática: a celebração da vida, do humor e da criatividade popular, que floresce em cada esquina, em cada bar, em cada mercado da cidade.

Essa é a essência do Carnaval de Olinda e Recife: uma festa do povo, pelo povo e para o povo, que celebra a cultura pernambucana em toda a sua riqueza, diversidade e beleza.

 

Márcio Nilo

FEV/2026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O Rei e a Rainha do Carnaval 2026 do Recife

 Gazeta da Torre

Entre passos, suor e emoção, Amanda Lira @amandinhaliraa e Walber Ferreira @walberferreira_1 foram eleitos Rainha e Rei Momo do Carnaval do Recife 2026. Mais do que as coroas, as majestades agora têm a missão de salvaguardar nossa cultura, desfilando nossas tradições.

A Rainha do Carnaval 2026 do Recife

Eles venceram o concurso no Pátio de São Pedro na sexta-feira (30), destacando-se pelo frevo, simpatia e desenvoltura, recebendo cada um R$ 30 mil. A Rainha Amanda Lira, 29 anos, é passista do bairro do Pina, com 20 anos de cultura popular. O Rei Momo Walber Ferreira, 43 anos, é dançarino de arte popular.

Vídeo: Olívia Leite/PCR

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Aluna da rede estadual de ensino, de 18 anos, desenvolveu um detergente biodegradável a partir da casca da PINHA

 Gazeta da Torre

A professora Mirian Carvalho
e aluna Beatriz Rodrigues

Conhecida como a capital mundial da pinha, a cidade de Presidente Dutra, no semiárido baiano, produz, conforme dados da Secretaria de Agricultura, cerca de 20.000 toneladas da fruta por safra anual. Responsável pela maior parte da geração de emprego e renda local, a cadeia produtiva é motivo de orgulho para a população, tendo, inclusive, no mês de abril, a tradicional Festa da Pinha. Como forma de valorizar essa cultura, a professora Mirian Carvalho, do Colégio Estadual de Tempo Integral Leila Janaína Brito Gonçalves, propôs um desafio à estudante Beatriz Rodrigues, de criar um produto inovador que tivesse a pinha como matéria-prima.

As pesquisas da jovem cientista mostraram que a Annona squamosa, nome científico da pinha, contém saponinas, substâncias naturais com propriedades de limpeza e formação de espuma. Foi a partir desta descoberta, que a estudante desenvolveu um detergente biodegradável à base da casca da pinha. “Além do detergente em sua versão líquida tradicional, foi desenvolvida, em um segundo momento, a versão pastosa do produto. Essa variação utiliza basicamente os mesmos ingredientes, com alterações nas proporções, permitindo a criação de um novo formato sem a necessidade de mudança da matéria-prima”, conta Beatriz.

A equipe garante que o produto é exclusivo e inovador. “Em comparação aos detergentes convencionais utilizados no dia a dia, trata-se de um produto totalmente biodegradável, sendo utilizado também sabão neutro biodegradável em sua composição. As próximas etapas envolvem o aperfeiçoamento da fórmula do detergente, a partir de novos testes, buscando melhorar a eficiência, a consistência e a durabilidade do produto. Também está prevista a avaliação do impacto ambiental, reforçando o caráter sustentável da proposta”, ressalta Beatriz.

A professora orientadora, Mirian Carvalho, acredita que a educação científica e empreendedora, que tem permitido que centenas de estudantes da rede estadual de ensino possam fazer ciência na prática, é responsável por “reacender a esperança da juventude”. “Esses projetos não são apenas sobre ciência ou negócios, mas sobre devolver sonhos, fortalecer a autoestima e fazer com que cada jovem perceba que, mesmo vivendo no interior, eles podem transformar sua própria realidade e construir um futuro melhor”, afirma.

Destaque no Encontro Estudantil que reuniu cerca de 10 mil estudantes na Arena Fonte Nova, o projeto tem apoio da professora Indira Neiva, diretora do colégio, que ofereceu suporte e incentivo ao desenvolvimento do produto. Os parceiros incluem produtores de pinha e donos de depósitos da cidade de Presidente Dutra, que colaboraram doando a matéria-prima, o que possibilitou a realização dos testes e a produção do detergente. “Essa parceria reforçou a importância da colaboração entre escola e comunidade, mostrando como recursos locais podem ser aproveitados de forma sustentável e empreendedora”, conclui Mirian.

Vídeo: Irecê Trends

Fonte: Governo da Bahia

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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Entre Orelhas: o cachorro, o banqueiro e o Brasil

 Gazeta da Torre

*imagem: “O Cão”. Pintura de Francisco Goya, 1823. Fonte: Museu do Prado. O Cão é uma das “Pinturas Sombrias” de Goya, um conjunto de catorze imagens que ele criou enquanto vivia numa casa chamada Quinta del Sordo, que se traduz como a Villa dos Surdos. Na fase final da sua vida, Goya sofria de transtornos mentais e físicos, toda essa dor e agonia é visivel nas pinturas em questão.

Orelha não devia bilhões a ninguém. Seu único "crime" foi existir no lugar errado, na hora errada, cruzando o caminho de jovens para quem a violência se tornou uma forma de entretenimento, uma performance a ser transmitida ao vivo pelo Discord

O Brasil, este vasto palco de contradições, encena diariamente um drama que oscila entre a tragédia e a farsa. De um lado, a frieza dos números, os bilhões que evaporam em esquemas financeiros complexos, protegidos por um labirinto de liminares e sigilos. Do outro, a brutalidade visceral, o som de ossos se partindo sob o peso de uma violência gratuita, filmada e compartilhada como troféu. Em ambos os cenários, um mesmo espectro assombra a nação: a impunidade, essa entidade onipresente que garante que, no fim das contas, a balança da justiça penderá sempre para o lado do privilégio.

Em um canto do ringue, temos Daniel Vorcaro, o arquiteto do que o próprio Ministro da Fazenda descreveu como a “maior fraude bancária” do país (eu diria banqueira, bancária é trabalhadora, não herdeira). Com o Banco Master, tudo indica que Vorcaro orquestrou um esquema que fez desaparecer algo entre 12 e 23 bilhões de reais, através da mágica contábil de vender carteiras de crédito que, na prática, não passavam de fumaça. É o tipo de crime que não suja as mãos de sangue, mas corrói as fundações da confiança pública (ou deveria) e drena recursos que poderiam construir hospitais, escolas ou, quem sabe, abrigos para os incontáveis “Orelhas” que perambulam pelas ruas.

E por falar em Orelha, no outro canto do ringue, temos sua história. Um cão comunitário, um vira-lata de dez anos que conhecia a Praia Brava, em Florianópolis, como a palma de sua pata. Sua rotina de afagos e restos de comida foi interrompida por uma sessão de tortura perpetrada por quatro adolescentes de classe média-alta. Orelha não devia bilhões a ninguém. Seu único “crime” foi existir no lugar “errado”, na “hora errada”, cruzando o caminho de jovens para quem a violência se tornou uma forma de entretenimento, uma performance a ser transmitida ao vivo pelo Discord (aplicativo usado por gamers).

À primeira vista, os dois casos parecem pertencer a universos distintos. O que a alta finança, com seus ternos bem cortados e jargões impenetráveis, tem a ver com a crueldade suburbana de jovens entediados? Tudo. Ambos são manifestações da mesma doença social, a certeza de que certas vidas e certas ações estão acima da lei. Vorcaro, com suas alegadas conexões políticas que se estendem de Ciro Nogueira a Ibaneis Rocha, move-se em um tabuleiro onde a “facilitação política” é apenas mais uma peça no jogo. Seus advogados tecem defesas, seus aliados nos altíssimos escalões da República garantem o sigilo do processo, e a opinião pública assiste, perplexa, à transformação de um rombo bilionário em uma nota de rodapé nos jornais.

Enquanto isso, os agressores de Orelha, após o ato, embarcam para uma viagem “pré-programada” à Disney, o templo máximo do consumo e da fantasia, como se a brutalidade que deixaram para trás fosse apenas um pesadelo a ser esquecido entre montanhas-russas e personagens sorridentes. Parece que o Mickey não tem cessado de vencer. Lembremos que a juíza Vanessa Cavalieri, que estuda a radicalização de jovens, alerta que o que aconteceu com Orelha não é um ponto fora da curva, mas um evento diário nas profundezas da internet, onde a tortura animal virou commodity, com uma média de 30 cães e gatos mortos por noite em transmissões ao vivo. O mundo é sombrio, brava gente que lê.

O privilégio, em ambos os casos, opera como um solvente universal da responsabilidade. Para Vorcaro, é o privilégio do capital, a capacidade de comprar influência, de contratar os melhores advogados, de navegar pelos corredores do poder com uma desenvoltura que o cidadão comum jamais sonharia. Ele nega a fraude, claro, e chega a ironizar, dizendo que, se tivesse tanto poder, não estaria sendo investigado. É a clássica inversão de narrativa: a vítima, agora, é o bilionário acuado pela justiça. O privilégio se ressignifica como perseguição.

Para os adolescentes, o privilégio é o da classe social e da idade. A certeza de que o sobrenome, a escola cara e a viagem internacional funcionam como um passaporte para a impunidade. A violência que praticam é dessensibilizada, um produto de horas a fio consumindo conteúdo extremo online, um fenômeno que transforma a empatia em fraqueza e a crueldade em status. O privilégio, aqui, se ressignifica como uma “fase”, um “desvio de conduta” de “bons meninos” que “não tinham a intenção”.

Essa história de impunidade não é nova. Ela é a argamassa que une os tijolos da história brasileira. É a mesma impunidade que permitiu que, em 1997, jovens de Brasília queimassem vivo o indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos e, mais tarde, tivessem suas penas reduzidas a quase nada. É a mesma lógica que garante que crimes de colarinho branco – Collor e PC Farias que o digam – raramente resultem em algo além de uma tornozeleira eletrônica e uma biografia de superação. A mensagem é clara e consistente: no Brasil, o tamanho do crime e a severidade da punição são inversamente proporcionais ao status social do criminoso.

Vorcaro e os agressores de Orelha são, portanto, dois lados da mesma moeda farsesca. Um representa a violência fria e sistêmica, que opera nas sombras dos balanços e dos gabinetes. Os outros representam a violência quente e explícita, que se manifesta na ponta de um porrete contra um corpo indefeso. Mas a origem de ambos é a mesma: uma sociedade que normalizou a desigualdade a tal ponto que a própria noção de justiça se tornou relativa. Uma justiça para os que podem pagar por ela, e outra para o resto – incluindo os Orelhas, humanos ou não, que têm a má sorte de cruzar o caminho dos privilegiados.

A crônica do Brasil é, assim, a crônica de uma impunidade que se reinventa. Ela troca o terno pela bermuda de marca, o jatinho particular pela viagem à Disney, a fraude contábil pela transmissão no Discord. Mas sua essência permanece intacta, um lembrete constante de que, nesta terra – de palmeiras, sabiás e corpos torturados – alguns são mais iguais que outros. E enquanto os bilhões de Vorcaro se perdem em um abismo fiscal e os ossos de Orelha se decompõem sob a terra, a pergunta que fica, ecoando no silêncio da nossa indignação seletiva, é: até quando?

Por Lindener Pareto, Professor, Historiador, Comunicador. Mestre e Doutor pela USP

Nova troça ‘A Jiboia da Beira Rio’

No sábado (31), a troça ‘A Jiboia da Beira Rio’ desfilou pelas ruas do bairro da Madalena, Recife. Com muita alegria, valorizando nosso Frevo e nossa cultura. A concentração ocorreu na praça Eça de Queiroz (Praça do D'Ávila) com participação do Boneco Gigante do Comunicador Circo Bezerra. Uma festa bonita no bairro da Madalena!

Vídeo:Pernambuco Você É Meu